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Catharina Sour vira tema de artigo em revista científica internacional

A cena cervejeira brasileira acaba de conquistar um novo patamar de reconhecimento global, e desta vez o brinde acontece dentro das universidades. A Catharina Sour, o primeiro estilo de cerveja brasileiro a ser registrado em um guia de estilo, é o foco central de um artigo científico publicado recentemente na prestigiada revista Food Chemistry Advances. O periódico pertence ao grupo Elsevier, uma das maiores e mais respeitadas potências da literatura científica mundial. A sommelière e doutora Amanda Felipe Reitenbach assina o trabalho.

Intitulado “Catharina Sour: Innovation in the first Brazilian craft beer style — From tradition to the sensory exploration of Brazilian tropical fruits”, o estudo não se limita apenas à receita. Os pesquisadores entregam uma análise técnica profunda que passa pela origem histórica, a consolidação no mercado e os processos produtivos que tornam esse estilo único. O estudo destaca como o uso estratégico de frutas tropicais, aliado aos processos de fermentação láctica e mista, cria uma identidade sensorial. Essa combinação reflete a biodiversidade nacional e a capacidade de inovação da cena artesanal brasileira.

A publicação reforça a importância do reconhecimento oficial da Catharina Sour pelo Beer Judge Certification Program (BJCP). O artigo explora como o uso de técnicas de fermentação láctica e mista permite que as características das frutas se destaquem, equilibrando acidez e frescor.

Além dos aspectos químicos, as pesquisadoras discutem os desafios tecnológicos da produção e o crescimento do estilo em competições. O texto aponta o grande potencial de expansão da Catharina Sour no mercado global de cervejas artesanais, no qual a demanda por sabores autênticos só cresce.

Colaboração pela Catharina Sour

O desenvolvimento desta pesquisa foi liderado pela Dra. Amanda Felipe Reitenbach durante seu pós-doutorado no Programa de Pós-Graduação em Ciência dos Alimentos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Sob a coordenação da Dra. Vivian Maria Burin, uma referência na área, o estudo contou com uma rede de colaboração internacional invejável. Participaram do projeto especialistas da Technical University of Munich (TUM), através do renomado Centro Weihenstephan, com a contribuição fundamental do Dr. Martin Zarnkow.

A rede se estendeu até Portugal, por meio do Centre for Food Education and Research (Fundão, Castelo Branco), com o pesquisador Dr. Julio Cesar Machado Junior., fortalecendo o intercâmbio entre Europa e América Latina. No Brasil, a parceria estratégica com a Dra. Grace Ferreira Ghesti, da Universidade de Brasília (UnB), consolidou a supervisão científica em biotecnologia e fermentação.

Para quem trabalha no setor, a publicação consolida academicamente a Catharina Sour não apenas como um produto comercial, mas como um objeto de estudo. O trabalho valoriza os ingredientes locais e a capacidade técnica dos nossos pesquisadores e mestres cervejeiros brasileiros.

Para conferir o estudo completo, o artigo está disponível no portal ScienceDirect.

Luís Celso Jr.
Luís Celso Jr.
É jornalista, escritor e sommelier de cervejas. Formado pela PUC-PR, se especializou em jornalismo digital e em gestão de Pequenas e Médias Empresas (FIA Business School). No ramo da cerveja, foi premiado no 1º Campeonato Brasileiro de Sommelier de Cervejas em 2014, defendo o Brasil no mundial em 2015. É professor do Instituto da Cerveja, juiz de concursos nacionais e internacionais (National BJCP), consultor e fundador do BarDoCelso.com — blog mais antigo de cerveja da internet brasileira que completa 20 anos em 2026. Premiado no Edital Fermenta!, é autor do livro “Uma viagem pela história da cerveja no Brasil” (no prelo).
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