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Ambev expande produção de Corona no Rio e lança garrafa de 600ml

A Ambev inaugurou uma nova linha de produção da cerveja Corona em sua fábrica Nova Rio, localizada em Campo Grande, no Rio de Janeiro. O investimento de R$ 61 milhões acontece às vésperas da Olimpíada de Paris, que começará no fim de julho e terá a Corona, ainda que em sua versão sem álcool, como cerveja oficial.

A capacidade de produção da nova linha é de 36 mil garrafas por hora, tanto da versão long neck convencional quanto da nova garrafa de 600ml. “A produção de Corona é especial e a sua garrafa é icônica, um símbolo da marca de cerveja premium que mais cresce no país e impulsiona o nosso portfólio. Além disso, esse investimento reforça a importância do estado do Rio de Janeiro para o nosso negócio, com a fábrica de Campo Grande recebendo a nossa primeira linha decoradora de Corona”, afirma o diretor da Cervejaria Nova Rio da Ambev, Joilson Conceição.

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O investimento também faz parte da estratégia da companhia de reforçar seu portfólio premium, que inclui marcas como Corona, Spaten, Stella Artois e Original, e que é o segmento de cervejas que mais cresce atualmente. Com a nova linha, a fábrica será capaz de produzir, decorar e envasar 80% das garrafas long neck de Corona consumidas no Brasil.

O crescimento das vendas da Corona tem sido expressivo. No primeiro trimestre de 2024, o volume de vendas da cerveja aumentou 70% em comparação com o iguak período do ano anterior. Além disso, Corona foi eleita a marca de cerveja mais valiosa do mundo em 2024, avaliada em US$ 19 bilhões pelos rankings BrandZ Kantar e Brand Finance.

Para oferecer mais opções ao consumidor, a Ambev também anunciou o lançamento da garrafa retornável de 600ml da Corona no Rio de Janeiro.. A nova embalagem já está disponível em pontos de venda selecionados na capital fluminense, juntamente com a nova lata de 473ml, que também pode ser encontrada em Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Espírito Santo.

Além das inovações nas embalagens, a Corona Cero, versão sem álcool da cerveja com adição de vitamina D, será lançada nacionalmente ainda este ano, sendo patrocinadora oficial dos Jogos Olímpicos de Paris.

A expansão da produção no Rio de Janeiro é parte de um investimento maior da Ambev no Brasil, que desde o ano passado vem destinando mais de R$ 1 bilhão para otimizar e aumentar a capacidade de produção de cervejas premium, refrigerantes e embalagens em diversas regiões do país, incluindo Maranhão, Bahia, Ceará, Pernambuco, Piauí, Goiás, Paraná e Rio de Janeiro.

Inflação da cerveja supera IPCA em maio, em 2024 e nos últimos 12 meses

O reajuste médio dos preços da cerveja no varejo e nos bares em maio superou a alta da inflação oficial brasileira, o IPCA. A inflação foi de 0,86% para a cerveja no domicílio e de 0,95% para o item fora do domicílio, enquanto o IPCA ficou em 0,46% no período.

Consequentemente, a inflação da cerveja nos cinco primeiros meses de 2024 também está acima do IPCA. A alta dos preços alcançou 2,65% no varejo de janeiro a maio e 3,00% nos bares, comparado a um índice oficial de 2,27%.

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Essa tendência se repete no período de 12 meses iniciado em junho de 2023. A inflação da cerveja no varejo é de 4,99% e de 4,55% nos bares, enquanto o IPCA fica em 3,93%.

Em maio, a inflação da cerveja no varejo foi puxada, entre as cidades pesquisadas, por Salvador, que registrou alta de 1,83%. Já Belo Horizonte apresentou a maior retração nos preços no período, com queda de 0,74%. Nos bares, Campo Grande teve a maior alta de maio, de 2,84%, enquanto a Grande Vitória apresentou deflação de 0,92%.

Outras bebidas alcoólicas tiveram aumento de 1,02% nos preços em maio no varejo e de 0,42% nos bares. A inflação desses itens no domicílio está em 6,60% no ano e em 11,96% nos últimos 12 meses. Fora do domicílio, a alta é de apenas 0,64% em 2024 e de 3,65% no período iniciado em junho de 2023.

