Início Site Página 33

Balcão da Fê Bressiani: Olhando para outros mercados

Balcão da Fê Bressiani: Olhando para outros mercados

Como curiosa da gastronomia em geral, vira e mexe me aventuro em novas áreas e estudo novos elementos que vão além da cerveja.

Minha nova aventura tem sido os queijos. Claro que queijos são grandes conhecidos em harmonizações com cervejas, como bem escreveu meu colega Jayro em sua última coluna, mas meu texto hoje vem falar mais sobre a “indústria” do queijo do que suas características organolépticas.

Como citei, tenho me aventurado no mundo dos queijos e com isso participado de alguns concursos que acontecem no Brasil. Minha estreia foi em 2022, no Mundial do Queijo Brasil, o qual tive a honra de julgar novamente em 2024.

Coincidência ou não, encontrei uma ex-aluna e pessoa extremamente agradável e querida, a Agnes, durante esse concurso. Agnes prontamente me pegou pela mão e me guiou por diversos produtores de queijos (os quais ela conhece muito bem) me apresentando a todos eles, e é claro às suas criações.

Circulando pelos corredores do festival pude conhecer outros tantos produtores, sempre sorrindo e empolgados em falar sobre seus produtos. A energia daquele evento foi incrível. Me lembrou muito o universo cervejeiro há alguns anos.

 O que me levou a questionar “O que aconteceu com nosso mercado? Como nos perdemos em egos e brigas sem fim ao invés de suportarmos uns aos outros, jogar luz em nossos colegas?”.

Voltando ao queijo, a tragédia do Rio Grande do Sul (que me causa tristeza já tem algumas semanas) me mostrou mais uma vez como os queijistas (o que seria o equivalente aos nossos sommeliers) tem se empenhado com afinco em ajudar os produtores de queijo.

Um movimento gigante encabeçado pela Associação Gaúcha de Laticinistas e laticínios (AGL) foi realizado para viabilizar as vendas de queijos do RS, cerca de 9 toneladas do produto que já estavam prontos e preparados para a venda em feiras e eventos que aconteceriam nos próximos meses e corriam alto risco de estragar e serem jogados fora.

O mercado de queijo está sob leis muito rígidas de comercialização, e alguns produtores só tem autorização para vender no próprio município.  Sendo assim, uma força-tarefa mobilizou não somente o governo do Estado, mas também o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) para que esses produtos pudessem ser escoados para outras regiões do país. E conseguiram.

Aproveito para dizer: comprem produtos gaúchos.

Minha provocação é a seguinte: O que nós, participantes do mercado cervejeiro, podemos fazer para ajudar nossos colegas?

Saúde!


Fê Bressiani é arquiteta, meio armênia meio italiana, sommelière e mestre em estilos de cerveja, coordenadora e professora na ESCM. Tem em seu currículo diversas formações dentro da área cervejeira. Seu foco de estudos são as áreas de avaliação sensorial e harmonização. Ministra palestras e workshops pela América Latina. Ela também responde como Dra. Paçoca, clown de hospital há mais de 10 anos. Apaixonada por aromas, sabores e saberes.

Anchor renasce com aquisição por bilionário do setor de iogurtes

A Anchor Brewing irá renascer novamente. A empresa familiar do bilionário turco Hamdi Ulukaya, a Shepherd Futures, anunciou a aquisição da Anchor, marca californiana, pioneira no segmento de cervejas artesanais nos Estados Unidos. Ulukaya é o fundador da Chobani, gigante do setor de iogurtes.

A confirmação da aquisição veio do bilionário turco, que não revelou os detalhes financeiros da compra da Anchor. Em comunicado, Ulukaya destacou a forte relação da marca com a cidade de São Francisco. “São Francisco está no coração da Anchor Brewing, e a Anchor incorpora muito do que torna esta cidade excelente”, afirmou.

Leia também – Corona recupera status de marca de cerveja mais valiosa do mundo

O CEO da Chobani também ressaltou que a compra representa uma aposta na cidade e em suas marcas. “Eu me apaixonei por esta cidade, sua história, coragem e charme. Acredito que marcas nascidas em lugares como este são incrivelmente especiais e devem ser valorizadas, respeitadas e amadas”, disse.

