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Concurso cervejeiro busca incentivar cultura do setor em Brasília

A capital brasileira ganhou uma importante iniciativa para divulgar sua produção de cerveja. Trata-se do Prêmio Beba Brasília 2018, um projeto criado com o intuito de incentivar a cultura cervejeira local.

O prêmio terá seu lançamento oficial no dia 7 de setembro durante o Festival da Cerveja Independente, que será realizado no galpão da cervejaria Corina, em Brasília. A votação que elegerá a melhor cerveja local, além do bar especializado, entre outras categorias, será online e ficará aberta ao público de 7 de setembro a 5 de outubro.

A divulgação dos vencedores, por sua vez, será no dia 13 de outubro, em evento que será realizado durante a Semana da Cerveja Independente, que acontecerá em Brasília de 12 a 21 do mesmo mês.

Projeto do site Cinema e Cerveja, criado pelo sommelier Euller Barros, o Beba Brasília é uma importante iniciativa para divulgar o mercado cervejeiro da capital brasileira – a cidade conta hoje com mais de 30 marcas entre fábricas e ciganas, além de inúmeros bares e estabelecimentos focados nas artesanais.

“Neste contexto, o Prêmio Beba Brasília visa atender dois objetivos: divulgar esta pujante cena cervejeira para o público da cidade e reconhecer as marcas que mais se destacaram no ano. Na edição 2018 o público irá votar em 7 categorias, que vão desde a sua cervejaria favorita ao bar de cerveja artesanal com melhor atendimento”, explica a organização do festival.

A viabilização do prêmio, que tem o apoio da Associação das Cervejarias do Distrito Federal (Abracerva-DF), será possível devido a uma campanha de arrecadação: cervejarias, bares e o próprio público foram convidados a contribuir financeiramente, e a expectativa é de que se atinja o valor de R$ 10 mil.

Quer contribuir, clique aqui. E, se quiser conhecer mais sobre o projeto, acesse aqui.

Entrevista: Rio receberá a maior edição do Mondial de La Bière do planeta

Maior evento cervejeiro do planeta, com edições no Canadá, na França e em São Paulo, o Mondial de La Bière inaugura sua edição de 2018 no Rio de Janeiro nesta quarta-feira. E o visitante do Mondial RJ pode esperar um grande festival.

Para saber detalhes sobre o evento, o Guia da Cerveja conversou com Luana Cloper, diretora da Fagga, a empresa organizadora do Mondial Rio. E, segundo a executiva, a edição carioca é realmente especial: trata-se da maior do mundo tanto em quantidade de público como em número de expositores.

O festival, que ocorrerá entre os dias 5 e 9 de setembro, nos armazéns 2, 3 e 4 do Píer Mauá, receberá mais de 1500 rótulos e 160 cervejarias, quase a metade delas estreantes. Espera-se, por sua vez, que cerca de 50 mil pessoas circulem pelo Mondial até domingo.

“Nosso objetivo esse ano é principalmente melhorar a experiência dos expositores e do público visitante, fazendo ajustes na operação, no fluxo e na ambientação do evento”, conta a executiva.

Confira, a seguir, a entrevista completa com Luana Cloper, diretora da Fagga.

Como a organização do festival encara o mercado brasileiro de cerveja artesanal?
É um mercado em franco crescimento e o Mondial, desde sua primeira edição, funciona como uma plataforma de divulgação das cervejarias. Um evento onde o visitante tem inúmeras possibilidades de degustação, além de conhecer de perto os produtores e os sommeliers.

O que o festival pode fazer para ajudar na consolidação desse mercado?
É uma porta de entrada àqueles que já tem a cerveja artesanal como paixão e uma ótima oportunidade para aqueles que não conhecem esse incrível universo.

Quais as principais semelhanças entre as edições estrangeiras e as brasileiras do festival?
A possibilidade de conhecer novidades e tendências cervejeiras.

E o que a edição carioca traz de peculiaridade em relação às estrangeiras?
Sim, o tamanho. A edição do Rio é a maior em termos de público e expositores.

Quais as principais novidades programadas para esta edição?
Nosso objetivo esse ano é principalmente melhorar a experiência dos expositores e do público visitante, fazendo ajustes na operação, no fluxo e na ambientação do evento. As novidades ficam por conta das próprias cervejarias, que estão programando diversos lançamentos especiais para o evento, alguns produtos que só poderão degustados lá. Além disso, o visitante também vai ter contato com novas cervejarias participantes no evento. Quase metade das cervejarias estão participando pela primeira vez, grande parte vindo de outros Estados.

