Em um contexto de desemprego elevado no Brasil – 12,1% segundo o levantamento mais recente do IBGE -, a redução da carga tributária sobre as cervejarias artesanais é fator fundamental para que o setor possa gerar mais vagas de trabalho. Essa é a avaliação de Samuel Faria, sócio da Cervejaria Landel e presidente do Polo Cervejeiro da Região Metropolitana de Campinas.
Coordenador de um importante trabalho de desenvolvimento do setor em Campinas, em uma atuação que une esferas pública e privada, o especialista aponta que a carga tributária sobre a indústria cervejeira tem distribuição igualitária, sem escala, o que provoca um impacto muito maior sobre as artesanais, taxando a produção em mais de 50%. E o consumidor é afetado diretamente, com preços mais elevados da cerveja.
Samuel Faria, presidente do Polo Cervejeiro de Campinas (Crédito: Guillermo White)
“A carga tributária tem impacto diferente no pequeno produtor, com 60% do custo do produto”, afirma Samuel ao Guia da Cerveja, acrescentando que as multinacionais muitas vezes recebem incentivos fiscais do estado, algo impensável para as pequenas cervejarias.
Por isso, para que a carga tributária se torne mais equilibrada, ele propõe que os impostos sejam calculados e cobrados a partir do volume produzido. E, na avaliação de Samuel, a adoção desse equilíbrio permitiria a geração de mais empregos, algo que as microcervejarias alavancam mais do que as grandes indústrias, por suas características.
Para se ter uma ideia dessa diferença, uma estimativa recente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) apontou que as cervejarias artesanais independentes geram 15 vezes mais emprego por litro produzido do que as grandes marcas.
“Com flexibilização tributária e de burocracia, será possível alavancar mais empregos do que uma grande cervejaria”, assegura o presidente do Polo Cervejeiro da Região Metropolitana de Campinas.
A análise vem amparada pela solidez setorial dos últimos anos. Mesmo com as dificuldades tributárias, o segmento de cervejas artesanais cresceu mais de dois dígitos nessa década, um cenário que poderia ser facilitado com uma maior compreensão sobre as características da indústria. “O que precisamos do poder público é o entendimento de como a gente funciona”, avisa Samuel.
“O Ministério da Agricultura aprendeu a ser mais flexível com as cervejas artesanais. Os outros setores do Estado deveriam se flexibilizar para entender as necessidades do setor”, conclui Samuel.
Depois da bem-sucedida estreia, o 2º Congresso Técnico de Sommeliers já tem data e local definidos: será em Salvador, de 6 a 8 de junho de 2019, segundo confirmou nesta quarta-feira a Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva).
A ideia do evento é promover o conhecimento técnico sobre a cerveja no Brasil. Organizado por Douglas DME, novo coordenador do núcleo de sommeliers da Abracerva, o congresso terá mesas redondas com profissionais da área, palestras, workshops e harmonizações.
“Queremos trazer novas experiências para o público, que some em conhecimento e também aproxime cada vez mais os profissionais do setor”, comenta Douglas.
Já Carlo Lapolli, presidente da Abracerva, avalia que o evento será fundamental para fortalecer o setor cervejeiro nacional. “Além de oportunizar a profissionalização, o congresso é muito importante para o fortalecimento da cadeia e também para mostrarmos o trabalho que temos feito para conquistar mais visibilidade e apoio no segmento.”
O primeiro congresso aconteceu em junho deste ano, em Pirenópolis (GO), e reuniu mais de 150 participantes.
Quando se unem, setor público e privado têm colhido excelentes resultados na indústria cervejeira. Se Belo Horizonte pode se tornar a Bélgica Brasileira depois de uma ação da prefeitura local, Niterói não deixou por menos: criou recentemente a Lei 3.288/2017, mais conhecida como a Lei dos Cervejeiros.
Apresentada no ano passado e oficialmente regulamentada em março deste ano, a lei foi criada com o apoio da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Federação da Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).
Entre outras iniciativas, a Lei dos Cervejeiros institui as diretrizes para a concessão do Selo Niterói Cervejeiro, libera a instalação de microcervejarias em todo o território do município e prevê que os eventos promovidos pela Prefeitura de Niterói possam incluir espaços próprios destinados à comercialização e promoção das cervejas locais.