Considerada a primeira cervejaria artesanal dos Estados Unidos, a Anchor foi fundada em 1896 e construiu uma trajetória marcante, sendo responsável pela criação da Anchor Steam Beer, um dos rótulos mais icônicos do segmento. No ano passado, porém, os responsáveis pela cervejaria anunciaram a decisão de encerrar as atividades, alegando graves dificuldades financeiras causadas pelo recuo nas vendas.

Entre as razões citadas para a queda no faturamento, estão o aumento da busca por alternativas à cerveja pelo consumidor, como os RTDs e outras bebidas alcoólicas, e o impacto da pandemia do coronavírus.

A aquisição da Anchor pelo fundador da Chobani representa um novo resgate da cervejaria. O primeiro havia acontecido na década de 1960, quando foi adquirida por Fritz Maytag. Depois, em 2017, a cervejaria passou para as mãos da japonesa Sapporo.

Desde o anúncio do fechamento da Anchor, que demitiu todos os seus 61 funcionários na época, alguns movimentos buscaram resgatar a marca. O principal deles foi uma tentativa de aquisição pelos próprios funcionários, que não se concretizou. Agora, porém, o bilionário turco garantiu a retomada da marca.

A compra da Anchor não é o primeiro movimento do fundador da Chobani além do setor de lácteos. Em 2015, Ulukaya comprou uma participação na La Colombe Coffee Roasters. Em 2023, adquiriu toda a empresa.

Baden Baden celebra 25 anos com edição especial de rótulos icônicos

A Baden Baden decidiu celebrar os 25 anos de trajetória com a volta ao mercado de algumas das cervejas que fizeram parte de sua trajetória. Para marcar esse momento histórico, lançou uma série especial de rótulos comemorativos, reintroduzindo alguns dos seus estilos mais icônicos.

Os rótulos comemorativos reeditados são a Baden Baden Stout, a Doppelbock e a Red Ale, cada um trazendo de volta memórias e sabores apreciados pelos consumidores da marca fundada em 1999 em Campos do Jordão (SP) e hoje integrante do Grupo Heineken.

Leia também – Corona recupera status de marca de cerveja mais valiosa do mundo

“Estamos muito felizes em celebrar os 25 anos de história da Baden junto de todos os clientes, parceiros e amigos da marca, que têm sido parte fundamental de nossa jornada. Os rótulos comemorativos são uma forma de agradecer a todos que têm nos apoiado ao longo dos anos, celebrando nossas conquistas e criando memórias com nossos estilos únicos”, afirma a gerente de marketing das marcas craft do grupo Heineken no Brasil, Ilana Lencastre.

A Baden Baden Stout foi lançada em 2002, sendo uma cerveja escura e encorpada, com 7,5% de teor alcoólico. Seus grãos de cevada torrados conferem aroma de cacau e café, harmonizando com sobremesas à base de chocolate, pratos condimentados, ostras, grelhados e queijos como gorgonzola.

A Baden Baden Doppelbock, conhecida como Celebration, é uma versão mais forte do estilo Bock, com 8,2% de teor alcoólico, tendo sido lançada em 2004. A doçura dos maltes especiais oferece notas de chocolate, caramelo e toffee, ideal, segundo a marca, para acompanhar carnes suínas, cogumelos, nozes e sobremesas como pudim e crème brûlée.

A Baden Baden Red Ale foi a primeira cerveja lançada pela Baden Baden, em 1999, sendo conhecida por seu aroma maltado que lembra castanhas e passas. Com 9,2% de teor alcoólico, possui amargor equilibrado por um sabor residual adocicado, harmonizando com pratos robustos e intensos como carnes de porco e queijos azuis.

Os três estilos estarão disponíveis em um kit de edição limitada com garrafas de 600ml, exclusivamente nos canais de e-commerce parceiros e no tour da Baden Baden, em Campos do Jordão, pelo valor de R$ 80,00.

A trajetória da Baden Baden
A Baden Baden surgiu em 1999, fruto da união entre Sheps do Brasil, The Beer Store e Choperia Baden Baden em Campos do Jordão, sendo impulsionada, no fim do século passado, pela chegada do icônico mestre-cervejeiro Carlos Hauser.

Desde então, a marca de Campos do Jordão produziu diversos rótulos, a começar pela Red Ale, mas também apresentando outros, como a Pilsen Cristal e a Lager Bock. Em 2007, foi adquirida pela Schincariol, iniciando sua trajetória junto a grandes grupos cervejeiros.