Fabricação de bebidas alcoólicas sobe 8,5% em julho

A fabricação de bebidas alcoólicas teve um excelente desempenho em julho. Apresentou um crescimento de 8,5% na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo dados divulgados nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O bom resultado manteve a recuperação verificada nos meses anteriores pelo setor: cresceu 2,9% no ano, na comparação com igual período de 2017, e 3,4% nos últimos 12 meses.

Resultado ainda melhor foi apresentado pela fabricação de bebidas não alcoólicas, que alcançou um aumento de 16,9% em julho, 5,3% em 2018 e 3,7% nos últimos 12 meses.

Impulsionado pelo crescimento da fabricação geral de bebidas, que subiu 12,5%, o índice geral da indústria teve alta de 4% em julho na comparação com o mesmo período do ano passado. Quando a base de referência é junho deste ano, por sua vez, houve ligeira queda de 0,2%.

“A variação de -0,2% na indústria, de junho para julho de 2018, reflete as taxas negativas em 10 dos 26 ramos pesquisados, com destaque para veículos automotores, reboques e carrocerias (-4,5%) e produtos alimentícios (-1,7%)”, explicou o IBGE em nota.

“Já entre os 16 ramos que ampliaram a produção em julho de 2018, os destaques foram outros produtos químicos (4,3%), com o segundo mês seguido de crescimento na produção e acumulado de 12,6%; outros equipamentos de transporte (16,7%), eliminando parte do recuo de 24,4% nos meses de maio e junho; máquinas e equipamentos (2,9%), acumulando 8,6% nos dois últimos meses; e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (1,0%), em alta pelo quinto mês consecutivo, com ganho de 13,6% no período”, acrescentou o instituto.

Confira, a seguir, as estatísticas da produção industrial em julho:

Produção Industrial

Julho

2018

12 meses

Bebidas Alcoólicas

8,5%

2,9%

3,4%

Bebidas Não Alcoólicas

16,9%

5,3%

3,7%

Fabricação de Bebidas

12,5%

4%

3,5%

Geral

4%

2,5%

3,2%

Faça sua escolha: Vídeos da Brewers Association exaltam independentes

A Brewers Association (BA) lançou nesta semana mais uma fase de sua campanha de valorização das cervejarias independentes. Nela, chamada That’s Independence You’re Tasting (traduzida livremente como “é independência isso que você está provando”), dois vídeos falam com mensagens vibrantes e positivas sobre a qualidade da cerveja artesanal produzida por pequenas companhias.

Os vídeos estão sendo divulgados em diferentes plataformas da Brewers Association, entidade que representa a maioria das cervejarias artesanais independentes nos Estados Unidos.

Os textos começam evocando o valor da independência e da possibilidade de fazer escolhas – valores tão caros à cultura norte-americana – e afirmam que escolher é “bater o pé contra o status quo”. Em seguida, dizem que a criação do selo de independência é uma marca deixada pela BA e seus representados no universo da cerveja, e finaliza convocando o espectador a “procurar o selo”, com a hashtag #seektheseal (procure o selo).

É por meio dessa campanha que a BA pretende disseminar entre os consumidores a preferência por produtores independentes, cujas embalagens têm desde o ano passado um selo com o desenho de uma garrafa de cabeça para baixo que “atesta” sua não ligação com multinacionais. Nos últimos anos, gigantes da cerveja vêm comprando cervejarias regionais nos EUA, o que levou a BA a se movimentar para “alertar” o consumidor sobre a origem da cerveja consumida.

“Estamos orgulhosos de poder fazer por nossos membros algo que seria muito difícil de cada um fazer individualmente”, afirma Bob Pease, presidente da associação, sobre o potencial de conscientização da campanha. “Ao escolher cervejas com o selo, o consumidor de cerveja sabe que está apoiando uma cervejaria que tem laços com sua comunidade”, completa.

Até agora, mais de 3700 cervejarias americanas adotaram o selo. Elas representam 80% das vendas de cervejas artesanais no país.

