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Preço da cerveja sobe 0,83% em agosto e ignora deflação do IPCA; produção industrial cresce

Cerveja no domicílio acelera pelo segundo mês seguido mesmo com o IPCA geral em deflação; produção industrial de bebidas cresce em julho

Em agosto, o preço da cerveja subiu 0,83% nos supermercados, enquanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) geral caiu -0,32%. A distância entre os dois indicadores — 1,15 ponto percentual — é a maior desde o pico registrado em outubro de 2023: a cerveja não andava tão descolada do resto da inflação há quase três anos. Essa é também a segunda alta seguida da bebida — em julho, o aumento já havia sido de 0,76%. Os números são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Já a produção industrial trilhou o caminho oposto ao da indústria em geral: a fabricação de bebidas alcoólicas — segmento em que a cerveja responde por quase 90% da produção — cresceu 6,8% em julho frente ao mesmo mês de 2025, enquanto o setor industrial como um todo recuou -0,5% no período.

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Inflação da cerveja

A cerveja foi uma ilha de alta num mês de preços em queda no carrinho de compras. Enquanto o grupo de Alimentação e Bebidas ficou mais barato (-0,34%) e o subgrupo de Alimentação no domicílio também recuou (-0,61%), a inflação da cerveja vendida nos supermercados seguiu na direção oposta, registrando alta de 0,83%.

Fora de casa, o comportamento do preço da cerveja se inverte: dessa vez a cerveja nadou a favor da corrente, e não contra ela. A cerveja consumida em bares e restaurantes subiu 0,59%, acompanhando a alta do subgrupo de Alimentação fora do domicílio, de 0,36%.

No acumulado do ano, a cerveja no domicílio já soma alta de 2,50%, e a consumida fora, de 3,21%.

O retrato fica mais claro no acumulado de 12 meses — um indicador mais estável, menos sujeito aos solavancos de um mês isolado. Nesse período, a cerveja no domicílio acumula alta de 5,46%, acima do teto da meta contínua de inflação do Banco Central (3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual — ou seja, um teto de 4,5%). Já a cerveja fora do domicílio, com 4,15% acumulados, ainda está dentro da banda, mas colada no limite superior.

Geral, grupo, subgrupo, item e subitemMensal (%)12 meses (%)
Índice geral-0,32%+4,22%
1. Alimentação e bebidas-0,34%+3,53%
11. Alimentação no domicílio-0,61%+2,80%
1114084. Cerveja+0,83%+5,46%
12. Alimentação fora do domicílio+0,36%+5,40%
1201048. Cerveja+0,59%+4,15%

Fonte: IBGE – IPCA (Agosto 2026)

Preço da cerveja nas áreas pesquisadas

Geograficamente, o preço da cerveja no domicílio subiu em 11 das 15 capitais pesquisadas pelo IBGE com dado disponível em agosto. As maiores altas foram em Curitiba (+2,60%), Goiânia (+1,49%) e Recife (+1,24%). As quedas ficaram concentradas em quatro capitais: Grande Vitória (-1,44%), Brasília (-0,72%), Belo Horizonte (-0,40%) e São Luís (-0,34%).

No acumulado de 12 meses, os preços subiram mais no Rio de Janeiro (+9,97%), Curitiba (+8,60%) e Goiânia (+8,51%). As menores altas acumuladas no período foram em Porto Alegre (+2,08%), Recife (+2,12%) e Belo Horizonte (+2,41%).

CapitalMensal (%)Acumulada 12 meses (%)
Aracaju (SE)+0,92%+6,28%
Belém (PA)+1,15%+7,74%
Belo Horizonte (MG)-0,40%+2,41%
Brasília (DF)-0,72%+4,02%
Campo Grande (MS)+1,23%+8,49%
Curitiba (PR)+2,60%+8,60%
Fortaleza (CE)+0,14%+4,01%
Goiânia (GO)+1,49%+8,51%
Grande Vitória (ES)-1,44%+3,94%
Porto Alegre (RS)+1,10%+2,08%
Recife (PE)+1,24%+2,12%
Rio Branco (AC)
Rio de Janeiro (RJ)+1,15%+9,97%
Salvador (BA)+0,94%+2,88%
São Luís (MA)-0,34%+5,22%
São Paulo (SP)+0,60%+5,45%

