Um festival organizado pelos próprios cervejeiros e com o intuito de mostrar a união e a energia dos produtores cariocas. Essa será a onda que embalará o Rio Craft Beer, segundo garante Vinicius Kfuir, sócio da cervejaria Hocus Pocus e presidente da Associação das Microcervejarias do Estado do Rio de Janeiro (Amacerva-RJ).
Organizado pela associação e produzido pela Siga Norte, o Rio Craft Beer terá aproximadamente 40 cervejarias e ocorrerá entre sexta e domingo (27 a 29 de julho), no clube Monte Líbano, na Lagoa – um local pensado exclusivamente para o evento, com espaços para o público curtir o visual, segundo a organização.
“O Rio Craft é a realização de um sonho. Um festival organizado por nós mesmos, os cervejeiros do Rio de Janeiro, mostrando a nossa união e compartilhando com o público toda a energia que colocamos nas nossas cervejas”, explica Kfuir.
Atingindo sua quarta edição, o festival foi idealizado por seis cervejarias cariocas – 2cabeças, 3Cariocas, Fraga, Hija de Punta, Hocus Pocus e Three Monkeys Beer – até ganhar maiores proporções. O surgimento da Amacerva em 2017 foi o passo definitivo para torná-lo o “evento oficial” dos cervejeiros cariocas.
“Desde 2015 a gente tinha como objetivo criar um evento diferente, organizado pelas próprias cervejarias. Assim surgiu o Rio Craft Beer. No último ano muita coisa mudou, criamos a Amacerva e enxergamos o momento ideal de entregar um festival mais completo para os cariocas”, conta Leo Gil, sócio da Three Monkeys Beer e diretor da Amacerva, revelando algumas novidades para a quarta edição.
“Agora temos mais de 40 cervejarias associadas e participantes do evento. Novidades, mais atrações, local mais acessível para os apaixonados por cerveja, sejam eles conhecedores ou iniciantes em cervejas artesanais. Queremos mostrar o que tem de melhor na cidade e no país, pois ainda vamos trazer umas surpresas de outras cidades”, acrescenta Leo Gil.
Além de boa cerveja, o Rio Craft Beer terá uma opção variada de gastronomia, atrações musicais e serviços de barbearia e tatuagem.
Rio Craft Beer Data: de 27 a 29 de julho; Horário: a partir das 14h; Local: Clube Monte Líbano, na Av. Borges de Medeiros, 701, no Rio; Preço: a partir de R$ 30,00; Mais informações:https://www.riocraftbeer.com.br/.
A relação pouco desenvolvida entre agricultor e indústria tem impedido que o Brasil se consolide como grande produtor de cevada. Embora a sua qualidade seja semelhante à das principais referências externas, o malte nacional sofre com problemas estruturais que praticamente cortam pela metade a sua capacidade produtiva. Toda a cadeia cervejeira, assim, acaba prejudicada.
E os entraves ainda estão distantes de serem superados. Para Euclydes Minella, pesquisador da Embrapa Trigo, os produtores de cevada sofrem com a falta de incentivo – e, especialmente, com uma estrutura interna que os afasta do cultivo. O resultado dessa equação, claro, resvala na indústria: a oferta é menor e exige, por vezes, a importação de uma commodity que poderia ser facilmente produzida aqui.
“Com a exceção dos associados de uma cooperativa fabricante independente de malte, os produtores de cevada do país dependem totalmente do interesse da indústria cervejeira em produzir localmente”, explica Minella, pesquisador da Embrapa Trigo desde 1975.
Essa relação, segundo ele, funciona como a de produtores integrados da cadeia de aves e suínos: as maltarias fornecem a semente, os insumos e a assessoria técnica ao produtor, que fará o pagamento quando o produto for entregue.
“A produção é totalmente feita sob contrato, ou seja, os produtores são contratados para produzir cevada de variedade determinada que atenda um padrão de qualidade definido. Caso a produção não atenda o padrão, a indústria não recebe e a produção fica na mão do produtor, que a coloca em um mercado alternativo.”
