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Guia nas Eleições: 7 propostas para melhorar a tributação cervejeira

Com a proximidade das eleições no Brasil, discussões acerca de medidas que causem impacto nas atividades se tornam mais calorosas, com a apresentação de demandas. Apontadas por muitos como um dos grandes entraves para o crescimento da economia do país, a tributação e suas regras costumam liderar a pauta de reivindicações de muitos setores, incluindo a indústria cervejeira.

A alta carga tributária, a quantidade de diferentes impostos a serem recolhidos, o excesso de regras e a avaliação de que leis estão atrasadas em comparação ao avanço do mercado são alguns dos problemas com os quais o setor precisa conviver, causando maior impacto nas microcervejarias.

Pensando nisso, o Guia dá sequência à série de conteúdos sobre as eleições, depois de ouvir representantes de bares e das entidades da indústria. Em parceria, a Beer Business e a Associação Gaúcha de Microcervejarias (AGM) apresentam sugestões de como a tributação sobre o setor poderia ser modificada para contribuir com o desenvolvimento do segmento cervejeiro.

Para eles, a solução passa por uma reforma ampla, que reequilibre a tributação sobre os diversos setores da economia e das pessoas físicas que, ao final, são os clientes de qualquer cervejaria. E se ao menos uma reforma tributária não for realizada, é preciso pensar em ações que poderiam ajudar o setor de forma pontual, porém com grande impacto.

“Esperamos que os próximos governantes sejam sensíveis a essas pautas e que possam colaborar para o crescimento desse mercado e, consequentemente, da economia como um todo”, pontua a AGM e a Beer Business.

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Confira, a seguir, 7 propostas para melhoria da tributação e das atividades das cervejarias:

1) Correção da tabela do Simples
É urgente a correção para compensar a inflação acumulada desde o ano da criação desse regime. O Projeto de Lei Complementar 108/21, aprovado na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados, propõe diversas mudanças, entre elas, o aumento do limite de faturamento do Simples de R$ 4,8 milhões para quase R$ 8,7 milhões. Esse aumento, de cerca de 81%, trata apenas da correção do valor de acordo com a inflação acumulada desde 2006, segundo o IPCA.

2) Extinção da Substituição Tributária
Com esse sistema, todo o imposto que o produto pagaria ao circular na cadeia de distribuição é recolhido diretamente na cervejaria, antes da sua saída da fábrica. Desse modo, a cerveja fica mais cara, diminuindo sua competitividade.

3) Revisão das Margens de Valor Agregado propostas pelos governos estaduais
Como a cervejaria não pode adivinhar o preço pelo qual o produto vai ser vendido para o consumidor, no momento de calcular a Substituição Tributária, o governo estabelece o que seria o porcentual de valor adicionado ao produto até o momento de sua venda. No Rio Grande do Sul, por exemplo, a margem que o governo determina é de 140%. Ou seja, uma cerveja que sairia da fábrica por R$ 10 deveria recolher o imposto relativo a R$ 24. Entretanto, a grande maioria das cervejas é vendida por valores abaixo do valor resultante da aplicação da MVA, o que faz com que as cervejarias paguem mais imposto do que realmente deveriam. Apesar de existirem maneiras de solicitar que o valor considerado seja mais próximo do adotado pelo mercado, o caminho para isso muitas vezes não está claro e pode gerar distorções que tornem a situação ainda pior.

4) Crédito presumido do ICMS

Alguns estados já possuem incentivos para que as cervejarias possam se beneficiar de um crédito presumido de ICMS, que reduz a quase pela metade o valor desse imposto sobre as cervejas. Trata-se de algo extremamente positivo, porém esses créditos são limitados até determinados volumes de produção, que precisam ser ampliados para incentivar o crescimento das indústrias

Beer Business e Associação Gaúcha de Microcervejarias

5) Clareza na definição de microcervejaria
Atualmente, existem definições diversas em diferentes estados, e não há um entendimento comum em relação a esse ponto. O Rio Grande do Sul, por exemplo, considera como microcervejaria uma fábrica que produza até 3 milhões de litros por ano, enquanto em Santa Catarina e no Paraná o volume considerado é de 5 milhões de litros por ano.

6) Cotas para artesanais em eventos com recursos públicos
Outra pauta que precisa ser avaliada é a determinação de que, em eventos que contem com a utilização de recursos públicos para sua promoção, seja definido um porcentual mínimo de participação de cervejarias artesanais locais, sem a possibilidade de atuação exclusiva de grandes marcas. Em Santa Catarina, já existe uma determinação de participação de 20% de cervejas artesanais em eventos patrocinados com recursos públicos e no Paraná há a determinação de 20% de cervejas artesanais em recintos esportivos.

7) Enquadramento de cervejarias ciganas no Simples
Atualmente, a lei permite apenas que cervejarias que tenham registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) possam estar enquadradas nesse regime. Desse modo, resta para as cervejarias ciganas o enquadramento de distribuidora no regime de lucro presumido, o que diminui ainda mais a competitividade das marcas que, devido aos custos de terceirização, ficam em desvantagem no mercado. O enquadramento no Simples permitiria que mais marcas pudessem ser formalizadas e aumentaria o faturamento das fabricantes, que utilizam seus espaços ociosos para a produção para terceiros.

Produção de alcoólicas cresce 5,4% em julho e descola da indústria; veja análise

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Depois de registrar estagnação em junho, a fabricação de bebidas alcoólicas no Brasil aumentou 5,4% em julho, na comparação com o mesmo mês de 2021 e descolou do ritmo lento da atividade industrial brasileira.

O último balanço do IBGE confirmou que a produção industrial nacional subiu 0,6% no sétimo mês do ano na confrontação com junho. E na equiparação com julho de 2021, na série sem ajuste sazonal, houve recuo de 0,5%. Já no acumulado do ano, a queda é de 2%, enquanto no amontoado dos últimos 12 meses a retração aferida é de 3%.

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Em meio a este contexto de subida tímida da indústria e de perdas a longo prazo, a fabricação de bebidas alcoólicas reagiu de forma significativa em julho, eliminando parte dos recuos anteriores. Embora tenha aumentado mais de 5% em julho, o ritmo da produção em 2022 ainda é negativa em 2%. Já nos 12 meses imediatamente anteriores, a queda é de 4,9%.

Em análise divulgada na sequência da divulgação da Pesquisa Industrial Mensal, a XP Investimentos, no Monitor da Indústria de Bebidas, destaca que esperava uma expansão maior da produção de bebidas alcoólicas em julho. Ainda assim, mantém o otimismo para a sequência do segundo semestre.

