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Com alta de 0,96% em maio, preço da cerveja volta a rodar acima do IPCA

O bolso do torcedor brasileiro sofreu um duro golpe na hora de abastecer a geladeira para a Copa do Mundo Fifa 2026. Após dar um refresco com a deflação registrada em abril, o preço da cerveja vendida nos supermercados voltou a subir forte em maio, registrando uma alta de 0,96% — superando com folga o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do mês, que fechou em 0,58%. Com esse resultado, a inflação da cerveja acumula uma elevação de 3,69% no ano e chega ao torneio com um avanço de 5,99% nos últimos 12 meses.

Já a produção de bebidas alcoólicas — puxada principalmente pela fabricação de cerveja — registrou queda de -3,1% em abril na comparação com o mesmo mês do ano anterior, interrompendo o ritmo de crescimento visto no mês anterior. O recuo colocou o setor de bebidas em geral (que caiu -1,8%) em forte contraste com a indústria nacional, que expandiu 2,7% no período.

Os números são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Inflação da cerveja na gôndola supera em 6 vezes o reajuste dos bares

A maratona de jogos em busca do hexacampeonato vai exigir estratégia financeira de quem pretende assistir às partidas. Os dados de maio revelam uma divisão clara no mercado: a inflação da cerveja para consumo no domicílio (0,96%) foi exatamente seis vezes maior do que a variação da cerveja consumida fora de domicílio, que subiu discretos 0,16% no mesmo período.

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Essa disparidade mostra que a indústria e os grandes varejistas descarregaram os reajustes nas prateleiras dos supermercados. Em contrapartida, os donos de bares e restaurantes pisaram no freio nos repasses. O setor de on-trade tenta segurar o cliente no balcão em um momento em que o orçamento das famílias está severamente pressionado pela alta geral da alimentação e pelo custo da energia elétrica, inflacionado pela bandeira tarifária amarela. No acumulado de 12 meses, no entanto, a cerveja de supermercado ainda acumula 5,99%, enquanto a do bar registra alta de 3,01%.

Geral, grupo, subgrupo, item e subitemMensal (%)12 meses (%)
Índice geral0,584,72
1. Alimentação e bebidas1,333,87
    11. Alimentação no domicílio1,652,99
        1114084. Cerveja0,965,99
    12. Alimentação fora do domicílio0,496,22
        1201048. Cerveja0,163,01

Fonte: IBGE – IPCA (Maio 2026)

Custos logísticos e frete pressionam o setor

O salto no preço da cerveja não aconteceu de forma isolada, mas acompanhou o estresse generalizado que atingiu o grupo de Alimentação e Bebidas, que disparou 1,33% em maio e acabou respondendo por metade de toda a inflação oficial do país no período.

Segundo o gerente da pesquisa do IBGE, Fernando Gonçalves, o encarecimento dessa categoria macroeconômica é explicado por uma combinação de menor oferta de produtos e, principalmente, pelo peso do frete. “A gente usa muito frete rodoviário”, apontou o gerente em entrevista à Agência Brasil.

Gonçalves também acrescentou que a alta global no preço dos fertilizantes — um reflexo direto dos conflitos geopolíticos em andamento no Oriente Médio — elevou os custos de produção no campo, gerando um efeito cascata que encareceu os insumos e acabou sendo repassado até a ponta final da cadeia de consumo.

Preço da cerveja nas áreas pesquisadas

O impacto no bolso do torcedor é uma questão puramente geográfica neste início de Copa do Mundo. Das áreas pesquisadas pelo IBGE, a Região Metropolitana de Porto Alegre (RS) foi onde ficou mais caro garantir a cerveja do churrasco, liderando a alta nacional com expressivos 2,18% de aumento no domicílio. Logo atrás aparecem a RM de São Paulo (SP), com avanço de 1,83%, e Brasília (DF), com 1,49%.

Por outro lado, algumas capitais do país trazem um cenário de alívio e preços mais competitivos para as festas. A maior queda foi registrada na RM da Grande Vitória (ES), onde o preço da cerveja despencou -1,68% em maio. A RM de Belém (PA) também deu fôlego ao consumidor com recuo de -0,53%, seguida de perto pela RM de Recife (PE), que anotou deflação de -0,47%.

Cidade / RegiãoVariação Mensal (%)Acumulada 12 Meses (%)
Rio Branco (AC)
São Luís (MA)0,266,51
Aracaju (SE)0,516,81
Campo Grande (MS)0,147,85
Goiânia (GO)1,006,72
Brasília (DF)1,494,17
Belém (PA)-0,535,78
Fortaleza (CE)0,258,05
Recife (PE)-0,472,94
Salvador (BA)1,202,80
Belo Horizonte (MG)0,014,84
Grande Vitória (ES)-1,687,89
Rio de Janeiro (RJ)0,138,60
São Paulo (SP)1,836,50
Curitiba (PR)0,536,87
Porto Alegre (RS)2,184,52

Fonte: IBGE – IPCA (Dados de Maio 2026 – Item: 1114084.Cerveja)

Produção de bebidas alcoólicas recua em abril, mas acumula alta no ano

Os novos dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM-PF) de abril revelam que a indústria de bebidas ligou o sinal de alerta às vésperas da Copa do Mundo 2026. Seguindo o comportamento de retração do mercado de transformação, a Fabricação de Bebidas Alcoólicas — segmento cuja atividade é composta em quase 90% pela produção de cerveja — registrou queda de -3,1% na comparação com o mesmo mês do ano anterior. O resultado interrompe a sequência de expansão observada em março, quando o setor havia avançado 5,0%. 

O recuo na produção das alcoólicas acabou pesando sobre o desempenho do setor de Bebidas em geral (que engloba os canais alcoólicos e não alcoólicos), cuja queda em abril foi de -1,8%. O número coloca a categoria em forte contraste com o índice da Indústria Geral, que registrou crescimento de 2,7% no mês, impulsionada principalmente pelos setores extrativo e de derivados de petróleo.  

Apesar do tropeço pontual em abril, o cenário de médio prazo traz alento para investidores e empresários. No índice acumulado para o primeiro quadrimestre de 2026 (janeiro-abril), o saldo da produção de bebidas alcoólicas permanece positivo, acumulando alta de 2,9%.

Mesmo com essa desaceleração mensal, o acumulado no ano das bebidas alcoólicas (2,9%) e do setor de bebidas geral (2,2%) continua rodando acima da média de recuperação da própria indústria nacional, que acumula 1,7% no quadrimestre. 

Grupos e classes industriaisVariação Mensal (%)Variação 12 Meses (%)
11.1 Fabricação de bebidas alcoólicas-3,1-3,0
11.2 Fabricação de bebidas não alcoólicas-0,51,4

Fonte: IBGE – Pesquisa Industrial Mensal (Dados de Abril 2026)

Luís Celso Jr.
Luís Celso Jr.
É jornalista, escritor e sommelier de cervejas. Formado pela PUC-PR, se especializou em jornalismo digital e em gestão de Pequenas e Médias Empresas (FIA Business School). No ramo da cerveja, foi premiado no 1º Campeonato Brasileiro de Sommelier de Cervejas em 2014, defendo o Brasil no mundial em 2015. É professor do Instituto da Cerveja, juiz de concursos nacionais e internacionais (National BJCP), consultor e fundador do BarDoCelso.com — blog mais antigo de cerveja da internet brasileira que completa 20 anos em 2026. Premiado no Edital Fermenta!, é autor do livro “Uma viagem pela história da cerveja no Brasil” (no prelo).
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