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Heineken assume controle da Beavertown e tira Logan Plant do cargo de CEO da marca

A Heineken UK agora é proprietária total da Beavertown Brewery, uma das mais conhecidas cervejarias de Londres, fundada por Logan Plant. A marca do grupo holandês já havia adquirido uma participação minoritária em 2018 e, agora, quatro anos depois, assumiu o controle ao comprar as ações restantes.

Um dos principais impactos da aquisição é a saída do filho da lenda do rock Robert Plant do cargo de CEO, assumindo um papel de consultor. E a sua função passará a ser exercida por Jochen Van Esch, que trabalha no Grupo Heineken há mais de 20 anos.

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De saída, Plant avaliou que a aquisição da Beavertown pela Heineken foi um passo natural. “A Beavertown começou na minha cozinha, dez anos atrás. Da fabricação em uma panela de arroz a uma das cervejarias britânicas de maior sucesso nos últimos anos, empregando mais de 160 pessoas e fabricando 360 mil hectolitros de cerveja”, diz.

“A cultura de Beavertown é incrivelmente importante – nossa criatividade única em nosso design e marketing, nosso desejo de produzir as melhores cervejas e a paixão pela excelência quando as pessoas pedem uma cerveja – e isso é algo que continuará”, acrescenta.

Apesar da saída de Logan Plant, a Beavertown continuará sendo operada separadamente da Heineken UK, com suas próprias equipes, incluindo os times de vendas e marketing, assim como a produção de cerveja.

“Com a Heineken UK, temos um parceiro que fornece suporte, aconselhamento e investimento, e nos dá espaço para florescer. Sem eles, meu sonho de ser uma cervejaria de renome mundial que começou com aquela panela de arroz há uma década, teria sido impossível. Jochen trabalhou de perto com todos nós e tenho absoluta confiança de que, sob sua administração, o futuro de Beavertown será brilhante”, conclui Plant.

O valor da transação não foi revelado, mas em 2018, quando comprou 49,5% das ações da Beavertown Brewery, a Heineken UK desembolsou 40 milhões de libras. A marca, então, aproveitou o aporte para expandir a sua atuação, tendo construído uma cervejaria com capacidade para produzir 500 mil hectolitros, aclamada como a maior de Londres quando da sua abertura, em 2020, no bairro de Enfield.

Do norte de Londres, a Beavertown também inaugurou uma unidade dentro do estádio do Tottenham. E praticamente triplicou as suas vendas desde o acordo com a Heineken, saltando o seu faturamento de 12,7 milhões de libras em 2018 para 35,2 milhões de libras no período de 12 meses encerrados em 31 de março de 2020, antes, portanto, do impacto provocado pela pandemia do coronavírus.

A Beavertown não é a única cervejaria artesanal adquirida no Reino Unido pela Heineken, pois anteriormente a marca já tinha participação na Brixton Brewery. Sua principal concorrente global, a AB InBev comprou a Camden Brewery no fim de 2015.

Suíço vence o Mundial de Sommelier de Cervejas; brasileiros ficam fora da final

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O melhor sommelier de cervejas do mundo é suíço. Giuliano Genoni foi o vencedor do Campeonato Mundial de Sommelier de 2022, realizado em Munique, na Alemanha, que contou com a participação de 82 profissionais de 18 países diferentes, sendo dez deles do Brasil. A competição é promovida pela Doemens Academy.

O Mundial de Sommelier de Cervejas aconteceu pela sétima vez e após um período de três anos – a competição é bianual, mas não pôde acontecer em 2021 em função da pandemia do coronavírus. E pela primeira vez um representante da Suíça venceu a disputa. Antes, a Alemanha acumulou quatro conquistas, com os outros campeões sendo da Itália e da Áustria.

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A competição, dividida em duas etapas, teve a sua fase preliminar realizada na própria Doemens. Lá, os participantes tiveram que reconhecer estilos de cerveja, assim como responderem a um teste de conhecimento. Dessa disputa, foram selecionados os nove finalistas do Mundial de Sommelier de Cervejas.

Nenhum brasileiro conseguiu avançar na fase preliminar da competição. O país foi representado em Munique pelos dez primeiros colocados no Campeonato Brasileiro, disputado no fim de maio: Guilherme Rossi, Fábio de Faria e Souza Campos, Guilherme Coloço Mixtro, Claudio Lima Botelho, Luis Henrique Volkart Santa Helena, Bianca de Paula Telini, Jayro Pinto Neto, Jefferson Silveira Brandão, Rafael Cheruti de Oliveira e Vinícius Cuozzo Martins Borges.

A fase final da competição aconteceu no Centro de Exposições de Munique e reuniu participantes da Suíça, Alemanha, Áustria, Portugal e Holanda. Entre as habilidades observadas pelo júri estavam a avaliação sensorial da cerveja pelos participantes, o conhecimento prévio sobre a bebida e a harmonização com um prato.

Além disso, houve uma avaliação às cegas de uma cerveja que precisava ter suas características apresentadas em até 5 minutos. E a organização optou por rótulos conhecidos mundialmente, como a Sierra Nevada Torpedo, a La Trappe Quadrupel, a Fullers ESB e a Samuel Smith Imperial Stout.

O vencedor acabou sendo Giuliano Genoni, que fez uma apresentação sobre a Paulaner Salvator. O austríaco Felix Schiffner foi o segundo colocado, com Léon Rodenburg, da Holanda, na terceira posição.

“As apresentações dos finalistas são a prova do alto nível de qualidade e a consistência. Os preparativos intensivos de meses de duração dos participantes mais uma vez valeram a pena”, afirma Michael Zepf, organizador do campeonato.

Preço da cerveja tem alta de 2,37% em agosto e supera os 10% nos últimos 12 meses

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Em novo mês de deflação do índice oficial de preços do Brasil, agora de 0,36%, a cerveja no domicílio, vendida em locais como redes varejistas, acelerou a tendência de alta ao subir 2,37% em seu valor médio em agosto. Estes índices foram relatados pelo IBGE, no balanço do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que também apontou a bebida superando a barreira dos 10% no acumulado dos últimos 12 meses.

Assim, em agosto, a cerveja no domicílio ampliou um cenário de descolamento do índice oficial que já havia sido observado em julho. Naquele mês, apoiada pelo recuo dos valores dos combustíveis, o IPCA teve deflação de 0,68%. Já a bebida tinha ficado 0,65% mais cara. Agora, então, ampliou essa escalada.

