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Conscientização sobre uso de álcool busca ajudar a reduzir acidentes

O período festivo costuma ser lembrado pelas celebrações, mas também pode contar com uma união que sempre será perigosa: álcool e trânsito. Afinal, viagens e deslocamentos são comuns nessas datas, assim como o consumo de bebidas alcoólicas. E ter a consciência de que um não combina com o outro é fundamental.

Algumas pesquisas recentes têm indicado a relação direta entre acidentes de trânsito e consumo de álcool. Trabalho realizado pelo Departamento Estadual de Trânsito do Rio Grande do Sul (Detran-RS) mostrou presença de álcool no sangue de 38% dos motoristas que perderam a vida em acidentes de trânsito entre 2018 e 2021.

Dado semelhante veio do Espírito Santo. Por lá, um levantamento do Laboratório de Toxicologia Forense da Polícia Civil revelou que 48% das vítimas fatais de acidentes de trânsito no estado em 2020 estavam sob o efeito de drogas. E o álcool estava presente em 31,4% das vítimas fatais.

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Como reduzir o número de acidentes de trânsito é uma meta global, as frentes de conscientização e punição têm atuado diretamente sobre o álcool. Em maio de 2021, o STF considerou que a punição ao motorista que se recusar a fazer o teste do bafômetro é constitucional. Além disso, manteve a proibição de venda de bebidas alcoólicas em rodovias federais e a tolerância zero ao consumo de álcool imposta pela Lei Seca.

Globalmente, ONU e Organização Mundial da Saúde realizam a Década de Ação pela Segurança no Trânsito 2021-2030, com a ambiciosa meta de prevenir ao menos 50% das mortes e lesões no trânsito até 2030.

As ações necessárias para atingir a meta de reduzir mortes e lesões no trânsito envolvem tornar as caminhadas, as bicicletas e o uso do transporte público seguros, assim como garantir vias, veículos e comportamentos seguros, alémd de assegurar atendimento de emergência oportuno e eficaz.

No mundo, mais de 3,5 mil pessoas morrem todos os dias nas vias, o que equivale a quase 1,3 milhão de mortes evitáveis e cerca de 50 milhões de pessoas lesionadas a cada ano. Com isso, essa é a principal causa de morte de crianças e jovens em todo o planeta.

A queda no número de mortes no trânsito, porém, se tornou tímida nos últimos anos no Brasil. De acordo com o Registro Nacional de Acidentes e Estatísticas de Trânsito (Renaest), o número de óbitos caiu de 23.946 em 2018 para 22.857 em 2021.

Para acelerar essa evolução, trabalhos têm sido feitos, com o desenvolvimento de projetos e criação de ferramentas para conscientizar sobre o consumo moderado de bebidas alcoólicas envolvendo as iniciativas privada e pública. E algumas delas, inclusive, foram registradas em livro.

Recentemente, a Ambev apresentou os detalhes das ações envolvendo parcerias público-privadas no livro “Cooperação: o veículo da mudança – Como público e privado se uniram para fazer a gestão de trânsito no Brasil melhorar”. Nele, há relatos sobre os trabalhos por parte dos governos dos estados de São Paulo, Distrito Federal e Ministério da Infraestrutura, desenvolvido em parceria com a indústria cervejeira e a Falconi.

Os projetos de cooperação envolvendo a Ambev se iniciaram em 2013. E as iniciativas criadas incluem o Movimento Paulista de Segurança no Trânsito, atual Programa Respeito à Vida, em parceria com o governo do estado, que gerou a ferramenta de busca e base de dados Infosiga; e o programa Brasília Vida Segura, em parceria com o governo do Distrito Federal. Além disso, com o Ministério da Infraestrutura, foi criado o Renaest.

Entre os resultados alcançados, a Ambev cita a redução de 23% nas mortes no trânsito no estado de São Paulo. Já na etapa de Brasília, iniciada em 2016, a parceria contribuiu para queda de 61% no número de óbitos por acidentes de trânsito em quatros anos de execução.  

Com os resultados registrados em livro, a Ambev espera que mais ações sejam implementadas, permitindo que, a partir das lições reunidas, outras empresas também participem de iniciativas semelhantes em parceria com o poder público.  

“Buscamos dividir essa experiência para que outras entidades e empresas possam explorar as possibilidades de unir o público e o privado para promoção de impacto positivo na sociedade buscamos novos caminhos para levar o consumo responsável a uma terceira potência, nos provocando a reprogramar a cultura da sociedade e potencializar a importância do consumo moderado nos próximos anos”, diz Rodrigo Moccia, diretor de relações institucionais da Ambev.

Ação da Ambev desvaloriza 6% em 2022 e acumula 3º ano seguido de queda

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A ação da Ambev fechou 2022 em baixa. O ativo, negociado na B3, a bolsa de valores brasileira, terminou o ano recém-encerrado valendo R$ 14,52, o que representa retração de 5,94% em relação ao preço de R$ 15,42, registrado no último pregão de 2021.

São, agora, 3 anos seguidos de desvalorização da ação da Ambev na B3. A última alta em um ano foi em 2019, quando valia R$ 19,16. Caiu, depois, para R$ 15,65 no final de 2020, fechando 2021 em R$ 15,42.

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A desvalorização da ação da Ambev em 2022 teve impacto direto do comportamento do ativo em dezembro. Após iniciar o último mês do ano valendo R$ 15,89, apresentou perda de 8,62% no período, invertendo um cenário que até então era de alta.

Para o recuo pelo terceiro ano consecutivo, pode ter pesado o fato de a Ambev ser uma empresa dependente do consumo no varejo. E as perspectivas para companhias desse tipo são, nesse momento, mais desafiadoras, pois há um cenário de deterioração do poder de compra, o que pode ser agravado pela continuidade dos juros em níveis elevados.