A cidade, assim, que já conta com excelentes cervejarias como a Noi, a Matisse, a Máfia e a Oceânica, entre tantas outras, caminha com solidez para se tornar definitivamente um celeiro carioca das artesanais.
“Na cidade de Niterói havia apenas uma cervejaria. Hoje contamos com quase vinte cervejarias artesanais em nosso Município, inclusive funcionando de maneira colaborativa em um mesmo espaço”, relata Gabriel Mello Cunha, subsecretário de Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Sustentabilidade da cidade, ao Guia da Cerveja.
“Com o aumento do número de brewpubs e cervejarias artesanais houve um aquecimento crescente do setor”, acrescenta.
Teoria e prática
Para conceber um projeto que beneficiasse o setor, Gabriel conta que houve um trabalho específico para detectar outras ações similares realizadas anteriormente. Seis cervejeiros, inclusive, participaram desse processo e auxiliaram na ponte entre o setor público e o privado.
“Selecionamos as melhores leis de cervejaria artesanal do Brasil e do mundo, para verificar como podemos aplicar uma norma que contribua com o desenvolvimento sustentável desse setor promissor em nosso Município”, explica.
Gabriel Mello Cunha: a microcervejaria é sustentável economicamente
Da teoria, por sua vez, o projeto passou à prática. O subsecretário aponta que ocorreu a “criação de um grupo executivo com membros da administração pública e de cervejeiros no intuito de ouvi-los e saber como contribuir no fortalecimento da economia circular”, além de ações para o fomento da cultura cervejeira, e até “celeridade e isenção” na obtenção da licença ambiental.
O resultado do projeto definitivamente caminha para agradar a todos os niteroienses. A iniciativa, segundo Gabriel, não apenas beneficiará o setor, como tende a minimizar a profunda crise “econômica” e de “desemprego” enfrentada pelo Estado do Rio de Janeiro. E, também, impede que as cervejarias deixem a cidade na procura de outros centros.
“Diante da crise econômica que o Estado do Rio de Janeiro enfrenta, os cervejeiros artesanais que estavam subindo a serra, retornaram para o Município de Niterói, aumentando o número de estabelecimentos e contribuindo para o crescimento da economia niteroiense, com oferta de serviços e produtos e empregando mão de obra local”, aponta Gabriel, antes de finalizar.
“A microcervejaria é uma atividade que, além de baixo impacto ambiental, é sustentável economicamente, socialmente e ambientalmente.”
Uma das mais tradicionais cervejarias do mercado brasileiro, a Invicta inaugurou um novo bar na última quinta-feira, na Avenida do Café, 1881, em Ribeirão Preto. O espaço é anexo à fábrica e ao disk chope da cervejaria.
A ideia do novo bar é integrar os dois espaços que já existiam desde a mudança de endereço da fábrica em 2016, “e agora o projeto se tornou realidade e é mais uma opção para os amantes de cerveja artesanal”, segundo a cervejaria.
“As pessoas querem estar na Invicta para degustar os chopes, mas também querem conhecer e visitar fábrica, ver os tanques. Agora temos novamente tudo integrado no mesmo local”, explica Rodrigo Silveira, mestre cervejeiro e diretor da Invicta.
Outra razão pela mudança foi apostar em um ambiente mais sinestésico e menos formal. “A experiência dos clientes é o mais importante”, explica Alessandro Augusto, gerente de marketing da cervejaria, antes de acrescentar.
“O objetivo do novo bar é estimular percepções sensoriais, provocar uma experiencia sinestésica que una paladar, visão, audição. Tudo está com a cara da Invicta”, complementa.
O novo espaço conta ainda com novo cardápio, espaço kids e música ao vivo às sextas e sábados.
O que era para ser uma sequência de grandes festas e confraternizações entre duas cervejarias acabou virando um papelão. A escocesa BrewDog, em parceria com a norte-americana Scofflaw, faria diversos eventos em seus bares para celebrar a chegada da cervejaria de Atlanta em solo britânico. Tudo ia bem até que a Scofflaw prometeu dar cerveja gratuita a apoiadores de Donald Trump. E a parceria foi por água abaixo.
