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World Beer Awards premia 12 cervejas brasileiras como melhores do mundo

O World Beer Awards, um dos maiores concursos de cerveja do mundo, revelou nesta quarta-feira (13) as cervejas que faturaram as maiores premiações do ano, conquistando o título de Melhor Cerveja do Mundo nos principais estilos e nas dez categoriais gerais. O Brasil faturou 13 prêmios para 12 cervejas, já que a Opa Bier Hop Lager, de Joinville (SC), teve premiação dupla: venceu no estilo Hop Lager e como melhor da categoria Lager. A grande final aconteceu na Inglaterra e concentrou as melhores cervejas de diversas regionais que acontecem pelo mundo.

Com isso, a categoria Lager foi a que teve o maior número de prêmios para cervejas brasileiras. Além de Melhor Lager e Melhor Hop Lager, a Opa Bier também levou como melhor Czech Style Pale com a cerveja Merecida. A Vienna Lager da cervejaria Big John, de Descanso (SC), completa a lista.

O Brasil também se destacou na categoria Pale Beer com três prêmios: Bitter Over 5.5% para a British Strong Ale da Ashby (Amparo – SP), Brazilian Pale Ale para cerveja American Pale Ale da Cervejaria Salva (Bom Retiro do Sul – RS) e English Style Pale Ale para a 838 da Cervejaria Bohemia (Petrópolis – RJ).

Entre as cervejarias, a que mais ganhou prêmios foi a Stannis (Jaraguá do Sul – SC) — que também foi eleita a Melhor Cervejaria do Brasil de Médio Porte no Brasil Beer Cup no sábado (9). Ela levou as condecorações de melhor do estilo Flavoured Stout & Porter com a Antonieta Porter, Fruit Lambic com a Mother Gaia e Sour & Wild Ale com a Alma Mater.

>>> Leia também: Conheça as cervejarias premiadas no World Beer Awards 2025

A cidade de Campinas (SP) também se destacou com dois prêmios. A melhor IPA sem álcool do mundo foi a Sim! Cerveja. Este ano, a Sim! já havia ganhado medalha de ouro no World Beer Cup com a Melancia Sour’n Salt. Já a cerveja Daoravida faturou o prêmio de melhor Wood Aged Beer com a Terminus 2025.

A cerveja Caracu, da Ambev, fecha a premiação como melhor Sweet Stout.

Confira a lista de melhores do mundo:

Flavoured Beer

  • World’s Best Flavoured Stout & Porter – Cerveja Stannis – Antonieta Porter
  • World’s Best Wood Aged Beer – Daoravida – Terminus 2025

Lager

  • World’s Best Lager – Opa Bier – Hop Lager
  • World’s Best Hoppy Pilsener – Opa Bier – Hop Lager
  • World’s Best Czech Style Pale – Opa Bier – Merecida
  • World’s Best Vienna Lager – Big John – Vienna Lager

No & Low Alcohol Beer

  • World’s Best No & Low Alcohol IPA – Sim! Cerveja Sem Álcool – IPA

Pale Beer

  • World’s Best Bitter Over 5.5% – Ashby – British Strong Ale
  • World’s Best Brazilian Pale Ale – Cervejaria Salva – American Pale Ale
  • World’s Best English Style Pale Ale – Bohemia – 838

Sour & Wild Beer

  • World’s Best Fruit Lambic – Cerveja Stannis – Mother Gaia
  • World’s Best Sour & Wild Ale – Cerveja Stannis – Alma Mater

Stout & Porter

  • World’s Best Sweet Stout – Caracu – Sweet Stout

Lista de medalhas regionais do World Beer Awards

O World Beer Awards também divulgou na terça-feira (12) a lista de cervejas premiadas com medalhas de bronze, prata, ouro e o título Country Winner. Somente do Brasil foram 121 condecorações dadas na etapa regional. A lista completa das premiações pode ser acessada no site oficial do World Beer Awards.

*Atualizada em 15/08/2025 às 08:09

Produção de cerveja sem álcool dispara no Brasil e cresce 537% em 2024

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O mercado brasileiro de cerveja sem álcool vive um momento histórico. De acordo com o Anuário da Cerveja 2025, publicação do Ministério da Agricultura e Pecuária que traz dados anuais do setor, divulgado na última terça-feira (5), o volume de produção aumentou 536,9% em 2024 — um grande salto que confirma a consolidação da busca por um consumo responsável da bebida. 

Segundo dados do levantamento, o volume de produção declarado para a cerveja sem álcool ou cerveja desalcoolizada saltou de 118,9 milhões de litros em 2023 (apenas 0,8% do volume de cerveja produzida no ano) para 757,4 milhões de litros em 2024 (4,9% do total).

>>> Leia também:
– Número de cervejarias no Brasil cresce 5,5% e chega a 1.949
– Dados do Anuário mostram resiliência da indústria cervejeira, avalia Sindicerv
– Linha Nova: cidade com mais cervejarias por habitante faz parte da história do setor

Embora o volume declarado de produção de cerveja no geral tenha sofrido uma ligeira queda de 0,11%, o nicho de cerveja sem álcool e de baixo teor alcoólico demonstrou grande crescimento, o que sugere uma mudança no perfil de consumo, de acordo com o relatório. Para Marco Maciel, presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), a expansão mostra como o setor está atento a essas mudanças. 

“O crescimento da cerveja sem álcool mostra que o setor não está só crescendo, mas conectado com novas tendências e com o que o consumidor quer: novos estilos, novos tipos de situação para brindar. Isso já não é mais tendência, é realidade. E a cerveja zero veio para ficar”, afirma.

Segundo ele, a qualidade do produto e a versatilidade no consumo têm atraído novos públicos. “Hoje, a pessoa que antes não podia beber porque estava dirigindo ou tomando remédios pode sair com os amigos e brindar. Como a qualidade está perfeita, a cerveja zero está ganhando mercado de maneira cavalar e vai continuar crescendo”, diz.

Categoria no Brasil

Grandes marcas, como Budweiser Zero, puxaram o crescimento da categoria sem álcool no Brasil em 2024 (Crédito: Ambev/Divulgação)
Grandes marcas, como Budweiser Zero, puxaram o crescimento da categoria sem álcool no Brasil em 2024 (Crédito: Ambev/Divulgação)

O enorme crescimento no volume de produção da cerveja sem álcool foi puxado principalmente pelas grandes marcas. Em 2024, portfólio zero da Ambev cresceu 20%, impulsionado principalmente pelas vendas de Bud Zero e Corona Cero, segundo dados da marca enviados para a reportagem do Guia da Cerveja. A alta se mantém em 2025, com 40% no primeiro trimestre e 15% no segundo.

O Grupo HEINEKEN também confirmou que as cervejas zero da marca têm registrado crescimento proporcionalmente superior ao das cervejas alcoólicas, e que hoje a cerveja sem álcool é uma das grandes apostas da empresa, que ampliou seu portifólio com o lançamento da Sol Zero. “Hoje, a categoria representa cerca de 1,5% do mercado total de cervejas no país, e nossa ambição global é chegar a pelo menos 10% de participação. Para isso, temos ampliado a presença das nossas marcas em diversos canais, de supermercados e lojas de conveniência a bares, restaurantes e grandes eventos esportivos e musicais, conectando o produto a momentos de celebração e lazer”, disse Elbert Beekman, Gerente de Marketing Heineken 0.0.

Apesar disso, o movimento na direção desse tipo de produto não se limita à grande indústria. As artesanais também estão atentas. É o caso da cervejaria Sim! Cerveja, de Campinas (SP), que produz exclusivamente rótulos sem álcool. Eles iniciaram as vendas em 2024, após três anos de muita pesquisa e testes. Atualmente, oferecem rótulos como IPA, Summer Ale, Ginger Ale e outras em seu portfólio fixo, além de algumas especiais, como uma Stout com café, Gose com melancia e Sour com maracujá em séries sazonais. A marca vem registrando um crescimento de 20% no faturamento por trimestre, além de ganhar muito reconhecimento no mercado. A cerveja Melancia Sour n’ Salt, por exemplo,  conquistou medalha de ouro na World Beer Cup 2025, considerada a maior competição cervejeira do mundo.

Para David Figueira, cofundador da marca, o investimento em cervejas sem álcool se encaixa perfeitamente na crescente demanda por um consumo mais responsável da bebida. “Pesquisas no Brasil, Europa e Estados Unidos mostram uma redução do consumo de álcool. Há três perfis que estão puxando essa demanda: quem não consome álcool, o público wellness, que busca mais saúde, e quem quer apenas reduzir o consumo. Essa mudança de hábito é visível e vai seguir impulsionando o crescimento do segmento”, avalia.