“A produção de bebidas alcoólicas ficou um pouco abaixo das nossas estimativas (-1,1%), e uma vez que aplicamos a sazonalidade as estimativas para o 3T e 4T diminuem em 1,2%”, diz. “Entendemos que há novos fatores a serem considerados além dos dados históricos (ou seja, auxílios governamentais, eleições, Copa do Mundo) e, portanto, continuamos otimistas quanto ao consumo de cerveja no 2S22.”

O levantamento do IBGE confirmou expressivo crescimento na fabricação de bebidas não alcoólicas, que em julho saltou 20,7% na comparação com o mesmo mês de 2021. E no acumulado do ano a subida já é de 11,6%. Além disso, a elevação nos últimos 12 meses está em 2,8%.

Ao mesmo tempo, os analistas da XP relatam surpresa com a expressiva alta da produção de bebidas não alcoólicas em julho, ampliando suas projeções para o decorrer de 2022.

“A produção de bebidas não alcoólicas surpreendeu e ficou 6,6% acima das nossas estimativas, aumentando significativamente as estimativas para os meses seguintes ao aplicarmos a sazonalidade”, destaca.

Na produção de bebidas em geral, que leva em conta o somatório das com e sem álcool, o aumento contabilizado para julho foi de 12,7%. No amontoado dos primeiros sete meses de 2022, a subida é de 4,2%. Já nos 12 meses imediatamente anteriores, o índice fica negativo em 1,3%, sendo que na comparação entre julho e junho deste ano ocorreu redução produtiva de 0,7%.

Fonte: XP Investimentos

Produção de alimentos ajuda a puxar crescimento tímido
A pesquisa do IBGE revela que houve alta na produção de duas das quatro grandes categorias econômicas e em 10 dos 26 ramos investigados. O instituto destaca que a influência mais positiva foi constatada na fabricação de produtos alimentícios, com subida de 4,3% em julho. Coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, com um incremento de 2%, e indústrias extrativas, com 2,1%, também se sobressaíram no período.

Da mesma forma, produtos farmoquímicos e farmacêuticos, com elevação de 10%, de metalurgia (2%), de celulose, papel e produtos de papel (2,1%) e de outros equipamentos de transporte (5%) deram contribuições importantes.

Apesar disso, o setor industrial ainda se situa em um nível de atividade que está 0,8% abaixo do patamar pré-pandemia, de fevereiro de 2020, e é 17,3% inferior ao recorde produtivo atingido em maio de 2011.

 “O setor industrial ao longo do ano de 2022 vem mostrando uma maior frequência de resultados positivos. São cinco meses de crescimento em sete oportunidades. Nesses resultados observa-se a influência das medidas governamentais de estímulo e que ajudam a explicar a melhora registrada no ritmo da produção. Mas vale destacar que ainda assim a produção industrial não recuperou as perdas do passado”, explica o gerente da pesquisa do IBGE.

Antes de crescer 0,6% em julho, a produção industrial nacional havia caído 0,3% em junho, quando interrompeu quatro meses consecutivos de altas que acumularam expansão de 1,9% neste período. Entretanto, não há motivo para qualquer euforia, já que houve registros de índices negativos em 16 dos 26 ramos industriais pesquisados. “É um crescimento que se dá de uma forma muito concentrada neste mês de julho”, ressalta Macedo.

Ação da Ambev valoriza pelo 2º mês seguido e quase supera perdas do 1º semestre

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O segundo mês consecutivo de alta na B3, a bolsa de valores brasileira, levou a Ambev a praticamente recuperar as perdas do restante de 2022, especialmente do segundo trimestre do ano. A ação da principal cervejaria do mundo fechou o mês de agosto, na sessão da última quarta-feira, valendo R$ 15,27.

Isso representou valorização de 2,28% em relação ao fim de julho. E se ainda há perda em comparação ao término de 2021, ela é diminuta, de R$ 0,15 ou 0,97%. Além disso, esse recuo se dissipou nas duas sessões subsequentes, com o papel da Ambev encerrando a sexta-feira (2) com valor de R$ 15,48.

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Essa alta da ação da cervejaria em agosto acompanhou o ritmo do Ibovespa, o principal índice da B3, que terminou agosto em 109.522,88 pontos, o que representa variação positiva, de 6,16%, no mês. E é o que também lhe assegura valorização de 4,48% em 2022.

A avaliação de analistas é que a apresentação de balanços positivos por diversas empresas, relativos ao segundo trimestre, e a alta da ação da Petrobras, que tem peso relevante na composição do Ibovespa, explicam essa recuperação da B3 em agosto.

A dúvida, porém, é até quando esse otimismo dos investidores vai persistir, pois o banco central norte-americano já indicou que seguirá com a alta dos juros para conter a inflação, mesmo que isso provoque recessão econômica nos Estados Unidos, problema que também vem sendo visto como uma ameaça para a Europa e até para a China, com a adoção, novamente, de lockdowns por algumas cidades. E, tradicionalmente, a proximidade da eleição no Brasil sempre agita a bolsa em função das incertezas sobre o futuro.  

Mas dentro do cenário positivo para agosto, a ação da Ambev se colocou entre as 67 das 90 que compõem o Ibovespa que tiveram alta. Os principais destaques foram as empresas de tecnologia, com valorização de 73,18% da Positivo Tecnologia e de 38,11% da Locaweb, além das varejistas Magazine Luiza, com crescimento de 65,5%, e Via, com 34,17%. E o Top 5 também foi ocupado pela companhia aérea Azul, com alta de 40,58%. Já entre as 23 desvalorizações, Braskem (17,01%) e IRB (14,14%) tiveram perdas acima dos 10%.

No exterior
Fora do Brasil, na Bolsa de Valores de Nova York, a ação da Ambev repetiu o desempenho brasileiro e também se valorizou em agosto. O papel terminou o oitavo mês de 2022 cotado a US$ 2,90. Assim, teve alta de 2,84%, que agora é de 3,57% em 2022.

É, porém, um cenário oposto ao que se deu com as ações de AB InBev e do Grupo Heineken em agosto, na Europa. Com as perdas registradas, ambas ampliaram a desvalorização em 2022.

No caso da AB InBev, o papel terminou a última quarta-feira (31) valendo 48,35 euros, caindo 7,5% no mês, agora com queda de 9,07% no ano. Já o ativo do Grupo Heineken encerrou agosto com preço de 89,74 euros. Assim, sua desvalorização foi de 6,82% no mês. E está em 9,23% em 2022.

Balcão do Aloisio: Como foi a XXXIII Reunião Nacional de Pesquisa de Cevada

Balcão do Aloisio: Como foi a XXXIII Reunião Nacional de Pesquisa de Cevada

A XXXIII Reunião Nacional de Pesquisa de Cevada ocorreu nos dias 2 e 3 de agosto de 2022, no auditório da Embrapa Trigo, em Passo Fundo (RS). O evento teve como objetivo a apresentação de trabalhos de pesquisa desenvolvidos por instituições públicas e privadas para aprimoramento dos sistemas de produção de cevada no País.

