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Fumaçônica: a cervejaria mais vitoriosa da 4ª edição do Prêmio Lata Mais Bonita do Brasil

A Fumaçônica Brewery pode não ter levado para Curitiba (PR), sua cidade natal, o prêmio de Lata Mais Bonita do Brasil de 2025. A grande vencedora foi a Go Brew, de Anápolis (GO). No entanto, a mala com certeza voltou pesada com os dois troféus conquistados no concurso da Associação Brasileira da Lata de Alumínio (Abralatas). A cervejaria ficou com o segundo e terceiro lugares, com as latas das cervejas Super Kunk IPA e Mango Sour Dream, respectivamente.

De acordo com a organização, as latas “usaram cores vibrantes e ilustrações marcantes, provando que o design impactante é crucial para as cervejas especiais”. E, de fato, as latas são bem chamativas.

A lata da Super Kunk IPA usa um verde fosforescente com detalhes em amarelo e rosa pink para traçar um caminho rodeado por palmeiras que leva a um cenário de pirâmides místicas. 

Já a arte do rótulo da Mango Sour Dream foi elaborada tendo o rosa pink como base, em um cenário igualmente idílico: há tucanos, macacos comendo cogumelos e um cenário de cachoeira que parece escorrer refrescante como imaginamos que a bebida deva ser. É mesmo um convite à degustação.

A história da Fumaçônica começou em 2012 com um grupo de amigos que se reunia para beber e conversar, e se consolidou como uma cervejaria em 2016. 

Mário Kleina, 35 anos, fundador e CEO da Fumaçônica, contou ao Guia da Cerveja que a cervejaria sempre teve a ideia mística de formar uma irmandade, com simbologias e estética atemporal — foi o que tentaram traduzir nas embalagens das latas. E eles não devem parar por aí. 

Kleina diz que, embora estejam felizes com a premiação, o objetivo para o ano que vem, quando completam dez anos de existência, será um só: buscar o lugar mais alto do pódio da Lata Mais Bonita do Brasil.

Confira, abaixo, a entrevista de Kleina ao Guia da Cerveja:

A lata da Super Kunk IPA ficou com o segundo lugar da categoria Cervejarias (Crédito: Divulgação / Fumaçônica)
A lata da Super Kunk IPA ficou com o segundo lugar da categoria Cervejarias (Crédito: Divulgação / Fumaçônica)

As latas da Fumaçônica ganharam dois prêmios (segundo e o terceiro lugar) no prêmio Lata Mais Bonita do Brasil. O que inspirou o conceito visual da cervejaria e quais foram os principais desafios e decisões tomadas para traduzir a identidade da marca em um design tão premiado?

A essência da Fumaçônica sempre partiu de uma ideia quase mística de uma verdadeira irmandade, que traz curiosidade, simbologias e uma estética atemporal que sobrevive ao hype e continuará relevante daqui a dez anos. O próprio nome “Fumaçônica” já provoca essa vontade de olhar duas vezes. E a lata precisava traduzir isso.

O design nasceu e, aos poucos, fomos explorando detalhes — da marca d’água aos símbolos escondidos — tudo foi pensado para convidar o consumidor a explorar a embalagem, descobrir outras camadas e sentir que existe algo além da superfície.

O maior desafio foi equilibrar identidade forte com simplicidade visual. A linha precisava ser impactante e, ao mesmo tempo, funcional no ponto de venda. Optamos pela estética vintage e minimalista, cores marcantes e uma iconografia que conversa com a narrativa da marca.

Qual é a importância de uma premiação focada no design da embalagem para o mercado da cerveja artesanal, que está cada vez mais competitivo?

Para nós, é literalmente um sonho realizado. É mais do que um prêmio de design: é o reconhecimento de todo um trabalho consistente de branding, que envolve narrativa, produto, estilo e propósito.

O visual é o cartão de visita, mas ela só funciona quando está sustentada por uma história verdadeira. No mercado atual, produto de qualidade é pré-requisito. O diferencial está na história que você conta, na forma como a marca se manifesta. E a lata é a nossa vitrine mais poderosa.

