No fim de abril, a Eisenbahn convidou alguns integrantes da imprensa e influenciadores para um evento no Espaço Cúpula do Cão Véio da Vila Madalena, em São Paulo. Tratava-se do lançamento da nova fase da campanha “Locomotivas”. E, com o copo na mão e o paladar atento, a reportagem do Guia da Cerveja participou de uma noite focada em degustação e harmonização guiada pelo chef — e embaixador da marca — Henrique Fogaça, acompanhado da precisão da sommelier e responsável pela área de cultura cervejeira do Grupo Heineken Patrícia Sakakura.
Entre um “Bom Pra Cachorro” (um belo bolinho de arroz empanado na panko perfeitamente escoltado pelo frescor da Eisenbahn Pilsen) e uma mordida no “Shiba Inu” (mini burger de Black Angus que casou perfeitamente com a pegada cítrica e resinosa da Eisenbahn IPA), tivemos a oportunidade de bater um papo exclusivo com o cérebro por trás da nova fase da cervejaria: Giovanna Abreu.
Paulistana, formada em Relações Internacionais pela ESPM, com ênfase em marketing e negócios, e em Administração e Gestão de Negócios pela FIA, Giovanna tem uma bagagem de respeito. Ela construiu sua trajetória no marketing de gigantes de bens de consumo. Teve passagens por BRF, Danone e PepsiCo, antes de desembarcar no Grupo Heineken no início de 2020. Lá, começou gerenciando os não alcoólicos, migrou para as cervejas mainstream (como Devassa e Tiger) e, entre 2024 e 2025, foi viver uma experiência multicultural no Caribe como head de marketing da Red Stripe Corporate, a operação da Heineken na Jamaica.
Trazendo na mala essa grande capacidade de leitura sobre o comportamento de consumo, ela retornou ao Brasil para assumir a gerência de marketing sênior das marcas premium Eisenbahn e Sol. Seu desafio agora não é pequeno: traduzir essas percepções de mercado para acelerar a presença e aprofundar a relevância cultural dessas marcas em um cenário cada vez mais fragmentado e competitivo.
E foi exatamente sobre o futuro desse mercado que conversamos. Na entrevista exclusiva a seguir, Giovanna abre o jogo sobre o plano ambicioso de consolidar a Eisenbahn como a terceira maior via de crescimento da companhia no país. Ela detalha como a cervejaria quer ir muito além das suas mais de 150 medalhas de qualidade, buscando criar uma conexão emocional real com os brasileiros.
É aí que entra a expansão da atitude “Locomotiva”, campanha que celebra o protagonismo e que acaba de ganhar reforços de peso no seu time: a jornalista Ana Paula Padrão e o economista Ricardo Amorim se juntam a Fogaça para personificar essa essência..
Além disso, a executiva compartilha os bastidores da rápida adaptação às tendências de bem-estar com o bem-sucedido relançamento do líquido da cerveja Sol, que passou a ser sem glúten. Por fim, faz uma reflexão super interessante sobre como a Eisenbahn consegue a proeza de “jogar nos dois times”: unindo a democratização e abrangência da sua Pilsen ao respeito, complexidade e alta credibilidade que a marca carrega no universo artesanal.
Confira:

Primeiro, parabéns por assumir a gerência das marcas Eisenbahn e Sol. Como foram esse processo de transição e a sua trajetória na companhia até esse retorno ao Brasil? Sua formação é em marketing mesmo?
Obrigada! Eu cursei Relações Internacionais na ESPM, com ênfase em marketing e negócios. No entanto, minha trajetória profissional sempre foi no marketing, trabalhando em grandes multinacionais de bens de consumo, tanto de bebidas quanto de alimentos, ao longo de toda a minha carreira.
Entrei no Grupo Heineken em janeiro de 2020, um pouco antes da pandemia, para cuidar da categoria de bebidas não alcoólicas, como refrigerantes, água e sucos. Depois, migrei para a cerveja, nosso grande core de negócio, cuidando de marcas mainstream como Tiger e Devassa. Em 2024 e 2025, fui responsável pelo marketing de todo o portfólio da Heineken, de cervejas a destilados, na Jamaica.