Confira os vídeos da campanha That’s Independence You’re Tasting

3 problemas políticos do setor cervejeiro

A aproximação das eleições coloca em relevo o bom momento do setor. E por uma razão, no mínimo, contraditória: se a indústria cervejeira teve desempenho tão favorável nos últimos anos, crescendo sempre na casa dos dois dígitos, imagina se a política nacional estivesse menos caótica e as condições econômicas fossem realmente favoráveis?

Período eleitoral, contudo, não é momento para se lamentar. Mas, sim, de encarar os problemas, enxergar soluções e trabalhar para que os próximos anos sejam, enfim, mais propícios para o investimento no setor.

O Guia da Cerveja buscou, nas últimas semanas, com alguns dos principais especialistas do mercado, compreender quais seriam as grandes demandas do setor. Cientes de que estamos abordando uma pequena parte do problema, compilamos esse material para, quem sabe, facilitar a organização “política” por um mercado cervejeiro ainda melhor.

Confira, a seguir, 3 dos problemas políticos do setor cervejeiro.

MATRIZ TRIBUTÁRIA
Problema: O sistema é mal distribuído e, sem qualquer equilíbrio de escala, acaba penalizando as microcervejarias
Solução: Tornar a matriz mais equilibrada e alterar a carga de impostos, calculando a diferenciação pelo volume produzido
Consequências: O setor cresceria de maneira mais sustentável, impactando até na maior geração de empregos
Palavra de especialista: Não tenho dúvida que o setor carece de uma política mais justa na matriz tributária. Não há ponto de equilíbrio na escala da microcervejaria (Sady Homrich)

 

CONCORRÊNCIA
Problema:
Nem sempre a concorrência é feita de maneira equilibrada, o que sufoca as microcervejarias
Solução: Vigilância à concorrência desleal, proibição da exclusividade em ponto de venda, melhor distribuição de subsídios
Consequências: As microcervejarias teriam mais espaço, chegariam com mais frequência aos pontos de venda e o consumidor ganharia com a maior oferta
Palavra de especialista: [Precisamos da] Retirada de subsídios aos grandes grupos. Outro ponto importante é ter alguém vigilante à concorrência desleal (Carlo Enrico Bressiani)

 

BUROCRACIA
Problema:
O excesso de burocracia para que o Ministério da Agricultura reconheça oficialmente uma cervejaria
Solução: Mudança na legislação que facilite o reconhecimento das ciganas e das caseiras sem, entretanto, alterar a questão da qualidade ou da segurança alimentar
Consequências: Expansão do setor, facilidade para traçar uma radiografia real do mercado e maior controle do próprio Ministério da Agricultura
Palavra de especialista: Precisamos de uma mudança na legislação do MAPA para permitir a diversidade de cervejas que temos (José Bento Valias Vargas)

 

Fontes: Carlo Enrico Bressiani, sommelier de cervejas, PhD em Finanças pela Universitat Ramon Llull, de Barcelona, e diretor-geral da Escola Superior de Cerveja e Malte; José Bento Valias Vargas, sócio da Lamas Brew Shop de Belo Horizonte, da Cervejaria Dunk Bier e um dos fundadores da Associação dos Cervejeiros Artesanais de Minas Gerais (Acerva Mineira); e Sady Homrich, baterista do Nenhum de Nós e um dos principais especialistas do setor

Mr. Unicorn, Wäls em lata: As novidades cervejeiras da semana

Depois de inaugurar sua fábrica em junho, a StartUp Brewing lançou a Unicorn, sua primeira linha de cervejas. Esta foi uma entre as boas novidades da semana, que marcou também a estreia em lata da Wäls e a chegada de um novo rótulo da Kairós, complementando a série sobre lendas de Florianópolis. Confira, a seguir, todas as novidades.

Mr. Unicorn
Com sua fábrica inaugurada em junho deste ano para acelerar e investir em marcas ciganas, a StartUp Brewing “oficializou” sua chegada ao mercado com a Unicorn. Sua linha de cervejas próprias estreará em mais de 60 bares com três rótulos: a Unicorn Premium Lager, com 5% de teor alcoólico e corpo e amargor baixos; a Unicorn Witbier, com adição de casca de laranja e semente de coentro, além de 4,5% de teor alcoólico; e a Unicorn IPA, com 40 IBU e 6% de álcool. Todas são envasadas em latas de 473ml e apostam em rótulos estampados pela caricatura do excêntrico Mr. Unicorn, que “com seu gênio esnobe traz informações, indica tendências, sugere rótulos, sempre de maneira divertida. Sua autoestima poderosa somada ao seu jeito pedante vem à tona de forma cômica, prometendo superar até os beer snobs mais exigentes”, segundo a cervejaria.