Em 2011, a Kirin Holdings, do Japão, comprou a Schincariol e adotou o nome de Kirin Brasil para a operação no país. Depois, em 2017, o Grupo Heineken comprou a Kirin Brasil. O portfólio fixo da Baden Baden conta, hoje, com a Cristal, a Witbier, a Golden, a IPA e a Peach.

Hop Capital Beer tem a Best of Show da etapa Centro-Oeste da Copa Cerveja

A Hop Capital Beer foi o principal destaque da primeira etapa da edição de 2024 da Copa Cerveja Brasil, a do Centro-Oeste, em Brasília, promovida pela Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva). Em premiação realizada na noite de domingo (26), a marca de Brasília teve o melhor rótulo entre todos os participantes: a Cajueira, uma Catharina Sour.

Assim, a Cajueira, da Hop Capital Beer, levou o prêmio de Best of Show da etapa Centro-Oeste da Copa Cerveja Brasil. Os dois outros rótulos premiados nesta categoria foram da Cruls: a Dark Lager, que conquistou a prata, e Caminho do Viajante 2, que ficou com o bronze.

Leia também – Ablutec tenta tirar Festival da Cerveja de Blumenau, mas prefeitura rechaça anúncio

Além de ser premiada com a melhor cerveja da etapa Centro-Oeste, a Hop Capital Beer conquistou mais nove medalhas na disputa promovida pela Abracerva, sendo três de ouro, cinco de prata e uma de bronze. Já a Cruls levou outras seis medalhas, incluindo duas de ouro.

A Louvada foi a cervejaria que mais conquistou medalhas na etapa Centro-Oeste da Copa Cerveja Brasil, com um total de dez: duas de ouro, cinco de bronze e três de prata. Em comparação com a edição de 2023, a competição teve um aumento no número de inscrições, passando de 94 para 140 rótulos, de acordo com a Abracerva. Destas, 51 conquistaram medalhas.

Retomada em 2023, a Copa Cerveja Brasil iniciou sua quarta edição pelo Centro-Oeste. Desde o ano passado, a competição passa pelas cinco regiões do Brasil, com as cervejas medalhistas se classificando para a etapa final, de caráter nacional. A próxima etapa da competição será no Sudeste, em São Paulo, com o julgamento das amostras agendado para os dias 7 e 8 de junho.

Em seguida, a competição irá para o Nordeste, com a etapa ocorrendo na Bahia, em julho, em data ainda a ser anunciada. Depois, seguirá para o Pará, onde acontecerá a etapa do Norte, e, na sequência, para Curitiba, que vai receber a disputa do Sul.

Ablutec tenta tirar Festival da Cerveja de Blumenau, mas prefeitura rechaça

O embate entre a Prefeitura de Blumenau e a Associação Blumenauense de Turismo, Eventos e Cultura (Ablutec) sobre a organização de tradicionais eventos cervejeiros na cidade ganhou novos contornos. A Ablutec anunciou que o tradicional Festival Brasileiro da Cerveja será realizado em Balneário Camboriú a partir de 2025, em decisão que gerou uma reação imediata do prefeito de Blumenau, Mário Hildebrandt. Em vídeo publicado em seu perfil no Instagram, ele negou a mudança e prometeu acionar a Justiça contra a entidade.

A Ablutec comunicou que o 16º Festival Brasileiro da Cerveja, a 7ª Feira Brasileira da Cerveja e o 4º Congresso Internacional da Cerveja serão realizados no Expocentro, em Balneário Camboriú, entre os dias 12 e 15 de março de 2025. De acordo com a associação, a escolha se deve às vantagens turísticas, logísticas e de infraestrutura da nova cidade-sede, que recebe anualmente cerca de 4 milhões de visitantes.

Leia também – Cabaré muda visual para reforçar presença no mercado premium

“Pesquisas revelaram o desejo por um evento itinerante. E Balneário Camboriú tem ótimos atributos também por sua localização, que impacta positivamente nos custos para o público e expositores”, afirma o presidente da Ablutec, Develon da Rocha,

No entanto, o prefeito Mário Hildebrandt refutou veementemente a mudança. Em vídeo, ele garantiu que o festival continuará sendo realizado em Blumenau e relembrou que a prefeitura já havia notificado a Ablutec sobre sua decisão de assumir a organização do evento devido ao descontentamento do mercado cervejeiro com as edições passadas.

