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Brasil tem o melhor desempenho de todos os tempos no World Beer Cup

O World Beer Cup, o concurso de cervejas mais importante do mundo, anunciou no final de abril os vencedores da edição 2026, que comemora 30 anos da competição. Com quatro cervejarias nacionais conquistando cinco medalhas, o país alcançou um desempenho histórico e excepcional. Mas, no calor do momento e na alegria das comemorações, alguns fatos podem ter passado despercebidos pela falta de reflexão sobre os números.

Portanto, a reportagem do Guia da Cerveja escrutinou todos os detalhes desta e das edições passadas do evento e trouxe a análise completa para você não perder nenhum lance.

Melhor desempenho de todos os tempos no World Beer Cup

Ao todo, as cervejarias brasileiras conquistaram 23 medalhas desde a primeira edição do World Beer Cup, organizado pela Brewers Association (BA) nos Estados Unidos em 1996. A entidade realizou 17 edições até hoje, inicialmente de dois em dois anos e, a partir de 2022, anualmente.

O desempenho do Brasil este ano empata com o evento de 2018. Mas, por conta do tipo das medalhas conquistadas, foi o melhor ano do país na “Copa do Mundo” das cervejas em todos os tempos.

Em 2018 foram dois ouros (Wäls Brut e Tupiniquim Pecan Imperial Stout), uma prata (Lohn Bier Carvoeira) e dois bronzes (Leuven Irish Red Ale e ZOZ #3 Golden). Já em 2026 foram três ouros (Kaptain Lisa da Stannis, Terminus 2026 da Daroravida e Catharina Sour Caju & Pitanga da Unika), com uma prata (The Famous Gose – Morango & Pitanga, da Unika) e um bronze (Frutas Vermelhas 277 – Wood Aged, da 277 Craft Beer).

Para determinar as melhores cervejarias de cada edição, muitos concursos utilizam um sistema de pesos para cada medalha: ouro valendo três pontos, prata com dois e bronze com um. Não é o caso do WBC. Mas se o mesmo critério fosse aplicado aqui, 2026 teria um total de 12 pontos contra dez da edição 2018.

O domínio das cervejas ácidas

Outro destaque é a quantidade de cervejas ácidas brasileiras premiadas no World Beer Cup. Dos 23 prêmios conquistados pelo Brasil ao longo dos anos, seis foram para diferentes estilos de cervejas ácidas — também conhecidas como Sour Beers. O que faz desse grupo o mais premiado nacionalmente.

O estilo que mais se destacou entre as premiações brasileiras foi o Gose, um tipo de cerveja alemã ácida e levemente salgada. Foram três medalhas, todas em versões com frutas típicas do Brasil.

Em 2024, Goiabinha (feita com goiaba), da Cervejaria Suricato (RS), foi premiada com medalha de ouro. Em 2025, o topo do pódio foi conquistado pela Canoa Quebrada (caju) da 277 Craft Beer (PR). Este ano, foi a vez da The Famous Gose – Morango e Pitanga, da Cervejaria Unika (SC), faturar a prata.

Ampliação da presença brasileira no World Beer Cup

Além disso, é notável que todas essas seis medalhas para cervejas ácidas tenham sido recebidas apenas nos últimos três anos. Ao todo, foram 11 medalhas conquistadas nesse período. Ou seja, as Sours correspondem a 55% dos prêmios recentes.

Esse período coincide com o estabelecimento da parceria entre a Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) e a BA. Por meio dessa colaboração, a entidade nacional oferece inscrições gratuitas para as cervejas premiadas com medalhas de ouro na etapa final do seu concurso próprio, a Copa Cerveja Brasil.

Com isso, o Brasil vem ampliando sua presença na “Copa do Mundo” das cervejas também em inscrições. Nosso país foi o quinto com mais cervejas inscritas no World Beer Cup 2026, totalizando 164 amostras de 37 cervejarias.

Cervejarias mais premiadas

Com o prêmio deste ano, a 277 Craft Beer, inaugurada em 2019 em Foz do Iguaçu, no Paraná, passou a ser uma das três cervejarias mais vencedoras no World Beer Cup. Todas possuem três condecorações. E o desempate também poderia ser feito pela pontuação, de acordo com o tipo das medalhas.

Se fosse assim, a Wäls permanece em primeiro lugar desde 2018, quando faturou medalha de ouro pela Wäls Brut. Ela já tinha um ouro e uma prata conquistados em 2014 pela Wäls Dubbel e Wäls Quadruppel, respectivamente. Fundada em 1999 em Belo Horizonte, em Minas Gerais, a cervejaria foi adquirida em 2015 pela Ambev e soma oito pontos.

A 277 Craft Beer aparece em segundo lugar, também com dois ouros (Quadruppel 277 e Canoa Quebrada em 2025), mas com um bronze este ano com a Frutas Vermelhas 277, totalizando sete pontos.

Por último, vem a Cervejaria Antarctica com uma medalha de bronze e uma de prata para a Cerveja Antarctica em 1996 e 1998, além de uma de prata para a Kronenbier em 1998, somando cinco pontos.

Campeão da América Latina

Atualmente, o Brasil também ocupa o papel de país mais premiado da América Latina. Entre as 23 conquistas do nosso país no concurso, estão 11 medalhas de ouro, sete de prata e cinco de bronze.

Em segundo lugar vem o México, com 20 medalhas (cinco ouros, seis pratas e nove bronzes). O país é vizinho dos Estados Unidos e por isso tem grandes vantagens logísticas em relação ao Brasil. 

A Argentina ocupa a terceira colocação com 12 prêmios, sendo quatro medalhas de cada tipo.

A premiação completa da edição 2026 e o histórico de medalhas do World Beer Cup estão disponíveis no site oficial do concurso.

Luís Celso Jr.
Luís Celso Jr.
É jornalista, escritor e sommelier de cervejas. Formado pela PUC-PR, se especializou em jornalismo digital e em gestão de Pequenas e Médias Empresas (FIA Business School). No ramo da cerveja, foi premiado no 1º Campeonato Brasileiro de Sommelier de Cervejas em 2014, defendo o Brasil no mundial em 2015. É professor do Instituto da Cerveja, juiz de concursos nacionais e internacionais (National BJCP), consultor e fundador do BarDoCelso.com — blog mais antigo de cerveja da internet brasileira que completa 20 anos em 2026. Premiado no Edital Fermenta!, é autor do livro “Uma viagem pela história da cerveja no Brasil” (no prelo).
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