Há pouco mais de 15 dias do 1º turno das Eleições 2026, a indústria cervejeira nacional entra em um momento decisivo. Ainda sem muitas das definições sobre a Reforma Tributária, a começar pelas alíquotas do novo Imposto Seletivo (IS), as urnas vão definir os representantes do executivo e do legislativo que vão ditar os rumos do país, da regulação do setor e do ambiente de negócios para toda a cadeia de bebidas. Não se trata apenas de escolher a representação, mas também de garantir a sustentabilidade e a competitividade de um segmento vital para a economia brasileira.
E o setor é grande. O Brasil é o terceiro maior produtor de cerveja do mundo, respondendo por 8% da produção global. São mais de 15 bilhões de litros anualmente, fabricados por 1.954 cervejarias em operação em 794 municípios, segundo o Anuário da Cerveja do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A cadeia cervejeira responde por cerca de 2% do PIB, gera 2,5 milhões de empregos diretos, indiretos e induzidos e recolhe aproximadamente R$ 50 bilhões por ano em tributos.
Pouco antes de encerrar seu ciclo à frente do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), finalizado na sexta-feira (11), o então presidente-executivo Márcio Maciel conversou com o Guia da Cerveja para analisar esse cenário de incertezas e oportunidades. À frente da entidade desde janeiro de 2023, Maciel liderou uma fase de forte expansão e maturidade institucional: ampliou a base de associados, lançou o primeiro Relatório de Sustentabilidade do setor, acompanhou recordes históricos de produção nacional e trabalhou de perto nas complexas discussões da Reforma Tributária.
Com bagagem acumulada em relações institucionais e governamentais no ambiente corporativo e em entidades de classe, Maciel traz uma leitura afiada sobre a urgência do voto consciente e os pleitos prioritários das cervejarias, que vão da preservação da carga tributária ao incentivo aos pequenos produtores.
Qual o impacto que as eleições em geral, e em específico o pleito deste ano, podem ter no setor da cerveja?
O principal impacto para as Eleições 2026 é que vamos eleger os novos parlamentares e os chefes do executivo, que são as pessoas que regulam o nosso setor. E pelo setor de bebidas alcoólicas, em especial de cervejas, ser extremamente regulado, qualquer alteração é importante porque essas pessoas podem definir novas regulações, mudar a regulamentação, enfim, afetar de maneira estrutural o nosso trabalho.
Quais são os pleitos do setor para os candidatos nas Eleições 2026?
Nossos principais pleitos envolvem o tema da reforma tributária. O que a gente pede é para não ter aumento de carga para a indústria cervejeira, que a gente tenha definição das alíquotas e que as alíquotas respeitem a questão da diferenciação por teor alcoólico. Quanto mais álcool a bebida tem, mais imposto ela paga, conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda. Também defendemos o tratamento diferenciado para pequenos produtores de bebidas de forma geral. A depender do volume de produção, que eles eles tenham um desconto no imposto seletivo.
Como o setor pode escolher melhores candidatos para se sentir representado?
Acho que a melhor forma de escolher os candidatos é conhecendo o histórico deles e saber quem de fato luta pela indústria nacional, pela geração de empregos — lembrando que a indústria cervejeira é uma usina de gerar empregos. E, óbvio, pessoas com histórico limpo e sério de trabalho. Acho que esse é o melhor drive para escolher os candidatos.
A vida política não acaba quando as eleições terminam. Como continuar monitorando os candidatos eleitos e suas propostas? Como continuar participando da vida pública?
Isso envolve muito a participação cívica de cada um. Mas, principalmente, quando a gente está falando em negócios, em empresas, é a participação ativa dentro de entidades de classe que representam o setor. Como, por exemplo, o Sindicerv. Então, Sindicerv, Abracerva, outras entidades também fazem esse trabalho.
Então, seria super importante estarem ativos na vivência associativa, fazerem parte de uma associação, para estarem sempre engajados. Porque no final das contas, quando a gente se une, mostra força, mostra coesão nos pedidos, nos pleitos que a gente apresenta para os governos, a gente acaba tendo uma maior chance de sucesso.
E acho que esse é o papel que cabe ao cidadão, não só ao consumidor de cerveja, mas a todo mundo. Estar atento ao que está sendo discutido, ver como isso afeta o seu dia a dia e ver se as decisões estão sendo tomadas são as melhores de fato para a gente gerar empregos, garantir o bem-estar da população e ter uma economia em um país cada vez mais sustentável.
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