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PIQ da Cerveja entra em vigor no sábado: O que muda e como o setor o avalia

Redação Guia da Cerveja
Por Redação Guia da Cerveja
8 de dezembro de 2021
Atualizado em: 9 de dezembro de 2021
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    Pode até ser que o consumidor demore a perceber, mas, a partir do próximo sábado, os rótulos de algumas cervejas começarão a ficar diferentes. Será quando passará a valer a Instrução Normativa nº 65/2019, que estabeleceu o novo padrão de identidade e qualidade (PIQ) da cerveja.

    Os novos parâmetros a serem seguidos pelos fabricantes criam a classificação de cerveja com teor alcoólico reduzido ou com baixo teor alcoólico, que deve ficar entre 0,5% e 2%. Além disso, acrescentam a definição de cerveja gruit, o que possibilita a substituição do lúpulo por ervas. E, principalmente, permitem a inclusão de matérias-primas de origem animal e de outros ingredientes de origem vegetal na cerveja.

    Também há outras definições, como a de que a “tradicional” cerveja, aquela que possui 2% ou mais de graduação alcoólica, deve ter ao menos 55% de malte, enquanto as que possuem menos precisam levar o nome do adjunto acrescentado. Ainda há determinações sobre a cerveja puro malte e a sem álcool ou desalcoolizada, que não pode ter graduação alcoólica superior a 0,5%.

    Porém, as novas normas de identificação das cervejas não serão vistas necessariamente nos rótulos a partir de sábado. Afinal, as cervejas produzidas ou fabricadas até a próxima sexta-feira não precisam necessariamente atender ao novo PIQ, podendo ser comercializadas até o fim de seu prazo de validade.

    Inicialmente previsto para entrar em vigor em 2020, o PIQ da Cerveja teve a sua implementação adiada em um ano em virtude da pandemia do coronavírus, que causou impacto nas vendas, com as marcas ficando com muitos rótulos antigos. Esse adiamento foi lembrado pelo presidente da Federação Brasileira das Cervejarias Artesanais (Febracerva), Marco Antonio Falcone, como uma conquista importante para o setor, que teve mais tempo para se adaptar.

    “A postergação em se aplicar a IN-65 demonstra a sensibilidade com o segmento, que sofreu pesado com as vendas durante a pandemia, afetando diretamente os estoques de rótulos e afins, e demonstra ainda diálogo com o segmento através da Câmara Setorial da Cerveja”, afirma Falcone.

    Confira os detalhes da IN-65

    Inovações e adequação internacional
    Para André Lopes, diretor jurídico da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) e colunista do Guia, o novo PIQ melhora a identificação e acompanha a evolução da indústria e as suas inovações nas últimas duas décadas, considerando que a normativa anterior estava em vigor desde 2001.

    “Um exemplo de inovação que a nova regra traz é a possibilidade de denominar cerveja o produto elaborado com ingredientes de origem animal (mel, por exemplo), que antes eram consideradas bebidas alcoólicas mistas. Outro avanço significativo foi a criação da cerveja com teor alcoólico reduzido, classificação que antes não existia”, explica o Advogado Cervejeiro.

    Leia também – Fabricação de bebidas alcoólicas segue indústria e recua pelo 5º mês consecutivo

    O Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv) acredita que o novo PIQ pode, inclusive, ser um catalisador da criatividade das marcas na definição das receitas dos seus próximos rótulos.

    “A medida também traz inovações como a permissão de inclusão de matérias primas de origem animal e outros ingredientes de origem vegetal, dando possibilidade de novas receitas aos nossos produtos. Uma das maiores características do setor cervejeiro é a criatividade – a cada ano vemos inovações para agradar o paladar de nossos clientes”, avalia o sindicato.

    O Sindicerv, além de apontar que a medida é modernizadora, avalia que o PIQ da Cerveja está em consonância com a legislação adotada internacionalmente. “Os novos padrões adotados buscam um nivelamento com outros países, de modo que o consumidor brasileiro tenha à sua frente tantas informações quanto teria em qualquer outro país cervejeiro. Os métodos analíticos da Convenção de Cervejeiros da Europa – EBC (European Brewers Convention) passarão a ser expressamente adotados aqui, no que se refere a análises de rotina e de referência, o que faz bastante sentido já que a cerveja é uma bebida global, assim como várias de nossas cervejarias.”

    O estímulo à inventividade também é destacado pelo advogado Clairton Kubaszwski Gama, sócio do escritório Kubaszwski Gama Advogados Associados, como fator positivo do PIQ da Cerveja, especialmente para as marcas artesanais.

    “Embora tenham gerado algumas discussões, principalmente quanto ao limite para uso de adjuntos, de forma geral as modificações realizadas no PIQ da cerveja podem ser vistas como benéficas ao setor, especialmente para o segmento artesanal. Reivindicações antigas, como a possibilidade de utilização de adjuntos de origem animal (mel, por exemplo), padronização das informações de rótulo e simplificação do processo de registro de novos produtos, foram atendidas”, argumenta Clairton.