Hildebrandt argumenta que marcas como a Oktoberfest e o Festival Brasileiro da Cerveja são registradas e protegidas pelo município, tornando ilegal a promoção dos eventos por qualquer outra entidade ou em outra cidade.

“Estamos acionando judicialmente a entidade que divulga um evento usando a marca pertencente a Blumenau na cidade de Balneário Camboriú na mesma data do festival de Blumenau”, declara o prefeito. Ele reforçou que o Festival e o Concurso Brasileiro da Cerveja ocorrerão na Vila Germânica, em Blumenau, entre os dias 12 e 16 de março de 2025.

Corona recupera status de marca de cerveja mais valiosa do mundo

A Corona Extra recuperou o status de marca de cerveja mais valiosa do mundo, de acordo com a consultoria Brand Finance. Segundo o relatório 2024 Brand Finance Beers 50, a Corona teve um aumento de 40% no seu valor de marca desde a publicação da versão anterior do estudo, em 2023, atingindo US$ 10,389 bilhões.

“O ressurgimento da Corona reafirma seu domínio e reflete a evolução das preferências dos consumidores por ofertas premium e de qualidade. Isso ressalta uma tendência mais ampla na indústria cervejeira, onde marcas que priorizam qualidade e inovação estão estabelecendo novos padrões,” afirma o diretor associado da Brand Finance, Henry Farr.

Leia também – Cabaré muda visual para reforçar presença no mercado premium

Para alcançar tal avaliação, a Corona se tornou recentemente a primeira marca de cerveja a patrocinar a Olimpíada, por meio da Corona Cero, sua versão sem álcool, que vai apoiar os Jogos de Paris deste ano. “Este movimento sublinha as iniciativas estratégicas da marca, que não só melhoraram seu apelo ao consumidor, mas também elevaram o reconhecimento e a reputação da marca,” diz a Brand Finance no relatório.

O crescimento do valor da Corona também coincide com sua expansão no Brasil, tanto que o desempenho da marca foi destacado no resultado financeiro da Ambev no primeiro trimestre de 2024. A companhia afirmou que em seis dias de carnaval, vendeu a quantidade de Corona equivalente a dois meses de 2023. O rótulo também teve um crescimento de 70% em comparação com o mesmo período do ano passado.

A oferta de Corona no país também ganhou a recente oferta de versões de garrafas de 600ml e latas de 473ml e 269ml. Além disso, a Corona Cero foi inserida no portfólio da Ambev no Brasil.  

A Corona havia liderado o ranking de marca de cerveja mais valiosa do mundo por quatro anos, sendo ultrapassada no relatório de 2023 pela Heineken, agora na segunda colocação, com um valor de mercado de US$ 8,982 bilhões. A Budweiser é a terceira, com US$ 7,36 bilhões.

A Bud Light é a quarta colocada da lista, mas teve um declínio no seu valor de marca, de US$ 5,95 bilhões em 2023 para US$ 5,43 bilhões em 2024. O recuo no valor de mercado é entendido como efeito do boicote à marca nos Estados Unidos após a realização de uma ação de marketing com a transgênero Dylan Mulvaney.

A lista tem a mexicana Modelo Especial em quinto lugar e a chinesa Snow na sexta posição. Houve uma mudança relevante em comparação com o ranking de 2023, com a japonesa Kirin caindo da sétima para a nona posição, sendo ultrapassada pela norte-americana Coors e pela japonesa Asahi. A Miller Lite completa o Top 10.

Três brasileiras no Top 25
O ranking de marcas de cervejas mais valiosas do mundo voltou a contar com três brasileiras entre as 25 melhores. Em relação à lista de 2023, a Brahma subiu um posto, para o 16º lugar, ultrapassando a Skol, que perdeu duas posições e agora está na 17ª. A Antarctica também caiu um posto e é a 25ª marca de cerveja mais valiosa do mundo.

Força da marca
O relatório da Brand Finance também avalia as marcas com base no seu Índice de Força de Marca, com a Corona sendo a terceira colocada, com 85,9 pontos em 100 possíveis. A chinesa Tsingtao é a líder desse ranking, com 87,0 pontos.

“A presença robusta da Tsingtao tanto a nível nacional como internacional, com produtos disponíveis em mais de 100 países, solidifica sua posição como uma potência na indústria global de cerveja,” justifica a Brand Finance.

