A inflação da cerveja em agosto não acompanhou a queda de 0,11% do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). Na verdade, ela foi na direção oposta, aumentando para 1%, segundo números do IBGE. Esse é o maior valor mensal desde outubro de 2023, quando o índice cervejeiro chegou a 1,8%. Além disso, esse é o 4º mês seguido de crescimento da inflação da bebida, o que mostra uma tendência de alta nos preços no período.
Apesar de, no acumulado de 2025, o preço da cerveja acompanhar o IPCA de perto (3,28% da bebida contra 3,31%), o último quadrimestre mostra um descolamento da inflação geral, com 0,11% em maio, 0,36% em junho, 0,45% em julho e, agora, 1% em agosto. Já a inflação geral registrou uma certa estabilidade até o último mês, quando caiu mais enfaticamente. O IPCA foi de 0,26% em maio, 0,24% em junho e 0,26% novamente em julho, finalizando com os atuais -0,11% em agosto.

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O descolamento acontece também em relação ao próprio grupo de Alimentação e Bebidas, um dos grandes responsáveis pela deflação mostrada pelo IPCA no mês passado. A categoria teve queda gradual e contínua de 0,17% em maio para -0,46% no último mês. O mesmo ocorreu no subgrupo de Alimentação no domicílio, que saiu da mesma forma de 0,02% para -0,83% no mesmo período.
De acordo com o IBGE, a cerveja também ficou mais cara fora de casa. No subgrupo de Alimentação fora do domicílio, a inflação da cerveja teve o terceiro mês consecutivo de altas, registrando -0,17% em junho, 0,06% em julho e 0,42% em agosto.
Nos últimos 12 meses, a inflação cervejeira acumulada é de 5,79% contra um IPCA de 4,42%. Ou seja, uma diferença é de 1,37 pontos percentuais a mais da inflação geral.
Inflação da cerveja por cidades
Somente duas das 15 cidades pesquisadas pelo IBGE em agosto tiveram deflação na cerveja: São Luiz (MA), com -0,12%; e Belém (PA), com -0,4%. A cidade com a maior inflação cervejeira no mês passado foi Fortaleza (CE), com 2,63%.
Já no acumulado de 2025, a Grande Vitória detém o recorde de maior índice até agora: 5,71%. O menor é de 0,69%, registrado no Rio de Janeiro. A capital carioca também tem a menor inflação cervejeira dos últimos 12 meses. Apenas 1,37%. Já Recife teve maior variação de preço, com 10,4% no mesmo período.
Produção industrial
Já a produção industrial de Bebidas Alcoólicas teve uma queda acentuada no mês de julho, o mais recente a ser pesquisado pela PIM-PF (Pesquisa Industrial Mensal — Produção Física) do IBGE. O índice caiu 15,4% em relação a julho de 2024 na série que já considera ajustes sazonais. No acumulado do ano de 2025, a queda foi de 3,6% até agora. Já nos últimos 12 meses, essa classe industrial acumula queda de 3%.
Como comparação, a produção de Bebidas Não Alcoólicas também registrou queda em julho de 1,1% frete ao mesmo mês de 2024, sendo que acumula uma baixa de 1,5% desde janeiro deste ano e 2,5% nos últimos 12 meses.
A própria seção de Bebidas registrou uma grande queda de 8,8% em relação a julho de 2024, a terceira maior entre as 25 atividades pesquisadas, perdendo apenas para Impressão e Reprodução de Gravações (-29,1%) e Produtos Diversos (-12,2%). Se for considerado o acumulado do ano de 2025, Bebidas tem baixa de 2,6%. Nos últimos 12 meses, caiu 2,8%. E nesse caso, para a seção geral de Bebidas, a pesquisa mostra a variação mensal, que foi de queda de 2,2% em relação a junho de 2025.
A produção industrial geral registrada pela PIM-PF foi de queda de 0,2% em julho em relação ao mês imediatamente anterior e crescimento de 0,2% na comparação com o mesmo mês de 2024.
No acumulado do ano, o crescimento da Produção Industrial é de 1,1%. Porém, de acordo com a pesquisa, há uma considerável perda de ritmo nos últimos meses. Desde abril, o comportamento dos números é predominantemente negativo, período em que acumulou perda de 1,5%.