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A cerveja fora do domicílio, comercializada em estabelecimentos como bares e restaurantes, também contabilizou alta relevante em agosto, de 1,71%. Esse índice também é superior ao registrado para outras bebidas alcoólicas no domicílio e fora dele, cujos custos se elevaram em 0,71% e 0,66%, respectivamente.

No acumulado do ano, o preço da cerveja vendida em supermercados e redes varejistas subiu 5,53%, enquanto a alta fora do domicílio está em 4,79%. Esses índices estão acima da inflação geral no período dos primeiros sete meses do ano, que foi de 4,39%. Neste mesmo intervalo de tempo, o valor médio de outras bebidas alcoólicas consumidas em casa aumentou 14,59% e teve uma elevação de 5,68% em locais como bares e restaurantes.

Já no acumulado dos últimos 12 meses, o preço da cerveja registra alta de 10,84% no domicílio e de 6,50% fora dele. O índice geral do IPCA para o período é de 8,73%, um aumento bem inferior ao contabilizado para outras bebidas alcoólicas no lar (13,36%) e fora de casa (12,90%).

Item alimentação e bebidas tem redução expressiva
Se o preço da cerveja registrou alta relevante em agosto, o custo médio contabilizado para o item “alimentação e bebidas” teve redução expressiva. A inflação deste tópico foi de 0,24% em agosto, depois de alta de 1,30% em julho.

No acumulado do ano, porém, a elevação do custo do grupo alimentação e bebidas já é de 10,10%, enquanto nos últimos 12 meses a alta fica em 13,43%.

O IBGE também explica que a deflação de 0,36% em agosto teve o seu índice influenciado principalmente pela queda nos custos com transportes (-3,37%) e comunicação (-1,10%).

“Alguns fatores explicam a queda menor em relação a julho. Um deles é a retração menos intensa da energia elétrica (-1,27%), que havia sido de 5,78% no mês anterior, em consequência da redução das alíquotas de ICMS. Também houve aceleração de alguns grupos, como saúde e cuidados pessoais (1,31%) e vestuário (1,69%), e a queda menos forte do grupo de transportes em agosto. No mês anterior, os preços da gasolina, que é o item de maior peso no grupo, tinham caído 15,48% e, em agosto, a retração foi menor (-11,64%)”, explica o gerente da pesquisa do IBGE, Pedro Kislanov.

O item que teve a maior variação positiva no IPCA de agosto foi vestuário, com aumento de 1,69%, índice impulsionado pelas altas nos preços de roupas femininas (1,92%), masculinas (1,84%) e de calçados e acessórios (1,77%).

Para calcular o índice deste seu último balanço do IPCA, o IBGE comparou os preços coletados entre os dias 29 de julho e 29 de agosto (referência) com os pesquisados entre 30 de junho e 28 de julho (base).

Argentina domina South Beer Cup em Ribeirão e Walfänger é o destaque brasileiro

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A argentina Charlone Cervecería foi o principal destaque da South Beer Cup, realizada no último fim de semana em Ribeirão Preto (SP). Única marca a conquistar duas medalhas de ouro na premiação, ela foi considerada a principal cervejaria do evento que reúne representantes da América do Sul.

O pódio do evento também teve outra marca da Argentina, a Jabalina Brewing Company, que faturou um ouro e uma prata, o que lhe rendeu a segunda posição na contabilidade das medalhas.  

Já a melhor representante brasileira na South Beer Cup acabou sendo uma marca de Ribeirão Preto, a Walfänger, que faturou um ouro e uma prata. Foi o suficiente para colocá-la na terceira posição da South Beer Cup.

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Além da Walfänger, outras cinco cervejarias brasileiras conquistaram medalhas de ouro nesta edição da South Beer Cup. Foram elas: Bierbaum, Libertastes, Alright Brewery Co, Narcose e Louvada.

As cervejarias brasileiras, porém, acabaram sendo superadas pelas da Argentina no número de ouros conquistados na competição sul-americana – 8 a 6. E o Equador faturou outros dois ouros com as suas cervejas em Ribeirão Preto.

Em função da pandemia do coronavírus, a South Beer Cup não acontecia desde 2019. Nessa retomada, a competição sul-americana fez parte da programação do Craft Beer Ribeirão, organizado pelo polo cervejeiro de Ribeirão Preto.

A programação, além da disputa sul-americana, também contou com a realização de um festival de cervejas artesanais, do 1º Meeting da Cerveja Artesanal e da 1ª edição da Copa Paulista de Cerveja Artesanal.

Na competição estadual, a Walfänger foi o principal destaque, sendo a cervejaria mais premiada. O pódio também contou com a SP 330, a segunda colocada, e a Brew Center Cervejas Especiais, na terceira posição.

Confira quais foram a cervejas medalhistas de ouro na South Beer Cup:

Wood And Barrel Aged Beer: Celebration Barrel Aged #7, Juguetes Perdidos (Argentina)

Stout Family: Imperial Stout, Drakkar Brewpub (Argentina)

Sour Ale, Gose, Berliner Weisse: Que Gose!, Two Barrel Brewery (Equador)

Smoked Beer and Historical Beer: Bierbaum Doppelbock Defumada, Cervejaria Bierbaum (SC)

Session IPA and IPL: Sativa Session IPA, Brewhousemdp (Argentina)

Other Strong Beers: Dediprosa, Cervejaria Libertastes (MG)

Fruit, Fieldd, Chocolate, Coffee, Chili, Herb and Spice and Honey: Mangobiche, Jabalina Brewing Company (Argentina)

European Lagers and International Pilsener/Light Lager: Walfänger Helles, Walfänger (SP)

British Dark Beers and Porter Family: Over the Moon, Alright Brewery Co (PR)

Bitter, Irish Red Ale and Scottish Ale: La Gordo, Charlone Cervecería (Argentina)

Belgin and French Origin Ale Styles: Cervejaria Narcose Belgian Nr. 10, Cervejaria Narcose (RS)

APA, Hazy Pale Ale, Int. Pale Ale and Summer Ale: Cwrw haf, Jones/Jenkins (Argentina)

American Lagers, Cream Ale, American Wheat and Blond Ale: Louvada Hoplager, Cervejaria Louvada (MT)

American Hoppy Beers (Red, Black, Imperial, Experimental), and International IPA: Terrorista, Charlone Cervecería (Argentina)

American and European Ambeer and Dark Lager: Thor, Wir Konnen (Argentina)

All Origin Hybrid/Mixed Lagers and Ales: Fandango (Chicha), Quiteña (Equador)

Balcão do Tributarista: Setor de eventos pode se beneficiar do Programa Emergencial

Balcão do Tributarista: Programa Emergencial traz benefícios fiscais para o setor de eventos

Por meio da Lei nº 14.148/2021, foi instituído o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (PERSE), o qual tem como finalidade propiciar uma compensação ao setor de eventos em decorrência do impacto negativo das ações restritivas da pandemia do Covid-19. São três medidas que visam incentivar a retomada por parte das pessoas jurídicas que diretamente ou indiretamente desenvolvem atividades ligadas ao setor de eventos.