Em dezembro, a maior variação do preço da ação da Ambev se deu no dia 19, com alta de 2,56%. Não foi à toa, pois essa era a data que definia a distribuição aos acionistas de juros sobre capital próprio (JCP) de 0,7623 reais por ação, ocorrida em 29 de dezembro.

Porém, de alguma forma, a ação da Ambev seguiu a tendência de perdas do Ibovespa em dezembro. A diferença é que a desvalorização do principal indicador da B3 foi menor do que o do papel da indústria cervejeira, ficando em 2,45%. Além disso, apesar desse recuo, fechou 2022 em alta de 4,69%, cotado a 109.734,60 pontos.

O avanço não chega a ser expressivo, sendo inferior ao da poupança e do IPCA, mas chama a atenção quando comparado ao recuo de 19,45% do S&P500, grupo das 500 ações mais relevantes negociadas na Bolsa de Nova York. O resultado positivo foi puxado pelas commodities, mas houve mais ações desvalorizando do que tendo alta – 53 dos 91 papéis que compõem o Ibovespa caíram no ano passado.

Em 2022, a maior perda na Bolsa foi da resseguradora IRB Brasil, de 78,61%. A Americanas teve a segunda maior queda do ano, de 68,76%, à frente de CVC Brasil (66,54%), Qualicorp (64,56%) e Méliuz (63,58%).

Já a campeã de valorização na B3 no último ano foi a Cielo, com variação positiva de 140,2%. PetroRio (80,02%), BB Seguridade (74,8%), Hypera (65%) e Assaí (51,7%) completaram o Top 5 das principais altas.

Fora do Brasil
Nos Estados Unidos, a ação da Ambev repetiu o mesmo comportamento que apresentou no Brasil em dezembro e em 2022. Cotado a US$ 2,72 na última sexta-feira (30) em Nova York, caiu 2,86% no ano e 10,32% no período de um mês.

Na Europa, a ação da AB InBev se valorizou em 2022, valendo 56,27 euros. O desempenho foi praticamente estável em dezembro, com alta de meros 0,39%, e de 5,83% ao longo de 12 meses.

Já o ativo do Grupo Heineken apresentou desvalorização de 11,11% em 2022, de 98,86 euros para 87,88 euros. Em dezembro, sua queda foi irrisória, de 0,45%.

9 expectativas de profissionais da indústria da cerveja para o governo Lula

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A virada do ano, sempre vista como início de uma nova etapa, veio, de 2022 para 2023, com uma grande novidade: o começo de um novo mandato presidencial, agora de Luiz Inácio Lula da Silva, recém-empossado para comandar o país ao longo dos próximos quatro anos, o que provoca, claro, expectativas e apresentação de demandas pelas diferentes esferas da sociedade, incluindo a indústria da cerveja.

Primeiro político eleito três vezes presidente do Brasil, Lula, seus ministros e secretários vão encontrar uma indústria da cerveja bem diferente – e muito mais diversificada – na comparação com aquela dos seus dois primeiros mandatos, entre 2003 e 2010.

Afinal, na década de 2000, as cervejarias artesanais apenas engatinhavam no país. Dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento apontam que o Brasil tinha 42 cervejarias registradas em 2002. Em 2010, até então o último ano de Lula à frente da presidência, eram 114, com uma expansão anual que nunca foi além dos 18%.

Aos poucos, porém, a cerveja artesanal começou a entrar na pauta do consumidor – e dos empreendedores – no Brasil, com seu salto mais relevante tendo ocorrido em 2016, quando o número de cervejarias registradas cresceu 48,5% em relação a 2015. E, de acordo com a última edição do Anuário da Cerveja, são 1.549 cervejarias registradas no país.

Os últimos anos, porém, têm sido de grandes desafios, tanto que o crescimento de produtos registrados foi quase irrelevante em 2021, de apenas 5,2%, demonstrando que o segmento vem enfrentando problemas para inovar, apresentar novidades e se manter relevante perante o consumidor.

O retorno de Lula à presidência fomenta a esperança de início de um novo ciclo expansionista que favoreça a indústria da cerveja, ajudando especialmente os pequenos empreendedores do segmento, em um movimento que favoreceria toda a cadeia produtiva, incluindo os fornecedores.

De 2003 a 2010, o PIB teve média de crescimento anual de 4,1%, com a renda per capita expandindo 23,05% em todo o período. “Esperamos sinceramente que o próximo governo consiga cumprir as promessas de melhorar o poder aquisitivo da população em geral. Isso certamente seria o melhor dos cenários, pois sabemos que o brasileiro adora uma cervejinha gelada, e tendo mais dinheiro para gastar, haverá uma demanda maior, o que refletirá diretamente em toda a cadeia produtiva”, diz Dario Occelli, CEO da Eureka.

Além da expectativa de aumento do consumo pelas famílias, os representantes da indústria da cerveja esperam que o governo Lula e os novos deputados e senadores eleitos também adotem uma tributação que torne mais saudável a atuação de quem deseja empreender.

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Confira as expectativas de 9 representantes da indústria da cerveja para o recém-iniciado governo Lula:

Beer Business (Filipe Bortolini, sócio-administrador)
Acreditamos que o mercado cervejeiro deve continuar crescendo, como vem acontecendo nos últimos anos, mesmo com o evento da pandemia. É fundamental mantermos o setor unido e lutar por melhorias, especialmente na parte tributária, que pesa muito para o mercado cervejeiro. A aprovação da correção da tabela do Simples é fundamental para favorecer o crescimento dos negócios e tornar mais justa a taxação das cervejas.