A Reunião Nacional de Pesquisa de Cevada foi criada em 1981 e ocorreu anualmente até a 25ª edição, em 2005, quando passou a ser realizada a cada dois anos. É promovida em parceria por três instituições: a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, por meio do Centro Nacional de Pesquisa de Trigo (Embrapa Trigo), a Companhia de Bebidas das Américas (Ambev) e a Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária (Fapa), vinculada à Cooperativa Agrária Agroindustrial, sendo que, a cada edição, uma dessas instituições fica responsável pela organização, contando sempre com o apoio das outras duas.

A edição de 2022 foi organizada pela Companhia de Bebidas das Américas (Ambev) e reuniu mais de 100 nomes ligados ao cereal, tanto no cenário nacional quanto internacional, além de empresários, produtores rurais, assistentes técnicos e estudantes de graduação e pós-graduação. Além de avaliação das safras de 2019, 2020 e 2021, foram apresentados trabalhos na área de fitossanidade; genética, biotecnologia e melhoramento vegetal; e nutrição mineral de plantas, agrometeorologia, fisiologia e práticas culturais.

Um dos maiores problemas relativos ao cultivo da cevada cervejeira diz respeito à estabilidade na oferta de grãos com qualidade para atender às maltarias, principalmente no Rio Grande do Sul, onde as instabilidades do clima podem levar a um baixo aproveitamento dos grãos produzidos, em virtude de não se enquadrarem dentro dos padrões de qualidade necessários.

Para serem aproveitados na produção de malte, os grãos de cevada cervejeira devem apresentar teor de proteína entre 9,5% e 12%, germinação acima de 95%, apresentar um bom tamanho, com proporção de grãos da classe comercial 1 (aqueles que ficam retidos na peneira de 2,5mm de diâmetro) acima de 90% e baixa contaminação por micotoxinas.

Na safra 2021, com clima favorável, cerca de 70% dos grãos de cevada cervejeira produzidos no estado do Rio Grande do Sul foram aproveitados para a malteação. Em 2020, considerado um ano de clima desfavorável, apenas 41% dos grãos foram aproveitados. O desenvolvimento de cultivares com maior estabilidade na qualidade dos grãos e a melhoria nas técnicas de produção são fundamentais para garantir a qualidade dos grãos e promover o aumento da área cultivada com cevada cervejeira no Rio Grande do Sul.

Em cada edição do evento são atualizadas as indicações técnicas para cultivo da cevada cervejeira, com a disponibilização, até o final de 2022, da publicação “Indicações técnicas para a produção de cevada cervejeira nas safras 2023 e 2024”. Dentre as alterações a serem apresentadas estão a disponibilização de duas novas cultivares de cevada desenvolvidas pela equipe de pesquisa da Ambev, ABI Rubi e ABI Valente, para cultivo na região Sul do País visando produção de cevada cervejeira.

A 34ª edição da Reunião Nacional de Pesquisa de Cevada está marcada para abril de 2024 e ocorrerá em Guarapuava (PR), com realização da Fapa/Agrária e apoio da Embrapa e da Ambev.


Aloisio Alcantara Vilarinho é engenheiro agrônomo com doutorado em Genética e Melhoramento de Plantas. Pesquisador da Embrapa desde 2003, ele atua, desde novembro de 2019, como melhorista de cevada na Embrapa Trigo.

As características das 5 brasileiras medalhistas de ouro no World Beer Awards

A cerveja brasileira demonstrou seu valor na edição de 2022 do World Beer Awards, uma das mais importantes premiações cervejeiras do planeta, ao conquistar cinco medalhas de ouro na disputa por estilos da competição. Os ganhadores foram dois rótulos do tipo Pale (Red Sönja, da Stannis, eleita a melhor Beer Amber, e a Diavolo, da Noi, a vencedora da Biére De Garde & Saison), que se somaram aos triunfos da Wäls Dubbel, da Campinas IPA Zero e da Unika Caju & Pitanga, nas categorias Beer Belgian Style Dubbel. Melhor No & Low Alcohol IPA e Catharina Sour, respectivamente.

Entretanto, você já conhece as características destas cervejas brasileiras que brilharam no prestigioso concurso que contou com um total de 3.200 rótulos de mais de 50 países inscritos neste ano? Em reconhecimento aos feitos obtidos pelas marcas que produziram essas bebidas e com o objetivo de apresentá-las aos leitores, o Guia descreve os atributos e os insumos utilizados na composição dessas receitas premiadas com a medalha de ouro pelos juízes em Londres. Além disso, traz opiniões de representantes destas cervejarias, que festejaram as conquistas ao comentarem sobre seus produtos.

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Confira a seguir as peculiaridades de cada uma das cervejas medalhistas de ouro pelo Brasil no World Beer Awards de 2022:

Campinas IPA Zero, melhor No & Low Alcohol IPA
Ouro em uma das categorias de cervejas sem álcool ou de baixo teor alcoólico, a Campinas IPA Zero é fabricada com um processo de triplo dry hopping dos lúpulos norte-americanos Sabro e Citra, possui um aroma cítrico e intenso, além de apresentar o amargor característico de uma IPA.

Envasada em garrafas long neck de 355ml, a bebida tem apenas 68 calorias, 40 IBUs de amargor e 0,4% de álcool. O baixo teor alcoólico, por sua vez, exige que a sua pasteurização seja muito mais intensa do que a realizada na produção dos outros estilos da marca. Para atingir a melhor qualidade possível, a cerveja é submetida a controles finos de temperatura durante a brassagem e máxima assepsia no dry hop.

“Para a Cervejaria Campinas é muito importante participar de alguns dos melhores concursos de cervejas do Brasil e do mundo. O resultado das análises sensoriais feitas pelos jurados especializados nos ajudam com feedback e norte do que está sendo esperado para a IPA Zero. Ganhar uma medalha como essa recompensa todo o trabalho que vem sendo executado. A IPA Zero da Campinas é uma cerveja muito diferenciada e a maioria das pessoas que a experimenta não acredita que ela não tem álcool”, ressalta Giovanna Martinez, responsável pelo setor de marketing e relacionamento da cervejaria da maior cidade do interior paulista.


Noi Diavolo, melhor Biére De Garde & Saison

Medalhista de bronze no European Beer Star de 2018 e depois de prata no World Beer Awards de 2019, a Noi Diavolo, do estilo Belgian Strong Ale, manteve a sua escalada ao levar o ouro nesta edição da competição em Londres. Envelhecida em barril de carvalho anteriormente usado para o repouso do vinho Chardonnay, a bebida foi eleita a melhor “Biére de Garde & Saison”.

