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Porofil lança carbonatador com peça única e instalação simples

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Responsável pela conservação da qualidade da cerveja, proporcionando uma quantidade específica de gás carbônico, a carbonatação é uma das etapas fundamentais no processo de fabricação da bebida. Com o intuito de tornar mais fácil, ágil e econômico esse processo, determinante para a definição do perfil sensorial de uma cerveja, a Porofil desenvolveu um carbonatador que contribui para a dispersão do gás, sendo mais funcional pela facilidade de utilização e pela sua adaptabilidade.

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E, segundo Nelson Karsokas Filho, sócio-proprietário da empresa, a ideia para a nova linha de carbonatadores da Porofil veio de fora do país.

“Com a inspiração de uma tecnologia alemã, desenvolvemos uma linha de carbonatadores específicos, com o processo de injeção, incorporação e mistura sendo realizado dentro de uma peça blindada feita de acordo com as características da linha do cervejeiro. A peça recebida torna-se ‘plug and play’: conectou na tubulação, está pronta para uso”, explica Nelson.

O equipamento tem inúmeras vantagens para a realização da aeração e da carbonatação por uma cervejaria pela simplicidade da operação da sua peça única, que pode ser acoplada em um sistema já existente, conforme acrescenta o sócio da Porofil. Assim, os processos químicos da carbonatação podem ser feitos em linha e por recirculação.  

Está pronta para uso e não depende de montagem e desmontagem complexas. Isso inclusive favorece o uso de um mesmo dispositivo em diversos tanques dentro de uma mesma cervejaria

Nelson Karsokas Filho, sócio-proprietário da Porofil

Nelson também assegura que a nova linha busca tornar o processo de carbonatação mais rápido e econômico, pois há incorporação e homogeneização em uma única etapa. E garante que a peça tem risco reduzido de troca. “Por ser um sistema blindado, o risco de quebra ou danos aos elementos porosos é reduzido, de maneira que a vida útil do produto é maximizada.”

A Porofil, segundo ele, também se preocupa em fornecer soluções para diferentes tipos de clientes. Por isso, a sua linha de carbonatadores tem opções para grandes cervejarias, pequenas e até mesmo para os caseiros, variando de acordo com o dimensionamento necessário para o processo, que também depende de outras variantes, como o estilo da bebida a ser fabricada.

“O carbonatador Porofil é projetado conforme o fluxo do processo e é normalmente usado por micro e cervejarias de grande porte, com nossa linha padrão possuindo carbonatadores de 1 a 10m3/h com conexões Din, SMS e TC. Para os caseiros, temos pedras menores com conexões roscadas ou espigões, de maneira que conseguimos atender todas as necessidades, independentemente do tamanho do processo”, explica Nelson, destacando que a solução é construída de acordo com a demanda do cervejeiro.

Para ele, além de contarem com um equipamento adequado, as empresas também precisam realizar uma análise de todo o sistema para entender como a carbonatação pode se tornar mais eficiente. “O segredo é avaliar as necessidades, o tamanho da peça, a porosidade e o posicionamento delas no processo, seja em linha ou em tanque”, conclui o sócio da Porofil.


Carbonatador Porofil

Empresa: Porofil Filtros Industriais
E-mail: contato@porofil.com.br
Telefone: (11) 3090-8419 / (11) 98963-3746

A solução fornecida pela Porofil é um dispositivo de alta eficiência para processos de aeração e carbonatação de cervejas e bebidas gaseificadas.

Em novembro, Beer Summit e Beer Cup trarão acesso ao conhecimento e avaliações

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O fim de novembro no mercado cervejeiro virá com oportunidades de incremento do setor a partir de avaliações e acesso ao conhecimento. Afinal, será no penúltimo mês de 2021 que o Science of Beer Institute irá organizar o Brasil Beer Cup e o Beer Summit, eventos que funcionam como uma extensão um do outro.

“O julgamento de cervejas entrega avaliação sensorial qualificada para as cervejarias, servindo como uma ferramenta de estudo e monitoramento para os juízes. O congresso leva conhecimento cervejeiro para todo o setor, pois a divisão em trilhas segmentadas em diversas áreas do mercado proporciona que toda a cadeia seja contemplada. O congresso funciona como uma extensão do concurso, oportunizando acesso ao conhecimento através das palestras e falas de grandes referências do mercado”, explica Amanda Reitenbach, CEO do Science of Beer, ao Guia.

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O Brasil Beer Cup vai ocorrer de 21 a 24 de novembro, em Florianópolis, tendo curadoria do Science of Beer. E o concurso está com pré-inscrições abertas até o próximo sábado (25), com o valor promocional de R$ 230 por amostra. Depois da data, o preço será de R$ 290.

Podem se inscrever cervejarias comerciais de todos os portes da América Latina, assim como cervejeiros caseiros, que devem submeter suas criações do estilo Catharina Sour para avaliação e julgamento. O pré-cadastro, que fornece um voucher para posterior inscrição no sistema oficial, pode ser feito através do link, com o edital disponível no site do concurso.

Nesta edição, o Brasil Beer Cup terá um diferencial em relação a outros concursos cervejeiros: um software, o Beer Sensory, vai ser utilizado para avaliação das cervejas inscritas a partir de metodologias de análise sensorial, dando mais credibilidade e equidade ao julgamento.

O Brasil Beer Cup será o primeiro concurso internacional a utilizar a análise sensorial como ferramenta de monitoramento do painel, contando com um time de analistas sensoriais com doutorado na área. Assim, confirmamos que a ciência e tecnologia contribuem para garantir feedbacks mais qualificados e constante acompanhamento e evolução dos jurados

Amanda Reitenbach, CEO do Science of Beer

Beer Summit
Assim como em 2020, quando ocorreu a sua primeira edição, o Beer Summit será novamente online e está marcado inicialmente para os dias 29 e 30 de novembro. E é da experiência de uma edição anterior que a organização espera tirar ensinamentos – a partir do interesse exibido pelos participantes – para organizar a lista de convidados e os temas a serem debatidos nas trilhas segmentadas em 2021, formato do ano passado e que agora se repetirá.