Alimentação puxa inflação
A alta dos preços da cerveja em maio contribuiu para a inflação de 0,62% do grupo alimentação e bebidas. O índice acumulado está em 4,23% em 2024 e 3,56% nos últimos 12 meses. De acordo com o IBGE, esse grupo foi o principal responsável pelo IPCA de 0,46% no mês.

O resultado foi influenciado pela alta dos tubérculos, raízes e legumes (6,33%). Entre eles, destaca-se a batata-inglesa, com aumento de 20,61%, representando o maior impacto individual sobre o índice geral.

“Em maio, com a safra das águas na reta final e um início mais devagar da safra das secas, a oferta da batata ficou reduzida. Além disso, parte da produção foi afetada pelas fortes chuvas que atingiram o Rio Grande do Sul, que é uma das principais regiões produtoras”, diz o gerente da pesquisa, André Almeida.

Campanha convida bares a reservarem torneiras para cervejarias gaúchas

As recentes enchentes de maio causaram estragos devastadores no Rio Grande do Sul, um dos principais polos cervejeiros do Brasil. Como reação a essa tragédia, surgiu a campanha TAP RS, uma iniciativa que visa mobilizar bares e eventos cervejeiros em todo o país para ajudar na recuperação econômica das cervejarias gaúchas.

A campanha TAP RS convida bares de todo o Brasil a reservarem pelo menos uma de suas torneiras – ou taps – para a comercialização de cervejas produzidas no Rio Grande do Sul. Esta ação solidária pretende dar maior visibilidade e mercado para os produtos das pequenas e independentes cervejarias da região, que enfrentam grandes desafios para se reerguer.

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A Rede Craft, entidade organizadora da iniciativa, será responsável por conectar os bares cadastrados às cervejarias gaúchas. Os bares interessados em participar deverão preencher um formulário disponibilizado pela Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), acessível pelo link. A Rede Craft irá criar um registro dos estabelecimentos dispostos a participar e uma lista das cervejarias capacitadas a fornecer seus produtos fora do Rio Grande do Sul.

O mercado cervejeiro gaúcho é um dos mais importantes do país, conforme demonstram os dados do Anuário da Cerveja 2024. Com 335 das 1.847 fábricas de cerveja do Brasil localizadas no Rio Grande do Sul, a região registrou um crescimento de 8,1% entre 2022 e 2023.

Apenas em Porto Alegre, há 43 fábricas registradas, enquanto Caxias do Sul abriga 23. Outras cidades como Bento Gonçalves e Farroupilha possuem 10 fábricas cada. No total, 146 municípios gaúchos têm pelo menos uma cervejaria, gerando 2.322 empregos diretos.

Assim, ao aderir à TAP RS, bares de todo o Brasil estarão contribuindo significativamente para a recuperação econômica de uma região que é vital para a indústria cervejeira nacional.

Diversificar fornecedores é maior saída das cervejarias para ter acesso a insumos

Diversificar fornecedores é maior saída das cervejarias para ter acesso a insumos

No cenário cervejeiro brasileiro, garantir acesso a insumos de qualidade tem sido uma preocupação para uma parcela relevante das cervejarias, especialmente diante das demandas do mercado por produtos diferenciados e de alto padrão. A pesquisa Principais Desafios do Mercado Cervejeiro no Brasil, conduzida pelo Guia da Cerveja e acessível pelo link, procurou entender como as cervejarias enfrentam esse desafio e quais estratégias estão sendo adotadas para garantir a qualidade de seus produtos.

De acordo com os resultados da pesquisa, a estratégia mais adotada pelas empresas para solucionar o acesso a insumos de qualidade é a maior diversificação de fornecedores, citada por 43% dos respondentes. Isso reflete a busca por garantir uma rede de fornecimento robusta e resiliente, capaz de suprir as necessidades da produção cervejeira.

Outra abordagem comum é a formação de parcerias com produtores locais, mencionada por 16% das cervejarias participantes da pesquisa. Essa estratégia não apenas fortalece os laços com a comunidade, mas também pode garantir um fornecimento mais fresco e sustentável de insumos.

Apenas 7% das cervejarias relataram buscar fornecedores internacionais, indicando uma preferência por fontes mais próximas e talvez uma preocupação com os desafios logísticos e burocráticos associados a importações.