Em comunicado divulgado à imprensa, a Scofflaw anunciava que deixaria os britânicos “cheios de cerveja ao estilo redneck” (em tradução literal, pescoço vermelho, como são chamados os americanos das pequenas cidades do interior dos EUA), mas que era preciso ser “apoiador do presidente Trump”.
Ao tomar conhecimento da divulgação unilateral, o que aconteceu por meio da enxurrada de críticas recebidas por internautas, os diretores da BrewDog cancelaram imediatamente o evento. Pelo Twitter, a cervejaria disse que não compactua com essa posição, e que se importa “com cerveja e pessoas, não com ódio”. Por sua vez, a norte-americana se explicou dizendo que a divulgação fora feita sem seu consentimento por uma agência de relações públicas contratada para fazer a campanha.
Tweet da BrewDog negando seu envolvimento na divulgação
Seja culpa da agência desastrada ou um posicionamento real da marca, bastava um pouco de conhecimento sobre o histórico da parceira para entender que a BrewDog jamais compactuaria com essa ideia. A marca é reconhecida no universo cervejeiro por sua atitude e pela tomada de posições em questões políticas.
Em se tratando de Donald Trump, a BrewDog já protestou contra sua decisão de retirar o país do acordo de Paris para a redução do aquecimento global, produzindo uma cerveja-protesto chamada “Make Earth Great Again”, (em português “fazer a terra grande novamente”). Trata-se de uma ironia ao slogan de campanha do republicano: Make America Great Again (“fazer a América grande novamente”). No ano passado, a cervejaria anunciou planos de abrir um bar na fronteira entre EUA e México com o nome “Make Beer Not Walls” (faça cerveja, e não muros), o que ainda não saiu do papel.
Mas, intencionalmente ou não, essa não é a primeira vez que a maior fabricante de cervejas artesanais do Reino Unido se mete em campanhas desastrosas para sua marca. Há dois anos a cervejaria deixou muitos de nariz torcido ao servir cerveja de um esquilo morto, e foi severamente criticada pelos amantes da bebida por ter lançado uma cerveja cor de rosa “para garotas” no dia das mulheres.
Um mesmo setor, mas com muitas especificidades. É assim a indústria cervejeira, que viu nos últimos anos o consolidado mercado das grandes empresas multinacionais ganhar a companhia – e muitas vezes a concorrência – das bebidas artesanais. Elas têm muito em comum, mas também grandes diferenças, afinal, a produção em larga escala e a busca por uma cerveja de maior qualidade obrigam a adoção de procedimentos diferentes.
Confira 4 dessas diferenças apontadas por Cynthia Jurkiewicz Kunigk, professora do curso de Engenharia de Alimentos do Instituto Mauá de Tecnologia:
1- Foco da produção As cervejarias artesanais costumam produzir cerveja em pequenas escalas, com foco em produtos diferenciados e inovadores. Já as grandes empresas se concentram na produtividade e nas possibilidades de redução de custo. Mas, como lembra Cynthia, também podem “ter linhas de produtos diferenciados e de custo mais elevado.”
2- Busca por padronização
A tentativa de encontrar um padrão é um desafio bem mais complicado para as cervejarias artesanais, problema que não ocorre com as multinacionais, pois é algo encarado como um compromisso básico da produção em larga escala. “Uma cerveja específica sempre terá as mesmas características físicas, químicas e sensoriais, como cor, teor alcoólico e de gás carbônico, sabor e aroma”, diz Cynthia, em referência às multinacionais cervejeiras.
Cynthia Jurkiewicz Kunigk
3- Equipamentos utilizados
Outro desafio encontrado pelas microcervejarias envolve os equipamentos utilizados na produção da cerveja, como os fermentadores. Por falta de recursos em larga escala, opta-se por materiais mais simples. “O custo de fermentadores e tanques de maturação com controle rígido de temperatura é elevado e, muitas vezes, inviável para o produtor de cerveja artesanal”, comenta a especialista do Instituto Mauá de Tecnologia sobre um fator que influi diretamente no quarto item da lista.