BierHeld (Ewerton Miglioranza, sócio-fundador)
A expectativa ainda é de crescimento, puxado pelo mercado, mas ainda com ressalvas à espera da formação da equipe econômica do governo e das políticas de gastos a serem adotadas. Embora o Brasil ainda apresente muitos problemas sociais a serem resolvidos, o aumento de gastos sem uma responsabilidade fiscal pode provocar o efeito inverso no médio e longo prazo, por isso o mercado ainda age com cautela. Contudo, com a eleição de vários membros da oposição para o Congresso, espera-se que reformas muito radicais tenham dificuldade em serem aprovadas, minimizando o risco de gastos desenfreados pelo Executivo.

CBCA (Gustavo Barreira, CEO)
Acredito que, se fizermos nossa parte, estaremos sempre bem posicionados e preparados para capturar o máximo de valor em cenários de bonança ou enfrentar crises. Quanto ao novo governo especificamente, desejamos todo sucesso do mundo, pois estamos todos no mesmo barco. Esperamos uma gestão eficiente e responsável que trará bons resultados para toda população.

Cia de Brassagem Brasil (Danielle Mingatos, sócia)
Esperamos que o setor cervejeiro continue aquecido e em ascensão, não apenas para as grandes cervejarias, mas para as pequenas e micro também. Se de fato tivermos o aumento do poder de compra, isso afetará de forma muito positiva o setor das artesanais.

Eureka (Dario Occelli, CEO)
Historicamente, sempre que ocorrem mudanças no cenário político, isso gera uma série de incertezas e preocupações, mas creio que ainda é cedo para fazermos qualquer prognóstico. O importante nesse momento é sermos otimistas, mas, ao mesmo tempo, não tendo um sentimento de euforia.

Esperamos sinceramente que o próximo governo consiga cumprir as promessas de melhorar o poder aquisitivo da população em geral. Isso certamente seria o melhor dos cenários, pois sabemos que o brasileiro adora uma cervejinha gelada, e tendo mais dinheiro para gastar, haverá uma demanda maior, o que refletirá diretamente em toda a cadeia produtiva,

Meu Garrafão (Helton Aguiar, diretor)
Percebo que os ciclos de crises estão cada vez mais curtos não só aqui no Brasil, mas a nível mundial, e por isso vale a máxima “só fica vivo quem se mantém em movimento”, ou seja, quem se adapta às crises. E em relação ao governo não é tão diferente. Esperamos sempre muito trabalho e transparência no cenário político para que nós, cidadãos, consigamos ficar tranquilos e livres para atuarmos onde sabemos bem, empreender e fazer a economia girar.

NewAge (Edison Nunes, gerente comercial)
Para a NewAge é desejável:
1. Menor carga tributária, com a reforma tributária;
2. Aumento do consumo das famílias, com programas sociais perenes;
3. Estabilidade na cotação do dólar;
4. Subsídios para máquinas industriais.

Porofil (Nelson Karsokas Filho, proprietário)
Estamos ainda aguardando as movimentações econômicas. Tudo ainda está muito incerto com esse novo governo e como não sabemos para que direção ele seguirá, ficaremos atentos até que as coisas se ajeitem. Nossa expectativa é que o governo faça investimentos na economia para que o país cresça e, assim, todo o mercado entre nessa corrente virtuosa.

Rota RJ (Ana Cláudia Pampillón, coordenadora)
As perspectivas são as melhores possíveis uma vez que o turismo é uma das principais ferramentas de fomento econômico de nossa região. E o turismo tem tido um olhar mais cuidadoso nos últimos dois anos. Acredito fortemente que deverá continuar desse jeito.

Espaço aberto: Abridores com furo quadrado

*Por Carlos Alberto Tavares Coutinho

Muitos abridores de garrafas do início do século XX têm um pequeno orifício quadrado chamado de “Chave Prest-O-Lite”.

O automóvel, a primeira “carruagem sem cavalo”, tinha simples lâmpadas a óleo, e isto quando tinha alguma coisa. A chama amarela que nascia do pavio, imerso em um recipiente com óleo, querosene ou gasolina, dava apenas luz aos motoristas para que eles evitassem os buracos.

Logicamente, isso não significa que não havia quem viajasse à noite ou precisasse das luzes para chegar em casa. Por isso, desde o século XVIII, os cocheiros adaptavam lanternas às suas carruagens.

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Como a luz precisava iluminar ao redor dos cavalos, os cocheiros instalavam uma lanterna em cada lado da carruagem. Inicialmente, eles usavam velas e refletores de metal polido. Depois da descoberta do acetileno, no fim do século XIX, as velas foram substituídas por recipientes com esse gás. São as chamadas “carbide lamps” ou simplesmente “lanternas/lâmpadas de acetileno”. Os faróis Prest-O-Lite foram originalmente usados em charretes puxadas por cavalos.

Os condutores de automóveis, naqueles tempos heroicos, não se atreviam a viagens noturnas, não só porque o estado das estradas não era dos melhores, mas também por haver a possibilidade de um desarranjo no motor.

Quando os primeiros carros começaram a circular, eles tinham motores sob os bancos ou na parte traseira do chassi, então os faróis poderiam ficar em qualquer lugar. Mas como o design daqueles carros era diretamente derivado das carruagens — é por isso que naquela época, antes de ser chamados “automóveis”, eles também eram chamados de “horseless carriages“, ou “carruagens sem cavalos” –, quando alguém decidiu colocar faróis em um carro, eles foram posicionados como as lanternas das carruagens. Mais tarde, quando os próprios fabricantes passaram a equipar seus carros com faróis de fábrica, o padrão simplesmente foi mantido e assim permanece até hoje.

A velocidade dos automóveis não passava muito dos 15 km/h. Mas à medida que os automóveis ficavam mais velozes, começaram a exigir uma luz mais clara, deixando o antigo sistema de iluminação com um pavio embebido em óleo, querosene ou gasolina. No começo do século XX, vários automóveis começaram a utilizar a nova técnica de iluminação à base da queima do gás acetileno. O acetileno era obtido por meio de uma reação química que acontecia na própria lanterna com a mistura de água e carbureto. Para a chama não apagar, a lanterna era protegida por um vidro. Infelizmente, este combustível não durava muito e era bastante volátil, mas era a solução mais eficaz para iluminar o caminho. O histórico Ford Modelo T, por exemplo, usava lâmpadas de acetileno à frente e a óleo na traseira.