De coloração alaranjada escura, é produzida com um longo processo de envelhecimento para adquirir características vínicas, essa cerveja tem 8,6% de teor alcoólico, 16 IBUs de amargor e possui aroma e paladar de mel, limão, melão, uvas brancas e baunilha. Por essas características, harmoniza bem com peixes, frutos do mar e queijos maturados. 

“A Diavolo já tem uma história internacional, medalhou na European Beer Star, em 2018, mas o ouro no World Beer Awards traz um brilho diferente, principalmente neste ano, que temos ganhado muitos prêmios”, comemora Bárbara Buzin, diretora da Noi, ao comentar o feito obtido na capital inglesa. 

Stannis Red Sönja, melhor Pale Beer Amber

Cerveja com o nome da grande guerreira das histórias em quadrinhos do herói Conan, o Bárbaro, a Red Sönja é caracterizada pelo seu corpo avermelhado intenso e possui um aroma maltado, que proporciona dulçor inicial e gosto final torrado seco. Com 16 IBUs de amargor, 5% de álcool, sendo produzida com o lúpulo checo Saaz. A cerveja é uma Irish Red Ale vendida em garrafas de 355ml e 500ml.

“Por mais que a gente saiba da qualidade dos nossos produtos, graças ao cuidado empregado na produção, desde a escolha das matérias primas até o desenvolvimento de tecnologia e melhoria de processos, ganhar um concurso de tamanha importância quanto o World Beer Awards, onde nossa cerveja concorreu com amostras do mundo inteiro, nos alegra em chancelar essa qualidade”, ressalta Eric de Lima, coordenador de marketing da Stannis.

“Ter a melhor Pale Beer Amber do mundo, tem um gostinho especial porque a Red Sönja foi a primeira cerveja produzida comercialmente pela Stannis”, completa o profissional da marca.

Unika Caju & Pitanga, melhor Catharina Sour
Triunfando no World Beer Awards em uma categoria do primeiro estilo cervejeiro mundialmente reconhecido como brasileiro, a Caju & Pitanga, da Unika, mistura com sucesso os dois tradicionais frutos nacionais do seu nome na receita e consegue extrair do seu método de fabricação um sabor leve e refrescante, com baixo amargor, de 8 IBUs, e teor alcoólico de 5%.

De acidez marcante, é uma cerveja de trigo de alta fermentação que sempre tem adição de frutas em sua composição. E o rótulo premiado em Londres fez a cervejaria de Rancho Queimado (SC) celebrar sua décima medalha em concursos nacionais e internacionais no ano, sendo que essa foi a quinta de ouro.

Bruno Koerich, sócio-proprietário da Unika, ressalta como essa conquista expressiva na World Beer Awards é especial para a marca. “A Catharina Sour é um estilo nosso, do Brasil, e a Caju & Pitanga leva na receita esses dois ingredientes bem brasileiros. Essa mistura pode parecer improvável, mas o resultado mostrou que os dois sabores trouxeram uma identidade única para a cerveja, que é uma das mais de 36 produzidas ao longo do ano pela cervejaria de Rancho Queimado, em Santa Catarina”, comemora.

Wäls Dubbel, melhor Beer Belgian Style Dubbel

Rótulo premium que faz parte do portfólio da Ambev, essa cerveja é uma Belgian Strong Ale Dubbel que teve a sua alta qualidade premiada no World Beer Awards e coroou o bom desempenho da marca da maior cervejaria do Brasil na competição. De cor castanha escura, espuma densa e duradoura, além de aroma de frutas secas com notas de especiarias e maltes especiais, a bebida possui teor alcoólico de 7,5% e paladar com um gosto torrado persistente, levemente picante e bastante seco.

A receita da Wäls Dubbel é composta apenas por água, malte de cevada, açúcar, lúpulo, extrato de uva passa e levedura. Vendida em garrafas de 375ml fechadas com rolha e forte amargor, de 25,4 IBUs, essa cerveja harmoniza bem com carnes vermelhas gordurosas, carnes de caça, aves silvestres e sobremesas com toques de chocolate, segundo descreve a marca em seu site oficial.

“Ficamos muito felizes que a Wäls Dubbel surpreendeu o paladar de especialistas ao redor do mundo. É gratificante saber que fomos reconhecidos pela qualidade da nossa cerveja, entre tantos países, com paladares tão diferentes. Estamos voltando para casa não só com o sentimento de dever cumprido, mas também com muitos aprendizados e vontade para conquistar ainda mais horizontes”, afirmou Sybilla Geraldi, coordenadora de conhecimento e cultura cervejeira da Ambev.

Menu Degustação: Museu reaberto, festas cervejeiras em Joinville e Curitiba…

O início de setembro contará com uma atração turística repaginada. Nesta sexta-feira, a cidade de Blumenau (SC), ao comemorar o seu aniversário, vai reabrir o Museu da Cerveja, inaugurado em 1996 e que passou por reforma. Agora, o espaço conta com oito ambientes em uma cidade que se orgulha da sua tradição cervejeira.

O começo do mês também ficará marcado pela realização de várias festas cervejeiras. O fim de semana terá IPA Day em Joinville, Champions Beer em Campinas e Festival da Cultura Cervejeira Artesanal em Curitiba. O Guia traz um compilado das cervejarias que estarão presentes nesses eventos.

Leia também – Wäls, Campinas, Stannis, Noi e Unika levam 5 ouros para o Brasil no World Beer Awards

Confira essas e outras novidades do setor no Menu Degustação do Guia:

Reabertura do Museu da Cerveja em Blumenau
O aniversário de Blumenau, celebrado nesta sexta-feira (2), será marcado pela entrega de um novo equipamento turístico. O Museu da Cerveja de Blumenau reabrirá ao público, completamente reformulado, a partir das 9 horas. Excepcionalmente nesta data, moradores da cidade com comprovação de residência não pagarão pela entrada. A partir de agora, o espaço abrirá todos os dias, das 9h às 19h. Criado em 1996 apenas com equipamentos de antigas cervejarias, o Museu da Cerveja de Blumenau passou por readequação, que inclui ampliação do espaço, novos ambientes – são 8, no total – e experiência de visitação.

IPA Day em Joinville
Marcado para este fim de semana, o IPA Day de Joinville foi transferido para o domingo (4), das 11h às 22 horas, na Travessa Dr. Norberto Bachmann, em função da previsão de chuva no sábado. Haverá atrações musicais, feira de artesanato, 8 food trucks e 12 cervejarias com mais de 100 opções de chope. As marcas confirmadas são Haenschbier, Zeit, Bierval, Gutes Bier, todas de Joinville, Seasons, Locomotive, Faroeste, Stannis, Unika, Schornstein, Alfero e Bierbock, com a sua distribuidora tendo as opções das cervejarias Trilha, Equilibrew, Brooklyn, Fermi, Dogma, Ignorus, Brooklyn e Insana.