Além disso, a pesquisa revelou que algumas cervejarias estão investindo em fazendas e cultivo próprio de insumos, uma estratégia adotada por 5% dos respondentes Isso sugere uma abordagem mais integrada e autossustentável para garantir a qualidade dos ingredientes utilizados na produção de cerveja.

Ao analisar os recortes das respostas por região e porte das cervejarias, algumas tendências interessantes emergem. Por exemplo, enquanto a maior diversificação de fornecedores é uma estratégia mais presente no Centro-Oeste (60%), o investimento em fazendas e cultivo próprio de insumos é mais comum no Nordeste (15%).

Quanto à percepção do desafio de acesso a insumos de qualidade, 9% das cervejarias o consideram um desafio de impacto significativo, 19% um desafio de impacto moderado e 35% um desafio de baixo impacto. Por outro lado, 38% das empresas afirmaram que não consideram esse problema relevante para sua operação.

Sobre a pesquisa
A pesquisa “Principais Desafios do Mercado Cervejeiro no Brasil” é um estudo quantitativo conduzido por meio de questionário online, com respostas coletadas em setembro de 2023. O estudo contou com a participação de 129 proprietários ou administradores de cervejarias em todas as cinco regiões do país.

Copa Brasileira de Lúpulos 2024: IraHops conquista bicampeonato com 6 ouros

A IraHops foi o principal destaque da edição de 2024 da Copa Brasileira de Lúpulos. Em premiação realizada no último fim de semana, a fazenda foi eleita a melhor produtora de lúpulo do país, conquistando sete medalhas, sendo seis de ouro. Assim, a produtora de Itapetininga (SP), que também venceu a competição no ano passado, faturou o bicampeonato.

A Copa Brasileira de Lúpulos ocorreu em Campinas (SP) e reuniu 76 amostras de 35 diferentes produtores. O evento incluiu um workshop sobre lúpulo e um festival que ofereceu apenas cervejas produzidas com o ingrediente local.

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As medalhas de ouro da IraHops foram conquistadas nas categorias Centennial, Crystal, Magnum, Zeus, Chinook e Cascade. Outro destaque da premiação foi a Hops Mococa, da cidade homônima do interior paulista, que levou dois ouros nas categorias Saar e Comet, esta última com o maior número de amostras: 22.

Com o apoio do Polo Cervejeiro da Região Metropolitana de Campinas e organizada pelo químico Duan Ceola e pela Kalamazoo Natural Solutions, a Copa Brasileira de Lúpulos visa contribuir para o aperfeiçoamento técnico dos cultivadores e consultores, além de divulgar a qualidade da produção nacional deste importante ingrediente cervejeiro.

De acordo com o Mapa do Lúpulo Brasileiro, pesquisa anual realizada pela Associação Brasileira de Produtores de Lúpulo (Aprolúpulo), o volume de produção no Brasil chegou a 88 toneladas em 2023, um aumento de 203% em relação ao ano anterior. A área cultivada cresceu 133%, totalizando 111,8 hectares. Atualmente, são 114 produtores no país, espalhados por 13 estados e 99 municípios.

A edição de 2024 da Copa Brasileira de Lúpulos entregou prêmios em 15 categorias. Confira os ganhadores das medalhas de ouro:

Southern Cross – Eden Hops
Mittelfrüh – Lúpulo São Pedro
Centennial – IraHops
Crystal – IraHops
Nugget – Sublima Hops
Triple Pearl – Grupo Petrópolis
Sorachi Ace – Lúpulos Dalcin
Chinook – IraHops
Zeus – IraHops
Saar – Hops Mococa
Magnum – IraHops
Triumph – Lúpulo Zamná
Experimental – Clube do Lúpulo
Cascade – IraHops
Comet – Hops Mococa

Balcão Xirê Cervejeiro: O que a Guinness e James Joyce têm em comum?

Balcão Xirê Cervejeiro: O que a cerveja Guinness e James Joyce têm em comum?

Para a pergunta, a resposta é simples: ambos são irlandeses. Mas não iniciei esta conversa apenas para responder à pergunta, mas sim para lembrar que no dia 16 de junho é comemorado o Bloomsday.