    Já o sindicato que representa a Ambev e o Grupo Heineken no Brasil acredita que o PIQ da Cerveja acompanha uma tendência de mudança na preferência do consumidor. “Exemplos dessa evolução no gosto do consumidor, que deverão ganhar ainda mais força nos próximos anos e ficarão mais fáceis de se visualizar na rotulagem, são as cervejas light, sem glúten, sem álcool e até mesmo as de puro malte”, analisa o Sindicerv.

    E, na visão do diretor jurídico da Abracerva, a medida também é benéfica para o consumidor, que passará a ter mais clareza sobre as características da cerveja. “A associação avalia que as mudanças serão muito benéficas, principalmente para o consumidor, que entenderá melhor o que está bebendo, já que os rótulos antigos causavam muita confusão e desinformação no público, e o novo PIQ melhorou muito isso”, garante André.

    Possíveis punições
    O advogado lembra, ainda, que quem não atualizar os rótulos de suas cervejas e os registros dos produtos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) corre o risco de ser multado. “A utilização de rótulo em desconformidade com as normas legais vigentes é passível de multa no valor de R$ 2.000,00 até R$ 117.051,00 (art. 108 do Decreto Nº 6.871/2009)”, alerta André.

    Já Clairton destaca que, em alguns casos específicos, a punição pelo descumprimento do PIQ da Cerveja pode ser ainda mais severa. “A fiscalização, que fica a encargo tanto do Mapa quanto do Inmetro, e ainda de órgãos de defesa do consumidor, poderá aplicar sanções que vão desde advertências até multas. Em alguns casos, pode haver até mesmo a proibição de comercialização da cerveja ou, ainda, a cassação do registro do produto ou da própria cervejaria”, completa o advogado.

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      10 COMENTÁRIOS

      1. Wilton Akira Uehara Wilton Akira Uehara 8 de dezembro de 2021 No 20:08

        Cogumelo não é vegetal.

        Responder
      2. Diego Oliveira Diego Oliveira 8 de dezembro de 2021 No 22:43

        Tchê e as cervejas com mais de 2% de teor alcoólico ainda podem ser produzidas? Ou a nossa Polar vai ter que reduzir o teor alcoólico? Essa questão dos mestres cervejeiros de fundo de quintal tá muito frescurenta, o que estão produzindo não tem nada a ver com cerveja de verdade coisa de puto isso!! É igual bacon de soja!!! A reportagem da a intender que não se pode produzir cerveja com mais de 2% de álcool.

        Responder
        • guiadacerveja guiadacerveja 9 de dezembro de 2021 No 06:52

          Claro que pode, Diego. Para as cervejas de 2% ou mais de teor alcoólico, as “tradicionais”, não muda nada. O que se criou foi a classificação de cerveja com teor alcoólico reduzido ou com baixo teor alcoólico, que deve ficar entre 0,5% e 2%.

          Responder
      3. Marcelo José Souto Marcelo José Souto 9 de dezembro de 2021 No 04:06

        Deveria existir também cerveja com 0% ou baixíssimo teor de Purina , para quem tem problemas de ” GOTA” devido a taxa de ácido úrico alto, no Japão já existem três marcas só que não são comercializadas no Brasil e esse público alvo é muito grande, cerveja sem Purina e sem álcool para os Brasileiros, deixo aqui a minha e tenho certeza reinvidicação de muitos brasileiros, obrigado pela atenção.

        Responder
        • Augusto Feitoza Augusto Feitoza 12 de dezembro de 2021 No 06:45

          Caramba! Adeus cerveja que preste. Nada escapa, nem a cerveja? Daqui a pouco vão autorizar vender alimentos vencidos em supermercados.

          Responder
      4. Távaro Rodrigues Carvalho Távaro Rodrigues Carvalho 10 de dezembro de 2021 No 09:12

        Adeus cervejas com o padrão de pureza alemã? Saudades de quando cerveja era só cerveja e não a frescuragem que tá virando hoje.em dia.

        Responder
        • Felipe Felipe 14 de dezembro de 2021 No 00:29

          Mas esse padrão de pureza não é seguido pela escola belga desde SEMPRE, não se apegue a apenas uma escola cervejeira

          Responder
      5. VITOR MARCATI VITOR MARCATI 11 de dezembro de 2021 No 01:16

        Bora beber

        Responder
      6. Jack Tequila Jack Tequila 11 de dezembro de 2021 No 11:49

        Tão abrindo caminho pra cervejas dos amantes de copo Stanley, e de quem gosta de dar bote com as nádegas, é o reflexo da ausência de cascas grossas da pesada que acham cervejas amargas ruins, falta de testosterona e excesso de frescura, cerveja é malte água lúpulo e fermentação, vão por erva no lugar do lúpulo, daqui a pouco vai ter cerveja de alface e coentro, pqp, o amargo transforma, e cerveja de fresco é Danone de morango.

        Responder
      7. Adriano Adriano 11 de dezembro de 2021 No 12:36

        Concordo com o amigo. Acabou a tradição alemã . Kkk. Isso faz parte do povo Nutela de hoje. Cheio de frescura.

        Responder

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