Inflação da cerveja acelera no varejo e supera IPCA em abril

A inflação da cerveja no varejo em abril ficou acima do índice oficial brasileiro, de acordo com dados divulgados pelo IBGE. O reajuste dos preços da bebida para consumo no domicílio foi de 0,71%, enquanto o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 0,38%. Já a inflação da cerveja fora do domicílio, geralmente comercializada em bares e restaurantes, foi de apenas 0,12%.

Com isso, a inflação da cerveja no primeiro quadrimestre de 2024 ficou em 1,77% no varejo e está em 3,8% no período de 12 meses iniciado em maio de 2023. O reajuste dos preços da cerveja nos bares é maior nos dois cenários: o índice é de 2,02% de janeiro a abril de 2024 e de 4,75% no acumulado dos 12 meses anteriores.

Leia também – Projeto propõe reduzir ICMS de cervejarias de São Paulo em troca de campanhas sociais

Já o IPCA é maior do que a inflação da cerveja no varejo em ambas as situações. O índice oficial do Brasil fechou os quatro primeiros meses do ano em 1,8% e chegou a 3,69% no período de 12 meses.

Em abril, o grupo de alimentação e bebidas teve comportamento semelhante ao da cerveja no varejo, com alta de 0,7% nos preços. A inflação acumulada em 2024 está em 3,59%, mas é de apenas 3,08% no período iniciado em maio de 2023.

Ao lado de saúde e cuidados pessoais, que teve inflação de 1,16%, alimentação e bebidas foi o grupo com o maior impacto no IPCA de abril, de 0,15%. “Saúde e cuidados pessoais foi impactado pela alta de preços dos produtos farmacêuticos (2,84%), em decorrência do reajuste de até 4,5% autorizado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos, a partir de 31 de março”, explica o gerente do IPCA, André Almeida.

No grupo alimentação e bebidas, mamão (22,76%), cebola (15,63%), tomate (14,09%) e café moído (3,08%) apresentaram as altas mais expressivas, provocadas pela menor oferta desses produtos em abril. “Fenômenos climáticos ocorridos no fim de 2023 e no começo de 2024 afetaram a produção”, acrescenta Almeida.

Inflação da cerveja nas cidades
Entre as cidades pesquisadas pelo IBGE, Recife liderou a inflação da cerveja no varejo em abril, com alta de 1,74%, em contraste com a queda de 0,36% em São Paulo. Nos bares, a maior alta foi em Belém, com 2,59%. Já em Porto Alegre, houve deflação de 1,89% para a cerveja fora do domicílio.

Projeto quer reduzir ICMS de cervejarias de SP em troca de campanhas sociais

O estado de São Paulo pode ganhar uma lei de estímulo ao setor de cervejarias artesanais, com a redução do ICMS e a suspensão da Substituição Tributária. Em troca, as cervejarias teriam de divulgar campanhas de combate à violência e de consumo responsável. A proposta está inserida no Projeto de Lei n° 342/2024, protocolado na Assembleia Legislativa na última quarta-feira (15) pela deputada estadual Ana Carolina Serra (Cidadania) .

O estágio do projeto é de tramitação ordinária, ou seja, ainda precisa passar por comissões, com votações e apresentação de pareceres. Depois, pode ir para o plenário, onde, em caso de êxito na votação, seguirá para sanção ou veto do governador.

Leia também – Brasil tem 1.847 cervejarias e produziu 15,361 bilhões de litros em 2023

O projeto apresenta medidas fiscais destinadas a apoiar microcervejarias artesanais, buscando não apenas fomentar o desenvolvimento econômico, mas também contribuir para causas sociais.

O principal destaque é a autorização para a concessão de créditos tributários às microcervejarias artesanais. Este incentivo pode representar até 50% do valor do ICMS, reduzindo a carga tributária efetiva das cervejarias de 20% para 12% — sendo 10% destinados ao imposto e 2% ao Fundo Estadual de Combate e Erradicação da Pobreza.

A concessão do benefício, no entanto, está limitada à produção mensal de 250 mil litros. A definição de microcervejaria artesanal, segundo o projeto, abrange empresas cuja produção anual não exceda 5 milhões de litros.