Convidei o jornalista, sociólogo e amante da literatura, Victor Simião, para falar um pouco sobre essa data especial. Aqui está o que ele disse:

Um brinde a “Bloomsday”

Clássico da literatura mundial, “Ulysses”, de James Joyce, é amplamente celebrado ao redor do mundo neste domingo, 16 de junho. É que a história do livro, publicado originalmente em 1922, se passa em 16 de junho de 1904. Ao longo desse dia, mais especificamente em pouco menos de 24 horas, acompanhamos a vida de Leopold Bloom, um vendedor de anúncios publicitários de um jornal que vive em Dublin. Ele, entre outras ações, sai de casa cedo, passa no funeral de um amigo, vai a um restaurante, bebe e volta para o lar sabendo que sua esposa pode ter um amante. Tudo em menos de um dia inteiro – e é a isso que convencionou-se chamar de “Bloomsday” (o dia de Bloom).

A premissa do escritor irlandês, fazendo um jogo de espelhos com “A Odisseia”, de Homero, é mostrar que até um homem comum pode viver uma epopeia, mesmo não tendo que ficar dez anos longe de casa, enfrentar monstros e fugir de armadilhas. Na Irlanda, 16 de junho é um feriado; e ao redor do mundo, ocorrem celebrações para marcar o dia em que Leopold Bloom vive uma vida comum, mas ainda assim extraordinária. 

“Ulysses” é considerado um clássico porque nada ali é entregue de forma gratuita. A fala do narrador em boa medida não tem marcação por meio do discurso direto livre; há digressões, piadas de duplo sentido, entre outras surpresas no texto. O “monumento literário” tem sido estudado há cem anos e ainda não se esgotaram todas as possibilidades de leitura e interpretação. Uma das edições brasileiras, publicada em 2012 pela Penguin-Companhia, traduzida por Caetano Galindo, tem mais de 1.100 páginas. 

Embora seja visto como um livro cabeçudo, complexo, há momentos de pura diversão, de bebedeira –e a gente sabe que, na Irlanda, bebe-se muito bem. Por isso, a recomendação é escolher uma cerveja irlandesa, aproveitar o dia e ler e reler “Ulysses”.

Temos aqui uma rica história que há décadas vem sendo regada a muita boa cerveja. Ergo um brinde a essa história e, claro, com a clássica e icônica cerveja Guinness, que tem o DNA irlandês, assim como Leopold Bloom.

Leia sem moderação e beba com moderação.
Cheers!


Sara Araujo é graduada em Ciências Jurídicas pela Instituição Toledo de Ensino Bauru (SP) e atua na área de execução penal. É graduanda em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Maringá (PR), pós-graduanda em história da África e da Diáspora Atlântica pelo Instituto Pretos Novos do Rio de Janeiro, sommelière de Cervejas pela ESCM/Doemens Akademie e criadora e gestora do @literaturanobar.

Blumenau faz parcerias com associação cervejeira e ESCM para eventos

A Prefeitura de Blumenau deu passos importantes para tirar do papel a edição de 2025 do Concurso Brasileiro de Cervejas e do Festival Brasileiro da Cerveja. Por meio da Secretaria de Turismo e Lazer e do Parque Vila Germânica, a administração pública anunciou parcerias com a Escola Superior de Cerveja e Malte (ESCM) e a Associação Blumenau Capital Brasileira da Cerveja para a realização dos eventos.

A ESCM será responsável pela coordenação técnica do Concurso Brasileiro de Cervejas, do Congresso Técnico-Científico e da Feira Comercial, enquanto a Associação Blumenau Capital Brasileira da Cerveja, composta por cervejarias locais, gerenciará o Festival Brasileiro da Cerveja.

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Pelo acordo, a ESCM deverá garantir a participação mínima de 25% de jurados internacionais na avaliação das amostras, assegurando visibilidade junto aos principais mercados cervejeiros internacionais. Além disso, a ESCM manterá a curadoria de uma associação cervejeira reconhecida, que atuará como interlocutora do evento. O concurso, de 9 a 11 de março de 2025, voltará a ser realizado no Parque Vila Germânica, no setor 4, enquanto a Feira Comercial de Máquinas, Equipamentos, Produtos e Serviços ocorrerá no setor 1.