É aí que, para Minella, reside o nó estrutural: como inexiste um mercado formal para a cevada “não cervejeira”, o produto descartado tem o valor rebaixado para 70% do preço do milho. “Quando o produto não é recebido pela indústria, o produtor quase sempre amarga prejuízo. O risco de não atingir o padrão de qualidade é todo do produtor, ou seja, não existe parceria indústria-produtor”, acrescenta o pesquisador, detalhando os problemas dessa falta de parceria.
“Assim, também não existe fidelização entre as partes, o que é ruim para a cultura, uma vez que é grande o número de produtores entrando no negócio a cada ano. Em geral, para o bem da cultura, seria ideal que o produtor plantasse sempre de maneira a conseguir melhores resultados com o passar dos anos”, acrescenta Minella, que cursou doutorado na Cornell University, nos Estados Unidos, onde estabeleceu a base genética da tolerância ao alumínio tóxico em cevada.
Bons exemplos Se o cultivo nacional é feito sob demanda, no restante do mundo o agricultor tem a cevada incorporada em sua produção. Planta, assim, todos os anos, em sistema de rotação e posteriormente a produção é dividida: boa parte da cevada vai para o mercado de alimentação animal (feed) e uma pequena quantidade é selecionada pela indústria de malte, que pagará bônus de 10%, em média.
Euclydes Minella, pesquisador da Embrapa
No Brasil, por sua vez, onde o preço da cevada feed está atrelado ao milho, o deságio em relação à cevada malte chega a 50-60%. A produção, assim, torna-se quase inviável. “A cevada cervejeira compete com o trigo semeado na mesma época, mas tem risco maior de não atingir o mesmo padrão de qualidade que o trigo ou a aveia. A principal diferença está no poder germinativo do grão. Para o malte, no mínimo 95% dos grãos têm que germinar, enquanto para trigo ou aveia não existe esta exigência”, compara o pesquisador.
Cerca de 20% da produção na Região Sul não atinge o padrão de qualidade em razão da perda de germinação por chuva na colheita ou por secagem malfeita. “No meu entender, será muito difícil nas condições atuais aumentar a produção de cevada no Sul, independentemente do aumento da capacidade de malteação que possa ocorrer na região.”
Ainda assim, Minella se demonstra otimista com a produção nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, feita em regime irrigado onde o clima seco minimiza as perdas de germinação. “Atualmente já existe uma produção no estado de São Paulo cujos resultados endossam a tese da viabilidade de produção irrigada de cevada cervejeira fora da região tradicional”, conta.
Mas, mesmo com as melhores condições, ainda restam alguns desafios nessas regiões. Se as dificuldades com a produção são menores, a indústria precisa enfrentar as longas distâncias entre os campos e as maltarias. Um problema que, segundo ele, também torna difícil a competição com o mercado externo.
“O problema atual para a não expansão nessas regiões está na localização das maltarias, exceto a Soufflet, situada em Taubaté. A distância encarece a produção pelo alto custo do frete nacional, muito superior ao da cevada que chegas aos portos oriunda principalmente da Argentina e do Uruguai”, finalizada o pesquisador.
A atuação da universidade no setor cervejeiro começa a ganhar corpo no mercado brasileiro. São parcerias fundamentais não apenas para aumentar a qualidade da principal bebida nacional, como para melhorar a produção e diminuir a dependência do mercado externo.
Um importante apoio universitário vem com o controle de qualidade. O resultado é uma cerveja mais “segura” que vai beneficiar toda a cadeia: o consumidor ganha em qualidade e o cervejeiro diminui as perdas, além de lucrar com a satisfação do cliente.
“Problemas causados pela contaminação da cerveja podem provocar grandes prejuízos econômicos ao produtor, além da retirada dos produtos do mercado e da perda de confiança do consumidor”, explicam as doutoras Beatriz Borelli e Luciana Brandão, integrantes do Laboratório da Cerveja, uma iniciativa do Laboratório de Taxonomia, Biodiversidade e Biotecnologia de Fungos localizado no Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
O suporte técnico oferecido pelo laboratório, acrescentam elas, é bastante procurado pelas nano e microcervejarias, “uma vez que a montagem de um laboratório de microbiologia envolve aumento nos custos, além de ser necessário o emprego de mão de obra capacitada para a realização das análises relacionadas ao controle de qualidade”.