Muitas pessoas costumam colecionar latas de cerveja, seja para manter os rótulos mais raros à vista, ou para apreciar as artes nas embalagens. Houve a intenção de desenvolver uma lata colecionável da Fumaçônica?

Sim, sempre pensamos nas latas como objetos que poderiam ter vida além da geladeira. E isso acontece muito.  Muita gente transforma em vaso de planta, porta-objetos, peso de porta… Tem consumidor que não tem coragem de abrir a lata e deixa na prateleira como peça decorativa. A gente até brinca: “Abre logo e beba fresca, porque a arte continua lá mesmo assim” — mas é muito especial ver esse apego.

O design contribui para o sucesso da cerveja no ponto de venda? 

O impacto é direto e muito claro.  As cores vibrantes se destacam em qualquer geladeira. O nome desperta curiosidade. Os detalhes escondidos e a marca d’água criam uma sensação de profundidade (quando o consumidor descobre ele logo pensa “É isso!”. Quando ele prova a primeira, automaticamente quer provar as outras.

E algo que defendemos muito: o storytelling das receitas. Todas têm um contexto histórico. E dentro de um universo desconhecido para o consumidor, nossa missão como cervejaria é passar adiante essa informação. É impressionante como faltam informações básicas em muitos rótulos pelo Brasil. Nós queremos que a experiência seja completa.

Arte do rótulo da Mango Sour Dream foi o terceiro colocado da competição (Crédito: Divulgação / Fumaçônica)
Arte do rótulo da Mango Sour Dream foi o terceiro colocado da competição (Crédito: Divulgação / Fumaçônica)

Como o cenário cervejeiro de Curitiba se insere nessa disputa nacional? 

Curitiba é, sem dúvida, a pioneira do país. Temos cervejarias extremamente premiadas, uma cena vibrante e um público exigente, que força o mercado local a se superar. Além disso, a cidade é berço de grandes artistas, designers e ilustradores, o que cria um ambiente fértil para marcas inspiradoras. Por aqui colaboramos com muitos artistas locais. Cada um traz uma visão diferente, que conectada a nossa essência, é muito valiosa.

É natural que Curitiba apareça com força nesse tipo de premiação — existe cultura, profissionalismo e criatividade na veia da cidade.

Que mensagem ou sentimento vocês esperam que o consumidor leve para casa ao segurar uma lata Fumaçônica? Qual o papel do design na construção da comunidade e da fidelidade à marca?

A Fumaçônica nasceu para trazer leveza. A cerveja é quase uma desculpa para representar o estilo de vida que acreditamos: equilíbrio, natureza, esporte, boas conversas, aquela fumaça jogada para o alto enquanto o mundo segue caótico.

Queremos que, ao olhar para a lata, a pessoa sinta identificação imediata com essa forma gostosa de viver. O design é o portal que conecta tudo isso. Ele aproxima, cria comunidade e transforma consumidor em fã.

O que vocês estão planejando para os próximos lançamentos?

Para os próximos lançamentos vamos explorar novas cores, texturas e acabamentos. Também estamos estudando personalizações com fornecedores — desde tampas até anéis especiais. Pode parecer pouco, mas para nós tudo isso faz muito sentido.

Há planos para a premiação do próximo ano?

Com certeza. Temos lançamentos importantes chegando — meses de trabalho, pesquisa estética e narrativa. Queremos colocar na rua rótulos que contêm novas histórias, que surpreendam e que perpetuem a identidade Fumaçônica. Estamos muito felizes com o 2º e o 3º lugar… mas o objetivo é claro: buscar o título de lata mais bonita do Brasil.

Élida Oliveira
Élida Oliveira
Jornalista formada pela PUC-PR, escreve sobre economia, investimentos, educação, ciência e saúde. Tem passagens pelo Estadão, Folha de S.Paulo, g1, El País, UOL e InfoMoney. Sempre curiosa por aprender e informar.
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