Durante anos, a indústria de bebidas operou sob uma premissa quase inquestionável: a Geração Z estava virando as costas para as bebidas alcoólicas, preferindo a sobriedade e o bem-estar. No entanto, uma nova pesquisa acaba de derrubar esse mito. Segundo a mais nova edição do levantamento global Bevtrac, conduzida pela consultoria especializada IWSR, os jovens atingiram o mesmo patamar de consumo de álcool do resto da sociedade.
A pesquisa mostra que, em 15 mercados-chave globais, 74% dos consumidores da Geração Z com idade legal para beber consomem álcool atualmente. O número é praticamente idêntico à taxa geral de participação média dos adultos em geral, que é de 76%. O contraste com o que se achava até pouco tempo atrás é grande: há apenas três anos, esse índice entre os mais jovens era de 66%, segundo reportagem do site The Drinks Business.
A Geração Z é composta pelos nascidos entre 1997 e 2012, que têm hoje de 13 a 28 anos. “A narrativa de que a Geração Z é a geração da moderação está definitivamente desmentida”, cravou Marten Lodewijks, presidente e diretor-geral da IWSR. “A evidência demonstra que eles gostam de beber aproximadamente nos mesmos níveis que o resto da sociedade”.
Os Boomers estão esvaziando os copos
Se o mercado procurava a “geração da moderação”, estava olhando para o lado errado da pirâmide etária. A pesquisa mostra que são os Baby Boomers que estão reduzindo drasticamente o consumo.
Os Boomers — nacidos entre 1946 e 1964, atualmente com idade de 61 a 79 anos — registraram a menor taxa de participação de qualquer geração (71%), com uma queda de dois pontos percentuais nos últimos três anos. Eles também são os que menos saem para beber e os que consomem o menor número de doses por sessão (uma média de apenas 2,6 doses). Caso a tendência se mantenha, Lodewijks alerta que o título de “geração da moderação” terá que ser transferido para eles.
Enquanto isso, os Millennials (nascidos entre 1981 e 1996, atualmente com 29 a 44 anos) continuam sendo o grande motor da indústria, liderando o consumo com uma taxa de participação de 81%, seguidos de perto pela Geração X (77%) — de 1965 a 1980, com 45 a 60 anos).
Geração Z não bebe menos, bebe diferente
A pesquisa da IWSR joga luz sobre outro ponto crucial para as marcas: a Geração Z não está rejeitando o álcool. Mas está reescrevendo as regras de como ele é consumido.
Eles preferem a complexidade das misturas. Um impressionante índice de 84% optou por coquetéis nos últimos seis meses, consolidando a geração como a maior entusiasta da coquetelaria.
A dinâmica social também mudou, com os jovens preferindo beber em grupos maiores. Aproximadamente um quinto deles (18%) relatou que sua última ocasião de consumo envolveu cinco ou mais pessoas.
Curiosamente, apesar de beberem como as outras gerações, eles são os mais propensos a ouvir recomendações médicas. Quase a metade (49%) afirma prestar atenção às diretrizes oficiais de saúde.
Moderação é uma mudança estrutural, não etária
Uma das conclusões da pesquisa da IWSR é que a moderação deixou de ser uma “modinha de jovem”. Ela se tornou uma macrotendência global que afeta todas as idades.
As pessoas não estão parando de beber, mas estão reduzindo a intensidade. A média global de consumo caiu de 4,4 para 3,9 doses por ocasião.
Trata-se de uma mudança de estilo de vida enraizada, e não apenas uma retração temporária causada por pressão econômica. Para as marcas que apostavam todas as suas fichas em linhas no-alcohol (sem álcool) focadas exclusivamente em atrair os jovens de 20 e poucos anos, é hora de recalcular a rota: a Geração Z já está no bar, com um coquetel na mão.


