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Decisão do STF abre jurisprudência para venda de cerveja nos estádios

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Assunto de grande controvérsia há anos, a liberação da venda de cerveja nos estádios recebeu um aval do Superior Tribunal Federal (STF) que pode representar o passo decisivo para que ela se torne legal em todos os estados brasileiros. Afinal, o  plenário da corte considerou constitucional uma lei do Mato Grosso que permite a comercialização da bebida nas partidas locais.

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A decisão do STF foi uma resposta parcial a três Ações Diretas de Inconstitucionalidade protocoladas em 2015 pela Procuradoria Geral da República (PGR) contra leis do Espírito Santo, do Mato Grosso e do Paraná. A ação alega inconformidade em função da proibição expressa no Estatuto do Torcedor.

As ações entraram na pauta do julgamento virtual do STF. Por pedidos dos ministros Alexandre de Moraes e Carmen Lúcia, as votações dos casos paranaense e capixaba, respectivamente, irão acontecer em plenário, em função da apresentação de destaques por eles.

Porém, houve o julgamento da ação sobre a venda de bebidas alcoólicas fermentadas e com limitação de 14% de teor alcoólico e até o intervalo dos jogos no Mato Grosso. E o resultado entre os votantes foi unânime: 9 a 0, com decisões favoráveis de Edson Fachin, Marco Aurélio, Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski, Rosa Weber, Dias Toffoli, Luís Roberto Barroso, Alexandre de Moraes e Luiz Fux. Carmen Lúcia não votou e Celso de Mello não participou, por estar de licença médica.

Precedente aberto
Esse resultado pode ser visto como uma vitória para o setor cervejeiro. E pode motivar a apresentação de novos projetos de lei para liberar a venda das bebidas nos estados em que ainda não há uma legislação específica, hoje necessária para que a comercialização aconteça.  

É o caso de São Paulo, onde a venda está proibida desde 1996. No ano passado, um projeto de lei foi aprovado pela Assembleia Legislativa. Embora o documento agradasse aos clubes, foi vetado pelo governador João Dória sob a alegação de inconstitucionalidade, algo que o STF agora demonstrou discordância.

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A ampliação do veto ao consumo de álcool nas arquibancadas brasileiras se deu em 2008, quando o então presidente da CBF, Ricardo Teixeira, assinou um protocolo de intenções com o Conselho Nacional de Procuradores Gerais proibindo, por meio de resolução, o comércio de bebidas em competições oficiais organizadas pela entidade. A determinação, porém, já estava prevista no Estatuto do Torcedor, sancionado em maio de 2003 pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O estatuto aborda o tema ao declarar ser proibido o “porte de objetos, bebidas ou substâncias proibidas ou suscetíveis de gerar ou possibilitar a prática de atos de violência” nos estádios. Apesar disso, há brechas para a liberação das vendas. E alguns estados as aproveitaram.

Para a adoção da liberação, existe a avaliação de que são as esferas estaduais e municipais as responsáveis pela normalização ou proibição do consumo de bebidas alcoólicas em estádios, ginásios e arenas. E o STF ratificou na decisão sobre Mato Grosso essa visão, o que pode se tornar uma jurisprudência para casos semelhantes.

Crescimento moderado da Ambev em 2019 confirma acirramento do setor

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A divulgação pela Ambev do balanço do quarto trimestre de 2019 apontou crescimento considerado modesto nesse período, confirmando um cenário de forte concorrência para a cervejaria no mercado brasileiro, ainda que a multinacional continue sendo a líder do setor.

Os dados divulgados apontaram que a Ambev registrou aumento de 1,4% no volume de cerveja vendida no Brasil no quarto trimestre de 2019 na comparação com o mesmo período do ano anterior, chegando a 23,597 milhões de hectolitros. Já no total de 2019 a alta foi maior, de 3,2% em relação a 2018, com um montante de 80,263 milhões de hectolitros nos 12 meses.

As dificuldades para a Ambev ficam mais claras quando se vê que o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado da companhia atingiu R$ 6,924 bilhões no quarto trimestre, uma queda de 9,3% ante o mesmo período do ano anterior. Na comparação de 2019 com o ano anterior, a redução foi de 2,5%, para R$ 21,147 bilhões.

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A avaliação do mercado para esse encolhimento foi de que a Ambev conseguiu manter a sua participação no mercado com a manutenção de preços e o uso de promoções para lidar com a concorrência. Além disso, as despesas foram impactadas pelas altas do câmbio e do preço das commodities.

