A primeira edição da Copa Cerveja Brasil, realizada pela Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), teve seus vencedores anunciados no último dia 20 de outubro, com altíssimo nível de microcervejarias, cervejas e brewpub.
A microcervejaria do ano, com a maior pontuação média, foi a Bierbaum, de Treze Tílias (SC). O diretor da empresa, Markus Bierbaum, reconhece a dificuldade de impressionar jurados em um nível tão alto. “As premiações em concursos são de extrema importância, pois indicam se os produtos atendem aos mais exigentes paladares, e também demonstram possíveis ajustes e melhorias”, afirma. As 590 amostras inscritas na Copa foram analisadas por cerca de 50 juízes, coordenados por Igor Puorro.
Entre as marcas ciganas, com produção terceirizada, o destaque do ano foi para a Mantrap, de Belo Horizonte (MG). “Até pouco tempo a cervejaria era composta de apenas uma pessoa, ao mesmo tempo o cervejeiro, motorista, marketing, vendedor, entregador, comprador, CEO…” conta Fernando Cherem, cervejeiro da casa. Ele enxerga no competitivo cenário nacional um espaço promissor para as ciganas. “Esse prêmio demonstra que as cervejarias ciganas podem sim ter seu lugar no mercado. Há muita coisa boa por aqui e queremos servir de exemplo para as demais.”
O brewpub 3 Orelhas, de Gonçalves (MG), foi o considerado o melhor do Brasil, e seu mestre cervejeiro Bruno Faria celebrou a conquista. “Representa o reconhecimento do nosso trabalho e planejamento como empresa. Somos apaixonados pela cerveja e a cultura que a circunda, tanto no Brasil quanto no resto do mundo. No final das contas é um belo motivo para comemorarmos!”
Na contagem total de medalhas, os estados de Santa Catarina (16) e Rio Grande do Sul (13) foram os vencedores, seguidos de Distrito Federal (7), Minas Gerais (7), São Paulo (6), Espírito Santo (5), Rio de Janeiro (5), Paraná (4), Goiás (2), Mato Grosso (1) e Pernambuco (1).
Ao todo, 36 cervejarias foram premiadas com 67 premiações, que você confere no infográfico abaixo:
Se o clima de tensão eleitoral toma boa parte do país no final de semana, o cervejeiro pode descontar a ansiedade em bons eventos etílicos, como a Oktoberfest na Mercadoteca, o Outubro Rosa da Acerva-PR e a inauguração do taproom da Daoravida. Confira, a seguir, a agenda do final de semana.
Curitiba – Oktoberfest na Mercadoteca: O espaço gastronômico e cultural realiza sua versão da festa alemã no sábado, das 11h às 23h, na Rua Paulo Gorski, 1309. Destaque para a promoção de chope Way no bar Glasso, a partir de R$ 9, e para a decoração temática, além de comidas especiais e show do grupo folclórico Original Einigkeit Tanzgruppe.
– Outubro Rosa da Acerva-PR: O importante mês de prevenção ao câncer de mama será celebrado por um evento feito em parceria entre a Alright Brewing Co. e a Acerva-PR, domingo, das 11h às 18h, na sede da cervejaria, na Rua Adir Dalabona, 95. A entrada custa R$ 15 e dá direito a um chope de 400 ml. Com apresentação da banda Dose in Blues, o evento terá cerveja a preços promocionais: cada 100 ml sairá por R$ 2,50.
São Paulo – Inauguração da Daoravida: Criada pelo casal Wagner Falci e Michele Gimenez, a Daoravida inaugura no sábado o seu taproom em São Paulo, na Rua Celso de Azevedo Marques, 193, na Mooca. O espaço terá cinco torneiras e fará parcerias com foodtrucks e restaurantes próximos. Para a inauguração, estarão engatadas cervejas como a Labirintite, uma Belgian Tripel com Candy Sugar artesanal, e a Akaya, uma Brazilian Juicy IPA feita em parceria com a italiana a Birrificio del Ducato.