Mais qualidade, menos importação Mas não é apenas com o controle de qualidade que a aproximação com uma universidade pode auxiliar o cervejeiro. O apoio acadêmico também pode estar relacionado a outro importante ganho para toda a cadeia: a diminuição das importações.
Beatriz Borelli e Luciana Brandão, do Laboratório da Cerveja
Isso ocorre principalmente devido ao trabalho de pesquisa com as leveduras. “A cerveja, assim como outras bebidas fermentadas, é feita a partir de fermentações conduzidas por linhagens comerciais estrangeiras, principalmente de países da Europa e Estados Unidos, o que torna o produtor dependente de leveduras importadas, o que encarece o produto”, explicam as doutoras.
O Laboratório de Taxonomia, Biodiversidade e Biotecnologia de Fungos, onde está inserido o Laboratório da Cerveja, então, tem trabalhado para atenuar esse problema. O resultado é tanto uma possível diminuição das importações quanto uma “nacionalização” da cerveja. Até mesmo a qualidade sensorial, segundo Borelli e Brandão, pode ser beneficiada.
“Todas as pesquisas realizadas no laboratório visam identificar potenciais leveduras (tanto Saccharomyces cerevisiae quanto não Saccharomyces) para a produção de cervejas, diminuindo a dependência das importações, além de regionalizar o produto, utilizando leveduras da biodiversidade brasileira, agregando valor e dando mais personalidade às cervejas especiais no nosso país”, contam as doutoras da UFMG, antes de acrescentar.
“Além disso, e não menos importante, visam o melhoramento sensorial da bebida, como no caso da utilização de leveduras híbridas. E, no caso do uso de leveduras não convencionais (não Saccharomyces), buscam a produção de cervejas com características diferenciadas, tanto de aroma e sabor como, por exemplo, de baixo teor alcóolico.”
Todo esse trabalho com as leveduras, segundo complementam elas, surgiu com uma tese inédita de doutorado defendida em 2016, quando foi selecionada e utilizada a primeira levedura brasileira para produção industrial de cerveja (Grimor 18). O trabalho, então, desenvolveu uma linha de pesquisa, resultando na seleção de linhagens de Saccharomyces cerevisiae para a produção de cervejas ale.
Buscando apoiar os cervejeiros artesanais, tanto no controle de qualidade quanto na produção de leveduras, o laboratório conta hoje, entre outros colaboradores, com uma estudante de doutorado trabalhando com a obtenção de híbridos de saccharomyces cerevisiae para a produção de cervejas e uma pós-doutoranda desenvolvendo atividades relacionadas à seleção e produção de cervejas por leveduras não Saccharomyces isoladas no país.
Os cervejeiros paulistanos terão uma semana agitada pela frente. Nada menos do que três cervejarias lançarão novos rótulos entre terça e quinta-feira em São Paulo: a Cervejaria Nacional, a Avós e a Votus.
O primeiro lançamento ocorre na terça-feira, dia 24 de julho, quando a Cervejaria Nacional apresenta sua campanha sazonal de inverno. Três novos estilos serão lançados entre os meses de julho, agosto e setembro, a começar pela sétima versão reformulada da Imperial Stout da casa, a Saravá.
A nova cerveja possui corpo alto, maior dulçor e ficou um pouco menos alcoólica (10%). Foram adicionados, ainda, chips de Amburana tostados na própria cervejaria, proporcionando notas de castanhas, coco e baunilha. O chope da Saravá será servido em copos de 250 ml (R$ 18) e funcionará no sistema double na terça até às 22h.
Outra novidade será a nova cerveja da Avós, que será lançada no Empório Alto dos Pinheiros, na quinta-feira (26 de julho). Trata-se da Good Night Granny, uma Baltic Porter desenvolvida por Junior Bottura e Fabio Geribelo ao lado de Jack Hendler, mestre-cervejeiro da Jack’s Abby Craft Lager, uma marca norte-americana.