“Baseado na experiência e feedbacks da última edição, estamos focando nos conteúdos que tiveram mais interesse e procura, tornando os temas muito mais atrativos”, antecipa a CEO do Science of Beer.

Em 2021, o Beer Summit vai contar com palestrantes de cinco continentes, com transmissão online e para todos os países. A ideia é promover, a partir da troca de experiências, a divulgação de conhecimento entre os diversos atores do setor cervejeiro em um período que, espera-se, será de retomada.

E, como detalha Amanda, o público terá acesso pelas duas semanas seguintes aos vídeos das apresentações do evento. “As palestras ficarão gravadas e disponíveis por mais 15 dias, para que todos possam ter acesso e revisar os conteúdos de maior interesse.”  

Menu Degustação: Loja da Van der Ale, temporada de cervejas da Mantiqueira…

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A semana das artesanais teve várias novidades envolvendo marcas e estabelecimentos de diferentes cervejarias. Na área de eventos, a Temporada Sabores e Cervejas, realizada pela Associação Cozinha da Mantiqueira, promete agitar Campos do Jordão (SP) até o fim de outubro. Entre as marcas, por sua vez, a Van der Ale agora passa a ter uma loja com várias atrações no bairro da Mooca, em São Paulo. E, em Petrópolis (RJ), a Sampler incrementou as atividades na sua brewhouse.

Por outro lado, a segunda edição do BCB São Paulo, importante evento de bebidas destiladas premium, optou por adiar o seu encontro presencial, agora remarcado para acontecer apenas em 2022.

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Confira estas e outras novidades do setor no Menu Degustação do Guia:

Drunkstore da Van der Ale
A Van der Ale anunciou a inauguração de uma VDA Drunkstore na zona leste de São Paulo, na Mooca. O endereço onde fica a fábrica passará a funcionar como um showroom para exposição, degustação e venda dos produtos da marca. Em breve, também irá oferecer cursos e oficinas com foco na propagação da cultura cervejeira. O intuito é, segundo a Van der Ale, popularizar o segmento e fomentar esse tipo de produção, apresentando-se como cervejaria e espaço de ideias. O imóvel em que está instalada a cervejaria e destilaria possui 150 m² e tem capacidade para receber até 15 pessoas, observando os protocolos de distanciamento. A casa abriga, hoje, uma mini fábrica de cerveja com capacidade para produzir 800 litros por mês e um pequeno alambique de onde pingam em torno de 25 litros de destilados sortidos.

Mais atrações da Sampler
A cervejaria Sampler, integrante da Rota RJ, está com novidades na sua brewhouse: todas as quartas-feiras vai ter Dose Dupla com chope de 300ml da Vila de Secretário. Já a quinta-feira terá o Growler Day. A Sampler Brew House fica no centro de Petrópolis e conta com 13 torneiras, que servem de laboratório para a própria marca e recebem também rótulos de cervejarias parceiras.

Humorista da Everbrew
O humorista Rodrigo Marques esteve em Santos para uma visita à obra da fábrica da Everbrew e oficializou sua posição como embaixador da marca. Com o acordo, Rodrigo passa a ser também integrante e apoiador do crowdfunding que está viabilizando as obras da fábrica na região do Mercadão. Em breve, ele também lançará uma linha de cervejas exclusiva junto à marca. O crowdfunding da Everbrew vai até 10 de outubro e possui a meta de arrecadar R$ 1 milhão, já tendo alcançado 86% deste valor.

Slod em expansão
A cervejaria Slod anunciou que, nos primeiros três anos no mercado, já triplicou seu número de funcionários, obteve um crescimento relevante na pandemia e passou a capacidade de produção de 20 mil litros por mês para 100 mil litros – o crescimento previsto para 2021 é de 108%. Com nove rótulos nas prateleiras, a Slod tem planos audaciosos para os próximos meses, com o lançamento de mais cervejas e a ampliação da planta industrial, prevista para novembro.

Campanha da Itaipava
A nova campanha da Itaipava, que começou a ser veiculada em TV aberta, conta com a participação de dois colaboradores da marca: um motorista e um ajudante de distribuição. A iniciativa abre a campanha de pré-verão da principal marca do Grupo Petrópolis e teve os participantes selecionados entre candidatos que trabalham em Salvador.

“Queremos homenagear os nossos colaboradores, que são tão importantes no dia a dia da cervejaria. Pensamos em uma campanha que desse protagonismo a eles, além, é claro, de ‘abrir alas’ para a nossa principal campanha do ano. Ninguém melhor do que o próprio funcionário da Itaipava para representar o nosso verão, afinal, são eles que levam a cerveja para o Brasil inteiro”, explica Eliana Cassandre, chefe de marketing da Itaipava e do Grupo Petrópolis.

Cervejas na Mantiqueira
A Associação Cozinha da Mantiqueira, sediada em Campos do Jordão e que reúne 32 bares, restaurantes, chocolaterias e cervejarias artesanais da região, promove até 31 de outubro a Temporada Sabores e Cervejas da Mantiqueira. Serão muitas atrações, como o Concurso Mestre Cervejeiro de Panela. Restaurantes e bares vão criar petiscos e pratos harmonizados com cervejas artesanais da região da Mantiqueira. Além disso, os consumidores ganharão copos colecionáveis como brindes.

BCB adiado
Em consenso com as marcas, o BCB São Paulo, importante evento de bebidas destiladas premium, decidiu adiar a próxima edição. Agora, o encontro presencial está marcado para acontecer entre os dias 21 e 22 de junho de 2022 no mesmo local, o Expo Barra Funda, na capital paulista. De acordo com os organizadores, a ideia é atender ao compromisso de realizar uma feira mais elaborada e segura para parceiros, expositores e visitantes, além de oferecer um ambiente adequado para as degustações e a vivência pura da experiência do bar, que é a essência do evento, além de permitir a conexão de atrações e conteúdos com os temas de relevância no mercado de coquetelaria.