“Isso mais uma vez ressalta o quanto o mercado de cerveja brasileiro se tornou mais difícil com base no fim do monopólio virtual da Ambev, no crescimento do consumo em casa, na erosão do valor da marca do segmento mainstream e na falta de escalabilidade no segmento premium, o que coloca o notável poder de preço da Ambev e margens operacionais em risco”, afirmou o relatório de análise do BTG.

O balanço também apontou que a receita líquida da Ambev cresceu 1,2% no quarto trimestre de 2019, para R$ 7,561 bilhões. Porém, considerando a receita líquida por hectolitro, houve queda de 0,2%. Já em 2019, a receita líquida teve elevação de 5,6% ante 2018, enquanto a receita líquida por hectolitro aumentou 2,4%.

Já o lucro líquido atribuído ao controlador foi de R$ 4,099 bilhões no quarto trimestre de 2019, alta de 22% na comparação ao mesmo período do ano anterior. Já em 2019, o montante foi de R$ 11,780 bilhões, 7,13% maior do que em 2018. O lucro líquido ajustado da Ambev foi de R$ 4,633 bilhões no quarto trimestre de 2019, 24,4% a mais do que o mesmo período do ano passado. Em 2019, por sua vez, o crescimento do lucro líquido ajustado foi de 8,5% na comparação com 2018, chegando aos R$ 12,549 bilhões.

E a receita líquida da Ambev caiu 1% no quarto trimestre de 2019 em relação ao mesmo período de 2018, para R$ 15,856 bilhões. No total de 2019, houve alta de 4,7%, para R$ 52,599 bilhões, em relação ao ano anterior.

Profissionalização é a chave para mercado brasileiro se destacar, alerta especialista

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Com pouco mais de uma década de atividade no setor cervejeiro, Taiga Cazarine acumula grandes experiências conectando o público ao universo das bebidas. Empresária, jornalista, sommelière de cervejas, professora e jurada internacional (BJCP Certified), ela acredita que a profissionalização das equipes de trabalho é a grande chave para a evolução do mercado no Brasil.

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Essa é a opinião de uma especialista que passou por diversos países, como Alemanha, Inglaterra, Dinamarca, Estados Unidos, Canadá, Chile, Panamá, Costa Rica e Argentina, trabalhando e conhecendo de perto diferentes mercados. Com esse currículo,  Taiga compartilhou muitos pensamentos sobre o cenário cervejeiro global – e como o Brasil está inserido nesse contexto, em um bate-papo exclusivo com o Guia.

Dificuldades semelhantes
Conseguir ampliar o público consumidor de cervejas artesanais, superando dificuldades inerentes ao negócio, não é um desafio somente brasileiro. Taiga explica que até mesmo escolas tradicionais, como a alemã, possuem obstáculos para diversificar os estilos oferecidos ao público.

“Eu estive em Colônia, na Alemanha, e lá existe uma grande praça onde as pessoas vão, com muitas cervejarias em volta, cervejarias com muito tempo de funcionamento. No entanto, todas vendendo cervejas muito parecidas, sempre na linha da Kölsch (estilo tradicional da cidade)”, conta a especialista.

“E muito escondidinho, em uma esquina ali perto, existe um pub que luta para receber cervejas das artesanais alemãs que estão tentando fazer resgate de estilos e, inclusive, tentando trazer estilos que são produzidos mundo afora”, acrescenta Taiga.

Em sua análise, ela também diz que o admirado mercado norte-americano enfrenta dificuldades, muitas delas semelhantes às do Brasil, como a necessidade de “educar” o público e apresentar as cervejas artesanais.

“Ainda hoje você bate um papo com os cervejeiros dos EUA e eles possuem um discurso muito semelhante ao nosso, de que precisamos educar nossos consumidores, que agora as pessoas estão entendendo melhor o conceito do produto craft. Ainda assim é um mercado crescente que está cada vez mais abraçando consumidores interessados em diferentes sabores, em diferentes experiências. E, no final das contas, as cervejas mais vendidas são aquelas mais fáceis de beber. É assim na Espanha, na Itália, em Portugal, na Argentina”, reforça ela.