A cerveja, envasada em garrafas de champagne (375ml) numeradas à mão, chega também em três versões maturadas em barris de madeiras diferentes: Sassafraz, que garante um perfumado parecido com o do anis, Jequitibá Rosa, mais seca e floral, e Amburana, com um aroma amadeirado levemente doce que remete à canela e à baunilha.
A Baltic Porter original tem 9% de teor alcóolico, corpo médio-alto e um caráter suave, com notas de caramelo, chocolate e alcaçuz, provenientes do malte torrado. Já a Amburana possui 6% de álcool, teor que chega a 10% na Jequitibá Rosa e na Sassafraz
Na mesma quinta-feira, no Violeta Bar e Restaurante Lorena, a Votus apresenta a N 017, uma Imperial Coffee Stout. É uma cerveja escura e os aromas naturais de toffee, café e chocolate amargo do malte se misturam com o sabor do café artesanal utilizado na receita.
“Decidimos utilizar um café artesanal cultivado na região de Dom Viçoso, no sul de Minas, desde o século XIX. A safra foi ganhadora de diversos prêmios por seu café de alta qualidade. Utilizamos café do tipo bourbon-amarelo, com uma seleção cuidadosa e uma tosta média-baixa para ser usada exclusivamente pela cervejaria. Um blend de maltes abiscoitados, caramelo, chocolate e tostados foi combinado para fazer desta cerveja uma saborosa pedida para o inverno”, conta Flávio Athayde, responsável pela cervejeira.
Serviço
Saravá Local: Cervejaria Nacional, na Av. Pedroso de Morais, 604
Data: 24/07
Good Night Granny Local: Empório Alto dos Pinheiros, na R. Vupabussu, 305
Data: 26/07
Votus N 017 Local: Violeta Bar e Restaurante Lorena, na R. Padre João Manuel, 869
Data: 26/07
Quem vive na ponte aérea entre São Paulo e Rio de Janeiro certamente já teve aquela sensação de que o tempo gasto no ar poderia ser melhor empregado em solo, sentado à mesa de um bar e tomando cerveja com os amigos. Agora, o passageiro da Gol pode ter pelo menos um gostinho do happy hour que está perdendo: a cerveja está de volta ao serviço de bordo da companhia.
Nas quintas e sextas-feiras, nos voos que decolam de 17h às 23h dos aeroportos de Congonhas (SP) e Santos Dummont (RJ), é possível optar por uma Heineken como bebida do serviço de bordo gratuito oferecido pela companhia – que inclui ainda mini-hambúrgueres de picanha Wessel com queijo prato. A princípio, trata-se de uma campanha por tempo limitado – até o final do ano.
Essa, porém, não é a única iniciatica nessa linha. Quem viveu tempo suficiente (não precisa ser muito) se lembra das mudanças no padrão do serviço de bordo e na experiência proporcionada ao usuário de aviação. Nos últimos dez anos, a tendência das aéreas foi de enxugar os serviços ao máximo e cobrar por alguns deles – e, nessa onda, a cerveja praticamente sumiu dos cardápios. Mas, nesse ano, ela voltou a aparecer em voos.
A Azul também passou a servir Skol em voos no happy hour (entre 17h e 21h), às quartas e sextas. Ao contrário da Gol, trata-se de uma volta definitiva ao cardápio, em voos que interligam 11 cidades: São Paulo, Rio de Janeiro, Campinas, Curitiba, Belo Horizonte, Fortaleza, Goiânia, Recife, Porto Alegre, Salvador e Vitória.
A cerveja é servida em latas de 269 ml e, para chegar mais próximo de um happy hour de verdade, acompanha batatinha frita e amendoim.
A inflação da cerveja vem destoando do mercado brasileiro em 2018. Enquanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 1,26% entre janeiro e junho, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o preço da bebida caiu 3,09%. E o principal responsável pela queda é o Rio de Janeiro.