4- Etapas da produção
A filtração, a carbonatação e a pasteurização são etapas do processo bem diferenciadas entre microcervejarias e as grandes indústrias. “A grande parte das cervejas artesanais não é filtrada após a maturação, a carbonatação ocorre pela produção de CO2 (gás carbônico) pela levedura na própria garrafa e o produto final não é pasteurizado”, pontua Cynthia. Já as multinacionais possuem um conjunto de filtros para tornar o produto límpido, sem qualquer turbidez. Além disso, a carbonatação é feita no próprio tanque de maturação através da injeção de gás carbônico. “Antes ou após o envase, a cerveja passa por um tratamento térmico (pasteurização) que visa a destruição de microrganismos que possam alterar as características do produto durante o armazenamento”, explica a professora.
Celebrar um aniversário com cerveja. Foi o que fez nesta semana a Ashby ao lançar uma cerveja em lata e com preço acessível em celebração aos 25 anos da fundação da cervejaria de Amparo (SP) pelo norte-americano Scott Ashby. A semana reservou ainda outras grandes novidades, como uma Triple IPA colaborativa feita pela Dádiva e pela sueca Nils Oscar, além do lançamento de uma linha Barrel Aged da Mafiosa. Confira, a seguir, os lançamentos.
Dádiva e Nils Oscar
CEO da cervejaria sueca Nils Oscar, Mattias Davidsson esteve em agosto no Brasil a convite da importadora Suds Insanity. E o resultado foi uma cerveja colaborativa feita com a Dádiva, em Várzea Paulista. Trata-se da Triplet, uma Triple IPA produzida com o lúpulo El Dorado e com 9,5% de graduação alcoólica. A cerveja terá distribuição da Dádiva para todo país, exceto no Paraná, onde ficará a cargo da Suds Insanity.
Barrel Aged
A Irrefutabile #1 é a primeira de uma linha Barrel Aged que a Mafiosa lança a partir de uma reserva especial da Crooner, uma American Strong Ale de aroma frutado. Envelhecida em barris de carvalho norte-americano por seis meses, a bebida tem 9% de álcool e 70 IBUs, com destaque para baunilha, caramelo, coco, madeira e uma leve acidez com toque animal de funky. Tem harmonização sugerida para carnes assadas, de caça e cordeiro, assados ou grelhados, queijos maturados e sobremesas com caramelo. É comercializada em chope e em garrafas rolhadas de 375ml, com preço sugerido de R$ 42.
Cerveja primaveril
Considerada ideal para o clima da primavera, a Berggren Hop Lager é o mais novo lançamento da Berggren. A cerveja possui coloração dourada, com espuma clara e persistente e teor alcoólico de 5,6%. Tem, ainda, sensação refrescante e os aromas florais e cítricos das IPAs. Também possui corpo médio baixo e alta drinkability. Combina com petiscos e comida de boteco, frutos do mar, peixes leves e grelhados e queijos e tem preço sugerido de R$ 14.
Comemorativa da Ashby
A cervejaria Ashby comemorou os seus 25 anos com o lançamento da Pilsen Puro Malte em lata. A cerveja de 355ml tem teor alcoólico de 4,6%, sendo mais encorpada e com coloração dourada translúcida. Sua produção foi feita com 100% malte de cevada importado e quatro tipos de lúpulos norte-americanos e alemães. A água utilizada é da Estância Hidromineral de Amparo. O preço sugerido é de R$ 2,39.
O que não falta são opções para o cervejeiro paulista para as próximas semanas. Em um cenário de aumento das opções de rótulos, as festas e festivais se multiplicaram e quatro das mais importantes delas serão realizadas até o começo de novembro no estado de São Paulo. Reunimos, a seguir, esses eventos imperdíveis. Confira.
1- Encontro Cerveja Artesanal Brasil
Em sua sétima edição, o “Encontro Cerveja Artesanal São Paulo” expande sua atuação, o que o levou a mudar o nome para “Encontro Cerveja Artesanal Brasil”. O evento aposta em cervejarias brasileiras e 100% independentes. A expectativa é de atrair um público de 3,8 mil pessoas, que terão disponíveis mais de 50 cervejarias, expositoras do “Salão do Cervejeiro Caseiro”, além de área de gastronomia e shows. “Os dois dias do evento reunirão mais de 50 cervejarias (25 cervejarias em cada um dos dias). O modelo do evento é open bar e foi dividido em dois dias pois, assim, o público poderá provar com mais tempo as cervejas disponíveis no evento e os mais fortes, quem sabe, até conseguirão tomar pelo menos uma cerveja de cada cervejaria”, explicam os organizadores do evento.