Profissionalização
E, como um dos principais desafios dessa evolução, Taiga aponta a profissionalização dos trabalhadores que atuam no mercado cervejeiros brasileiro. “São pessoas que vêm de todas as áreas de atuação para trabalhar com a cerveja. E não necessariamente essas pessoas possuem o conhecimento de gestão, de empreendedorismo”, explica a empresária, acrescentando que atualmente tem enxergado uma maior qualificação entre os profissionais do setor.

“Estar preparado para as adversidades é muito importante. Não é fácil. Eu sinto que as pessoas estão se preparando um pouco mais. A gente ainda vai ter bastante aventureiro, mas o mercado está mudando. As pessoas já estão percebendo a necessidade de estar mais preparadas, independente da área em que irá atuar, seja o dono da fábrica, seja o cervejeiro”, acrescenta Taiga, avaliando o nível de profissionalização do mercado brasileiro.

Na visão da sommelière, o mercado brasileiro está no rumo correto. “Independentemente das grandes mudanças, o que mais a gente tem que perceber é o que estamos no caminho certo. As dificuldades sempre existem, a gente precisa passar pelas adversidades, mas o que estamos fazendo está bacana. Devagarzinho estamos conquistando espaço. A Abracerva está fazendo um excelente trabalho, estamos nos fortalecendo de todos os lados”.

Mais espaço para o sommelièr
Taiga também avalia que o Brasil ainda não possui sommelieres especializados e qualificados para desempenhar a importante tarefa que o mercado exige. Mas isso é fruto da desvalorização e da falta de compreensão de qual é o trabalho desse profissional para o setor.

“Temos uma necessidade de valorizar o profissional sommelier, até para que os próprios sommelieres comecem a abrir espaço para eles no mercado. Essa é uma profissão que não é muito abraçada, pois ela não é muito entendida. Ainda não temos sommelieres altamente capacitados para atuar como grandes especialistas dentro das cervejarias, mas isso é algo possível de construir”, diz ela, apontando a necessidade de o sommelier estar mais associado às cervejarias.

“Ter o sommelier próximo da cervejaria é importante para a construção e evolução do padrão de cerveja, até pela questão de trazer estilos de cervejas que envolvam marketing, que atrele a uma estratégia de venda. Não é só pensar na cerveja porque eu gosto ou porque todos estão fazendo, mas começar a entender melhor o público, respeitá-lo e atendê-lo”, finaliza Taiga.

‘Bares precisam acompanhar qualificação do cliente’, diz presidente da Abrasel-SP

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Os bares e restaurantes são pontos de venda fundamentais para a indústria cervejeira como um todo. Nos últimos 20 anos, a cultura de comer e beber fora de casa provocou um crescimento exponencial desse mercado, impondo a necessidade de o segmento se manter qualificado e atualizado. Atualmente são quase 1 milhão de estabelecimentos em todo o país, segundo o Sebrae, entre bares, restaurantes, lanchonetes, cafés e afins.

Esse crescimento ocorreu porque os consumidores passaram a se interessar por experiências diferenciadas, que envolvem desde o atendimento até o ambiente e o cardápio oferecido pelos estabelecimentos. A cerveja acompanha essa mudança cultural.

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E, para Percival Maricato, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de São Paulo (Abrasel-SP), o interesse do público por novas experiências gastronômicas é o que motiva o crescimento da demanda por cervejas artesanais nos bares e restaurantes.

“O que se constata foi uma continuação da qualificação do consumidor e da variedade e qualidade correspondente de cervejas. Este é um processo de aculturação do público, que começou pela gastronomia, passou pelo vinho, pelo café e chegou na cerveja”, diz Percival.

Ele ressalta que a cerveja sempre foi a bebida predileta nos estabelecimentos, sendo muito mais consumida do que destilados e vinhos. Mas agora a demanda por rótulos artesanais é o que chama a atenção.  “Isso parece que é uma tendência contínua, as cervejas especiais continuam crescendo cada vez mais dentro do portfólio de cervejas. O público brasileiro prefere a cerveja”, conta ele.

“Eu me lembro que fui há 25 anos para os Estados Unidos ver microcervejarias, e existiam muitas, tanto na costa Oeste quanto Leste. Era raro entrar em uma cidade grande que não tivesse uma variedade grande de cervejas. E isso chegou ao Brasil com força total”, completa o presidente da Abrasel-SP.

Crise e pandemia
Assim como outros segmentos, o setor de bares e restaurantes está apreensivo com a crise econômica, acentuada pela pandemia do coronavírus. Maricato diz que o segmento precisa se fortalecer com qualidade, oferecendo sempre novidades e diferenciais no mercado.

