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7 razões para explicar falta de medalhas para o Brasil na World Beer Cup

Pela segunda edição consecutiva, o Brasil deixou a World Beer Cup, uma das maiores e mais importantes competições cervejeiras do mundo, sem medalhas. Foram 307 premiações distribuídas para diversos rótulos do mundo, especialmente dos Estados Unidos, com a falta de medalhas para os brasileiros servindo para levantar reflexões no setor.

Para entender e explicar o cenário de consecutivas edições sem medalhas para o Brasil, o Guia ouviu especialistas que elencaram alguns entraves no caminho até as premiações na competição norte-americana, também apontando saídas para essa situação.

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O campeonato promovido pela Brewers Association, a associação das cervejarias artesanais e independentes dos Estados Unidos, teve, em 2023, 10.213 rótulos inscritos por 2.376 marcas de 51 nações diferentes. Coadjuvante dessa vez, o Brasil já conquistou 11 medalhas na história da competição, que acumula 14 edições.

Veja a seguir algumas das razões que podem explicar o fato de as cervejarias do Brasil não terem sido premiadas na World Beer Cup em 2023 e como mudar esse cenário no próximo ano:

1) Distância territorial e logística
Ao considerar a participação em eventos internacionais, muitas cervejarias precisam lidar com a distância territorial entre o local de produção e o palco da competição. Assim, o desafio, para as cervejarias participantes, com o envio das amostras do Brasil até os Estados Unidos é um fator que precisa ser considerado.

“É uma disputa cada vez mais acirrada, na qual cervejas que viajam menos para estar no concurso têm mais chances de premiação, tanto é que nas duas últimas edições do concurso a maioria esmagadora das cervejas premiadas era de norte-americanos”, comenta Fabiana Arreguy, jornalista e beer sommelière.

2) Baixa adesão das brasileiras
Diante da distância e dos custos elevados, a baixa adesão das cervejarias brasileiras é um outro fator a ser analisado. Apesar de números detalhados não terem sido divulgados, o cenário indica que a competição vem atraindo poucas marcas brasileiras, na comparação com edições anteriores.

“Houve uma redução de 60% nas amostras enviadas pelo Brasil nos últimos dois anos. De cerca de oito pallets de 2018 e 2020, ano que chegamos a enviar as amostras antes do concurso ser cancelado pela pandemia, esse volume caiu para cerca de três este ano e no ano passado”, comenta Gilberto Tarantino, presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva).

Essa baixa adesão das cervejarias brasileiras à competição norte-americana é reflexo do câmbio desvalorizada e da crise financeira. “São poucas as cervejarias brasileiras que inscrevem suas cervejas, seja porque não acreditam que possam ganhar, seja porque é muito caro enviar as amostras para os EUA”, explica Fabiana, também citando que marcas estão sendo mais seletivas na definição da participação em concursos internacionais. “Isso faz com que as cervejarias brasileiras optem por um ou dois apenas por razões financeiras”, completa.

Para aumentar as chances das representantes do país, a Abracerva definiu que as cervejas medalhistas de ouro na etapa nacional da Copa Cerveja Brasil ganharão a inscrição no evento, em um acordo com a Brewers Association e que será viabilizado também por meio de apoiadores e parceiros.

“As inscrições já estão abertas com preços muito subsidiados. Os medalhistas com ouro, prata e bronze nas regiões têm vaga na final nacional. E os medalhistas de ouro na etapa nacional vão ganhar a inscrição para a World Beer Cup de 2024”, diz Giba.

A colaboração da Abracerva para reverter este cenário também foi lembrada por Fabiana, citando a possibilidade de ocorrer uma etapa nacional. “Talvez se houvesse uma etapa da WBC aqui no país, as cervejarias se sentiriam mais confiantes em concorrer nos EUA”, comenta a jornalista e beer sommelière.

3) Nível elevado da competição
Outro fator importante é que a competição segue elevando seu nível a cada edição, sendo uma referência global, o que torna mais difícil a luta pelas medalhas. “O altíssimo nível da World Beer Cup é outro ponto a ser considerado. É o maior, mais isento e o concurso de maior repercussão no mundo. Com menos amostras, a chance de trazer medalhas é de fato menor”, afirma Giba.

4) Crescimento do número de participantes
Participante do júri da última edição da World Beer Cup, Fernanda Meybom, engenheira química e sommelière de cervejas, reforça que o número de cervejas participantes – cerca de 12 mil – torna a tarefa de ganhar uma medalha ainda mais complicado. “As cervejas premiadas passam pelo menos por duas ou três etapas até a decisão das medalhas. Mesmo uma cerveja que foi para a rodada de decisão de medalha pode não ter ganho por detalhe”, diz.

“É uma disputa grande, então por exemplo, vimos categorias que tinham mais de 400 cervejas concorrendo. Só esse já é número expressivo de amostras e também é um fator que temos de levar em consideração”, destaca Amanda Reitenbach, CEO do Science of Beer e que também esteve presente à World Beer Cup, lembrando que 400 cervejas chegaram a competir em uma categoria.

5) Repertório dos jurados
O repertório dos jurados é uma questão importante para ser lembrada, na avaliação de Amanda, destacando que cerca de 60% dos profissionais que avaliaram as cervejas eram norte-americanos. “Se o repertório deles tem mais exposição a lúpulos americanos e a ingredientes americanos, talvez isso seja algo que eles levem em consideração. Numa final, em que tem 12 amostras que são muito boas, cada um vai defender uma amostra específica de acordo com o seu referencial sensorial e com aquilo que ele entende que esteja adequado para aquele perfil de cerveja e de acordo com o guia de estilos”, explica.

6) Ser mais estratégico para participar da competição
Elaborar uma estratégia também é fundamental para quem deseja sair vencedor de qualquer competição. Para Fê Meybom, quem quer faturar medalha na World Beer Cup de 2024 precisa considerar alguns itens importantes.

“Conhecer bem seu produto, escolher bem o estilo da cerveja que será inscrito, avaliar a cerveja por profissionais previamente”, diz, lembrando que pode não ser na primeira participação que a cervejaria tenha sucesso. Por isso, ela recomenda a definição de um projeto a longo prazo. “Vi cervejarias levarem anos até conquistar a sonhada medalha”, completa.

Definir criteriosamente os rótulos enviados também é uma dica de Amanda. Ela pontua que o World Beer Cup avalia qualidade sensorial das bebidas e por isso sabendo o quão sensível é a cerveja, é ideal que as cervejarias enviem rótulos mais potentes. “Cervejas que sejam resistentes a essa viagem. Então, as sensíveis, que vão sofrer muito com essa viagem, não seriam cervejas para serem enviadas”, diz.

7) Necessidade de aumentar o intercâmbio
Em uma disputa tão acirrada, é interessante observar o que outros países têm feito para melhorar suas produções. A Argentina, por exemplo, depois de dez anos sem conquistar medalhas, faturou três nas duas últimas edições da World Beer Cup.