Balcão do Profano Graal: Hildegard von Bingen, a cientista

Balcão do Profano Graal: Hildegard von Bingen, a cientista


Hoje, 17 de setembro, se comemora o dia de mais uma famosa santa cervejeira: a freira beneditina Hildegard von Bingen (1098-17/09/1179), muito conhecida no meio cervejeiro por ser a autora da mais antiga menção às propriedades conservantes e aromatizantes do lúpulo. Mestra do mosteiro de Rupertsberg na cidade de Bingen am Rhein, além de mística, teóloga e pregadora, Hildegard foi também poetisa e compositora, naturalista, dramaturga e médica. E neste texto eu quero chamar a atenção não para a sua atuação como religiosa, mas como cientista.

Segundo seus biógrafos, o fato de ela ter visões desde os 3 anos e sua saúde precária teriam sido os motivos principais que a destinaram à vida religiosa. Teria começado a escrever após ter uma visão na qual uma voz lhe falava: “Oh mulher frágil, cinza de cinza e corrupção de corrupção, proclama e escreve o que vês e ouves”.

Primeiro, porém, teve que superar o sentimento de que era incapaz e indigna de fazê-lo. Um sentimento certamente nascido dos preconceitos que existiam em seu tempo a respeito da moralidade e das capacidades físicas e intelectuais das mulheres. Apenas após a aprovação do papa Eugênio III (1145-1153), que encarregou uma comissão de teólogos de examinar os relatos das suas visões, é que Hildegard passou a se sentir confiante para escrever. Sua primeira publicação, intitulada Livro do Conhecimento dos Caminhos do Senhor (Liber scivias Domini – c. 1151), é de fato uma coleção de relatos sobre suas visões.

Dessa mesma época são suas primeiras composições musicais e poéticas conhecidas, assim como suas primeiras observações científicas da natureza e textos médicos. Entre 1151 e 1158, ela escreveu o seu tratado de medicina naturalista intitulado Livro das sutilezas das várias naturezas da criação ou Livro das propriedades das várias criaturas da natureza, dependendo da tradução (Liber subtilitatum diversarum naturarum creaturarum).

Sendo considerado o primeiro livro de ciências naturais escrito no Sacro Império Romano-Germânico, após a sua morte foi dividido em duas partes: Física ou Livro de medicina simples, dividido em nove livros; e Causas e Curas ou Livro da medicina composta, dividido em cinco livros.

A Física está dividida da seguinte maneira: Das Plantas (De Plantis), Dos Elementos (De elementis), Das Árvores (De Arboribus), Das Pedras (De Lapidibus), Dos Peixes (De Piscibus), Das Aves (De Avibus), Dos Animais (De Animalibus), Dos Répteis (De Reptilibus) e Dos Metais (De Metallibus). São descritas quase 300 plantas, 61 tipos de aves e animais voadores e 41 tipos de mamíferos. As descrições das plantas reduzem-se à classificação do seu “temperamento”, seguindo os princípios da medicina clássica: quentes, frias, secas ou úmidas. Mas o centro do trabalho é a apresentação dos seus usos médicos. É no primeiro livro, no capítulo 61, em que ela faz a sua famosa menção ao uso do lúpulo como um eficiente conservante natural para bebidas:

O lúpulo é quente e seco, tem umidade moderada e não é muito útil para beneficiar o homem, porque faz crescer a melancolia no homem, entristece a sua alma e oprime seus órgãos internos. Mas também, como resultado do seu amargor, ele mantém algumas putrefações fora das bebidas, às quais pode ser adicionado para que durem muito mais tempo

(CORNELL, 2009)

Atribui-se a esse livro o estatuto de ter sido a base para o estudo da Botânica durante toda a Baixa Idade Média até o século XVI. “Em Physica, Hildegarda descreve as substâncias médicas naturais disponíveis naquele tempo. Além da descrição dos elementos da natureza e de sua aplicabilidade para a prevenção e cura de doenças tanto físicas quanto mentais e espirituais, a obra parece ser um manual geral sobre a utilidade e o valor das substâncias mais comuns e abundantes na Criação, que são plantas, animais e minerais” (MARTINS, 2019, p. 163-164).

Em Causas e Curas, como sugere o próprio título, ela descreve as doenças e os remédios para curá-las. Como explica Maria Cristina Martins, Hildegard considerava o ser humano como um sistema complexo e interligado entre corpo, mente e espírito. O centro da sua exposição são os seus usos médicos. Dessa forma, sua medicina envolvia uma prática ao mesmo tempo mágica, religiosa e científica. Como explica Marcos Roberto Nunes Costa:

Aqui, mantendo-se em seu holismo, em que faz uma íntima relação entre corpo e alma, o homem e a natureza, o natural e o sobrenatural, Hildegarda defende que boa parte das doenças dos homens é consequência do pecado original, da perda da harmonia e da integração entre Criador e criatura, recusando-se a ver a doença como um assunto exclusivamente de ordem física, fazendo constantes conexões entre os males que afligiam a alma e aqueles de padecia o corpo

(COSTA, 2012, p. 193)

Muito menos conhecida do que o seu trabalho de botânica é a sua abordagem da sexualidade humana, feita tanto sob uma óptica teológica quanto fisiológica. Do ponto de vista teológico, comparava o desejo humano à fertilidade da terra, reconhecia que ele dava à luz uma infinidade de riquezas. Herdando parte da tendência condenatória do desejo e do prazer sensual de seu tempo, via o corpo como um instrumento da alma que devia ser disciplinado para que se formasse uma cooperação entre ambos, potencialmente confortável e prazerosa, e para que o objetivo primeiro da salvação da alma pudesse ser alcançado. Na sua abordagem fisiológica da sexualidade humana, fez uma análise detalhada do desejo e do prazer. Via o ato sexual entre homem e mulher dentro do matrimônio positivamente, comparando-o à música, e o corpo humano a um instrumento musical. Foi a primeira autora a escrever sobre sexualidade e ginecologia de um ponto de vista feminino.