Aumento do consumo de cerveja sem álcool no Brasil pode indicar mudança no comportamento do consumidor (Crédito: Heineken/Divulgação)
Aumento do consumo de cerveja sem álcool no Brasil pode indicar mudança no comportamento do consumidor (Crédito: Heineken/Divulgação)

Além da mudança de comportamento, a alta qualidade das cervejas sem álcool, vem conquistando o paladar dos consumidores no geral. Um bom exemplo é americana Athletic Brewing, que em 2023 conquistou 19% do market share nos EUA, tornando-se a líder do segmento sem álcool no país. “O mais impressionante é que 60% dos clientes da Athletic consomem álcool. Eles provaram que é possível fazer um produto tão bom que o público bebe tanto a versão com quanto sem álcool”, diz David.

Mesmo entre as grandes cervejarias, é notório que a qualidade das versões não alcoólicas cresceu muito nos últimos anos, conquistando maior aceitação do público. “A zero que chega hoje nos copos dos consumidores se aproxima muito mais da versão regular do que há 10 anos em termos de sabor, e isso é fruto de investimento em inovação e tecnologia. Isso cria novas ocasiões de consumo, atrai novos perfis de consumidores, constrói momentos que antes esse consumidor nem imaginava que poderia tomar uma cerveja e agora pode”, disse a Ambev. O grupo Heineken também destacou como a evolução das cervejas sem álcool ao longo dos anos abriu portas para novos públicos. “A categoria existe há décadas, mas enfrentava barreiras de aceitação social nos momentos tradicionais de consumo de cerveja. Nosso diferencial é entregar um produto premium, desenvolvido com tecnologia que preserva a qualidade e o sabor mesmo após a extração do álcool, eliminando a percepção de que cervejas zero são inferiores”, diz Elbert Beekman.

Apesar do otimismo dos produtores, Figueira faz uma ponderação importante sobre a leitura dos números do Anuário, pois acredita que parte deste crescimento representa também a busca de uma alternativa do mercado cervejeiro para conter a queda de faturamento com a venda da cerveja tradicional. “As cervejarias ficam antenadas em grandes movimentos, principalmente do mercado americano, para ver o que pode ser feito para reverter um pouco a queda de faturamento. Isso contribuiu para essa onda da cerveja sem álcool”. 

Cerveja sem álcool ou zero? Entenda a diferença

Sim! Cerveja Melancia Sour n’ Salt: cerveja brasileira premiada na categoria sem álcool no World Beer Cup, considerada a maior competição mundial (Crédito: Sim! Cerveja / Divulgação)
Sim! Cerveja Melancia Sour n’ Salt: cerveja brasileira premiada na categoria sem álcool no World Beer Cup, considerada a maior competição mundial (Crédito: Sim! Cerveja / Divulgação)

A categoria de cervejas sem álcool no Brasil envolve dois tipos de produtos, devidamente regulamentados na legislação do setor: as sem álcool e as zero. A diferença conceitual entre elas está no volume residual de álcool no produto final. Nas sem álcool, este percentual é igual ou abaixo de 0,5%; enquanto nas zero, este valor é igual ou abaixo de 0,05%.

O processo de fabricação das duas cervejas também são diferentes. Para se obter uma cerveja zero, a bebida passa por um equipamento chamado desalcoolizador, que faz um processo de destilação a vácuo para retirada do álcool. Este processo é o mais usado nas grandes cervejarias, que produzem muito volume e que fabricam uma cerveja sem álcool a partir de um produto tradicional finalizado. E também pelo alto custo da máquina.

Já a fabricação das cervejas sem álcool seguem as mesmas etapas iniciais da produção tradicional, porém, sofrem um processo de fermentação controlada ou interrompida, o que permite que as cervejas tenham essa quantidade praticamente nula de álcool. David Figueira explica que esse processo amplia muito as possibilidades de criação de diferentes produtos. “Desde a brassagem até a finalização, você consegue brincar com vários parâmetros, o que aumenta a gama de aromas, sabores e estilos. Então, este processo de fermentação é uma escolha para trazer mais qualidade e variedade ao produto final. Mas para as grandes cervejarias que fabricam a zero a partir de um produto pronto, é muito mais fácil e mais rápido desalcoolizar, porém, vai alterar o sabor”.

Jim Koch volta a ser CEO da Boston Beer Company

Jim Koch, cervejeiro, fundador e presidente do conselho da Boston Beer Company, empresa que fabrica a cerveja Samuel Adams nos Estados Unidos, voltará a ocupar a cadeira de CEO a partir de sexta-feira (15). O atual executivo chefe, Michael Spillane, sai de cena após 16 meses à frente da companhia de bebidas para focar em questões pessoais e permanecerá como membro do conselho. A mudança acontece em um momento que a empresa voltou a crescer após cinco anos de altos e baixos.

>>> Leia também: Russia supera Alemanha e lidera produção de cerveja na Europa

Jim Koch volta ao lar

Jim Koch esteve a frente da empresa da fundação, em 1984, até janeiro de 2001. E fez da Boston Beer uma das maiores e mais respeitadas cervejarias artesanais dos Estados Unidos. E agora retoma o lugar após mais de duas décadas afastado — mas em que seguiu atuante como presidente do conselho da empresa. Em entrevista ao The Wall Street Journal, ele disse que permanecerá como CEO até que um sucessor interno esteja pronto. “Há várias pessoas que ainda não estão prontas, mas em alguns anos, uma ou duas delas estarão”.

O fundador também reforçou no comunicado oficial que Spillane deixa a Boston Beer em situação muito boa. Semanas atrás, a companhia anunciou os bons resultados no segundo trimestre de 2025, apesar do momento de queda do consumo de cervejas artesanais nos Estados Unidos, superando as expectativas do mercado e valorizando as ações.

Resultado do segundo trimestre

Fundador da Boston Beer, Jim Koch deixou a vaga de CEO em janeiro de 2001, mas se manteve à frente do conselho (Divulgação/ Boston Beer Company)
Fundador da Boston Beer, Jim Koch deixou a vaga de CEO em janeiro de 2001, mas se manteve à frente do conselho (Divulgação/ Boston Beer Company)

A Boston Beer Company divulgou no final der julho um lucro por ação de US$ 5,45 no segundo trimestre de 2025, superando com folga as estimativas de mercado, que giravam em torno de US$ 4,37. A margem bruta também surpreendeu positivamente, alcançando 49,8%, alta de 3,8 pontos percentuais na comparação anual. O caixa operacional somou mais de US$ 125 milhões no semestre, com US$ 111 milhões destinados à recompra de ações, sinalizando confiança da administração. A combinação de rentabilidade elevada e perspectiva revisada para o ano ajudou a sustentar a reação positiva das ações em parte do mercado.

Apesar dos resultados sólidos no lucro, alguns indicadores chamaram atenção pela fragilidade, segundo analistas de mercado. A receita líquida, de US$ 587,95 milhões, veio ligeiramente abaixo das projeções de cerca de US$ 599 milhões. Mas a principal questão está nos volumes, que também recuaram: as depleções caíram 5% e os embarques tiveram queda de 0,8% no trimestre. A companhia ainda registrou um impairment (depreciação) de US$ 5 milhões em ativos de cervejaria, ampliando em US$ 1,6 milhão a despesa em relação ao mesmo período do ano passado.

Analistas apontam que o bom desempenho operacional não elimina os desafios no crescimento de vendas e no cenário competitivo. A Evercore ISI, por exemplo, reduziu o preço-alvo das ações para US$ 250, mantendo recomendação “in-line”, citando incertezas macroeconômicas e a performance de marcas importantes como Twisted Tea e Truly. Para investidores, o balanço evidencia uma empresa com eficiência crescente, mas que precisa reverter a queda de volumes para sustentar a trajetória de valorização.

Mix de produtos

Parte do resultado da Boston Beer Company foi sustentado por um mix de produtos que se compensam. Enquanto as cervejas da Samuel Adams e os Hard Seltzer de sabores variados da marca Truly tiveram queda nas vendas no período, as cervejas da DogFish Head e principalmente a nova bebida Read To Drink (RTD) Sun Cruiser cresceram.

A Sun Cruiser é um chá gelado com vodca, feito com chá de verdade e vodca premium. Não contém malte nem grãos maltados, mas combina chá gelado ou limonada com vodca, resultando em uma bebida sem glúten, com 4,5% ABV, sabor suave e refrescante, com um toque adocicado. O lançamento está mostrando bons resultados, indicando um possível caminho a seguir.

Harmonização com cerveja sem álcool

Olá, seguidores/as e leitores/as do Guia da Cerveja. Estou de volta ao balcão Xirê Cervejeiro.

Antes de entrarmos no tema da nossa conversa, vou explicar o porquê da minha ausência. E, por conseguinte, a minha volta a este espaço tão precioso (e que, por sinal, gosto muito de estar dividindo algumas ideias).

Que sou amante ardorosa da cerveja artesanal vocês já sabem. É um amor ancestral. É a beleza da história, é a conexão que ela carrega, os sabores e toda beleza que um pint de uma excelente cerveja proporciona. Não importa o estilo: se ela foi bem executada, é deleite às papilas gustativas, sempre sedentas por notas, aromas, leveza ou robustez e suas complexidades. Um copo de cerveja pode carregar um mundo de possibilidades em si. Ou, a depender da iguaria que irá fazer par (ou como pontua um amigo sommelier, parear), uma grande festa gastronômica.