A Argentina está fazendo Sours muito bem. A gente tem que olhar interessado para isso e talvez buscar um intercâmbio para aprender o que eles estão fazendo nessas cervejas que estão indo bem. O que será que a gente pode aprender? Se a gente mudar o olhar, é mais proveitoso para todo mundo

Amanda Reitenbach, CEO do Science of Beer

Cervejarias retomam ritmo de vendas, mas recuperação ainda tropeça nos desafios

Cervejarias retomam ritmo de vendas, mas recuperação ainda tropeça nos desafios

O crescimento das vendas de cerveja em 2022 na comparação com 2021 não foi suficiente para que o ano passado fosse visto como positivo por quem atua no setor de artesanais. Essa foi a percepção apresentada pelos participantes da pesquisa “O Ano de 2022 para as Cervejarias“, realizada pelo Guia. Os respondentes se dividiram nas avaliações sobre o desempenho de suas cervejarias, em um indicativo de que a recuperação do segmento ainda está em ritmo lento, muito em função da dificuldade em lidar com diversos desafios.

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O levantamento mostrou que 30,3% das cervejarias consideraram o ano de 2022 negativo. O índice das respostas positivas foi até maior, mas a diferença é diminuta, de apenas 3,1% (34,4%). E a predominância acabou sendo daquelas cervejarias que apresentaram avaliação neutra: 35,4%.

Para a sommelière de cervejas e jornalista Fabiana Arreguy, o resultado do levantamento do Guia mostra que 2022 esteve longe de ser um ano positivo para as marcas artesanais, sendo muito mais visto como um momento de juntar os cacos após duras perdas do que de ter motivos para celebrar.

O endividamento durante a pandemia, a tributação elevada, que sempre foi a pedra no sapato das cervejarias, a inflação e uma condução econômica desastrosa pelo governo não podiam gerar outro tipo de percepção sobre o ano de 2022

Fabiana Arreguy, jornalista e sommelière de cervejas

Apesar do pessimismo de 3 de cada 10 cervejarias na avaliação sobre 2022, a imensa maioria – 81% – afirma não ter registrado queda nas vendas em relação a 2021, consolidando o movimento de retomada das atividades no setor de artesanais após a fase mais aguda da pandemia do coronavírus.

Desse universo, inclusive, 62% das cervejarias afirmam que apresentaram crescimento nas vendas de cerveja no ano passado. Isso, claro, provoca uma expectativa de recuperação, mas os desafios para o segmento não passam somente por aumentar o volume de produção e sua comercialização.


Questionados sobre os principais entraves encarados no ano passado, as cervejarias elencaram o peso dos impostos (35,7%), a dificuldade de acesso aos insumos e seus elevados custos (22,4%), as dívidas (11,2%), que aumentaram muito para as companhias durante a pandemia, e a inflação como os principais desafios, de acordo com o levantamento do Guia.


O Ano de 2022 para as Cervejarias” foi uma pesquisa, quantitativa, realizada por meio de questionário online pelo Guia, com respostas coletadas entre outubro e dezembro de 2022 de 100 donos ou administradores de cervejarias.

Especial Vidro: Iniciativas buscam driblar desafios para ampliar reciclagem

Ampliar a reciclagem de vidro ainda é um desafio no Brasil. Com, aproximadamente, 3 de cada 4 embalagens de vidro sendo destinadas aos aterros sanitários, os diversos componentes da cadeia de logística reversa têm buscado reforçar elos para impulsionar o reaproveitamento de um material que é 100% reciclável.

Essa necessidade de incremento da reciclagem foi estipulada pelo Decreto Federal 11.300/2022, que regulamenta a logística reversa de vidro no Brasil, determinando que o índice de reciclagem das embalagens de vidro em 2023 deve chegar a 27,25%, saltando para 40% até 2032. Além disso, definiu que o percentual de matéria-prima reciclada usada na fabricação de novas embalagens deve subir dos atuais 26% para 35% nos próximos dez anos.

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Porém, não é apenas a meta que estimula a ampliação da reciclagem. Fazê-lo, afinal, traz vantagens para a própria indústria, como destaca Gabriela Ditt, analista de relações institucionais e sustentabilidade da Associação Brasileira das Indústrias de Vidro (Abividro), assim como para a sociedade, pois a utilização de cacos reciclados na produção de vidro reduz o consumo de energia e a emissão de gases.

“A sua reciclagem, além de evitar resíduos sólidos no meio ambiente, tem diversos benefícios: diminui a extração de matéria prima virgem do meio ambiente, diminui a emissões de gases efeito estufa nas fábricas e tem economia de energia em seu processo”, comenta.

Para se ter uma ideia, a cada 10% de caco utilizado na produção de embalagens de vidro, pode-se reduzir 5% de CO2 emitido, assim como diminuir em 2,5% o consumo de energia no processo de fabricação. “Isso significa que a reciclagem desse resíduo contribui não só com o meio ambiente, mas fomenta a economia, incluindo todos os agentes da cadeia de reciclagem”, comenta Quintin Testa, diretor geral da Verallia para a América Latina.

Além disso, a presença do caco ajuda a melhorar a produtividade do forno. “Para reciclar, não é preciso que o vidro esteja intacto. Apenas com a utilização de cacos na produção de novas embalagens já é possível reduzir o consumo de energia, extração de recursos naturais e a emissão de CO2”, acrescenta o executivo da Verallia.

Mas mesmo com todo esse interesse da indústria de vidro em ampliar o uso do caco, existem alguns desafios para aumentar a reciclagem, relacionados a uma cadeia que tem seus desafios, especialmente relacionados aos custos de todas as etapas desse processo, assim como da adoção de cuidados na captação do material, como resume Cristiane Foja, presidente-executiva da Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe).

“É uma cadeia com desafios. O peso do vidro vira custo, além da necessidade de maiores cuidados no manuseio. É preciso ter uma triagem específica, treinamento e uso de EPIs. Além disso, para se ter uma linha de triagem, é preciso preparar e incentivar, muitas vezes complementando o valor.  Há peculiaridades, inclusive, que variam de uma localidade para outra”, diz a presidente da Abrabe.

Como lidar com os desafios do vidro

As soluções para esses desafios passam, necessariamente, por união com os agentes da cadeia de logística reversa e conscientização, na avaliação dos especialistas, como para lidar com as dimensões continentais do país, que dificultam os processos de transporte e logística, os tornando bastante custosos.

Para promover práticas sustentáveis e incentivar a reciclagem de garrafas, é necessário um maior engajamento nesse tema. O desenvolvimento de projetos que vão ao encontro dessa temática é fundamental, mas mais do que isso, é preciso que todos os atores trabalhem em conjunto, juntando esforços para a viabilizar a reciclagem do vidro. Apesar dos desafios, é possível e necessário que se aumente os índices de reciclagem no país, e para isso os esforços também precisam crescer

Gabriela Ditt, analista de relações institucionais e sustentabilidade da Abividro

Outro ponto importante envolve a conscientização do consumidor sobre como ele pode contribuir para a reciclagem do vidro, algo pouco inserido na cultura da população. “É fator chave para que a reciclagem possa acontecer de maneira correta, não apenas no vidro, mas de todos os materiais. É necessário que os consumidores separem corretamente seus resíduos e os destinem no lugar correto”, comenta Gabriela.

Assim, o processo passa por conectar todos os elos da cadeia para que a captação das embalagens de vidro para reciclagem ganhe volume, como destaca Marcos Nascimento, diretor comercial da Coopercaps, cooperativa de coleta seletiva situada em São Paulo.