“O nosso setor está cada vez mais concorrido. Além da diversificação da oferta de produtos dentro do mercado, existe a evolução dos próprios estabelecimentos, que precisam não só atender o consumidor que está mudando, como concorrer com os muitos outros estabelecimentos que querem conquistar esse consumidor”, aponta o especialista, para depois finalizar.

“Quem quiser sobreviver no mercado tem de ser melhor sempre, procurar uma diferenciação dos concorrentes”, adverte o presidente da Abrasel-SP.

Espaço Aberto: A cerveja no Brasil, vista por um apreciador

*Por Luiz Guerreiro

O ato de consumir cerveja no Brasil faz parte do cotidiano de muitos cidadãos. Ao longo dos anos, várias marcas dominaram a preferência do mercado, produzindo uma série de rótulos que revezavam-se na liderança das vendas. É comum escutar de pessoas que suas histórias sejam ligadas a estas empresas e seus produtos, em uma relação intrínseca entre história, alegria, cerveja e marca.

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No Brasil, a cerveja considerada “de massa” foi o principal objeto da indústria por muito tempo. Nesse sentido a utilização de adjuntos (milho, arroz, etc.) é tolerada, com o objetivo de baratear os custos de produção e seu preço final. Assim, esse tipo de bebida mais consumida precisa estar o mais gelada possível, a fim de adormecer as papilas gustativas, possibilitando o consumo em grande quantidade. Foi esse contexto que fomentou a procura por rótulos, ou seja, há identificação do consumidor com a empresa, consistindo na principal motivação da escolha.

Luiz Guerreiro

O cenário começou a mudar há pouco tempo, no momento em que a variante “puro malte” passou a fazer parte do cotidiano e o consumidor brasileiro passou a exigir qualidade das cervejarias. Lembro-me da dificuldade em encontrar uma marca importada no país. Eram muito raras em bares e supermercados. A possibilidade da existência de fabricação artesanal nem na imaginação do consumidor comum existia. Essa situação era agravada fora dos grandes centros urbanos.

O mercado cervejeiro no Brasil vem sofrendo modificações sensíveis. Hoje é diferente a percepção do consumidor que outrora procurava a quantidade, pois a busca por apreciar a bebida e todas as suas sensações vem ganhando mais adeptos. As reações físicas geradas pelo consumo das cervejas de massa também é um dos fatores que corroboram para a mudança no comportamento.

Diante disto é possível afirmar a nítida mudança no comportamento do consumidor, pois há alguns anos a mercadoria produzida para o público em geral dispunha de pouca preocupação com a qualidade. Hoje o cenário apresenta mudanças, haja vista o crescimento do consumo da cerveja artesanal, bem como a presença de rótulos de empresas internacionais vem proporcionando variedade de estilos, promovendo uma verdadeira revolução.

Tempos atrás, história, alegria, cerveja e marca eram indissociáveis. Agora, vemos a quebra desse paradigma, haja vista que o título já não possui tanta influência para o consumidor, pois a qualidade ganhou relevância como fator de escolha. A descoberta do prazer em degustar a bebida incide como uma nova forma de satisfação, de modo que o consumidor tem novas perspectivas quando escolhe um produto.


*Luiz Guerreiro é apreciador de longa data, produtor de cerveja caseira e um leitor inquieto do Guia

Para promover o debate entre os mais distintos segmentos do setor cervejeiro, o Guia deixa o espaço totalmente aberto para seus leitores. Se quiser mandar uma sugestão de artigo, é só escrever para nosso editor: itamar@guiadacervejabr.com

Cervejarias portuguesas se unem e reforçam campanha contra o racismo no futebol

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O caso de racismo contra o atacante malinês Moussa Marega, do Porto, ocorrido em partida do Campeonato Português, estimulou a união entre duas marcas de cerveja. A Super Bock e a Sagres, duas das principais referências do setor em Portugal, realizaram uma campanha conjunta de combate ao preconceito racial.

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“Contra o racismo, não há rivais”, afirmam as cervejas em ação conjunta, publicada nas redes sociais de ambas, contendo uma imagem que estampa as garrafas das duas marcas.

A campanha da Sagres e da Super Bock reforça a relação entre cervejas e o futebol, algo usual no mundo e também em Portugal. A Super Bock, por exemplo, é patrocinadora do Porto – o time de Marega -, do Sporting Lisboa e do Campeonato Português, torneio no qual o ato racista aconteceu. Já a Sagres é apoiadora da seleção portuguesa, da Copa de Portugal e da Supercopa de Portugal.