Ainda não contei porque dei uma pausa na escrita. Então, como prometido no início desta resenha, vou contar.

Há um ano tive um problema de saúde e precisei, compulsoriamente, parar de tomar bebida alcoólica. Certo dia (parece o início de um conto de Kafka), não era pela manhã, era um fim de tarde, não me recordo qual, abri uma garrafa de cerveja e tomei uma taça. Imediatamente comecei a passar mal. Fui olhar o rótulo para verificar se estava vencido ou se tinha alguma avaria, mas não encontrei nada de anormal. Duas semanas após esse episódio, fiz um drink com uísque e o mesmo incomodo aconteceu. Vaticinei: o problema não foi a cerveja, tem algo estranho acontecendo. Procurei um médico especialista no sistema gástrico que me recomendou uma pausa e muitos exames. Vieram todos ótimos. 

Fiz uma caipirinha para comemorar e o resultado, o mesmo incômodo. Mesmo ritual de voltar ao médico, novos exames, novas modalidades e o resultado, nada que indicasse que o álcool havia prejudicado qualquer parte do meu corpo. No entanto, sai de lá com uma recomendação: dê uma pausa na ingestão do álcool para verificar se melhora. Não melhorei.

Fiquei triste. Uma das coisas de que mais gosto de fazer é harmonização com cerveja. É pensar os pareamentos, pegar meu caderno e caneta e escrever a harmonização. É ir à feira escolher cada tempero, fruta, legumes, verduras para os pratos. Imaginar, ainda antes do preparar, cada harmonia, contraste, corte, semelhança ou equilíbrio de forças entre os pratos e a cerveja escolhida, e o resultado que irei apesentar.

Mas a verdade é algo que também aprecio muito. E o conflito se instaurou: como vou falar de harmonização se eu não posso provar a cerveja? Como falar das notas e das complexidades, se não posso sentir? Não posso contar mentiras. Não sei e não me sinto confortável em contar. Foi aí que parei de fazer as harmonizações e fui perdendo, também, um pouco o viço e a vontade de falar sobre cervejas.

Uma harmonização leve de cerveja sem álcool com sanduíche de ricota e tomate-cereja. Tão leve quanto será essa coluna, conta Sara Araújo (Crédito: Sara Araújo/Arquivo pessoal)
Uma harmonização leve de cerveja sem álcool com sanduíche de ricota e tomate-cereja. Tão leve quanto será essa coluna, conta Sara Araújo (Crédito: Sara Araújo/Arquivo pessoal)

As pessoas me paravam na rua e pediam as dicas de harmonização. Queriam os pratos e as receitas. Eu respondia: “um dia eu volto”. Sem saber ao certo quando seria esse dia.

A vontade de voltar a sentir o cheiro do malte me invadia a cada copo de cerveja que eu via brilhando nas mãos de um amigo ou amiga.

Mantenho uma tímida adega em casa. Certo dia, abri uma Belgian Dubbel só para sentir suas leves notas de caramelo, o frutado que remete a uma banana-passa, o equilíbrio entre dulçor e amargor, seu tom marrom quase avermelhado, com aquela renda bege, cremosa de boa retenção e bolhas perfeitas. Causou-me tamanha emoção que quase chorei diante de tanta beleza depositada em uma elegante taça globet. A cerveja trapista é encantadora.

Por um instante, pensei em vender todas as taças e cervejas que tenho em casa (ainda bem que o pensamento durou só um instante).

Timidamente, voltei a tomar cerveja. Porém, sem álcool. Apesar de sentir falta de estilos: Weiss, Witbier, Sour, Belgian, Red Ale, Dubbel, Stout, Porter (que saudade de um cafezinho e das notas de chocolate) e até das IPAs (apesar de não ser tão desse tipo de amargor, mas, só de sentir aquele leve gosto de malte, já me fazia feliz).

Estou voltando gradualmente a reintroduzir o álcool. Sempre bebi com muita moderação, como se deve fazer. E continuo neste ritmo. Por isso que, quando recebi o convite do Celso, não hesitei e aqui estou.

Como ainda não voltei 100% às alcoólicas. Fiz uma harmonização com muita leveza utilizando uma cerveja zero álcool, que traz notas de pão e um leve adocicado, não possui amargor inicial ou residual. É levíssima e saborosa. E  cumpre bem o seu papel em alegrar os/as loucos/as por malte como eu.

Harmonizei com um sanduíche de ricota, tomate-cereja, manjericão e um fio de azeite.

Tudo muito leve, como a nossa conversa por aqui pretende ser.

Até o próximo encontro.

Sara Araujo é sommelière de cervejas e palestrante sobre relações raciais; consultora, formada em Direito (ITE de Bauru/2012) e em Ciências Sociais (UEM/2022), é também especialista em História da África e da Diáspora Atlântica (Instituto Pretos Novos/2025), além de mestranda em Ciências Sociais pela UEM.

Menu Degustação: Leopoldina lança kit de Italian Grape Ales premiadas

Garrafas lindas, rótulos impecáveis, num kit que mistura a tradição do vinho e a modernidade da cerveja. Assim é o kit de Italian Grape Ales lançado pela Brewine Leopoldina para o Dia dos Pais, que acontece nesse domingo. Esse é um estilo relativamente novo que usa o suco das uvas viníferas de diferentes castas italianas para fermentar junto com a cerveja, criando um produto que une o melhor dos dois mundos. Um presentão para quem quer que receba — mesmo que esse alguém seja você mesmo!

>>> Leia também: Prêmio Lata Mais Bonita: Abralatas destaca evolução do design no setor

Neste Menu Degustação do Guia você também poderá ler sobre outros kits e ações para o Dia dos Pais, comemorações do IPA Day (incluindo o IPA Day São Paulo), investimentos das grandes cervejarias, novos lançamentos de rótulos e cursos de sommelier com vagas abertas. Confira:

Brewine Leopoldina lança Kit Italian Grape Ales

A Brewine Leopoldina, cervejaria artesanal do Grupo Famiglia Valduga, de Bento Gonçalves (RS), lançou o Kit Italian Grape Ales (IGAs), que reúne três rótulos — Chardonnay, Moscato e Pinot Noir — unindo tradição cervejeira e vinícola em uma proposta premium. As cervejas, premiadas no Brasil e no exterior, destacam características sensoriais das uvas e o terroir do Vale dos Vinhedos, sendo acompanhadas por uma bolacha de chope colecionável. O produto reforça o posicionamento da marca no segmento de experiências sensoriais e chega como opção exclusiva para presentear (no Dia dos Pais ou depois) ou colecionar. O kit pode ser encontrato no e-commerce.

Biscoitê e Estrella Galicia oferecem kit para o Dia dos Pais

A Biscoitê e a cervejaria espanhola Estrella Galicia firmaram parceria para o Dia dos Pais, lançando kits presenteáveis que combinam biscoitos salgados artesanais (como Olivê, Tartufo e Parmesão com Alecrim, o novo antepasto de ragu criado especialmente para a data) e a cerveja 1906 Black Coupage. Com embalagens sofisticadas e edição limitada, os kits estão disponíveis nas lojas Biscoitê e no e-commerce, oferecendo uma experiência gourmet que une sofisticação, sabor e afeto.

Dia dos Pais em Monte Verde (MG)

Neste sábado (9), o restaurante Alameda Suíça, de Monte Verde (MG), destino turístico na Serra da Mantiqueira, distrito do município Camanducaia, realizará o evento “Momentos de Inverno”, ideal para iniciar as comemorações de Dia dos Pais. Realizada em parceria com a cervejaria Baden Baden, a atração será aberta ao meio-dia com a exibição do violonista Mario Gomes; a partir das 14 horas, a artista plástica Cristina Bottallo fará apresentação de pintura ao vivo; e a partir das 19 horas, Heitor Silva, sommelier e embaixador da Baden Baden em Minas Gerais, fará uma harmonização das cervejas da marca com pratos do cardápio da casa; o dia finaliza com show da banda Varella Jazz Trio. Mais informações pelo site do restaurante.

Grupo HEINEKEN amplia cervejaria em Igarassu (PE)

O Grupo HEINEKEN inaugurou nesta quarta-feira (6) a expansão de sua cervejaria em Igarassu (PE), resultado de um investimento de R$ 1,2 bilhão que triplicou a capacidade produtiva da unidade, agora a maior produtora de Amstel do Nordeste. A planta, estratégica para abastecer sete estados da região, também fabrica Devassa e ganhou novos recursos sustentáveis, como caldeiras de biomassa, ampliação de 45% na linha de garrafas retornáveis e redução de 30% no consumo de água. A obra gerou 700 empregos temporários e 130 permanentes, reforçando o papel socioeconômico da unidade e a presença da companhia no segmento mainstream puro malte no Brasil.