– Hoegaarden no brunch: A 6ª edição do Brunch Weekend termina neste final de semana com uma inusitada promessa: a de harmonizar o brunch, tradicional refeição britânica, com bebidas alcoólicas. Mais de 50 restaurantes participarão do evento que ocorre no sábado e no domingo, das 09h30 às 16h30, com menu a preço fixo de R$ 55. E, entre eles, o Botani Kafé escolheu um prato – o Ozzy Break, um pão levain, com ovos mexidos, espinafre, coalhada com páprica, shitake e salmão defumado – para harmonizar com a Hoegaarden. Confira aqui mais informações.
Quer incluir seu evento em nossa agenda? Escreva para nosso editor: itamar@guiadacervejabr.com
Definir o inexprimível. Eis um conceito fundamental na concepção artística, um conceito presente em cada obra criada pela humanidade, decisivo para amparar nossa existência diante da inevitabilidade do ocaso. Um conceito também preciso para tempos como estes, onde o lado exprimível da política – aqui entendida como a capacidade de nos associarmos na busca por um bem comum – é varrido por ruídos e brutalidades incapazes de identificar a beleza inexprimível das nuances e dos matizes.
Pois é justamente nessa busca essencial pelo inexprimível que Mario Jorge Lima, engenheiro químico e ex-funcionário da Petrobras, e sua esposa Maria Antônia, também engenheira química, decidiram criar a Matisse, uma cervejaria de Niterói que se utiliza da inspiração artística para criar bebidas que se interligam com a memória.
Mario Jorge e Maria Antônia, o casal sócio da Matisse
“No sentido de que a arte pode transmitir um sentimento inexprimível, entendemos que fazer cerveja artesanal também é uma forma de arte, pois através de uma cerveja podemos transmitir um sabor que temos em nossa memória e não podemos descrever”, explica Mario Jorge ao Guia da Cerveja.
Para auxiliar nesse projeto de resgate da memória, um trabalho que remonta a Marcel Proust, o clássico escritor francês cuja obra principal – Em Busca do Tempo Perdido – aborda a procura pelas reminiscências inexprimíveis do passado, Mario Jorge fez um curso de fabricação de cerveja artesanal nos Estados Unidos, onde chegou a brassar com cervejarias como a Dogfish Head e a Allagash.
Essa importante experiência resultou no surgimento da Matisse em 2017 e em rótulos inspirados no universo artístico, como Amélie, Lydia e Saboya. Bebidas que dialogam com o estilo fauvista de Henry Matisse, pintor francês reconhecido pela versatilidade na expressão artística, pela simplicidade dos traços e pela pureza quase selvagem das cores, segundo descreve Mario Jorge.
O resultado de toda essa jornada não foi apenas a criação de uma marca única, com conceitos icônicos e uma identidade visual atraente e inventiva. Mas, também, de cervejas com qualidade, como demonstram os prêmios recém-conquistados pela Saboya, medalha de ouro no Mbeer Contest Brazil, do Mondial de la Bière RJ, e pela Maruhy, prata na Copa Cervezas de América.
Confira, a seguir, a entrevista completa com Mario Jorge Lima, sócio da Matisse.
Como surgiu a cervejaria, como ela está estruturada e quem são seus principais integrantes?
A nossa paixão por cerveja artesanal vem de longa data, quando o Brasil ainda não tinha praticamente nada de cerveja artesanal e ficávamos maravilhados quando viajávamos para o exterior e podíamos beber uma cerveja mais elaborada. Depois já era possível encontrar alguma coisa por aqui, principalmente no Sul e em São Paulo. Mas foi somente por volta de 2012 que entramos na onda de fabricar nossa própria cerveja em casa, inicialmente ajudando nossa filha e alguns colegas do curso de engenharia química, que entusiasmados compraram um equipamento bem rudimentar e elegeram a nossa casa para a fabricação. Depois compramos equipamentos melhores, fomos aprimorando as receitas e colocamos no calendário da família uma festa anual para celebrar com os amigos as cervejas que nós e eles, alguns também cervejeiros, tínhamos feito durante o ano. Esta festa ocorre entre outubro e novembro e, é claro, é chamada de Oktober Fest.