“A indústria cria a demanda por reciclados, o que ajuda a gerar valor aos resíduos. Um resíduo sem saída comercial não entra na cadeia recicladora. As pessoas que trabalham como catadores são agentes fundamentais nessa cadeia, mas muitas vezes ficam à margem. Todo o sistema precisa estar alinhado, em uma ação ganha-ganha”, diz.

Atuando desde 2003 diretamente na reciclagem, a Coopercaps conta com 6 centrais de triagem e 350 pessoas cooperadas. Além disso, estima que dois terços de toda a coleta seletiva da reciclagem da prefeitura de São Paulo passem por ela. Com esse extenso trabalho e estando em uma ponta fundamental para a reciclagem do vidro, a cooperativa ressalta como detalhes de manejo são importantes para que o processo tenha êxito.

“Em 2022 direcionamos cerca de 22 mil toneladas de resíduos, desse montante 30% é vidro, um volume muito alto. Entendemos a importância ambiental por ser um resíduo 100% reciclável, porém o cuidado com o manejo e a logística são fatores complicadores. O vidro mal acondicionado no descarte causa acidentes, por isso preconizamos que o descarte seja feito nos PEVs ou diretamente nas cooperativas”, explica Nascimento.

Frentes para ampliar reciclagem do vidro

Uma das várias frentes para ampliar a reciclagem de vidro no Brasil foi lançada recentemente pela Verallia e que atende a essa preocupação de que o material seja descartado em locais adequados. A fabricante de vidros criou o Programa Vidro Vira Vidro, que desde 2022 vem operacionalizando a instalação de pontos de entrega voluntária (PEVs) em diversos municípios por todo o País. A meta é chegar a 1,5 mil contêineres instalados até 2025.

As iniciativas de logística reserva, aliás, acontecem no setor já há algum tempo, como o Glass is Good, liderado pela Abrabe e que soma mais de uma década de realização. A associação estima que o programa já permitiu a reciclagem de mais de 162 mil toneladas, estando presentes em 17 estados e no Distrito Federal. “São mais de 78 mil megawatts de energia economizados e 86 mil toneladas de CO2 a menos na atmosfera”, enumera a presidente-executiva da Abrabe.  

Além disso, com foco no consumidor, tem aumentado o número de iniciativas que buscam ampliar a educação ambiental. Liderada pela Abividro, a iniciativa “É Puro É Vidro” é uma plataforma digital, presente no Instagram e com site próprio que tem como objetivo se comunicar com o consumidor final, incentivando o uso de embalagens de vidro, dando dicas de reciclagem e reutilização, além de receitas e curiosidades que envolvem o material.

“A Abividro desenvolveu recentemente um projeto de educação ambiental chamado ‘Ecoa Circular’, que apesar de não se tratar apenas do vidro, é uma iniciativa destinada para a conscientização e desenvolvimento de jovens em relação a temas como economia circular, reciclagem e consumo responsável. O material é 100% gratuito e destinado para instituições de ensino do Ensino Fundamental II”, relata a analista de relações institucionais e sustentabilidade da Abividro.

Tudo isso tem um só objetivo: fazer com que o vidro utilizado para a produção de uma embalagem retorne para a fábrica.

Quando todos se juntam em um projeto, você consegue, através de ajustes e organizações, fazer o caco voltar para a fábrica de vidro

Cristiane Foja, presidente-executiva da Abrabe

Eisenbahn e Paulaner em SP, Spaten em Blumenau: as cervejas da Oktoberfest

Sinônimo de cervejas, a Oktoberfest se espalhou pelo mundo, com edições por diferentes cidades, despertando o interesse de diversas marcas para vincular seus nomes à festa. Em 2023, no Brasil, a disputa pelo posto de cerveja oficial ficou mais intensa e com novidades. Enquanto a Spaten seguirá à frente da Oktoberfest Blumenau, mas agora com um contrato válido até 2028, a Eisenbahn assumiu esse posto na festividade de São Paulo. E a capital paulista também terá a Paulaner entre as suas atrações.

A escolha da Spaten como cerveja oficial da Oktoberfest de Blumenau repetiu a seleção do ano passado, mas com diferenças e um imbróglio. Afinal, dessa vez, a prefeitura da cidade catarinense realizou uma licitação para não uma, mas as seis próximas edições da festividade.

A Ambev foi a vencedora da disputa pelo posto de cervejaria oficial da Oktoberfest com a proposta de R$ 5,11 milhões por edição. A licitação também contemplou a construção de um boulevard na área do Parque Vila Germânica, onde ocorre a festividade em Blumenau.

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Assim, a cervejaria terá o direito de utilizar o naming right do local até o fim de março de 2029, tendo que entregar a obra concluída até junho de 2024. No espaço, vai ter exclusividade na venda de bebidas alcoólicas e não alcoólicas, com exceção dos eventos que sejam focados em cerveja artesanal.

Embora a decisão da escolha pela Ambev tenha saído em março, só pôde ser oficializada dois meses depois. Isso se deu em função de questionamento do resultado da licitação pelo Grupo Heineken, que apontou irregularidades na documentação da concorrente. Seu recurso, porém, foi rejeitado pela Prefeitura de Blumenau.

Após a solução do impasse, a Spaten foi a escolhida pela Ambev para ser a marca oficial da festividade, embora outras cervejas do seu extenso portfólio também devem estar à disposição do público na Oktoberfest de Blumenau, assim como ocorreu em 2022. E a decisão tem relação direta com histórico da marca, de origem na Alemanha, algo bastante explorado em suas campanhas de marketing e publicidade desde o lançamento no país.

Em 2022, a Oktoberfest de Blumenau recebeu 634 mil pessoas, com uma das novidades sendo o Camarote Spaten, um ambiente exclusivo da cerveja oficial, que contou com sete grandes shows nacionais, open bar e open food de comidas típicas e atrações surpresa. Neste ano, o ambiente deverá se repetir na festividade, marcada para 4 a 22 de outubro.

“É com muito orgulho que continuaremos a fortalecer o vínculo cervejeiro entre Brasil e Alemanha, com o estilo Spaten de ser forte”, comenta Joice Carvalho, chefe de marketing da marca. “Que sejam oficialmente muito bem-vindos à maior festa alemã das Américas pelos próximos seis anos”, acrescenta o prefeito de Blumenau, Mário Hildebrandt.

Eisenbahn na Oktoberfest de São Paulo

Criada em Blumenau e cerveja oficial da festividade na cidade catarinense entre 2015 e 2019, a Eisenbahn terá esse status em 2023 em São Paulo, posto que ocupou pela última vez há quatro anos, sendo sucedida pela Spaten em 2021 e 2022 – o evento não aconteceu em 2020, por causa da pandemia.

“Ficamos muito felizes em anunciar essa parceria. Eisenbahn tem como missão fazer os consumidores viverem a qualidade artesanal através da valorização do tempo, das memórias e de cada detalhe que merece ser aproveitado no nosso dia a dia e acreditamos que por meio da São Paulo Oktoberfest, o público terá momentos inesquecíveis e memórias que ficarão, e com certeza queremos fazer parte disso”, comenta Karina Pugliesi, gerente de marketing da Eisenbahn.

O evento será realizado entre os dias 6 e 22 de outubro no complexo do ginásio do Ibirapuera. E outra novidade será a presença da alemã Paulaner entre as cervejas disponibilizadas para o público na São Paulo Oktoberfest. A marca, aliás, é uma das participantes da festividade original, em Munique.