Na capital carioca, o preço da cerveja em domicílio despencou 8,12% nos seis primeiros meses do ano. Logo em seguida aparecem duas cidades nordestinas: Salvador, com baixa de 7,53%, e Fortaleza, com 4,66%. Curitiba (-4,45%) e Goiânia (-3,87%) completam a lista.
Outros importantes polos cervejeiros também apresentaram queda. Em São Paulo, por exemplo, o preço da cerveja caiu 2,85% em 2018. E, na Região Sul, além de Curitiba, Porto Alegre (-0,53%) também teve deflação.
Já Rio Branco foi na contramão do mercado cervejeiro: alta de 2,21%. O mesmo ocorreu com Campo Grande e Belo Horizonte, que apresentaram inflação de 1,28% e 0,94%, respectivamente.
Em relação à cerveja fora do domicílio, que teve alta nacional de 0,67% nos seis primeiros meses do ano, o preço subiu mais em Campo Grande (5,86%), Curitiba (3,81%) e na Grande Vitória (2,37%). Lideraram as baixas, por sua vez, Recife (-2,91%), Aracaju (-2,21%) e Belém (-1,34%).
A ampliação da oferta de cursos facilitou a vida do apreciador de cerveja. Para se aprofundar no assunto e fazer da bebida um caminho sem volta, ele tem hoje uma série de escolas especializadas nas mais diversas cidades do país. Trata-se, então, de escolher aquela mais próxima ou à ideal ao seu perfil – e iniciar a saborosa jornada.
Mas, no meio desse caminho, existe uma pedra. Em meio à saudável ampliação da oferta, é preciso estar atento para saber qual curso atende as suas necessidades. Pode não parecer, mas existe uma grande diferença entre eles, mesmo para o iniciante que pretende dar o primeiro passo. O importante, então, é: como não tropeçar nessa pedra? E a resposta soa límpida como um poema drummondiano: conhecendo exatamente o que cada um oferece.
“Os cursos básicos de degustação e fabricação são indicados para todos os amantes da bebida, mesmo os que não têm formação na área ou que estão entrando nesse mundo agora”, conta Júlia Reis, sócia e professora da Sinnatrah, uma cervejaria-escola de São Paulo que oferece cursos desde 2009.
“O ‘bebedor de cerveja’ tende a procurar dois caminhos principais: aprender a degustar uma boa cerveja, através de formações como a de sommelier, ou a produzir sua própria bebida em casa, nas suas panelas”, acrescenta Carlo Enrico Bressiani, sommelier de cervejas, PhD em Finanças pela Universitat Ramon Llull, de Barcelona, e diretor-geral da Escola Superior de Cerveja e Malte, de Blumenau.
Há, também, os cursos avançados, especialmente voltados para quem já deu os primeiros passos. “São destinados aos cervejeiros que já sabem produzir cerveja, mas buscam aprofundamento sobre ingredientes, novas técnicas (lupulagem, mostura, boas práticas de fermentação) e que querem conseguir montar suas próprias receitas do zero”, explica Júlia.