E como foi a passagem para a cervejaria?
No ano passado eu e minha esposa Maria Antônia resolvemos nos dedicar ao negócio de fabricar cerveja mais seriamente. Foi criada a Cervejaria Matisse no dia 4 de julho e, depois de pesquisar várias fábricas, elegemos a Lagos, em Saquarema, como nossa parceira, onde produzimos a nossa primeira cerveja, a Amélie, uma APA, lançada em novembro. A Matisse está estruturada como uma cigana, embora não o sejamos no sentido estrito do termo, já que até hoje fabricamos todas as nossas cervejas na Lagos. Com um capital modesto, mas adequado às necessidades de uma “cigana”, a Matisse hoje é composta por mim e minha esposa e continuamos recebendo muita ajuda de nossos filhos, a Nádia e o Túlio, que elaboram as receitas, o Públio e o Hudson, que ajudam nas vendas e na logística.
De onde veio a inspiração artística e por que exatamente a escolha por Matisse?
No sentido de que a arte pode transmitir um sentimento inexprimível, entendemos que fazer cerveja artesanal também é uma forma de arte, pois através de uma cerveja podemos transmitir um sabor que temos em nossa memória e não podemos descrever. Não existe sensação melhor do que quando a pessoa prova a nossa cerveja e nos olha com aquela cara, aí você pensa: ela entendeu. Pode ter gostado ou não, mas entendeu. Criamos então um lema: “Da arte ao artesanal” e saímos procurando um nome que refletisse essa ideia. Acabamos por escolher Matisse, que pela versatilidade na expressão artística, pela simplicidade dos traços e pela pureza quase selvagem das cores, que lhe valeu o título de fauvista, nos pareceu uma referência mais do que adequada para homenagear a arte como um todo.
O que o pintor traz de inspiração para cada cerveja de vocês? Sensorialmente, em alguns dos principais rótulos da Matisse, como essa inspiração é perceptível?
Fazer uma obra de arte é o nosso pensamento sempre que estamos trabalhando alguma receita, ousadia e equilíbrio, algum elemento do fauvismo talvez, que choca, mas de uma forma agradável, que é berrante, mas ao mesmo tempo simples e harmônico. A ideia de transmitir um sabor inexprimível, talvez algo que venha da infância. Meu pai trabalhava com café e aquele cheiro de café verde no armazém, vindo das sacas de café antes da torra… Como transmitir isso para alguém senão através de uma cerveja?
A Lydia, uma IPA com café verde, cumpriu esse objetivo. Lydia Delectorskaya foi assistente e musa de Henri Matisse e Amélie a esposa, justa homenagem ao pintor nas duas primeiras cervejas. A Saboya, nossa cerveja premiada no Mondial de la Bière RJ 2018, da mesma forma evidencia, para quem nunca teve a oportunidade de provar, o sabor da uvaia, uma fruta deliciosa mas altamente perecível, portanto não comercial. Uma fruta cítrica em uma cerveja estilo sour, na medida certa, a acidez perceptível, o sabor marcante e tudo isso em equilíbrio quase como se aquela garrafa tivesse nascido de uma uvaieira. Isso para nós é arte.
Linha da Matisse no Mondial de la Bière RJ
Como foi o desafio de criar uma identidade visual inspirada em um ícone como Matisse? Como foi esse processo, quem são os parceiros?
