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Preço da cerveja sobe só 0,03% em setembro e fica longe do IPCA de 0,82%

A cerveja comprada para beber em casa subiu apenas 0,03% em setembro, mês em que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, acelerou para 0,82%. A alta da bebida ficou 0,79 ponto porcentual abaixo do índice geral, a maior folga desde abril. Foi a terceira alta seguida no preço da cerveja, depois de 0,76% em julho e 0,83% em agosto, mas desta vez quase imperceptível. Os números são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Nas fábricas, a produção de bebidas alcoólicas cresceu 2,3% em agosto, na comparação com o mesmo mês de 2025, enquanto a indústria como um todo recuou -1,2%.

Inflação e preço da cerveja

Enquanto a feira pesava no bolso, a bebida ficou de fora da conta. O grupo Alimentação e bebidas subiu 0,83% em setembro, depois de três quedas seguidas, e a comida comprada para consumo em casa, 0,96%. O IBGE atribui a alta sobretudo ao tomate (37,76%), à batata-inglesa, à cebola, ao arroz e às carnes.

O que empurrou o índice geral, porém, foi a conta de luz. Com o fim do Bônus de Itaipu, crédito aplicado nas faturas emitidas em agosto, a energia elétrica residencial subiu 7,98% e respondeu sozinha por 0,32 ponto porcentual do IPCA de setembro.

Fora de casa, o ritmo também foi lento: no bar e no restaurante, a cerveja subiu 0,16%, um terço da alta da alimentação fora do domicílio (0,48%), que acelerou com o preço da refeição.

No acumulado do ano, a cerveja para consumo em casa sobe menos que a inflação. De janeiro a setembro, a alta é de 2,53%, contra 3,95% do IPCA geral.

Quem subiu mais foi o vizinho de gôndola. O refrigerante e a água mineral, que o IBGE mede juntos, ficaram 0,27% mais caros no domicílio e 0,28% fora dele em setembro. No ano, a dupla acumula 4,75% em casa, quase o dobro da cerveja.

Em 12 meses, o retrato muda, por causa das altas do fim de 2025. A cerveja no domicílio acumula 4,82%, acima do teto da meta de inflação, que é de 3% com tolerância até 4,5%. O próprio IPCA geral voltou a passar do teto, com 4,58%.

Já a cerveja fora de casa segue na contramão. Acumula 3,85% em 12 meses e, nessa comparação, fica abaixo da inflação geral desde maio de 2025.

O próximo teste vem em outubro. Em todos os anos desde 2020, a cerveja no domicílio subiu nesse mês, com altas entre 0,75% e 1,80%.

Tabela 1 — Variação de preços, setembro de 2026

Geral, grupo, subgrupo, item e subitemMensal (%)12 meses (%)
Índice geral+0,82%+4,58%
Alimentação e bebidas+0,83%+4,66%
Alimentação no domicílio+0,96%+4,21%
Cerveja (no domicílio)+0,03%+4,82%
Refrigerante e água mineral (no domicílio)+0,27%+5,24%
Alimentação fora do domicílio+0,48%+5,79%
Cerveja (fora do domicílio)+0,16%+3,85%
Refrigerante e água mineral (fora do domicílio)+0,28%+5,16%

Fonte: IBGE, IPCA (Tabela 7060 do Sidra).

Preço da cerveja nas áreas pesquisadas

O mapa ficou dividido em setembro. Das 15 capitais e regiões metropolitanas com série calculada, dez registraram alta no preço da cerveja e cinco, queda. Rio Branco (AC) não tem série de cerveja no domicílio.

As maiores altas vieram do Norte e do Nordeste: São Luís (+1,21%), Belém (+1,09%) e Fortaleza (+0,77%). Na outra ponta, a bebida ficou mais barata em Belo Horizonte (-1,33%), na Grande Vitória (-1,02%) e em Salvador (-0,69%).

Em 12 meses, Goiânia lidera, com 8,26%, seguida de Curitiba (+7,98%) e Belém (+7,75%). Salvador (+0,94%) tem a menor alta acumulada, à frente de Belo Horizonte (+1,73%) e Porto Alegre (+1,81%). Nove das 15 capitais passam de 4,5% no período.

Tabela 2 — Cerveja no domicílio por área, setembro de 2026

CapitalMensal (%)Acumulada 12 meses (%)
São Luís (MA)+1,21%+4,66%
Belém (PA)+1,09%+7,75%
Fortaleza (CE)+0,77%+3,95%
Brasília (DF)+0,68%+4,59%
São Paulo (SP)+0,42%+5,26%
Porto Alegre (RS)+0,29%+1,81%
Goiânia (GO)+0,26%+8,26%
Campo Grande (MS)+0,19%+7,50%
Rio de Janeiro (RJ)+0,08%+6,99%
Aracaju (SE)+0,03%+5,33%
Curitiba (PR)-0,10%+7,98%
Recife (PE)-0,46%+2,31%
Salvador (BA)-0,69%+0,94%
Grande Vitória (ES)-1,02%+1,86%
Belo Horizonte (MG)-1,33%+1,73%
Rio Branco (AC)––
Brasil+0,03%+4,82%

Fonte: IBGE, IPCA (Tabela 7060 do Sidra). Rio Branco não tem série de cerveja no domicílio.