Evidente que acender esse equipamento não era tarefa simples. Primeiro era necessário abastecer os reservatórios com água e carbureto. Para dar início à reação química que liberaria o gás, deixava-se a água gotejar sobre o carbureto. Quando o gás acetileno começava a se formar, era a hora de abrir a válvula e acender o farol com um fósforo. Isso sem contar a dificuldade de limpar e desobstruir os dutos do sistema e o mau cheiro do gás.

Era, apesar de algumas resistências a seu uso, um mal necessário. Havia sempre o perigo de explosões e necessitavam de frequentes inspeções. Mas, por mais de 15 anos, a iluminação a acetileno foi praticamente a única a ser usada nos carros a motor.

Mas, o que os faróis têm a ver com o abridor de garrafas?

Com a invenção da tampa (coroa de cortiça) e por conseguinte do abridor de garrafas, que eram feitos de aço ou latão em forma de figura plana, logo no início as cervejarias visualizaram um espaço para sua propaganda e passaram a utilizar o corpo do abridor para anunciar seus produtos e seus endereços. Outras cervejarias com um pouco mais de visão, além de sua propaganda, procuraram colocar nos abridores alguns apetrechos com alguma outra utilidade, pois quanto maior a utilização, maior a visibilidade de sua propaganda. Assim, incluíram peças como saca-rolhas, cortador de capas de rolha de cortiça, pequenas chaves de fenda ou furadores e o mais importante: um furo quadrado.

Esse furo, na verdade, fazia com que o abridor se transformasse numa ferramenta imprescindível, para quem utilizasse os faróis de acetileno, antes que os faróis elétricos fossem amplamente usados. Os abridores de furo quadrado foram usados de 1910 até o início de 1930 para abrir e fechar a válvula do acetileno e permitir a regulagem da chama nos faróis dos veículos e, inclusive, para evitar que pessoas não autorizadas mexessem nela, já que a regulagem era quadrada e sem a ferramenta adequada era mais difícil.


*Carlos Alberto Tavares Coutinho é funcionário público septuagenário e aposentado que atende pelo pseudônimo de Cervisiafilia, colecionador de itens de bebidas desde 1994, blogueiro que tenta escrever sobre a história da cerveja brasileira no blog cervisiafilia.blogspot.com.br – A História das Antigas Cervejarias.

A genialidade de Pelé em lances, no marketing e contra o racismo

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Eram decorridos 46 minutos do segundo tempo quando Tostão lançou Pelé em profundidade. O Rei do Futebol nem precisou tocar na bola para ludibriar o goleiro uruguaio Mazurkiewicz e driblá-lo. Com uma ginga de corpo, deixou o adversário para trás. A finalização, na sequência, passou raspando a trave e saiu para fora.

Não fez falta. Afinal, a seleção brasileira já vencia o Uruguai por 3 a 1 e, assim, se classificou para a decisão da Copa do Mundo de 1970, além de ter expurgado o trauma da derrota de 1950 com aquela vitória. Mais do que isso: eternizou aquele lance, pouco importando que ele não tenha sido gol.

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Com Pelé, afinal, era assim. A revolução podia, muitas vezes, ser silenciosa: sem um gesto, um toque na bola, uma palavra. Foi desse modo em toda a Copa de 1970, quando a aliança entre preparação, talento e determinação abriu caminho para a consagração daquela considerada como a melhor seleção de todos os tempos. E, claro, do Rei do Futebol.

É óbvio que Pelé fez seus gols em 1970 – foram quatro –, dois deles antológicos, com o domínio perfeito da bola no peito antes da finalização contra a Checoslováquia, na estreia, e o cabeceio fulminante na final contra a Itália –, assim como deu assistências – seis –, mas a beleza da sua consagração passou, também, pelo não fazer.

Eles foram eternizados nos quase gols: o do drible de corpo em Mazurkiewicz, na finalização de bate-pronto após bola mal distribuída pelo mesmo uruguaio, no cabeceio defendido pelo inglês Banks, pelo gol que Pelé não fez – ou pelo lance que sua genialidade criou? – em finalização do meio-campo diante da Checoslováquia.

Rei do marketing
Também foi assim com o marketing esportivo. Em 1959, na sequência da conquista do primeiro título mundial da seleção, quando Pelé cumpriu a promessa feita a seu Dondinho em 1950, de dar o título que o Brasil havia perdido naquele ano, ele teve outra conversa com o seu pai.

Nela, Pelé recusou a oferta de uma empresa do interior paulista para dar seu nome a uma caninha, a popular cachaça, por entender que não seria uma boa ideia associar a sua imagem com uma marca de bebidas alcoólicas. Com isso, a “Caninha Pelé” não foi além de um lote de teste.

E seria assim nas seis décadas seguintes. Pelé manteve o afastamento da publicidade envolvendo bebidas alcoólicas, incluindo a cerveja. Nem por isso deixou de revolucionar o marketing esportivo. Se tornou uma marca. Exportou o café brasileiro para o mundo com o Café Pelé e teve contratos longevos, como com a Mastercard, e marcantes, como no caso da Pfizer.

Já nos últimos anos, se inseriu no mundo das redes sociais e protagonizou propagandas com estrelas atuais do futebol mundial, como Cristiano Ronaldo e Mbappé, craque em ascensão e que segue seus passos ao evitar fazer propagandas de bebidas alcoólicas.