Esse foi na verdade o grande desafio, não somos artistas, a nossa arte, se existe, é a de fazer cerveja. Procuramos então alguns designers com formação em arte e passamos para eles o que queríamos, a nossa visão da marca, a inspiração em Matisse sem ser uma cópia, a beleza simples e pura, quase minimalista. Ficamos muito satisfeitos com o que nos apresentou o designer do Estúdio Lunar, de Niterói. Uma logo dinâmica, com o M estilizado em evidência, a palavra Matisse escrita em letras de forma, para que não parecesse uma assinatura, e ao fundo uma espécie de trapézio, uma figura geométrica na forma de tela, onde se pode projetar qualquer coisa, desde os recortes de Henri Matisse até o fogo de Antonio Parreiras, como aparece em Maruhy, uma American Stout que homenageia o grande artista de Niterói.
O que une o universo da cerveja com o de Matisse?
A arte.
A arte no sentido de transmitir algo que não se pode exprimir com palavras. Não é possível enviar pelo WhatsApp uma mensagem que explique a sensação de estar em uma ventania, só mesmo contemplando o quadro Ventania, de Antonio Parreiras; nem a sensação de estar no nascer do sol que nos transmite o quadro de Monet; assim como não é possível explicar a combinação dos sabores da pera e do cardamomo em uma witbier, só mesmo experimentando Camille, cujo nome é uma homenagem a Monet, grande expoente do impressionismo, cujas pinturas são turvas como a cerveja.
Um dos festivais cervejeiros mais tradicionais não só de São Paulo, como de todo o país, o Slow Brew ocorrerá no dia 3 de novembro, das 12h às 20h, no Centro de Eventos Pro Magno, na Avenida Professora Ida Kolb, em São Paulo, com a promessa de interessantes novidades.
O evento contará com 74 marcas nacionais e internacionais e 371 rótulos, dos quais 50 serão lançamentos e 13 produzidos exclusivamente para o Slow Brew. Todas essas cervejas entrarão no esquema all inclusive, uma vez que o ingresso (compre aqui) garante a degustação livre.
“São muitos os destaques, mas para citar alguns, a Cervejaria MF, de Gramado, chega pela primeira vez no evento com 12 rótulos, assim como a Cozalinda, de Floripa, que estará com 4 lançamentos. A carioca Hocus Pocus chega com 4 lançamentos, a cervejaria 5 Elementos, do Ceará, produziu uma RIS especial para a festa, além dos seus lançamentos”, pontua a organização do festival.
“Quer mais lançamentos? Fique de olho na Juan Caloto e Freaktion, que fizeram rótulos para serem blendados entre si às 14h, Dogma, Trilha, cervejaria Tábuas, Black Princess (com lançamentos que foram mantidos como segredo), as inglesas Thornbridge e Fullers que aparecem pela primeira vez no evento, Salvador Brewing Co., de Caxias do Sul, com 4 lançamentos, Molinarius, Everbrew, Narcose, entre outras”, acrescenta.
O engate de cada lançamento, aliás, como é a marca do festival, será lembrado pelo toque das cornetas. Fique de olho.
E, para facilitar, reunimos aqui o horário dos 13 lançamentos exclusivos do Slow Brew. Não perca.
1- Cogumelo New Pará Aipiei (cerveja oficial do evento) – NE IPA com Capuaçu – 12h 2- Bamberg Weizen com Gengibre – 12h 3- Tábuas Flora Bálsamo – Saison com Madeira Bálsamo – 12h 4- Landel American Wheat Cardamomo – 13h 5- Landel 2 Hop Lager – 13h 6- Tábuas Serrote White Oak – Double IPA em carvalho – 13h30 7- Júpiter Carmen Miranda – Sour com Manga, Maracujá, Abacaxi, Manjericão e Pepino – 13h45 8- Júpiter Inca Brut IPA – 13h45 9- Bamberg Rauchbier Habanero – 14h30 10- Bamberg Weizenbock em Umburana – 14h30 11- Tábuas Brasa Maple – RIS com nibs de Cacau, Cumaru, Laranja e Maple – 15h 12- 5 Elementos Abyssal #SBB2018 – RIS com Café, Baunilha e Coco – 16h15 13- Trilha Gorilla Slow Brew – RIS com Avelã e Cacau envelhecido em Carvalho Americano – 16h30
No mesmo momento em que conquistas ansiadas pelo movimento feminista parecem ameaçadas por declarações de candidatos e alguns resultados das eleições legislativa e executiva, um marco histórico está prestes a surgir: a criação da Associação Feminina Cervejeira no Brasil.
