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Ação da Ambev cai 10,6% no mês, mas analistas aprovam alta do preço das cervejas

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Em um mês marcado pela preocupação dos mercados financeiros com o risco de uma nova crise global provocada pela derrocada da empresa imobiliária chinesa Evergrande, a ação da Ambev não resistiu ao cenário adverso e desvalorizou 10,53% em setembro. A boa notícia – ao menos para seus acionistas – é que o aumento nos preços das suas cervejas, revelado no fim do mês, foi visto por analistas como positiva para a saúde financeira da companhia.

A ação da Ambev fechou setembro com valor de R$ 15,30. O papel perdeu, assim, R$ 1,80 do seu valor em um mês. E o impacto foi tão grande que a ação passou a registrar desvalorização em 2021, de 2,85%.

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O tombo se iniciou na sequência das manifestações de teor golpista lideradas pelo presidente Jair Bolsonaro em 7 de setembro, com a ação desvalorizando 5,69% apenas no pregão do dia 8. Assim, a queda não tem muita relação com a decisão da companhia de aumentar o preço da cerveja, definida na última semana de setembro.

Analistas, inclusive, aprovaram a alta. Mas ela não reverteu o cenário de desvalorização da ação da Ambev, que iniciou a última semana de setembro com preço de R$ 15,84 e a fechou, já no primeiro dia de outubro, valendo R$ 15,27.

O Bradesco BBI, por exemplo, fez uma extensa análise sobre o aumento dos preços das cervejas pela Ambev e apontou que ele ficou próximo da sua estimativa. Embora a companhia não tenha revelado detalhes da alta, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) indicou que ela foi de 6% a 10%, dependendo do estado.

“O aumento de preço de 5% a 6% citado parece amplamente em linha com a nossa estimativa de uma alta de 6,5% no preço da cerveja no Brasil no quarto trimestre, com nossa receita líquida consolidada da Ambev sendo 3% acima do consenso no trimestre”, afirma o relatório do Bradesco BBI.

Essa flexibilidade no reajuste também foi lembrada em uma análise do Credit Suisse. “Os preços variam entre canais, marcas, pacotes e regiões, observando a abordagem mais flexível da Ambev em seu lançamento.”

A equipe de analistas do Bradesco BBI ainda não enxerga a possibilidade de a Ambev perder participação no mercado para a Heineken em função da alta dos preços. E também avalia que os efeitos desse aumento serão abrandados por se dar em um momento de aceleração do consumo.

“Esse risco é mitigado pelo nosso entendimento de que a Heineken terá restrições de capacidade que provavelmente durarão até 2023 (quando ela planeja abrir uma nova planta) e também levando em conta o fato de que o quarto e o primeiro trimestres são aqueles em que a demanda é sazonalmente mais forte”, avalia o Bradesco BBI.

Assim, as equipes de análise dos dois bancos de investimento mantêm o indicativo de compra da ação da Ambev, com o Bradesco BBI definindo um preço-alvo de R$ 21, enquanto o do Credit Suisse fica em R$ 21,50.

Outras ações
A queda de mais de 10% da ação da Ambev foi expressiva, mas houve perdas ainda mais relevantes em setembro na B3, a bolsa de valores brasileira. As maiores foram as das ações do Banco Inter, sendo de 31,18% no papel unit e de 28,56% no preferencial. O banco foi seguido por três varejistas com foco no e-commerce: Via (25,79%), Americanas (25,24%) e Magazine Luiza (21,38%).

Já entre as altas, destaque para os frigoríficos: Marfrig (33,36%), Minerva (25%), JBS (18,93%) e BRF (15,67%). O “penetra” no Top 5 foi a PetroRio, com valorização de 30,52%.

Bovespa também cai
O cenário da Ambev em setembro foi semelhante ao do Ibovespa, o principal índice da B3. Ele caiu aos 110.979,10 pontos ao fim do pregão da última quinta-feira. Desvalorizou, assim, 6,57% no mês. E isso representa o pior desempenho desde março de 2020, logo quando a OMS declarou a pandemia do coronavírus. Assim, o Ibovespa ampliou as suas perdas em 2021, agora em 7,12%.