Entre os destinatários destas medidas incluem-se restaurantes e similares, bem como bares e outros estabelecimentos especializados em servir bebidas, além de diversas outras atividades mencionadas nos anexos da Portaria nº 7.163/2021 do Ministério da Economia.

A primeira medida criada pelo PERSE diz respeito a instituição de uma nova modalidade de transação tributária. Trata-se da possibilidade de renegociação de débitos junto à Fazenda Nacional com condições facilitadas. A lei prevê a concessão de descontos de até 70% sobre o valor total do débito e o parcelamento do saldo em até 145 meses.

O prazo para adesão a esta modalidade de transação originalmente era até junho do corrente ano, mas foi recentemente prorrogado para 31 de outubro. Para obter os benefícios de desconto e prazos especiais para pagamento parcelado, a empresa precisa demonstrar sua situação econômica e capacidade de pagamento considerando o impacto da pandemia do Covid-19 na geração de resultados. Para isto, é considerado o porcentual de redução no comparativo entre a soma da receita bruta mensal de 2020 em relação à soma da receita bruta mensal do de 2019. O porcentual de impacto apurado será utilizado como redutor da capacidade de pagamento da empresa.

Outro benefício previsto no PERSE é o pagamento de uma indenização para quem teve redução de, pelo menos, 50% no faturamento entre 2020 e 2021. A indenização será calculada com base nas despesas com pagamento de empregados durante o período da pandemia do Covid-19 e do ESPIN (estado de Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional). O teto total das indenizações a ser pago será de R$ 2,5 bilhões.

E, ainda, o que pode ser visto como a principal medida do PERSE, o programa institui alíquota zero por cinco anos para o IRPJ, CSLL, PIS/Pasep e COFINS. Quer dizer, as empresas que se enquadrarem no programa terão cinco anos de total desoneração quanto aos mencionados tributos federais. Certamente esta é uma medida que irá impactar de forma extremamente favorável em proveito daqueles que se enquadrarem.

Interessante observar que, embora a Lei nº 14.148/2021 tenha sido publicada em maio de 2021, a desoneração tributária acima referida havia sido vetada pelo Presidente da República, com base na justificativa de que representaria renúncia de receita sem contrapartida orçamentária. Contudo, em março deste ano, o Congresso Nacional derrubou o veto e a lei passou a prever a redução a zero das alíquotas dos tributos federais referidos por um período de 60 meses.

Alguns pontos a respeito desta desoneração merecem cuidado por parte dos contribuintes. Um deles diz respeito ao enquadramento de atividades secundárias. Caso a empresa desenvolva alguma atividade relacionada pelo Ministério da Economia como pertencente ao setor de eventos, mas o faça como atividade secundária, é preciso avaliar se efetivamente poderá usufruir da desoneração e em qual extensão.

Nesse sentido, importante observar que a Lei do PERSE não traz nenhuma ressalva ou limitação quanto ao aproveitamento dos benefícios do programa por empresas que exerçam as atividades com caráter secundário. Da mesma forma, a lei não faz nenhuma referência à segregação de receitas. Pelo contrário, a alíquota zero é prevista como aplicável a todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica. De toda forma, trata-se de ponto que pode demandar discussão judicial para sua definição.

Outro ponto controverso reside no fato de que a mencionada portaria do Ministério da Economia exige para algumas atividades, como é o caso dos restaurantes, bares e similares, além do desenvolvimento da atividade, que estes estejam inscritos no Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos (Cadastur) do Ministério do Turismo.

Ocorre que a Lei nº 11.771/2008 (Lei Geral de Turismo) dispõe que o cadastro dos prestadores de atividades de turismo no Ministério do Turismo é facultativo. Desta forma, muitas empresas (inclusive restaurantes, bares e similares que inegavelmente prestam serviços que podem ser enquadrados como pertencentes ao setor do turismo) não possuem o Cadastur. Mas como a Lei do PERSE não traz nenhuma exigência nesse sentido, é possível questionar judicialmente a exigência feita unicamente pela portaria do Ministério da Economia para adesão ao Programa Emergencial.

Enfim, embora ainda haja pontos que mereçam atenção e cuidado, bem como que podem demandar a tomada de ações judiciais, as medidas instituídas pelo PERSE já estão em vigor e representam importante fôlego às empresas do setor de eventos.


Clairton Kubaszwski Gama é advogado, sócio do escritório Kubaszwski Gama Advogados Associados, especialista em Direito Tributário pelo IBET e mestrando em Direito pela UFRGS. Também é cervejeiro caseiro.

UE amplia produção de cerveja em 3%; confira quem mais fabrica e exporta

A produção de cerveja com álcool pelos países-membros da União Europeia (UE) apresentou crescimento de quase 3% em 2021, atingindo os 331 milhões de hectolitros. Os dados foram publicados pelo Serviço de Estatística da UE, o Eurostat.

A expansão é bem menor do que a registrada pela cerveja sem álcool ou com até 0,5% de álcool em sua composição. O levantamento aponta um total de 17 milhões de hectolitros produzidos ano passado, uma alta de quase 20% na comparação com 2020.

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Não à toa, o nível de cerveja sem álcool produzido pelas nações da União Europeia em 2021 superou 2019, o último ano pré-pandemia, em 3 milhões de hectolitros. É diferente do que se dá com a cerveja com álcool, ainda 2,65% abaixo dos 340 milhões de hectolitros fabricados em 2019.

O trabalho do Eurostat também destaca que foram fabricados quase 78 litros de cerveja por habitante da União Europeia em 2021.

Alemanha lidera produção
Entre os estados-membros da UE com dados disponíveis, a Alemanha é, destacadamente, o maior produtor de cerveja do bloco econômico, com 75 milhões de hectolitros e uma participação de 23%. Isso significa que cerca de uma em cada quatro cervejas com álcool fabricadas na UE são originárias da Alemanha.