A novidade se dá pela união dos diversos coletivos femininos das diferentes regiões do país. E os seus objetivos são bem claros: disseminar a cultura cervejeira, fomentar a profissionalização da mulher no meio cervejeiro, promover o consumo consciente e realizar medidas contra o machismo nos ambientes profissional e de consumo. São, até o momento, mais de 20 confrarias e coletivos envolvidos, além da participação direta de 470 mulheres.
A inspiração para essa união surgiu de uma ONG dos Estados Unidos, a Pink Boots Society, como explica Nadhine França, consultora cervejeira, organizadora de eventos e uma das fundadoras da Maria Bonita Beer, uma importante confraria do Recife que trabalha pelo surgimento da associação.
“Faz uns três anos que a confraria participa de uma brasagem coletiva feita pela Pink Boots Society, uma ONG norte-americana que trabalha pela profissionalização da mulher no mercado cervejeiro. Próximo ao Dia da Mulher, elas indicam um estilo e mulheres do mundo inteiro se juntam para fazer esse estilo em sua cidade. Todo ano participamos e mandamos uma doação para ela”, afirma Nadhine, em entrevista ao Guia da Cerveja.
A distância geográfica entre a Pink Boots Society, que fica em Nashville, nos Estados Unidos, e o Brasil aumentou o desejo da criação de uma estrutura semelhante para unir as confrarias femininas e enfrentar não apenas as dificuldades impostas pela sociedade, mas também as diferenças entre as regiões do país.
“Desde que começamos a participar disso, nós sonhamos com alguma coisa parecida. Aí, neste ano, resolvemos se juntar e convidar outras confrarias cervejeiras femininas para fazer essa associação. Muitas meninas já tinham essa ideia, a visão de que tinha essa necessidade, mas sempre pensando que seria difícil, que o país é muito grande. Mas, mesmo assim, resolvemos botar para frente”, acrescenta Nadhine.
Ações efetivas
A ideia da associação é fortalecer os contatos com as instituições, além de compreender as necessidades comuns dos seus componentes, universalizando o mundo cervejeiro em equivalência, sem diferenças de gênero.
Batom Vermelho será lançada nesta quarta
O primeiro “teste”, como afirma a própria fundadora da Maria Bonita, foi a criação da Batom Vermelho, que teve a intenção de aumentar o debate sobre o Outubro Rosa e contribuir para conscientizar as mulheres sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama. Seu lançamento será nesta quarta-feira, às 18h, no Ekäut Lab, em Recife.
Trata-se de uma Catharina Sour, que teve a adição de maracujá e hibisco, utilizado para dar uma cor que vai do rosa ao vermelho. É uma cerveja de trigo e de alta fermentação, leve e refrescante, com teor alcoólico médio, amargor imperceptível, acidez assertiva e com destaque no aroma e sabor para a fruta utilizada.
Seguindo a lógica da união, a cerveja uniu diversos parceiros. Entre elas, a Dádiva, onde foram produzidos 2 mil litros da cerveja; a Realli e a Levteck, que cederam os insumos; e a Label Impressões, responsável pelo rótulo.
Confira os diversos coletivos cervejeiros femininos e confrarias do Brasil envolvidos na criação da associação e seus principais objetivos:
A indústria brasileira de cerveja ganhou uma nova opção de embalagem. Trata-se da Belga 550 ml, uma garrafa desenvolvida pela Verallia a partir de uma pesquisa de design na Europa e inspirada nas tradições cervejeiras da Bélgica.