E não faltaram motivos para isso. Prévia da inflação oficial, o IPCA-15 de setembro chegou aos 10,05%, com o mercado projetando que o IPCA fechará 2021 a 8,45%, bem acima da meta definida pelo Banco Central, de 3,75%. Sempre muito cioso do ajuste fiscal, o mercado também tem se preocupado internamente com a proposta do governo federal de dar calote em parte dos precatórios de 2022, com o intuito de ter mais espaço para atingir o teto de gastos.

Além disso, com a intenção de turbinar o novo Bolsa Família, que se chamará Auxílio Brasil, o governo subiu o IOF. E logo quando o endividamento das famílias é crescente, tendo chegado aos 72,9%, de acordo com pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo.

No campo político, o cenário não é menos ruim. No 7 de setembro, afinal, Bolsonaro convocou manifestações de teor golpista, ameaçou não cumprir decisões do STF e chamou Alexandre Moraes, ministro do tribunal, de “canalha”, para dias depois, com o auxílio do ex-presidente Michel Temer, escrever uma carta em que pedia desculpas pelo seu ato.

Esses problemas internos se somaram a desafios externos, o principal deles vindo da China, onde a sua segunda maior incorporadora, a Evergrande, está à beira do colapso.

Queda global
A desvalorização da ação da Ambev em setembro no mercado brasileiro se repetiu com as duas principais indústrias cervejeiras do mundo na Europa. O papel da AB InBev terminou o mês com preço de 49,15 euros, o que representou perda de 5,46%. Já em 2021, sua desvalorização está em 13,79%.

A queda da ação da Heineken, por sua vez, foi menor. Ao fechar setembro com preço de 90,20 euros, caiu 2,70% em um mês. No ano, sua perda de valor fica, até agora, em 1,12%.

Menu Degustação: Ações da Hoegaarden na primavera, Oktober com IPA no ABC…

A semana ficou marcada por iniciativas que unem o setor a datas especiais. É o caso de dez cervejarias do ABC paulista, que se uniram para a realização de uma Oktoberfest focada nas cervejas do estilo IPA, a IPAtoberfest. Aproveitando a chegada da primavera, por sua vez, a Hoegaarden preparou uma série de ações especiais aos seus consumidores.

Já a marca Petra foi além da cerveja para lançar duas versões de água tônica com fórmula exclusiva. E a Läut fechou parceria para ser oferecida ao público frequentador do Bolão, um dos mais tradicionais pontos boêmios de Belo Horizonte.

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Confira estas e outras novidades da semana no Menu Degustação do Guia:

Oktoberfest com IPA
Santo André vai receber no próximo fim de semana, nos dias 9 e 10, a IPAtoberfest, contando com as participações das cervejarias Animal Beer, Bloco 7, Calmaria, Dutra Beer, Menze Brewing, Moret, Santa Cevada, São Bernardo do Campo, Suméria e T-Rex Beer. A Oktoberfest da IPA, com entrada gratuita, terá torresmo de rolo e lanche de pernil, sendo realizada na Animal Beer, no bairro Vila Alzira. Quem levar 1kg de alimento, participa de sorteios de prêmios. Com foco nas cervejas do estilo IPA e suas variáveis, essa Oktoberfest também oferecerá cervejas dos estilos Lager, Sour e Ginger Beer, entre outras. Os preços variam conforme o estilo da cerveja, indo de R$ 10 a R$ 25 para copos de 500ml.

Primavera da Hoegaarden
Para celebrar o início da primavera, a Hoegaarden preparou uma série de ações para os consumidores, com um convite para as pessoas relaxarem e se conectarem com a natureza. Em uma iniciativa junto a influenciadores, a marca vai desafiar as pessoas a encontrarem os “jardins secretos” escondidos em perfis no Instagram. Em outra parceria com a Escola de Botânica, há uma agenda repleta de atividades. Dessa forma, os consumidores poderão participar de cursos, com aulas presenciais e online, e aprender cada vez mais sobre o tema com podcasts especiais. Já uma parceria com a Cidades.co vai revitalizar uma praça na cidade de São Paulo.