Retornei ao Brasil em setembro do ano passado para assumir as marcas premium Eisenbahn e Sol. Nosso grande desafio agora é desenvolver a Eisenbahn como a terceira maior via de crescimento da companhia. Nossa ambição é ser a terceira maior marca do Grupo Heineken.
Quais são os principais planos para a Eisenbahn sob a sua gestão?
O grande plano é desenvolver a marca ainda mais. A Eisenbahn tem uma história muito sólida e consistente no Brasil, sendo uma marca reconhecida internacionalmente com mais de 150 prêmios. Agora, queremos construir essa história para o futuro, criando uma conexão ainda mais emocional com os consumidores. Desde o ano passado, com a campanha “Locomotivas”, estamos trabalhando o posicionamento de não desistir frente às adversidades e de celebrar as pessoas que são protagonistas de suas próprias histórias. É por isso que trouxemos nomes como Henrique Fogaça, Ana Paula Padrão e Ricardo Amorim, para solidificar e personificar essa nova narrativa.
Qual é a estratégia para a marca Sol?
Com a Sol, viemos trabalhando fortemente numa frente de saudabilidade e bem-estar. Fizemos o relançamento do líquido da cerveja no ano passado, mantendo o mesmo sabor, mas agora na versão sem glúten. Notamos um grande movimento dos consumidores em busca de bem-estar e de produtos mais leves. E essa mudança veio em um momento super positivo durante o verão, revelando-se um grande sucesso para a marca.
Sobre a campanha “Locomotivas” com os grandes embaixadores, quais são as expectativas? É uma ação de curta duração?
A ideia é mantermos a campanha por um tempo mais longo, com certa consistência. Começamos a falar sobre esse tema no ano passado com o filme Locomotivas. E, neste ano, demos um segundo passo chamando essas personalidades de peso para personificar essa atitude. O Fogaça, por exemplo, estará conosco não apenas na campanha, mas em todas as nossas iniciativas do Eisenbahn Rock Station, nossa plataforma de patrocínios a shows e festivais de rock, que tem tudo a ver com a experiência que queremos construir.
A Eisenbahn nasceu na cultura da cerveja artesanal, um mercado que vem mudando. Como você avalia o cenário cervejeiro hoje?
Temos uma visão super positiva, principalmente para o segmento premium, que vem crescendo de forma ampla. Quando olhamos para o nosso portfólio de estilos cervejeiros, o objetivo é oferecer opções que atendam a diversos gostos. Vemos que as pessoas querem experimentar coisas diferentes e vivenciar essa descoberta sensorial. Existe um prospecto bastante positivo na combinação entre a Pilsen premium e os diferentes estilos. E isso é o que nos ajuda a ser uma marca democrática e a alcançar ainda mais consumidores.
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Dá para jogar nos dois times, equilibrando o universo da cerveja premium mais abrangente com a cerveja artesanal?
Dá super! Temos uma complementaridade no final do dia. A Eisenbahn surge desse universo craft, e os estilos nos ajudam a atestar a credibilidade e a alta qualidade que queremos construir. Essa combinação é muito poderosa. Enquanto a Pilsen ajuda a trazer mais visibilidade e abrangência, os outros estilos trazem a percepção de qualidade artesanal de líquidos diferentes. Um portfólio ajuda o outro, criando uma sinergia com certeza.
Para encerrar, quais são os próximos passos da marca que podemos esperar para o futuro?
Teremos muita iniciativa bacana acontecendo, especialmente dentro do Eisenbahn Rock Station, com vários patrocínios e frentes ao longo do segundo semestre. A campanha Locomotiva segue a todo vapor, com novas ativações para continuar construindo nosso posicionamento. Ainda há novidades que não posso detalhar neste momento, mas ao longo do ano teremos bastante coisa para apresentar.