Polônia e Espanha vêm logo atrás, com 37 milhões de hectolitros ou 11% da produção da UE, cada. E a Holanda é a quarta colocada com 25 milhões de hectolitros e uma participação de 7%. Juntos, esses quatro países representam 52% da fabricação de cerveja da UE em 2021.

Holanda é quem mais exporta
Os dados da Eurostat também mostram que a Holanda continua a ser a maior exportadora de cerveja da UE, com um total de 19 milhões de hectolitros de cerveja embarcados no ano passado, contabilizando, portanto, 21% do total das vendas externas do grupo econômico europeu.

A Holanda é seguida por Bélgica (17 milhões de hectolitros; 19%) e Alemanha (16 milhões de hectolitros; 17%). E o Top 5 é completado por França e República Checa (ambos com 5 milhões de hectolitros; 6%).

O principal cliente comprador fora da UE em 2021 foi o Reino Unido, com 9,02 milhões de hectolitros e 22% das exportações, à frente dos Estados Unidos, com 7,65 milhões de hectolitros e uma participação de 19%. O Top 5 também conta com Rússia (3,91 milhões de hectolitros; 9%), China (3,4 milhões de hectolitros; 8%) e Coreia do Sul (1,68 milhão de hectolitros; 4%).

França importa mais
A França continuou a ser a maior importadora de cerveja com álcool em 2021, com 8 milhões de hectolitros, representando 16% do total das compras externas da UE. Itália e Alemanha importaram quase 7 milhões de hectolitros com participação de 13%, cada, seguidos por Holanda, com 6 milhões de hectolitros (12%) e a Espanha, com 5 milhões de hectolitros (10%).

As cervejas com álcool importadas em 2021 por nações da UE chegaram, principalmente, da Grã-Bretanha, com 24,8 milhões de hectolitros e 47% do total. A cerveja do México também tem participação relevante, de 23%, com 12,2 milhões de hectolitros. E o Top 5 ainda conta com Sérvia (4.6 milhões de hectolitros; 9%), Bielorrússia (2,6 milhões de hectolitros; 5%) e Ucrânia (1,7 milhão de hectolitros; 3%).

Menu Degustação: Craft House e reciclagem no Rock in Rio, festival em SC…

O segundo final de semana do Rock in Rio terá iniciativas cervejeiras para o público. Na Cidade do Rock, a Heineken, patrocinadora do festival, promove ação com o público para coleta e reciclagem de garrafas. Além disso, marcas do seu grupo prepararam um espaço especial, a Craft House, para quem for curtir o evento.

Mas para quem não está no Rio de Janeiro neste fim de semana, há várias outras atrações. Em Santa Catarina, na cidade de São José, ocorrerá o Beer Friends Festival. Além disso, Campinas e Curitiba contam com a realização de encontros promovidos pelas marcas Landel e Bodebrown, respectivamente.

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Confira essas e outras novidades do setor no Menu Degustação do Guia:

Circularidade no Rock in Rio
Em ação de circularidade realizada até domingo no Rock in Rio, o público pode colaborar com a reciclagem de vidro, depositando recipientes vazios em quatro pontos de vendas instalados pela Heineken nos arredores da Cidade do Rock. A iniciativa se dá em parceria com a startup de impacto socioambiental 4R Glass e a fabricante de embalagens de vidro Owens Illinois. As máquinas com bombonas são capazes de armazenar 40 quilos do material cada. Ao atingirem sua capacidade máxima, cerca de 350 long necks em cada uma, as bombonas das máquinas serão esvaziadas, o material será triturado e retornará à cadeia para ser reciclado. A iniciativa não terá limitação de coleta, mas é esperado um retorno de 7 toneladas de cacos de vidro ao longo do período do festival.

Craft House no Rock in Rio
Palco do Rock in Rio, a Cidade do Rock conta, até domingo, com o espaço Craft House, planejado para apresentar o melhor do universo das cervejas Eisenbahn Unfiltered, Blue Moon, Lagunitas e Baden Baden, do Grupo Heineken, no festival. O ambiente terá ativações e experiências imersivas, além de proporcionar experiências para o público.

Ilha tecnológica do Grupo Heineken
Em meio ao Rock in Rio, o Grupo Heineken está apresentando, na loja do Carrefour Barra da Tijuca, uma ilha tecnológica e sustentável que promete muita interatividade e conexão com os consumidores. Além da exposição de produtos, o espaço contempla 4 tubos touch que geram interação com os ritmos musicais rock, hip hop, funk e pop. A estratégia “usa e abusa” de tecnologia, com uma estrutura desenvolvida em impressão 3D, feita em formatos de colmeias, intercalados com musgos e insumos 100% recicláveis.

Beer Friends Festival
Um fim de semana com muita música, degustação de diversos rótulos de cervejas e comida boa. É assim que a organização promete que será o Beer Friends Festival, o festival de cerveja de Santa Catarina, em São José, na Grande Florianópolis. O encontro será realizado no sábado e domingo (10 e 11), no estacionamento da praça central do Continente Shopping, das 12h às 22h. Mais de 20 cervejarias já confirmaram presença no evento e o público terá a oportunidade de apreciar mais de 45 rótulos diferentes, desde cervejas leves às mais encorpadas, além das frutadas. A entrada é gratuita e o local dispõe de espaço kids para que pais e filhos possam aproveitar o evento.

Champions Beer
O Champions Beer retoma esta semana com diversos shows, os melhores produtos de 14 microcervejarias nacionais, além de áreas especiais para alimentação e espaço kids. Até domingo, a expectativa é que a grande estrutura montada no estacionamento do Galleria Shopping, em Campinas, receba mais de 20 mil visitantes. Nesta sexta-feira, das 17h às 20h, o show será do Queen Experience, com venda de ingressos. Já no sábado, das 11h às 20h, serão 4 shows, com entrada gratuita. E no domingo, das 11h às 20h, vão acontecer mais 3 shows, todos com entrada gratuita.

Festival Craft Beer
Após reunir mais de 30 mil pessoas em Florianópolis, em sua mais recente edição, o Craft Beer se prepara para aterrissar em Blumenau (SC). A Capital Nacional da Cerveja receberá o festival nos dias 24 e 25 de setembro, com uma programação que inclui música, gastronomia e mais de 200 opções em chope. O evento será realizado no estacionamento do Vale Auto Shopping, no bairro Salto Norte. A entrada será gratuita, mediante cadastro antecipado pela internet. Já estão confirmadas 22 cervejarias para esta edição, com opções para agradar aos cervejeiros mais exigentes. Além disso, 18 food trucks integrarão a praça gastronômica, com diversas opções em lanches e petiscos. Várias bandas da região estarão presentes, trazendo repertório de rock e pop. Feira artesanal e estande flash tattoo também farão parte das atrações.