O ato racista ocorreu no último domingo, durante a vitória do Porto sobre o Vitória de Guimarães, por 2 a 1, fora de casa. Marega decidiu abandonar o campo, pedindo para ser substituído, em reação contra as ofensas racistas que vinha recebendo de torcedores do time mandante.

Inicialmente, jogadores do Porto e o treinador Sergio Conceição não concordaram com a decisão de Marega de sair da partida. Alguns deles, inclusive, tentaram até segurá-lo para demovê-lo da ideia de deixar o campo.

Depois, contudo, a substituição se concretizou. E, na saída do campo, o jogador malinês fez gestos obscenos em direção aos torcedores do Vitória de Guimarães.

Marega já havia protestado ao marcar o segundo gol da partida, ao celebrar apontando para o seu braço direito – torcedores do Vitória de Guimarães jogaram cadeiras em sua direção nesse momento e o árbitro Luis Miguel Branco Godinho lhe deu o cartão amarelo. Minutos depois, o atacante malinês decidiu sair da partida.

“Gostaria apenas de dizer a esses idiotas que vêm ao estádio fazer gritos racista: vá se foder. E também agradeço aos árbitros por não me defenderem e por terem me dado um cartão amarelo porque defendo minha cor de pele. Espero nunca mais encontrá-lo em um campo de futebol. VOCÊ É UMA VERGONHA!”, escreveu Marega em seu perfil no Twitter.

Reação ao racismo
O caso de racismo vindo das arquibancadas portuguesas foi apenas mais um diante de um histórico recente de incidentes nos estádios europeus, com ocorrências recorrentes na Itália – muitos deles contra Mario Balotelli, atacante ícone do futebol local – e também na Espanha.

Como reação, a Holanda apresentou no início do ano um plano de combate a esses atos que inclui 20 medidas para prevenir, detectar e punir o racismo nos estádios e no ambiente ao redor do esporte.

Na semana passada, em uma partida pela terceira divisão da Alemanha entre Preussen Münster e Würzburger Kickers, torcedores se uniram para expulsar um racista do estádio e encaminhá-lo à polícia.

Feito por mulheres, Beer Summit reunirá congresso, concurso e festival internacional

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Está confirmado para o mês de agosto na cidade de Florianópolis a realização do primeiro Beer Summit do Brasil. Totalmente idealizado e organizado por mulheres, o evento é uma iniciativa do Science of Beer Institute e reunirá congresso, concurso e festival internacional.

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O conceito do Beer Summit é inspirado em eventos que acontecem na Alemanha, Bélgica, Chile e Estados Unidos. Ele concentra palestras, workshops, áreas de experiências e oportunidades de negócio para o mercado cervejeiro, com aceleração de pequenas empresas, consultoria técnica, elaboração de projetos colaborativos, subsídios a trabalhos de pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias voltadas ao setor, entre outros elementos.

Segundo Amanda Reitenbach, CEO do Science of Beer, o Beer Summit será o maior evento de conhecimento cervejeiro da América Latina. “Temos festivais, concursos e feiras, mas o ambiente ainda é muito disperso. Faltava um evento que oferecesse uma real experiência com foco em aprendizado e capacitação”, salienta Amanda.

“Nossa proposta é oferecer à cadeia produtiva do segmento um ambiente único de aprendizagem, troca de experiências, acesso ao que há de mais moderno no ramo, rodadas de negócios, capacitação e integração entre todos os players do mercado mundial de cervejas”, acrescenta a CEO do Science of Beer.

A ideia das organizadoras é também trazer um festival internacional parceiro, que deverá ser divulgado em março. “O Beer Summit é um projeto que estamos desenvolvendo há mais de um ano e agora, finalmente, vai sair do papel e surpreender positivamente toda a cadeia cervejeira”, antecipa Amanda.

Brasil Beer Cup
Outra iniciativa interessante será a realização de um concurso chamado Brasil Beer Cup, que irá avaliar cervejas profissionais e caseiras de diferentes estilos e escolas.

“Queremos prestigiar a cerveja feita no Brasil, identificar as novidades e variações criadas no nosso país, reconhecendo as inspirações diversas e a criatividade que o brasileiro tem na hora de criar uma nova receita”, explica Amanda.