R$ 90 milhões em logística de malte

A Ambev e a Savixx Comércio Internacional inauguraram nesta segunda-feira (4) uma nova estrutura de recebimento e armazenamento de malte no Porto do Rio de Janeiro, fruto de um investimento de mais de R$ 90 milhões. Com capacidade para movimentar 200 mil toneladas por ano em uma área de 20 mil m², o hub deve atender fábricas da companhia no estado e em outras regiões do Sudeste e Centro-Oeste, fortalecendo o crescimento do portfólio premium. A obra gerou mais de 170 empregos e integra um ciclo de aportes que supera R$ 150 milhões no Rio nos últimos dois anos, reforçando a importância do estado para a cadeia cervejeira nacional.

Inscrições para o Lata Mais Bonita do Brasil

A Associação Brasileira da Lata de Alumínio (Abralatas) recebe até 25 de agosto as inscrições para a 4ª edição do Prêmio Lata Mais Bonita do Brasil, que reconhece os rótulos mais criativos de bebidas em lata comercializadas no país. Pela primeira vez, além das cervejarias, a disputa inclui marcas de segmentos como água, vinho, energéticos, refrigerantes e sucos. O concurso terá duas etapas, com seleção inicial de finalistas por um júri técnico e votação popular online, e premiará três rótulos por categoria com troféus e selo oficial. Os vencedores serão anunciados em outubro, em evento em São Paulo. Inscrições no site oficial.

Visitação em fábricas da Ambev

Durante todos os sábados de agosto (dias 9, 16, 23 e 30), mês em que é comemorado o Dia da Cerveja, cinco cervejarias da Ambev estarão com visitações abertas, recebendo o público para tours gratuitos com harmonização especial de petiscos de bar. São elas: Jaguariúna (SP), Agudos (SP), Rio de Janeiro (RJ), Itapissuma (PE) e Ponta Grossa (PR). Os interessados no programa, destino somente a maiores de 18 anos, devem fazer o agendamento pelo site da Ambev.

Programação especial no Inside The Star

O Grupo HEINEKEN também está com visitações abertas para o Inside The Star, experiência multissensorial localizada em nas fábricas de Jacareí (SP) e Ponta Grossa (PR). E preparou ações especiais em agosto para celebrar o Dia Internacional da Cerveja e a Semana dos Pais. Até o sábado (9), há 30% de desconto na loja de souvenirs para garantir o presente. Os tours, disponíveis de terça a sábado, incluem versões convencionais e harmonizadas, com ingressos a partir de R$ 25, e oferecem uma imersão sensorial e educativa sobre o universo cervejeiro e o portfólio da empresa. Ingressos disponíveis pela plataforma Sympla.

Sol agora é sem glúten

O Grupo HEINEKEN anunciou esta semana que a versão regular da cerveja premium Sol será sem glúten a partir de agora em todo o país. E também que ela passará a contar também com opção em lata — que deve ser disponibilizada inicialmente Santa Catarina e no Paraná. Para completar, a marca também vai ganhar uma nova identidade visual e embalagens redesenhadas.

Cerveja da São Paulo Oktoberfest

A WGroup, responsável pela organização do evento, acaba de lançar a SPOF Bier, a primeira cerveja oficial criada exclusivamente para a festa. O nome é a abreviação de São Paulo OktoberFest. A receita da cerveja é assinada pela Kathia Zanatta, mestre cervejeira e sommelière formada pela Doemens Akademie, na Alemanha, e uma das sócias do Instituto da Cerveja. Para definir a cervejaria que fará a produção, uma seleção foi realizada entre dez concorrentes paulistas. A vencedora foi a Klaro, de Goiânia (GO), que tem sede em Ribeirão Preto. O evento também vai contar com o Festival de Cervejarias Artesanais do Estado de São Paulo, organizado em parceria com a Abracerva.

Rio Tap Beer House celebra IPA Day com lançamento

Localizado no Flamengo, o bar Rio Tap Beer House (Tv. dos Tamoios, 32) entrou no ritmo de comemoração do IPA Day esta semana. Até domingo (10), o público poderá curtir as torneiras reservadas para o estilo, que teve seu dia comemorado na quinta (8), além de promoções de latas e garrafas e o lançamento de uma cerveja exclusiva. A Rio Tap New Point é uma New England IPA com 6,5% de teor alcoólico, amargor médio-baixo e perfil sensorial intenso, com notas marcantes de frutas tropicais, como manga, maracujá e abacaxi.

Selo feminino no IPA Day São Paulo

O IPA Day São Paulo 2025, que será realizado neste sábado (9) no Espaço Fabriketa (R. do Bucolismo, 81 — Brás), na capital paulista, contará com uma ação voltada à valorização do empreendedorismo feminino no setor cervejeiro. As cervejas produzidas por marcas lideradas por mulheres vão contar com o selo “Eu Apoio Negócios Criados e Liderados por Mulheres”, parte do projeto “Criado por Elas, Liderado por Elas”, idealizado por Luiza Tolosa, fundadora da Cervejaria Dádiva. Entre as cervejas que receberão o sele no evento, que acontece entre 14h às 22h, estão a própria Dádiva, Japas Cervejaria, SBC Cervejaria, 2 Irmãs, Ruera e X Craft Beer. Ingressos pelo site do IPA Day São Paulo.

Dádiva lança Solitude no IPA Day

A Cervejaria Dádiva vai lançar uma nova cerveja durante o IPA Day São Paulo. A Solitude é uma New England IPA sazonal com 6,3% de teor alcoólico e 40 IBU, feita com os lúpulos Citra e Strata. O resultado são notas de frutas tropicais e cítricas, como maracujá e toranja, com amargor equilibrado e final dank e seco. Uma boa pedida para os lupolomaníacos durante o evento que também estará disponível nos melhores pontos de venda do mercado após o lançamento.

Falamansa no festival de inverno da Loba

A Cervejaria Loba, de Santana dos Montes (MG), promove o Festival de Inverno Loba 2025 no dia 16 de agosto. O destaque principal agora será dividio entre as cervejas e o grupo Falamansa, que fará show no evento, realizado no Parque Cervejeiro da Loba. Os ingressos já estão à venda na plataforma Sympla e variam de R$ 80 a R$ 300, conforme a modalidade (com ou sem open bar em área vip, ou não).

Cursos de Sommelier com vagas abertas

Duas das principais escolas de formação de cerveja do país estão com vagas abertas para cursos de sommelier de cervejas. O Instituto da Cerveja Brasil (ICB) oferece uma turma na modalidade intensiva com início em 18 de agosto. Nela, todo o conteúdo das 80 horas de formação é visto em poucos dias, com aulas em período integral, das 9 às 18 horas, todas presenciais em São Paulo. Já Academia da Cerveja, da Ambev, está com inscrições abertas para seu curso de sommelier realizado em parceria com a Escola Superior de Cerveja em Malte (ESCM), de Blumenau (SC). Ele é oferecido em formato híbrido, com polos presenciais em Blumenau, Caxias do Sul (RS) ou São Paulo. São 48 horas de aula à distância e 32 horas presenciais, divididos em dois finais de semana, com encontros aos sábados e domingos, das 9 às 18 horas. O início está previsto para 10 de setembro. Os interessados devem preencher o formulário de inscrição. Mais informações podem ser obtidas no Instagram da Academia da Cerveja.

Entrevista: Inclusão racial na cerveja avançou, mas “mercado tem muito que se adaptar”

Em Porto Alegre, um bar na Cidade Baixa tem servido bem mais do que cerveja artesanal. O Mocambo, da Cervejaria Implicantes, é um espaço de afeto, ativismo e resistência. Fundada em 2018, a Implicantes surgiu como primeira fábrica cervejeira negra do Brasil. Desde então, enfrentou desafios, reposicionou o negócio e se consolidou como uma referência não só em qualidade das bebidas, mas na luta por mais inclusão racial e diversidade no mercado.

Conversamos com Marcelo Moreira Pires, sócio da Implicantes, sobre os caminhos que a cervejaria tem trilhado, os aprendizados da experiência com o bar Mocambo e os desafios ainda presentes na luta antirracista dentro da cultura cervejeira.

>>> Leia mais – O que pensa o Guia: É preciso se envolver na luta por inclusão racial no setor

Marcelo Moreira (direita) ao lado de Daniel Dias, ambos sócios da Cervejaria Implicantes e bar Mocambo (Crédito: Implicantes)
Marcelo Moreira (direita) ao lado de Daniel Dias, ambos sócios da Cervejaria Implicantes e bar Mocambo (Crédito: Implicantes)

Primeiramente, poderia falar sobre como está a produção da Implicantes atualmente?

A gente acabou vendendo a fábrica em 2022 e, desde então, estamos só com o bar Mocambo, que é na Cidade Baixa, bairro boêmio de Porto Alegre (RS) — e que já foi considerado um bairro negro. Começamos com produções bem pequenas, de 300 litros, de forma terceirizada, e vendendo exclusivamente no bar. Hoje em dia, a gente já está com produção um pouquinho maior e produzimos na modalidade royalties. Então, conseguimos acompanhar a nossa produção e vender os barris também de maneira terceirizada. No caso, uma fábrica terceirizada produz, assume o custo de produção e de uma boa parcela das vendas, mas quando eles vendem, eu tenho uma taxa de uso da minha marca. Dessa forma, a gente consegue focar nas receitas das cervejas e no bar, sem ter essa preocupação da produção, venda e de lidar com estoque. Vendemos no Mocambo e para mais alguns pontos em Porto Alegre.

