A Ambev divulgou nesta quinta-feira (30) o balanço financeiro do segundo trimestre de 2026 com números bastante positivos. Impulsionada pelo avanço na venda de cerveja premium e pela forte demanda gerada pelas ativações da Copa do Mundo, além da tendência do segmento wellness, a gigante das bebidas registrou um lucro líquido ajustado de R$ 3,49 bilhões entre abril e junho — uma alta expressiva de 23,3% na comparação com o mesmo período do ano passado.
Para além dos números, os resultados trazem sinais claros: o consumidor brasileiro está consumindo rótulos de maior valor agregado, buscando opções com menor teor calórico e utilizando canais digitais de conveniência para abastecer a geladeira.
Balanço da Ambev
O crescimento do lucro líquido foi resultado de aumento nos volumes e melhoria das margens.
O volume vendido, um dos pontos mais delicados dos últimos balanços, melhorou levemente, mantendo-se em faixa de estabilidade. A Ambev vendeu 39,7 milhões de hectolitros no mundo, uma alta de 1,4% no consolidado.
O Brasil foi a principal área de crescimento da Ambev (o país responde por 61% do EBITDA). Por aqui, a divisão de cerveja cresceu 5%, superando o ritmo de vendas da média da indústria nacional.
Esse aumento no volume e a capacidade de vender produtos mais caros, como as cervejas premium, levaram a uma receita líquida de R$ 20,15 bilhões. O número mostra um aumento orgânico de 6,1% em relação ao mesmo período do ano passado.
Já o EBITDA ajustado — que na prática mede o quanto o negócio principal da Ambev rendeu antes das contas financeiras e impostos — foi de R$ 6,37 bilhões, um crescimento orgânico de 8,9%. A margem EBITDA foi de 31,6%, ou seja, de cada R$ 100 que entraram de receita líquida, sobraram R$ 31,60 de lucro operacional. Uma expansão de 80 pontos-base (0,8 ponto percentual), que indica que a empresa conseguiu segurar custos e lucrar mais por litro vendido.
Aceleração da cerveja premium e escolhas equilibradas
O movimento de premiumização continua sendo a principal alavanca de rentabilidade da companhia. Os volumes das marcas do segmento de cerveja premium cresceram na casa dos 10% altos (próximo a 18-19%, segundo o relatório).
Paralelamente, a categoria balanced choices (cervejas de baixa caloria, low carb e sem álcool) dobrou de volume no Brasil (mais de 250%). O grande destaque do período foi a Michelob Ultra, marca que mais do que triplicou suas vendas (crescimento de mais de 200%) em solo brasileiro no trimestre. Já a Stella Pure Gold teve aumento de 180% e as cervejas zero álcool, como Corona Cero, Budweiser Zero, Brahma 0,0% e a Skol Zero Zero, cresceram 30%.
O portfólio Wellness já representa aproximadamente 7% do volume total de cervejas vendidas no Zé Delivery. Durante o primeiro mês da Copa do Mundo, ações de experimentação no aplicativo levaram a Michelob Ultra a mais de 150 mil novos consumidores pelo Brasil.
Ou seja, a busca por rótulos associados ao bem-estar e ao estilo de vida ativo deixou de ser nicho e virou motor de volume na Ambev.
A empresa também sinalizou novos passos em inovação funcional ao citar o lançamento da Spaten Pro. Trata-se de uma cerveja Munich Dunkel sem álcool reforçada com 10 gramas de proteína. A novidade deve chegar ao mercado a partir do final de agosto de 2026 com distribuição inicial focada nos estados de São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ), além da cobertura digital via Zé Delivery.
Efeito Copa do Mundo
O calendário esportivo do trimestre foi decisivo. As ações de marketing e ativações de marcas voltadas para a Copa do Mundo ajudaram a impulsionar o consumo e criar momentos incrementais de venda no comércio e nos bares.
O Mundial teve início em 11 de junho e finalizou em 19 de julho, o que mostra que os reflexos ainda poderão ser sentidos nos próximos relatórios. No entanto, com menos intensidade, já que a Seleção Brasileira foi eliminada no jogo contra a Noruega no dia 5 de julho.
O aumento nos investimentos em vendas e promoção fez com que as despesas operacionais (SG&A) subissem 10,7% no trimestre. Contudo, o retorno em volume de vendas compensou o investimento mais pesado.
A força do Zé Delivery e do BEES
A transformação digital da Ambev atua hoje diretamente na ponta de venda. A plataforma de entregas Zé Delivery teve crescimento de 16% no valor transacionado (GMV) e 6% na base de usuários ativos. Nos dias de jogos da Seleção Brasileira, o volume de pedidos no aplicativo mais do que dobrou em relação aos dias normais. O app funcionou ainda como canal de experimentação: mais de 250 mil consumidores provaram a Michelob Ultra por meio de ações no Zé.
Já o BEES, plataforma pela qual donos de bares e restaurantes fazem seus pedidos, registrou alta de 58% no faturamento do seu marketplace de terceiros, garantindo eficiência na distribuição e garantindo que os rótulos de cerveja premium chegassem com agilidade ao ponto de venda.
Custo sob controle e alívio financeiro
Do ponto de vista fabril, o custo de produção por hectolitro (CPV/hl) subiu 2,2% no trimestre. O avanço foi contido por iniciativas de produtividade nas cervejarias, que ajudaram a anular parte das pressões nos preços de insumos industriais e do câmbio.
Outro fator determinante para o lucro saltar 23% foi a melhora no resultado financeiro. A Ambev reduziu significativamente suas perdas com proteções cambiais e derivativos no comparativo com o segundo trimestre de 2025. Isso aliviou a linha de despesas e permitiu que o lucro líquido crescesse em ritmo muito superior ao da receita.


