Início Site Página 254

Ação da Ambev tem 4ª maior perda de abril em mês de leve recuperação do Ibovespa

Ainda que mantendo as consideráveis perdas dos começo do ano, abril foi um mês de recuperação para o índice Bovespa, que subiu mais de 10%. Porém, mesmo sendo um dos principais papéis listados na Bolsa de Valores de São Paulo, a ação da Ambev (ABEV3) seguiu em baixa, com recuo de 4,87% nesse período.

Crise poderá mudar setor cervejeiro e terá impacto maior na Ambev, dizem analistas

A ação ordinária da multinacional cervejeira fechou o pregão da última quinta-feira com o preço de R$ 11,34, sendo que havia começado abril – o primeiro mês completo em que pôde se sentir os efeitos da crise do coronavírus e da quarentena – cotada a R$ 11,92.

A queda da Ambev foi a quarta maior entre os papéis que compõem o Ibovespa no último mês. A redução só ficou atrás das de Embraer, afetada pela desistência da Boeing de comprar a companhia aérea brasileira, Cielo e Telefônica Brasil.

Assim, a Ambev esteve na contramão do mercado nacional em abril, marcado por leve recuperação após as consideráveis perdas de março. Foi o primeiro mês de resultado positivo em 2020, com alta de 10,25% no índice Bovespa, que fechou o pregão de quinta em 80.505,89 pontos, sendo que havia terminado março com 73.019,76.

Ainda, porém, foi insuficiente para recuperar as expressivas perdas dos três primeiros meses do ano, pois o Ibovespa tinha fechado 2019 com 115.645,34 pontos. Ou seja, mesmo com a recuperação de abril, a queda acumulada em 2020 foi de 30,39%.

Esse cenário não deve melhorar muito em maio, quando os efeitos econômicos da crise do coronavírus deverão ficar mais claros. Já na última quinta, o IBGE divulgou que o índice de desemprego chegou aos 12,2% no primeiro trimestre do ano, atingindo 12,9 milhões de pessoas.

Valorização no exterior
Fora do Brasil, ao contrário do que aconteceu com a Ambev, as ações das principais cervejarias do mundo recuperaram parte das perdas de março, que superaram os 15%.

Na Europa, o papel da Anheuser-Busch InBev – multinacional fruto da fusão da belga Interbrew com a empresa brasileira – fechou o quarto mês de 2020 cotado a 41,88 euros. Como havia terminado março valendo 40,47 euros, a alta foi de 3,48% no mês.

Já o aumento do preço do papel da Heineken foi menor. Ele começou o mês custando 76,16 euros e encerrou março com o valor de 77,62 euros. A valorização, portanto, foi de 1,92% em um mês no mercado europeu.

Menu degustação: Latas da Kinke, Semana Beba Independente, kits do Iron Maiden…

A semana cervejeira se encerrou com uma excelente novidade: a criação da Semana Beba Independente, uma campanha para auxiliar as artesanais em um momento conturbado do país. A luta contra a pandemia do coronavírus também reuniu ótimas ações sociais de cervejarias como Schornstein e Therezópolis, além de boas iniciativas de vendas da Kinke e da Bodebrown, entre outras novidades. Confira.

Beba Independente
Para apoiar o consumidor na decisão sobre qual cerveja tomar e dar visibilidade às artesanais no país, a Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) realiza entre 1º e 10 de maio a Semana Beba Independente. A ação tem o apoio do movimento Compre do Pequeno, do Sebrae, que visa promover o consumo dos negócios locais, desde o pequeno agricultor até o restaurante. Na prática, o site do Beba Independente funciona como um guia: são mais de 50 cervejarias e pontos de vendas cadastrados em 14 estados brasileiros. “Queremos valorizar quem é artesanal independente além dos discursos: aqueles que não têm ligação com multinacionais e produzem com foco na qualidade. Para isso, entendemos que é fundamental disponibilizar informação para quem apoia negócios”, comenta Carlo Lapolli, presidente da Abracerva. 

Leia também – Quase 50% das cervejarias podem falir em 3 meses, revela pesquisa do Guia

Kits do Iron Maiden
A cerveja Trooper Brasil IPA, criada pela Bodebrown junto com a banda Iron Maiden, ganhou uma nova linha exclusiva de produtos: dois kits que trazem o rótulo ao lado de itens especialmente confeccionados para celebrar a parceria. O Kit 1 traz um novo copo pint decorado com o mascote Eddie, do Iron Maiden, uma lata de 473ml da cerveja e uma caixa especial colecionável, a R$ 59. Já o Kit 2, por R$ 118, vem com todos os itens do primeiro, mais uma camiseta preta exclusiva da Trooper Brasil IPA, com a mesma imagem que marca o rótulo.