No Livro das Obras Divinas, aborda as semelhanças e diferenças entre homens e mulheres. Os dois gêneros seriam complementares. Mas a mulher seria mais perfeita ou ontologicamente superior ao homem. Traçou um painel histórico dos papéis sociais tradicionalmente atribuídos às mulheres: a maternidade ou a vida religiosa. Não via nenhum deles como de todo satisfatórios, mas se manteve em uma posição ambivalente a esse respeito, com certeza pressionada pelo seu contexto.

Procurei mostrar aqui que a sua atuação vai muito além da descrição das propriedades do lúpulo, pela qual é mais conhecida. E tive que deixar de fora deste texto muitos outros aspectos da sua atuação como, por exemplo, na política. Uma vez que nas suas pregações denunciava os vícios do clero e combatia as heresias, exercia, também nessa área, uma atuação pública incomum para as mulheres de sua época, ainda mais no meio religioso.

Ela foi canonizada em 1584 pelo Papa Gregório XIII. E, em 2012, o Papa Bento XVI concedeu a ela o título de Doutora da Igreja. Uma prova de que ciência e religiosidade não precisam se opor uma à outra.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

CORNELL, Martyn. A short history of hops. Zytophile. 2009. Disponível em: http://zythophile.co.uk/2009/11/20/a-short-history-of-hops/. Acesso em 25/05/2021.

COSTA, Marcos Nunes. Mulheres Intelectuais na Idade Média: Hildegarda de Bingen – entre a medicina, a filosofia e a mística. Trans / Form / Ação. Marília, v. 35, 2012.

HILDEGARDA de Bingen. Wikipedia. Disponível em: Hildegarda de Bingen – Wikipédia, a enciclopédia livre (wikipedia.org). Acesso em: 02/09/2021.

MARTINS, Maria Cristina. Hildegarda de Bingen: Physica e Causae et Curae. Cadernos de Tradução. Número Especial, 2019, p. 159-174.

SILVA, Andréia Cristina Lopes Frazão da. Reflexões históricas sobre o saber médico e a prática da assistência. Anais da 4ª Jornada Científica CMS Waldir Franco. 2002.


Sérgio Barra é carioca, historiador, sommelier e administra o perfil Profano Graal no Instagram e no Facebook, onde debate a cerveja e a História

Bourbon County da safra 2020 chega com 100 unidades e lançamento em NFTs

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Uma edição limitada com apenas 100 unidades da safra 2020 da Bourbon County Stout, da Goose Island, chegou ao mercado brasileiro. Com 14,7% de teor alcoólico e 60 IBUs, ele é um dos rótulos mais cultuados mundialmente do setor. E vem com uma novidade: o lançamento especial em NFTs (tokens não-fungíveis).

Ou seja, quem comprar um dos 100 rótulos também terá acesso a um NFT da Bourbon County. Assim, a marca da Ambev uniu a raridade da cerveja com a unicidade do NFT, tecnologia que permite o registro de originalidade para obras digitais, através de certificados estabelecidos via blockchain.

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“Queremos anunciar esse momento de maneira especial. Os NFTs têm gerado cada vez mais interesse nas pessoas em um período em que o digital se une cada vez mais com o real”, destaca Guilherme de Almeida Aguiar, gerente de marketing de Goose Island.

Ao transformar a propriedade do rótulo em NFT, a tecnologia permite ao comprador ser o proprietário dos direitos de uma obra digital. A iniciativa é nova no Brasil, ainda mais no setor cervejeiro, mas tem se tornado uma febre mundial.

“Com essa iniciativa, levamos para os amantes dessa cerveja toda a experiência que ele já conhece ao poder degustá-la e ainda somamos esse momento com uma inovação dentro do universo cervejeiro no país, tornando-a definitivamente em um artigo digno de colecionador”, acrescenta Guilherme.

Criada pelo filho do fundador da Goose Island, Greg Hall, a Bourbon County é uma das cervejas mais raras do mundo, lançada apenas uma vez a cada ano. Essa imperial Stout é maturada em barris de uísque bourbon, elevando a complexidade da cerveja e deixando-a ainda mais aromática e saborosa, com as notas do bourbon.

Umas das suas safras, inclusive, já foi considerada a melhor do mundo no World Beer Cup, um dos principais prêmios cervejeiros do mundo. Agora, então, ajudará a Goose Island a entrar no mundo das NFTs.

O setor de cervejas artesanais mudou após os ataques racistas de um ano atrás?

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Há cerca de um ano, dois dos muitos casos de racismo que ocorrem diariamente na sociedade brasileira se deram dentro do setor de cervejas artesanais e ganharam “publicidade”: a Implicantes e a sommelière Sara Araújo sofreram ataques, que tiveram reações pontuais. Mas, na visão de profissionais do segmento ouvidos pelo Guia, incluindo os dois alvos diretos dos atos discriminatórios, o setor efetivamente pouco mudou desde então, a não ser por ações isoladas de marcas, sem, contudo, trazerem grandes efeitos práticos.  

Efetivamente, aliás, foi uma palavra utilizada por diferentes personagens consultados pela reportagem. E ela serve para destacar que a lógica excludente e preconceituosa pouco se alterou, pois poucas mudanças objetivas foram implementadas, como destaca Sara, apontando a reduzida diversidade nos cargos de liderança do setor.

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“Quando os atos de racismo se deram, contra a cervejaria Implicantes e, meses depois, contra mim, muitas pessoas vieram com discurso de que iriam se posicionar contra as violências raciais, mas, o que de fato mudou? Quantos CEOs negros foram contratados? Quantas líderes de equipes negras foram contratadas, qual mudança efetiva houve? Vi movimentos tímidos, mas estão longe de serem encarados como mudança”, analisa a sommelière.

Em 2020, um vazamento expôs mensagens de um grupo do WhatsApp com participação de figuras relevantes do setor de artesanais, que apresentaram posturas racistas em relação a profissionais negros do mercado cervejeiro, além de outros materiais de tom preconceituoso e com ofensas a mulheres. Muitas delas faziam referências diretas à sommelière, alvo de lamentáveis ataques sobretudo por defender, exatamente, o necessário combate ao preconceito.

