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Alta na demanda gera ruptura de estoque de cerveja nos mercados em setembro

  • Segundo Índice de Ruptura da Neogrid, cerveja foi único item a apresentar falta de produtos nas prateleiras
  • Motivos incluem alta nos preços, baixa na produção, ajustes de estoques e a crise do metanol em destilados

A cerveja foi o único item a apresentar ruptura de estoque nas prateleiras dos supermercados em setembro, de acordo com o Índice de Ruptura da Neogrid — indicador que busca mensurar a falta de produtos nas gôndolas. O índice monitora diversos bens de consumo mensalmente. Contribuíram para essa maior indisponibilidade da bebida o aumento nos preços, queda na produção, ajustes de estoque e a crise do metanol, que teve início no final de agosto.

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Para entender como o índice se expressa, imagine um varejo que trabalha com dez marcas diferentes de cerveja de 600 ml. Se faltar uma dessas marcas, a ruptura será de 10%. Em setembro, o aumento na indisponibilidade de cerveja nas gôndolas dos supermercados foi de 12,8%. Em agosto, o indicador havia sido de 12,1% e, em julho, de 9,4%.

O índice de ruptura de estoque de setembro foi mais alto que o de dezembro de 2024, mês de verão onde naturalmente a demanda é maior e rupturas são mais comuns.

Índice de ruptura da cerveja
set./2410,2%
out./2410,7%
nov./2411,4%
dez./2412,0%
jan./2511,2%
fev./2510,0%
mar./259,9%
abr./258,8%
mai./258,9%
jan./259,6%
jul./259,4%
ago./2512,1%
set./2512,8%

Alta de preços

O aumento na ruptura de estoque da cerveja veio acompanhado de alta de preços em todas as versões avaliadas. A variação média de agosto para setembro de 2025 foi:

  • Artesanal: de R$ 19,93 para R$ 21,63
  • Escura: de R$ 14,78 para R$ 15,84 
  • Clara: de R$ 13,56 para R$ 14,68 
  • Sem álcool: de R$ 15,51 para R$ 16,29 

Dados do IPCA, o índice que mede a inflação oficial do país, confirmam a elevação de preços. Em setembro, a inflação da cerveja fechou com alta de 0,64%, acima da inflação geral do país.

Contexto desafiador e ruptura de estoque

O comportamento da categoria reflete um contexto produtivo desafiador. Dados do IBGE indicaram uma queda de 11% na produção de bebidas alcoólicas em agosto, reacendendo a preocupação com o volume das cervejarias no terceiro trimestre.

Além dos ajustes de estoque de grandes grupos visando a alta temporada de fim de ano, as baixas temperaturas no Sul e Sudeste (principais mercados consumidores) também contribuíram para diminuir o ritmo de consumo, segundo a Neogrid.

Outro ponto adicional foi a crise do metanol em destilados, que tem levado parte do público a migrar para a cerveja, segundo a Neogrid. 

Élida Oliveira
Élida Oliveira
Jornalista formada pela PUC-PR, escreve sobre economia, investimentos, educação, ciência e saúde. Tem passagens pelo Estadão, Folha de S.Paulo, g1, El País, UOL e InfoMoney. Sempre curiosa por aprender e informar.
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