Serviço:
Quando: 19 e 20 de outubro
Horário: das 19h à 1h e das 16h às 22h, respectivamente
Local: Centro de Eventos São Luís – Rua Luís Coelho, 323 – São Paulo
2 – Slow Brew Brasil
Com mais de 270 rótulos de cervejas artesanais e mais de 70 cervejarias, o evento oferece acesso a diversos lançamentos. É possível conversar com mestres-cervejeiros enquanto se aproveita as atrações musicais e a diversidade de food trucks. Os ingressos são limitados e estão em seu último lote com o preço de R$ 270, parcelados em quatro vezes. O festival contará, ainda, com uma interessante novidade: a cervejaria do ano e os melhores rótulos do evento serão decididos pelo público.
Serviço:
Quando: 3 de novembro
Horário: 12h às 20h
Local: Centro de Eventos Pro Magno – Avenida Professora Ida Kolb, 513 – São Paulo
3 – IPA Day Brasil
Em sua sétima edição, o evento em Ribeirão Preto reúne 40 das melhores IPAs do Brasil. A festa será open bar e as cervejas terão o “acompanhamento” de atrações musicais e gastronômicas. O famoso copo do festival, aliás, será neste ano assinado pela Hocus Pocus. “Serão inúmeras atrações espalhadas por uma cidade que respira cultura cervejeira e que se mobilizou para receber, e entreter, os lupulomaníacos que vêm do Brasil todo para conhecer a verdadeira cidade da IPA”, relatam os organizadores.
Serviço:
Quando: 3 de novembro
Horário: 12h às 22h
Local: Quintalinda Espaço para Eventos – Km 303, Via Anhanguera – Ribeirão Preto
4 – Oktoberfest SP
Iniciado na sexta-feira com atrações musicais e cerveja de qualidade, a Oktoberfest conta com grande infraestrutura para receber o público, com programação cultural diversificada e voltada para toda a família. São mais de cem shows musicais, mais de 70 rótulos de cerveja e 60 opções gastronômicas.
Serviço
Quando: 28 de setembro a 14 de outubro
Local: Sambódromo do Anhembi – Avenida Olavo Fontoura, 1209
A mais popular das festas mundiais cervejeiras começa nesta sexta-feira em São Paulo. Depois de agradar em sua estreia, a Oktoberfest sofreu mudanças para a segunda edição – especialmente no horário e na unificação do ingresso – e promete muita alegria e democracia ao visitante.
Democracia. É esse mesmo o termo. Em período de turbulência política e intensa confrontação em mídias sociais, a São Paulo Oktoberfest garante que será um contraponto: terá democracia e respeitará a diversidade de todos os visitantes que forem ao Sambódromo do Anhembi, na capital paulista.
Essa é a promessa de Walter Cavalheiro Filho, fundador da São Paulo Oktoberfest, que falou exclusivamente ao Guia da Cerveja. “Essa é a palavra: democracia”, conta o executivo, quando questionado sobre o que definiria o evento que começa nesta sexta, às 17 horas, e vai até o dia 14 de outubro (a festa funcionará de quinta a domingo).
Walter destacou ainda a importância de uma festa tradicional como a Oktoberfest – criada em 1814 para celebrar o casamento do rei bávaro Ludwig, em Munique, e hoje espalhada por outras diversas cidades brasileiras – ter finalmente espaço em uma capital como São Paulo.
“Imagina você que uma família pode vir para cá, ir na Oktoberfest um dia, pegar um Theatro Municipal no outro, ir na Rua 25 de Março fazer uma compra”, destaca.
Confira, a seguir, a entrevista completa com Walter Cavalheiro Filho, fundador da São Paulo Oktoberfest.
O que o público pode esperar da 2ª edição da São Paulo Oktoberfest?