Posteriormente, a divulgação de outros conteúdos levou à renúncia da gestão anterior da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva). Em outro momento, uma nova diretoria foi eleita, tendo à frente Nadhine França, primeira mulher a presidir a Abracerva – ela ficou no cargo de setembro de 2020 a julho de 2021.

“O setor quer ser inclusivo, mas ainda está engatinhando. Muita gente conhece a Implicantes, a Sara, mas não é suficiente só conhecer quem sofreu ataques. É preciso ir atrás de outras pessoas, conhecê-las, incluí-las. Está mudando, mas a inclusão ainda está muito lenta”, aponta Diego Dias, sócio-proprietário da cervejaria gaúcha.

Em 2020, a Implicantes foi bombardeada por manifestações racistas nas redes sociais. As mensagens reagiam à divulgação da campanha de financiamento coletivo que a marca, autodeclarada a primeira cervejaria criada e gerida por negros no Brasil, lançou para lidar com os efeitos da crise do coronavírus.

Mas houve reação diante do racismo contra a marca de cervejas artesanais. Além de levantarem o debate sobre o preconceito no setor e na sociedade, os atos tiveram como resposta imediata uma onda de apoio para a cervejaria do Rio Grande do Sul, que conseguiu atingir as metas do seu crowdfunding.

Ações pontuais
Para Eduardo Sena, publicitário, escritor e especialista em criação de conteúdo, há pouca efetividade e planos de longo prazo para colocar em prática mudanças na estrutura racista da sociedade, reproduzida dentro do segmento de cervejas artesanais, sobressaindo o que ele definiu como “ação de release”. Além disso, destaca que os ataques contra Sara e a Implicantes foram apenas dois exemplos da gravidade da questão racial.

“O segundo semestre de 2020 trouxe algumas iniciativas voltadas a mostrar a presença da mulher no mercado de cerveja, mas, de novo, sobre o recorte da mulher preta, efetivamente o que se viu foi muita ação de release”, lamenta Eduardo. “O racismo que vimos nos ataques à Implicantes e à Sara Araujo são apenas a ponta do iceberg. É preciso mudar na base do setor, fazer ações de dentro para fora, mexer nas estruturas, e isso, aparentemente, o setor ainda não está disposto a fazer e mesmo as marcas líderes, que deveriam capitanear esse tipo de movimento, ainda pecam em não colocar força em suas ações.”

Os profissionais ouvidos pelo Guia destacam que a suposta resolução de casos específicos e que tiveram grande repercussão dentro do segmento de cervejas artesanais pouco significam para resolver o que vários estudiosos definem como racismo estrutural, processo em que as condições de organização da sociedade reproduzem a subalternidade de determinados grupos que são identificados racialmente.

O pouco movimento que houve é, de fato, real ou apenas para não serem chamados de racistas? As pessoas estão mais preocupadas em não serem apontadas como racistas do que deixarem de serem racistas

Sara Araujo, sommelière

Sara também expõe a falta de oportunidade para negros no mercado, apontando que a presença em cargos de decisão é irrelevante, especialmente quando se lembra que eles são maioria na população brasileira.

“A população brasileira é composta de mais de 56% de pessoas pretas, segundo o IBGE. Colocar meia dúzia de pessoas negras em espaço de decisão é reforçar a estrutura racista e não lutar por equidade. Só irei acreditar em mudança efetiva quando pessoas negras não forem usadas como ‘token’ pelo mercado. Eu não acredito na narrativa do negro único. Mudança, para mim, é quando eu for sentar para conversar com uma equipe do mercado, ter no mínimo presente à mesa metade de pessoas iguais a mim”, destaca Sara.

A sommelière também relata que há iniciativas para que os negros até sejam ouvidos, opinando sobre o racismo, mas avalia que ações práticas não são adotadas depois disso pelas marcas de cervejas artesanais. “Houve um tímido movimento, mas não se alterou nada. Os rostos que continuo vendo dando as cartas no mercado cervejeiro são de pessoas brancas. Aliás, muitos deles chamam pessoas negras para conversar e ouvir o que elas têm a dizer, como se o problema do racismo fosse das pessoas pretas, e não põem em prática nada do que ouvem. Pelo contrário, continuam repetindo as mesmas práticas.”

Para além da reação a casos específicos, Leandro Sequelle, fundador da GrajaBeer, aponta que a sociedade e o setor de cervejas artesanais costumam, sim, se mobilizar em datas específicas para condenar o racismo, a homofobia e outras formas de preconceito, mas esquecem das temáticas na sequência. A luta e as demandas são diárias, acrescenta ele.

“Houve, sim, maiores participações e inclusões de profissionais negros, periféricos e LGBTQIA+ após os ocorridos. Mas confesso não ver isso com tanto entusiasmo. Sabe quando chega 8 de março e todo mundo lembra das mulheres? Chega 28 de julho e os LGBTQIA+ são a pauta? Novembro, comemorações e holofotes para os profissionais negros? Então. A galera não vive somente nas datas ditas comemorativas”, comenta Leandro, para depois complementar.

“Algumas coisas/eventos/grupos/pessoas seguem com as mesmas posturas e mentalidades que antes. Só mais atentos onde reproduzem suas falas. Acredito que levaremos mais do que um ano para sentir os reais impactos do mercado, mas minhas dúvidas podem servir como pulgas atrás das orelhas mais atentas”, acrescenta Leandro.

Para Eduardo Sena, após a exposição dos casos de racismo, até houve reações do setor cervejeiro. Mas, em sua visão, o segmento desperdiçou a oportunidade de iniciar uma modificação efetiva ao não dar sequência a essas iniciativas.

“Claro que a inclusão que buscamos não acontecerá de um ano para o outro, mas se ninguém entrar de cabeça nesse projeto, não acontecerá nunca. É fato que o assunto entrou em algumas pautas, ações aqui e ali foram aparecendo, mas até que ponto tudo isso não é o típico antirracismo de oportunidade, como o post preto depois de George Floyd?”, indaga Eduardo.