Growler Day da Bodebrown
A cerveja Aces High, segunda criação da Bodebrown em parceria com a banda Iron Maiden, é uma das atrações do Growler Day da marca de Curitiba, nesta sexta-feira e sábado. Ela faz parte da seleção de chopes servidos em copo no evento, numa programação que tem ainda cervejas em growlers PET, gastronomia e música.

Growler Day da Landel
No próximo sábado, a partir das 11h, a Landel realiza mais um Growler Day, agora com lançamento de uma cerveja com ares e aromas franceses: a Sivuplê. A novidade está disponível em latas de 473ml e na torneira da tap house, no bairro Taquaral, em Campinas. O público que for ao evento poderá provar os outros nove chopes frescos direto do bico e desfrutar de descontos para quem encher os growlers. O som ficará por conta da DJ Paulets. A entrada é gratuita.

Livro de receitas da Cruls
A Cruls disponibilizou a segunda edição do e-book de receitas da marca. Nesta versão, o livro digital foi atualizado com três novas receitas, tendo sido uma delas decidida por voto popular. O e-book pode ser baixado de forma gratuita no site da cervejaria. Ao todo, o e-book tem oito receitas disponíveis: APA, Blond, Puro Malte, Red IPA e Weiss, que já constavam na primeira edição; além de American IPA, Hop Lager e CXP03 American Imperial Stout.

Esconderijo aos domingos
O bar Esconderijo, da Juan Caloto, no bairro Vila Clementino, em São Paulo, agora funciona aos domingos das 12h às 19h. Para essa sexta-feira, a programação terá Eduardo Camacho tocando Rock Country Blues. Já no sábado a música fica por conta de Rafael Cortesi com seu Jazz Funky Sessions Duo. Além disso, o público poderá consumir dois lançamentos cervejeiros: uma West Coast IPA e uma Russian Imperial Stout Straight, além do sorvete de Yuma, inspirado na receita da cerveja La Maldicion Del Emperador Yuma, uma Gran Berliner Weisse com goiaba, framboesa e amora.

Blumenau na Oktoberfest
A Cerveja Blumenau vai brindar a volta da realização da Oktoberfest na cidade que leva o seu nome disponibilizando pela primeira vez nos pavilhões a sua Oktoberfestbier. O rótulo foi lançado em 2020, com o objetivo de homenagear o evento e, através do copo, celebrar a Oktoberfest mesmo com os consumidores em casa. Agora, terá uma reedição para o retorno do público a uma das maiores festas de tradição alemã do mundo, marcada para começar em 5 de outubro. Além dos barris disponíveis para o evento e para restaurantes parceiros, o estilo será envasado em garrafas.

Bia Amorim e myTapp
A myTapp, em parceria com Bia Amorim, lançou uma campanha nas redes sociais para discutir se o autosserviço deixa a relação com os clientes mais fria. A campanha defende que a ferramenta ajuda a potencializar o atendimento humanizado, sem substituir as pessoas, as ajudando a realizar um serviço com qualidade superior. O assunto é polêmico e deixa muitos empreendedores com a pulga atrás da orelha sobre a decisão de automatizar ou não o serviço de chope de seu bar.

Nova campanha da Spaten
A nova campanha da Spaten convida as pessoas a experimentarem e viverem o estilo Munich Helles. Com um filme assinado pela LVL, a marca usa uma caneca que viaja no tempo por uma mesa infinita, iniciando a trajetória em 1810, na primeira Oktoberfest de Munique, passando por décadas até chegar a um grande brinde em um biergarten, em 2022. E para trazer todo o clima de Munique para o Brasil, a marca prepara experiências, como biergartens proprietários em três capitais (Brasília, Belo Horizonte e Recife), presença nas Oktoberfests de Blumenau, São Paulo e Santa Cruz do Sul, além de ativações em bares espalhados por todo o território nacional.

Conheça os três primeiros sommeliers de cerveja brasileiros Surdos

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A inclusão dos Surdos ainda é um desafio para a sociedade e o setor cervejeiro, apesar dos avanços vistos nos últimos anos, com campanhas, lançamentos de rótulos acessíveis em Libras e a realização de cursos. A educação, aliás, é um dos ambientes mais desafiadores para este público e, ao mesmo tempo, um dos principais caminhos para fomentar a inclusão e igualdade no mercado, com um fato histórico tendo sido celebrado recentemente, a formação de três sommeliers Surdos.

No último mês, Fernando Pacheco, Mateus Vinhal e Mateus Dias conquistaram tal condição ao concluírem um curso do Science of Beer Institute, na categoria EAD, em uma demonstração clara de que a inclusão é possível no setor.

Ligados pela paixão por cervejas artesanais e pela vontade de inserir a língua brasileira de sinais no universo da bebida, os sommeliers chegam ao mercado com sede de conhecimento, cientes dos seus direitos como Surdos e conscientes da importância de suas formações.

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Confira a seguir quem são os três primeiros sommeliers de cerveja brasileiros Surdos:

Fernando Pacheco
O “despertar” de Fernando Pacheco, de 30 anos, para o mundo das cervejas artesanais aconteceu assim que experimentou a bebida pela primeira vez. “Apreciar cervejas virou paixão”, afirma, ao Guia, o assistente de faturamento.

A ideia de se matricular no curso surgiu ao saber da possibilidade através do intérprete Marcos Roberto de Oliveira, de quem é amigo há mais de 20 anos. “Sempre compartilhamos ideias e sonhos quando conversávamos sobre o curso. Fiquei muito interessado e procurei a Science of Beer. No início, a escola viu dificuldades em acessibilizar o conteúdo com a presença de um intérprete de libras, mas não desisti e lutei pelo meu direito ao intérprete”, conta o assistente de faturamento.

Pacheco relata, ainda, que a participação no curso de sommelier lhe deu a certeza de tomar um novo rumo profissional. “Desde que minha matrícula foi aceita, sinceramente falando, minha vida mudou porque descobri minha vocação profissional”, comemora.