O público pode esperar democracia. Democracia através das mais diversas atividades familiares, em termos de atração, democracia gastronômica, com diversas opções alemãs, democracia através da culinária de diversas outras regiões, como italiana, japonesa, do pessoal vegetariano. Democracia também de um evento que tem um patrocinador master [Eisenbahn] que dá oportunidade para outras 30 pequenas cervejarias entrarem no evento, sendo que esse patrocinador não só abre um canal para que eles se comuniquem e coloquem seus produtos em experimentação, como também ajuda financeiramente, apoiando na produção . Então, acho que a democracia é a palavra que mais abrange, que você consegue percebê-la dentro do festival. E, também, tem a democracia na parte de shows, não só dentro da Biertent, onde teremos uma variedade de músicas típicas alemãs, mas também no Palco Rock, onde estão localizadas as cervejarias artesanais, com mais de 70 apresentações com bandas desse universo. A democracia também do Palco Sunset, onde vamos levar apresentações de músicas eletrônicas, com DJs renomados. Então, essa é a palavra: democracia.
Uma excelente palavra, aliás, para um momento como o de agora.
Exato. Um momento em que a democracia em nosso país precisa estar em evidência.
E quais as principais diferenças em relação à 1ª edição?
A primeira nos deu a oportunidade de entender o fluxo que nossos visitantes desejavam e esperavam para a segunda. Dentro das principais mudanças, acho que a mais perceptível é o evento ter crescido de dois finais de semana para três. Também teve o ajuste dentro do horário, principalmente nos dias de semana, entendendo que o nosso visitante é aquele que vem das empresas, que forma grupos de happy hour. Esses grupos chegam mais à tarde, então ajustamos o nosso horário para começar à tarde, às 17 horas, mas estender também um pouco mais para que o visitante tenha a oportunidade de ficar e passear pelos 24.000 m2 de evento. Outra grande novidade que implantamos foi a adoção do ingresso único. No ano passado, ele tinha diferenças quanto à área aberta, à Biertent. E, neste ano, com um trabalho feito entre a organização e o principal patrocinador, conseguimos entregar – com a exceção dos camarotes corporativos – o ingresso único com acesso a todos esses palcos, todas essas tendas.
Com relação a rótulos e cervejarias, quais serão os principais destaques?
Como disse, o principal destaque é ter ao nosso lado um patrocinador master que acredita na experiência cervejeira. Então, vamos levar cervejas do nosso patrocinador principal, que terá mais de 18 rótulos, entre eles um específico e sazonal que é o Oktoberfest. Tem outros rótulos também, como Weizenbier, Golden Ale, American IPA, envelhecida em barril de carvalho. E aí entramos nas artesanais, nas pequenas cervejarias, dando a oportunidade para que elas ganhem destaque e conotação dentro de um grande festival. Temos uma série de outros rótulos que nos trazem bastante alegria de ter no evento. São Lagers, são IPAs, são APAs, enfim, um universo de cervejas. De verdade, para aquele que gosta de cervejas, é um prato cheio.
O evento, então, é propício tanto ao consumidor ligado ao mainstream quanto aquele mais aficionado por artesanais?
Exatamente. Vai democraticamente abranger esses dois universos dando a opção, dando ao público uma experiência cervejeira inesquecível nesses 11 dias de evento.
O que uma cidade como São Paulo, que já tem uma infinidade de eventos, ganha ao receber uma Oktoberfest?
A cidade de São Paulo foi a primeira a receber as colônias vindas da Alemanha, o que aconteceu há mais de uma centena de anos, e depois elas caminharam para o Sul, para o Rio, para outras localidades do país. São Paulo, além desse fato, é a maior cidade industrial alemã fora da Alemanha. É um fato curioso: nenhuma outra cidade do planeta tem tantas indústrias alemãs como São Paulo. Aqui tem mais indústrias germânicas do que Munique, que é o berço da Oktoberfest. Trazer um evento desse para cá, então, faz todo o sentido. Planejamos isso de forma a trazer um evento que fosse uma réplica do alemão, de Munique. Reconhecemos que o evento de Blumenau é o mais antigo, e que é um sucesso, sem dúvida nenhuma. Mas o molde que gostaríamos de implantar – e conseguimos em 2017 – é de um evento em que os pilares fossem facilmente reconhecidos como: família, gastronomia (e dentro da gastronomia está inserida a cerveja, porque na Alemanha, principalmente em Munique, a cerveja é considerada alimento), música, diversão e amizade.
