Jim Koch, cervejeiro, fundador e presidente do conselho da Boston Beer Company, empresa que fabrica a cerveja Samuel Adams nos Estados Unidos, voltará a ocupar a cadeira de CEO a partir de sexta-feira (15). O atual executivo chefe, Michael Spillane, sai de cena após 16 meses à frente da companhia de bebidas para focar em questões pessoais e permanecerá como membro do conselho. A mudança acontece em um momento que a empresa voltou a crescer após cinco anos de altos e baixos.
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Jim Koch volta ao lar
Jim Koch esteve a frente da empresa da fundação, em 1984, até janeiro de 2001. E fez da Boston Beer uma das maiores e mais respeitadas cervejarias artesanais dos Estados Unidos. E agora retoma o lugar após mais de duas décadas afastado — mas em que seguiu atuante como presidente do conselho da empresa. Em entrevista ao The Wall Street Journal, ele disse que permanecerá como CEO até que um sucessor interno esteja pronto. “Há várias pessoas que ainda não estão prontas, mas em alguns anos, uma ou duas delas estarão”.
O fundador também reforçou no comunicado oficial que Spillane deixa a Boston Beer em situação muito boa. Semanas atrás, a companhia anunciou os bons resultados no segundo trimestre de 2025, apesar do momento de queda do consumo de cervejas artesanais nos Estados Unidos, superando as expectativas do mercado e valorizando as ações.
Resultado do segundo trimestre

A Boston Beer Company divulgou no final der julho um lucro por ação de US$ 5,45 no segundo trimestre de 2025, superando com folga as estimativas de mercado, que giravam em torno de US$ 4,37. A margem bruta também surpreendeu positivamente, alcançando 49,8%, alta de 3,8 pontos percentuais na comparação anual. O caixa operacional somou mais de US$ 125 milhões no semestre, com US$ 111 milhões destinados à recompra de ações, sinalizando confiança da administração. A combinação de rentabilidade elevada e perspectiva revisada para o ano ajudou a sustentar a reação positiva das ações em parte do mercado.
Apesar dos resultados sólidos no lucro, alguns indicadores chamaram atenção pela fragilidade, segundo analistas de mercado. A receita líquida, de US$ 587,95 milhões, veio ligeiramente abaixo das projeções de cerca de US$ 599 milhões. Mas a principal questão está nos volumes, que também recuaram: as depleções caíram 5% e os embarques tiveram queda de 0,8% no trimestre. A companhia ainda registrou um impairment (depreciação) de US$ 5 milhões em ativos de cervejaria, ampliando em US$ 1,6 milhão a despesa em relação ao mesmo período do ano passado.
Analistas apontam que o bom desempenho operacional não elimina os desafios no crescimento de vendas e no cenário competitivo. A Evercore ISI, por exemplo, reduziu o preço-alvo das ações para US$ 250, mantendo recomendação “in-line”, citando incertezas macroeconômicas e a performance de marcas importantes como Twisted Tea e Truly. Para investidores, o balanço evidencia uma empresa com eficiência crescente, mas que precisa reverter a queda de volumes para sustentar a trajetória de valorização.
Mix de produtos
Parte do resultado da Boston Beer Company foi sustentado por um mix de produtos que se compensam. Enquanto as cervejas da Samuel Adams e os Hard Seltzer de sabores variados da marca Truly tiveram queda nas vendas no período, as cervejas da DogFish Head e principalmente a nova bebida Read To Drink (RTD) Sun Cruiser cresceram.
A Sun Cruiser é um chá gelado com vodca, feito com chá de verdade e vodca premium. Não contém malte nem grãos maltados, mas combina chá gelado ou limonada com vodca, resultando em uma bebida sem glúten, com 4,5% ABV, sabor suave e refrescante, com um toque adocicado. O lançamento está mostrando bons resultados, indicando um possível caminho a seguir.