Wäls em lata
Depois de lançar sua cerveja mais recente, a Läger, a Wäls apostou em mais uma novidade: apresentou o rótulo em latas de 473ml. A bebida tem cor dourada, corpo leve e refrescância, além de combinar quatro variedades de lúpulos, que resultam no equilíbrio perfeito entre aromas cítricos e florais, segundo a cervejaria. Já o design da embalagem é produzido em material fosco e tem como inspiração as paredes de uma galeria de arte. “Em 2018, a Wäls completa 19 anos. Desde a criação, sempre fomos marcados pela inovação e inquietude. Chegou o momento de fazermos algo novo também nas nossas embalagens. A lata amplia as ocasiões de consumo para o consumidor, além de ser uma tendência mundial no universo artesanal”, explica Arnaldo Garcia, gerente de marketing da marca.

Cerveja lendária
A Kairós deu sequência à sua série “lendas de Floripa”. Lançou agora a Lombisome, uma Saison com aroma e sabor frutado, além de um ligeiro caráter maltoso. Ela possui leve amargor, sabor de lúpulo condimentado, acidez baixa e alta carbonatação, com corpo baixo e final bem seco. A Ipaguaçu e a Boitatá são alguns dos outros rótulos a integrar a divertida série da cervejaria catarinense.

Expansão da Alles Blau
Lançada no Festival Brasileiro da Cerveja, em março, a catarinense Alles Blau deu mais um passo em sua caminhada: começará a ser vendida em outros estados. “Trabalhamos muito para que a linha tivesse rótulos mais conhecidos, como Pilsen e IPA, mas também apresentasse novidades para o consumidor, como é o caso da Catharina Sour com amora e a Witbier com limão siciliano e coentro”, conta Davi Zimmermann, diretor comercial e sommelier da cervejaria. Strong Golden Ale, APA, IPA, Blond Ale e Imperial Stout são os outros estilos comercializados pela Alles Blau. “Nosso objetivo é produzir cervejas equilibradas e com um bom drinkabillity. O formato em long necks foi escolhido para dar praticidade e oportunizar o acesso para vários públicos”, diz o cervejeiro Rubens Bósio.

Campanha da Antarctica “ressuscita” Gonzaguinha

Marca tradicionalmente ligada ao samba, a Antarctica publicou nessa semana sua mais nova – e muito feliz – peça publicitária. Com a ajuda de tecnologia, a cervejaria reproduziu digitalmente a voz de Gonzaguinha para gravar uma canção inédita sua, vetada pela ditadura militar.

Reconhecido pelo teor de consciência e crítica social que imprimia em suas canções, o cantor morto em 1991 foi alvo constante da censura do regime. Céu País, composição resgatada pela Antarctica, foi escrita em 1973, ano de lançamento de seu primeiro LP Luiz Gonzaga Jr. e um dos pontos altos de sua carreira, após cantar no programa Flávio Cavalcanti a contestadora Comportamento Geral, ser advertido pela censura e a acusado de “terrorista” por parte de jurados do programa. Segundo a pesquisa feita pela Antarctica, de 72 composições suas enviadas para a análise do governo militar, 54 foram vetadas.

Para dar vida à música, foram feitas reconstruções da voz do Gonzaguinha usando como base a voz de um cantor com tom de voz parecido com a dele. Foram extraídos trechos de diversas gravações feitas pelo filho de Gonzagão em vida, recortes feitos palavra por palavra de áudios de entrevistas e outros registros. Tudo sob supervisão de uma equipe de músicos e biógrafos do músico carioca.

Confira o vídeo de Céu País:

O lançamento faz parte da ação e divulgação do concurso de sambas Batuque da BOA, em que compositores são incentivados a tirar suas composições “da gaveta”. O júri será presidido pelo sambista e pesquisador cultural Nei Lopes, e composto por diversos sambistas tarimbados. O compositor vencedor leva um prêmio de R$40 mil. As inscrições para o concurso estão abertas até 15 de setembro pelo site www.antarctica.com.br/batuque-da-boa e o vencedor será conhecido no dia 3 de novembro.