Confira, a seguir, alguns dos cursos oferecidos e veja qual se adequa a você:
PARA CONHECER
Sommelier de Cervejas É um curso de degustação “orientado”, conforme indica Amanda Reitenbach, fundadora do Science of Beer Institute, uma escola criada em 2010, localizada em Florianópolis e com parcerias na América Latina e na Europa. “Aborda aspectos como degustação orientada, harmonização de cerveja e alimento, serviço de bebidas. Habilita o aluno a atuar como sommelier, atuando na comercialização e orientação de cervejas”, diz. “Para o curso de sommelier de cervejas o único pré-requisito é ser apaixonado por cervejas e estar aberto a aprender ainda mais sobre o assunto.” Serviço: O Science of Beer Institute oferece o curso em diversas cidades ao longo do segundo semestre. Confira mais detalhes
Júlia Reis, sócia e professora da Sinnatrah
Degustação
Um curso de análise sensorial e degustação dará as ferramentas para aproveitar tudo o que a cerveja oferece e melhorará a sua experiência com a bebida, relata Júlia Reis, da Sinnatrah. “No que eu ministro, por exemplo, incluímos dicas de temperatura de serviço, técnicas para identificar o aroma e o sabor completo da cerveja, percepções sobre o amargor, o impacto dos ingredientes no sabor”, aponta. “A ideia não é que a pessoa beba uma garrafa inteira de cerveja estudando, isso pode parecer muito sério ou monótono para algumas pessoas. A ideia do curso é mostrar as possibilidades de sabor que a cerveja oferece sem que, necessariamente, ele se torne um especialista ou grande estudioso.” Serviço: A Sinnatrah oferece o curso nos dias 31 de julho e 22 de agosto, em São Paulo. Confira mais detalhes
PARA FAZER
Fabricação Se você é da linha “faça você mesmo”, um curso de fabricação será a porta de entrada ideal para esse universo. “Afinal, ensinamos o passo a passo para o preparo de uma cerveja em casa sem a necessidade de tantos equipamentos como em uma fábrica. Fazer a própria cerveja e escolher as características de cor, amargor, álcool é muito prazeroso para quem gosta de cerveja”, garante Júlia. Além de ser um hobby que se tornou popular nos últimos anos, o curso não requer conhecimento prévio de química ou engenharia como muitos imaginam, segundo a professora. Serviço: A Sinnatrah oferece o curso nos dias 21 e 28 de julho, além de 23 de setembro, em São Paulo. Confira mais detalhes
Science of Beer: cerveja na teoria e na prática
Tecnologia em Processos Cervejeiros Assim como o de sommelier, o curso de tecnologia em processos cervejeiros serve para o apaixonado por cerveja que pretende aprender sobre o assunto, segundo Amanda. “É voltado para quem quer aprender os processos de fabricação, aprimorar conhecimento técnico, profissionalizar suas produções e inserir-se no mercado de trabalho, pois orienta a planejar e coordenar todas as etapas da produção de cerveja.” Serviço: O Science of Beer Institute oferece o curso em diversas cidades ao longo do segundo semestre. Confira mais detalhes
PARA APROFUNDAR
Science of Beer Styles; Escolas e Estilos de Cerveja Curso ideal para quem gosta de conhecimento. Investiga os estilos de cerveja e fala sobre suas origens, sua importância histórica, sua classificação – e aborda as escolas cervejeiras. “O curso de estilos cervejeiros pede um conhecimento prévio para execução, uma vez que a proposta gira em torno do aprofundamento”, avisa Amanda. Serviço: O Science of Beer Institute oferece o curso em diversas cidades ao longo do segundo semestre. Confira mais detalhes. E, para saber sobre o curso da Escola Superior de Cerveja e Malte, clique aqui
Escola Superior de Cerveja e Malte: pós em cerveja
Graduação e Pós-Graduação em Tecnologia Cervejeira A Escola Superior de Cerveja e Malte criou uma verdadeira grade universitária sobre a bebida mais consumida do mundo. É a Engenharia de Produção Cervejeira, primeiro curso de graduação sobre o tema fora da Alemanha. Tem 4.194 horas e dá diploma em Engenhenharia de Produção. Já o curso de Pós-Graduação em Tecnologia Cervejeira é feito em 18 meses e visa “fornecer o domínio de todo o processo produtivo aos mais exigentes padrões de qualidade de forma a otimizar e inovar na fabricação cervejeira”, segundo a escola. Serviço: Confira mais detalhes sobre o curso de Engenharia de Produção Cervejeira. E, aqui, sobre a Pós-Graduação em Tecnologia Cervejeira
A terra árida, seca, quase dourada da Grota do Angico, em Poço Redondo, no Sergipe, se enlameou definitivamente com o sangue ainda quente de Maria Bonita em 1938, a companheira de Lampião degolada viva após uma emboscada. A história de luta da primeira mulher cangaceira, contudo, foi retomada décadas depois por um grupo de pernambucanas. E o que se verte, hoje, é resistência lupulada: entre goles de um líquido também dourado, agora festivo, mas ainda exclusivo, a Confraria Maria Bonita trava sua moderna batalha pela inclusão da mulher no mercado cervejeiro.