Estão felizes com esse formato?

Sim. Mas foi muito difícil toda a nossa jornada com a fábrica. Até o momento que vimos que tínhamos que repensar o negócio. Atualmente, o bar é muito mais viável. Até em questão de trabalho mesmo. Quem tem cervejaria sabe que a fábrica exige até a última dose de energia, até o último fio de cabelo que você tem. E o bar funciona de forma um pouco diferente. Ele nos permite trabalhar bem mais livremente, inclusive com outras cervejarias. E temos parceiros comerciais super legais.

Como avalia esses dois anos de Mocambo?

Está sendo uma experiência muito massa. A gente não sabia muito o que esperar, mas fomos muito abraçados pela comunidade. O pessoal da rua nos adora e os vizinhos são maravilhosos. Estamos sofrendo atualmente por alguns processos da prefeitura. O bairro vive um processo de gentrificação. Mas todos os bares que funcionam lá são uma maneira de resistir, de manter viva a cultura boêmia dessa parte que é muito tradicional em Porto Alegre. Então, a gente foi para dar a cara a tapa. E conseguimos formar uma base de clientes muito rápido.

Detalhe da frase na porta do bar Mocambo: posicionamento ativista e de resistência da marca está presente no espaço do bar (Crédito: Implicantes)
Detalhe da frase na porta do bar Mocambo: posicionamento ativista e de resistência da marca está presente no espaço do bar (Crédito: Implicantes)

E o bar traduz muito da essência da Implicantes, não é?

Com certeza. O ambiente é totalmente “de esquerda”. Quando tu entra, dá de cara com a placa da Marielle. Na porta tem os nossos dizeres, que é livre de racismo e preconceito. E todo mundo aceita, sem drama. Ninguém nunca tentou ser babaca com a gente. Estamos muito felizes com nossa base de clientes.

Vi pelo Instagram que vocês estão fazendo um bolão para quem acertar a data de prisão do Bolsonaro. Qual o prêmio?

[Nota do editor: a entrevista foi feita antes do anúncio da prisão domiciliar, decretada na segunda-feira, 1º de agosto.]
O prêmio é um fardo de Brown Ale. Na terça-feira passada [29 de julho], fizemos uma promoção relâmpago de todas as cervejas da casa, por conta da prisão da Carla Zambelli. A gente quer aproveitar esses momentos tomando uma cerveja. E os clientes compram muito nossas ideias.

O público parece se engajar com essa postura da marca, né?

Sim. Tem gente que só aproveita um determinado mês para fazer alguma ação, por exemplo, fazer algo sobre o Dia das Mulheres somente em março. E acho que tem que ter essa autenticidade de se expressar sempre que alguma coisa notória acontece, se comunicar com o que está acontecendo no dia a dia mesmo, com o que os clientes e o povo brasileiro está vivendo.

Desde que vocês começaram, em 2018, como avalia a evolução da inclusão racial no setor cervejeiro?

Eu acho que o mercado ainda tem muito que se adaptar, mas dá para notar um avanço muito grande. A gente participou recentemente de um documentário sobre cervejeiros negros ao redor do país, que estava sendo realizado pelo Edital Fermenta da Ambev. É muito legal ver as maiores cervejeiras do mundo tentando fazer a sua parte, tentando aumentar a diversidade do mercado cervejeiro, que é muito importante. Para não ser só os pequenos lutando. Isso é uma coisa que lá em 2020 era muito difícil de imaginar. Acho que não só a cervejaria está assumindo um lugar de destaque, mas como a gente está podendo dar para outros cervejeiros negros e para pessoas que têm projetos diversos, um pouco mais de valorização e destaque dentro do mercado.

No Mocambo as festas muitas vezes tomam as ruas da Cidade Baixa, em Porto Alegre (Crédito: Implicantes)
No Mocambo as festas muitas vezes tomam as ruas da Cidade Baixa, em Porto Alegre (Crédito: Implicantes)

Esse documentário já está disponível?

Ainda não foi lançado. Filmamos nossa parte em março de 2025. É o Rota Cervejeiras, da Karla Danitza. É um documentário super lindo. Ela escolheu a gente para falar aqui do Sul, e ficamos muito felizes. E ainda mais por ela ter falado que havia outros cervejeiros aqui na região com quem ela queria falar também. É ótimo saber que tem outras pessoas negras fazendo cerveja, que tem mais gente no mercado. E que esse número aumente cada vez mais.

E como a Implicantes evoluiu neste processo de abrir espaço para produtores negros no mercado cervejeiro?

Nosso slogan antigamente era “a primeira fábrica cervejeira negra do país”. E de fato é o que somos, até onde temos registro. Hoje em dia, a intenção é trazer mais diversidade. Então, nos posicionamos como fábrica cervejeira negra. E aí eu acho que a gente está conseguindo acompanhar um aumento da diversidade. Tanto que o perfil de público do Mocambo também mudou um pouco. Apesar de ser o bar da Cervejeira Implicantes, hoje em dia a gente tem uma porcentagem que é 50/50 entre negros e brancos. Sempre tivemos um perfil de público majoritariamente negro, mas mudou um pouco. Até porque o bar está aberto ao público, então as pessoas que estão passando por lá, entram para conhecer e querem participar. Sempre com esse caráter de gente de esquerda mesmo. Tem muita gente LGBT e pessoas brancas de esquerda que estão lá com gente.

O que considera ser o principal desafio da Implicantes atualmente?

Acho que não só para gente, mas para todos os outros empreendedores, ainda existe falta de suporte e de políticas públicas. Pelo menos aqui em Porto Alegre, falta muito apoio da prefeitura. A gente, por exemplo, quer fazer uma extensão do bar, uma coisa bem simples, e o processo está parado na prefeitura. Em Porto Alegre é um plano muito difícil de mover, e aí acaba que outros bares conseguiram contornar isso com um pouquinho mais de tranquilidade. A gente tem que fazer campanha, mandar e-mail, entrando em contato com vereadores para tentar mover isso. Mas sei que isso não é exclusivamente nosso, mas sim de vários pequenos empreendedores.

Bar está sendo um negócio mais víável do que foi a cervejaria, avalia Marcelo (Crédito: Implicantes)
Bar está sendo um negócio mais víável do que foi a cervejaria, avalia Marcelo (Crédito: Implicantes)

Como você vê o trabalho da Afrocerva?

É um grupo de pequenos cervejeiros, sommeliers e profissionais negros que são associados à cerveja. Eles produzem principalmente manifestações culturais, movimentos em redes sociais, para poder empoderar cervejeiros negros, pequenos eventos e cerveja no geral. Foi originalmente fundada pelo Diego, um dos nossos sócios. Eles formam essa rede de cervejeiros negros ao redor do país, para ter uma forma de contato, networking, apresentação de oportunidades e desenvolvimento. É um grupo muito massa, recomendo a todo mundo que puder, seguir no Instagram, participar de alguns eventos que são super bem feitos e legais.

Quais os próximos passos da Implicantes?

Nossa batalha agora está sendo essa extensão do bar. Nós já contratamos dois arquitetos para fazer uma reforma. Então, queremos renovar o Mocambo, para depois a gente tentar expandir para outros estados — voltar a participar de mercados um pouquinho maiores, como o de São Paulo. E também temos planos para Salvador. São Paulo é um estado que nos acolheu muito bem. E Salvador, por motivo de cultura e herança histórica, por ser um estado majoritariamente negro.

Linha Nova: cidade com mais cervejarias por habitante faz parte da história do setor

Com a divulgação na terça-feira (5) do Anuário da Cerveja 2025, publicação do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) que compila os dados do setor cervejeiros de 2024, muitos dados do setor passaram a ser conhecidos. Foi revelado, por exemplo, que houve crescimento de 5,5% no número total de estabelecimentos registrados e que chegamos a 1.949 fábricas no país. Mas também há números curiosos. A pequena cidade de Linha Nova, na encosta da Serra Gaúcha, ainda na Região Metropolitana de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, mantém desde 2022 o título de município com maior número de cervejarias por habitante do Brasil. Ela tem duas cervejarias que abastecem seus 1.720 habitantes. Ou seja, uma para cada 860 pessoas.

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O destaque acaba acontecendo, é claro, não por conta do grande número de plantas fabris, mas pela população reduzida. Sua emancipação é relativamente recente. Foi parte da colônia de São Leopoldo, depois de São Sebastião do Caí até 1959 e do município de Feliz até 20 de março de 1992, quando se tornou independente. Lá ficava um dos mais antigos povoados de imigrantes alemães do país conhecido pelo nome alemão “Neuschneiss” (Picada Nova em português), fundado em 1840. No entanto, essa explicação rápida não faz jus, e acaba escondendo, um dos grandes valores dessa cidade: a grande relevância na história da cerveja brasileira. É de lá a cervejaria mais antiga do Rio Grande do Sul e uma das mais antigas do país, que pertencia ao imigrante alemão Georg Heinrich Ritter.