44 cervejarias em Curitiba
A 5ª edição do Festival da Cultura Cervejeira Artesanal acontece neste sábado e domingo (3 e 4) no Jockey Club do Paraná, em Curitiba. O evento é organizado pela Associação das Microcervejarias do Estado do Paraná e tem 44 marcas confirmadas. São elas: 4 Bodes, 4HOPS Brew, Alright, Araucaria, Asgard, Baptizein, Bastards, BenckeBier, BierHerr, Bodebrown, Bonato, Buddy Brew, Cerveja Fortuna, Cervejaria Danric, Cervejaria Lobos, Coice da Mula, Dash, DUM, Eden Bier, Evil Hops Brewing, Frohen Feld, Fumaçonica, Gastbier, Gauden, Ignorus, Insana, JOY Project, Maniacs Brewing CO, Masmorra, Moondri, Morada Cia.Etílica, Oak Bier, Ogre Beer, Ol Beer, Old Car, Palta, Providencia, Swamp, Turbinada, Van Duch, Vosgerau, Way Beer, Xama, Yule Brewing.

14 Cervejarias do Champions Beer
A 6ª edição da Champions Beer promete agitar a cidade de Campinas a partir desta sexta-feira. Serão 9 dias de evento, de 2 a 4 e de 6 a 11 de setembro, em uma estrutura montada no estacionamento do Galleria Shopping, que reunirá 14 microcervejarias. São elas: Campinas, Daoravida, Barossa, Tábuas, Landel, todas de Campinas, Sonora e Bierinbox, de Paulínia, as piracicabanas Leuven e Green Fish, a Berggren, de Nova Odessa, a Hausen, estabelecida em Araras, a Madalena, de Santo André, a Everbrew, de Santos, e a Brewto’s, de Vargem Grande Paulista. Nesta sexta, a principal atração é o show do IRA!. Já no dia 6, o destaque será a apresentação da banda Raimundos. O evento também terá a eleição da melhor cerveja pelo voto popular.

Craft Beer Ribeirão
O Polo Cervejeiro, Núcleo Setorial do Programa Empreender da Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto, promove na próxima semana – de 8 a 11 de setembro – o 1º Festival Craft Beer Ribeirão. O evento terá um festival com 20 cervejarias. Simultaneamente, vai ocorrer a 10ª edição da South Beer Cup, assim como a 1ª Copa Paulista de Cerveja Artesanal, aberta a todas as cervejarias registradas no estado.  Para os empresários, o Craft Beer terá um “meeting cervejeiro” e uma feira de negócios paralelos ao festival.

Gastronomia da São Paulo Oktoberfest
Marcada para o período de 7 a 23 de outubro (nas sextas-feiras, sábados e domingos), no Ginásio do Ibirapuera, a São Paulo Oktoberfest terá menu com 80 opções de pratos e petiscos: de joelho de porco à coxinha de costela; os salsichões; novidades veganas, como chips batata doce com guacamole, e sobremesas. A gastronomia do festival terá a curadoria do chef Marcos Baldassari, que se destacou no MasterChef, e é apresentador do programa Cozinha Amiga na TV Gazeta.

Ambev no combate à fome
A Ambev fez uma parceria com a startup social Comida Invisível que vai conectar estabelecimentos, como restaurantes, bares, mercados e supermercados, que queiram doar alimentos a quem precisa. Pontos de vendas da região oeste do Rio de Janeiro, cadastrados no BEES, a plataforma B2B da companhia, podem solicitar cadastro junto à startup social, que atua com soluções de combate ao desperdício de alimentos. O cadastro dos PDVs na plataforma é financiado pela Ambev, que também participa da iniciativa com a doação dos alimentos de seu centro de distribuição. Serão 17 toneladas no primeiro mês.

Estrella Galicia e Anavitória
O SON Estrella Galicia, iniciativa da cervejaria espanhola que estimula a cena cultural, retornou com a participação da dupla Anavitória. O projeto é dividido em 4 episódios, com uma entrevista exclusiva com as cantoras, um bate papo sobre cerveja, o encontro com o cantor e compositor Rubel e uma música inédita, gravada para celebrar a parceria com a marca. A transmissão será realizada pelo YouTube da Estrella Galicia.

Tampinha premiada
O Grupo Heineken lançou a campanha Tampinha Premiada 2022 em que, na compra de uma cerveja com embalagem retornável de 600ml ou 1l, os consumidores têm a chance de ganhar outra. São mais de 1 milhão de tampas premiadas. A promoção é válida até o final de outubro, em todos os bares parceiros da empresa. As marcas participantes são Eisenbahn, Amstel, Devassa, Schin, Kaiser e Glacial.

Novo lote de Gose
A Cruls Cervejaria, de Santa Maria (DF), lançou o lote de 2022 da Gose Alecrim e Tomate, cerveja que recebe sal e passa por infusão de alecrim e tomate. A GAT já está disponível em lata e em chope, com venda no site da cervejaria e em pontos especializados. Ela tem 4,8% de graduação alcoólica e 6 IBUs de amargor.

E-commerce da Lagoon
A cervejaria Capim Branco lançou, recentemente, os sites da Cerveja Lagoon e do seu destilado, o gin Noveau. A proposta é que os sites sejam um portal de venda de bebidas artesanais e premium de Minas Gerais. “Percebemos o crescimento nas vendas pela internet e por isso, resolvemos melhorar esses canais e criar um para cada bebida”, diz Thiago Carneiro, gerente comercial das marcas.

Projeto Manipueira é lançado com 37 marcas e brassagem; veja próximos passos

Tendo a adesão de 37 marcas, o Projeto Manipueira foi lançado oficialmente, em São Paulo, com a realização de uma brassagem experimental, em evento promovido pela Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), apoiadora da empreitada. A iniciativa visa explorar o líquido extraído na prensagem da mandioca durante a produção de farinhas e tapioca para criar cervejas selvagens a partir da variedade de elementos encontrados em solo nacional.

O encontro foi realizado na Cervejaria Nacional, que acaba de se tornar mais uma das 37 marcas que aderiram ao Manipueira, composto por fábricas de dez estados brasileiros e do Distrito Federal. Com um nome que significa “o que brota da mandioca”, na língua Tupi, o projeto nasceu de uma parceria entre as cervejarias Cozalinda, de Florianópolis (SC), e Zalaz, de Paraisópolis (MG), ambas especialistas na produção com fermentação selvagem usando barris de madeira. E rapidamente foi ampliado com o interesse crescente de outras fabricantes.