“Paulaner faz parte da história da Oktoberfest e participar do festival de São Paulo é uma oportunidade incrível de aproximar o público da região um pouco mais dessa tradição. Estamos muito entusiasmados com a parceria e temos certeza de que será uma experiência incrível para todos que puderem comparecer”, afirma Nayara Agostinho, gerente de bebidas da Casa Flora Importadora, responsável por trazer a bebida ao país.

Inflação da cerveja no varejo é quase o dobro do IPCA em abril

O preço da cerveja no domicílio teve alta expressiva em abril. De acordo com os dados divulgados pelo IBGE, a cerveja apresentou inflação de 1,2% no período no varejo, sendo praticamente o dobro do índice oficial do Brasil, o IPCA, que ficou em 0,61% no mesmo período.

Com o desempenho de abril, a inflação da cerveja registra alta de 3,22% no varejo em 2023. Já nos últimos 12 meses, o indicador continua em dois dígitos, tendo chegado aos 10,98%. Em ambos os casos, a alta está acima do IPCA, pois a variação acumulada do índice oficial no ano é de 2,72% enquanto no período de 12 meses está em 4,18%.

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A cerveja fora do domicílio, em geral comercializada em bares e restaurantes, também teve alta acima do IPCA em abril, ficando em 0,68%. Nos bares e restaurantes, a variação acumulada no ano é de 2,49%, enquanto a inflação nos 12 meses iniciados em maio de 2022 está em 7,11%.

As outras bebidas alcoólicas também tiveram alta expressiva nos preços em abril. O item ficou 1,71% mais caro para quem preferiu comprar no varejo. Já a inflação de janeiro a abril está em 5,67%. Em 12 meses, a alta fica em 8,83%.

Por sua vez, o consumidor que optou por comprar bebidas alcoólicas nos bares e restaurantes precisou pagar, em média, 1,07% a mais em abril. A inflação no ano deste item ficou, agora, em 3,57%. Já nos últimos 12 meses, a alta é de 6,60%.

Também acima do nível do IPCA, a inflação no segmento de alimentação e bebida chegou a 0,71% em abril. Na variação acumulada no ano, o indicador deu um salto de 1,53%. E na variação acumulada em 12 meses, a inflação está em 4,18%

IPCA recua
Com o resultado divulgado pelo IBGE, o IPCA de abril ficou 0,1% abaixo do registrado em março (0,71%).  Além disso, em abril do ano passado, a variação havia sido de 1,06%, acima do salto do mesmo mês de 2023.

Todos os nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE apresentaram alta, com destaque para saúde e cuidados pessoais, que teve o maior impacto (0,19%) e a maior variação (1,49%) no período.

“O resultado nesse grupo foi influenciado pela alta nos produtos farmacêuticos, justificada pela autorização do reajuste de até 5,60% nos preços dos medicamentos, a partir de 31 de março”, explica o analista da pesquisa, André Almeida.

Balcão do Advogado: Os (quase) 150 anos da 1ª marca registrada de cerveja

Balcão do Advogado Cervejeiro: Os (quase) 150 anos da primeira marca registrada de cerveja

A indústria de bebidas é um dos setores mais antigos e prósperos do mundo, com uma rica história que remonta a milhares de anos.

Da mesma forma, a prática de usar marcas para identificar produtos descende de tempos antigos, quando os artesãos marcavam seus produtos com símbolos distintos para mostrar sua autenticidade e qualidade.

Ao longo do tempo, muitas marcas surgiram e se tornaram verdadeiros ícones, sinônimos de qualidade e sabor, conquistando a lealdade de consumidores de forma global.

Contudo, foi apenas em 1876 que a primeira marca de cerveja veio a ser efetivamente registrada: a Bass, conhecida por sua qualidade e consistência, obteve o registro na Inglaterra, estabelecendo um marco histórico na proteção de marcas comerciais (há alguns escritos que sugerem, inclusive, que a Bass foi a primeira marca de qualquer produto a ser oficialmente registrada).

A Bass tornou-se rapidamente uma das marcas mais reconhecidas e respeitadas de cerveja no mundo, tendo, inclusive, sido retratada pelo célebre pintor impressionista francês Édouard Manet, na obra “Um Bar no Folies-Bergère”, de 1882.

Atualmente, apesar de a marca ter sido vendida várias vezes ao longo dos anos, continua a ser bem conhecida na indústria cervejeira e muitíssimo respeitada por sua rica história.

Tempos atuais e a importância do registro de marca
Incrivelmente, passados quase 150 anos do registro da primeira marca de cerveja, muitas cervejarias insistem em relegar o registro de marca. Apesar de grandes avanços nos últimos anos, ainda são poucas as cervejarias que prezam por ter o registro de sua marca e de seus rótulos.

A falta de registro e, às vezes, a má utilização deste (vide “Caso Helles”), acabam por ocasionar diversos conflitos marcários entre cervejarias, que facilmente poderiam ter sido evitados se tomados os devidos cuidados com o registro de marca, especialmente por meio de pesquisas de disponibilidade no INPI.

Trata-se de um investimento bastante baixo para evitar grandes problemas e garantir a exclusividade da marca, não fazendo sentido que cervejarias, qualquer que seja o porte, deixem de, pelo menos, registrar a marca da cervejaria e dos principais rótulos de linha.

Dentre as principais vantagens do registro de marca, podemos elencar as seguintes:

-Exclusividade de uso em território nacional;

-Proteção contra o uso indevido por terceiros;

-Evita a possibilidade de terceiro “roubar” a marca registrando antes;

-Evita a possibilidade de terceiro cobrar indenização por uso indevido;

-Gera um ativo que pode ser vendido ou licenciado.

Para as cervejarias e indústrias de bebidas em geral, o registro de marcas continua sendo uma ferramenta essencial para proteger a reputação da marca, garantir a qualidade e estabelecer uma presença forte no mercado.

Com a evolução constante do mercado e os desafios da globalização e da internet, a proteção de marcas registradas torna-se cada vez mais fundamental.

Portanto, se você é um empresário do ramo de bebidas, é importante considerar o registro de marcas como parte de sua estratégia para garantir o sucesso do negócio no competitivo mercado de bebidas nacional.

Marca registrada é marca protegida. Tem dúvidas sobre registro de marca? Quer registrar um rótulo? Quer saber se pode utilizar uma marca? A Brew Brands cuida disso para você! Entre em contato pelo WhatsApp e tire todas as suas dúvidas gratuitamente.


André Lopes é sócio do escritório Lopes, Verdi & Távora Advogados e criador do site Advogado Cervejeiro.

Eventos cervejeiros se firmam como chance para estreitar laços entre marcas

A pandemia do coronavírus deixou importantes lições ao segmento de artesanais brasileiras, que, desde a retomada das atividades sem restrições, tem reforçado as ações de relacionamento em um daqueles que é um dos marcos do setor: os eventos cervejeiros. Eles são importantes não apenas em função da possibilidade de contato direto com o consumidor, mas também pela chance de estreitamento de laços com outras cervejarias.

“Em eventos cervejeiros, temos a possibilidade de trocar ideias e compartilhar conhecimento. E entre um gole e outro, muitas possibilidades vão surgindo, como troca de contatos e realização de networking. Por si só, já vale a pena”, conta Danielle Mingatos, sócia e co-fundadora da Cia de Brassagem Brasil (CBB).