Veja também vídeo com cenas do making of de Céu País:

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O abismo sublime: A turbulenta relação que une cerveja, álcool e literatura russa

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Pesquisador da Embrapa alerta sobre clima, mas vê lúpulo nacional com otimismo

O Brasil traça os primeiros passos de sua história com o lúpulo. Embora ainda não exista propriamente uma tradição, o país tem potencial para desenvolver o cultivo próprio, o que já começou a ser feito informalmente por algumas cervejarias, segundo conta Euclydes Minella, pesquisador da Embrapa Trigo desde 1975.

“Com o crescimento das cervejarias artesanais, certamente aumentou a procura por lúpulo local e, infelizmente, ainda não temos história de produção de lúpulo no Brasil, mas estamos construindo. Atualmente, já existem várias cervejarias fazendo pomar de lúpulo”, explica o pesquisador, detalhando sobre essa produção que começa a ganhar forma.

“Obviamente isso é material importado, porque não temos tradição de produção nem de melhoramento no país, mas está havendo resultados positivos. As pessoas estão adquirindo a própria confiança de como fazer, então isso aí é crescente”, acrescenta Minella.

“Temos hoje produção de lúpulo informal na mão de microcervejarias do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais. É o povo que está se adiantando, porque não temos informações no país sobre o cultivo.”

Desafios
Um tempero da cerveja, segundo o pesquisador, o lúpulo é uma planta – o lupuleiro – que, contrariamente ao que se imagina, é da cultura de verão. Dela se aproveita a flor, que dá aroma e sabor à bebida. E é aí onde está o grande problema para a produção nacional: para colher a flor, é preciso tempo seco.

“É uma planta exótica aqui, exigente também e que precisa de clima específico principalmente na época de colher essas flores. Precisa ser clima seco, então aí você começa a imaginar as dificuldades de se produzir aqui”, comenta Minella, uma das grandes referências nacionais no cultivo de cevada.

Ainda assim, apesar da dificuldade com as chuvas, ele garante que há boas condições, especialmente se a colheita for em abril. “Vai se buscar exemplo de todos os outros cultivos de regiões que favorecem a questão do pós-floração. Temos condições boas para colher em abril, final de março, que em geral é seco”, orienta.

Confiante no potencial do lúpulo brasileiro, Minella aponta outro importante desafio: a falta de maior apoio institucional para o cultivo se estabelecer. “Existe potencialidade, sim. Mas temos muita coisa a aprender. E espero que alguma instituição se interesse, porque é um movimento que veio para ficar”, finaliza.

 

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Produção de cevada cai em julho, mas mantém expressiva alta em 2018

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Os desafios da cevada: Entenda como o país pode dobrar produção de malte

Sinnatrah inaugura nova sede e promete novidades na grade curricular

Uma das principais referências do setor em São Paulo, a Sinnatrah Cervejaria-Escola inaugurou nesta terça-feira a sua nova sede. Fica a apenas duas quadras de sua antiga instalação, na Avenida Pompeia, agora no número 2021, a poucas quadras do metrô Vila Madalena.

A conhecida sede anterior, contudo, não será desativada: o brew shop da Sinnatrah continuará no mesmo espaço, mas sofrerá uma repaginação e ganhará uma cara nova.

A mudança a um espaço mais amplo não só serviu para comemorar o aniversário de nove anos da escola, como também para ampliar sua grade curricular. A Sinnatrah deve, também, em breve, montar uma planta-piloto destinada à produção de cervejas.

“A ideia da mudança foi ampliar o espaço dedicado aos cursos, montar uma sala de brassagem maior e dar mais conforto de maneira geral aos clientes”, conta Júlia Reis, sócia e professora da Sinnatrah.

A escola possui, ainda, além de Júlia, outros dois sócios e professores titulares: Rodrigo Louro, doutor em bioquímica e mestre cervejeiro; e Alexandre Sigolo, também bioquímico e mestre cervejeiro.

Ao longo de sua trajetória, a Sinnatrah já formou mais de 4500 cervejeiros caseiros, muitos dos quais assumiram o hobby como profissão, atuando dentro de cervejarias ou criando as suas próprias marcas.