Festa promete muita música e cultura (Crédito da imagem: Felipe Panfili)
Esses foram os pilares que desenhamos lá atrás e implantamos em 2017 para quebrar paradigmas, porque as pessoas ainda confundiam muito a história do “pô, é Oktoberfest, vou para lá e tomar dez litros de cerveja”. Até pode ir lá e tomar dez litros de cerveja. Mas não é só isso. Você vai encontrar música, cultura, família, diversidade. Para nós, esses era o desafio e o evento mostrou que o paulistano gostou. O paulistano vai continuar indo para Blumenau? Claro, sem dúvida nenhuma. Mas queremos trazer para cá os catarinenses, os mineiros, os paraibanos, os sul-mato-grossense. Porque São Paulo é uma capital, como você disse na pergunta, que reúne diversas qualidades. Imagina você que uma família pode vir para cá, ir na Oktoberfest um dia, pegar um Theatro Municipal no outro, ir na Rua 25 de Março fazer uma compra. Então, São Paulo reúne uma série de outros programas que vão trazer para nossa cidade arrecadação através de tributos, movimentação comercial através de hotéis, de passagens aéreas. Ou seja, o evento contribui não só para diversão, amizade, alegria, mas também para a máquina econômica do município.
Uma recente iniciativa da Azul demonstrou que o viajante tem a comemorar no Dia Mundial do Turismo, festejado anualmente em 27 de setembro: a relação entre companhias aéreas e cervejarias anda excelente. Se os voos perderam sua atmosfera glamourosa e oferecem cada vez menos serviços ao consumidor, a bebida mais apreciada pelos brasileiros surgiu como contraponto desse corte de gastos.
Nas últimas semanas, por exemplo, a Azul fez uma parceria com a Patagonia para lançar uma cerveja nos “ares”. Trata-se da Amber Lager – primeira receita da marca – em latas de 473 ml, que estão sendo primeiramente disponibilizadas em voos que operam na janela entre 17h e 21h, com mais de uma hora de duração entre Guarulhos, Campinas, Curitiba e Porto Alegre. A iniciativa é válida até 15 de outubro.
Se a parceria com a Patagonia é provisória, a Azul apostou em uma relação de longo prazo com a Skol. Depois do sucesso do Happy Hour Azul, em que oferecia cerveja durante o verão, a companhia incluiu a cerveja definitivamente em seu serviço de bordo regular, além de snacks como batata chips e amendoim japonês.
Em latas de 269ml, a Skol está sendo servida de quarta a sexta-feira, das 17h às 21h, em voos acima de 1 hora de duração. O serviço ocorre nas aeronaves Embraer 190 e 195 e Airbus A320 entre as seguintes cidades: São Paulo (Congonhas, Guarulhos e Viracopos), Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Goiânia, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro (SDU), Salvador e Vitória.
“Assim como a Azul, a Skol tem um posicionamento de marca moderno, além de ser um produto muito reconhecido pelo público”, conta Renata Lorenzini, gerente de marca e produto da Azul, ao Guia da Cerveja, quando questionada sobre a razão da escolha pela Skol.
A executiva antecipou ainda que a ideia do happy hour pode ser expandida para outras localidades. “A Azul sempre preza em oferecer aos seus clientes um serviço diferenciado e um produto único e estuda a possibilidade de expandir para outros mercados o happy hour a bordo. A empresa está sempre disposta a embarcar em novas parcerias que agreguem valor à Experiência Azul.”
Recentemente a Gol foi outra companhia a apostar na cerveja: até o final do ano, servirá Heineken como bebida do serviço de bordo gratuito nas quintas e sextas-feiras, nos voos que decolam de 17h às 23h dos aeroportos de Congonhas (SP) e Santos Dumont (RJ). O serviço inclui mini-hambúrgueres de picanha Wessel com queijo prato como acompanhamento.