A água é indispensável para a cerveja. Além de compor cerca de 90% do produto, ela é utilizada em vários processos numa cervejaria, como resfriamento e limpeza. E em épocas em que cidades como São Paulo (SP) enfrentam a ameaça de uma nova crise hídrica, é bom saber que a Indústria cervejeira reduziu o uso de água em 40% nos últimos 15 anos.
O dado é um dos destaques no Relatório de Sustentabilidade do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), documento inédito lançado nesta quarta-feira (17) em cerimônia no Salão Nobre da Câmara dos Deputados. O documento, elaborado pela primeira vez pela entidade que representa 12 associados responsáveis por 85% da produção nacional, também registra avanços expressivos em reciclagem, reuso de embalagens, transição energética e impacto social ampliado.
O relatório está disponível na íntegra no site do Sindicerv.
Relatório de sustentabilidade Sindicerv
O relatório é uma construção coletiva de empresas de diferentes portes, regiões e perfis em prol de uma agenda positiva comum. E o impacto é grande, dado o peso econômico e social do setor cervejeiro no Brasil. Trata-se de uma das maiores cadeias produtivas do país, gerando 2,5 milhões de empregos diretos, indiretos e induzidos, respondendo por 2% do PIB brasileiro e contribuindo com mais de 50 bilhões de reais em impostos anuais.
Ao reunir doze associadas em um mesmo documento, o Sindicerv demonstra a maturidade de um ecossistema capaz de influenciar comportamentos, acelerar soluções e ampliar resultados sustentáveis em escala.
Para Priscilla Gurgel, gerente de Sustentabilidade do Sindicerv, o documento inédito simboliza uma virada de chave na forma como o setor encara o seu papel no país. “Reunimos dados, iniciativas e compromissos de empresas muito diferentes entre si, mas que compartilham um mesmo propósito. Este Relatório mostra que a sustentabilidade é uma força estruturante do setor cervejeiro, guiada por ciência, inovação e pelo respeito às pessoas que fazem essa cadeia acontecer. É um documento vivo, que orienta decisões e inspira novos avanços.”
O presidente-executivo do Sindicerv, Márcio Maciel, reforça que a sustentabilidade faz parte da identidade da indústria. “A cadeia da cerveja move o Brasil. Gera emprego, renda, inovação e desenvolvimento. O lançamento deste Relatório prova que podemos ir além: crescer, preservando recursos, acelerando a transição energética, valorizando catadores e fortalecendo as comunidades. Quando a cerveja avança com responsabilidade, todo o país avança junto.”
Indústria cervejeira e o uso de água
Em 2011 a indústria da cerveja tinha um consumo de água 4,3 litros para produzir cada litro de cerveja. Já em 2014, com o avanço da tecnologia e investimentos do setor, ele chegou a 2,6 litros em média. Segundo o documento do Sindicerv, essa melhoria representa uma economia de 161,93 bilhões de litros de água no período. É um volume capaz de abastecer uma cidade de 2,9 milhões de habitantes (como Brasília) por um ano.
Grandes e pequenas cervejarias estão juntas na preocupação e nos investimentos para melhor utilização dos recursos hídricos. A Ambev, por exemplo, economizou cerca de 56,1 mil m³ de água por mês somente com a água de reúso utilizada nos processos industriais. Já o Grupo Heineken alcançou uma redução de 18% no consumo desde 2022 por meio de inovações tecnológicas e melhorias nos processos de produção e reaproveitamento, de acordo com o relatório.
Cervejarias artesanais também estão definindo metas de melhorias. A Stannis, de Jaraguá do Sul (SC), colocou como objetivo reduzir o uso para 6 litros em 2026 e 4 litros em 2027. A Quatro Poderes, de Brasília (DF), atua com o Ação Água, programa de otimização de recursos e tem meta de redução de 10% no em 2025 e 5% adicionais em 2026.
Embalagens e transição energética na indústria cervejeira

Entre os destaques do relatório estão as melhorias em embalagens. A reciclagem de latas de alumínio chegou a 97,3% em 2024, mantendo o Brasil entre os líderes globais do setor. Mais de 33,5 bilhões de unidades retornaram ao ciclo produtivo e podem voltar às prateleiras em apenas 60 dias, em média. A indústria cervejeira representa mais da metade do mercado brasileiro de latas.
A reciclagem de vidro também avançou, impulsionada pela Circula Vidro, iniciativa que reúne indústria, entidades e fabricantes para transformar o material. Uma mesma garrafa de cerveja é reutilizada, em média, 25 vezes. Hoje mais de 80% do portfólio de vidro é retornável.
O relatório também evidencia o avanço da indústria na transição energética, uma das pautas ambientais mais urgentes do mundo. Praticamente 100% da energia elétrica utilizada pelas associadas já vem de fontes renováveis, seja por autogeração — como parques solares eólicos —, seja por contratos de compra de energia limpa. A frota elétrica em expansão (cerca de 400 caminhões elétricos são usados nas operações de transporte) reforça esse compromisso. Além disso, reduz emissões diretas, aproximando o setor das metas de descarbonização.
Meio ambiente e impacto social do setor cervejeiro
O documento também destaca o conjunto de ações de cunho ambiental: cerca de 3 milhões de árvores plantadas, 2.780 hectares de matas nativas restauradas, 11 mil hectares de áreas de conservação mantidas.
Além disso, há destaque no campo social. O setor demonstra que resultados ambientais expressivos dependem, sobretudo, de pessoas, ao reconhecer, apoiar e fortalecer o trabalho essencial dos catadores e das cooperativas na economia circular. Essa combinação entre tecnologia e humanidade torna possível transformar resíduos em recursos e inclusão social em impacto permanente.
O consumo consciente também é destaque no documento. Ele ressalta o aumento dos portfólios de bebidas com menor teor alcoólico e sem álcool e o crescimento expressivo do volume de produção desses produtos. Também há ações visando promover a moderação e combater o uso nocivo de bebidas alcoólicas.