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Em muitos casos, esse contato inicial se torna uma relação mais estreita, podendo render até uma relação comercial, com a criação de produtos. Presente neste ano ao Festival Brasileiro da Cerveja, em Blumenau (SC), a Cia de Brassagem vivenciou exatamente esse tipo de possibilidade.

Ao mesmo tempo que teve a oportunidade de apresentar a história, as características, as produções e os propósitos da marca, Danielle também conheceu outras cervejarias. E esse relacionamento em meio a um dos principais eventos cervejeiros deverá resultar em novas parcerias.

“Através da Cleo Trindade, a Garota Cervejeira, pude conhecer a Larissa Schmitt Bernardes, diretora da Das Bier, e a Michele Borck, da Cervejaria Borck. Conversamos sobre uma colaborativa, que pretendemos fazer no início de 2024 para lançar no Festival de Blumenau de 2024”, revela.

Além desse encontro com mulheres cervejeiras, Danielle também pôde se aproximar da Cervejaria Biomma, nesse caso pela sinergia com as ações da Cia de Brassagem, pois a marca traz os biomas em seus rótulos. “No festival, fizemos um primeiro contato para seguirmos conversando sobre esse projeto”, diz.

O encontro também serviu para a Cia de Brassagem celebrar parcerias que nasceram em outras edições de eventos cervejeiros. Afinal, foi em 2018 que a marca firmou acordo com a Maltearia Blumenau e a Levteck, assim como com produtores nacionais de lúpulos.

Já o público pôde experimentar os rótulos da Cia de Brassagem, como a Tartaruga-de-Pente (Belgian Blond Ale), a Onça-Pintada (Session IPA), a Mico-Leão-Dourado (Irish Red Ale), a Barley Wine 5 Anos (English Barley Wine) e a Canário-da-Terra (Sour Ale com cascas de limões taiti e siciliano, e amburana).

A Canário-da-Terra é outro exemplo de produto feito a partir de parcerias dentro do setor cervejeiro, tendo sido lançada em dezembro de 2022, em colaboração com o Beco da Vila Olímpia, em São Paulo. A ideia do rótulo nasceu depois de uma conversa despretensiosa, tomando uma cerveja e terminando com uma caipirinha.

“Pensamos: ‘vamos fazer uma cerveja tipo caipirinha?’ A ideia evoluiu para uma Sour Ale, acidificada pelo método kettle sour e com 8.3% de graduação alcoólica, que trouxesse uma lembrança do drinque mais popular do Brasil”, relata Danielle.

A ideia deu tão certo que a Canário-da-Terra conquistou uma medalha de prata no Concurso Brasileiro de Cervejas deste ano. “Foi um momento muito emocionante, pois trata-se do reconhecimento do trabalho que fazemos, da nossa preocupação em produzir cervejas com qualidade”, conta.

Entrevista: “Momento é propício para pedir menos impostos para artesanais”

O peso dos impostos foi o principal desafio encarado pelas cervejarias artesanais no ano passado. De acordo com “O Ano de 2022 para as Cervejarias”, pesquisa inédita e exclusiva realizada pelo Guia da Cerveja, esse foi o maior problema enfrentado por 35,7% dos respondentes, um sinal claro de que a tributação sobre o segmento precisa mudar.

E a oportunidade pode estar surgindo em 2023, de acordo com a visão apresentada por Gilberto Tarantino, presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), em entrevista ao Guia Talks, em que ele avalia os resultados do levantamento e relata como tem sido seu trabalho à frente da entidade.

Giba garante que a tributação é pauta prioritária da gestão da Abracerva e envolve várias frentes, com o intuito de conseguir a redução de impostos. Assim, a atuação passa por debates na Câmara Setorial da Cerveja, construção de propostas e articulações que vão da esfera municipal até a federal.

O trabalho, claro, tem o intuito de alterar o que ele define como “pior sistema tributário do mundo”. E a expectativa de mudança se dá, também, pelo desejo do governo federal em realizar uma reforma tributária logo no primeiro ano do atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na entrevista, o presidente da Abracerva também comenta sobre a perspectiva do mercado de artesanais no país e outras ações da associação, como a criação do evento Conexão Cerveja Brasil.

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Confira os principais trechos do Guia Talks com Gilberto Tarantino:

Qual é a importância da pesquisa “O Ano de 2022 para as Cervejarias” e de iniciativas desse tipo para o setor?
Estamos em 2023 e daqui a pouco 2024 também já está fazendo parte dos planos de todos nós. A inteligência de dados e as informações são muito importantes para o nosso segmento quando a cervejaria vai correr atrás de um patrocínio, quando a associação vai correr atrás de uma pauta de relacionamento governamental, quando vamos falar de impostos, do tamanho do segmento para a criação de empregos, em casos de mobilização. O dado é um argumento para a captação de recursos e até a sensibilização dos diversos órgãos e autarquias sobre o tamanho do nosso mercado. E precisamos de fontes seguras. Essa pesquisa é uma base para projetos e pleitos que estamos buscando constantemente.

A pesquisa indica que 46% das cervejarias brasileiras não tiveram lucro em 2022. Como você encara esse dado?
O Brasil, eu ouvi isso recentemente, tem o pior sistema tributário do mundo. Conversando com amigos que têm cervejarias nos Estados Unidos, quando falo que trabalhamos com lucro real, eles acham que é uma mentira, pois chegamos a pagar 56% de imposto. Quem quer trabalhar no Brasil de uma maneira formal e séria, enfrenta muitas complicações. Sabemos que as grandes cervejarias têm um percentual de impostos parecido, porém elas fabricam bilhões de litros por mês. A diferença é muito grande. Proporcionalmente, as cervejarias menores geram muito mais empregos do que as grandes. A partir de um certo volume, a produção vai ficando mais eficiente, além de toda a automação de equipamentos. Se essas cervejarias menores não forem muito bem-sucedidas, independentemente do tipo de tributação que elas escolheram, fatalmente elas vão fechar. Então, é extremamente preocupante termos esse dado de que a maioria das cervejarias trabalha no negativo.


Como as cervejarias podem atuar para melhor lidar com um cenário tão complicado?
Existem alguns aprendizados, como uma melhora na gestão, uma opção melhor pelo regime tributário, que sem dúvida é o Simples, no qual até 85% das cervejarias estão enquadradas. Temos que fazer um trabalho de conversa dentro dos estados, olhando para o ICMS e a Substituição Tributária. Alguns estados, como o Rio de Janeiro, já têm uma condição acordada com os parlamentares locais. Os estados do sul (Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná) têm uma redução desse imposto. São Paulo, por exemplo, não tem nada, tem um ICMS cheio. Então, seria interessante discutir isso por meio de uma união, no caso, através da associação, que tem o olhar para os tributos como nossa prioridade número 1. É um trabalho meio invisível, que não recebe muita publicidade, não gera polêmica, mas é vital para a existência das cervejarias.