A embalagem tem cor âmbar e, como grande diferencial, possui fechamento em rolha fixa clip-lock, o que dá um toque de requinte e amplia a percepção de qualidade, segundo explica a Verallia, uma das empresas vencedoras do Prêmio da Embalagem Brasileira.
Outra preocupação foi com a estética da embalagem. A nova garrafa possui corpo robusto e permite tanto a rotulagem quanto a pintura do vidro, oferecendo opções de criação e customização ao gosto de cada cliente.
“Uma garrafa bonita e funcional agrega muito ao produto e estimula a escolha do consumidor. Sobretudo quando se trata de cerveja artesanal, a embalagem possuir um design diferenciado ou uma tecnologia inovadora desperta curiosidade e certamente leva a um impacto positivo no aumento das vendas”, conta Felipe Santos, gerente de contas da Verallia.
Já Catarina Peres, supervisora de marketing da empresa, fala sobre a importância do mercado de artesanais caminhar ao lado da indústria. “Foi-se o tempo em que qualquer fermentado de malte, lúpulo e cevada era considerado o suficiente para saciar a sede”, explica a executiva, antes de completar.
“De alguns anos para cá, o paladar do brasileiro se tornou mais requintado, o que abriu portas para a explosão de um novo mercado: o das cervejarias artesanais, mercado que se destaca por produtos de qualidade superior, com aromas, cores e sabores diferenciados. Com mais este lançamento, a Verallia mantém a política de entender as necessidades dos cervejeiros e oferecer alternativas que agreguem valor a seus produtos.”
O crescimento da demanda por cervejas especiais e exclusivas no Reino Unido trouxe junto consigo um boom de registros de produtos e marcas. Segundo pesquisa do escritório de advocacia RPC, o número de marcas de cerveja registradas no país dobrou desde 2010. E, consequentemente, esse volume tende a culminar em mais disputas judiciais por direitos de nomes.
O ritmo de novas patentes cresceu especialmente a partir de 2014, ultrapassando a marca de 300 novos produtos por ano. Em 2017 o crescimento foi de 20%, quando 389 marcas foram registradas e o total chegou a 2.372.
Para se ter uma ideia das proporções dessa tendência, basta olhar o caso da escocesa BrewDog. Hoje bastante conhecida no mercado mundial, a cervejaria lançou sua primeira Punk IPA em 2007. Onze anos depois da estreia, tem 20 marcas passíveis de disputas judiciais, enquanto a Heineken, no mercado britânico, corre o risco com apenas duas.
Segundo o RPC, o crescimento do número de marcas deve acarretar, em um futuro próximo, diversas disputas legais por nomes comerciais. “A enorme gama de produtos disponíveis hoje pode levar marcas de cerveja a se sobreporem umas às outras”, afirma Ciara Cullen, sócia da RPC.
A própria BrewDog já experimentou um processo contra sua “criatividade” no batismo de cervejas: em janeiro, venceu os administradores do legado de Elvis Presley em uma batalha judicial pelo uso do nome de sua Elvis Juice. A pendenga não acabou sem uma das sacadas “geniais” dos donos da BrewDog: durante o processo, James Watt e Martin Dickie chegaram a mudar seus primeiros nomes para Elvis, sugerindo que o nome é “normal” e não exclusividade do cantor.
Em outro caso famoso, de 2013, a Red Bull entrou com uma ação contra a pequena cervejaria Redwell de Norwich, no Reino Unido, para que ela mudasse seu nome que, em tese, teria uma similaridade confusa com sua marca. Não vingou.
A Bierbaum foi a grande vencedora da primeira edição da Copa Cerveja Brasil. A marca de Treze Tílias (SC) levou a maior pontuação e ficou com o prêmio de melhor microcervejaria do ano no primeiro concurso realizado pela Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), em Brasília.
Entre as cervejarias ciganas, com produção terceirizada, o destaque do ano foi para a Mantrap, de Belo Horizonte (MG). Já o 3 Orelhas, de Gonçalves (MG), recebeu a melhor avaliação na categoria brewpub.