Leia também – Conheça os bastidores da parceria que uniu Iron Maiden e Bodebrown

Kinke em lata
Primeira fábrica de cerveja da região da Pompéia, em São Paulo, a Kinke acaba de lançar suas cervejas em lata, ideais para delivery ou retirada na cervejaria. São elas: Habemus Session (Session IPA), Fantômas (Witbier), Maverinke (American Pale Ale) e Five Leaf Clover (India Pale Lager). Outra novidade é que a marca criou seu aplicativo (disponível apenas para Android) e sua loja virtual para pedidos online das cervejas em lata ou em growlers de 1 litro. Confira o menu de cervejas e as promoções disponíveis no site.

Duranz para cães
A Doutor Duranz, localizada em Petrópolis e integrante da Rota Cervejeira RJ, lançou uma campanha para arrecadação de ração para cães abandonados. A ação, feita em parceria com a entidade filantrópica Dog’s Heaven, ocorre de 27 de abril a 10 de maio. Para participar e receber dois vouchers da cervejaria, basta doar um saco de ração de no mínimo 15kg. No primeiro voucher, será concedido um desconto de 20% para todas as compras de growlers de chopp durante o mês de maio. E, no segundo, o doador recebe um convite para realizar o beer tour da fábrica (que custa, em média, R$ 80), com direito a acompanhante e degustação de cervejas artesanais. O beer tour será agendado quando o funcionamento da fábrica se normalizar.

Ação da Bier Vila
Depois da Cerveja Blumenau arrecadar 5,4 toneladas de alimentos no último domingo em ação de troca por chopes, a Bier Vila, bar especializado que fica no Empório Vila Germânica, em Blumenau, realizou uma arrecadação complementar na segunda e na terça-feira. Foram doados, então, 299 litros de óleo e leite e 264 quilos de macarrão e feijão. Como forma de retribuir a adesão do público, a casa doou mais 100 unidades de leite e óleo, além de 100 kgs de macarrão e feijão, totalizando quase uma tonelada de alimentos. “Ficamos muito sensibilizados por perceber que os nossos clientes e amigos têm vontade de ajudar e sabem que a solidariedade pode e deve aparecer nesse momento”, conta Ulysses Kreutzfeld, sócio da Bier Vila.

Ação da Schornstein
Outra boa iniciativa em Santa Catarina foi realizada pela Schornstein, cervejaria de Pomerode com 13 anos de história. No formato de drive-thru, a marca coletou alimentos para mais de 250 famílias registradas na assistência social do município. Em duas horas, foram arrecadados 1.229kg. A cada quilo de alimento, o público levou para casa um litro da Pilsen da marca. “Mais uma vez o público de Pomerode mostrou que é solidário e que valoriza as ações da nossa cervejaria”, afirma Gilmar Sprung, sócio da Schornstein.

Ação da Therezópolis
Trocando um quilo de alimento não perecível por um growler de um litro ou um engradado com seis latas especiais, a Therezópolis arrecadou duas toneladas de alimentos que serão doadas para instituições em Teresópolis (RJ). A ação, feita em parceria com a Rio Exxperience, surpreendeu os organizadores pelo sucesso de arrecadações. “Pensamos nesta ação com o intuito de gerar uma corrente do bem e ficamos muito felizes com aceitação. Conseguimos levantar mais alimentos do que o estimado e, ainda, levamos nossas cervejas especiais para os participantes, que doaram os alimentos em um gesto de solidariedade”, ressalta Carla Soares, gerente de marketing da Arbor Brasil.

BCB gratuito
O BCB São Paulo, principal evento de destilados premium da América Latina, anunciou que o credenciamento para a feira será gratuito. Foi a maneira de apoiar e ajudar o setor durante o período de pandemia da Covid-19, segundo destaca a organização do evento, que ocorrerá em agosto. Para Fernando Nagamine, gerente da feira, toda situação excepcional exige uma ação diferenciada. “O BCB busca fomentar o mercado de coquetelaria. Entendemos que nosso público está sendo impactado pelo fechamento temporário de estabelecimentos comerciais e, sendo a feira uma rara oportunidade de qualificação profissional e networking, decidimos não cobrar para que o público tenha acesso ao conteúdo que oferecemos”, ressalta. Antes da decisão, cada profissional pagava R$ 80 para participação em um dia ou R$ 130 para dois. Quem já adquiriu os ingressos terá o valor estornado na fatura do cartão de crédito. No caso de dúvidas sobre este procedimento, a organização disponibiliza um canal aberto pelo e-mail bcb@reedalcantara.com.br.