Água tônica da Petra
Pertencente ao Grupo Petrópolis, a marca Petra acaba de lançar duas versões de água tônica com fórmula exclusiva: amargor marcante e sabor levemente adocicado. Os produtos foram desenvolvidos nas versões regular e zero açúcar, com diferenciais entre as opções disponíveis: ausência de conservantes e 38% menos açúcar na versão regular. A nova água tônica Petra é produzida e envasada na fábrica do grupo em Teresópolis (RJ), de onde será distribuída para todo o Brasil.

Läut no Bolão
A marca mineira fechou uma parceria para ter um local de venda especial das suas cervejas e chope em Belo Horizonte: o restaurante Bolão, tradicional ponto boêmio, gastronômico e que ganhou ares de atração turística, tendo feito 60 anos recentemente.

Nova unidade da Beer Mad
A Beer Mad anunciou a inauguração de uma nova unidade na avenida Dom Pedro II, em Batel, bairro de Curitiba. Conforme detalha a marca, a unidade mantém o DNA das melhores cervejas artesanais, mas com diferenciais que incluem uma área externa com mesas e guarda-sóis, além de menu assinado pelo chef Leandro Fantin. Traz, ainda, um Festival de Ostras que acontece todos os domingos até o fim da primavera. O menu inclui 16 pratos para harmonizar com o tap list em porções fartas e uma opção para quem é fã de doces.

Lagoon na Morar Mais
A cervejaria Lagoon participará da Morar Mais Por Menos, um espaço especial construído por renomadas arquitetas representantes da DS Arquitetura, que criou um restaurante dentro da mostra, aberta até este domingo em Belo Horizonte. O destaque do ambiente é um painel com cinco mil tampinhas, coladas uma a uma, realçando as paredes em curva, além das cervejas da marca. Essa é a 14ª edição da mostra, realizada no bairro Cidade Jardim em formato híbrido. São 40 ambientes e 48 profissionais que apresentam propostas acessíveis, porém sofisticadas.

Expansão do Beerlab.club
O Beerlab.club, clube de assinatura de cervejas autorais, celebrou um ano de lançamento. Em meio aos desafios impostos pela pandemia, os sócios conseguiram aumentar a produção e lançar uma loja online exclusiva para os assinantes. O plano para os próximos meses é levar o projeto a um maior número de amantes de cerveja. Após um ano de operações e mais de 40 rótulos lançados, o Beerlab.club convida o público a escolher as receitas a serem produzidas. Mensalmente, os assinantes recebem as latas, dão seu feedback e votam para eleger os sabores de duas latas no mês seguinte. A terceira lata é sempre uma surpresa, uma receita escolhida pelos sócios. O clube é premium e conta com apenas 110 assinantes.

Sommelieria em 5 atos
Após lançar recentemente o Guia da Sommelieria de Cervejas, um livro coletivo, a Editora Krater anunciou que, com Bia Amorim, sommelière de cervejas e organizadora da obra, e Jayro Pinto Neto, um dos coautores do livro e vencedor do último Campeonato Brasileiro de Sommeliers de Cerveja, promoverá a experiência Sommelieria em 5 atos. A ação é uma jornada pelas etapas do processo de degustação de cervejas. Com a inspiração em análise sensorial e temperado com elementos cênicos, o evento tem como proposta um “movimento” sinestésico, multissensorial e lúdico. Por ser uma atividade especial, há apenas 20 vagas.

Com realidade aumentada, Pabst faz ação provocadora para falar com o underground

“Não faça o que eu digo”. Esse bem que poderia ser o lema da primeira campanha de marketing de peso da Pabst Blue Ribbon desde a sua chegada ao mercado cervejeiro do Brasil. Em uma ação que envolve a utilização de realidade aumentada, a centenária marca norte-americana vai premiar 500 consumidores até o fim do ano. Mas só aqueles que “desrespeitarem” a sua ordem. É uma tentativa de reforçar a ligação com consumidores ligados à cultura underground nos grandes centros urbanos a partir de uma promoção inovadora.