O concurso feito apenas para cervejarias independentes, com a participação de cerca de 50 juízes, coordenados por Igor Puorro, também elegeu os melhores rótulos do ano. E a medalha de ouro ficou com a Espírito Santo, de Vitória (ES), com a sua Rauchbier. Em seguida vieram a Cruls Berliner Café, de Brasília, e a Ricordi, da Birrificio Frisanco Viaggio, de Anchieta (SC).
Ao todo, foram analisadas 590 amostras, que resultaram em 36 cervejarias reconhecidas com 67 premiações. O estado com o maior número de cervejarias premiadas é Santa Catarina, com sete. Em seguida aparecem Rio Grande do Sul (6), Minas Gerais (4), São Paulo (4), Distrito Federal (4), Paraná (3), Espírito Santo (2), Goiás (2), Rio de Janeiro (2), Pernambuco (1) e Mato Grosso (1).
Em relação ao número bruto de medalhas, por sua vez, Santa Catarina e Rio Grande do Sul também apareceram na frente, respectivamente com 16 e 13. Na sequência vieram Minas Gerais (7), São Paulo (6), Espírito Santo (5), Rio de Janeiro (5), Paraná (4), Goiás (2), Mato Grosso (1) e Pernambuco (1).
“A análise foi muito criteriosa e foram identificados pontos de melhoria que chegarão até as cervejarias. A premiação e valorização de quem faz um bom trabalho é fundamental, mas, mais do que isso, nosso intuito é que todo o mercado cresça junto”, comenta Carlo Lapolli, presidente da Abracerva.
As sazonais ganharam o mercado em outubro. A Invicta, por exemplo, apostou em uma Pumpking para celebrar o Halloween, enquanto a Colorado lançou um rótulo para homenagear a Oktoberfest. Já a Molinarius apresentou uma interessante série de IPAs experimentais, que não serão produzidas novamente. Confira, a seguir, as principais novidades da semana.
IPAs experimentais
Focada no estilo India Pale Ale e suas vertentes, a cervejaria paulistana Molinarius apresentou uma nova linha: a One Way IPA, feita com receitas únicas, que não serão produzidas novamente. A primeira será a Batch 10/18, com 6% de teor alcoólico e 75 IBU. A linha produzirá receitas experimentais e cada lote trará a numeração do mês e do ano de envase para que o consumidor saiba do frescor de sua bebida. Além da One Way IPA, a Molinarius lançou também as linhas Hoppiness (IPA), Hopped Brain (Double IPA) e a Molinarius Specialties.
Café, baunilha e cerveja
Depois do sucesso da Xpresso Peanut, a sorocabana Synergy voltou a apostar no café, agora com a Xpresso Vanilla, uma Oatmeal Coffee Stout. Trata-se de uma bebida que busca a sinergia entre o café e a baunilha, “um brinde ao nosso café da manhã, nossa dose diária de sabor para encarar com bom humor o dia a dia”, diz a cervejaria. Tem 6% de teor alcoólico e 34 IBU. “O café sempre será o protagonista da Xpresso, mas como gostamos de experimentações, buscaremos sempre combinar algo inusitado a ele na cerveja”, conta Eduardo Sampaio, da Synergy. Outra novidade é a Blast It Up, uma Hazy Pale Ale bem lupulada com 5,2% de teor alcoólico e 30 IBU.
Pumpking de Halloween
Antecipando-se ao Halloween, a Invicta apresentou neste sábado o chope da sazonal Invicta Pumpking, durante mais uma edição de seu Knock Down. “A Pumpking é uma sazonal deliciosa que leva abóbora e especiarias na receita. Mais uma opção de sabor para os amantes de artesanais provarem aqui na Invicta”, explica Rodrigo Silveira, mestre cervejeiro e diretor da cervejaria.