Mesmo sem o dedo de Pelé, a indústria da cerveja também se inseriu no marketing esportivo ao longo de sua trajetória, pelo alcance do futebol, liderado pelo seu rei, a ponto de ser impossível, hoje, imaginar uma grande competição, como a Copa do Mundo, sem o apoio de uma marca global. Veio, inclusive, de uma delas, uma das últimas homenagens a Pelé.

Depois de premiar o melhor jogador de cada partida do Mundial no Catar com o troféu “Player of the Match”, em ação iniciada na Copa de 2002, a Budweiser homenageou Pelé com o troféu “Player of the History”, em ação de marketing que contou com a participação de Neymar.

“Se a cada partida existe a expectativa pelo melhor em campo, quando falamos da história dos Mundiais, não resta dúvida sobre quem é o Rei”, afirma Carolina Caracas Gargione, head de marketing da Budweiser. “Então, criamos esse troféu especial para celebrar toda a carreira e a trajetória do Pelé, e tudo o que ele representa para o mundo, não apenas o nosso país”, acrescenta.

Fora de campo
Em alguns momentos de sua trajetória, Pelé foi cobrado – muitas vezes por brancos – para se engajar mais na luta contra o racismo. Seu brilho dentro de campo, sua presença global como um vencedor e um exemplo de êxito esportivo e do Brasil, por si só, significaram um importante passo para a representatividade negra em uma sociedade racista.

“Ao seu modo, Pelé colocou o homem preto no topo do mundo. Ele faz até os racistas reconhecerem que o melhor jogador do mundo é um homem negro. Com isso, Pelé ajuda a dar visibilidade e mostra que o homem preto pode ser o melhor de todos”, afirma Gustavo Bandeira, autor do livro “Uma história do torcer no presente”.

Confira 14 lançamentos realizados pelas cervejarias artesanais em dezembro

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A chegada do fim do ano veio acompanhada pela criatividade das marcas artesanais. Motivadas pelo período de festas, as cervejarias realizaram diversos lançamentos ao longo do mês de dezembro, oferecendo opções interessantes ao consumidor na saideira de 2022.

A Bodebrown, por exemplo, apresentou quatro novidades ao longo do mês, algumas delas levando frutas em suas receitas. A Soma também apostou no lançamento de vários rótulos em dezembro: uma Saison com Hibisco e uma Brazilian Ale.

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Confira esses e outros lançamentos realizados pelas cervejarias artesanais em dezembro e selecionadas pela reportagem do Guia:

Blumenau
Para celebrar o Natal, a Cerveja Blumenau apresentou um lote limitado da Blumenau Summer Warmer, uma versão brasileira das cervejas belgas, disponível em barris e garrafas de 500ml. O rótulo tem 8% de teor alcoólico e 15 IBUs de amargor. Possui cor dourada intensa e espuma abundante. No aroma, traz notas de frutas amarelas cristalizadas e especiarias, em uma combinação inspirada no tradicional panetone.

Bodebrown
A Bodebrown fez, em dezembro, o lançamento de várias cervejas: Luppolo Italian Pilsener, Gigantes de Olinda e Os Bonecos de Wallonie 6, Samuel .50 e Anna Guerra. A Luppolo Italian Pilsener é leve, com 4,6% de teor alcoólico. Na sua receita foram utilizados dois maltes (Pilsen e Munich) e o lúpulo europeu Sladek no dry-hopping. A Anna Guerra é uma Brut Saison com graviola, acerola e cupuaçu, além de leveduras belgas. A criação presta homenagem à artista Anna Guerra, parceira da Bodebrown. A Gigantes de Olinda e os Bonecos da Wallonie n.º 6 com jabuticaba tem inspiração na cultura belga e nordestina, relembrando a origem dos bonecos olindenses. Segue o estilo Belgian Dubel e tem adição de jabuticaba. Já a Samuel 50 foi criada por Samuel Cavalcanti, CEO da Bodebrown, para celebrar seu aniversário de 50 anos. É uma Strong Golden Ale com 9% de álcool.

Campos do Jordão
A Campos do Jordão preparou uma cerveja comemorativa para o Natal: é uma Winebeer. Também conhecida como Grape Ale, ela é feita com o mosto de uva Syrah, utilizado na produção do Vinho Brandina, da Vinícola Villa Santa Maria, localizada no Vale do Baú, em São Bento do Sapucaí (SP). A novidade possui coloração rubi cereja, alta complexidade de aromas como frutas vermelhas, cereja e especiarias, surpreendendo os paladares mais requintados. Tem 7,6% de teor alcoólico.

Cybeer Lab
A Cybeer Lab lançou, durante a sua participação no Mondial de la Biere, a Ping of Death, uma Barley Wine maturada em barricas de vinho do Porto, o que a permitiu absorver a complexidade de sabores e aromas provenientes do carvalho. A novidade tem 12% de graduação alcoólica.

Fat Bull
A cervejaria Fat Bull lançou uma novidade neste final de ano, diversificando a sua área de atuação. Elaborado no método charmat, com uvas Pinot Noir cultivadas na serra gaúcha, o espumante rosé da Fat Bull está disponível nas lojas da marca em Novo Hamburgo, Ivoti e Gramado. O espumante foi produzido na vinícola Montereale, em Flores da Cunha.

Landel
A Landel apresentou uma nova cerveja em dezembro, a Good Boy, uma English Brown Ale, com 6% de teor alcóolico e 30 IBUs de amargor. Segundo o descritivo, o lançamento apresenta notas de toffee, chocolate e caramelo, em um corpo médio equilibrado.

Noi
A cervejaria niteroiense Noi aproveitou a sua participação no Mondial de la Bière para apresentar a sua Extra Special Bitter, cerveja da escola inglesa. Com 5% de graduação alcoólica e 34 IBUs de amargor, a novidade promete ser uma boa opção para refrescar os consumidores.