De outubro até o fim de 2021, todas as 500 mil latas produzidas pela Pabst Blue Ribbon no Brasil virão com um QR Code acompanhado por uma provocação: “Não escaneie”. Quem desrespeitar esse pedido terá acesso a uma ação de realidade aumentada e ainda vai concorrer a 500 prêmios a partir de um código presente na sua lata. São produtos de lifestyle, como bonés, camisetas e chinelos, além do 99 pack da marca, algo que ficou famoso nos Estados Unidos.

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“A contracultura, tudo que é o avesso e está na contramão são a Pabst. Por isso, a campanha é provocativa, falando para a pessoa não escanear o QR Code. Assim, atrelamos a novidade da realidade aumentada com quem se encontra com a nossa essência. E esperamos nos conectar com o nosso consumidor”, afirma Thiago Lima, diretor de criação da Agência Unika e chefe de comunicação da Pabst Blue Ribbon Brasil, explicando as motivações para essa promoção.

A Pabst está no Brasil desde agosto de 2020, tendo a sua American Lager como carro-chefe. É, assim, mais uma marca premium internacional em um mercado concorrido, que já contava com, entre outras, Heineken e Budweiser, além de Spaten e Tiger que, assim como ela, foram lançadas há pouco tempo no país.

Para se destacar em um mercado tão concorrido no Brasil, a Pabst pensou em uma campanha que a associe ao seu público-alvo, definido por uma faixa etária, de 18 a 35 anos, mas também por um estilo de vida, relacionado com a cultura underground, a música, o skate e a voz das ruas, como argumenta o chefe da comunicação da marca no Brasil.

Preciso ter mais do que uma boa cerveja, preciso ter atitude. E temos que mostrá-la também fora da lata

Thiago Lima, chefe de comunicação da Pabst Blue Ribbon Brasil

Presente, hoje, principalmente nos mercados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, a Pabst também acredita que uma promoção provocadora, além de associá-la ao seu público, poderá aumentar a sua presença em pontos de venda.

“Quando faço uma promoção na lata, o varejo quer o meu produto. Isso ajuda a aumentar a venda, a positivação, com o aumento de estabelecimentos vendendo Pabst, e a mostrar ao consumidor que a minha cerveja fala de modo diferente com ele”, acrescenta Thiago.

Confira a página da Pabst Blue Ribbon no Guia do Mercado

Originária dos Estados Unidos e fundada em 1844, a Pabst também possui relevância em outros mercados, como Austrália, China, Rússia e Suécia, fabricando 100 milhões de hectolitros de cerveja mensais em todo o mundo. No Brasil, a sua produção se dá em Leme (SP), na fábrica da New Age Bebidas.

Sindicerv entra em associação que reúne 90% da produção mundial de cerveja

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O Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), que tem a Ambev e o Grupo Heineken como associados, agora passou a integrar a Worldwide Brewing Alliance (WBA). A aliança global reúne algumas das maiores cervejarias do mundo, além de associações representativas de importantes países do setor.

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Criada em 2003, a WBA estima agregar aproximadamente 90% da produção mundial de cerveja ao contar com quatro das maiores companhias do setor: AB InBev, Carlsberg, Heineken e Molson Coors. Entre as associações que integram a entidade estão as de países como Austrália, Canadá, Japão, Coreia do Sul, Estados Unidos e, agora, Brasil.

Já congregando companhias que respondem por cerca de 80% do consumo de cerveja no Brasil, o Sindicerv acredita que reforçará o seu compromisso de atuar continuamente no debate de regulamentos, leis, normas, políticas públicas e práticas que contribuam com o desenvolvimento da indústria e suas respectivas cadeias produtivas a partir da entrada na WBA.

Ao participar da aliança global, o Sindicerv espera também aprender com o intercâmbio de informações e experiências com atores internacionais do setor cervejeiro. Ao mesmo tempo, promete levar para a pauta temas como a sustentabilidade e o consumo responsável de cervejas.