Para ele, a formação em sommelier de cervejas o ajudará a causar impacto na sociedade pela possibilidade de transmitir seus conhecimentos para a comunidade Surda. Afinal, ele garante que o curso de sommelier foi apenas o início, pois pretende seguir carreira como técnico cervejeiro e um dia, quem sabe, se tornar mestre cervejeiro.

“Estou muito feliz. É a realização de um sonho e me sinto orgulhoso por ser um dos três primeiros sommeliers de cerveja brasileiros Surdos. Isso não é só uma conquista pessoal, mas também da comunidade Surda e mostra o quanto somos capazes de quebrar qualquer barreira. Um surdo pode estudar o que quiser e ninguém pode impedir a realização de um sonho”, pontua.

Destacando que a comunidade Surda tem dificuldade em entender o universo das cervejas, seus estilos e serviços, Pacheco sublinha que sendo agora um sommelier, será possível fazer a diferença ao incluir a Libras no universo cervejeiro. “Meu objetivo é reduzir as barreiras que a comunidade Surda enfrenta e termos consumidores Surdos informados e satisfeitos”, reforça.

Entre os obstáculos do curso estava principalmente a língua portuguesa e o acesso aos conteúdos, com o uso de termos aos quais não estava habituado. “Por sermos os primeiros, não conhecíamos um vocabulário da área cervejeira em Libras. Tivemos que nos esforçar ainda mais, estudar e criar sinais específicos da área”, conta.

Mateus Dias 
Também com uma paixão antiga por cervejas artesanais, o ex-fotógrafo Mateus Dias, de 40 anos, tinha o desejo de produzir a bebida de modo caseiro, antes mesmo de realizar o curso. Após sua segunda tentativa de formação na área, pois não teve sucesso na primeira justamente pela falta de acessibilidade, ele não esconde o orgulho e a gratidão por ser um dos primeiros sommeliers Surdos brasileiros.

“Eu, com certeza, pretendo continuar aprofundando meus estudos, colocar em prática o que aprendi no curso e, quem sabe, ser um cervejeiro profissional com minha própria fábrica”, sonha Dias, que hoje mora nos Estados Unidos.

Ciente de que sua formação se inclui na luta por um setor mais inclusivo, ele destaca que a participação no curso pode estimular o interesse de outros Surdos que almejem ser cervejeiros. “Atuar no contexto cervejeiro irá, por consequência, forçar o setor a ser mais inclusivo porque estou aqui e agora, não há como me ignorar. As instituições de ensino, no contexto cervejeiro, precisam se preparar para esta demanda emergente. E uma das formas de se fazer isso é pelo uso de tradutores intérpretes”, completa.

Durante o curso, ele precisou superar alguns desafios. Sem ter conseguido receber o kit disponibilizado pela escola para análise durante as aulas, por estar fora do país, Dias precisou utilizar outras cervejas, de marcas diferentes, para as degustações guiadas.

Mateus Vinhal

Apreciador da cerveja artesanal e em busca de conhecimento sobre a história e os sabores que a bebida proporciona, o assistente de marketing Mateus Vinhal, de 26 anos, lembra que a ideia de ingressar nas aulas surgiu do próprio intérprete Marcos. E, claro, ele aceitou na hora.

“Ser uns dos primeiros surdos sommeliers no Brasil dá uma sensação enorme de felicidade. Fizemos história e vamos levar para o público o que aprendemos sobre cerveja. Como também busco me profissionalizar nesta área, será um desafio enorme, mas para quem ama uma cerveja artesanal, isso não será impossível”, diz Vinhal.

Para ele, que sonha em abrir uma cervejaria no futuro, sua formação é importante por ser o começo do processo para entender mais sobre a bebida, compreendendo também a necessidade de compartilhar seus conhecimentos com a comunidade Surda. “Muitas vezes, este público não tem acesso à informação, seja na internet, na televisão, nos bares, palestras e eventos”, diz.

Vinhal defende que as instituições de ensino devem oferecer um intérprete para o aluno Surdo e que os vídeos sejam adaptados para Libras. “Infelizmente, é uma prática comum as instituições se recusarem a contratar um profissional intérprete de Libras alegando falta de recursos”, finaliza.

Inclusão na prática
O intérprete de Libras nas aulas do Science of Beer foi Marcos Roberto de Oliveira, idealizador do canal Cerveja Artesanal em Libras, professor da Universidade Federal de Uberlândia, sommelier e idealizador de várias ações de inclusão dos Surdos no setor.

“Minha avaliação é extremamente positiva e otimista. Ter três Surdos que são usuários proficientes da Libras como sommeliers, fará com que o mercado cervejeiro fique mais atento às necessidades linguísticas deles”, diz.

Ele pontua, ainda, que todas as instituições de ensino precisam considerar esta nova demanda educacional, assim como o trabalho de um profissional tradutor intérprete deve constar nas planilhas de gastos das instituições. “Não há como negar a matrícula seja para quem for. Se a instituição anunciar um curso e qualquer Surdo quiser fazê-lo, a presença de um profissional tradutor intérprete, é, digamos, direito inegociável do aluno Surdo.”

Além das escolas cervejeiras, como aconteceu com o Science of Beer, o intérprete espera que todo o setor se adapte às demandas dos Surdos, os incluindo e se tornando mais plural. “Não há como ignorar uma demanda que agora é tão emergente. Não estou considerando se há poucos ou muitos Surdos atuando no setor e que precisam ser incluídos. O ponto em questão é: independentemente da quantidade, há, hoje no Brasil, Surdos que necessitam de acessibilidade no setor cervejeiro”, finaliza.

Além da atuação do intérprete, para que fosse possível a formação dos três sommeliers de cerveja brasileiros Surdos, o Science of Beer precisou se adequar às necessidades desses alunos, o que fez ao repassar aos professores do curso orientações sobre como ensiná-los sem que houvesse defasagem de aprendizado, assim como realizou a adequação da ferramenta utilizada para as aulas online.

Cervejas com aroma de Cannabis: como é a parceria dos 3 rótulos do Planta & Raiz

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Com uma longeva trajetória de 25 anos, a banda Planta & Raiz, produziu músicas marcantes na trajetória do reggae nacional. Agora, para celebrar um quarto de século, também conta com suas cervejas, fruto de uma parceria com o idealizador da Smoked Brew e gerente da São Paulo Tap House, Wilson Proieti Júnior.

A união foi tema de mais um episódio do Guia Talks. Nele, Proieti explicou que o crescimento da procura pelos clientes por cervejas que levam terpeno em sua formulação o motivou a buscar atender essa demanda. Disso, veio a ideia de uma solução que unisse a cultura cervejeira e a do reggae.