ØL Beer
Em dezembro, a ØL Beer lançou a nona receita desenvolvida no projeto Usinøl, sendo a sétima em 2022, a Lager Time. É um Hop Lager com perfil de frutas secas, floral e um refrescante toque cítrico. A novidade apresenta amargor de 21 IBUs e teor alcoólico de 6,2%.

Soma
Nesse fim de ano, a Soma Cervejaria lançou uma Brazilian Ale, que leva lúpulos 100% brasileiros, e uma Saison com Hibisco. A Soma Brazilian Ale, com 28 IBUs e 4,5% de álcool, leva lúpulos 100% nacionais, Comet e Chinook, o que resultou em uma cerveja de corpo médio-baixo e espuma de cor branca, de boa formação e persistência no copo. Traz no aroma notas cítricas e resinosas. Já a Soma Saison com Hibisco (28 IBUs e 7% de álcool) conta com o aroma e sabor frutado desse estilo belga.

W*Kattz
A marca foi outra das cervejarias que aproveitaram a realização do Mondial de la Bière, no Rio, em dezembro para fazer lançamentos. A W*Kattz apresentou a Negro Gato, uma Black IPA com 6% de graduação alcoólica e amargor potente, com seus 45 IBUs de amargor.

EUA chegam a recorde de 9,5 mil cervejarias, mas número deve cair em 2023

Os Estados Unidos vão fechar o ano de 2022 com um número recorde de cervejarias em operação. São 9.500, de acordo com informações divulgadas pela Brewers Association (BA, na sigla em inglês), a associação de cervejarias artesanais e independentes do país. O número é resultado do saldo positivo entre as 550 inaugurações ao longo do ano e os 200 fechamentos permanentes.

A expansão de 350 cervejarias é responsável por um novo recorde de cervejarias registradas nos Estados Unidos, que já haviam atingido um novo patamar em 2021, de 9.247, contra as 9.025 de 2020.

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A associação também apontou que o segmento de cervejas artesanais apresentou crescimento de 8% em 2022, acima da expansão do mercado, que ficou em 1%. Porém, enquanto o consumo nos estabelecimentos recuperou a tendência de alta, o chope ainda não atingiu o nível anterior à pandemia.

Além disso, nem tudo é positivo para a indústria cervejeira nos Estados Unidos, que já vinha sofrendo com os desafios impostos pela pandemia do coronavírus. E a pressão sobre suas vendas e lucros cresceu com o aumento da energia e de outros custos, que também foi atormentada pela escassez de suprimentos e ingredientes, com interrupções no fornecimento de latas e CO2.

De acordo com a BA, a colheita de cevada até apresentou melhorias em 2022, mas acabou não sendo suficiente para encerrar os desafios provocados pela safra ruim de 2021. Já a área de lúpulo cultivada nos Estados Unidos sofreu ligeira queda, enquanto a colheita na Europa foi a pior em décadas. Associado a isso, a BA aponta que o segmento também sofre com a concorrência de outras bebidas alcoólicas.

Diante disso, a associação estima que o número de aberturas de cervejarias nos Estados Unidos em 2023 será o menor em uma década. “2023 será um reinício para muitos cervejeiros, pois a indústria artesanal em amadurecimento continua a se tornar mais competitiva, enfrentando pressões comerciais internas e externamente o crescimento contínuo de novos concorrentes de bebidas alcoólicas”, afirma a BA em comunicado.

Especialistas também acreditam que o ano de 2022 deve ser o pico do número de cervejarias registradas nos Estados Unidos, um número que dificilmente voltará a ser alcançado. Assim, para 2023, espera-se que o número de fechamentos de cervejarias supere o de aberturas.

“Embora esses desafios sejam assustadores, os cervejeiros artesanais são conhecidos por sua inovação e flexibilidade, e precisarão de ambos à medida que evoluírem para atender a próxima geração de amantes da cerveja com novas cervejas e novas ocasiões”, diz Bart Watson, economista-chefe da BA.

Balcão da Fabiana: Concursos cervejeiros – São válidos para o mercado?

Balcão da Fabiana: Concursos cervejeiros – São ou não são válidos para o mercado?

No fim de outubro, fui juíza e mestre de cerimônias da festa de premiação do Brasil Beer Cup, realizado em Florianópolis. Com ele, completei a lista de quatro concursos para os quais fui convidada a participar como juíza somente em 2022: World Beer Cup, Brasil Beer Awards, South Beer Cup e Brasil Beer Cup. E estou me referindo apenas aos concursos dos quais participei. Se formos contabilizar quantas outras competições foram realizadas este ano, no Brasil e em países das Américas, Europa e Ásia, seguramente chegaremos a mais de duas dezenas delas.

Fico me perguntando se, para as cervejarias, é ou não produtivo participar de inúmeros concursos no mesmo ano. Afinal, não é barato enviar as amostras e a logística para o transporte das cervejas não é das mais fáceis.

O que motiva, além da possível premiação, uma cervejaria a participar deste ou daquele concurso?

Quais critérios têm feito as cervejarias optarem por concorrer em uma competição em detrimento de outra?

São perguntas que venho me fazendo e que muitas vezes chegam até a mim por parte de muitas cervejarias. Não tem sido incomum o relato de cervejeiros que não querem mais participar das competições. E os principais motivos alegados por eles são:

  1. Juízes pouco qualificados para avaliar e julgar;
  2. Juízes brasileiros são despreparados em relação aos estrangeiros (sim, ouvi isso e mais de uma vez);
  3. Medalhas não servem para nada;
  4. Cervejarias premiadas fazem lotes especiais de cervejas que nunca chegarão ao mercado, apenas para ganhar medalhas;
  5. “ Minha cerveja que mais vende não ganhou nenhuma medalha em tal concurso. Isso não pode ser normal” – já ouvi essa alegação inúmeras vezes vindas de diferentes fontes;
  6. Concursos no exterior são mais sérios do que os realizados no Brasil.