“O ingresso na WBA será uma excelente oportunidade para contribuir e trocar experiências do setor cervejeiro do Brasil com outras entidades no mundo. Vamos compartilhar e apresentar iniciativas e projetos desenvolvidos pelo sindicato, como agenda de sustentabilidade, campanhas de engajamento no consumo responsável, entre outros”, destaca Luiz Nicolaewsky, superintendente do Sindicerv.

MP abre inquérito para apurar impacto de obra de fábrica da Heineken em MG

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Hoje embargada por decisão do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a obra de construção de uma fábrica do Grupo Heineken em Pedro Leopoldo, na região metropolitana de Belo Horizonte, agora se tornou alvo de um inquérito civil do Ministério Público de Minas Gerais (MP-MG) para apurar possíveis impactos da sua realização no patrimônio cultural.

O inquérito foi instaurado pelo MP-MG por meio da Promotoria de Justiça de Pedro Leopoldo e da Coordenadoria das Promotorias de Justiça de Defesa do Patrimônio Cultural (CPPC), em função do potencial impacto da obra da Heineken nas proximidades da área de proteção ambiental Carste Lagoa Santa, em Pedro Leopoldo, segundo o documento assinado pelos promotores de Justiça Ester Soares de Araújo Carvalho e Marcelo Azevedo Maffra.

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Ao instaurar o inquérito civil, o MP-MG fez uma série de pedidos. Para o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), requisitou o envio de cópia da eventual anuência prévia ou manifestação emitida para o empreendimento. Além disso, questiona se foram realizadas pesquisas arqueológicas aprofundadas pela cervejaria e se houve acompanhamento arqueológico, com presença em campo de arqueólogo.

Caso a resposta seja negativa, a Heineken terá de fazer uma perícia arqueológica, além de determinar um Plano de Manejo da Área de Preservação Ambiental (APA) Carste. “Em havendo resposta negativa por parte do Iphan, oficiar ao empreendedor a fim de que realize peritagem arqueológica na área objeto de intervenção e seu entorno, obedecendo as recomendações do Iphan e, consequentemente, determinar um plano de manejo para o sítio”, afirma o MP.

Além disso, a Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (Semad-MG) precisa dar “informações detalhadas sobre os estudos espeleológicos apresentados no licenciamento ambiental (LPLI-LO), bem como sobre: a preservação das cavidades naturais subterrâneas, para fins de estudos, pesquisas e atividades de ordem técnico-cientifica, étnica, cultural, espeleológica, turístico, recreativo e educativo”.  

A Semad-MG também deverá apresentar a “instituição de procedimentos de monitoramento e controle ambiental, visando a evitar e minimizar a degradação e a destruição de cavidades naturais subterrâneas e outros ecossistemas a elas associados, considerando a exigência de licenciamento ambiental das atividades que afetem ou possam afetar o patrimônio espeleológico ou a sua área de influência”.

O MP ainda determinou a realização de vistoria na área e elaboração de um laudo por parte do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas (Cevac), ligado ao ICMBio. Também há a recomendação de que o laudo seja acompanhado de fotos de antes e depois das obras de terraplanagem do Grupo Heineken para observação de eventuais danos.

Em seu ofício, o MP também quer saber se a cervejaria “realizou cadastramento prévio no Cadastro Nacional de Informações Espeleológicas (Canie) com os dados do patrimônio espeleológico, mencionados no processo de licenciamento aprovado pela Semad”.

E o MP ainda solicitou ao Grupo Heineken “estudo atualizado referente área de influência do Projeto/empreendimento, que necessariamente deverá constar, dentre outros, ‘Atualização dos estudos espeleológicos’, especificamente o número de cavidades presentes na área de influência do Projeto/empreendimento, assim como a análise de relevância dessas e suas respectivas áreas de influência”.

A visita e os eventuais impactos
Além da instauração do inquérito civil, o promotor, acompanhado de uma analista e de uma historiadora, ambas representando o MP-MG, e o gerente da unidade de conservação do Instituto Estadual de Florestas realizaram na última quarta-feira uma vistoria no local potencialmente impactado pela Heineken.