Prédio da Cervejaria Ritter de Linha Nova foi restaurando em 2018 e está aberto a visitação (Crédito: Luís Celso Jr./Arquivo pessoal)
Prédio da Cervejaria Ritter de Linha Nova foi restaurando em 2018 e está aberto a visitação (Crédito: Luís Celso Jr./Arquivo pessoal)

Linha Nova: o berço da cerveja no Rio Grande do Sul

Ritter aprendeu o ofício ainda na Alemanha, mas ao chegar no Brasil foi agricultor. Após se estabelecer em Picada Nova, montou um pequeno comércio com salão de baile e fazia cerveja para família e amigos. Em 1864, começou a também vender a bebida, mostram documentos históricos. Por isso, a população da cidade tem duas datas para a fundação da cervejaria Ritter: 1846, quando se estabelece o comércio, e 1864, quando há documentos que comprovam a venda de cervejas.

Prédio da cervejaria foi feito em pedra, provavelmente para manter a temperatura baixa e ajudar no processo de fabricação da cerveja  (Crédito: Luís Celso Jr./Arquivo pessoal)
Prédio da cervejaria foi feito em pedra, provavelmente para manter a temperatura baixa e ajudar no processo de fabricação da cerveja (Crédito: Luís Celso Jr./Arquivo pessoal)

O prédio onde ficava a cervejaria pode ser visitado hoje. Após um tempo sem uso, foi restaurado e reinaugurado em 2018. Hoje é parte de um centro de cultura cervejeira da cidade, que fica no Parque Municipal, no centro de Linha Nova (Rua Henrique Spier, 2420).

Estive lá em 2024 e pude visitar as instalações reformadas, uma casa de pedra — provavelmente para manter a temperatura mais baixa para produção da bebida. Na antiga casa de madeira, ao lado, onde ficava o comércio, pude visitar inclusive o porão, aonde provavelmente parte do trabalho de fabricação se dava (principalmente antes da construção da outra edificação). Lá também e eram mantidas as garrafas das cervejas prontas para venda, por ter temperatura mais amena.

Porão da casa de maneira já foi utilizado para fabrição e armazenamento de cerveja (Crédito: Luís Celso Jr./Arquivo pessoal)
Porão da casa de maneira já foi utilizado para fabrição e armazenamento de cerveja (Crédito: Luís Celso Jr./Arquivo pessoal)

A cervejaria Ritter de Linha Nova é conhecida como berço da cerveja no Rio Grande do Sul não só por ser a mais antiga a se tornar fábrica, de fato — há alguns comércios que faziam cerveja com datas anteriores, como o de Ignácio Rasch, datado de 1824 na colônia de São Leopoldo. Mas também porque partiram de lá as raízes para outras cervejarias, que se tornaram grandes empreendimentos do século 19 e início do século 20 no estado.

Carlos Ritter, Um dos filhos de Georg Heinrich Ritter, fundou uma cervejaria em Pelotas; outro, Henrique Ritter, fundou sua fábrica em Porto Alegre. A de Henrique acabou dando origem à Cervejaria Continental em 1924 ao se fundir com duas concorrentes, Cervejaria Bopp e Cervejaria Sassen. E assim se tornou uma das maiores do Rio Grande do Sul e do país até ser comprada pela Brahma em 1946.

Luís Celso Jr. é Diretor de Conteúdo e editor do Guia da Cerveja. Viajou para Linha Nova em 2024 como parte da pesquisa para escrever um livro sobre a história da cerveja no Brasil. Projeto foi contemplado pela 1ª edição do Edital Fermenta! — Incentivo a Projetos de Cultura Cervejeira, da Academia da Cerveja, da Ambev. Livro ainda será publicado.

Dados do Anuário mostram resiliência da indústria cervejeira, avalia Sindicerv

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Dados do Anuário da Cerveja 2025 revelaram crescimento de 5,5% no número de cervejarias no país, que chegou a 1.949 fábricas em 790 municípios. Números que mostram a “contínua resiliência” do setor no Brasil diante das adversidades, avalia Marcio Maciel, presidente-executivo do Sindicerv. Em 2023, eram 1.847 cervejarias, distribuídas em 771 localidades.

Convidados se reuniram para o lançamento do anuário no Sesi LAB, em Brasília (Crédito: Marcelo Tárraga / Guia da Cerveja)
Convidados se reuniram para o lançamento do anuário no Sesi LAB, em Brasília (Crédito: Marcelo Tárraga / Guia da Cerveja)

A nova edição da publicação oficial do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) que consolida os dados da indústria cervejeira brasileira, foi lançada na terça-feira (5) em evento promovido pelo Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv) no Sesi LAB, em Brasília. A cerimônia reuniu diversas autoridades, lideranças setoriais e representantes da cadeia produtiva, além de contar com a presença do ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro (PSD-MT).

>>> Leia também: Número de cervejarias no Brasil cresce 5,5% e chega a 1.949

Ministro da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD-MT), esteve presente na cerimônia de lançamento do Anuário da Cerveja Crédito: Marcelo Tárraga / Guia da Cerveja)
Ministro da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD-MT), esteve presente na cerimônia de lançamento do Anuário da Cerveja Crédito: Marcelo Tárraga / Guia da Cerveja)

“O brasileiro é um povo trabalhador. Tudo o que pega para fazer, vira referência mundial. Especialmente quanto à qualidade”, disse o ministro no discurso de abertura.

O crescimento aconteceu apesar das enchentes históricas no Rio Grande do Sul, e das dificuldades econômicas globais, disse Maciel em entrevista ao Guia da Cerveja. “Os dados mostram a relevância da indústria cervejeira para economia e para a geração de emprego e renda no Brasil”, completa.

Densidade e dispersão no Anuário da Cerveja 2025

“A gente imaginou que não ia crescer. Mas cresceu”, disse Hugo Caruso, diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal (DIPOV) do Mapa, o responsável por apresentar os principais números na cerimônia. Ele destacou que apesar das enchentes, o Rio Grande do Sul manteve a maior densidade cervejeira, com uma cervejaria para cada 32.177 habitantes.

O diretor também destacou que o número de municípios com pelo manos uma cervejaria cresceu 2,5%, indicando uma maior dispersão e gerando empregos em mais localidades. “Somente o setor de cerveja gera 43 mil empregos diretos e isso reflete em mais de 1,5 milhão de empregos indiretos no Brasil. Algo muito relevante para nossa economia”.

Hugo Caruso, diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal (DIPOV) do Mapa, apresentou os números do novo anuário (Crédito: Marcelo Tárraga / Guia da Cerveja)
Hugo Caruso, diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal (DIPOV) do Mapa, apresentou os números do novo anuário (Crédito: Marcelo Tárraga / Guia da Cerveja)

Em termos de volume, a produção nacional se manteve praticamente estável em relação a 2023 (queda de apenas 0,11%), fato também comemorado pelo presidente do Sindicerv diante do contexto. “Não só o volume está se mantendo em patamares elevados — o Brasil é o terceiro maior produtor de cerveja do mundo e continuamos nessa posição já há alguns anos —, mas a gente também está vendo crescimento de cervejarias. É algo super positivo”, explica.

O diretor do DIPOV, por sua vez, também chamou atenção para o volume de exportações de cerveja brasileiras “que cresceu 43%, ou seja, nos tivemos um superávit na balança comercial brasileira de 195 milhões de dólares graças a exportação de cervejas e a baixa importação”, afirmou Caruso.

O deputado Covatti Filho também celebrou o resultado e o impacto no país. Ele é líder da Frente Parlamentar Mista da Cadeia Produtiva da Cerveja, iniciativa apoiada por quase duzentos congressistas. “Hoje o anuário está trazendo toda essa grandeza, não só em números, mas também em geração de empregos e também contribuição e impostos para o nosso Brasil. Cerveja é sim uma grande paixão nacional e agora ela também é transmitida em números de uma realidade que todos nós, brasileiros, temos que se orgulhar.”

Investimentos

Brasil conta com quase 2 mil cervejarias  (Crédito: Marcelo Tárraga / Guia da Cerveja)
Brasil conta com quase 2 mil cervejarias (Crédito: Marcelo Tárraga / Guia da Cerveja)

A maturidade da indústria também se expressa nos investimentos robustos realizados nos últimos anos. Segundo levantamento do Sindicerv e da consultoria Euromonitor, o setor aportou mais de R$ 17,5 bilhões desde 2020, especialmente em tecnologia, expansão de capacidade e modernização das plantas fabris.

“A gente fica muito feliz com esses números do anuário da cerveja e espera que nos próximos anos os números continuem positivos. É super importante que os setores do governo estejam alinhados e entenderem a importância dessa cadeia. E é por isso que o anuário da cerveja é muito importante”, conclui o presidente do Sindicerv.

A íntegra do Anuário 2025 pode ser acessada nos sites do Sindicerv.