O resultado foi a parceria com o Planta & Raiz, com o seu vocalista, Zeider Pires, outro convidado do Guia Talks, escolhendo as cervejas que concretizaram a parcerias: são três IPAs, dos estilos Session, West Coast e New England, todas levando terpeno em suas receitas, o que remete ao aroma da Cannabis.

O lançamento triplo também é uma forma de o Planta & Raiz celebrar os seus 25 anos de trajetória, aniversário que também ficará marcado pelo lançamento de um DVD da banda, gravado em uma recente apresentação acústica, em São Paulo.

Leia também – Como barris de madeira provocam sabores diferenciados nas cervejas

Confira mais sobre as cervejas com terpeno do Planta & Raiz na entrevista do Guia com o seu vocalista, Zeider Pires, e o idealizador do projeto, Wilson Proeiti.

Como surgiu a ideia de produzir cervejas do Planta & Raiz?
Wilson: Eu senti uma necessidade e procura dos clientes por cervejas com terpeno. Poucas marcas lançaram cervejas desse tipo. E eu gosto de música, sempre tem apresentação no meu bar e achei que poderia casar muito bem com uma banda de reggae, Então, em uma conversa com o Eric, da Mato Seco, ele me passou o contato do Zeider, que topou de cara o projeto. Eu e o Renato, nosso mestre-cervejeiro, mandamos umas dez amostras pra ele, de vários estilos diferentes, com terpenos diversos, para que escolhesse a que fosse a cara da banda. Ele escolheu três, ficou muito em dúvida para tirar qualquer uma delas. E, então, decidimos fazer a trilogia Planta & Raiz cervejeira. Ficou a Session IPA, a Amnesia Raze, que é o nome do terpeno, a Mango Rush, que é uma West Coast IPA, e a Sour Diesel, que é uma New England IPA. E casamos o lançamento das cervejas com a gravação do acústico.

Como se deu a definição dos ingredientes das cervejas do Planta & Raiz?
Wilson: A ideia principal foi que todas tivessem terpeno. E aí fomos tentando adaptar o estilo ao terpeno. Foi assim que chegamos na Session IPA, com o rótulo sendo o do acústico. Na primeira impressão, o cliente, que se identifica com a banda, vai sentir o terpeno, mas em uma cerveja que é mais leve. Depois, passamos para uma cerveja um pouco mais encorpada, que é a West Coast, com 7% de álcool, também com bastante lúpulo. E, por último, criamos a New England IPA, com o terpeno Sour Diesel. É uma NEIPA diferenciada. Ela tem o cítrico, mas que puxa para o resinoso, o pinho.

Consegue ver alguma relação entre as cervejas e a trajetória do Planta & Raiz?
Zeider: A gente gosta das coisas feitas em casa, nada melhor do que um almoço caseiro, feito na hora, com todos cozinhando junto. A música, em banda, tem muito disso, de compartilhar as ideias, algo bem artesanal, feito na hora. O lance da cerveja artesanal também tem muito disso, de fazer a cerveja em uma panelinha. É uma batalha. E está crescendo no Brasil, com o pessoal desfrutando da sua qualidade. Estarmos envolvidos nesse processo é maravilhoso.

Quais são os efeitos aromáticos provocados pela presença do terpeno nas cervejas?
Wilson: O terpeno é um óleo essencial extraído da Cannabis, mas não tem THC ou canabidiol. Vai remeter à memória afetiva de quem já fumou um baseado, dando um gosto, que combinado com um determinado lúpulo, vai remeter a um aroma canábico. E existem centenas de espécies canábicas que têm esses aromas diferentes. Então, por isso que nós temos a Amnesia Haze, que é com um terpeno mais terroso, a Mango Rush, que lembra a banana-verde, e a Sour Diesel, um terpeno mais resinoso. Esses aromas combinados com os lúpulos geram uma sensação única no paladar.

Além dos lançamentos das cervejas, os 25 anos do Planta & Raiz estão sendo celebrados com a gravação de um DVD acústico. Como foi esse processo?
Zeider: Todo o processo foi muito legal, desde a idealização do acústico, que era um projeto que queríamos fazer antes da pandemia. Acabamos fazendo agora e foi alucinante. Planejamos tudo, do cenário até o repertório, e gravamos na Audio. Tivemos uma produção musical impecável. Foi tudo acústico, tocando as músicas no violão, recriando arranjos, fazendo versões. Isso dá um trabalho enorme, mas é muito bom. Tinham quase 3 mil pessoas na gravação. Esse acústico é a coisa mais linda que o Planta já fez na vida, um trabalho feito em família. Todos estavam numa sintonia muito legal. O resultado chega em breve, com o lançamento do DVD, para todo mundo ver o que rolou em 22 de julho de 2022.

Antes de produzir as cervejas, você já contava com um bar na Vila Madalena. Como foi a caminhada até essa parceria com o Planta & Raiz?
Wilson: Eu assumi a São Paulo Tap House um pouquinho antes da pandemia. E logo depois ficamos quatro meses praticamente fechados. Tivemos de nos reinventar, com o delivery, que não paga as contas. Então, foi uma fase bem difícil, mas que também acabou sendo produtiva. Comprei equipamentos cervejeiros no meio da pandemia. Aí, aos poucos, fui montando a fábrica, comecei a fazer churrasco defumado. Então, veio a ideia de ter um braço da cervejaria, que é a Smoked Brew, com esse conceito de fazer cervejas densas, nebulosas, que combinam com atividades recreativas, como tabaco, como um churrasco, uma carne defumada e embutidos. Surgiu na Vila Madalena, um bairro que também sofreu bastante, muita coisa fechou. Aos poucos, as coisas estão voltando. O encontro com o Planta & Raiz foi na Vila Madalena, o show deles de 15 anos aconteceu na esquina de baixo do bar. A energia casou de uma forma única. Deu muito certo.

Como é a relação do Planta & Raiz com a vida boêmia de São Paulo?
Zeider: Eu sou do Butantã. Mas a primeira vez que saí de casa para um rolê, com uns 15 anos, foi para a Vila Madalena, no Radical Brasil, um bar de reggae. Foi ali que ouvi sons de reggae que eu não conhecia, embora já gostasse, passando a fazer parte da minha vida. E o nosso primeiro show foi em uma feira da Vila Madalena. A partir disso, nunca mais consegui parar. Já ensaiávamos, mas tivemos que criar um nome para essa apresentação: Planta & Raiz. O nome ficou. Depois dessa apresentação, começaram a pedir para tocarmos em outras feiras. Fui entendendo mais sobre como se canta e a tocar instrumentos. Deu tudo certo, já estamos com vários discos gravados. E pretendo continuar nessa caminhada.