Balcão do Malte Papo: Precisamos falar sobre o consumo de álcool na quarentena

Precisamos falar sobre o consumo de álcool durante a quarentena

Recentemente a Organização Mundial de Saúde (OMS) sugeriu que a venda de bebida alcoólica fosse limitada durante a pandemia do coronavírus, sob o argumento de que o consumo de álcool pode provocar a diminuição da imunidade, facilitando as contaminações. Por outro lado, cervejarias, importadoras e pontos de venda estão adotando cada vez mais o sistema de delivery para conseguir diminuir seu prejuízo e, quem sabe, não precisar fazer demissões.

O que há de errado nisso? Nada. A OMS está correta em fazer o alerta, até porque não proibiu, e sim pediu um controle. Do outro lado, o empresariado está tentando se equilibrar para manter o seu negócio vivo. Neste momento, então, entra a nossa consciência acerca do consumo de álcool durante a quarentena.

Psicologicamente não tem sido um momento fácil para ninguém, e o álcool pode surgir como uma fuga, uma libertação. E é aí que mora o perigo: a associação da bebida com a fuga momentânea é um passo que pode levar ao alcoolismo. Sim, o seu organismo pode te fazer querer beber todo dia para simplesmente “fugir”. Não obstante, sabemos do problema de violência doméstica que, muitas vezes, tem alguém embriagado e/ou alcoolista por trás dela.

Junta-se a isso o fato de estarmos sendo invadidos por “lives” de artistas, algumas delas patrocinadas por marcas de cerveja, com o protagonista, em alguns casos, bebendo sem moderação, se embriagando, chorando e cambaleando, enquanto o público acha graça disso, indiretamente incentivando o alto consumo de álcool – justamente o contrário da recomendação da OMS. O desserviço é grande para o momento.

Pensando na saúde mental, e física também, não estamos limitados para nos exercitar e precisamos achar o ponto de equilíbrio para este consumo, seguindo as recomendações de que seja moderado. Vale lembrar que o álcool é para momentos bons e, se não estamos bem, não é “beber para esquecer”, mas sim buscar ajuda profissional psicológica.

Se não está conseguindo ficar em isolamento, beber demais pode tirar sua imunidade e te deixar mais exposto. Portanto, use o delivery, ajude sim a cervejaria, o importador e o ponto de venda local, mas com a devida moderação e a responsabilidade que o momento pede.

Saúde e boas cervejas.


Ulisses Malacrida, zitologo nas horas vagas, tem paixão pelo universo cervejeiro. É cervejeiro caseiro, técnico em cervejaria, sommelier e responsável pelo Malte Papo no Instagram e YouTube.

Caso Backer: Cervejaria é liberada pelo Mapa para produzir álcool gel na fábrica

Depois de mais de três meses inativa e sob investigação, a Backer voltará a produzir. No entanto, a fábrica da cervejaria mineira não fará cervejas, uísques e gins, seus principais produtos, e sim álcool gel 70%.

Após inspeção na última terça-feira, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) retirou os lacres de tanques interditados e permitiu a remoção e descarte de 472 mil litros de cerveja neles acumulados desde o início das investigações dos casos de intoxicação por monoetilenoglicol e dietilenoglicol. Mas a cervejaria continua proibida de produzir os seus rótulos até que a investigação seja concluída.

Leia também – Exclusivo: Quase 50% das cervejarias podem falir em 3 meses, revela pesquisa do Guia

A permissão da retirada do material se deu como resposta a um pedido da própria Backer. Com a parte do material que não apresentou sinais da presença de substâncias tóxicas, a cervejaria pretende fabricar 28,3 mil litros de álcool gel. E o produto deve ser doado para ações de combate ao coronavírus.

No ato de retirada dos lacres, os técnicos do Mapa colheram material para novas análises e realizaram testes nos tanques esvaziados, que apresentaram resultados negativos para as duas substâncias tóxicas que afetaram 42 vítimas, sendo nove delas fatais.

Ainda assim, um tanque da cervejaria continua sob análise, e outros três seguem lacrados por terem recebido líquido daquele que ainda está sob perícia, como parte da investigação da Polícia Civil de Minas Gerais, iniciada em janeiro e que também ouviu 60 pessoas.

“É preciso cautela, pois o inquérito ainda deve ser concluído, mas é uma sinalização importante de que foi algo pontual, isolado, que não há contaminação na fábrica. Toda a linha de produção passará por testes e certificações do Ministério da Agricultura para que a Backer possa voltar a produzir com segurança e qualidade”, afirma o advogado da empresa, Estevão Nejin, sobre a possibilidade de a cervejaria voltar a produzir os seus rótulos.