“É uma honra para a Escola Superior de Cerveja e Malte ser responsável pela organização de eventos tão importantes para a cidade de Blumenau e para o segmento, e temos certeza que o mercado cervejeiro nacional será um grande parceiro no reposicionamento e modernização de Concurso, Congresso Técnico-Científico e Feira Comercial”, diz o diretor da ESCM, Carlo Enrico Bressiani.

A Prefeitura de Blumenau anunciou que 10% da receita bruta das inscrições do Concurso Brasileiro de Cervejas será revertida para o Fundo Municipal de Turismo, que é composto por recursos públicos e privados, sendo investido exclusivamente em ações de fortalecimento de Blumenau como “Capital Brasileira da Cerveja”, incluindo divulgação, infraestrutura e outros aspectos.

Para a realização do Festival Brasileiro da Cerveja, marcado para 12 a 16 de março, a Associação Blumenau Capital Brasileira da Cerveja propõe um modelo inspirado no Great American Beer Festival, dos Estados Unidos, com redução significativa dos custos para as cervejarias participantes.

O modelo consiste na exposição e comercialização compartilhada de cervejas artesanais de todo o Brasil no setor 3 do Parque Vila Germânica. As cervejarias enviarão seus barris diretamente para a organização do evento, que será responsável pela operação de vendas. Já o setor 2, o maior pavilhão do Parque Vila Germânica, terá apresentações musicais locais e nacionais, além de estandes individuais de cervejarias. O festival, focado no mercado independente de cervejarias, não permitirá a participação de grandes grupos econômicos cervejeiros.

“Os custos para participação em eventos são cada vez maiores para as cervejarias, especialmente quando envolve também questões de deslocamento e mobilização de infraestrutura. Por isso, acreditamos que o modelo proposto, inédito no Brasil em eventos deste porte, possibilitará uma presença maior do mercado no segmento nacional e, com isso, volte a ser o grande encontro de cervejeiros do nosso país. O modelo está desenhado para esse objetivo” afirma o presidente da Associação Blumenau Capital Brasileira da Cerveja, Péricles Espindola.

Imbróglio
O anúncio das parcerias pela Prefeitura de Blumenau ocorre em meio a um imbróglio envolvendo as marcas dos tradicionais eventos cervejeiros. No início de maio, a Prefeitura de Blumenau anunciou uma intervenção no Festival Brasileiro da Cerveja e no Concurso Brasileiro de Cervejas, retirando a organização desses eventos da Associação Blumenauense de Turismo, Eventos e Cultura (Ablutec).

“Precisamos e recuperaremos a credibilidade do Festival Brasileiro da Cerveja, que é de Blumenau. Faremos o que Blumenau sabe fazer de melhor: organizar eventos, recepcionar quem nos visita e celebrar a história da cerveja, que é tão parte de Blumenau e do desenvolvimento da nossa cidade”, diz o prefeito de Blumenau, Mário Hildebrandt.

A decisão da prefeitura foi contestada pela Ablutec, que prometeu levar o caso à Justiça. No final de maio, a associação anunciou que os eventos cervejeiros seriam realizados em Balneário Camboriú. O Concurso Brasileiro de Cervejas está marcado para 8 a 11 de março, e o festival ocorrerá de 12 a 15 de março, segundo a Ablutec, que já iniciou a venda de ingressos. A disputa pelo direito ao uso dos nomes dos eventos cervejeiros deve prosseguir na Justiça.

Marcas capixabas e de São Paulo dominam etapa Sudeste da Copa Cerveja

Cervejarias do Espírito Santos e do interior paulista foram os grandes destaques da etapa Sudeste da edição de 2024 da Copa Cerveja Brasil.  Em premiação realizada na noite de terça-feira, em São Paulo, a cervejaria LBS, de Linhares (ES), teve a melhor cerveja da disputa, enquanto a Marés, de Americana (SP), ficou com o segundo e o terceiro lugar. Já a Três Santas, de Santa Teresa (ES), foi a cervejaria com mais medalhas conquistadas.