A pré-inscrição para o concurso abre em abril e a inscrição das amostras deverá ser feita entre maio e junho.

Feito por mulheres
Com uma proposta de inclusão em suas ações, o Science of Beer também inovou ao fazer com que o evento seja totalmente idealizado e organizado por mulheres. “Já somos uma empresa feminina, a maior parte da cúpula do Science é composta por mulheres, e muitos dos nossos fornecedores também são empresas com maioria feminina”, detalha Amanda.

Entre os organizadores do evento, além da própria Amanda e da equipe de professores e profissionais do Science, estão Patrícia Hellmann, head de Marketing e Projeto, e Jéssica Mafra, head de Planejamento e Operação, que atuaram na produção do Festival Brasileiro de Cervejas.

Já a comunicação é feita pela equipe da agência Vocali, também composta por mulheres e que tem vasta experiência em eventos de grande porte nacionais e internacionais.

Recentemente, em mais uma ação de inclusão, o Science of Beer criou bolsas afirmativas, ou seja, bolsas parciais e integrais de estudo disponibilizadas em todas as turmas às minorias que não têm oportunidades e condições de fazer um curso na área.

Para ficar a par dos detalhes e das novidades que serão divulgadas para o Beer Summit, basta se inscrever no site do evento.

Contra incêndios, cervejarias da Austrália criam rótulo da “resiliência”

Assim como cervejarias norte-americanas se uniram em 2018 para levantar fundos para o processo de recuperação das florestas californianas incendiadas, uma iniciativa de marcas na Austrália visa agora amenizar os impactos do fogo sem precedentes no país: a Resilience Beer.

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Os incêndios na Austrália começaram em dezembro de 2019 e ainda atingem parte do território do país. Já foram queimados mais de 12 milhões de hectares de vegetação e boa parte da vida animal do país, colocando em risco de extinção espécies raras. Estimativas indicam que até 85% dos coalas podem ter sido dizimados.

Assim, a campanha veio do desejo da comunidade cervejeira local de encontrar caminhos para ajudar pessoas que combateram e que foram impactadas pelo fogo, diz comunicado da Australian Brewers Association.

O movimento convoca cervejarias de todo o mundo a produzirem a Resilience Beer, uma Pale Ale com 5% de teor alcoólico, considerada pelos idealizadores uma receita fácil. “Ela foi concebida para ser feita facilmente em qualquer lugar do mundo”, afirma Tiffany Waldron, uma das coordenadoras do movimento.

O fundo será administrado pelo movimento Resilience Australia e redistribuído para entidades que atuam para amenizar os danos dos incêndios, como a Cruz Vermelha.

O modelo de atuação proposto pela Resilience IPA, em 2018, é a inspiração do movimento australiano. Nos Estados Unidos, a Sierra Nevada puxou a iniciativa, propondo que cervejarias produzissem e comercializassem uma única receita de IPA, cujos lucros seriam revertidos para iniciativas de combate aos estragos causados pelo “Camp Fire”, no condado de Butte, na Califórnia. O fogo matou 85 pessoas e destruiu mais de 19 mil prédios, muitos deles nas comunidades em que funcionários da cervejaria viviam.

As inscrições para participar do projeto estão abertas no site da iniciativa até o dia 24 de fevereiro – o plano é que a cerveja chegue ao mercado antes de 24 de março. Os organizadores relatam que cervejarias do mundo todo já os têm procurado para participar.

Caso Backer: Contaminação pode ter começado em 2018, diz polícia

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A Polícia Civil de Minas Gerais informou que irá estender o período da investigação sobre a intoxicação de pessoas por cervejas contaminadas com dietilenoglicol. O inquérito agora incluirá todo o ano de 2018 e de 2019, pois alguns registros encontrados indicam vítimas com os mesmos sintomas da síndrome nefroneural que podem não ter recebido diagnóstico correto na época. Até então, a investigação focava apenas no período de outubro de 2019 em diante.

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Os registros policiais desde 2018, levantados no inquérito, serão enviados à Secretaria de Saúde de Minas Gerais para identificação do histórico de atendimento médico das possíveis vítimas.

Com o aumento do período de investigação, o número de vítimas pode ser ainda maior do que o atualmente conhecido. Até agora, seis pessoas morreram e 28 estão em tratamento com sintomas da síndrome nefroneural, possivelmente causada pela ingestão de dietilenoglicol que estava nas cervejas contaminadas da Backer.