Leia também

Investigação descarta sabotagem na Backer

Foco da Polícia Civil está, agora, na avaliação de outras possibilidades, especialmente a de negligência na fabricação. Com bens bloqueados, cervejaria pede “voto de confiança”

Com Liniker, Luedji e Macalé, festival da Devassa acontece de quinta até domingo

Quatro dias, oito festivais e 34 atrações musicais. A enumeração dá o tom da grandiosidade do projeto “Devassa Tropical Ao Vivo”, que está sendo chamado de festival dos Festivais. Os shows serão realizados entre esta quinta-feira e o próximo domingo, aproveitando o fim de semana prolongado, em função do feriado do Dia do Trabalhador. E terá a participação de nomes de peso da música brasileira, como Jards Macalé, Liniker, Zeca Baleiro, Luedji Luna e Tulipa Ruiz.

Leia também – 34 marcas se unem para lançar cerveja celebrativa dos 60 anos de Brasília

O período de isolamento social, medida adotada no Brasil para desacelerar a propagação da pandemia do coronavírus, alterou o modo de realização e consumo de atrações culturais, levando-as para dentro das casas. E, desde o mês passado, a realização de transmissão de “lives” tem dominado o cenário, com audiências relevantes, além do apoio e patrocínio de grandes empresas, especialmente do setor cervejeiro.

A partir desta quinta-feira, a principal delas será a da Devassa. A marca do grupo Heineken reunirá, em um só evento, oito dos principais festivais de música do Brasil, todos de estados diferentes. São eles: Bananada (GO), Carambola (AL), DoSol (RN), GTR (PE), Radioca (BA), Sarará (MG), Se Rasgum (PA) e Wehoo (PE).

Com a transmissão das “lives”, a ideia da Devassa é realizar doações aos profissionais que trabalham nesses eventos, mas que não podem exercer suas funções, pois não há data para realização dos festivais por causa da pandemia do coronavírus e das medidas de isolamento social. Cada evento, inclusive, indicou uma causa para receber apoio.

“Com o festival #DevassaTropicalAoVivo estamos mostrando que, mesmo em um momento delicado como este, estamos fortes e mais unidos que nunca, apoiando a cena musical brasileira independente para que continue exaltando grandes artistas”, comenta o gerente de marketing da Devassa, Gabriel D’Angelo Braz.

O festival será transmitido pelo perfil no YouTube da Devassa. E a apresentação dos shows será do DJ, radiomaker e diretor artístico Patrick Tor4.

Confira a programação completa:

Quinta-feira
17h – Festival Radioca
Josyara; Mallu Magalhães; Teago Oliveira; Anelis Assumpção + Curumin.

20h – Festival GTR
Mestre Anderson Miguel; Tagore; Lia de Itamaracá e DJ Dolores; Schevchenko e Elloco

Sexta-feira
17h – Festival Wehoo
Flaira Ferro | Biarritz; Francisco El Hombre e Luê; Cynthia Luz e Froid; Marcelo Falcão

20h – Festival DoSol
Plutão Já Foi Planeta; Luísa e os Alquimistas; Potyguara Bardo; Heavy Baile.

Sábado
17h – Festival Carambola
Zeca Baleiro; Ana Cañas; Wado e Mopho; Chico César.

20h – Festival SeRasgum
Andre Abujamra e Marisa Brito; Jards Macalé; Keila; Larissa Luz.
23h – After Tropical
Tropkillaz

Domingo
17h – Festival Sarará
Mariana Cavanellas; Luccas Carlos; Luedji Luna; Rael.

20h – Festival Bananada
Felipe Cordeiro; Boogarins; Tulipa Ruiz; Liniker e Os Caramelows.

23h – After Tropical
Baile Tropical com Patrick Tor4

Exclusivo: Quase 50% das cervejarias podem falir em 3 meses, revela pesquisa do Guia

Exclusivo: Quase 50% das cervejarias podem falir em 3 meses, revela pesquisa do Guia

A crise que assola a maior parte dos setores produtivos brasileiros tem sido especialmente perversa com o segmento cervejeiro. Pesquisa realizada pelo Guia da Cerveja analisa os impactos da pandemia do coronavírus e mostra que quase metade das cervejarias brasileiras pode ter sua falência “agendada” para os próximos três meses.

Com o intuito de colaborar para o debate a respeito dos problemas e da busca por soluções para sair da crise, o Guia procurou ouvir donos e representantes de cervejarias de todo o país e de todos os tamanhos. E o resultado escancara, além de uma onda iminente de falências, diversas outras dificuldades enfrentadas pelas empresas.

Leia também – Crise poderá mudar setor cervejeiro e terá impacto maior na Ambev, dizem analistas

A pesquisa, feita entre os dias 20 e 28 de abril, ouviu 82 cervejarias de 12 estados brasileiros. Dessas, 88% fazem até 50 mil litros por mês, sendo que 62% têm produção de até 10 mil litros por mês.

