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Brasil vence Haiti por 5 x 0 e mostra superioridade na Copa do Mundo da Cerveja

A Seleção Brasileira faz sua segunda partida na Copa do Mundo 2026 nesta sexta-feira (19) às 21h30 contra o Haiti. A equipe canarinho entra em campo como franca favorita, já que o time haitiano é apenas 85º colocado no ranking da Federação Internacional de Futebol (FIFA) e o único do Grupo C que perdeu o confronto inicial. No entanto, o empate contra Marrocos não convenceu a torcida nacional, e o grupo continua precisando provar o seu valor.

Em campo, o resultado ainda está em aberto. Mas se o Mundial fosse sobre cerveja, não haveria a menor chance para o Haiti. A disparidade dos mercados seria tão grande desproporcional quanto um “Davi contra Golias”, e o Brasil repetiria a vitória contra Marrocos com uma nova goleada de 5 a 0. 

Foi pensando nessas possibilidades de confrontos cervejeiros que a equipe do Guia da Cerveja elaborou uma competição própria: a Copa do Mundo da Cerveja. Nela, os países se enfrentam por meio de seus mercados cervejeiros. E como num “Super Trunfo”, eles são comparados em cinco critérios: tamanho do mercado, consumo per capita, preço, tradição cervejeira e variedade. A vitória é dada a quem marcar mais gols, ou seja, quem tiver maior nota em cada um dos quesitos. 

Confira como seria esse jogo.

Tamanho do mercado

Nessa competição, no critério do tamanho do mercado, o Brasil marcaria o primeiro gol já na saída de bola, sem chance para o goleiro adversário, e do meio de campo — no melhor estilo de “o gol que o Pelé não fez”!

A indústria nacional produziu mais de 15 bilhões de litros de cerveja em 2025, segundo o Anuário da Cerveja 2026 do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Isso garante ao Brasil um lugar de destaque como terceiro maior produtor da bebida do planeta, atrás apenas da China (35,9) e dos Estados Unidos (19,3). Ou seja, uma nota oito no geral.

Já o Haiti fabricou apenas 19,5 milhões de litros em 2024, de acordo com os números mais recentes do Barth Haas Report 2025. Isso equivale a apenas 0,13% do mercado brasileiro. Algo que deve ser considerado aqui é também o tamanho do país, com 28 mil quilômetros quadrados e 12 milhões de habitantes.

Por conta disso, a produção é até menor do que a de Marrocos (87 milhões de litros), um país de maioria islâmica que não bebe álcool, mas que supera a demografia haitiana com sobra: são 450 quilômetros quadrados e 45 milhões de pessoas.

Consumo per capita

Não haveria chance também no campo do consumo per capita. 

Por aqui, cada brasileiro bebeu em média 70,3 litros em 2024, segundo números do relatório Global Beer Consumption da Kirin Holdings. A nota brasileira, no entanto, fica em 4,7, já que na Copa do Mundo também está a seleção da República Checa, onde cada habitante consome impressionantes 148,8 litros/ano — essa seria a nota 10. 

Já o consumo haitiano é de apenas 1,66 litros/ano. Esse número acaba muito afetado pelas difíceis condições atuais do país, que vive uma das piores crises humanitárias do século, caracterizada pelo colapso político, domínio de gangues criminosas e pobreza extrema. Mas também sofre influência da preferência do consumidor: os destilados. Estima-se que o Haiti tenha entre 500 e 600 microdestilarias artesanais.

Proporcionalmente, então, Marrocos fica com nota 0,1.

Preço

A disputa aqui se mostra mais equilibrada, com uma resistência bastante combativa do Haiti. Ainda assim, numa bobeira da defesa, o Brasil marca seu terceiro gol com nota 8 contra 6. Lembrando que o critério de preço é o único em que as notas são inversamente proporcionais — afinal, quanto mais barata, melhor. 

Isso porque nos bares e restaurantes haitianos a cerveja é mais cara que no on-trade brasileiro: 3,5 contra 2,5 dólares. Já nos supermercados, o preço médio da cerveja no Brasil é de 1,38 contra 1,48 dólares do país caribenho.