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As marcas esperam começar a colher as primeiras impressões sobre as características da cerveja com a manipueira em um ano. O período é necessário para a maturação da bebida em barris de madeira em um processo de envelhecimento no qual os cervejeiros vão adicionar leveduras tipicamente brasileiras. Ao extraí-las do subproduto da mandioca e com insumos nativos de suas cidades, as marcas deixarão os microrganismos agirem na fermentação, com o objetivo de obterem sabores e aromas únicos com este processo.

No encontro, Bia Amorim, sommelière de cervejas, Aline Smaniotto, também sommelière e antropóloga, e Ana Carolina Carvalho, cientista e doutora pós-graduada em biotecnologia apresentaram detalhes do projeto. “Grande parte das cervejarias brassou hoje (dia 31), fez o mosto cervejeiro e a adição da manipueira como microrganismo que vai fermentar tudo isso. E daqui a um ano entenderemos sensorialmente o que esse projeto nos entregará. Mas, ao longo destes 12 meses, temos muito trabalho a fazer, de comunicação, de cultura, de brasilidade”, destaca Bia, em entrevista ao Guia.


Aline destaca que o projeto, ao buscar o terroir brasileiro da cerveja, dialoga com a história nacional, pois a mandioca foi um alimento inicialmente cultivado pelos indígenas, antes mesmo da chegada dos colonizadores. E, ao longo do tempo, se espalhou pelo país, com uma diversidade de características.

“É uma oportunidade de dialogar com outros saberes, com a herança da mandioca que vem dos quilombolas, as comunidades indígenas, os pequenos agricultores que permitiram que hoje se tenha a multiplicidade de mandiocas pelo Brasil para se ter esse projeto. Poder desenvolver disso uma levedura selvagem representa uma pitada muito rica de sabor e saberes”, diz.

A experiência inédita também une a fabricação cervejeira ao antigo método de envelhecimento da bebida por meio da fermentação de microrganismos. E Bia relata que a ideia, com isso, é poder criar um “megablend” por meio dos diferentes resultados a serem obtidos. “A grande conquista é ter um respiro de inovação, de novas tecnologias, de novos formatos de se fazer cerveja no Brasil, utilizando um conhecimento ancestral junto com a tecnologia do século XXI”, comenta.

Visibilidade para as artesanais brasileiras
Gilberto Tarantino, presidente da Abracerva, também esteve presente ao evento na Cervejaria Nacional, celebrou a aceitação do projeto e a união que vem promovendo, além de destacar o ineditismo. Ele enfatiza que o projeto está ajudando a fortalecer o setor da artesanais, pois traz protagonismo e dá visibilidade para as cervejarias participantes.

É um projeto muito gostoso, que une cervejarias do Brasil inteiro. Vamos agregar e aumentar a nossa capacidade de exposição, chamando mais atenção do público e da imprensa. Trazer os concorrentes é adição, não subtração. E eu acredito que todas essas cervejarias que estão participando do projeto compartilham desta mesma opinião

Gilberto Tarantino, presidente da Abracerva

Carola Carvalho espera que o projeto ajude a expor o potencial da cerveja brasileira, com suas características únicas, pelo potencial de explorar elementos da biodiversidade.

“Foi emocionante ver várias cervejarias engajadas, juntas, fazendo uma brassagem coletiva. E com o pessoal que encabeçou o projeto empolgado, se dedicando para mostrar que temos potencial de criar uma escola cervejeira, de mostrar que o nosso terroir é fantástico, é importante através das cervejas selvagens”, afirmou a cientista.

Carola aposta, inclusive, que além das 37 cervejarias envolvidas oficialmente no Manipueira, o projeto também deverá ter a adesão de outras marcas do segmento, em uma iniciativa que vai unir representantes de diferentes regiões. “Sabemos que são quase 40 cervejarias oficiais incluídas no projeto, sem contar os cervejeiros caseiros e outras cervejarias pequenas, artesanais que vão entrar no projeto em paralelo. E você precisa pensar ainda que todas essas cervejarias estão espalhadas pelo Brasil”, destaca.

Veja a lista de cervejarias que já fazem parte do Projeto Manipueira:

3 Orelhas (Gonçalves-MG)
Ade Bier (Castro-PR)
Alem Bier (Flores da Cunha-RS)
Amazon Beer (Manaus-AM)
Armada (São José-SC)
Blumenau/Mestres do Tempo (Blumenau-SC)
Caatinga Rocks (Maceió- AL)
Cabôca (Belém-PA)
Cervejaria Nacional (São Paulo-SP)
Cozalinda (Florianópolis-SC)
Cruls (Brasília-DF)
Devaneio do Velhaco (Porto Alegre-RS)
Donner (Caxias do Sul-RS)
Fermentaria Local (Jarinu-SP)
Graja Beer (São Paulo-SP)
Haus (Blumenau-SC)
Hop Mundi (Natal-RN)
IFSP Cervejaria Escola (Sertãozinho-SP)
Infected Brewing Co (Santos-SP)
Japas (São Paulo-SP)
Kairós (Florianópolis-SC)
Marek (Charqueada-RS)
MinduBier (Lauro de Freitas-BA)
Narcose (Capão da Canoa-RS)
Pestana (São Paulo-SP)
Pineal (Sorocaba-SP)
Prisma (Campo Limpo Paulista-SP)
Proa (Salvador-BA)
Quinta do Belasca (Pinhalzinho-SC)
São Sebastião (Nova Lima-MG)
Sarapó (Novo Airão-AM)
Suricato (Porto Alegre-RS)
Tarantino (São Paulo-SP)
Trilha Cervejaria (São Paulo-SP)
Unika (Rancho Queimado-SC)
Way Beer (São José dos Pinhais-PR)
Zalaz (Paraisópolis-MG)

Agora com cidade de São Paulo em 1º, Brasil chega a 1.549 cervejarias registradas

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O Brasil terminou 2021 com 1.549 cervejarias registradas no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). O dado representa alta de 12% em relação ao ano anterior e está presente no Anuário da Cerveja de 2021, documento divulgado nesta quarta-feira (31) no evento “Confraria Sindicerv: Números do Setor”, realizado pelo Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), em parceria com o Mapa, em São Paulo, que ultrapassou Porto Alegre e se tornou a cidade brasileira com mais cervejarias registradas.

“Os dados do Anuário da Cerveja 2021 demonstram que o setor cervejeiro vem evoluindo quantitativamente e qualitativamente e resiliente às crises internas e externas. O aumento do número de cervejarias e cervejas ano a ano exemplificam a expansão do mercado, o que evidencia que a atividade cervejeira caminha firmemente dia após dia”, afirma o diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal do Mapa, Glauco Bertoldo.