Diretoria no aniversário de dois anos da Confraria Maria Bonita
Contra a ideia estabelecida de que o “sexo frágil” (sic) deve, por exemplo, gostar apenas de cerveja leve e doce, entre tantos outros preconceitos, o grupo foi formado em fevereiro de 2015 por quatro mulheres interessadas em mudar esse cenário. Tem, entre suas integrantes, gente do calibre de Gabi Ramos, da Ambev, Patrícia Sanches, sócia da cervejaria Patt Lou e do Instituto Ceres de Educação Cervejeira, e Nadhine França, consultora cervejeira e organizadora de eventos.
“A confraria surgiu da inquietação da beer sommelière Gabi Ramos em perceber que o mercado cervejeiro local só tinha homens e, em conjunto com Patrícia, que havia começado a fazer cerveja com o esposo, resolveram criar a confraria em uma tentativa de reunir mais mulheres com esse interesse, além de poder atrai-las para o mundo cervejeiro. Começamos com quatro meninas fazendo degustações e participando de eventos”, relata Nadhine França.
A confraria, então, cresceu. Entre conversas no WhatsApp para debater assuntos, tirar dúvidas cervejeiras e compartilhar eventos, a Confraria Maria Bonita foi se estruturando em comissões – “um grupo toca as degustações, outro as brassagens, que normalmente são mensais, outro organiza os eventos maiores”, segundo Nadhine – até alcançar mais de 90 membros.
“Hoje, o grupo conta com 93 participantes. Todas possuem interesse na cerveja de alguma forma, seja apenas para aprender a apreciar melhor, seja profissionalmente ou efetivamente fomentando a cultura cervejeira local”, explica Nadhine.
Uma nova batalha O crescimento da Confraria Maria Bonita, porém, não esconde uma dura realidade: ainda há muito trabalho a ser feito pelas integrantes para minimizar os efeitos do machismo não apenas do mercado cervejeiro, mas da sociedade em geral.
“Hoje nossa luta é contra o machismo de uma maneira mais ampla, mas tentando mudar o status quo no meio cervejeiro com pequenas ações. Lutando para que nos lugares que frequentamos, a mulher seja respeitada como cliente e consumidora de cerveja, que a mulher tenha chances iguais de trabalho e salário equivalente ao de um homem na mesma função. Mostrar para a mulher que a cerveja é um mundo, além de um mercado em ascensão, e que temos todo o poder para estar dentro dele.”
Se a difícil missão passa por superar um dos grandes males enraizados em nossa cultura patriarcal, a escolha de sua principal inspiração demonstra que, entre copos de cerveja, a confraria sabe bem o que pode construir. “Maria Bonita é uma representante da força da mulher nordestina. Ela também vivia em um ambiente majoritariamente masculino, foi a primeira mulher a participar de um grupo de cangaceiros. E abriu margem para entrada de muitas outras. Morreu lutando por aquilo que acreditava e hoje é um símbolo”, aponta Nadhine.
Patrícia, Lucy, Gabriela e Nadhine, as quatro primeiras fundadoras
Conheça algumas integrantes da Confraria Maria Bonita:
Patrícia Sanches é beer sommelière, técnica cervejeira, sócia da Cervejaria Patt Lou e do Instituto Ceres de Educação Cervejeira;
Lucy Cavalcanti é consultora cervejeira e gerente do BrewPub Cervejaria Laborada; Gabi Ramos é beer sommelière e trabalha na Ambev; Nadhine França é consultora cervejeira, entusiasta e organizadora de eventos; Julyana Alecrim é beer sommelière e sócia do Instituto Ceres de Educação Cervejeira; Márcia Marcondes é beer sommelière e cervejeira caseira.
