Apesar de eventos trágicos, como as enchentes históricas no Rio Grande do Sul, e da das dificuldades econômicas globais, o número de cervejarias no Brasil continua crescendo. Em 2024, ele chegou a 1.949 fábricas em 790 municípios, um crescimento de 5,5% em relação ao ano anterior, segundo o Anuário da Cerveja 2025, publicação oficial do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) que consolida os dados da indústria cervejeira brasileira a cada ano. Em 2023, eram 1.847 cervejarias, distribuídas em 771 localidades.
Já o volume de cerveja produzida permaneceu praticamente estável, com queda de apenas 0,11%. Em 2024 foram fabricados 15,34 bilhões de litros contra 15,36 bilhões no ano anterior. Os dados foram divulgados pelo Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv) em evento intitulado “Confraria Sindicerv” nesta terça-feira (5) no Sesi LAB, em Brasília, que reuniu autoridades, lideranças setoriais e representantes da cadeia produtiva.
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Para Márcio Maciel, presidente-executivo do Sindicerv, o Anuário 2025 mostra que o setor segue resiliente e inovador, mesmo num contexto desafiador. “Isso é resultado de uma estrutura sólida e de investimentos contínuos na produção e nas pessoas que fazem essa vasta cadeia acontecer, do campo ao copo. Cerveja é agro, emprego, renda, diversidade, cultura e gastronomia. Cerveja é Brasil”.
A maturidade da indústria também se expressa nos investimentos robustos realizados nos últimos anos. Segundo levantamento do Sindicerv e da consultoria Euromonitor, o setor aportou mais de R$ 17,5 bilhões desde 2020, especialmente em tecnologia, expansão de capacidade e modernização das plantas fabris.
Durante o evento, também houve o lançamento da Frente Parlamentar Mista da Cadeia Produtiva da Cerveja, iniciativa apoiada por quase duzentos congressistas sob a coordenaçãodo deputado federal Covatti Filho (PP-RS).
Sudeste lidera, mas Sul é o que mais cresce
O Anuário da Cerveja também traz números regionalizados nos quais é possível perceber que o Sudeste é a região como maior número de estabelecimentos registrados (889), sendo São Paulo a unidade da federação que mais concentra cervejarias no Brasil (427). Porém, o maior crescimento em números absolutos aconteceu no Sul — que ganhou 43 plantas fabris, saindo de 731 para 774. Santa Catarina puxou esse aumento em grande parte, com um aumento de 25 fábricas (aumento de 11,11% em relação ao ano anterior).
O maior crescimento relativo foi da região Nordeste, com 16,4% de aumento no número de cervejarias, partindo de 122 para 142 estabelecimentos registrados.
Cervejarias no Brasil apostam em cerveja sem álcool
A cerveja sem álcool já vinha crescendo anualmente nos últimos anuários. No entanto, em 2024 ela explodiu. A produção nacional cresceu 536,9% em volume em relação a 2023. “A evolução da cerveja 0,0% reforçam nosso compromisso com a diversidade de escolhas e com um consumo cada vez mais equilibrado e consciente”, afirma Márcio Maciel.
Ao lado disso, a grande quantidade de marcas (55.015) e de produtos registrados (43.176) mostra que a indústria oferece um amplo portfólio e está atenta às mudanças no comportamento do consumidor, com uma diversidade capaz de atender diferentes perfis de renda e de realidades regionais.
Os dados do anuário revelam também avanço expressivo nas exportações, com mais de 332 milhões de litros enviados ao exterior e um superávit comercial recorde de US$ 195 milhões.
A íntegra do Anuário 2025 pode ser acessada nos sites do Sindicerv e do Ministério da Agricultura.