 

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Artesanais caem no gosto do Cariri e ganham curso

Herdeiros de Nassau: A estratégia “bairrista” da Capunga para ganhar mercado

Um lançamento recente no mercado brasileiro chamou a atenção por trazer uma arrojada estratégia comercial. Trata-se da Pilsen Praia, apresentada no final de julho pela Capunga com o intuito “brigar diretamente com grandes rótulos de aceitação nacional”, segundo informou a própria cervejaria pernambucana na época.

A cerveja, uma puro malte com sabor mais leve e refrescante, envazada em garrafas de 330 ml, 600 ml, 1 litro e latas de 473 ml, surge como ponto central da ampliação de uma estratégia já existente. Depois de chegar em 150 pontos de venda em Pernambuco, Alagoas e Rio Grande do Norte, a Capunga mira agora todo o mercado nacional.

“A Capunga sempre teve em sua estratégia atrair novos consumidores para o segmento de cervejas artesanais e identificamos na Pilsen Praia a oportunidade perfeita para nos mantermos neste foco”, conta Victor Lamenha, diretor comercial da Capunga, ao Guia da Cerveja.

Para atingir o objetivo, a cervejaria já começou a reforçar o canal de distribuição, visando grandes redes de supermercado. Aposta, também, em parcerias para aumentar sua capacidade de produção.

“Em Pernambuco e em outros estados do Nordeste, temos uma distribuição ampla e pretendemos atingir o mercado nacional através das grandes redes de supermercados, com as quais estamos finalizando as negociações. Vamos conseguir atingir esse objetivo no médio prazo, com um projeto de ampliação fabril que estamos concluindo em parceria com o Banco do Nordeste”, detalha Victor.

Artesanal, sim
A tentativa de ampliar o foco, contudo, não deve mudar as características da Capunga. O diretor comercial garante que, apesar do intuito de conquistar um mercado maior, a cervejaria seguirá como “artesanal”.

“Nós seguiremos fiéis a nossa origem artesanal, porém com planos, metas e objetivos grandiosos. Ainda somos muito pequenos, mas com muita vontade de, cada vez mais, buscar nosso espaço neste mercado tão competitivo e com os maiores players do mundo.”

Embora o foco seja na Pilsen Praia, todo o portfólio auxiliará na nova estratégia. Tanto que dois rótulos atrelados ao paladar artesanal – a Capunga IPA Cumade Florzinha e a Capunga Double IPA Bala de Prata – foram lançados recentemente em garrafas de um 1 litro.

“É o complemento dessa estratégia”, explica Victor. “Visamos atingir todos os públicos, aumentar nossa participação na prateleira e oferecer opções de consumo variadas para o consumidor. E já estamos com a Pilsen Praia no mercado.”

Essa fidelidade ao termo artesanal, completa ele, poderá ser verificada na manutenção da qualidade da cerveja. “Enxergo com muita clareza essa dinâmica: a qualidade, a variedade e complexidade de aromas e sabores, o cuidado e o carinho que colocamos dentro da garrafa, que só as cervejarias artesanais conseguem colocar.”

Da Capunga para o mundo
Mas não é apenas em relação ao rótulo “artesanal” que a cervejaria promete se manter fiel. Mesmo que se expanda e conquiste o país, a Capunga avisa que não esquecerá jamais de suas origens. Origens que remontam a uma região do Recife chamada de… Capunga.

Foi nessa localidade onde dois dos sócios da marca – Victor entre eles – passaram boa parte de suas vidas. E foi exatamente na Capunga onde Maurício de Nassau, o célebre governador da colônia holandesa no Nordeste, sediada no próprio Recife, em meados do século XVII, fundou a primeira cervejaria da América – ela seria, depois, comandada pelo também holandês Dirc Dicx.

O próprio nome carrega, então, um intuito quase “nassauniano” da cervejaria: levar um produto local para o restante do país. E, especialmente, o que parece ainda mais decisivo: a aposta no bairrismo pernambucano para atingir o objetivo.

“O bairrismo do pernambucano é o nosso maior trunfo. Sempre confiamos e contamos com ele em todo projeto que lançamos”, garante o pernambucano Victor, sempre fiel a suas origens.

“Desde o início, três anos atrás, até hoje, com nossas curtas ou nenhuma verba de marketing, o valor que o pernambucano dá aos bons produtos de sua terra é o que nos faz crescer de forma relevante, significativa e contínua e sempre nos mantém motivados a continuar apostando em novos produtos e projetos. Por isso o bairrismo do pernambucano é simplesmente tudo para a Capunga.”

 

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