Número de cervejarias no Brasil cresce 5,5% e chega a 1.949

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Apesar de eventos trágicos, como as enchentes históricas no Rio Grande do Sul, e da das dificuldades econômicas globais, o número de cervejarias no Brasil continua crescendo. Em 2024, ele chegou a 1.949 fábricas em 790 municípios, um crescimento de 5,5% em relação ao ano anterior, segundo o Anuário da Cerveja 2025, publicação oficial do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) que consolida os dados da indústria cervejeira brasileira a cada ano. Em 2023, eram 1.847 cervejarias, distribuídas em 771 localidades.

Já o volume de cerveja produzida permaneceu praticamente estável, com queda de apenas 0,11%. Em 2024 foram fabricados 15,34 bilhões de litros contra 15,36 bilhões no ano anterior. Os dados foram divulgados pelo Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv) em evento intitulado “Confraria Sindicerv” nesta terça-feira (5) no Sesi LAB, em Brasília, que reuniu autoridades, lideranças setoriais e representantes da cadeia produtiva.

>>> Leia mais: Rússia supera Alemanha como maior produtor de cerveja da Europa

Para Márcio Maciel, presidente-executivo do Sindicerv, o Anuário 2025 mostra que o setor segue resiliente e inovador, mesmo num contexto desafiador. “Isso é resultado de uma estrutura sólida e de investimentos contínuos na produção e nas pessoas que fazem essa vasta cadeia acontecer, do campo ao copo. Cerveja é agro, emprego, renda, diversidade, cultura e gastronomia. Cerveja é Brasil”.

A maturidade da indústria também se expressa nos investimentos robustos realizados nos últimos anos. Segundo levantamento do Sindicerv e da consultoria Euromonitor, o setor aportou mais de R$ 17,5 bilhões desde 2020, especialmente em tecnologia, expansão de capacidade e modernização das plantas fabris.

Durante o evento, também houve o lançamento da Frente Parlamentar Mista da Cadeia Produtiva da Cerveja, iniciativa apoiada por quase duzentos congressistas sob a coordenaçãodo deputado federal Covatti Filho (PP-RS).

Sudeste lidera, mas Sul é o que mais cresce

O Anuário da Cerveja também traz números regionalizados nos quais é possível perceber que o Sudeste é a região como maior número de estabelecimentos registrados (889), sendo São Paulo a unidade da federação que mais concentra cervejarias no Brasil (427). Porém, o maior crescimento em números absolutos aconteceu no Sul — que ganhou 43 plantas fabris, saindo de 731 para 774. Santa Catarina puxou esse aumento em grande parte, com um aumento de 25 fábricas (aumento de 11,11% em relação ao ano anterior).

O maior crescimento relativo foi da região Nordeste, com 16,4% de aumento no número de cervejarias, partindo de 122 para 142 estabelecimentos registrados.

Cervejarias no Brasil apostam em cerveja sem álcool

A cerveja sem álcool já vinha crescendo anualmente nos últimos anuários. No entanto, em 2024 ela explodiu. A produção nacional cresceu 536,9% em volume em relação a 2023. “A evolução da cerveja 0,0% reforçam nosso compromisso com a diversidade de escolhas e com um consumo cada vez mais equilibrado e consciente”, afirma Márcio Maciel.

Ao lado disso, a grande quantidade de marcas (55.015) e de produtos registrados (43.176) mostra que a indústria oferece um amplo portfólio e está atenta às mudanças no comportamento do consumidor, com uma diversidade capaz de atender diferentes perfis de renda e de realidades regionais.

Os dados do anuário revelam também avanço expressivo nas exportações, com mais de 332 milhões de litros enviados ao exterior e um superávit comercial recorde de US$ 195 milhões.

A íntegra do Anuário 2025 pode ser acessada nos sites do Sindicerv e do Ministério da Agricultura.

Dia da cerveja – datas pelo mundo que você precisa colocar na agenda

Todo mundo gosta de uma data comemorativa. Pode ser um aniversário, um feriado ou até a Confraternização Universal. Não importa. A questão é ter um motivo para um bom brinde. E quem é fã da cerveja tem muita sorte nisso, já que há vários Dias da Cerveja além do Dia da Cerveja propriamente dito — e sempre surgem mais!

São datas de alcance global ou outras locais, dias de estilos queridos ou mesmo de festivais com grande relevância no mundo. Que tal conhecer algumas e colocar no calendário para não esquecer mais?

>>> Leia mais: Balcão do Profano Graal: São Patrício e o dia da cerveja verde

Começamos pelo mês de agosto. As datas especiais são as mais importantes e por isso ele bem que poderia se chamar Mês da Cerveja.

AGOSTO

Dia da Cerveja (International Beer Day)

Data: 1ª sexta-feira de agosto

Site oficial: International Beer Day

Se fossemos comparar, o Dia Internacional da Cerveja seria a Confraternização Universal dos cervejeiros. Aconteceu pela primeira vez em 2007, organizado por um grupo de amigos em um bar em Santa Cruz, na Califórnia, nos Estados Unidos. Hoje a comemoração gera brindes centenas de cidade de diversos países de todos os continentes. São três propósitos declarados: se reunir com amigos e apreciar o sabor da cerveja; celebrar os responsáveis pela fabricação e serviço da cerveja; unir o mundo sob a bandeira da cerveja, celebrando as cervejas de todas as nações em um único dia.

Dia Internacional da IPA (International IPA Day)

Data: 1ª quinta-feira de agosto

Data criada nos Estados Unidos em 2011 principalmente como uma comemoração pelas redes sociais — era pedido que as pessoas postassem uma foto com a #IPADAY para participar. Mas no ano seguinte a barreira da internet já foi rompida e o dia foi comemorado presencialmente pelo mundo.

Great British Beer Festival (GBBF)

Data: Início de agosto (datas variam a cada ano) 

Site oficial: Great British Beer Festival

O Great British Beer Festival é um dos maiores eventos de cerveja do Reino Unido, organizado em Londres pela CAMRA (The Campaign for Real Ale), uma das maiores associações de consumidores do mundo. O festival destaca principalmente cervejas britânicas como Ales, Bitters e Stouts no método de serviço em Cask (Real Ales). Conta com centenas de rótulos, inclusive internacionais, além de música ao vivo e comidas típicas.

SETEMBRO

Belgian Beer Weekend

Data: Primeiro fim de semana de setembro

Site oficial: Belgian Beer Weekend

O Belgian Beer Weekend é um festival dedicado à cerveja belga realizado anualmente na Grand-Place, em Bruxelas. O evento reúne dezenas de cervejarias do país e apresenta ao público uma ampla variedade de estilos tradicionais. A programação inclui degustações, desfiles de confrarias cervejeiras e atividades culturais. É um dos mais importantes do mundo.

Arthur’s Guinness Day

Data: 28 de setembro

O Arthur’s Guinness Day é celebrado em 24 de setembro em homenagem a Arthur Guinness, fundador da icônica cervejaria irlandesa Guinness. A data marca a assinatura do contrato de arrendamento da St. James’s Gate Brewery, em 1759, sendo comemorada com brindes sincronizados em pubs do mundo todo (pontualmente às 17h59 no horário de Dublin). Já houve um evento criado pela marca em 2009 com shows e campanhas culturais ligados ao legado de Guinness. Mas ele não acontece mais.

Sour Beer Day

Data: 3ª quinta-feira de setembro

O Sour Beer Day celebra as cervejas ácidas, como Berliner Weisse, Gose, Lambic e outras variações com fermentações selvagens. A data promove a diversidade de sabores e a complexidade dos estilos desse grupo. A celebração foi criada por entusiastas para valorizar as Sours como parte essencial da cultura cervejeira moderna.

OUTUBRO

Great American Beer Festival (GABF)

Data: Variável. Geralmente entre o final de setembro e começo de outubro

Site oficial: Great American Beer Festival

O Great American Beer Festival é o maior festival de cerveja dos Estados Unidos, realizado anualmente em Denver, no Colorado. Reúne centenas de cervejarias e milhares de rótulos para degustação. Também promove uma das competições mais importantes do país. Se você é fã das cervejas norte-americanas, é passagem obrigatória.

Oktoberfest

Data: Variável. Começa sempre perto de 20 de setembro

Site oficial: Oktoberfest

Colocamos a Oktoberfest em outubro por convenção. Mas a festa original, realizada em Munique, na Baviera, Sul da Alemanha, começa mesmo no final de setembro. Isso acontece para os participantes poderem aproveitar o finalzinho do calor do verão do hemisfério norte. Ela é conhecida como uma das maiores festas cervejeiras do mundo – apesar de, na verdade, comemorar um casamento. Ela aconteceu pela primeira vez em  1810, como uma celebração do casamento do príncipe Ludwig da Baviera (futuro Rei Ludwig I) com a princesa Therese von Sachsen-Hildburghausen. A partir daí, gerou festas todos os anos na mesma época para lembrar o fato. A cerveja é importante, claro, mas o evento é um grande parque de diversões para todos. Passagem obrigatória para todo o beer lover.