Maior evento cervejeiro do planeta, com edições no Canadá, na França e em São Paulo, o Mondial de La Bière iniciou a venda de ingressos para sua versão carioca que ocorrerá entre os dias 5 e 9 de setembro, nos armazéns 2, 3 e 4 do Píer Mauá, no Rio de Janeiro. E, apostando na diversidade da oferta, a organização garante que o festival focará tanto o público mais aficionado por cerveja quanto os “beergeeks”.
“O Mondial de la Bière tem um papel fundamental de abertura de mercado e aumento da penetração da cerveja artesanal no mercado consumidor. O evento é democrático e tem oferta de cervejas complexas para ‘beergeeks’ e cervejas de entrada para novos consumidores”, conta Luana Cloper, diretora da Fagga, com exclusividade ao Guia da Cerveja.
Com a expectativa de receber mais de 1.500 rótulos e 10 mil visitantes por dia, o Mondial Rio de 2018 investirá na participação de cervejarias estreantes e novamente terá estrangeiras, segundo informa a executiva da Fagga, empresa responsável pela organização do evento.
“Dentre as novidades, destaque para as cervejarias estreantes no evento. Hoje já temos 30 cervejarias que estão participando do evento pela primeira vez, mas esse número vai crescer até o evento”, garante Cloper, antes de acrescentar.
“Hoje temos mais de 100 cervejarias confirmadas, vindas de diversos estados do Brasil e também do exterior através das importadoras. Ainda estamos na reta final de confirmações, portanto esse número vai crescer. Como ainda não recebemos os cardápios das cervejarias, não temos a relação de rótulos que estarão no evento. Nossa expectativa é ultrapassar 1000 rótulos”, pontua.
Entre as cervejarias confirmadas estão a Viper, Brewlab, Kremer, Matisse, Primata, Show de Bola, Viquim, Dream Bier, Thirst Howks, Halve Maan. Além da extensa oferta de rótulos, o Mondial de La Bière Rio terá o concurso MBeer Contest Brazil, dezenas de shows e boa gastronomia, entre outras atrações.
“O visitante vai encontrar um grande evento, com uma atmosfera feliz, tendo a cerveja artesanal e o bem-estar como protagonistas. Boa bebida, boa comida, conforto, diversão, shows, tattoo e algumas novidades que vamos divulgar em breve”, finaliza a executiva.
Serviço
Mondial de La Bière Rio Data: de 5 a 9 de setembro;
Horário: Quarta e quinta das 16h à 00h; sexta e sábado das 14h à 00h; e domingo das 14h às 21h;
Local: Píer Mauá, Armazéns 2, 3 e 4, na Av. Rodrigues Alves, 10, Saúde, Rio de Janeiro;
Vendas: www.mondialdelabiererio.com.
A cerveja artesanal está ganhando ares de relíquia artística. Para comemorar a volta ao Museu de Arte de Cincinnati da obra Vegetação Rasteira com Duas Figuras, do pintor holandês Vincent van Gogh, a instituição norte-americana e a cervejaria artesanal local Listermann lançam no dia 21 de julho um rótulo especial com imagens da pintura.
A obra é a mais valiosa e famosa do acervo permanente do museu, e data de 1890. Nos últimos meses, com a mostra Van Gogh & Japan e um público de 750 mil pessoas, ela rodou por museus de Amsterdam, Hokkaido, Tokio e Kyoto.
A cerveja, por sua vez, é uma New England IPA com toques de laranja, limão, manga e lichia. Estará disponível em draft e caixas de quatro latas de 473ml – por US$16 na taproom da cervejaria e nas lojas e restaurantes do museu.
“É quase impossível acreditar que temos essa oportunidade maravilhosa de ter uma obra de um dos maiores mestres da história da arte em nossas latas”, disse Jared Lewinski, mestre cervejeiro da Listermann, ao site The Full Pint.
Esta, no entanto, é a segunda vez que a cervejaria artesanal toma carona na agenda do museu. Em março, uma New England Red IPA foi produzida no embalo da exposição de estátuas de guerreiros de terracota chineses.
A Listerman publicou em suas rede sociais um vídeo da produção. Em ambas as parceiras, a cervejaria doa 10% dos lucros ao museu.