Tradição cervejeira

Apesar do Brasil ser um dos maiores produtores mundiais hoje, a tradição cervejeira nacional pode ser considerada mediana para efeitos de nota. Nosso país não tem uma identidade própria na cerveja ainda, mal conquistou o primeiro estilo de cerveja nos guias internacionais e só se começou a pensar numa cerveja brasileira muito recentemente. Ou seja, ainda precisamos treinar muito para competir com os maiores, como Alemanha, Reino Unido, Bélgica e Estados Unidos.

No entanto, a história da cerveja no Brasil é longa. O território em que hoje se encontra o país teve uma das primeiras cervejarias do continente, instalada pelos holandeses em 1640 em Recife durante o período em que dominaram a região Nordeste. Além disso, o Brasil teve cervejas inglesas importadas ainda no século 19 e a cultura cervejeira do país teve forte influência alemã.

Já Haiti foi o primeiro país da América Latina e do Caribe a declarar independência. Fundado em 1º de janeiro de 1804, se tornou a primeira república negra do mundo. Antes de sua independência, desde 1665, foi a colônia francesa de São Domingos, uma das mais lucrativas do mundo, com economia baseada em cana-de-açúcar e café, movida pela força de pessoas escravizadas.

Em razão das influências africanas, as principais bebidas eram fermentados de cana, que depois se tornaram o destilado tradicional da ilha, o clarin. Diferente do rum, ele não utiliza melaço na bebida pronta e sua fermentação é feita com leveduras selvagens. Todas as demais bebidas chegavam via importações.

A história da produção de cerveja por lá só começa em 1973, quando Michael Madsen, um haitiano de família dinamarquesa, fundou a Brasserie Nationale d’Haïti (Brana) na capital, Porto Príncipe. Em 1976, a fábrica lançou a Prestige, a primeira e mais famosa cerveja do país, que domina o mercado com cerca de 98% de participação.

Rapidamente, ela se tornou símbolo de orgulho nacional. Trata-se de uma American Lager leve que chegou a ganhar medalhas de ouro no concurso norte-americano World Beer Cup nos anos de 2000 e 2012.

Em 2005 iniciou exportações para cidades selecionadas no Canadá e nos Estados Unidos. Mas Madsen faleceu precocemente em março de 2007, aos 65 anos. Em 2011, a gigante holandesa Heineken adquiriu uma participação majoritária de 95% na empresa.

Variedade

Com todo esse histórico, além do gol brasileiro na tradição cervejeira, a seleção canarinho marca um segundo gol na sequência em variedade.

A Prestige é praticamente a única cerveja, com exceção de poucas importadas. Mas o país do Caribe, no entanto, é um grande consumidor de Malta, bebida também feita a partir de água e malte de cevada, mas que, diferente da cerveja, não é fermentada. Ela é nutritiva e consumida por adultos e crianças, escura e chamada de Malzebier. A principal marca é a Malta H, também da Brana.

Já o Brasil ampliou consideravelmente a presença de tipos e estilos de cerveja nos últimos 30 anos, com o Renascimento da Cerveja Artesanal sendo refletido por aqui. Hoje o país tem 1.954 cervejarias em mais de 700 municípios.

Brasil goleia Haiti por 5 x 0

Na Copa do Mundo da Cerveja, o jogo seria fácil para o lado brasileiro e a goleada estaria garantida. Mas, em campo, na Copa do Mundo FIFA, talvez o Haiti não seja assim tão simples de vencer. Ele pode explorar pontos fracos da Seleção Brasileira, se trancar na defesa e jogar nos contra-ataques com a força e velocidade revolucionária haitiana. É bom os canarinhos tomarem cuidado.

Luís Celso Jr.
Luís Celso Jr.
É jornalista, escritor e sommelier de cervejas. Formado pela PUC-PR, se especializou em jornalismo digital e em gestão de Pequenas e Médias Empresas (FIA Business School). No ramo da cerveja, foi premiado no 1º Campeonato Brasileiro de Sommelier de Cervejas em 2014, defendo o Brasil no mundial em 2015. É professor do Instituto da Cerveja, juiz de concursos nacionais e internacionais (National BJCP), consultor e fundador do BarDoCelso.com — blog mais antigo de cerveja da internet brasileira que completa 20 anos em 2026. Premiado no Edital Fermenta!, é autor do livro “Uma viagem pela história da cerveja no Brasil” (no prelo).
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