A Heineken N.V. divulgou oficialmente na madrugada desta quarta-feira (5) o seu balanço de resultados financeiros e operacionais consolidados relativos ao primeiro semestre de 2026 (HY26 ou 1S26). Em um ambiente econômico global desafiador, o grupo aumentou o volume em 1,6% e teve 6,7% de crescimento do lucro operacional. No Brasil, mesmo diante de um recuo no volume de vendas, que acompanha o mercado nacional, a companhia registrou crescimento de dígito baixo (low-single-digit) na receita líquida. O grande destaque do período foi a expansão do portfólio de saudabilidade e moderação, capitaneada pela Amstel Ultra, que mais do que dobrou o seu volume de vendas no país. Segundo a empresa, ela é hoje a cerveja ultra líder do mercado brasileiro.
Preço-mix e a eficiência industrial de Passos (MG)
No cenário doméstico, as condições de consumo mostraram-se desafiadoras nos primeiros seis meses do ano, diz o relatório. O sentimento do consumidor brasileiro resultou em um encolhimento de médio dígito (mid-single-digit, por volta de 5%) no mercado total de cervejas. Alinhado a essa tendência do setor, o volume de vendas de cerveja do Grupo Heineken no país também registrou retração de médio dígito no acumulado do semestre, embora as curvas tenham demonstrado melhoria sequencial no fechamento do segundo trimestre, segundo o comunicado da empresa.
Já a receita líquida da Heineken no Brasil apresentou crescimento de dígito baixo (low-single-digit). Um resultado financeiro que foi viabilizado por uma sólida execução comercial de preço-mix positivo (repasses de preços e mix qualificado de SKUs). Também contribuiu a melhoria estrutural na carteira de clientes e canais de distribuição.
O grande diferencial na blindagem do lucro operacional no Brasil foi a eficiência da nova cervejaria de Passos (MG). O início das atividades da moderna planta mineira permitiu uma otimização profunda da cadeia de suprimentos local. Com a produção regionalizada, a Heineken conseguiu reduzir custos logísticos de frete, aprimorar a distribuição física e implementar iniciativas internas de produtividade que impulsionaram significativamente as margens operacionais da região das Américas (que registrou alta de 2,2% no lucro operacional BEIA, alcançando 850 milhões de euros).
Amstel Ultra e cervejas premium
A busca do consumidor por estilos de vida mais equilibrados e produtos focados em bem-estar moldou o desempenho das marcas do portfólio nacional. Enquanto as cervejas da categoria mainstream enfrentaram mais desafios, o segmento premium cresceu, com produtos de baixa caloria, baixo teor alcoólico e sem álcool disparando.
Dentro dessa estratégia, a Amstel Ultra foi a principal locomotiva da companhia no Brasil. A marca registrou um crescimento, mais do que dobrando o seu volume de vendas (alta superior a 100%) em relação ao mesmo período de 2025. O sucesso consolidou a Amstel Ultra como a líder no segmento de cervejas de baixo teor calórico (ultra beer) no Brasil, segundo a empresa.
A performance da Amstel Ultra deu ritmo para todo o portfólio de menor teor alcoólico ou sem álcool (LoNo) da Heineken no Brasil. Ele cresceu expressivos mid-thirties (cerca de 35%) no primeiro semestre. Esse avanço multicategoria foi composto por: Heineken 0.0, que teve expansão de volume de duplo dígito no país; Sol Zero, que também dobrou o volume de vendas; e Heineken Ultimate, lançamento estratégico recente feito primeiro no Brasil.
A Heineken Ultimate é uma cerveja sem glúten, com baixo teor alcoólico (3,5% ABV) e com 30% menos calorias que a versão tradicional. O produto foi desenhado especificamente para as ocasiões de consumo voltadas à moderação. A empresa lançou a cerveja primeiro no Brasil em maio deste ano.
Em paralelo, a marca principal Heineken seguiu defendendo a liderança na categoria de cervejas premium no Brasil.
Performance global e estratégia EverGreen 2030
A nível global, a Heineken N.V. reportou números acima das estimativas de mercado, comprovando a eficácia da reestruturação corporativa e dos cortes de custos em andamento.
O volume consolidado atingiu 142,8 milhões de hectolitros (mhl), uma alta orgânica de +1,6% (superando com folga o consenso de mercado de 141,5 mhl). O volume global da marca Heineken subiu +5,3% (totalizando 31,6 mhl), enquanto Tiger retornou à curva de crescimento e a Heineken 0.0 avançou +7,2% globalmente.
Já a receita líquida registrou crescimento orgânico de +2,7%, totalizando 14.834 milhões de euros (BEIA). Enquanto isso, o lucro operacional somou 2.170 milhões de euros (BEIA), um crescimento orgânico de +6,7%. Isso levou a margem operacional a expandir em 55 pontos-base, fechando o semestre em 14,6%.
O destaque vai para o fluxo de caixa operacional livre (FOCF), que deu um salto alcançando 1.381 milhões de euros contra 257 milhões no primeiro semestre de 2025. Essa forte geração de caixa é explicada por uma otimização massiva no capital de giro e pela redução programada de 328 milhões de euros nos investimentos em CAPEX (que caíram para €1.070 milhões globais) .
Em comunicado aos investidores, a diretoria do grupo destacou que a companhia acelerou a agenda de simplificação operacional e eficiência do programa EverGreen 2030. Como parte desse avanço estrutural, a Heineken reduziu o número de funcionários de tempo integral (FTEs) globais em cerca de 3 mil profissionais no primeiro semestre.
A Heineken N.V. concluiu ainda movimentos estratégicos importantes no semestre. House o fechamento da aquisição das operações de bebidas e varejo da FIFCO na Costa Rica por €2,47 bilhões. Além do desinvestimento operacional direto na República Democrática do Congo (DRC). Essas transações devem acrescentar de 2% a 3% ao lucro por ação do grupo.



Pela manchete, dá entender que a culpa da rentabilidade da “firma” é da cidade de Passos. Mas, lendo a matéria nota-se ser “guerra” de mercado e com muitos termos técnicos, mid low price…capex, na redação. Não fala da qualidade da mão de obra do povo, incentivos fiscais dos entes envolvidos e principalmente da “saborosa” água da região, fundamental para uma boa cerveja!