O projeto também propõe a suspensão do regime de substituição tributária nas operações internas envolvendo cervejas e chopes artesanais produzidos por microcervejarias paulistas, dentro do limite de produção estabelecido.

Em contrapartida ao incentivo fiscal, as microcervejarias beneficiadas deverão apoiar e promover campanhas de conscientização e combate às violências, além de incluir em seus rótulos e materiais de propaganda QR Codes com informações sobre consumo consciente e combate à violência.

A justificativa para a proposta aponta o crescimento do setor cervejeiro artesanal no Brasil e, especialmente, em São Paulo. A última edição do Anuário da Cerveja, do Ministério da Agricultura, mostrou que o estado saltou de 387 cervejarias em 2022 para 410 em 2023.

Em sua justificativa, o projeto de lei cita a necessidade equiparar a competitividade das microcervejarias de São Paulo, permitindo-lhes competir em igualdade de condições com os produtos de outras regiões do país.

“Esperamos que o projeto chame a atenção das autoridades para a situação das cervejarias, que são penalizadas pela alta carga tributária. Queremos construir um movimento organizado para redução do ICMS e isenção da ST, com contrapartidas sociais importantes”, afirmou ao Guia, o presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva),  Gilberto Tarantino.

Cabaré muda visual para reforçar presença no mercado premium

Lançada em fevereiro de 2022, a cerveja Cabaré está de cara nova. Com a intenção de melhor se comunicar com seu público-alvo, reforçando sua posição no mercado de cervejas premium, a marca do Grupo Petrópolis alterou a sua identidade visual, que está sendo apresentada durante a Apas Show 2024, em São Paulo.

“Dentre os principais motivos para a alteração na identidade visual é que estamos mudando para melhor comunicar com o nosso público-alvo e, consequentemente, melhorar a segmentação dentro das nossas cervejas linha premium”, explicou, ao Guia, a gerente de marcas premium do Grupo Petrópolis, Bruna Alonso.

Leia também – Brasil tem 1.847 cervejarias e produziu 15,361 bilhões de litros em 2023

Para estreitar seus laços com o consumidor, a cerveja Cabaré buscou, conceitualmente, dar vida à atmosfera vibrante e sofisticada dos cabarés dos anos 20. A nova identidade visual, desenvolvida pelo estúdio CasaCC, apresenta curvas sinuosas e ornamentos que remetem à exuberância da época dourada dos cabarés. As embalagens, segundo a marca, foram projetadas para evocar uma sensação de frescor, sofisticação e tradição, por meio do uso de cores como verde bandeira, amarelo dourado, cinza grafite e branco creme.

“O verde bandeira é uma alusão direta à natureza e aos ingredientes naturais da cerveja, transmitindo uma imagem de qualidade. Já o amarelo dourado, combinado com o verde, remetem diretamente à nossa brasilidade e origem, atribuindo personalidade à marca. O cinza grafite adiciona uma nota de elegância e modernidade, enquanto o branco creme sugere tradição e autenticidade”, diz o diretor de criação e sócio do estúdio, João Pedro Vargas.

Além do aspecto visual, as embalagens agora ostentam selos que reforçam a essência brasileira da marca. Na cerveja puro malte, destaca-se a produção 100% nacional, enquanto na linha ICE, que apresenta sabores como tangerina, frutas vermelhas, frutas amarelas e limão, o uso da Cachaça Cabaré é o ponto de destaque.

Segundo a gerente de marcas premium do Grupo Petrópolis, essa mudança vai além da estética. “Para nós, este rebranding da marca representa um marco significativo. Queremos incentivar os consumidores a continuarem buscando experiências premium, enquanto valorizam a tradição e qualidade de nossos produtos”, afirma Alonso.

Os produtos da linha Cabaré, com sua nova identidade visual, serão produzidos e envasados nas fábricas do Grupo Petrópolis localizadas em Teresópolis (lata Cabaré ICE), Boituva (Long Neck Cabaré ICE) e Uberaba (todos os SKUs da cerveja Cabaré), e estarão disponíveis em todo o país a partir do segundo semestre deste ano.

Brasil tem 1.847 cervejarias e produziu 15,361 bilhões de litros em 2023

O Brasil fechou o ano de 2023 com 1.847 cervejarias registradas no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A informação é da edição 2024 do Anuário da Cerveja, divulgado pela pasta e pelo Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), e representa um aumento anual de 6,8%.