Balcão do Profano Graal: História da cerveja no Brasil – A cerveja na Independência

Balcão do Profano Graal: História da cerveja no Brasil – A cerveja na Independência

Neste 7 de Setembro, feriado da Independência, o Brasil está completando 200 anos como nação politicamente independente. Para além de todas as discussões que podem ser feitas em torno do processo de independência em relação a Portugal, aquela que nos interessa aqui é: como era o comércio e o consumo de cerveja no Brasil em setembro de 1822?

A esse respeito, o “Grito do Ipiranga” não alterou em muito a situação que já tinha se estabelecido desde 1808, quando D. João VI abriu os portos do Brasil às “nações amigas” de Portugal, que, naquele momento, era só a Inglaterra mesmo.

A Grã-Bretanha era já, desde o século XVII, o principal aliado político e parceiro comercial da monarquia portuguesa. E após a abertura dos portos, o mercado do Rio de Janeiro foi abarrotado de mercadorias inglesas. No início, sem a menor noção das necessidades dos brasileiros, as firmas britânicas remeteram para o Brasil artigos que absolutamente não podiam ser consumidos aqui, e que faziam parte de estoques destinados, originalmente, a outros países, mas que se conservaram invendáveis. São famosas as indicações de artigos como patins para gelo, espartilhos para senhoras e instrumentos de matemática.

Mas os ingleses não esqueceram de trazer também cerveja para abastecer os súditos ingleses que vieram morar aqui, fossem diplomatas ou comerciantes, assim como a nobreza metropolitana e as classes mais abastadas da colônia, que buscavam copiar o estilo de vida europeu, como explica Maria Beatriz Nizza da Silva:

Sua maneira de viver, até seus hábitos alimentares e seus horários para as refeições, seu modo de trajar, seus passeios a cavalo pelos arredores da cidade, seus estabelecimentos comerciais, constituíam novidade para os moradores e despertavam sua curiosidade e interesse, e em muitos casos um desejo de imitação

SILVA, 2016, p. 194

A partir de julho de 1811, a Gazeta do Rio de Janeiro (único jornal da Corte) passou a publicar a seção Notícias Marítimas, com a relação dos navios que entravam e saíam porto do Rio de Janeiro, informando o seu porto de origem (no caso das entradas) ou de destino (no caso das saídas) e, por vezes, a sua carga.

Por essa seção, é possível acompanhar o movimento de entrada no porto de navios trazendo cerveja. Um movimento que durou todo o período de permanência da Família Real Portuguesa no Rio de Janeiro. Dos navios que entraram no porto do Rio de Janeiro até setembro de 1822, em cuja carga declara-se expressamente que traziam cerveja, 92% eram de nacionalidade inglesa. E os três principais portos de origem eram a ilha de Guernsey, localizada no Canal da Mancha próxima à Normandia (38% do total), Londres (24% do total) e Liverpool (16% do total).

Encontrei apenas três exceções: o navio norte-americano Sailorboy, que entrou no porto do Rio de Janeiro em 15 de outubro de 1819 vindo da Filadélfia, trazendo farinha, genebra [sic] e cerveja; o navio sueco Helena, que aportou em 24 de março de 1820, vindo de Helsingor, trazendo madeira, ferro e cerveja; e o navio francês Intrepide, que aportou em 1º de maio de 1821, vindo de Marselha, trazendo vinho, cerveja, sal e fazendas.

A análise da entrada e saída de navios no porto do Rio de Janeiro a partir do Jornal do Commercio, que começa a circular no final de 1827, nos permite perceber que essa situação quase não se modificou ao longo de toda a primeira década do Brasil como país independente. Porém, ao lado das cervejas inglesas que reinavam absolutas no mercado até 1822, agora aparecem também cargas da bebida vindas da Bélgica, principalmente de Antuérpia.

Fonte: Gráfico elaborado pelo autor a partir do Jornal do Commercio, 1827-1831

O domínio do mercado brasileiro pela cerveja inglesa se explica não apenas pelo fato de a Grã-Bretanha ser a principal parceira comercial de Portugal naquele período. Mas também porque, como informa Edgar Köb, no começo do século XIX a Inglaterra possuía a indústria de cerveja mais desenvolvida da Europa, com o emprego de maquinário a vapor e outros meios de produção industrial, enquanto em outros lugares ainda predominava o modo artesanal de produção de cerveja.

Esse mesmo autor afirma que as cervejas inglesas dominaram o mercado brasileiro até a década de 1860, primeiro com o estilo Porter, que foi seguido pela Pale Ale da cidade de Burton upon Trent. Assim, é bastante razoável pensar, apesar de ainda não termos nenhuma prova concreta a esse respeito, que as famosas India Pale Ale, destinadas ao mercado colonial indiano desde o século XVIII, também desembarcavam no porto do Rio de Janeiro. Ia demorar muito ainda para que o mercado brasileiro de cervejas desse o seu grito de independência.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

ARRUDA, José Jobson de Andrade. Uma colônia entre dois impérios: a abertura dos portos brasileiros 1800-1808. Bauru: EDUSC, 2008.

GAZETA DO RIO DE JANEIRO. Rio de Janeiro: Impressão Régia do Rio de Janeiro, 1808-1822.

JORNAL DO COMMERCIO. Rio de Janeiro: Typoghaphia d’Emile Seignot Plancher, 1827-1831.

KÖB, Edgar. Como a cerveja se tornou bebida brasileira: a história da indústria de cerveja no Brasil desde o início até 1930. Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Rio de Janeiro, 161 (409), 2000, p. 29-58.

PANTALEÃO, Olga. A presença inglesa. In: Holanda, Sérgio Buarque de (org.). História Geral da Civilização Brasileira. São Paulo: Difusão Européia do Livro, 1965. Tomo II, 1º vol.

SILVA, Maria Beatriz Nizza da. Uma forma sutil de poder: a cultura inglesa no Rio de Janeiro joanino. Revista do IHGB. Rio de Janeiro, a. 177 (470), jan./mar. 2016, p. 193-210.


Sérgio Barra é carioca, historiador, sommelier e administra o perfil Profano Graal no Instagram e no Facebook, onde debate a cerveja e a História.