Fonte: IBGE – IPCA (Dados de Agosto 2026 – Item: 1114084. Cerveja)

Produção industrial de julho

A fábrica de bebidas acelerou para 5% em julho — só que em duas velocidades diferentes. A produção de bebidas alcoólicas cresceu 6,8% frente a julho de 2025, mais que o dobro do ritmo das bebidas não alcoólicas, que subiram 3,3% no mesmo comparativo.

O quadro muda de figura quando se olha para trás. No acumulado dos últimos 12 meses, as bebidas alcoólicas ainda carregam uma queda de -1,3%. Já as não alcoólicas seguem no positivo, com alta acumulada de 1,4% no período: aceleram mais rápido no curto prazo, mas ainda não recuperaram todo o terreno perdido.

Grupos e classes industriaisVariação mensal (%)Variação 12 meses (%)
11.1 Fabricação de bebidas alcoólicas+6,8%-1,3%
11.2 Fabricação de bebidas não alcoólicas+3,3%+1,4%

Fonte: IBGE – Pesquisa Industrial Mensal (Dados de Julho 2026). Comparação com o mesmo mês do ano anterior.

Produção industrial por estado

Regionalmente, o mapa da produção de bebidas ficou mais verde do que vermelho em julho: nove dos 13 estados com série calculada para essa atividade cresceram na comparação com julho de 2025.

Os destaques positivos do mês foram Mato Grosso (+18,2%), Minas Gerais (+15,5%) e Rio de Janeiro (+14,0%). Do lado oposto, as maiores quedas ficaram com Pará (-24,0%), Paraná (-5,3%) e Bahia (-3,1%).

Mas boa parte dos estados que se destacaram em julho ainda está de ressaca dos 12 meses anteriores. No acumulado do período, apenas quatro dos 13 estados seguem no positivo — Rio Grande do Sul (+12,0%), Minas Gerais (+7,6%), Amazonas (+4,8%) e Maranhão (+2,7%). Mato Grosso e Rio de Janeiro, que lideraram a alta de julho, estão entre os que ainda carregam saldo negativo nos últimos 12 meses — sinal de que a recuperação recente não foi suficiente para virar o jogo. No total, a produção nacional de bebidas está estável no acumulado de 12 meses (0,0%).

EstadoVariação interanual (%)Variação 12 meses (%)
Brasil+5,0%0,0%
Mato Grosso+18,2%-0,8%
Minas Gerais+15,5%+7,6%
Rio de Janeiro+14,0%-1,4%
Rio Grande do Sul+11,6%+12,0%
Ceará+5,5%-6,7%
São Paulo+5,4%-2,7%
Amazonas+3,3%+4,8%
Maranhão+2,3%+2,7%
Pernambuco+0,6%-1,4%
Goiás-1,9%-5,5%
Bahia-3,1%-5,0%
Paraná-5,3%-6,8%
Pará-24,0%-4,4%
Sem série calculadaEspírito Santo, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Norte, Santa Catarina

Fonte: IBGE – Pesquisa Industrial Mensal (Dados de Julho 2026 – Atividade “3.11 Fabricação de bebidas”, nível Unidade da Federação)

Luís Celso Jr.
Luís Celso Jr.
É jornalista, escritor e sommelier de cervejas. Formado pela PUC-PR, se especializou em jornalismo digital e em gestão de Pequenas e Médias Empresas (FIA Business School). No ramo da cerveja, foi premiado no 1º Campeonato Brasileiro de Sommelier de Cervejas em 2014, defendo o Brasil no mundial em 2015. É professor do Instituto da Cerveja, juiz de concursos nacionais e internacionais (National BJCP), consultor e fundador do BarDoCelso.com — blog mais antigo de cerveja da internet brasileira que completa 20 anos em 2026. Premiado no Edital Fermenta!, é autor do livro “Uma viagem pela história da cerveja no Brasil” (no prelo).
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