“O Monumento Natural Estadual da Lapa Vermelha é extremamente relevante do ponto de vista arqueológico e espeleológico, principalmente porque lá foi encontrado o fóssil humano das Américas: o esqueleto de Luzia, que tem idade aproximada de 13 mil anos. Nessa unidade de conservação podem ser vistas várias pinturas rupestres e sete cavidades naturais”, ressalta Maffra.

A região onde o Grupo Heineken pretende construir a sua fábrica fica próxima ao complexo de cavernas e grutas e no Monumento Natural Estadual da Lapa Vermelha. É em um dos seus sítios arqueológicos onde foi localizado Luzia, o esqueleto mais antigo das Américas. Mas, de acordo com o ICMBio, órgão vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, ele está sob risco de soterramento em função da obra e futura operação da fábrica de cervejas.

O instituto também vê com preocupação o plano do Grupo Heineken de bombear 150 metros cúbicos de água por hora de dois poços na região, o que causaria impacto relevante nos lençóis freáticos e nas cavernas do Cipó, Fedo e Nei. E, quando do anúncio do embargo, o ICMBio explicou que uma audiência sobre o caso havia sido marcada para 9 de outubro.

Antes disso, porém, a Heineken havia obtido o aval da Semad-MG para iniciar as obras, que estavam em fase de aterramento, mas acabaram sendo paralisadas em 10 de setembro, após a visita de fiscais do ICMBio, de acordo com a companhia.

A fábrica
Agora alvo de inquérito, a obra de construção da fábrica do Grupo Heineken em Pedro Leopoldo havia sido anunciada em fevereiro e seria a primeira da cervejaria em Minas Gerais, onde a companhia já possuía centros de distribuição e logística em Contagem e em Poços de Caldas, onde o seu nível de estocagem foi triplicado. A planta industrial teria capacidade para produzir 760 milhões de litros por ano. E, segundo anúncio do governo mineiro, o investimento na obra seria de R$ 1,8 bilhão.

A fábrica prevista para Minas Gerais é a 16ª da companhia no país e pode ser considerada, de fato, a primeira do Grupo Heineken a ser construída pela própria empresa, pois as demais foram incorporadas com a aquisição da Brasil Kirin em 2017.

Pesquisa: 62% dos bares e restaurantes não atingiram nível de vendas pré-pandemia

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Uma pesquisa com 800 restaurantes, bares, cafés e lanchonetes de todos os estados brasileiros mostrou que 62% desses estabelecimentos ainda não recuperaram o nível de vendas em relação ao período pré-pandemia, na comparação do faturamento entre o mês de julho deste ano e o de 2019.

Dos participantes, 13% disseram já conseguir faturar nos mesmos níveis e outros 25% afirmaram que superaram a receita do mesmo período. Os dados são da recente pesquisa da série Covid-19, realizada pela Associação Nacional de Restaurantes (ANR), em parceria com a consultoria Galunion, especializada no mercado food service, e com o Instituto Foodservice Brasil (IFB).

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Outro dado alarmante do estudo é que o nível de endividamento das empresas do setor segue alto no País. A pesquisa demonstra que 55% dos bares, restaurantes, cafés e lanchonetes se declaram endividados. Desse total, 78% devem para bancos, 57% estão com impostos em atraso, 24% têm dívidas com fornecedores e 14% afirmam possuir pendências trabalhistas.

Do total de endividados, 48% afirmaram que devem levar mais de dois anos para pagar seus débitos e 63% disseram que vão aderir a planos de parcelamento, como o Refis e outros anunciados pelos governos.

De acordo com o diretor executivo da ANR, Fernando Blower, a pesquisa aponta, de maneira geral, o que ele considera ser o início de um processo de recuperação que, certamente, será longo e irá durar alguns anos. “Apesar da melhora no índice de endividamento, a grande maioria das empresas ainda sofre as consequências da pandemia e apenas agora, com o avanço da vacinação, a queda nos índices da Covid-19 e o retorno gradual dos clientes, começa a se reerguer.”

A pesquisa ainda trouxe dados sobre a expansão do delivery. Em média, a receita hoje com essa atividade representa 39% do total do faturamento das empresas – o número era de 24% antes da pandemia. O estudo quis saber ainda se as empresas manteriam o delivery com o retorno do funcionamento das lojas. E 85% afirmaram que vão seguir com esse tipo de operação.

