Nitrogênio líquido vira alternativa para conservar cerveja | Guia da Cerveja
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Nitrogênio líquido vira alternativa para conservar cerveja

Aplicação do nitrogênio reduz nível de oxigênio e diminui risco de oxidação ou contaminação da cerveja

A utilização do nitrogênio líquido para produzir bebidas cremosas já não é novidade no mercado cervejeiro. Mas uma nova funcionalidade do produto vem ganhando espaço nos últimos meses: a conservação.

Ao utilizar o nitrogênio líquido antes do fechamento de garrafas ou latas, ou mesmo em barris de chopp, o nível de oxigênio é reduzido consideravelmente. O resultado, assim, é a diminuição do risco de oxidação ou da contaminação microbiológica.

“Além do impacto positivo na cremosidade, formação de espuma e visual da cerveja, o nitrogênio líquido também tem sido usado como ferramenta para manter as características da cerveja por mais tempo, através da inertização do headspace da lata ou da garrafa envasada”, explica Anderson Carvalho, vendedor técnico da McPack Equipamentos, empresa especializada no produto.

“Ao dosar uma gota de nitrogênio líquido segundos antes do fechamento do frasco, é possível reduzir consideravelmente o oxigênio residual no headspace, diminuindo o risco de desenvolvimento microbiológico e de oxidação da bebida, conservando o aroma e o sabor da cerveja por mais tempo”, acrescenta Carvalho.

Mercado cervejeiro
Se a indústria de “conservação” começa a utilizá-lo agora, o nitrogênio líquido já era relativamente frequente nas cervejas. A Guinness é pioneira nessa produção: suas tradicionais cervejas cremosas surgem da aplicação do produto.

No Brasil, por sua vez, um dos pioneiros foi o Brahma Black. Para se obter a cremosidade e o “efeito cascata” no copo, o nitrogênio é adicionado ao chopp – além do gás carbônico – e o creme, mais leve, é separado do líquido, que fica no fundo. A Maniacs foi outra cervejaria a apostar recentemente em produtos com essas características.

“Os produtos com maior base de malte tendem a ter melhores resultados com o nitrogênio, e por esse motivo que encontramos cervejas do tipo Stout, Porter, Brown Ale, Doppelbock com essas características”, comenta Rodrigo Costa, sócio da DaLata Envasamento.

O mercado de cervejas nitrogenadas, segundo ele, tem potencial para crescer ainda mais no país. “As cervejas nitrogenadas ainda são pouco exploradas pelo mercado brasileiro. No Brasil, a primeira cervejaria a contar com produtos com nitrogênio foi a Burgman, com o rótulo Full Gas Nitro Stout.”

O funcionamento do nitrogênio
Embora aparentemente complexa, a aplicação do nitrogênio tanto para produzir cerveja quanto para conservar é relativamente simples, feita por um equipamento totalmente automatizado, o que garante o controle do processo.

A aplicação é feita na embalagem e, assim, como no caso da Maniacs, o nitrogênio pode ser utilizado em latas. “Existe uma leve alteração nas características de carbonatação das cervejas. Elas têm que obedecer a certa proporção entre CO2 e N2, sendo que a proporção de CO2 será muito menor que uma cerveja normal”, explica Rodrigo Costa.

“A McPack acredita muito no nitro beer, é uma tendência mundial. E, além do nitro beer, existe também o cold brew coffee, que são os cafés gelados com nitrogênio. Essa técnica já é uma realidade, tanto que empresas como a Starbucks já têm em suas lojas, além de diversos cafés e restaurantes nos EUA”, completa Marcelo Cozac, diretor da McPack.


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