De todos estes 34 casos notificados, apenas quatro foram confirmados com intoxicação pela substância. A demora se deve ao fato da falta dos reagentes que identificam a contaminação no sangue das vítimas.

Dificuldades na investigação
O delegado Flávio Grossi, responsável pelo inquérito, informou que já foram ouvidas 39 testemunhas. O estado de saúde das vítimas, contudo, segundo ele, dificulta os depoimentos.

“Muitas estão em situação muito complexa, com limitações físicas graves, sendo que algumas não conseguiram sequer comparecer à delegacia para prestar depoimento quanto ao tempo e ponto de consumo da cerveja”, explicou o delegado.

De acordo com Grossi, o trabalho da polícia concentra-se em identificar como as cervejas da Backer foram contaminadas – e quem são os responsáveis por isso. “O que se pretende é chegar às causas dessa contaminação. Por ora, não descartamos qualquer possibilidade.”

Já o superintendente da Polícia Técnico-Científica, Thales Bittencourt, avalia ser incomum a intoxicação por dietilenoglicol no mundo. “Portanto, é razoável que o Instituto de Criminalística não tenha um estoque grande dos reagentes. Estamos diante de uma situação extremamente rara”, defendeu ele.

Bittencourt esclareceu, ainda, que um novo lote de reagentes chegou na semana passada e que agora haverá celeridade nos exames, inclusive para identificar também a presença de monoetilenoglicol. A polícia também informou que fez o pedido de compra dos reagentes necessários no dia 13 de janeiro de 2020.

Na última sexta-feira, técnicos no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que investigam o caso, voltaram à cervejaria Backer, em Belo Horizonte, buscando mais informações sobre procedimentos técnicos e administrativos da empresa.

Menu degustação: Summer Ale da Doktor Bräu, kit da Wonderland, Brewhood em SP…

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Summer Ale da Doktor
A Doktor Bräu, após ser uma das vencedoras do 4º Festival de Microcervejarias do Pão de Açúcar, passou a integrar o portfólio de cervejas especiais da rede de supermercados. E criou, em parceria com Noêmia Boêmia e O Cara da Breja, uma Summer Ale leve, dourada, com 4,2% de teor alcoólico e sabor cítrico, produzida no Instituto da Cerveja Brasil. O rótulo foi concebido pela ilustradora Tami Hopf em seu estúdio de tatuagem, na Suíça.

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Double IPA da Dogfight
A Dogfight acaba de lançar a Battlefront, o seu segundo rótulo, com 91 IBUs e 7,8% de graduação alcoólica. É uma West Coast Double IPA clara e frutada. A cerveja, não pasteurizada, já está disponível na loja da cervejaria em latas de 473ml e barris descartáveis de 20 litros.

Kit da Wonderland
A cervejaria Wonderland Brewery criou um kit degustação, que vem com as seis garrafas da marca: Curiouser and Curiouser, Timeless Porter, Gone Mad, Mango Grin, Summer Glory e Tweedles. Além disso, conta com brindes, como bolachas e adesivos. A Wonderland ainda repaginou o seu kit presente, que passa a chegar em uma caixa sofisticada, composta por uma garrafa da Wonderland (à escolha) e uma taça do modelo Teku. A cervejaria também está disponível em dois novos e-commerces: Clube do Malte, localizado no Paraná, e Cerveja Salvador, na Bahia. Eles se juntam a outros 4 e-commerces que vendem os produtos da Wonderland: Bro’sBeers, Brewed in Rio, World of Beers e Beer Mind. “Dessa forma, estaremos mais facilmente disponíveis a clientes de outras regiões do Brasil”, celebra Chad Lewis, sócio da Wonderland.

Brewhood em São Paulo
A cervejaria carioca Brewhood chegou na última semana em São Paulo, com a presença em dois eventos, realizados no Empório Alto de Pinheiros e no Soul Botequim. O seu portfólio na capital paulista conta com sete rótulos: Julie Tropical (Sour com frutas amarelas), Julie Wild (Sour com frutas vermelhas), Texas Oil (Black IPA), Pine Haze (Double NE IPA), Alpine Haze (Double NE IPA), Black Brunch (Imperial Porter com café) e Coconut Candy (Imperial Porter com coco queimado). “É de extrema importância e gratidão chegarmos em São Paulo, um mercado cervejeiro muito importante e exigente, que sabe admirar um produto de qualidade”, afirma Renato Antunes, proprietário da cervejaria.