A maioria, 70%, vende apenas no seu estado de origem, principalmente na sua cidade e nas vizinhas. As cervejarias que têm fábrica própria e taproom correspondem a pouco mais de 70% delas, enquanto as ciganas são 26% das marcas.

Quebradeira
As respostas apontam para uma sequência de “quebras” a partir de julho. Além das quase 50% das cervejarias que reconhecem o risco de fechar em três meses, outras mais de 25% preveem ter ter até seis meses de vida no cenário atual.

“Uma segunda onda atingiria muitas das cervejarias que chegarem de portas abertas até o fim das restrições, mas que estarão completamente endividadas”, afirma a jornalista e consultora Fabiana Arreguy, parceira da equipe do Guia na análise dos resultados da pesquisa, considerando a ajuda das medidas de socorro financeiro à indústria anunciadas pelos governos para o período da pandemia.

Na análise de Fabiana, os dados explicitam o caráter imediatista dos projetos de grande parte das cervejarias surgidas no “boom” de inaugurações nos últimos quatro anos. “Os planos de negócio para se abrir uma cervejaria no país eram imediatistas, contando quase unicamente com capital de giro, sem possibilidade de aportes para expansões e aumento da escala de produção”, avalia ela.

Nesse cenário, a renegociação de dívidas com credores e fornecedores é a principal aposta financeira das cervejarias para equilibrar suas contas: mais de 40% delas recorrem a esse tipo de acordo. As linhas de crédito específicas para o socorro a empresas na crise do coronavírus do governo federal chegaram a 12% das cervejarias, enquanto os empréstimos de bancos privados são a alternativa para cerca de 15%.

Força de trabalho
Além das medidas financeiras, foi preciso tomar decisões práticas, que mexem nas estruturas e configurações das cervejarias. As demissões foram necessárias para 15%, enquanto mais de 50% buscaram soluções com os acordos de suspensão do contrato de trabalho e de redução de salários e jornada dos funcionários, conforme previsto na Medida Provisória 936.

Na análise de Fabiana, as cervejarias que conseguiram evitar as demissões devem mudar suas relações de trabalho após a pandemia, redesenhando as funções dos membros da equipe – que devem acumular funções. “Muitos donos de cervejarias podem voltar ao chão de fábrica, um retorno aos primórdios de seu negócio”, aposta.

Vendas e faturamento
Após mais de 40 dias de quarentena em praticamente todo o território brasileiro, as cervejarias já conseguem enxergar com certa clareza o tamanho dos estragos financeiros.

Quando perguntados a respeito de seu faturamento em março, o primeiro mês com medidas restritivas, 98% dos participantes da pesquisa afirmam que tiveram queda de receita. Para mais de 60% das empresas, a redução do faturamento foi de mais de 50% em relação ao mês anterior.

A grande aposta para reverter o cenário é o serviço de delivery: 34% das cervejarias não trabalhavam com essa modalidade e passaram a fazer entregas em sua região, enquanto outras 15% aumentaram sua operação. Já as vendas online são alternativas adotadas por quase 18%.

Para Fabiana, esses canais tendem a se fortalecer após a crise. “Quem usar este tempo para se familiarizar e aprender a lidar com o e-commerce vai ganhar lá na frente, ampliando seu poder de venda e sua capilaridade”, afirma.

No infográfico abaixo, conheça os principais destaques da pesquisa.

Os resultados completos serão divulgados pelo Guia na próxima semana.

Pandemia freia expansão e adia consolidação de São Paulo como referência do setor

A produção de cervejas na maior cidade do Hemisfério Sul começou 2020 em alta. São Paulo passava por expansão relevante da oferta de rótulos produzida localmente, somada ao crescimento exponencial na quantidade de estabelecimentos cervejeiros em todas as regiões do município. A capital paulista caminhava, assim, para se consolidar como uma das referências do setor de artesanais no Brasil. Mas, com os desafios provocados pelas medidas de isolamento social em função da pandemia da Covid-19, o segmento paulistano está agora diante de um momento de incerteza.

“A Júpiter foi muito impactada pela quarentena. Antes da pandemia chegar ao Brasil, a maior parte de nossas vendas era em chope para bares. Com a limitação das operações desses estabelecimentos ao delivery, o consumo caiu bastante. Também pesa muito o fato de muitas pessoas enfrentarem redução de rendimentos, seja porque suas empresas faturam menos, seja porque perderam empregos”, diz David Michelsohn, mestre-cervejeiro da Júpiter, uma das referências do setor em São Paulo, exemplificando as dificuldades enfrentadas nesse momento de crise.