Black Brewer’s Day

Data: 10 de outubro

Site oficial: Black Brewer’s Day

O Black Brewer’s Day é celebrado para reconhecer e homenagear os cervejeiros negros e sua contribuição para a indústria cervejeira. A data promove visibilidade e inclusão, destacando histórias e talentos da comunidade negra no universo da cerveja artesanal. Criado por ativistas e entusiastas, o dia busca fortalecer a diversidade no setor.

NOVEMBRO

Dia Internacional da Stout (International Stout Day)

Data: 1ª quinta-feira de novembro

O International Stout Day promove degustações, eventos e lançamentos especiais em bares e cervejarias ao redor do mundo. Criada por apreciadores do estilo, a celebração destaca a importância das Stouts (são vários estilos) na cultura cervejeira global.

Small Brewery Sunday

Data: 1ª domingo após o feriado norte-americano de Ação de Graças

O Small Brewery Sunday incentiva o apoio às pequenas cervejarias artesanais. A data promove o consumo local e destaca a importância das microcervejarias para a diversidade do mercado. Criado por grupos da indústria da cerveja artesanal norte-americana, como a Brewers Association (BA), o evento busca fortalecer a comunidade cervejeira independente. Mas, infelizmente, parece que parou de ser estimulado pela BA ainda em 2021. Se for participar, use a hashtag #SmallBrewerySunday.

DEZEMBRO

Dia Nacional da Lager nos EUA (National Lager Day)

Data: 10 de dezembro

O National Lager Day homenageia as cevejas e estilos da família Lager. A data valoriza a versatilidade e refrescância das Lagers, incentivando a degustações e eventos em bares e cervejarias. Surgiu como iniciativa de entusiastas para reconhecer o impacto das Lagers na cultura cervejeira global.

JANEIRO

Dia Baltic Porter (Baltic Porter Day)

Data: 3º sábado de janeiro

Site oficial: Baltic Porter Day

Celebra o estilo Baltic Porter, criado por cervejarias dos países do Mar Báltico — dizem que surgiu na Polônia! — no século 18 para competir com a Imperial Stout, exportada pelo Reino Unido para lá. Ambas são cervejas encorpadas, bastante alcoólicas e feitas com maltes torrados, que trazem sabores de cacau, chocolate e café. Foi criado pelo cervejeiro e entusiasta de cerveja polonês Marcin Chmielarz em 2016, inspirado no Stout Day.

FEVEREIRO

Mês da Stout (Stout Month)

Data: o mês todo

Nos Estados Unidos, fevereiro é conhecido como mês da Stout. Não se sabe ao certo como a comemoração começou. Porém, é inverno no hemisfério norte, o que pode ter estimulado a comunidade cervejeira a criar um motivo para brindar com cervejas mais intensas, principalmente com as Imperial Stouts.

Carnaval

Data: variável. Em geral, fevereiro ou início de março

Em terras brasileiras não há data mais cervejeira que o Carnaval. Vale a pena manter no calendário.

MARÇO

Dia Internacional da Tripel (International Tripel Day)

Data: 3 de março

Site oficial: International Tripel Day

Criado pelo entusiasta americano Mike Sawchuck em fevereiro de 2022 para comemorar o estilo Belgian Tripel — estilo belga de abadia, dourado e intenso, muito aromático.

Dia Internacional da Colaboração Feminina na Cerveja (International Women’s Collaboration Brew Day)

Data: 8 de março

Site oficial: International Women’s Collaboration Brew Day

Data criada em 2013 pela premiada cervejeira britânica Sophie de Ronde — eleita “Cervejeira do Ano” pela British Guild of Beer Writers em 2019. No ano seguinte, ela entrou em contato com a Pink Boots Society (ONG internacional que apoia mulheres e pessoas não-binárias na indústria de bebidas fermentadas) para criar uma data que encorajasse as mulheres a fazer cervejas juntas no Dia da Mulher. Parte do dinheiro é doado para caridade e para a ONG, para criar mais ações com os mesmos objetivos. No primeiro ano, mais de 60 mulheres de 5 países participaram da produção da Unite. Em 2015, foram 80 em 11 países, para produzir a Unite Red — inclusive no Brasil. Em 2024 foram mais de 800 mulheres criando cerca de 60 cervejas em todo o mundo.

Dia de São Patrício (St. Patrick’s Day)

Data: 17 de Março

O Dia de São Patrício, padroeiro da Irlanda, é uma data festiva muito associada à cerveja — talvez pelo gosto do povo irlandês pela bebida. No país de origem, foi por muito tempo somente uma data religiosa. Começou a ser comemorado com festa nos Estados Unidos no século 18, com direito a paradas e, mais tarde, no início do século 20, com chope verde. Hoje movimenta brindes em milhares de locais pelo mundo.

Dia Internaconal da Orval (International Orval Day)

Data: 3º sábado de março

O International Orval Day é celebrado em março por fãs da icônica cerveja trapista belga Orval. Bares e lojas especializadas ao redor do mundo promovem degustações e eventos em homenagem à cerveja. A celebração foi criada em 2016 pela importadora americana de produtos europeus Merchant du Vin, com o objetivo de divulgar a Orval e fortalecer a cultura trapista entre apreciadores de cervejas especiais.

ABRIL

Saison Day

Data: último sábado de abril

O Saison Day é celebrado anualmente em abril e homenageia o tradicional estilo belga Saison, conhecido por seu perfil seco, frutado e condimentado. O evento reúne bares e cervejarias artesanais em todo o mundo, promovendo lançamentos e degustações do estilo. A data foi criada em 2014 pela cervejaria americana Allagash Brewing, com o objetivo de valorizar e divulgar as Saisons no cenário craft internacional.

Dia da Cerveja Alemã (aniversário da Lei da Pureza)

Data: 23 de abril

O Dia da Cerveja Alemã é comemorado em 23 de abril e marca o aniversário da Reinheitsgebot, a Lei da Pureza da cerveja alemã, decretada em 1516 na Baviera. A data celebra a tradição e a qualidade das cervejas alemãs, com eventos em cervejarias e bares em todo o país. A comemoração foi oficialmente instituída em 1994 pela associação de cervejeiros da Alemanha.

Festival da Cerveja de Praga (República Checa)

Data: primavera (abril ou maio)

O Festival da Cerveja de Praga é o maior evento cervejeiro da República Checa, realizado anualmente na capital durante a primavera. Reúne dezenas de cervejarias checas e internacionais, oferecendo mais de 100 rótulos, além de comidas típicas e música ao vivo. Criado em 2008, o festival busca promover a cultura cervejeira do país, conhecido pela tradição das Pilsners.

MAIO

Mikkeller Beer Celebration Copenhagen (MBCC)

Data: Variável.

Site: Mikkeller Beer Celebration Copenhagen

O Mikkeller Beer Celebration Copenhagen é um dos festivais mais prestigiados do mundo da cerveja artesanal, realizado anualmente em maio na capital da Dinamarca. Criado em 2012 pela cervejaria Mikkeller, o evento reúne algumas das cervejarias mais inovadoras do mundo em uma celebração de rótulos exclusivos e colaborações especiais. O foco é a qualidade e a experimentação, com acesso limitado para garantir uma experiência diferenciada.

Mondial de la Bière de Montreal

Data: variável

Site: Mondial de la Bière de Montreal

O Mondial de la Bière de Montreal é o principal festival de cerveja do Canadá, realizado desde 1994 na província do Quebec. O evento acontece geralmente em junho e reúne centenas de cervejarias locais e internacionais, promovendo degustações, harmonizações e atividades educativas. É uma vitrine para a diversidade e inovação da cena cervejeira canadense e global.

JUNHO

Dia da Cerveja Brasileira

Data: 5 de junho

O Dia da Cerveja Brasileira foi criado em 2012 por iniciativa de um grupo chamado Blogueiros Brasileiros de Cerveja (BBC) e visava valorizar a cerveja nacional. A data escolhida é uma homenagem ao ex-proprietário da cervejaria Canoiense, Rupprecht Loeffler, nascido nesse dia. Loeffler, carinhosamente conhecido como Seu Lefra, dedicou grande parte de sua vida à produção da bebida. Ele faleceu em 2011, aos 93 anos. A Canoiense foi fundada em 1908, sendo considerada uma das mais antigas microcervejarias do Brasil.

Dia da Cerveja no Reino Unido (Beer Day Britain)

Data: 15 de junho

Site: Beer Day Britain

A data visa promover a cultura cervejeira britânica e marca o aniversário da assinatura da Magna Carta, em 1215, que fazia referência ao direito de comércio de cerveja. Criada em 2015 pela escritora Jane Peyton, a celebração inclui brindes coletivos, festivais e ações em pubs por todo o país.

JULHO

St. Arnoldus Day

Data: 18 de julho

O St. Arnoldus Day é data do padroeiro da cerveja, São Arnoldo de Soissons. A data reconhece o papel histórico da cerveja como alternativa segura à água contaminada na Idade Média, graças ao processo de fervura. Criado na Bélgica, o dia é comemorado com brindes à saúde e à tradição da cerveja monástica e artesanal. Algumas fontes apontam o dia 14 de agosto para a comemoração.