Ao mesmo tempo, Leandro pondera que os últimos 12 meses não foram fáceis para o segmento em função da crise econômica provocada pela pandemia do coronavírus. Assim, segundo ele, o contexto pode ter freado algumas iniciativas de inclusão. Mas a necessidade de sobrevivência e de tempo para implementar ações não pode se transformar em esquecimento, diz o fundador da GrajaBeer.

“Ainda estamos passando por um período no qual sobreviver (como pessoas, empresas e marcas) é de suma importância, e talvez não tenhamos tido possibilidades concretas de dar conta de projetos que gerem ações sócio inclusivas. Vejo players super dispostos a criar e colaborar com o crescimento do mercado através do estouro da bolha hegemônica, mas compreendo as poucas possibilidades ou passos lentos que andamos. Espero que após o passar da pandemia, e com a reorganização dos boletos, planilhas e logísticas, possamos discutir estratégias para o que eu entendo ser fundamental para a expansão do mercado – atingir novas camadas de públicos”, argumenta Leandro.

Já Diego Dias diz ter enxergado uma maior união na luta pela causa negra após os ataques racistas, exemplificando a atuação com a criação do coletivo Afrocerva. “Destaco a união de entusiastas e profissionais pretos por conhecer a Implicantes, a Sara e vários outros profissionais, e pela criação da Afrocerva. Estamos tentando fazer com que o coletivo tenha mais visibilidade”, diz o sócio da Implicantes.

Marketing?
O fundador da GrajaBeer questiona, inclusive, as motivações que envolvem algumas campanhas de combate ao racismo por marcas de cervejas artesanais. Para isso, lembra que o marketing mudou ao longo dos anos, com o uso do poder como estratégia de formato de comunicação sendo substituído pela inclusão.

Vivemos uma lógica de mercado que não aceita mais as campanhas clássicas de geração de desejo de consumo através do status como forma de poder. Hoje, o marketing é muito mais direcionado à inclusão, diversidade e responsabilidade social como forma de atrair os clientes. E isso me gera incertezas. O mercado craft aprendeu algo com os episódios de 2020? As mobilizações que ocorreram, e convites – aos ainda poucos representantes de diversidade do setor -, foram propostas de inclusão e conciliação com os nossos tempos ou somente ferramentas de marketing?

Leandro Sequelle, fundador da Graja Beer

Sara, assim, não enxerga que existam ações efetivas do mercado de cervejas para combater o racismo. Cita, inclusive, uma conversa com um profissional do setor, sobre uma espécie de mudança de foco, com abordagens sobre o racismo sendo substituídas por temáticas a respeito de pessoas com deficiência, para avaliar como o preconceito é tratado de modo superficial.

“Meses atrás ouvi de uma pessoa do mercado: ‘já falamos muito sobre racismo, agora, vamos falar sobre PCD’, como se pudéssemos varrer essa violência para debaixo do tapete, como se o racismo não estruturasse todas as relações sociais, como se não pudéssemos interseccionar essas violências. Enquanto não encaramos o racismo como ponto fulcral, não vamos ver alteração real, o que teremos é a reificação da tecnologia do racismo e nada mais”, critica Sara.

Além disso, Eduardo Sena avalia que algumas iniciativas, mesmo que possam trazer atenção para a causa antirracista, têm sido pouco efetivas para provocar mudanças efetivas no setor. 

“Criar uma cerveja com a marca de um movimento não é colocar essas pessoas em posições de decisão dentro das empresas, não é criar mais empregos para elas, não é fazer o dinheiro circular entre elas e realmente mudar vidas e o mercado. A pergunta que o mercado precisa responder é: e fora do Instagram, dos releases e do PR, vocês são realmente antirracistas?”, finaliza Eduardo.

Amazon lança ‘Loja da Cerveja’ e amplia oferta de artesanais no varejo online

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Mais uma gigante do segmento de varejo online passa a oferecer cervejas – e artesanais – no seu e-commerce. A Amazon iniciou nesta semana a operação da Loja da Cerveja, uma sessão exclusiva em seu site dedicada a compradores interessados na bebida.

São, ao todo, mais de 500 produtos oferecidos pela Amazon. Além das opções de cervejas mais tradicionais, o site da gigante da tecnologia também conta com extensa linha de artesanais. E ainda oferece copos, camisetas, acessórios e livros dedicados à literatura cervejeira.

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“O lançamento da Loja da Cerveja chega para trazer uma maior variedade de rótulos, incluindo centenas de novos produtos na Amazon.com.br, além de ter mais opções de produtos elegíveis a benefícios de frete rápido e gratuito”, afirma Melina Ioshii, líder da categoria de consumíveis da Amazon Brasil, em comunicado. “Neste lançamento, trabalhamos junto a centenas de marcas de cervejas tradicionais e artesanais, para que nossos consumidores tenham maior conveniência ao encontrar seus rótulos favoritos.”

Nesse início da operação, a Amazon oferece algumas promoções, como a possibilidade de compra de 5 cervejas da Colorado pelo preço de 4. Além disso, há opções de marcas como Antuérpia, Faxe, Leffe, Leopoldina, Paulaner, Paulistânia, Roleta Russa, Guinness e muitas outras. E o site também conta com Guias da Cerveja, com informações sobre estilo e harmonização com alimentos.

A ação da Amazon de oferecer a venda de cerveja em seu site se insere em um contexto mais amplo da empresa, que também passou a contar com a compra de itens de supermercado, como alimentos e bebidas, produtos de limpeza e cuidados especiais.

Com isso, a Amazon se aproxima da operação de alguns aplicativos que apresentaram expressivo crescimento no Brasil durante a pandemia do coronavírus, como o Rappi. Já o Ifood, outra plataforma de sucesso no ramo de entrega de comidas, adquiriu no ano passado o SiteMercado, um supermercado online e com delivery.

O movimento da companhia também se dá ao mesmo tempo em que outros importantes sites de varejo online têm expandido seu campo de atuação para o segmento de alimentos e bebidas. É o caso da Magalu, que possui oferta de cervejas artesanais e recentemente adquiriu um aplicativo de delivery focado em alimentação, o Aiqfome. A Americanas.com também possui opção de mercado. E o Mercado Livre tem expandido a oferta de produtos e a variedade de segmentos atendidos.

Marcas premium e atenção à logística ditarão os rumos do setor, diz Euromonitor

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As marcas que investirem em logística terão mais êxito em um mercado que seguirá tendo o seu futuro moldado a partir do posicionamento das cervejas premium. Essa é a avaliação momentânea do setor no Brasil presente em relatório publicado pelo Euromonitor International sobre o mercado de cerveja. O trabalho também destaca que a bebida sem álcool veio para ficar.

Partindo do estudo dos números do mercado brasileiro de cerveja em 2020, o Euromonitor reconhece que o último ano foi desafiador para todas as indústrias. Mas o ponto definidor de posicionamentos dentro do segmento foi a acessibilidade. Algo que a líder global em pesquisas de mercado aposta que será ainda mais importante com o acirramento da disputa pelo consumidor.

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Mesmo que não esteja contemplado no relatório, o ano de 2021 tem sido marcado por mudanças na logística de uma das líderes do setor cervejeiro no Brasil: o Grupo Heineken, que assumiu a distribuição das suas principais marcas – Heineken e Amstel -, ainda que as demais sigam com companhias do Sistema Coca-Cola. E, recentemente, inaugurou um novo centro de distribuição no Rio de Janeiro.

“Ser capaz de entregar o produto ao consumidor final é sinônimo de permanecer relevante em um mercado cada vez mais desafiador e competitivo, especialmente levando em consideração o tamanho continental do país”, avalia o Euromonitor no relatório ao qual a reportagem do Guia teve acesso. “No futuro, isso vai se provar até mais relevante, à medida que a competição for reiniciada e a demanda voltar. A disponibilidade e o acesso serão as principais características do mercado.”

A empresa de pesquisas também destaca como dificuldades logísticas afetaram a operação das artesanais no ano passado. Para o Euromonitor, uma saída pode ser a venda de cerveja pelo sistema online.

“Em 2020, os produtores de cerveja artesanal sofreram muito porque muitos operam em nível regional e não foram capazes de se adaptar tão rapidamente quanto empresas maiores como Ambev e Heineken, que podem priorizar região, produtos e públicos-alvo. Para o mercado de cerveja, mas principalmente o movimento de cerveja artesanal, superar a logística será imperativo. Garantir uma presença no ambiente de comércio eletrônico para assegurar o compartilhamento online da prateleira é importante para a construção de um ambiente sustentável para a empresa”, aponta o estudo.

O Euromonitor também avalia que, embora tenham participação menor no mercado, as cervejas premium vão seguir ditando tendências no setor, especialmente pela maior resiliência do seu consumidor, algo que foi constatado durante os piores períodos da pandemia. E isso continuará modificando o segmento.

“A receita e a resiliência do consumidor premium são maiores do que as dos consumidores de preço médio ou econômico e as expectativas de recuperação econômica do Brasil só fortalecerão essa tendência”, projeta o relatório, para depois acrescentar.

Ambev e Heineken são bons exemplos de como essa estratégia pode ter sucesso, com ambas as empresas investindo e tendo bons resultados com marcas core-plus ou seu portfólio premium. Também é importante fator que essas marcas premium muitas vezes têm um apelo de qualidade que afetará o portfólio e vai ajudar o mercado brasileiro a atingir padrões mais elevados

Relatório do Euromonitor

Cerveja sem álcool
O último ano também teve o lançamento da 0.0 da Heineken como uma das novidades mais relevantes. Para o Euromonitor, o sucesso dessa cerveja sem álcool no país reforça uma tendência de consumo nas ocasiões em que a bebida mais tradicional não tem espaço, como atividades físicas e trabalho.

“As principais características deste produto são a forma como pode ser comercializado para o mesmo público, devendo explorar novas ocasiões de consumo. Beber durante o trabalho, enquanto você se exercita ou quando dirige são ocasiões que não funcionam com as bebidas alcoólicas clássicas, mas neste novo produto podem ser totalmente exploradas. Tentar adequar o consumo de cerveja sem álcool a ocasiões sociais nunca deram certo no mercado brasileiro, com muitas marcas tentando fazer este produto funcionar, mas sempre com resultados duvidosos ou pobres”, destaca o relatório.

O Euromomitor alerta, porém, que a cerveja sem álcool só continuará conquistando mercado no Brasil caso um produto de qualidade seja sempre oferecido. “Um alto nível de controle de qualidade e inovação será exigido no futuro para aquelas empresas que querem explorar este mercado florescente e a concorrência vai crescer à medida que mais consumidores escolherem um estilo de vida mais saudável e versões sem álcool de bebidas alcoólicas clássicas”, conclui.

As 10 mais
O estudo do Euromonitor também traz estatísticas sobre o setor cervejeiro brasileiro. Confira, de acordo com a empresa global de pesquisa, quais foram as dez cervejas mais vendidas no país em 2020, com as suas participações no mercado:

1º – Skol21,5%
2º – Brahma17,4%
3º – Antarctica10,1%
4º – Itaipava8,3%
5º – Nova Schin6,8%
6º – Kaiser6,3%
7º – Crystal3,4%
8º – Bohemia2,9%
9º – Budweiser2,2%
10º – Heineken1,9%

5 dicas para tornar o consumo de energia mais eficiente em microcervejarias

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A expectativa para o período de retomada do setor cervejeiro, com a reabertura de estabelecimentos e a realização de eventos com público e sem grandes restrições, veio acompanhada por um alerta: a crise energética, que tem levado a aumento no preço de tarifas e a criação de novas bandeiras. Por isso, resta às microcervejarias o reforço de iniciativas que mirem o uso eficiente da energia para evitar o aumento dos custos da sua produção, que, espera-se, passará por um período de crescimento nos próximos meses.

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A partir de setembro, passou a vigorar uma nova bandeira tarifária, de escassez hídrica, com o valor de R$ 14,20 por 100 kWh – ela valerá até 30 de abril de 2022, determinada pela Associação Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Até agora, o valor cobrado era de R$ 9,49. Ao mesmo tempo, foi anunciada a criação de um programa de incentivo de redução voluntária no consumo de energia elétrica para residências e pequenas empresas.

Pensando nisso, algumas estratégias podem ser adotadas pelas microcervejarias para minimizar o impacto energético sobre suas operações. “Com a crise energética e hídrica, e a consequente elevação do preço da tarifa de energia elétrica para o último patamar da bandeira vermelha, toda ação de eficiência energética pode ter um impacto financeiro ainda mais significativo nas micro e pequenas empresas”, destaca o especialista em serviços tecnológicos da área de energia e sustentabilidade da Firjan, Sudá de Andrade Neto.

Confira cinco sugestões da Firjan Senai para melhorar a eficiência e economizar energia nas microcervejarias:

1 – Análise do fator de potência: Permite a descoberta se há energia reativa acima do necessário para magnetização dos equipamentos. Caso isso aconteça, pode ser aplicada multa pelas concessionárias.

2 – Substituição de equipamentos para modelos mais eficientes: “Principalmente sistemas motrizes, de bombeamento e térmicos, procurando sempre aqueles com o selo Procel de maior eficiência (escala entre A e E, sendo o selo A o mais eficiente)”, detalha a Firjan Senai.

3 – Análise de modalidade tarifária e demanda contratada: As empresas geralmente estabelecem contratos de energia baseados em uma expectativa de consumo e de produção, mas sem o ajuste fino dos indicadores energéticos produtivos. Isso pode gerar custos acima das necessidades práticas das cervejarias.

4 – Ajuste na distribuição da carga: A empresa pode realizar ajustes no tempo e nos horários de operação de maquinários, adequando seu sistema de produção.

5 – Investimento em energia fotovoltaica na modalidade Geração Distribuída: De acordo com a Firjan, essa alternativa blinda o empresário da inflação energética e pode diminuir o valor da sua conta de luz em até 90%. “Se a ideia é fugir de um investimento alto, há a opção de instalar um sistema de menor porte e posteriormente expandi-lo, já que é uma energia modulável. Além disso, atualmente existem variadas opções de financiamento, para todos os perfis de crédito. Inclusive criou-se recentemente a alternativa de alugar uma usina solar por leasing, o que permite, em alguns casos, uma redução imediata na conta de luz”, explica a Firjan Senai.

Organizações cervejeiras dos EUA criam coalizão para coibir assédio e discriminação

Algumas das principais associações representativas da indústria cervejeira nos Estados Unidos se uniram para a criação de uma coalizão que deseja atuar para prevenir a discriminação, o assédio e a violência dentro do setor. É a Coalizão BRU, que leva em sua sigla os termos “respeito” e “união” para destacar os objetivos de inclusão e o alcance que o grupo pretende atingir.

A Coalizão BRU congregou, em sua criação, a Sociedade Americana de Químicos Fabricantes de Cerveja (ASBC, na sigla em inglês), a Brewers Association, o Programa de Certificação Cicerone, a Associação dos Mestres Cervejeiros da América e a Pinks Books Society.

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A promessa do grupo é, com a coalizão, oferecer as melhores práticas em todo o setor para a construção de uma comunidade cervejeira mais inclusiva, igualitária e segura, com a busca de resultados práticos para os integrantes da indústria.

Para isso, algumas ações já começaram a ser adotadas. Em uma delas, cerca de 1,9 mil integrantes das associações que compõem a Coalizão BRU participaram de um treinamento sobre assédio sexual promovido pela Brewers Association.

“Nós, como uma comunidade – e de forma alguma estamos sozinhos nisso – temos sofrido sob a nuvem do racismo, sexismo, discriminação com base na identidade de gênero, assédio sexual e até mesmo agressão, por muito tempo. Este flagelo da discriminação infeccionou e nos reteve como comunidade, como empresas individuais e como seres humanos. É hora de um despertar”, destaca o presidente da Brewers Association, Bob Pease, ao anunciar a criação da coalizão na abertura da Craft Brewers Conference.

A formação da Coalizão BRU se dá meses após Brienne Allan dar início ao movimento #MeToo na indústria da cerveja dos Estados Unidos. Ela trabalhava na construção de uma nova taproom da Notch Brewing e começou a se sentir frustrada com comentários sexistas de homens no local. Então, desabafou em publicação no Instagram, pediu para outras pessoas relatarem situações parecidas e recebeu mais de 1.000 histórias de mulheres que sofreram discriminação parecida.

Na esteira das revelações, fundadores de várias cervejarias artesanais importantes dos Estados Unidos renunciaram aos seus cargos. A Cicerone, que agora faz parte da Coalizão BRU, também teve um dos seus funcionários citados nos relatos compilados por Allan.

Confira as oito estratégias citadas pela Coalizão BRU para que exista mais inclusão na indústria cervejeira:

1) Adotar um conjunto de práticas recomendadas para todo o setor que comprovadamente reduzam o assédio, a discriminação e a violência.
2) Compilar e compartilhar ferramentas e recursos que permitam aos membros da indústria adotar as melhores práticas.
3) Implementar códigos de conduta organizacionais observando o comportamento esperado dos membros e participantes em eventos organizados pelos membros da coalizão.
4) Acompanhar a adoção das melhores práticas pelos respectivos constituintes.
5) Oferecer sistemas de denúncia para seus membros relatarem o comportamento impróprio dos membros.
6) Comprometer-se com conversas/mesas redondas contínuas nas reuniões da organização.
7) Buscar contribuições dos principais especialistas no assunto e organizações aliadas.
8) Comprometer-se com a formação contínua das lideranças de cada organização.