A história da produção profissional de cerveja na capital paulista começou ainda na Era Imperial, quando o alemão Louis Bücher convenceu o empresário Joaquim Salles a usar sua fábrica de gelo, chamada Antarctica, para produzir a primeira Lager nacional. Eram feitos 6 mil litros de cerveja por dia na indústria improvisada no bairro Água Branca. O negócio prosperou e, alguns anos depois, novos investidores entraram na sociedade e uma fábrica maior na Mooca foi construída.

Mas a expansão urbana no século XX levou São Paulo a restringir atividades industriais no município, através de leis ambientais e de zoneamento. Com isso, após o fechamento da fábrica da Brahma no bairro do Paraíso em 1980, a cidade viveu cerca de 30 anos sem produção local.

Somente com mudanças na legislação e implementação de novos modelos comerciais no setor, a capital paulista voltou a sentir o cheiro do malte virando cerveja. A partir de 2010, os brewpubs ganharam força na cidade. Estes estabelecimentos conseguiram as permissões ambientais e de zoneamento necessárias para produção de cerveja. Até marcas de fora do Brasil, como a Goose Island, começaram a fazer rótulos em São Paulo.

Com isso, a produção paulistana tem expandido ano após ano. Em 2018, segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), havia nove cervejarias registradas em São Paulo. Já em 2019, a cidade fechou o ano com 27 empresas reconhecidas pelo Mapa, uma expansão de 200%, muito superior ao crescimento nacional, que ficou em 36% nesse período.

Leia também – Infográfico: Brasil passa de 1.200 cervejarias em 2019

Esses números fizeram São Paulo se tornar a segunda cidade com mais cervejarias no Brasil, atrás apenas de Porto Alegre, que possui 39, e superando cidades como Nova Lima, Caxias do Sul e Curitiba, que tinham mais cervejarias do que a capital paulista.

Incertezas da crise
No último aniversário de São Paulo, em janeiro, o Festival das Cervejarias Paulistanas contou com 13 empresas de diferentes bairros, com oferta de produção de ótima qualidade, além de grande variedade de rótulos.

Com esse crescimento, aliado ao enorme mercado consumidor e à característica cosmopolita da cidade, parecia iminente a consolidação de São Paulo como referência em cerveja artesanal no Brasil. Mas o cenário da pandemia da Covid-19, com o isolamento social e o fechamento dos bares, freou essas pretensões.

“O problema é que não temos perspectiva de quando irá voltar o mercado. No mercado de eventos, mesmo quando voltar, as pessoas vão ter medo de aglomerações. É uma coisa inacreditável o que está acontecendo no mundo”, afirma Gilberto Tarantino, sócio da cervejaria com maior volume de produção na cidade, a Tarantino.

Além disso, qualquer novo projeto que estava em desenvolvimento para ser implementado foi suspenso. “Fomos impactados com a suspensão de projetos especiais. Receitas que desenvolvemos com exclusividade tiveram sua produção adiada. Bares e empórios suspenderam ou recusaram pedidos feitos. Outro custo que estamos carregando é o do estoque, que havia sido reposto na primeira semana de março, pouco antes da quarentena se iniciar”, acrescenta Michelsohn, da Júpiter.

Agora, os empresários locais estão se adaptando e promovendo ações que permitam a retomada após o fim do isolamento. “Temos nove anos de história e já passamos por muitas situações, nada parecido com o que estamos vivendo agora, claro, mas estamos nos mantendo fortes e otimistas para enfrentarmos tudo isso”, conta Beatriz Cury, gerente de marketing e vendas da Cervejaria Nacional.

Contudo, Rogéria Xerxenevsky, sócia proprietária da cervejaria X Craft Beer, exibe esperança de que o setor saia fortalecido da pandemia. “Nós vamos chegar lá. Vai ser um ano mega apertado, difícil, mas nós vamos chegar lá do outro lado. Mais fortalecidos, talvez, com o público conhecendo mais sobre cerveja artesanal”, finaliza ela.

Live da Paulistânia e da Brew Summit movimentam a internet cervejeira

Muitas pessoas estão aproveitando o isolamento social para adquirir novos conhecimentos através da internet. E, quando o assunto é cerveja, boas opções estão sendo disponibilizadas nas redes sociais e em plataformas de reuniões digitais. É o caso de duas “lives” de qualidade que serão realizadas nesta quarta-feira.

Leia também – 23 promoções de delivery de cerveja na quarentena

Com o objetivo de levar conhecimento sobre a história da cerveja de uma maneira descontraída, a cervejaria Paulistânia promoverá a live “Por que bebemos?”. A ideia é mostrar como a cerveja se tornou uma das bebidas mais importantes da história da humanidade.