Como a Abracerva tem se envolvido nas discussões sobre tributação, incluindo a possibilidade de acontecer uma reforma? Quais são as principais demandas?
Isso é um assunto que está em discussão na Câmara Setorial da Cerveja, que está diretamente ligada ao Ministério da Agricultura. Nós criamos um grupo de trabalho para analisar esse assunto. Temos feito propostas frequentemente dentro desse grupo visando a reforma tributária. É bom existir um grupo de trabalho, porque o objetivo é discutir ideias e chegar a um consenso. Temos uma reunião semanal dentro desse grupo de trabalho, com a Abracerva tendo feito propostas bem claras. Nós apresentamos as propostas e esperamos a ação. Durante a reunião, pedimos um retorno dos participantes. A nossa proposta é, em relação ao IPI e ao Cofins, uma taxação diferenciada para as pequenas empresas, em comparação com as grandes cervejarias. Isso se deve à produção em si, ao volume e às dificuldades de fluxo de caixa das pequenas empresas. Estamos alinhando isso com outras associações.

E como tem se dado essa discussão?
Temos uma proposta que classifica por volume de produção: microcervejaria, pequena cervejaria, cervejarias médias e, depois, as grandes. Está em fase final de estudo. A reforma tributária é uma primeira etapa e deve ser concluída até junho ou julho. Segundo o entendimento do pessoal de Brasília, há dois projetos de lei que devem ser adotados pelo governo, que servirão de base para isso. Em uma segunda etapa, é importante para a associação a discussão sobre o imposto seletivo. Isso aumentará a tributação sobre bebidas e cigarros. Portanto, essa é uma segunda fase muito importante. Sabemos que dentro das bebidas alcoólicas, a cerveja tem um teor alcoólico variável, desde cervejas mais leves até cervejas com maior teor. Isso envolve uma discussão entre o segmento de bebidas alcoólicas. Nosso pleito é que se houver uma taxação, seja aplicada a menor taxa possível com base no teor alcoólico. Essa é outra luta.

Pensando no âmbito estadual e municipal, há outras pautas tributárias importantes?
Estamos tentando também organizar pleitos por estado para os governos locais em relação ao ICMS e à Substituição Tributária. É importante que as cervejarias entendam por que é bom estar associado e compreendam o quanto geram de impostos, turismo, empregos e o potencial de crescimento de novas cervejarias em cada local. Na luta pelos impostos estaduais, queremos criar um procedimento e disseminá-lo pelos demais estados brasileiros, comprovando, através dos números, o crescimento do nosso segmento e, consequentemente, de empregos, renda e impostos, para que isso circule. Essa é uma luta que, até o momento, tem sido um tanto discreta, mas é importante sinalizar. Também temos uma luta frequente em nível municipal. Existem vários projetos de lei contra a cerveja, e em conjunto com outras associações, quando descobrimos, através do Diário Oficial do dia, por exemplo, precisamos conversar com os vereadores e mostrar o nosso mercado. Temos três grandes players, mas também temos 1.500 cervejarias que trabalham localmente. São recursos locais, o dinheiro circula no município ou no estado. Esse é um dos trabalhos mais difíceis.


A pesquisa mostrou que 44% das cervejarias foram abertas nos últimos três anos. Esse dado indica uma renovação do setor e um potencial para crescimento?
Esse movimento que vem acontecendo de maneira surpreendente no Brasil é uma realidade que também ocorre em outros países. Se olharmos para a pesquisa do Mapa de 2017, tínhamos 679 cervejarias, e em 2021, eram 1.549. Então, o salto tem sido muito grande, e estamos sempre falando de crescimento de dois dígitos, ano após ano. Esse movimento também acontece em outros segmentos, como embutidos, queijos, café e até mesmo na agricultura. No Brasil, vemos queijos maravilhosos, em um crescimento explosivo. O mercado tem um potencial real. Podemos falar de mercados não explorados pelo artesanal. E o artesanal não precisa ser extremo, ele pode ser uma cerveja bem equilibrada. Se pegarmos o exemplo da comunidade do Grajaú, em São Paulo, onde nosso colega Leandro Sequelle tem a Graja Beer, lá tem 1,5 milhão de habitantes. E se tivéssemos uma fábrica de cerveja Pilsen lá, tenho certeza de que surpreenderia a todos pela experiência, e poderia ter preços bastante competitivos. Tem o Norte e o Nordeste do Brasil com potencial incrível, pois são lugares de clima quente, com muito turismo. Abrir uma cervejaria nesses lugares seria um ótimo negócio. Eu vejo que o crescimento continuará.

O que precisa acontecer para esse crescimento ser mais saudável? Que tipo de apoio esses empreendedores iniciantes devem ter?
Essas pessoas precisam de ajuda, de união, de informações técnicas, de equipamentos. E tudo isso está acontecendo. O mercado de equipamentos e importação de insumos está crescendo. Uma coisa que eu particularmente não acreditava era o aumento do plantio de lúpulo no Brasil. Torço muito por esses malucos que estão plantando lúpulo. Para mim, eles são heróis, o plantio de lúpulo está aumentando de forma organizada. Então, vejo isso com otimismo. Também precisamos melhorar muito internamente para que essas cervejarias sejam financeiramente sustentáveis e continuem existindo, evitando grandes fechamentos. Nos Estados Unidos, temos entre 10,5 mil e 11 mil cervejarias, enquanto no Brasil estamos em torno de 1.500. Ou seja, acredito que ainda há muito mercado a ser descoberto aqui. O segmento das cervejas especiais, que inclui as artesanais, tende a aumentar. Estamos aqui para colaborar. O trabalho também mostrou que 44% das cervejarias foram abertas nos últimos três anos. Isso é uma realidade muito forte e indica um crescimento significativo no setor cervejeiro. É uma luta incessante, mas acredito que, com união, apoio e melhorias internas, as cervejarias artesanais têm um potencial promissor para se manterem e prosperarem no mercado.

A pesquisa indica que a maioria das cervejarias conseguiu aumentar o volume de cerveja vendida de 2021 para 2022. Isso é um sinal de recuperação do setor?
A pandemia trouxe muitos desafios para as cervejarias. No início, elas perderam seus clientes devido ao fechamento de estabelecimentos. O delivery se tornou uma alternativa importante, tanto como uma questão de sobrevivência quanto de motivação. Muitas cervejarias tiveram que lidar com preocupações envolvendo seus estoques de cerveja e a incerteza sobre a validade dos produtos durante o período de lockdown. No entanto, com o retorno gradual das atividades e eventos, houve um aumento significativo nas vendas no ano passado. As pessoas estavam ansiosas para sair de casa, encontrar amigos e desfrutar de uma cerveja. Eventos como carnaval fora de época, festas juninas e até mesmo uma Copa do Mundo no final do ano impulsionaram esse crescimento. No entanto, é importante mencionar que houve um aumento considerável nos insumos, mas esse aumento de custos não foi repassado totalmente para o consumidor. Isso resultou em margens de lucro ainda mais estreitas para as cervejarias. Portanto, o ano de 2022 foi um ano de desafios, e acredito que 2023 será o ano da retomada. Manter os volumes de faturamento e produção, além de encontrar maneiras de equilibrar as contas, são alguns dos grandes desafios para este ano. Embora as vendas tenham aumentado, a margem de lucro ficou comprometida devido aos aumentos nos insumos. É importante buscar estratégias para enfrentar esses desafios e garantir a sustentabilidade financeira das cervejarias.