Fonte: Anuário da Cerveja 2021

Embora a indústria cervejeira brasileira tenha apresentado expansão no ano passado, esse crescimento foi o menor porcentualmente do setor desde 2010, quando o País saltou de 105 para 114 estabelecimentos registrados no Mapa, um crescimento de 8,6%.

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O Anuário da Cerveja de 2021 aponta que 200 novas cervejarias foram registradas no Mapa no ano passado, com 34 cancelando seus registros. Esse salto de 166 estabelecimentos também foi o menor numericamente desde 2016, quando havia sido de 161, de 332 para 493.

“Atravessamos a pandemia e estamos com 1.549 cervejarias e mais de 35 mil produtos. É mais um elemento para trabalhar o orgulho do Brasil de ser o terceiro maior produtor de cerveja do mundo”, afirma Luiz Nicolaewsky, superintendente do Sindicerv, também lembrando que o volume de vendas atingiu o patamar de 14,3 bilhões de litros no ano passado, de acordo com levantamento realizado para a entidade pela empresa de pesquisa de mercado Euromonitor International.

As regiões Sul e Sudeste concentram a maior parte das cervejarias brasileiras, com um total de 85,8%, além de terem os sete estados com mais registros. São Paulo continua sendo o estado com mais cervejarias inscritas no Mapa, com um total de 340, seguido pelas 285 do Rio Grande do Sul. Em relação a 2020, porém, há uma mudança no Top 3, com Santa Catarina tendo ultrapassado Minas Gerais ao chegar às 195 cervejarias, 6 a mais do que o estado do Sudeste.

Dois estados apresentaram redução no número de cervejarias registradas no Mapa em relação a 2020, segundo o Anuário da Cerveja de 2021: o Rio Grande do Norte e o Amazonas, que perderam um estabelecimento no balanço entre aberturas e fechamentos, passando a contar com 19 e 4, respectivamente.

Por outro lado, o maior saldo positivo foi de São Paulo, com uma expansão de 55 estabelecimentos. Assim, ampliou a liderança assumida em 2019. Outro crescimento que chama a atenção é o do Espírito Santo, sétimo estado com mais estabelecimentos – 57 – e um avanço de 39% em comparação aos 41 de 2020.

O material também aponta que o Brasil possui uma cervejaria para cada 137.713 habitantes. Porém, em quatro estados, essa densidade é menor do que 100 mil habitantes, com destaque para os 37.633 de Santa Catarina, seguido por Rio Grande do Sul (40.234), Espírito Santo (72.079) e Paraná (73.402).

São Paulo se destaca
A expansão de cervejarias em solo paulista é impulsionada pela capital São Paulo, que se tornou a cidade brasileira com mais estabelecimentos – 51, 12 a mais do que em 2020. Ela é seguida por Porto Alegre, até então líder, agora na segunda posição, com 43 (eram 40 em 2020), Curitiba, com 25, Nova Lima (MG), com 22, e Caxias do Sul (RS), com 19.

Assim, São Paulo, que já era desde 2019 o estado com mais cervejarias no Brasil, também tem a cidade líder nesse quesito, a sua capital. Além disso, é o estado com mais municípios com cervejarias – 148 – contra os 125 do Rio Grande do Sul, os 94 de Minas Gerais e os 85 de Santa Catarina.

A arrancada no desenvolvimento do parque cervejeiro se deu primeiro nos estados do Sul. Mas com a população que tem e a questão econômica, era natural que São Paulo superasse todos os outros, sendo um caso à parte

Glauco Bertoldo, diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal do Mapa

O Anuário da Cerveja de 2021 também aponta que o Brasil conta com estabelecimentos em 672 municípios, uma expansão de 10,3% na comparação com os 609 de 2020. Ou seja, existe pelo menos uma cervejaria registrada em 12,5% dos municípios do País.

A desaceleração no crescimento de cervejarias em 2021 também se deu no número de produtos registrados no Brasil. São, agora, 35.741, uma alta de apenas 5,2% em relação aos 33.963 de 2020. São Paulo lidera essa relação, com 10.104 produtos, entre os estados, mas é Porto Alegre a cidade com mais cervejas registradas – 1.581 –, à frente de São Paulo, com 1.549, e Nova Lima, com 1.126.

Fonte: Anuário da Cerveja 2021

Guia nas Eleições: Indústria quer desburocratização para gerar mais empregos

Às vésperas das eleições que definirão o presidente da República, além de governadores, senadores e deputados no Brasil, as principais entidades representativas da indústria da cerveja esperam que o novo ciclo seja marcado por mais justiça tributária e desburocratização, o que deverá ajudar na expansão da atividade e na geração de mais empregos.

Estas foram demandas apresentadas pelos líderes da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abraverva) e da Federação Brasileira das Cervejarias Artesanais (Febracerva), assim como no posicionamento oficial do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv) para a segunda da série de reportagem do Guia sobre reivindicações para as eleições, que foi iniciada na última semana com foco nos bares e restaurantes.

O presidente da Abracerva, Gilberto Tarantino, clama por condições mais favoráveis a um desenvolvimento sustentável para os empreendedores da cadeia da cerveja no Brasil. “Hoje, mais de 2.200 projetos de leis, em diversas esferas do Legislativo, buscam criar dificuldades na produção, venda ou consumo da cerveja. Uma das expectativas sobre os próximos governantes é a de que nos deem segurança para trabalhar e gerar empregos.”

O Sindicerv, entidade que representa a Ambev e o Grupo Heineken no Brasil, ressalta a necessidade de um sistema fiscal mais justo, cobrando a redução das burocracias que dificultam não só a indústria da cerveja, mas também outros setores produtivos no país.

“A indústria brasileira – tendo o setor da cerveja como um grande player – está atenta aos principais movimentos da agenda de desenvolvimento econômico e social do País e considera como pontos importantes para o setor a previsibilidade no ambiente de negócios e reformas estruturantes, como a reforma tributária”, analisa o Sindicerv, por meio de comunicado oficial enviado à reportagem, apontando que o segmento pode ser importante alavanca para a retomada do crescimento econômico. 

Em linhas gerais, trata-se de um caminho mais próximo ao que o setor industrial aguarda: um sistema tributário que reduza a burocracia, o contencioso jurídico e a complexidade, com segurança jurídica e sem o aumento de carga tributária para os brasileiros. Sendo bem conduzida pelo governo eleito será fundamental para a retomada econômica, a geração de empregos e o aumento da renda da população brasileira

Sindicerv

Giba também defende a necessidade de aumento do teto de faturamento do Simples Nacional, hoje em R$ 4,8 milhões. “Esperamos por uma adequação no sistema tributário. Hoje, a Abracerva está engajada na aprovação da atualização do teto do Simples Nacional, um projeto de lei que está tramitando no Congresso e que depois irá para sanção do presidente. Isso pode acontecer ainda neste ano ou no próximo mandato. Mas é importante que os governantes desonerem nossa cadeia, que é intensiva na geração de emprego de qualidade e renda.”