Para essa live foram escalados dois especialistas: André Souza, sommelier e embaixador da Paulistânia e da Bier & Wein, e Rodrigo Sena, sommelier e jornalista do canal Beersenses.

“Preparamos um conteúdo bem didático, queremos democratizar esse conhecimento para que as pessoas entendam como a cerveja influencia a vida de todos nós até hoje”, aponta Rodrigo.

O bate-papo sobre a história da cerveja será realizado junto a uma degustação para ilustrar as explicações. A live será às 17h desta quarta no Instagram da cervejaria Paulistânia.

Brew Summit
Voltado para cervejarias e empresários do setor, o Brew Summit Conference apresentará palestras pela internet sobre os desafios para retomar o crescimento após a pandemia. Realizado pelo Polo Cervejeiro de Ribeirão Preto e pela Fito Marketing, o evento buscará apresentar ações práticas para sobreviver à crise.

O presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), Carlo Lapolli, participará do Beer Summit para falar sobre as perspectivas para a retomada do setor após a quarentena.

Outro palestrante, Gustavo Oliveira, tributarista e contador especializado em cervejarias, falará sobre os movimentos contábeis e financeiros necessários para as empresas do segmento.

Haverá ainda palestras sobre insumos, mídias sociais e e-commerce. O Brew Summit é gratuito e para participar basta realizar uma inscrição online no site do evento.

Mercado de rótulos e cervejeiro precisarão de mais parcerias após crise, diz especialista

Se ainda é impossível prever quando a crise do coronavírus chegará ao fim e quais serão seus efeitos econômicos, soluções para passar por ela sem maiores traumas estão sendo buscadas pelos diferentes segmentos, como o de rótulos. E a avaliação de especialistas é de que serão necessárias parcerias para o mercado e a indústria se fortalecerem.

Leia também – Crise poderá mudar setor cervejeiro e terá impacto maior na Ambev, dizem analistas

Para Bruno Lage, sócio-diretor da Label Sonic, as transformações serão profundas. E elas passarão não apenas por mudanças no modo de consumo e venda, mas também vão envolver a forma de se lidar com essas opções comerciais. Tudo precisará, assim, ser mais pensado e planejado.

“Muitas estruturas sofrerão mudanças radicais e algumas irão desaparecer”, alerta o sócio-diretor da Label Sonic, empresa do setor de rótulos que diz ter surgido com o foco de facilitar o acesso a produtos gráficos de qualidade pelos pequenos e médios empreendedores brasileiros.

“Imagino que os pequenos comércios e os pequenos produtores de bebidas terão de oferecer serviços de entrega mesclando as grandes plataformas (que cobram altas taxas, mas possuem grande tráfego) com sistemas próprios de entrega. Não adiantará ter uma estratégia de delivery apoiado 100% em grandes plataformas de delivery pois o custo será alto”, afirma.

Lage também enxerga que a rotina de consumo de cervejas passará por alterações consideráveis, se tornando mais residencial, ainda que não solitária, como vem ocorrendo na fase de isolamento social. E crê que isso terá efeitos benéficos para produtos de maior qualidade.

Nesse cenário, segundo o sócio da Label Sonic, quem conseguir se comunicar melhor com o público, através da disponibilização de informações claras, terá vantagem competitiva.

“O hábito de consumir em casa ganhará mais força. E este consumo não necessariamente será solitário, mas em grupos pequenos de amigos. Talvez o surgimento de confrarias seja intensificado e isto será ótimo para sommeliers e para as marcas de bebidas que poderão apoiar o surgimento destes grupos. Isto trará muitas oportunidades para todos os envolvidos”, aponta Lage, para depois acrescentar.

“As marcas precisam investir em conteúdos, informação e educação para que este consumidores, agora reclusos, consumam com foco na qualidade dos produtos e na experiência que estes produtos podem proporcionar”, comenta o sócio da Label Sonic, que atua com bebidas premium, fornecendo rótulos, rotuladora manual, copos descartáveis, caixas e taças.

União e novas opções
O mercado pós-crise, assim, segundo ele, trará a possibilidade de unir forças entre diferentes atores do setor cervejeiro, com a criação de novas iniciativas e aposta na inventividade. A própria Label Sonic se aponta como um exemplo interessante disso, pois consegue fechar acordos por quantidades reduzidas de  rótulos com pequenas empresas.

“Creio que ações promocionais unindo PDV e indústria serão reformuladas, indo além do mero desconto e da ‘taça’ como brinde. Tanto o PDV como a indústria terá de entregar mais ‘experiências’ ao consumidor”, avalia.