81% dos participantes da pesquisa disseram esperar que 2023 será melhor do que 2022. O que você acha desse dado? Quais são as oportunidades e desafios para esse ano?
O brasileiro é um otimista e tem um mercado a ser descoberto. Então, esses 3% de participação de mercado vai aumentar, porque cresceu muito o número de cervejarias. Há a oportunidade de ter uma reforma tributária que vai levar de cinco a sete anos, é uma transição que vai acontecer aos poucos, mas, quando você piscar os olhos, já se passaram cinco anos. Temos uma oportunidade de defender o nosso segmento com redução de impostos a nível estadual e federal. E precisamos levar essa informação para os nossos associados. Acho que o momento está propício para se falar de impostos e pleitear redução para as artesanais. E enquanto associação, temos um projeto olhando todo o Brasil. A associação vai iniciar um projeto chamado Conexão Cerveja Brasil, que passará pelas cinco regiões do país.

Quais são as atrações preparadas pela Abracerva para o Conexão Cerveja Brasil?
Nós teremos um congresso, no qual vamos abordar pautas tributárias, vamos falar de produção, de malte, de lúpulo, de levedura. Nós vamos ter pautas de sustentabilidade, também vamos falar sobre a pauta de diversidade. Além do congresso, tem o campeonato, vai voltar a Copa Cerveja Brasil. Será a terceira edição, a primeira sobre essa nova gestão. É uma oportunidade para as cervejarias serem premiadas e de terem um reconhecimento regional, pois é muito difícil para uma cervejaria do Norte, do Nordeste e do Centro-Oeste concorrer em Blumenau ou nos eventos da Brasil Beer Cup, que têm um nível altíssimo. E queremos valorizar o local. Isso é um norte do nosso segmento. Também teremos o festival, que não terá investimento antecipado das cervejarias, pois a Meu Chopp, nossa parceira, vai bancar o custo de locação. Queremos fazer eventos simples, com entregas realistas, diminuindo o risco financeiro.

Menu Degustação: Curso Técnico em Cervejaria, Dia das Mães, clube da Dogma…

A variedade de novidades ofertadas nos últimos dias dentro do setor cervejeiro dá o tom da forte movimentação no segmento. E para quem deseja atuar diretamente na indústria, uma ótima oportunidade está sendo ofertada pelo Instituto Federal de São Paulo – campus Sertãozinho, que está na reta final das inscrições para o Curso Técnico em Cervejaria.

Para o Dia das Mães, celebrado neste domingo (14), haverá várias ações especiais, como no caso do Parque da Cerveja, que oferecerá um presente para as mães que visitarem o complexo, em Campos do Jordão (SP), junto de seus filhos.

Enquanto isso, a Bodebrown programou para o sábado o seu growler day e o lançamento de um rótulo especialmente para a data, em Curitiba, enquanto a Landel também receberá o público na sua casa no mesmo dia. Já a Dogma passou a contar com seu clube de assinaturas.

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Confira estas e outras ações cervejeiras no Menu Degustação do Guia:

Curso Técnico em Cervejaria
O Instituto Federal de São Paulo – campus Sertãozinho – está com inscrições abertas para o curso Técnico em Cervejaria. O curso visa formar profissionais qualificados, com sólida base científica e tecnológica, habilitados para planejar, executar ou coordenar todas as etapas do processo de produção de cervejas, além de possibilitar uma visão apurada da gestão e do negócio cervejeiro, podendo, assim, atuarem em cervejarias, outras empresas da cadeia produtiva ou empreender no setor. As inscrições no curso Técnico em Cervejaria vão até o domingo (14) e devem ser feitas no site da instituição mediante o pagamento de uma taxa de R$ 20,00. O curso terá duração de 1 ano e meio (1.200 horas), no período noturno e será gratuito. O edital do curso Técnico em Cervejaria pode ser acessado pelo link.

Para trabalhar em bares
Também está em fase final o período de inscrições na formação gratuita para trabalhar no mercado de serviço de bares e restaurantes oferecido pela Academia da Cerveja, escola de conhecimento e cultura cervejeira da Ambev, com a Escola Superior de Cerveja e Malte (ESCM) e o Instituto Ceres. Podem participar pessoas de qualquer região do país que tenham acima de 18 anos. O curso é online e on demand, e as inscrições ficarão abertas até a próxima quinta-feira (18).

Growler Day da Bodebrown
A Bodebrown programou para este sábado (13) o seu Growler Day que será embalado pelo som do Pearl Jam, interpretado pelo quinteto curitibano Rusty Cage. Conhecido pelos shows que assina como Pearl Jam Cover Curitiba, o grupo apresentará os clássicos da banda de Seattle, a partir das 14h. Para a data, a cervejaria produziu um rótulo especialmente voltado ao Dia das Mães, a cerveja Regina Sour Framboesa. Além dela, ganham destaque outras 9 opções nas chopeiras, para venda em copo, e mais quatro em growlers PET. A entrada é franca.

Growler Day da Landel
Também neste sábado, aLandel promoverá o Growler Day Mild May. O evento começa às 11h em Campinas e o happy hour será estendido até as 17h. A festa contará com um lançamento da marca, a Black Pug. A entrada é gratuita e o ambiente, pet friendly. Os clientes ainda têm descontos para encher o growler.

Dogma no Clube do Malte
Em parceria com o Clube do Malte, a Dogma, cervejaria de São Paulo, está lançando seu clube de assinaturas para os apaixonados por cerveja. Com o clube, os clientes receberão cervejas exclusivas da marca, com a opção de contratar dois planos de assinatura: o pack de duas latas por R$79,90 ou o de quatro latas por R$134,80. A assinatura não tem fidelidade. O Lovers Club tem como objetivo aproximar os clientes mais fiéis da Dogma, que gostam de conhecer os lançamentos da marca em primeira mão, com muitas experiências exclusivas, incluindo novos rótulos, promoções e benefícios.

Parque da Cerveja no Dia das Mães
No Dia das Mães, celebrado neste domingo (14), o Parque da Cerveja oferecerá um presente para as mães que visitarem o complexo junto de seus filhos: o ingresso delas será cortesia. O ingresso garante o acesso aos espaços gastronômicos, visita ao Museu da Cerveja, cachoeira e jardins. O local, ao ar livre, fica em uma área de 240 mil m², rodeada por grandes araucárias e montanhas. Dentro do parque, os visitantes podem conhecer uma fábrica de cervejas artesanais, o Museu da Cerveja, um mirante e até um jardim de lúpulos. O Parque da Cerveja fica em Campos do Jordão e não é necessário reserva para visitá-lo.

Stella quer marcar encontros
A Stella Artois decidiu dar um fim nos encontros nunca marcados, convidando o público a finalmente se reunir com aquela pessoa querida, acompanhado de boa comida e da cerveja gelada. A campanha “Vamos Marcar” busca provocar no consumidor a reflexão sobre as pessoas colocarem os compromissos e obrigações consideradas mais importantes à frente das relações, deixando o jantar com pessoas importantes no fim da lista de prioridades. A ação traz um filme publicitário e um “empurrãozinho” que faltava pois vai dividir a conta do jantar: o consumidor poderá comprar um voucher no valor de R$ 100 por apenas R$ 50 para ser utilizado nos restaurantes participantes da ação nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo.