Curiosamente, nenhuma cervejaria reclama da falta de feedback sobre sua cerveja. Mas se o feedback é negativo, aí sim o cervejeiro reclama. Ou seja, a análise só é válida se favorece a cerveja? Fichas que apontem problemas não devem ser levadas a sério?

Estaríamos diante então de um comércio de medalhas?

Se a cervejaria ganha medalha em algum concurso, a competição é séria. Se não ganha, a competição não tem o nível que a cervejaria merece. Ao mesmo tempo, se a competição confere muitas medalhas, é taxada de “pagou, ganhou”.

Estamos diante de um impasse, isso é fato. Não fosse só o número elevado de concursos, alguns outros pontos merecem nossa reflexão:

O primeiro deles é que estamos testemunhando a extensão das polarizações provocadas por ideologias e posições políticas para os concursos. Já existem disputas entre um concurso e outro sobre quem tem direito a usar nome que batiza o certame, sobre estilos próprios, sobre quem tem postura ética para coordenar o certame, sobre quem tem maior número de inscrições e até para quem tem o melhor time de juízes (o que é irônico, porque vários juízes participam de todos).

Em minha opinião, esse juízo de valor – melhor e pior – entre profissionais cria uma divisão por castas pouquíssimo saudável. Não é interessante para qualquer mercado criar inimizades e contendas entre os vários agentes que nele atuam. Quem ganha com isso?

Outro ponto que me chama atenção é a discussão sobre o pagamento de salários a juízes de concursos cervejeiros. Devo dizer que, mesmo sofrendo no bolso muitos gastos com os quais arcamos ao aceitar ser juiz em uma competição, sou contra essa ideia. Não acho que a autonomia de um juiz possa ser mantida quando se estabelece uma relação de patrão/empregado. Sim, porque ao se pagar salário a um avaliador, fica estabelecida essa relação. Imaginem patrocinadores exigindo medalhas das organizações dos concursos sob alegação de que “pagam o salário do juiz”? Onde entra dinheiro, pagamento, abre-se porta para corrupção. Não se iludam que isso não acontece.

Não tenho muitas respostas para as questões que levantei neste artigo. Também não consigo prever quais concursos vão se consolidar e quais tendem a desaparecer. O que me parece é que estamos chegando a um ponto de saturação do mercado com tantas competições, o que pode levar a descredibilização das premiações alcançadas.

Mais uma vez estou eu, aqui, lançando celeumas. Mas o papel do jornalista é este, não é? Provocar reflexões. Fica aqui o meu convite para pensarmos juntos em mais essa questão do mercado cervejeiro.


Fabiana Arreguy é jornalista e beer sommelière formada em 2010, pela primeira turma Doemens no Brasil, através do Senac SP. Produz e apresenta, desde 2009, a coluna de rádio Pão e Cerveja, sendo editora de site com o mesmo nome e autora de livros. É curadora de conteúdo, consultora de cervejas especiais, proprietária da loja De Birra Armazém Cervejeiro, além de professora do Science of Beer Institute e do Senac MG, assim como juíza dos principais concursos cervejeiros brasileiros e internacionais.

Eureka alcança proximidade estratégica de polos cervejeiros em 2022

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Estar próxima das cervejarias é um objetivo comum para qualquer empresa fornecedora de insumos, em função de questões logísticas para conseguir atendê-las, se tornando uma vantagem competitiva. E foi exatamente isso que a Eureka conseguiu fazer em 2022, especialmente após a inauguração de um centro de distribuição em Juiz de Fora (MG), o que levou o seu CEO, Dario Occelli, a avaliar o ano como positivo.

Em 2022, a Eureka passou a contar com três centros de distribuição no Brasil, pois já estava instalada em Sorocaba (SP), onde fica a sua sede, e em Araquari (SC). E a presença em três dos quatro estados com mais cervejarias registradas no Brasil, além da proximidade do Rio de Janeiro, é estratégica, como destaca Occelli.

Leia também – Eventos em sequência pressionaram fornecedores da indústria cervejeira

“Conseguimos cumprir todo o nosso cronograma de planejamento de expansão de nossas atividades, principalmente com a inauguração de mais uma filial no estado de Minas Gerais. Assim, fortalecemos cada vez mais nossa presença nos principais polos cervejeiros do Brasil”, diz.

O CEO da Eureka também ressalta a volta dos eventos como outro aspecto positivo da atuação da sua empresa em 2022. “Após um longo período sem eventos devido à pandemia, em 2022 participamos novamente da Brasil Brau e ficamos extremamente satisfeitos com o resultado do evento”, afirma.

O ano de 2022, porém, não foi sem percalços, como reconhece o CEO da Eureka. Atuando diretamente com diversas cervejarias, Occelli aponta que muitos representantes do segmento precisaram lidar com passivos advindos dos piores momentos da pandemia do coronavírus.

“Para o setor cervejeiro, 2022 foi um ano bem complicado. Muitas cervejarias ainda estão tentando recuperar o tempo perdido durante a pandemia. Várias ainda têm passivos financeiros, mas notamos claramente sinais de recuperação. Podemos dizer que o pior já passou”, avalia.

Assim, acreditando que os momentos mais complicados já foram superados, o CEO da Eureka exibe otimismo para 2023. Ele acredita que o segmento de artesanais pode recuperar o ritmo visto nos anos anteriores à pandemia. E projeta que a sua empresa vai ter condições de acompanhar esse ritmo.

“Será um ano de muitos desafios, mas continuaremos com a mesma política de ter um crescimento gradativo e sustentável. Esperamos fechar o ano de 2023 com recordes de faturamento históricos na empresa”, conclui o CEO da Eureka.

Artigo: Pesquisadores escrevem novo capítulo da história da levedura Lager

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*Por Luciana Brandão

Um artigo recente publicado em novembro de 2022 na revista FEMS Yeast Research relata pela primeira vez a descoberta por cientistas europeus da espécie ancestral da levedura Lager, Saccharomyces pastorianus, responsável por mais de 90% da produção mundial de cerveja.