Lage também espera que o consumidor busque uma aproximação com os microempreendedores, enxergando-os como importantes peças na engrenagem da economia.

“Espero também que surja por parte do consumidor um carinho muito especial com o pequeno comércio e com o pequeno produtor. Tenho uma esperança que estes pequenos empreendedores sejam reconhecidos como fundamentais para e economia local e para a sua comunidade”, projeta.

Leia também – 34 marcas se unem para lançar cerveja celebrativa dos 60 anos de Brasília

Além disso, aponta para a união que deve emergir desse momento complicado, com o auxílio entre as diferentes partes para a recuperação e o crescimento do setor. E a Label Sonic já tem um bom exemplo de parceria durante a crise do coronavírus, tendo cedido suas impressoras 3D para a Grafix produzir protetores faciais, importantes para evitar a propagação da doença. “A Grafix, parceira nossa, está usando as impressoras 3D para fazer os protetores”, comenta Lage, para depois completar.

“Tenho uma esperança que um novo significado surja para a palavra ‘parceria’. Somente uma relação muito próxima e generosa entre as partes poderá tornar os negócios viáveis. Os negócios que podem investir em resultados em médio prazo (e nem todos podem!) devem focar na continuidade da atividade de seus parceiros. Sem cliente ou sem fornecedor, não há negócio”, conclui o sócio da Label Sonic.

Crise poderá mudar setor cervejeiro e terá impacto maior na Ambev, dizem analistas

A crise provocada pela pandemia do coronavírus poderá ter efeitos duradouros no setor cervejeiro e afetar negativamente os próximos meses da Ambev, a marca líder do segmento no Brasil. Trabalhos de analistas apontam que o fechamento de restaurantes e bares, adotado em função das medidas de isolamento social, afetará especialmente as marcas da multinacional. E esses efeitos poderão ser prorrogados por causa da mudança comportamental dos consumidores advinda da quarentena.

Leia também – Ambev promete manter empregos e reforça delivery na pandemia do coronavírus

Material do Bradesco BBI alerta para a possibilidade de alterações do hábito da população caso o período de isolamento social se prorrogue por mais tempo. A publicação lembra que a Sars, ocorrida no início dos anos 2000 e que teve a China como epicentro, mudou alguns comportamentos das pessoas.

“A epidemia de Sars entre 2002 e 2004 levou a um aumento significativo nas assinaturas de banda-larga e a um impulso duradouro para o e-commerce”, afirma o estudo assinado por Leandro Fontanesi. O documento também cita uma pesquisa realizada pela Nielsen na China que diagnosticou o desejo dos seus moradores de fazerem agora mais refeições em suas residências do que antes da pandemia do coronavírus.

Avaliando a possibilidade de um cenário de queda de 50% no consumo de alimentos e bebidas fora de casa, o Bradesco BBI estima uma redução de 21% na venda de cervejas no Brasil, enquanto o consumo de bebidas não alcoólicas aumentaria 11%. Isso porque 58% das pessoas têm preferência pelo consumo de cerveja quando estão longe do domicílio, porcentual que cai para 19% na residência.

Nesse cenário mais extremo, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da Ambev sofreria redução de 14%. E a queda ficaria em 11%, 8%, 6% ou 3% caso o consumo externo caia 40%, 30%, 20% ou 10%, respectivamente, de acordo com a análise do Bradesco BBI.

Dependência de bares
Essas dificuldades para a Ambev também são apontadas em relatório do BTG Pactual. A avaliação de Thiago Duarte e Henrique Brustolin é de que a multinacional será a empresa mais afetada pela crise no setor por ter maior dependência das vendas em bares e restaurantes.

A análise segue a mesma vertente do material produzido pelo Bradesco BBI, que aponta um dado expressivo: 62% das vendas da Ambev são para esses estabelecimentos, acima da média brasileira.

Leia também – Com criatividade, cervejarias inovam e investem mesmo durante o isolamento social

O BTG Pactual também avalia que a crise do coronavírus se junta a outros cenários considerados desfavoráveis para a Ambev, como “menor consumo fora do domicílio, aumento da concorrência e mudança da preferência do consumidor de marcas tradicionais”.

Além disso, a crise do coronavírus, somada ao clima turbulento provocada pela grave crise política, tem reforçado a desvalorização do real frente ao dólar, que fechou a última sexta-feira  cotado a R$ 5,59. “(A crise) pode não apenas reduzir volumes, mas também prejudicar ainda mais as margens devido a um canal pior de variedade de produtos”, conclui o estudo.

Os efeitos da crise do coronavírus sobre a Ambev poderão começar a ser contabilizados na próxima semana, em 7 de maio, quando a empresa vai divulgar o balanço financeiro do primeiro trimestre de 2020.