O ouro na disputa Best of Show, que reúne cervejas de todas as categorias, foi para a Amburana Dream Lager, da LBS. A cerveja é resultado de um blend com uma Dark Lager maturada por dois anos em um barril de amburana. A marca de Linhares ainda conquistou outros dois ouros na disputa.

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As medalhas de prata e bronze do Best of Show foram para a Marés. A American Pilsner Tripulante levou a prata, enquanto a Carranca Goiaba e Framboesa, uma cerveja estilo Catharina Sour, faturou o bronze.

Em outras categorias, a premiação em São Paulo foi dominada pela Três Santas. A marca capixaba conquistou 13 medalhas, sendo cinco de ouro, seis de prata e duas de bronze. Esse desempenho amplia o sucesso alcançado na etapa Sudeste da Copa Cerveja Brasil de 2023, quando se consagrou como melhor brewpub da região, com três ouros e sete medalhas.

Os julgamentos das cervejas inscritas na etapa Sudeste ocorreram entre sexta-feira (7) e domingo (9), em São Paulo. A partir dessa avaliação, foram distribuídas 20 medalhas de ouro, 31 de prata e 18 de bronze.

A Copa Cerveja Brasil é um concurso itinerante, realizado pela Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) nas cinco regiões do país. Todas as medalhistas regionais serão novamente avaliadas em uma final nacional do concurso.

“Faz parte da missão da Abracerva desenvolver e democratizar a cerveja artesanal brasileira e essa certamente e uma das funções do nosso concurso. Sem fins lucrativos, lutamos para ter inscrições com valores mínimos, dar oportunidade e experiência para jurados das regiões e oferecer feedbacks completos sobre as amostras para as cervejarias,” afirma o presidente da associação, Gilberto Tarantino. 

A premiação da etapa Sudeste da Copa Cerveja Brasil ocorreu durante a Brasil Brau, feira de tecnologia em cerveja que está sendo realizada em São Paulo. A primeira etapa desta edição, a do Centro-Oeste, aconteceu em maio. A próxima etapa, em julho, será a do Nordeste, na Bahia. Em agosto e setembro, vão ocorrer as disputas no Norte e no Sul do país.

Entrevista: “Focar no consumidor de cerveja é mais crucial do que nunca”

O sucesso de uma cerveja artesanal passa, hoje, necessariamente pelo foco no cliente, com o atendimento das suas demandas e a construção de uma marca forte. Essa é a visão de Steve Parr, diretor de relações institucionais da Brewers Association, que representa o setor de cervejas artesanais e independentes dos Estados Unidos.

Entender isso é fundamental para que as cervejarias artesanais brasileiras aproveitem as várias oportunidades existentes em busca de um desenvolvimento saudável e da expansão do segmento, afirmou, em entrevista, Steve Parr, uma das atrações da Brasil Brau, feira internacional de tecnologia em cerveja iniciada nesta terça-feira (11) em São Paulo. Durante o evento, ele compartilhou suas ideias, destacando a importância de entender as diversas preferências dos consumidores e de educá-los sobre os produtos.

Na entrevista, Parr também abordou como a Brewers Association tem atuado na promoção da qualidade e diversidade das cervejarias artesanais dos Estados Unidos em mercados internacionais. Além disso, compartilhou lições valiosas e estratégias adotadas pelo mercado americano que podem ser aplicadas para impulsionar o crescimento e desenvolvimento das artesanais brasileiras.

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Confira a entrevista com o diretor de relações institucionais da Brewers Association, Steve Parr:

Em entrevista recente, você mencionou que os EUA são um dos maiores mercados de cerveja artesanal e que gostaria de ter o mundo como cliente. Qual é a estratégia para globalizar o produto local?
No mercado cada vez mais competitivo de hoje, focar no cliente – o consumidor de cerveja – é mais crucial do que nunca. No entanto, é importante reconhecer que não existe apenas um tipo de cliente, mas muitos, cada um com preferências e exigências únicas. As cervejarias que conseguirem desenvolver um plano estratégico visando a interseção dessas diversas demandas, estabelecer uma marca forte e educar os consumidores sobre as ocasiões que seus produtos melhoram terão sucesso.