O resultado significa um saldo positivo de 118 cervejarias registradas no ministério, em comparação com as 1.729 do fim de 2023. Mas esse crescimento representa uma desaceleração significativa em relação aos anos anteriores, sendo o ritmo mais lento desde 2005. Além disso, o aumento de 118 estabelecimentos em comparação com o ano anterior é o menor desde 2015.

Leia também – Mulheres são 16% da força de trabalho das cervejarias da Paraíba, revela pesquisa

São Paulo lidera o ranking de registros no Brasil, contando agora com 410 cervejarias, seguido pelo Rio Grande do Sul, que teve um aumento de 25 estabelecimentos em relação a 2022, para 335. Os outros estados com mais de 100 cervejarias são Minas Gerais (235), Santa Catarina (225), Paraná (171) e Rio de Janeiro (129).

Além disso, o número de municípios brasileiros com cervejarias aumentou para 771, representando 13,8% do total de cidades do país. São Paulo mantém sua posição como a cidade com mais cervejarias (61), seguida por Porto Alegre (43), Curitiba (26), Caxias do Sul (RS) (23) e Nova Lima (MG) (22).

O Anuário da Cerveja 2024 também revela que o Brasil agora possui 23 cidades com dez ou mais cervejarias, com duas adições em 2023 – Farroupilha (RS) e Goiânia -, mas a saída de Ponta Grossa (PR). Destas, 12 estão no Sudeste, 8 no Sul, 2 no Centro-Oeste e 1 no Nordeste (Fortaleza, com 11).

Segundo o anuário, o Brasil conta com uma cervejaria para cada 109.952 habitantes. E o Rio Grande do Sul ultrapassou Santa Catarina, tornando-se o estado com a maior densidade, com uma cervejaria para cada 32.486 habitantes. Três cidades gaúchas lideram essa relação: Linha Nova (842 habitantes por cervejaria), Santo Antônio do Palma (1.046) e Fagundes Varela (1.283).

Produção
Pela primeira vez, o Anuário da Cerveja trouxe dados quantitativos da produção de cerveja no país, baseados na Declaração Anual de Produção e Estoques. E o levantamento demonstrou que no ano passado foram produzidos 15,361 bilhões de litros de cerveja no país, sendo 8,207 bilhões de litros no Sudeste.

Deste volume, 29,2% (4,48 bilhões de litros) são cervejas puro malte ou 100% malte, enquanto apenas 0,8% são cervejas sem álcool e 0,3% são cervejas com teor alcoólico reduzido.

Do volume de cerveja produzido, 99,5% (15,285 bilhões de litros) tem fermentação do tipo Lager. Entre os estilos, só ultrapassam o bilhão de litros a Lager leve clara (7,909 bilhões), outras Lagers (3,752 bilhões de litros), e a Pilsener (3,559 bilhões de litros). A Malzibier representa 0,27% do mercado brasileiro, que tem participação de 0,22% das IPAs.

Produtos
O Brasil encerrou 2023 com 45.648 cervejas registradas, um aumento de 6,6% em relação ao ano anterior. São Paulo lidera com 13.654 rótulos, seguido por Rio Grande do Sul, com 6.791, e Minas Gerais, com 6.417. São Paulo é a cidade com mais registros (2.004), à frente de outras três cidades com ao menos mil registros: Porto Alegre (1.686), Nova Lima (1.155) e Curitiba (1.107).

Empregos
Por meio da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) “Fabricação de Cervejas e Chope”, o levantamento mostra 41.984 pessoas empregadas no setor no ano passado, queda de 1,9% em relação a 2022. São Paulo lidera com 14.293 empregos, apesar de ter fechado 559 vagas no ano anterior. Minas Gerais foi o estado que mais abriu vagas em 2023, com um aumento de 171 empregos, totalizando 4.315. Está, assim, em terceiro lugar, atrás também do Rio de Janeiro, com 5.222.

Embarques e desembarques
O Anuário da Cerveja 2024 também apontou aumento de 18,6% no volume de cerveja exportado pelo Brasil em 2023, para 231,977 milhões de litros. O Paraguai liderou as compras, destinadas a 75 países, com 138,682 milhões de litros. O país importou 7,131 milhões de cerveja no ano passado, com o maior fornecedor sendo a Alemanha, que ultrapassou a Bélgica ao alcançar 1,856 milhões de litros.