Mas antes de te contar sobre essa descoberta, vamos de histórias científicas para entender como tudo isso começou.

Um pouco de ciência um pouco de história
Desde 1980, sabe-se da natureza híbrida da levedura Lager, ao contrário da espécie S. cerevisiae, considerada pura. Um organismo híbrido é aquele formado pelo cruzamento de dois progenitores diferentes, ou seja, possui parte do DNA (genoma) de um e parte do DNA do outro. No caso da levedura cervejeira, embora um dos progenitores da linhagem Lager tenha sido identificado como uma S. cerevisiae, a levedura Ale, o outro progenitor, permaneceu por alguns anos indefinido.

Leia também – Artigo: Como leveduras cervejeiras sobreviveram 120 anos em um navio

Foi somente em 2011, que essa espécie perdida foi primeiramente descoberta pelos nossos hermanos argentinos (Libkind et al., 2011), isolada dos bosques preservados de Nothofagus da Patagônia Argentina. Na ocasião, os cientistas identificaram vários isolados de uma nova espécie de levedura, que foi taxonomicamente nomeada de Saccharomyces eubayanus. Na pesquisa, os genomas dessa espécie e o subgenoma não cerevisiae de S. pastorianus tiveram 99,56% de identidade, demonstrando que a espécie S. eubayanus era o progenitor perdido da levedura lager S. pastorianus.

Até aí tudo bem. Um dos mistérios havia sido resolvido. A descoberta de uma das espécies parentais da levedura Lager. Mas, ainda havia um outro mistério pairando no ar. Como uma levedura poderia ter viajado e atravessado mais de 10.000km de distância entre a Argentina e o local onde possivelmente ocorreu a formação do híbrido pastorianus e consequentemente a produção das cervejas Lagers da Europa?

Novas pesquisas, novas descobertas
A busca por novas linhagens de S. eubayanus e a relevância dessas descobertas para a fabricação de cerveja motivaram pesquisadores de várias partes do mundo a investigarem ainda mais a distribuição geográfica dessa levedura em diferentes localidades.

A partir de 2014, novas linhagens desta espécie foram encontradas na China, Tibete, América do Norte e Nova Zelândia. Os estudos da genômica completa desses isolados mostraram que apesar da linhagem encontrada na Patagônia Argentina ser a mais diversa e abundante do globo, ela não é a que possui maior identidade com a levedura Lager e sim a linhagem tibetana com 99,82% do seu genoma correspondente com o subgenoma não Ale de S. pastorianus.

Mas o mistério ainda permanecia, pois a linhagem tibetana estava a 7.000km de distância da região original da cerveja Lager.

Enfim uma S. eubayanus europeia
Em 2022, mais um capítulo começa a ser escrito sobre a misteriosa história da levedura Lager no planeta. A ciência é algo incrível. E, enquanto mistérios não são desvendados, pesquisadores não se cansam de buscar respostas.

Embora os registros mostrem que o primeiro uso de S. pastorianus foi em cervejarias no sul da Alemanha, S. eubayanus nunca havia sido encontrado na Europa. Havia indícios, mas faltavam provas.

Foi então que pesquisadores da University College Dublin, na Irlanda, isolaram duas linhagens diferentes de S. eubayanus, dentre 100 outras espécies coletadas de amostras de solo provenientes do campus da universidade, como parte de seus projetos de pesquisa de graduação.

A descoberta de S. eubayanus na Irlanda mostra que esta levedura é nativa da Europa e parece provável que ainda existam mais isolados em outras partes do continente.

Ainda insatisfeitos, os cientistas decidiram aprofundar mais nas pesquisas e investigar um outro mistério. Qual das duas linhagens isoladas por eles seria o ancestral vivo mais próximo da levedura Lager? Mas infelizmente, pelo menos para os Irlandeses, e por obra da natureza, as pesquisas mostraram que, embora os isolados irlandeses estejam separados da Europa por apenas 1.300km de onde os isolados híbridos da levedura Lager ocorreram, as novas linhagens europeias não compartilham altos índices de ancestralidade, portanto não podem reivindicar ainda o posto de parentes mais próximos do subgenoma não cerevisiae de S. pastorianus.

Além disso, os isolados irlandeses crescem mal na presença de maltose e maltotriose, dois açúcares importantes na produção do mosto cervejeiro.

Sendo assim, o mistério ainda está para ser resolvido. Nenhuma das linhagens isoladas até o momento foi considerada o ancestral direto do progenitor da levedura Lager, muito provavelmente devido aos múltiplos eventos de hibridização ocorridos. E para concluir essa parte da história, a única coisa que podemos afirmar é que certamente os isolados que compartilham mais semelhança e ancestralidade com S. pastorianus ainda não foram encontrados na Europa, no Tibete e em lugar algum.

A busca pelo elo perdido continua. Só nos resta aguardar as cenas dos próximos capítulos do grande mistério da levedura Lager no planeta.


Referências bibliográficas:
Bergin et al., 2022. Identification of European isolates of the lager yeast parent Saccharomyces eubayanus. FEMS Yeast Research, Volume 22, Issue 1, https://doi.org/10.1093/femsyr/foac053

José Paulo Sampaio, 2022. Saccharomyces eubayanus—a tale of endless mysteries. FEMS Yeast Research, Volume 22, Issue 1, https://doi.org/10.1093/femsyr/foac058


Luciana Brandão é pós-doutorada em Microbiologia pela UFMG, cervejeira caseira, sommelière de cervejas, co-fundadora e CEO do Laboratório da Cerveja, empresa de biotecnologia e soluções em processos cervejeiros

Texto originalmente publicado no site do Laboratório da Cerveja