Campanha pelas retornáveis
Com o objetivo de ter 100% dos seus produtos em garrafas retornáveis ou que sejam feitas, em sua maioria, de conteúdo reciclado, até 2025, a Ambev estreou campanha com filme na TV e em canais digitais, em busca de reforçar os benefícios das garrafas retornáveis. O objetivo é mostrar que as garrafas retornáveis são a melhor opção para o meio ambiente, por serem recicláveis e reutilizáveis, ajudando a reduzir o desperdício e a poluição, além de serem vantajosos para o bolso do consumidor, que só paga pelo líquido, conseguindo economizar. O filme é assinado pela agência CP+B Brasil.

Leveza com Skol
A transformação do complicado para o descomplicado e da pressão para a descontração ganha destaque na nova campanha de Skol. A ação intitulada “Cara da Leveza Skol” vem, segundo a cerveja, marcar um novo momento da sua comunicação com os consumidores.

Eisenbahn leva dois ganhadores à Blumenau
A Eisenbahn lançou uma promoção em que irá concede a dois vencedores a possibilidade de conhecer sua história e a fábrica, localizada em Blumenau (SC), com direito a levar acompanhantes. Para concorrer basta fazer um cadastro no site Craft Garten, plataforma proprietária da Eisenbahn, anotar seu número da sorte e torcer no sorteio marcado para 30 de setembro. As inscrições podem ser feitas até as 18h do dia 26 de setembro.  A campanha é aberta apenas para pessoas maiores de 18 anos, residentes no Brasil.

50ª unidade do Porks
O Porks — Porco & Chope acaba de anunciar a inauguração da 50ª unidade da rede. Para o marco, a cidade escolhida foi Ribeirão Preto (SP). Na inauguração, que acontece neste sábado (13), a casa preparou uma ação especial: vai distribuir gratuitamente mil chopes Pilsen (300ml). Para participar da promoção, que acontece a partir das 15h, os 200 primeiros clientes que chegarem no local receberão um cartão fidelidade que dará direito a 5 chopes Pilsen (300ml), limitados a um copo por dia.

Rock n’ Pub em Campos do Jordão
O PlayPub, bar da Cerveja Campos do Jordão, está trazendo o melhor do rock para as noites de Campos do Jordão. A programação musical se dá em todos os finais de semana do mês, com shows sempre a partir das 20h. A banda Eleven, neste sábado (13); Roger Isla, no dia 20; e a Jack on the Rocks, no dia 27, são as próximas atrações. Não há necessidade de reserva. Para harmonizar, a casa vai disponibilizar chopes de edição limitada que estão disponíveis exclusivamente nas oito torneiras do PlayPub, produzidos na minifábrica que a cervejaria mantém no local.

Krug Bier no Bikefest 2023
O Bikefest completa, em 2023, 31 anos de história. O evento nasceu de um encontro de amigos motociclistas em Tiradentes (MG) e se tornou referência no país. Neste contexto, a mineira Krug Bier, será a cervejaria oficial do evento, tendo desenvolvido um rótulo especial para a edição. O Bikefest São Lourenço acontece dos dias 19 a 21 de maio, na Praça João Lage, em frente ao Parque das Águas, cartão postal de São Lourenço. Já o Bikefest Tiradentes será dos dias 21 a 25 de junho, no Santíssimo Resort e na Praça da Rodoviária de Tiradentes.

World Class Competition no BCB São Paulo
O World Class Competition está confirmado para acontecer no BCB São Paulo, nos dias 5 e 6 de junho, no Pavilhão da Bienal do Ibirapuera. Esta será a terceira vez que a fase final do campeonato, promovido pela Diageo, estará entre as atrações do evento, que reúne bartenders, mixologistas, distribuidores, varejistas, empresários do setor e comerciantes de bares e restaurantes para conferir os principais lançamentos, conteúdos e tendências que podem impulsionar negócios. O credenciamento para a edição de 2023 já está aberto.

Produção de alcoólicas mantém trajetória de crescimento e sobe 2,7%

Após registrar crescimento de dois dígitos em fevereiro (13,2%), resultado provocado sobretudo pelo carnaval, a produção de bebidas alcoólicas manteve sua tendência de alta em 2023. A atividade saltou 2,7% em março, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, e fechou o primeiro trimestre de 2023 com alta de 5,5%.

Os dados foram divulgados na Pesquisa Industrial Mensal, do IBGE, que também apontou variação positiva, de 1,4%, da produção de bebidas alcoólicas no período de 12 meses iniciado em abril de 2022.

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Avaliação divulgada pela XP Investimentos, publicada no seu Monitor da Indústria de Bebidas, destaca que o resultado traz boas perspectivas para 2023, com expectativa de crescimento da atividade na comparação com o ano passado.

“A produção de bebidas alcoólicas ficou 5% acima das estimativas do nosso modelo de regressão e, devido a um início de ano sólido, nosso modelo de regressão prevê um aumento de volumes em relação ao ano anterior”, afirma, também apontando que a sazonalidade deve provocar variações na busca pelas bebidas alcoólicas ao longo do ano, o que pode ser positivo para as cervejarias.

“Uma mudança interessante para 2023 deve ser a volta à sazonalidade histórica, o que é positivo para as estratégias comerciais das empresas, principalmente considerando que o primeiro evento social (carnaval) foi positivo considerando a produção do setor no 1T23, gerando otimismo para os próximos gatilhos de demanda no calendário do ano”, acrescenta.

Outras bebidas
Também seguindo a tendência de alta, a produção nacional de bebidas não alcoólicas cresceu 1,2% em março na comparação com o terceiro mês de 2022, uma expansão que ficou 15% acima da previsão da XP, “aumentando fortemente as estimativas para o ano”.

O desempenho no mês de março fez o segmento de não alcoólicas acumular alta de 4,2% no primeiro trimestre de 2023. Já no período de 12 meses, o indicador está positivo em 7%.

O IBGE também informou que a fabricação de bebidas registrou aumento de 2% ante o mesmo mês do ano passado. Com isso, o segmento totaliza alta de 4,8% nos três primeiros meses de 2023. E o crescimento da atividade é de 4,1% de abril de 2022 até março deste ano.

Produção industrial avança em março
O desempenho da fabricação de bebidas em março foi importante para a atividade industrial brasileira, que, de acordo com o IBGE, conseguiu inverter a tendência de queda dos meses anteriores e cresceu 1,1% frente a fevereiro na série com ajuste sazonal.

Na comparação com março de 2022, na série sem ajuste sazonal, houve crescimento de 0,9%. Apesar disso, a produção industrial segue negativa em 2023, agora em -0,4%. Já no período de 12 meses, fica estável (0,0%). Agora, então, o nível da produção industrial está 1,3% abaixo do momento pré-pandemia (fevereiro de 2020) e 17,9% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011.

Das 25 atividades investigadas pela pesquisa, 16 avançaram em março. Entre elas, as principais influências sobre o índice geral vieram dos setores de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (1,7%), máquinas e equipamentos (5,1%) e equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (6,7%).

“Os dois primeiros meses de 2023 foram marcados por queda, embora não tivessem disseminação do resultado negativo entre as atividades. Em março, a maior parte das atividades também ficou no campo positivo e a indústria marcou um crescimento que não era visto desde outubro do ano passado (1,3%). Então há uma melhora de comportamento da produção industrial, especialmente considerando esse crescimento de magnitude mais elevada, mas ainda está longe de recuperar as perdas do passado recente”, explica o gerente da pesquisa, André Macedo.