Outra demanda apresentada pelo presidente da Abracerva é a saída das cervejarias do sistema de Substituição Tributária, que em alguns casos força a realização de pagamentos adicionais em casos em que são recebidos produtos já tributados em outros estados.

“Um tema que os próximos representantes nos estados precisam olhar é a presença das cervejas artesanais no regime de Substituição Tributária. Ele penaliza em especial as pequenas empresas, prejudicando o fluxo de caixa e envolvendo os pequenos empresários em um emaranhado burocrático muito grande”, comenta Giba Tarantino.

Por sua vez, Marco Falcone, presidente da Febracerva e da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Cerveja, órgão ligado ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), defende medidas de apoio aos pequenos empreendedores da indústria da cerveja.

“A gente anseia que o governo enxergue justiça tributária, algo que não envolve apenas imposto mais barato, mas que quem for menor e tiver mais dificuldade de empregar mais funcionários, pague o imposto mais justo”, afirma Falcone. “A Febraceva entende que essa injustiça tem de ser corrigida. Acho que até as grandes cervejarias também entendem isso e queremos que, na questão das resoluções para este setor, haja uma complacência maior do governo.”

Falcone também avalia que as cervejarias artesanais precisam ser enquadradas de forma mais adequada. “Uma coisa muito importante é a questão de regulamentação e fiscalização. Precisamos ser tratados como pequenas empresas. As microcervejarias hoje fazem função importantíssima, não só cultural, mas econômica no país, ao passo que empregam muito mais funcionários por litro gerado do que as grandes cervejarias.”

Exportação e embalagens
O presidente da Febracerva também ressalta a importância da criação de um plano para fortalecer o Brasil como exportador de cerveja. Em 2021, por exemplo, a exportação brasileira de cerveja de malte, incluindo Ale, Stout e Porter, gerou receita de US$ 131,5 milhões, de acordo com dados do Sistema Integrado de Comércio Exterior, coletados pelo Guia. O fato representou um aumento de quase 42% em relação aos US$ 92,8 milhões vendidos ao mercado externo em 2020.

“Outro projeto que nós temos, já que a cerveja artesanal brasileira é reconhecida mundialmente hoje como produto de alto valor agregado, seria fazer uma um plano de exportação”, aponta Falcone.

Além dos pedidos por reforma tributária e pela desburocratização para alavancar o crescimento, as entidades que representam a indústria da cerveja cobram apoio dos futuros ganhadores das eleições para lidar com desafios recorrentes, como a escassez de embalagens.

Precisamos do apoio governamental para resolver uma série de desafios do setor. Temos falta de vidro, então estamos desenvolvendo dentro da Câmara Setorial do Mapa uma política reversa de resíduos para o reaproveitamento de vidros. Nós temos um problema grave com gás também, que está em falta. Esse governo tem de botar a mão nisso e ter pulso firme porque não é um assunto difícil de resolver

Marco Antônio Falcone, presidente da Febracerva

Mikkeller fecha cervejaria em San Diego e deixa de ter produção própria nos EUA

A cervejaria artesanal Mikkeller, uma das mais renomadas do mundo, deixará de ter produção própria nos Estados Unidos. A companhia dinamarquesa anunciou o fechamento da sua unidade em San Diego, na Califórnia, que tinha capacidade para 30 mil hectolitros, além do espaço para degustação.

Com a decisão, a Mikkeller voltará a fabricar cerveja com terceiros, de modo cigano, nos Estados Unidos. A AleSmith Brewing Company, que também está instalada em San Diego, será a responsável pela produção.

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“Dois anos de Covid e o difícil ambiente atual de aumento de custos afetaram o negócio internacional de cerveja e, infelizmente, a Mikkeller não é exceção”, explica a marca artesanal dinamarquesa em comunicado à imprensa.

O fundador da Mikkeller, Mikkel Bjergso, citou o cenário adverso da economia para justificar a saída da empresa dos Estados Unidos. Em 2018, a marca já havia deixado de operar a sua cervejaria e choperia em Nova York, que ficava localizada no Citi Field, estádio onde atua o New York Mets, time de beisebol.

“Esta foi uma decisão muito difícil para nós e vem com muita dor de cabeça para os funcionários da Mikkeller, afetados pelo fechamento. As dificuldades enfrentadas pela indústria da cerveja artesanal e pela economia em geral são conhecidas de todos; problemas da cadeia de suprimentos, custos crescentes e condições instáveis ​​do mercado pós-pandemia, apenas para citar alguns. Infelizmente, isso significa que não é mais sustentável continuar operando nossa cervejaria em San Diego”, explica.

De acordo com dados da Brewers Association, a unidade da Mikkeller em San Diego produziu 10.418 barris de cerveja em 2021. E a empresa vinha sofrendo forte queda na venda de cervejas, que caiu 29% nos Estados Unidos em um ano, segundo dados da empresa de pesquisa de mercado IRI, divulgados no início de agosto.

Além disso, houve problemas de gestão em San Diego, com a fábrica sendo foco de inúmeras reclamações de funcionários sobre condições de trabalho inseguras, assédio e bullying, problemas que os funcionários da Mikkeller em outros países ecoaram.

A empresa, no entanto, assegura continuar comprometida com os Estados Unidos. Para confirmar isso, prometeu que lançará, ainda neste ano, suas cervejas sem álcool no mercado norte-americano, a Drink’in the Sun e a Weird Weather. E a companhia seguirá operando as suas unidades de varejo em São Francisco e no bairro de Little Italy, em San Diego.

Além disso, fechou o acordo para que a AleSmith Brewing Company produza as suas cervejas. Os donos das marcas têm uma longa relação de amizade e comercial, tanto que em 2016 a cervejaria dinamarquesa adquiriu uma fábrica da parceira, em San Diego, onde operava até agora.

A Mikkeller opera três cervejarias em Copenhague e Londres, também possuindo acordo para produção na belga De Proef Brouwerji, responsável por 90% do seu volume de bebidas. O modelo cigano, então, vai se expandir a partir do contrato firmado com a AleSmith, nos Estados Unidos. Fundada em 2003, a marca dinamarquesa opera 48 bares e restaurantes em 18 países diferentes ao redor do mundo. Já as suas cervejas chegam a cerca de 50 países.

Recentemente, a Mikkeller também passou por mudanças na gestão, com a saída do CEO Kenneth Madsen. Quando desse anúncio, também relatou que se concentraria menos na expansão e mais em melhorar os ganhos financeiros, além de fortalecer a sua marca.