Como você vê o Brasil no mercado cervejeiro?
Viajei pela primeira vez ao Brasil em 2018 e fiquei impressionado com a dinâmica e energizada indústria cervejeira. Desde então, o número de cervejarias continuou a crescer e estou ansioso para ver o quanto mudou. Das maiores cervejarias globais a um cenário artesanal vibrante, pequeno e independente, vejo o Brasil e a América do Sul como regiões cruciais para inovação e liderança em cerveja.

Segundo a Brewers Association, o mercado de cervejas artesanais nos Estados Unidos caminha definitivamente para um estágio de crescimento moderado. Você acha que o Brasil está no mesmo nível?
Já se passaram muitos anos desde que viajei ao Brasil, mas quando se trata de participação de mercado na indústria cervejeira nacional, acredito que os cervejeiros artesanais brasileiros ainda têm espaço significativo para desenvolvimento e expansão.

Qual é a importância de eventos como a Brasil Brau?
Eventos do setor como a Brasil Brau são cruciais para facilitar oportunidades de networking e compartilhar ideias inovadoras que promovem a produção cervejeira em todo o mundo. Mesmo numa época em que a comunicação digital nos envolve facilmente, nada se compara aos benefícios de ver novos equipamentos em primeira mão, cheirar e provar matérias-primas e interagir pessoalmente – e talvez tomando uma cerveja – para discutir novas ideias e soluções de negócio.

Na sua opinião, qual será a sua contribuição para um público de profissionais e empreendedores cervejeiros?
O mercado de cerveja artesanal dos Estados Unidos serve como exemplo de rápido crescimento seguido de maturação. Embora os cervejeiros artesanais brasileiros ainda não estejam nesse estágio e provavelmente estejam alguns anos atrasados, minha apresentação na Brasil Brau destaca as lições aprendidas e as estratégias adotadas pelos pequenos cervejeiros nos EUA. Esses insights podem ser valiosos para os cervejeiros artesanais brasileiros à medida que passarem por fases semelhantes de crescimento e desenvolvimento no futuro.

Unika é melhor brasileira da South Beer Cup 2024; veja quem levou ouro

A Cervejaria Unika foi o grande destaque brasileiro na premiação da edição de 2024 da South Beer Cup, realizada na noite de sábado (8), em Buenos Aires. A competição foi dominada por representantes da Argentina, mas a marca de Rancho Queimado (SC), se destacou como a terceira melhor microcervejaria da disputa, de acordo com a pontuação acumulada com as medalhas conquistadas.

A Unika obteve quatro medalhas na South Beer Cup de 2024: uma de ouro, duas de prata e uma de bronze. A medalha dourada foi conquistada pela Catharina Sour Caju Pytang, em uma categoria que incluía os estilos German Sour, Ame Sour Ale e Catharina Sour.

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Apesar do sucesso da Unika, os grandes destaques da premiação foram cervejarias argentinas. A Tropel foi eleita a melhor microcervejaria da South Beer Cup 2024, com duas medalhas de ouro e duas de prata. A Prinston ficou em segundo lugar, com dois ouros e dois bronzes.

Além da Unika, outras cervejarias brasileiras também conquistaram medalhas na South Beer Cup de 2024, sendo sete de ouro. A Stannis, de Jaraguá do Sul (SC), levou ouro com a Stannislau’s Reserve, na categoria Strong Beer. A Vienna Lager da Wolfes Bier, de Sertãozinho (SP), ganhou na categoria European Lager.

A Bierbaum, de Treze Tílias (SC), faturou ouro com a Doppelbock Defumada, na categoria Historical e Smoke Beer. A Bonato, de Curitiba, venceu com a Dark Lager, na categoria Schwarzbier, Bock, Doppelbock e Eisbock. A Água do Monge, de Guarapuava (PR), triunfou com a Saison Chardonnay, a melhor entre as Speciales Belge, Witbiers e Saisons.

A Brown Ale Cacau da Faroeste Beer, de Itajaí (SC), foi a melhor entre as Chocolate, Coffee Beers e Pastry Stouts. Já a Quadruppel 277, da 277 Craft Beer, de Foz do Iguaçu (SC), se consagrou entre todas as Belgian Ales.

A South Beer Cup é conhecida como a “Libertadores das Cervejas”, pois permite a participação de apenas cervejas premiadas em outras competições.

Confira, nas imagens, todas as medalhistas da South Beer Cup de 2024: