A primeira novidade da Goose Island em 2021 é um rótulo criado especialmente para atender o mercado brasileiro. A icônica cervejaria norte-americana de Chicago lançou no país a Goose Island Hazy IPA, uma variação do estilo que marca a sua trajetória entre as artesanais.
A Goose Island detalha que o rótulo recém-criado possui 6,5% de graduação alcoólica e 50 IBUs. E relata que a sua Hazy IPA tem coloração dourada, sendo turva por causa da grande quantidade de lúpulo utilizada em sua produção, além de possuir um alto teor de proteínas e uma “explosão de aromas e sabores tropicais”.
A avaliação da Goose Island é de que o lançamento de uma Hazy IPA representa um incremento para as suas opções de cervejas no mercado. “Na Goose temos um desafio claro, trazer para os consumidores inovações em um leque de estilos e sabores diferentes. A Goose Hazy IPA chega para deixar o nosso portfólio ainda mais completo”, relata Guilherme Hoffmann, mestre-cervejeiro da marca.
Para ele, as preferências do consumidor brasileiro foram preponderantes para a definição e a criação desse novo rótulo. Na descrição, a Goose Island afirma que se trata de uma cerveja com corpo aveludado e sabor cítrico e tropical, proveniente das seis variedades de lúpulos utilizados.
“Dessa vez ouvimos os apreciadores de cerveja e respondemos ao desejo de uma Hazy IPA, com toda complexidade do estilo, somada ao que mais combina com o paladar brasileiro. Estamos ansiosos para conhecer a opinião dos consumidores e já começar a desenhar a próxima novidade da marca”, acrescenta o mestre-cervejeiro da marca.
A Goose Island Hazy IPA será vendida em garrafa de 335ml no Empório da Cerveja e no brewhouse da cervejaria no bairro de Pinheiros, no Largo da Batata, em São Paulo, além de bares, supermercados e restaurantes parceiros da marca, que chegou ao Brasil pelas mãos da Ambev.
A Carlsberg Marston’s Brewing Company (CMBC), o braço do Grupo Carlsberg no Reino Unido, desenvolveu uma garrafa de vidro mais amigável com o meio-ambiente. Feita em parceria com a fornecedora Encirc, a iniciativa da cervejaria foi realizada diante do impacto provocado por esse tipo de embalagem, responsável por 10% das emissões de carbono da empresa.
Ao lado da Encirc, a Carlsberg desenvolveu uma nova garrafa que usa 100% de biocombustível em sua fabricação e permite a reciclagem de 100% da embalagem, sem que se perca a sua qualidade. Nessa iniciativa, foram desenvolvidas 1 milhão de garrafas da Carlsberg Danish Pilsner para entrar em circulação no Reino Unido.
De acordo com a cervejaria, o impacto do carbono de cada garrafa é reduzido em até 90%. Assim, há potencial para transformar a garrafa do tipo de embalagem de maior impacto de carbono para o de menor impacto.
“Estamos muito satisfeitos por este teste inovador ter provado e produzido com sucesso garrafas de cerveja de vidro da Carlsberg com teor ultrabaixo de carbono”, disse Mark Comline, diretor sênior de materiais de embalagem do Grupo Carlsberg.
“Em toda a Carlsberg, estamos inspirados a trabalhar juntos em direção a um futuro com zero carbono. Testes como este em parceria com a Encirc são um grande salto para torná-lo realidade”, acrescentou o executivo da cervejaria.
A iniciativa integra as ações para a Carlsberg cumprir a proposta de reduzir a emissão de carbono em sua cadeia produtiva, que faz parte do programa Juntos Rumos a Zero. Na unidade do Reino Unido, a CMBC já havia realizado outras ações para minimizar o impacto ambiental.
Em 2019, no relançamento da Carlsberg Danish Pilsner, as garrafas foram redesenhadas para torná-las 10 gramas mais leves. E isso provocou economia de mais de 130 toneladas de vidro apenas no primeiro ano da ação.
A Ambev apresentou alguns dados positivos no seu balanço do quarto trimestre, mesmo em um contexto de crise econômica. Ainda assim, analistas encaram com ceticismo o futuro da companhia em 2021. A avaliação é de que a alta dos custos, provocada pela inflação e pela desvalorização do real, coloca a cervejaria sob pressão, apesar da tendência de aumento nas receitas. Essa preocupação, inclusive, se reflete na ação da multinacional de bebidas, que desvalorizou pelo segundo mês consecutivo.
O balanço da Ambev apontou que a cervejaria teve, no quarto trimestre de 2020, crescimento orgânico de 7,6% no volume negociado e um aumento orgânico de 13,6% na receita líquida, sob o impacto da flexibilização das restrições impostas para evitar a propagação da Covid-19 e, principalmente, da repactuação de créditos tributários de R$ 4,3 bilhões. Além disso, especificamente no Brasil, houve crescimento orgânico na receita e no Ebitda ajustado de, respectivamente, 19% e 11%, algo impulsionado pela resiliência das principais marcas, inovações bem-sucedidas e do crescimento do portfólio premium.
Mas é o aumento dos custos dos produtos para a cervejaria, que foi de 21% no período e tende a prosseguir em alta neste ano, o que mais preocupa os analistas em suas avaliações sobre o balanço da Ambev.
“Acreditamos que a companhia possa, nos próximos trimestres, continuar aumentando seu volume comercializado com a volta da demanda ainda reprimida em algumas praças, especialmente no canal ‘bares e restaurantes’. Entretanto, por conta de uma maior disputa por market share e uma pressão inflacionária ainda alta nos custos, preferimos nos manter neutros na tese da companhia”, alerta a equipe de análise da Ativa Investimentos.
É uma conclusão parecida com a da Eleven Financial, que elogia a adaptabilidade da Ambev aos novos hábitos de consumo, mas que exibe preocupação com a rentabilidade da companhia diante dos efeitos provocados pela alta do dólar.
“A Ambev mostrou que de fato tem conseguido se adaptar às novas tendências de consumo e focar mais no gosto do cliente em termos de estratégia de inovação, o que tem contribuído para o ganho de market share da companhia. Por outro lado, o real desvalorizado continua contribuindo negativamente para a rentabilidade da companhia, e deve continuar pesando nos próximos trimestres na medida em que a companhia mantém sua estratégia de travar o câmbio com 12 meses de antecedência”, diz a equipe de analistas da Eleven sobre a Ambev.
O relato da cervejaria em seus comentários do balanço, de que houve aumento de 10% na venda de cerveja no Brasil no início do ano, foi visto como um aspecto positivo, mas há dúvidas se isso será mantido ao longo de 2021, especialmente pela crise econômica, algo que costuma trazer efeitos mais claros e danosos para a indústria de consumo.
“Fomos particularmente impressionados com a extensão do desempenho do volume no início do ano, mas ainda acreditamos que essa tendência irá desaparecer à medida que sentimos que os volumes da indústria e parte dos ganhos de participação de mercado recuarão em meio à redução da renda disponível no ano”, afirma a análise do BTG Pactual.
Mais otimistas, os analistas do Credit Suisse, embora apontem uma forte disputa pelo mercado com a Heineken, avaliam que a Ambev pode coexistir com a concorrente no mercado e destacam que a companhia tem apresentado novidades em seu portfólio.
“O maior foco da AmBev em inovação em todo o portfólio mainstream (Brahma Duplo Malte e 3 outras novas marcas-piloto) nos leva a acreditar que tanto a Ambev quanto a Heineken poderiam coexistir com um segmento central bem definido, cada uma no Brasil”, diz.
Ação em baixa Assim como já havia ocorrido em janeiro, a ação ordinária da Ambev – ABEV3 – sofreu desvalorização em fevereiro na B3, tendo fechado o mês com o preço de R$ 14,02. Perdeu, assim, 7,21% de valor no período e 10,98% em 2021. Já nos dois pregões realizados após a divulgação do balanço do quarto trimestre de 2020, o papel caiu 4,50%.
Ao avaliarem o balanço da Ambev, os analistas da Ativa e do BTG colocaram R$ 15 como preço-alvo da ação da cervejaria. O valor é de R$ 16 na avaliação da Eleven e de R$ 18 para o Credit Suisse.
Já o índice Bovespa, o principal da bolsa de valores de São Paulo, também sofreu perdas em fevereiro. Ele fechou o mês em 110.035,17 pontos, uma desvalorização de 4,37% em relação ao fim de janeiro. Já no ano, o recuo está em 7,91%.
Essas perdas se dão em um momento de preocupações com os cenários externo, sobre se haverá um crescimento relevante da economia norte-americana, para impulsionar a economia mundial, e interno. No Brasil, os investidores estão preocupados com o risco fiscal, em função da possibilidade de aprovação de novas parcelas do auxílio emergencial sem que sejam realizados cortes de despesas.
Perdas fora do Brasil O cenário para as principais cervejarias do mundo no mercado externo foi semelhante ao da Ambev na B3. Na Europa, o papel da Anheuser-Busch InBev – multinacional fruto da fusão da belga Interbrew com a Ambev – fechou fevereiro custando 47,46 euros. Assim, perdeu 8,70% do seu valor no mês. Já no ano, a desvalorização está em 16,75%.
E a ação da Heineken terminou fevereiro com o valor de 81,70 euros, uma queda de 4,93% no segundo mês de 2021, no qual a queda do seu valor está em 11,65%.
A Everbrew terá, em breve, a sua fábrica própria. A cervejaria de Santos realizou investimentos na aquisição de equipamentos para montagem da estrutura da sua produção em um galpão da cidade da Baixada. E a expectativa é de que as primeiras cervejas sejam fabricadas por lá no final de 2021.
A fábrica própria, para a qual a Everbrew estima um investimento total de R$ 3 milhões, terá a capacidade de produzir 30 mil litros por mês de cerveja, com a possibilidade de expansão para 50 mil. Hoje, como uma cervejaria cigana, a marca concentra a sua produção na Startup Brewing. E o seu brewpub, em Santos, tem capacidade de produção de 2 mil litros mensais.
Os equipamentos adquiridos para a fábrica vão chegar a Santos em abril, sendo que já em março se iniciam as obras no galpão onde será, no futuro, realizada a produção das cervejas da Everbrew. Com tudo pronto, o passo final será a obtenção dos certificados para colocar a fábrica em operação.
“Primeiro estabelecemos a marca, garantimos a qualidade, a repetibilidade. Agora, buscamos o ponto de equilíbrio para ter a fábrica”, conta Renê do Santos, um dos sócios-fundadores da Everbrew, explicando os motivos que levaram a cervejaria de Santos, surgida em 2016, a agora optar por ter sua fábrica própria.
“A gente tem um volume grande para uma artesanal, de 30 mil litros por mês. Somos bem atendidos como ciganos, mas quero ter a vantagem competitiva da produção própria. Com ela, você tem o controle de todos os processos, tem oportunidade de produzir o quanto quiser”, acrescenta o sócio-fundador da Everbrew.
O investimento na fábrica própria se dá em um momento de crescimento da Everbrew. Apesar da crise do coronavírus, que afetou a economia nacional e, por consequência, a indústria cervejeira, a marca de Santos fechou 2020 com resultados positivos.
A Everbrew terminou o último ano com mais de 200 lotes de cervejas produzidos, tendo envasado 500 mil latas, algo que se tornou o principal foco da marca diante das medidas restritivas adotadas durante a pandemia do coronavírus. E explica ter ampliado o seu faturamento em 130% no comparativo com 2019.
Para isso, além da aposta nas latas, uma tendência em todo o mercado cervejeiro desde o início da crise do coronavírus, a Everbrew também buscou encontrar novos mercados, melhorando o seu posicionamento nos canais de venda. “Passamos a trabalhar com big data, fomos atrás de regiões onde não chegávamos. Abrimos até 15 pontos nesse modelo”, explica Renê.
Além disso, em um período no qual o delivery teve expansão relevante, optou por apostar na criação de um aplicativo próprio para entregas em Santos. “A administração das vendas é minha, mando eventualmente aviso de promoções e novidades. Você traz identidade para a marca”, detalha Renê, apontando os benefícios desse modelo.
Lançamentos e exportação A cervejaria também investiu em lançamentos. Foram 40 no ano passado, além da participação em 6 colaborativas. Hoje, o portfólio da Everbrew está em 130 rótulos. E vai aumentar em 2021, pois Renê estima fechar com ao menos mais 60 novidades disponibilizadas para o consumidor.
Ele explica o que estimula a renovação constante do portfólio da Everbrew. “A gente quer ter um portfólio grande para poder sempre revisitar bons rótulos. Os nossos rótulos mais vendidos são os mais tradicionais, criando marcas que vão além das marcas. Queremos trazer experiências novas, mas criar módulos de linha. O lançamento é um piloto.”
Fato raro entre marcas nacionais, a Everbrew tem exportado suas cervejas para o continente europeu. Um processo iniciado em setembro, para a Holanda, construído a partir de uma parceria. Assim, a cada 2 meses, a cervejaria envia 400 caixas de cervejas, que podem ser encontradas nos Países Baixos, mas também em outras localidades através do e-commerce.
O “boca-a-boca moderno”, através da rede social cervejeira, a Untappd, tem rendido boas avaliações internacionais para a Everbrew, de acordo com Renê, abrindo mercados para a cervejaria, com a exportação principalmente do estilo New England IPA, do qual tem as conhecidas Evermont e Evermaine, mas também tendo espaço para Stouts, Sours e, eventualmente, Hop Lagers.
Os desafios, porém, são grandes. As marcas têm sofrido com a alta do dólar, o que encarece os insumos, quase sempre importados. Há falta de produtos básicos, como latas, plástico e papelão. Para minimizar custos e ainda utilizar um produto de qualidade em suas receitas, a Everbrew, inclusive, passou a importar diretamente parte deles.
É da Nova Zelândia de onde vem o lúpulo Nelson Sauvin, utilizado pela Everbrew em uma das séries de cervejas lançadas em 2020, a Nelson in Love. “Estamos enforcando a margem porque não dá para mexer no preço. Buscar alternativas, como a importação direta”, comenta Renê.
As dificuldades, porém, não impedem a Everbrew de se manter em expansão e de ver potencial em Santos para ser um polo de cervejas artesanais. Agora próxima de ter a sua própria fábrica na cidade onde surgiu, vê potencial na localidade, até pela criação de novas marcas e consolidação de outras, como a Demonho e a Infected Brewing, por lá.
“Santos é o centro comercial da Baixada. E começamos a observar que desce muita gente no fim de semana para conhecer o brewpub. Tem um potencial de turismo cervejeiro aqui. Temos conversado sobre ter esse polo cervejeiro. Depois da gente, surgiram umas 8 ou 10 que saíram da panelinha. E isso ajuda a criar essa cultura da cerveja artesanal na cidade. Tem muita gente virando a chave”, conclui Renê.
Fevereiro, um mês conhecido pelos dias mais quentes do verão, também ficou marcado por diversos lançamentos das cervejarias artesanais. A Bodebrown, por exemplo, apresentou dois rótulos, sendo um com toques de manga e outro de cajá. Já uma parceria entre a Cruls e a Infected Brewing deu origem a uma Juicy IPA colaborativa. Enquanto isso, a Oca trouxe seu primeiro rótulo do ano e aproveitou para realizar uma homenagem às mulheres.
Confira abaixo 10 lançamentos de cervejas artesanais realizados neste mês de fevereiro:
All Beers Durante as comemorações de 12 anos do blog All Beers, foi lançada a Stories, Tales, Lies & Exaggerations. É o quarto rótulo da série All Beers Conspiracy, sendo que a bebida é uma New England IPA com adição de limão siciliano e do lúpulo Lemon Drop. Já o nome surgiu do trecho da música Had a Dat, da banda californiana Sublime.
Bodebrown A Bodebrown fez dois lançamentos de cervejas artesanais em fevereiro: aGo, Man.GoWheat Cream DDH IPA e a A LupulolAka´ya Cajá IPA. O primeiro rótulo tem 6,1% de graduação alcoólica e 21 IBUs, levando polpa de manga, maltes ingleses e o lúpulo Mosaic. Já a LupulolAka´ya Cajá IPA apresenta um toque de cajá, misturada com doses de lúpulo Mosaic. Ambas cervejas estão disponíveis apenas nas chopeiras do espaço Tap Haus, que funciona em anexo à fábrica da cervejaria curitibana.
Cruls e Infected A parceria entre a cervejaria Cruls, de Santa Maria (DF), e a Infected Brewing, de Santos, rendeu a criação da Retina Araçá, uma Juicy IPA com adições de abacaxi e araçá. O nome “retina” foi inspirado pelo próprio araçá, fruta típica do cerrado e que significa “planta que tem olhos” em tupi. A bebida tem 8% de graduação alcoólica e 89 IBUs. Está disponível em lata de 473ml no site da Cruls e em pontos de venda especializados do Brasil.
Demonho A cervejaria Demonho iniciou 2021 com força total. A novidade da marca é uma versão double da Trabalhar Para Beber, uma West Coast IPA com 8,2% de graduação alcoólica. Além dos lúpulos Citra e Galaxy já presentes na versão original, os cervejeiros adicionaram uma pitada de Mosaic.
Landel A Session IPA com Toranja feita a pedido do bar CASP – Cerveja Artesanal São Paulo -, para comemorar os 5 anos e a despedida de sua loja física, é a novidade de fevereiro da Landel. Com 5% de graduação alcoólica e 34 IBUs, a bebida tem muita toranja, o que a deixa mais refrescante. Ela está disponível em chope e em lata apenas na taphouse da Landel e na loja da CASP.
Latido Ale House A Latido Ale House lançou no Rio de Janeiro a sua West Coast Imperial IPA. A bebida é a Osso Duplo, uma versão mais agressiva da Osso, uma West Coast IPA. O lançamento foi realizado com os mesmos maltes, mesma levedura e os mesmos lúpulos Citra, Ekuanot e Amarillo. Com 8% de graduação alcoólica e 73 IBUs, a experiência promete ser intensa, frutada, cítrica e resinosa. Disponível em latas sleek de 355ml e barris de 30 litros.
Nacional A Cervejaria Nacional, com unidades em Pinheiros e agora no Tatuapé, trouxe uma novidade no verão: o rótulo sazonal Ossanha, uma Witbier. A cerveja leva em seu preparo casca de mexerica, semente de coentro e capim limão. Tem corpo leve, refrescância e turbidez, com 5% de graduação alcoólica e 15 IBUs.
Oca Cervejaria O primeiro rótulo do ano da Oca Cervejaria é em homenagem às mulheres: aMaiara, uma New England Double IPA Double Dry Hopped (DDH). O nome significa, em língua indígena, mulher sábia, conselheira, forte e valente. No rótulo, a homenagem se reflete no perfil feminino na esquerda e compartilha espaço com uma coruja à direita – símbolo da sabedoria. A cerveja tem 8,3% de graduação alcoólica, com cor amarelada e aparência turva.
Soma A novidade da cervejaria do bairro de Moema, em São Paulo, é a Soma Session IPA Single Hop Centennial, uma bebida de edição limitada a 450 litros, disponível em chope, com exclusividade no brewpub da cervejaria. Tem 4,2% de graduação alcoólica e 35 IBUs. O rótulo utilizou apenas um tipo de lúpulo, o norte-americano Centennial, que entre suas principais características destaca o aroma floral e cítrico, se apresentando como leve, de corpo baixo e amargor na medida certa.
Um dos principais responsáveis por fornecer aromas e sabores às cervejas, o lúpulo tem importância significativa para a fabricação de bebidas. A sua produção no Brasil ainda não é predominante, mas há bons exemplos de como é possível não depender apenas da importação. O Viveiro Ninkasi, por exemplo, realiza nesse momento a colheita com expressiva evolução na comparação com a safra anterior.
Localizado em Teresópolis (RJ), a “capital nacional do lúpulo”, o Viveiro Ninkasi é o responsável pela produção das mudas que depois são plantadas para a produção da planta. E realiza, nesse momento, a sua segunda colheita, período que ocorre entre os meses de janeiro e março, a depender da altitude e temperatura da região.
De acordo com Teresa Yoshiko, proprietária do Viveiro Ninkasi, a estimativa de colheita da safra deste ano está em torno de 4 toneladas, sendo 400 gramas de lúpulo por planta.
O número se torna mais expressivo se comparado com a primeira colheita, em março de 2020, que rendeu em torno de 2 toneladas. Ou seja, a expectativa é de dobrar a produção entre uma colheita de lúpulo e outra.
Teresa explica que a colheita é feita com o corte da planta e a remoção dos cones. E aponta existir alta demanda de cervejarias pelo lúpulo colhido pelo Ninkasi. “Estamos muito otimistas com as vendas”, comemora.
O Ninkasi é o primeiro viveiro de lúpulo do Brasil autorizado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento com certificação e licença para reprodução e venda de mais de 30 cultivares. “O fato de termos um lúpulo nacional garante frescor e aroma diferentes. O nosso lúpulo apresenta terroir diferentes”, garante Teresa.
Ela destaca que o lúpulo Cascade, que originariamente tem aroma cítrico e floral, possui aspectos diferentes quando produzidos no Brasil. “O colhido em Teresópolis apresentou aroma de abacaxi, isso dá ao cervejeiro infinitas possibilidades de criação de receitas únicas.”
No ano passado, o Ninkasi também foi o primeiro viveiro nacional a receber o aval para a importação de mudas de lúpulo “in vitro” dos Estados Unidos para comercialização com certificado de origem.
Lúpulo na Rota Entre os clientes do Ninkasi está o Grupo Petrópolis, que tem atualmente a maior produção de lúpulo legalizado no país, com expectativas de alcançar 15 mil mudas plantadas. A ação do grupo também tem ajudado os pequenos produtores de agricultura familiar com sua área tecnológica de secagem de lúpulo. E a ideia também é contribuir para o fomento do setor gastronômico e turístico da região.
Há a expectativa, ainda, que o Ninkasi passe a atuar com mais proximidade das marcas artesanais da região serrana componentes da Rota Cervejeira RJ. Por amizade, mas também pelo empreendedorismo que as une, uma relação concreta entre a associação e o Viveiro Ninkasi ainda está em fase de “namoro”.
“Não temos uma relação ainda, eu até estou sondando muito o Viveiro Ninkasi para que ele venha a ser um dos associados da Rota RJ para que, enfim, possamos fazer um projeto de visitação”, revela Ana Cláudia Pampillon, coordenadora da Rota RJ.
Ainda que com um quarto trimestre de resultados positivos, a Ambev fechou 2020 com lucro inferior ao obtido em 2019. Nesta quinta-feira, a multinacional cervejeira divulgou o seu balanço financeiro e apontou um lucro líquido de R$ 11,7 bilhões no ano passado. O valor representa uma queda de 3,7% em relação ao mesmo período de 2019, quando havia sido de R$ 12,1 bilhões.
O resultado financeiro também apontou que a companhia apresentou lucro líquido de R$ 6,89 bilhões no quarto trimestre de 2020. Teve, assim, uma expansão de 63,3% em relação aos R$ 4,21 bilhões dos últimos três meses de 2019.
A Ambev, porém, aumentou a sua receita líquida no ano passado. Ela foi de R$ 58,3 bilhões em 2020, um avanço de 12,3% no comparativo a 2019. Apenas no quarto trimestre, o crescimento foi de 19,9%, para R$ 18,5 bilhões.
Já o Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado da Ambev alcançou os R$ 21,5 bilhões em 2020, de acordo com os dados divulgados no balanço. O valor representa um crescimento de 2,1% em relação a 2019. E no quarto trimestre foi de R$ 8,93 bilhões, uma elevação de 29,1% no comparativo ao mesmo período do ano anterior.
Nos comentários do seu balanço, a Ambev destacou que uma decisão judicial sobre uma questão tributária teve influência positiva nos resultados financeiros da companhia no quarto trimestre de 2020.
“Nossos resultados do 4T20 foram impactados positivamente por R$ 4,3 bilhões de créditos tributários extemporâneos decorrentes da decisão do Supremo Tribunal Federal de 2017 pela inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins”, disse.
A empresa também ressaltou a recuperação da receita após os duros efeitos iniciais da pandemia do coronavírus nos diversos mercados. “A maioria dos países apresentou recuperação sustentada de volume desde o segundo trimestre, à medida que as restrições impostas para o controle da pandemia da Covid-19 começaram a ser gradualmente flexibilizadas nos mercados onde atuamos, com sete dos nossos dez principais mercados apresentando crescimento de volume no ano.”
A Ambev ainda apontou em seu balanço o sucesso alcançado pela Brahma Duplo Malte em 2020, além de destacar o lançamento de mais uma marca regional, agora em Goiás.
“Em Cerveja Brasil, a Brahma Duplo Malte foi o destaque do ano, assumindo a liderança e impulsionando o crescimento do segmento core plus. Ela foi produto da escuta ativa das demandas dos consumidores”, disse. “Em dezembro, no estado de Goiás, lançamos a Esmera, nossa quinta marca regional produzida com mandioca cultivada pelas comunidades locais, para continuar capturando oportunidades inteligentes de acessibilidade.”
A expansão do aplicativo Zé Delivery também foi avaliado pela Ambev como outro destaque em 2020. “No Brasil, nossa plataforma de entrega direta ao consumidor (D2C), Zé Delivery, continuou crescendo exponencialmente no trimestre, estando presente em mais de 200 cidades em todos os 27 estados brasileiros e atingindo quase 50% da população total do país. O Zé entregou mais de 27 milhões de pedidos em 2020.”
Futuro incerto Para 2021, porém, a Ambev reconheceu um desafio: lidar com o maior custo para a produção da cerveja, provocado pela alta do dólar. De acordo com a companhia, o custo dos produtos vendidos crescerá entre 20 e 23%. Isso deverá pressionar pelo aumento do preço da bebida ao consumidor. No ano passado, a companhia evitou repassar a alta dos insumos ao preço do produto final.
“Em 2021, enfrentaremos impactos significativos de câmbio, assim como de commodities, que irão pressionar nossa margem Ebitda”, explicou. “Como resultado, esperamos que nosso CPV excluindo depreciação e amortização por hectolitro aumente entre 20% e 23% em Cerveja Brasil”, acrescentou a Ambev em seu balanço.
Mas a companhia destacou que, mesmo sem o carnaval, os resultados do começo de 2021 têm sido positivos, com aumento de 10% nas vendas. “Por outro lado, iniciamos o ano com o forte momentum em termos de receita, liderado por um crescimento maior que 10% no volume de Cerveja Brasil, mesmo sem as habituais festividades de carnaval. O crescimento do volume, juntamente com o melhor desempenho da ROL/hl, graças à implementação de nossa estratégia comercial e melhor mix, serão dois dos principais drivers para compensarmos parcialmente as pressões sobre o custo”, concluiu.
Balcão do Advogado: Nem só de cerveja vive o homem (e as cervejarias)
Com muitas cervejarias expandindo seus portfólios de bebidas para além das cervejas, é importante trazer algumas considerações sobre outras bebidas. Dessa forma, conhecendo um pouco sobre a legislação brasileira pertinente a outras bebidas e tendo alguns cuidados, evita-se que essa aventura em terras estranhas não acabe se tornando um pesadelo.
Inicialmente, é necessário dizer que a legislação brasileira de bebidas divide-se basicamente em vinho e derivados de uva e o resto das bebidas. Apesar de apreciarmos um bom vinho de vez em quando, preferimos limitar as considerações deste texto para as demais bebidas, já que o foco é sempre o auxílio às cervejarias, que têm lançado novos produtos dentro dessa seara.
Hard seltzer Sensação nos Estados Unidos, o hard seltzer chegou silenciosamente ao Brasil e até agora não causou o mesmo impacto que teve em solo norte-americano. Trata-se basicamente de uma água saborizada, gaseificada e alcoólica.
Já é possível encontrar alguns exemplares dessa bebida sendo produzida por cervejarias independentes brasileiras, como a “Hintz”, da Three Monkeys, e a “Just.”, da cervejaria chapecoense Nordus.
Bebida alcoólica mista Pela legislação brasileira, a bebida alcoólica mista ou coquetel (cocktail) é uma bebida alcoólica por mistura, com graduação alcoólica de 0,5% a 54%. Essa bebida é elaborada com álcool etílico potável, destilado alcoólico e bebida alcoólica (ou a mistura destes), podendo ser adicionada bebida não alcoólica, suco de fruta, fruta macerada, xarope de fruta, ovo, substâncias de origem animal ou vegetal (ou a mistura destes produtos).
Assim, coquetéis (drinks) preparados por cervejarias para comercialização em garrafa se enquadram nesta categoria, lembrando que deve ser feito o registro do produto no Mapa. Alguns exemplos são negroni, old fashioned, gin tônica e dry martini.
Kombucha Já falamos dela aqui. A kombucha é uma bebida fermentada milenar chinesa de baixo teor alcoólico com propriedades probióticas, obtida pela fermentação de folhas de chá e açúcares, podendo ser misturada com suco de fruta, mel, especiarias, aromas naturais e aditivos.
Em 2019, foi publicada instrução normativa que estabeleceu os parâmetros a serem seguidos pelos produtores de kombucha submetida a processos industriais e destinada ao consumo humano (Instrução Normativa nº 41/2019, que estabeleceu o Padrão de Identidade e Qualidade – PIQ da Kombucha).
O prazo para adequação dos produtores de kombucha à IN 41/2019 vai até 1º de julho de 2021.
Coquetel composto Conforme a legislação, o coquetel composto é qualquer bebida alcoólica por mistura, com graduação alcoólica de 4% a 38%, que possua como ingrediente vinho ou derivado da uva e do vinho em quantidade inferior a 50% do volume.
Dessa forma, cervejas que levam mosto de uva em sua composição são classificadas como coquetel composto, não sendo consideradas cervejas pela legislação brasileira.
Um exemplo comercial de cerveja classificada como coquetel composto é a Grape Ale Abbondanza, da cervejaria porto-alegrense 4 Árvores, que leva 20% de mosto de uva na sua composição.
Hidromel Essa bebida, popular na mitologia nórdica, é obtida da fermentação alcoólica de mel de abelha, e já é produzida por muitas cervejarias do Brasil e do exterior.
No Brasil, por lei, elas devem possuir graduação alcoólica entre 4% e 14%, sendo denominadas como hidromel seco (< 3g/L) ou suave (> 3g/L), a depender do teor de açúcar da bebida.
A adição de açúcar na elaboração dessa bebida é proibida (art. 7, inciso II, item “b”, da IN MAPA 34/2012).
Sidra É definida pela legislação como sendo toda bebida alcoólica fermentada com graduação alcoólica de 4% a 8%, obtida pela fermentação do mosto de maçã “fresca, sã e madura” (como descrito na lei), do suco concentrado de maçã ou de ambos, com ou sem adição de água.
No Brasil, são bem escassos os exemplares de sidra elaborados por cervejaria, sendo mais comum em outros países. Recentemente, a cervejaria Dádiva lançou uma linha de sidras em lata sob a marca “DDV&OS”.
É possível verificar que a denominação destes produtos costuma variar, com alguns exemplares não recebendo a denominação sidra, justamente para deixá-los adequados à legislação, que nem sempre é conciliável com a intenção comercial do produtor.
Assim, é imprescindível estar a par da legislação de bebidas para não cometer erros que podem ocasionar sanções à empresa. A correta denominação da bebida que será comercializada e a sua adequação aos parâmetros constantes na lei são essenciais para ter sucesso na expansão da variedade de bebidas da cervejaria.
Chope ou cerveja? Não há resposta correta ou errada para essa pergunta, mas preferências diferentes. Certo mesmo é que para fazer a bebida chegar ao consumidor, várias etapas precisam ser percorridas. E, na versão não pasteurizada da cerveja, as chopeiras estão na ponta final da cadeia produtiva para fazer a alegria do cervejeiro. Até por isso, são tão importantes.
Especialistas defendem que o chope é a melhor versão do produto de uma cervejaria, pela possibilidade de expô-lo e oferecê-lo na sua forma mais fresca. E, para preservar essa condição e fornecer a versão mais genuína pensada e produzida em uma fábrica, a chopeira desempenha um papel fundamental. Assim, torna-se importante a escolha do produto mais adaptado às condições desejadas e a sua operação sem erros.
“Uma chopeira tem a função de servir o chope nas suas melhores condições para ressaltar as suas propriedades. Assim, um controle de temperatura com precisão e desempenho adequado para o volume consumido em cada ambiente de uso é o que diferencia este produto”, explica Luis Gustavo Giangarelli, gerente de vendas da Bravo Brew.
Além disso, cada vez mais as empresas fornecedoras de chopeiras vêm ofertando produtos específicos para atender novas demandas, com o reforço da busca por consumidores que desejam ter o equipamento na sua residência.
Essa maior procura, que também passa por bares e restaurantes, além de cervejarias artesanais dispostas a levar seus produtos frescos ao público, oferece a possibilidade de crescimento do setor. Algo que forçou a evolução dos equipamentos para fornecer melhor desempenho e durabilidade. E tem aumentado a demanda por equipamentos que controlam a temperatura e a vazão.
“A chopeira precisa gelar a cerveja de acordo com a necessidade do cliente. A torneira é outro ponto importante, vai te dar um creme melhor. Evita a oxidação do chope e vai deixá-lo mais leve e cremoso. É também preciso regular bem o gás”, ensina Jair Carmona, proprietário da Chopeira Carmona e um dos pioneiros do segmento no Brasil.
Fundador da Catira Chopeiras, Borges Araújo destaca a importância da escolha da chopeira correta no momento da compra, seja para quem deseja fazer o uso residencial do equipamento ou o profissional. Assim, é muito importante saber as necessidades que o consumidor ou o estabelecimento têm, a partir da finalidade para qual a chopeira será utilizada.
“Como todo equipamento profissional, ele acaba tendo custos elevados nas manutenções, excesso de ruído e gasto de energia muito maior devido ao porte dos equipamentos profissionais”, cita Borges, em alerta para os consumidores caseiros. “Se não condiz com o volume de chope que o bar vai vender/tirar, acaba comprando um equipamento em que o chope não sai gelado e que em pouco tempo ele vai precisar trocar ou complementar com um equipamento mais possante”, acrescenta o fundador da Catira.
Os tipos de chopeiras Os principais equipamentos disponíveis no mercado são a chopeira a gelo e as elétricas. A que funciona com gelo é indicada para uso residencial e eventos. Considerada leve, não costuma ter problemas de manutenção, não necessita de energia elétrica e tem menor custo. Mas é necessário sempre ter estoque de gelo, não sendo possível controlar a temperatura.
No caso das chopeiras elétricas, há uma quantidade enorme de opções. A de expansão direta é indicada para uso residencial e comercial, como em eventos, bares, restaurantes, cervejarias e choperias. Gela rápido e pode ser transportada para diferentes lugares, embora seja pesada. Mas não tem bom apelo visual e ainda possui custo elevado de manutenção.
A chopeira naja congelada é a preferida para uso residencial, mas também pode ser instalada em bares, restaurantes, cervejarias e choperias. Tem maior apelo visual e a bebida sai muito mais gelada. Possui custo médio, sendo necessário montar uma bancada com estrutura para receber a chopeira. E há um gasto razoável de energia elétrica
Além disso, existem as chopeiras traves – T, Y e Z – sugeridas para uso em bares, restaurantes, cervejarias e choperias. Possuem grande apelo visual, mas têm custo elevado, sendo necessário montar uma bancada com estrutura para recebê-las. Provocam maior gasto de energia elétrica pois não se desliga a chopeira.
Outras opções são os painéis ou chopeiras que utilizam câmara fria para gelar a bebida, sendo indicados apenas para uso comercial e em locais com muita variedade. Eles propiciam maior durabilidade ao chope e menor investimento, pois a câmara fria pode ser utilizada para muitos barris. Têm, ainda, menor índice de ruído e geração de calor no balcão ou na área das torneiras, além de mais fácil automação para sistemas eletrônicos de controle de fluxo. O estabelecimento, porém, deve ter muito espaço físico para colocar a câmara fria. E demora de 12 a 24 horas para gelar o chope que está no barril.
Erros e cuidados necessários Os especialistas alertam que a limpeza periódica do condensador, a sanitização e a manutenção dos componentes elétricos influenciam diretamente na produtividade do equipamento. Não sendo feitas, podem até alterar o sabor do chope. E, se mal regulada, a chopeira pode provocar o aumento da perda da bebida, que também pode ficar em temperatura elevada.
“O ideal é que a assepsia seja feita a cada 15 dias”, explica Federico Paduan, sócio-proprietário da CleanTap, que tem enxergado evolução nos cuidados com as chopeiras nos últimos anos.
O especialista destaca que a falta de cuidado com as chopeiras significa perda de dinheiro. “A falta de assepsia periódica pode causar diversas consequências negativas como proliferação de elementos desagradáveis como biofilme, beer stone (depósito de cálcio), excesso de fermento, fungo e outras bactérias e off- flavours (gostos estranhos no chope)”, acrescenta o sócio da CleanTap, citando o desperdício de chope como outro efeito da falta de cuidado com as chopeiras.
Wanderley Kneubuhler, proprietário da Kneubier, destaca especificamente os cuidados que precisam ser adotados com a instalação das chopeiras elétricas. “Por conterem um trocador de calor (condensador) com forçador de ar, precisam ser instaladas em ambientes longe de outras fontes de calor, insolação e de lugares que dificultem a entrada e/ou saída do ar, pois podem sofrer superaquecimento no compressor. Manter o condensador limpo também ajuda a evitar o superaquecimento.”
Com sua empresa tendo hoje foco maior no consumidor, Carmona destaca que cuidados simples de limpeza evitam problemas na chopeira e facilitam a manutenção. “Logo depois que você usa, é preciso passar uma água e tirar o resíduo do chope para manter a tubulação limpa, como em uma retrolavagem”, detalha o sócio da Chopeira Carmona.
Desafios dentro do setor A pandemia inevitavelmente deixou algumas marcas no mercado. Assim como em outros nichos da economia, os profissionais do setor de chopeiras têm sofrido com a falta de matérias-primas, como o cobre e o aço, ou seu encarecimento em função da alta do dólar, o que dificulta a realização de projetos especiais.
“A maior dificuldade é para os ‘projetos personalizados’, com a falta de matéria-prima gerando uma grande demora na entrega. Alguns projetos que eram entregues em 45 dias, chegaram a demorar 120 dias”, relata Borges Araújo, da Catira.
Um desafio que também foi encarado pela Bravo Brew. “Como as chopeiras elétricas utilizam materiais nobres como inox, cobre e sistemas de refrigeração importados, o impacto tem sido principalmente na aquisição desses materiais que estavam em falta no mercado, assim como no valor desses insumos que chegaram a subir até 100% do valor, no caso do cobre”, relata Giangarelli.
Se trouxe desafios, a pandemia também apresentou novas oportunidades de mercado. A Kneubier, por exemplo, antes mais focada em atender cervejarias, passou a oferecer soluções para o consumidor.
“Com o cancelamento de eventos, a procura diminuiu consideravelmente. Foi aí que pensamos: ‘precisamos investir em outro tipo de público também’. Aí idealizamos chopeiras destinadas a área de festas e vamos continuar nessa linha neste ano, sem deixar de atender as cervejarias, que ainda são nosso carro-chefe”, relata Wanderley, proprietário da Kneubier.
Outro ponto importante foi a necessidade do consumidor permanecer mais em casa, o que provocou o aumento da demanda por chopeiras nas residências. Assim, a promessa é de investimento em tecnologia para atender esse público em 2021.
Além disso, há a expectativa de aumento da demanda por manutenções e instalações. Algo que fará as empresas ampliarem seu campo de atuação. “Tivemos um período para avaliarmos processos de fabricação e ampliarmos nossa linha de produtos”, finaliza o proprietário da Kneubier.
Oferece chopeiras elétricas, além de um kit de extração, que permite ao cliente conectar um barril de 5l nelas. Também há assistência técnica, que pode ser acionada por WhatsApp. E os produtos têm 12 meses de garantia.
A Catira oferece chopeiras a gelo e najas congeladas especialmente construídas para uso residencial, além de chopeiras traves em diversos modelos para uso comercial. Disponibiliza manutenção corretiva, preventiva e sanitização de chopeiras elétricas.
Chopeira Carmona
Endereço: Rua São Raimundo, 1341. São Paulo (SP). E-mail: carmona@chopeiracarmona.com.br Telefone: (11) 2912-4499
Com foco maior em produtos residenciais, tem como carro-chefe a torre de chope, dos diferentes tipos, como a naja e a tubular. Outro destaque é o seu carrinho de chope, que pode ser utilizado em eventos.
Chopeiras Kneubier
Endereço: Rua José Maestri, 169. Jaraguá do Sul (SC) E-mail: contato@chopeiraskneubier.com.br Telefone: (47) 3058-4400
Oferece chopeiras elétricas e a gelo para área de festas e projetos especiais. São chopeiras leves, compactas e duráveis, com base e parafusos de inox, tendo ótimo custo-benefício.
Cleantap
Endereço: Rua Harmonia, 68a. São Paulo (SP). E-mail: contato@cleantap.com.br Telefone: (11) 98878-1521
Oferece produtos e serviços de assepsia, projetos e instalações de chopeiras. Desmonta as torneiras e válvulas e conecta as vias de chope em série, recirculando-as em um produto alcalino por 20 minutos.
As cervejarias artesanais precisam encarar uma série de desafios em 2021 no Brasil. Os casos de contaminação pelo coronavírus estão distantes de uma regressão, o que reforça as crises econômica e sanitária. Além disso, há um cenário de aumento no preço das cervejas e uma dificuldade de acesso às matérias-primas. Um contexto que demandará união e ação das entidades representativas para que o segmento expanda a partir da conquista de novos consumidores em meio a um primeiro semestre de muita incerteza.
“O preço da cerveja deve subir e teremos que lidar com os reflexos disso. Mais uma pressão para encontrar novos consumidores, criar ambientes, educar mais pessoas, conscientizar mais paladares. Continuamos em busca da evolução, empurrada por um momento difícil e um país complicado. Devemos cobrar das nossas associações e nos unir em prol do mercado, da cultura e das pessoas que estão imersas na cerveja artesanal”, alerta a sommelière Bia Amorim.
É uma preocupação parecida com a de Fabiana Arreguy. A jornalista e sommelière lembra que os desafios financeiros advindos de 2020 permanecem e o cenário econômico continua sendo bastante complicado para as cervejarias. Assim, avalia que será preciso rever projeções e margens de lucro para seguir tendo o consumidor ao lado.
“O mercado cervejeiro em 2021 tem a difícil tarefa de juntar os cacos, de pagar as dívidas feitas durante a pandemia, de mostrar ao seu consumidor que esteve e está ao lado dele nesse período louco que a humanidade ainda vive, inclusive revendo seus preços e margens de lucro, já que a população empobreceu, perdeu poder aquisitivo e a cerveja, infelizmente, entra na lista de produtos não essenciais”, comenta Fabiana Arreguy.
Presidente do Conselho da Associação Brasileira da Cerveja Artesanal (Abracerva), Marcelo Paixão reconhece que o ano não será fácil, repetindo os desafios que as marcas precisaram encarar em 2020. Mas aponta que a solução pode estar, em parte, na resiliência. E crê em um fim de 2021 melhor.
“Para 2021, a gente acredita que o primeiro semestre ainda vai ser muito complicado e a pandemia ainda vai estar aí, com aberturas e fechamentos. E a própria questão das matérias-primas não deverá ser resolvida antes do primeiro semestre. Mas depois que a coisa passar, talvez no último trimestre, quando as coisas já estiverem melhores, as cervejarias que passarem por essa maratona de crise, elas vão colher os frutos”, avalia o executivo da Abracerva.
Além disso, Paixão acredita que, ao fim da crise, as cervejarias poderão estar mais completas, com diversas operações – algumas não existentes antes da pandemia – e mais próximas do consumidor. “Terão novos canais de vendas e vão ter aprendido muito, o consumidor também vem com uma pegada de apoio local e eu acho que nós vamos sair mais fortes. Mas ainda temos um caminho muito grande para percorrer”, conclui.