Produção industrial

A produção de bebidas alcoólicas, segmento que tem a cerveja como carro-chefe, cresceu 2,3% em agosto sobre o mesmo mês do ano passado, segundo a Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF). As bebidas não alcoólicas, como refrigerantes e águas, avançaram 6,4%.

Esse crescimento, porém, vem depois de um tombo. Em agosto de 2025, a produção de alcoólicas tinha caído -11,8%. A alta de 2,3% agora recupera só uma pequena parte dessa perda. É como descer 12 degraus e subir 2: ainda falta muito para voltar ao ponto de partida.

Na conta de 12 meses, as fábricas de alcoólicas produziram o mesmo volume do período anterior (0,0%), depois de mais de um ano no vermelho. O crescimento recente só repôs o que tinha caído. No mesmo período, as não alcoólicas acumulam alta de 1,7%, e a indústria geral, de 0,6%.

O IBGE revisou o dado de julho: a alta das alcoólicas, publicada antes como 6,8%, passou para 8,7%.

Tabela 3 — Produção industrial, agosto de 2026

Grupos e classesVariação interanual (%)12 meses (%)
Indústria geral-1,2%+0,6%
Bebidas alcoólicas+2,3%0,0%
Bebidas não alcoólicas+6,4%+1,7%

Fonte: IBGE, PIM-PF (tabelas 8885 e 8888 do Sidra). Variação interanual: agosto de 2026 frente a agosto de 2025.

Produção industrial por estado

A fabricação de bebidas cresceu em oito dos 13 estados com série calculada pelo IBGE. Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Norte e Santa Catarina não têm dados para a atividade. No recorte por estado, o IBGE não separa as bebidas alcoólicas das não alcoólicas.

O Amazonas liderou, com alta de 28,8%, seguido de Minas Gerais (+11,6%) e Paraná (+11,0%). As quedas mais fortes foram em Goiás (-8,4%), na Bahia (-4,3%) e em São Paulo (-2,3%).

O relatório regional do IBGE mostra onde a cerveja fez diferença. Em cinco estados, ela foi a locomotiva das bebidas em agosto: “cervejas e chope” aparecem como o produto que mais puxou a produção para cima em Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro e Maranhão. No Amazonas, a alta veio sobretudo do xarope para refrigerantes, e a cerveja contribuiu em menor escala. Em São Paulo, o maior peso negativo foi do refrigerante, mas a cerveja também recuou.

Em 12 meses, seis estados seguem com saldo positivo, liderados pelo Rio Grande do Sul (+13,2%) e por Minas Gerais (+9,2%). Rio de Janeiro e Paraná cresceram em agosto, mas ainda acumulam queda no período: -0,1% e -3,4%, respectivamente.

Tabela 4 — Produção de bebidas por estado, agosto de 2026

EstadoInteranual (%)12 meses (%)
Brasil+4,4%+0,8%
Amazonas+28,8%+4,6%
Minas Gerais+11,6%+9,2%
Paraná+11,0%-3,4%
Pernambuco+8,5%+0,4%
Mato Grosso+6,9%+1,3%
Rio de Janeiro+6,9%-0,1%
Maranhão+2,7%+3,3%
Rio Grande do Sul+1,7%+13,2%
Pará-1,2%-4,9%
Ceará-1,5%-6,0%
São Paulo-2,3%-2,2%
Bahia-4,3%-5,0%
Goiás-8,4%-5,7%
Sem série calculadaEspírito Santo, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Norte e Santa Catarina

Fonte: IBGE, PIM-PF Regional (Tabela 8888 do Sidra), atividade “Fabricação de bebidas”. O recorte por estado não separa bebidas alcoólicas e não alcoólicas.

Luís Celso Jr.
Luís Celso Jr.
É jornalista, escritor e sommelier de cervejas. Formado pela PUC-PR, se especializou em jornalismo digital e em gestão de Pequenas e Médias Empresas (FIA Business School). No ramo da cerveja, foi premiado no 1º Campeonato Brasileiro de Sommelier de Cervejas em 2014, defendo o Brasil no mundial em 2015. É professor do Instituto da Cerveja, juiz de concursos nacionais e internacionais (National BJCP), consultor e fundador do BarDoCelso.com — blog mais antigo de cerveja da internet brasileira que completa 20 anos em 2026. Premiado no Edital Fermenta!, é autor do livro “Uma viagem pela história da cerveja no Brasil” (no prelo).
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