Oktoberfest com caju
A Colorado entrou no clima da Oktoberfest. Em uma tentativa de aproximar as culturas brasileiras e germânicas, acrescentou castanha de caju na receita de uma Session Fest Bier. Assim surgiu a Öktö, uma cerveja com 5% de teor alcoólico e 18 IBU. Uma série de eventos especiais em bares de todo o país celebrarão a chegada do novo rótulo. Em parceria com a Avianca, a cervejaria também irá distribui-la em 106 ponte aéreas entre São Paulo e Rio (de Congonhas ao Santos Dumont) e em 21 viagens entre São Paulo e Navegantes-SC, com saída do aeroporto de Guarulhos. Tudo servido em um copinho feito de mandioca. “Nossa intenção não é apenas repetir um rótulo mundialmente conhecido, mas criar algo novo e marcante”, diz Guilherme Poyares, gerente de marketing da Colorado.
A Ambev reforçou sua atuação cultural nas últimas semanas ao apostar em uma série de interessantes manifestações artísticas. E uma delas, feita em parceria com o cultuado artista Paulo Ito, é um grafite para alertar sobre os problemas do consumo excessivo de álcool.
Reconhecido por seus desenhos de temática social, que utilizam com frequência um certo traço de ironia, Ito desenvolveu um mural na rua da Consolação, em São Paulo, abordando o consumo consciente de bebidas alcoólicas.
No desenho que mostra dois copos de cerveja “conversando”, um transbordando e o outro preenchido até a metade, a Ambev buscou mostrar que a “a moderação é uma arte e que, quando se bebe demais, a diversão não acontece”, segundo a cervejaria, acrescentando que sua ideia foi aproximar os consumidores mais jovens do tema.
A ação integrou a nona edição do Dia de Responsa, um evento anual da Ambev em prol do consumo inteligente de bebidas alcoólicas.
Websérie da Antarctica
O grafite de Ito, porém, foi apenas uma entre as iniciativas desenvolvidas nas últimas semanas. Depois de fazer uma bela homenagem a Gonzaguinha, cantor que foi um dos grandes símbolos da resistência política brasileira durante a ditadura militar, a Ambev voltou a utilizar a Antarctica – sua marca ligada ao samba – em uma iniciativa musical: o lançamento da última temporada da websérie Quase Numa Boa – No Samba.
O terceiro e último episódio mistura ficção e realidade com a Academia da Boa e o Batuque da Boa, dois projetos da marca. Nele, os dois personagens principais, interpretados por Rafael Portugal e Eduardo Sterblitch, respectivamente Marcelão e Mauro, aguardam a entrega dos diplomas do curso de garçom da Academia, que vai acontecer junto com o concurso Batuque.
Inaugurada no Carnaval e exclusiva do canal da Antarctica no YouTube, a websérie é uma criação da agência AlmapBBDO e tem produção da O2 Filmes. “A cada ano buscamos chamar a atenção do consumidor de uma maneira diferente. Com a websérie, misturamos a ficção com a vida real, com histórias que nos aproximam cada vez mais da realidade das pessoas”, explica Bruna Buás, diretora de marketing da Antarctica, para completar em seguida.
“Hoje em dia, não basta apenas contar a história da marca, temos de inseri-la dentro da vida dos nossos consumidores. Com a websérie Quase Numa Boa, conseguimos mostrar um pouco da vida dos garçons do Rio de Janeiro, além de apresentar a Academia da Boa e o Batuque da Boa, duas iniciativas que buscam valorizar os profissionais dos bares e os compositores.”
Com cerca de um milhão de visualizações por episódio, a série reforçou o trabalho desenvolvido pela Academia da Boa, um curso gratuito desenvolvido em parceria com o Senac para a formação e a reciclagem dos profissionais dos bares da capital carioca, e pelo Batuque da Boa, um concurso musical para descobrir novos talentos do samba brasileiro.
Confira, a seguir, a temporada completa da Quase Numa Boa – No Samba.