Já diante de um cenário de crescimento da inflação ainda no início da recuperação do setor, 31% das empresas afirmaram que não lançaram produtos no cardápio.

Esse dado, ao mesmo tempo, mostra um desafio e uma grande oportunidade frente às grandes mudanças de comportamento do consumidor provocadas pela pandemia. A revisão e atualização do cardápio é uma estratégia chave para a perpetuação do negócio, para acompanhar os anseios do consumidor e manter a competitividade, principalmente dentro dos marketplaces de delivery

Simone Galante, CEO da Galunion e responsável pela pesquisa

A pesquisa, feita entre 12 de agosto e 8 de setembro, ouviu empresas que representam 22.907 lojas, das quais 67% estão localizadas nas ruas e outras 22% em shoppings e centros comerciais. É, segundo os organizadores, o maior estudo já feito até hoje no Brasil durante a pandemia envolvendo o setor de food service.

Ambev aumenta preço da cerveja; Abrasel estima alta entre 6% e 10%

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As cervejas da Ambev vão ficar mais caras a partir de outubro. Proprietária de marcas como Brahma, Skol, Bohemia, Stella Artois, Original, Antarctica e Colorado, a companhia confirma que realizou um reajuste nos preços, ainda que sem dar maiores detalhes dos valores. A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) também reconhece o aumento no preço da cerveja da Ambev e estima que ficará entre 6% e 8% na maior parte dos estados brasileiros, chegando a até 10% em São Paulo.

À reportagem do Guia, a Ambev reconhece o reajuste nos preços das cervejas. A companhia, porém, não revela qual foi o porcentual de aumento ou em quais marcas ou embalagens ele será aplicado e como. Destaca, ainda, que também há variações no reajuste de acordo com o tipo de estabelecimento e região do país.

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A Ambev também assegura que o aumento é natural, fazendo parte da política de reajuste anual dos preços pela companhia. E explica que ele é generalizado, envolvendo diversas embalagens e marcas do seu portfólio. “A Ambev faz, periodicamente, ajustes nos preços de seus produtos e as mudanças variam de acordo com as regiões, marca, canal de venda e embalagem”, destaca a companhia em nota oficial.

A variação do aumento em virtude da região é confirmada pela Abrasel. Em nota oficial enviada à reportagem do Guia, a associação afirma que o reajuste em São Paulo será próximo ao da inflação anualizada. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) está em 9,68% nos últimos 12 meses, de acordo com o IBGE.

“Acreditamos que São Paulo deve seguir a inflação, mas nos outros estados, esse aumento ficará entre 6% e 8%. No Rio de Janeiro, por exemplo, nossa expectativa é que fique em torno de 7%”, analisa o presidente-executivo da Abrasel, Paulo Solmucci.

O aumento do preço da cerveja pela Ambev se dá em um contexto de inflação generalizada e, principalmente, de itens essenciais para a indústria, caso dos combustíveis e da energia, como demonstra reportagem publicada pelo Guia nesta quarta-feira.

No IPCA-15 de setembro, o índice de preços mais recente divulgado pelo IBGE, a alta dos combustíveis foi de 3,00%. Especificamente, a gasolina subiu 2,85% e acumula 39,05% de inflação nos últimos 12 meses.

A energia elétrica, por sua vez, também vem impactando diretamente a inflação. Em setembro, no IPCA-15, cresceu expressivos 3,61%. No mês passado, vigorou a bandeira vermelha patamar 2, com acréscimo de R$ 9,492 a cada 100 kWh consumidos. A partir de 1º de setembro, passou a valer a bandeira tarifária de escassez hídrica, que acrescenta R$ 14,20 para os mesmos 100 kWh.

Mas a cerveja, até agora, vem registrando inflação menor do que o índice oficial, segundo os dados do IBGE. O preço da cerveja no domicílio desacelerou em agosto e fechou o oitavo mês de 2021 com uma inflação de apenas 0,29%. A alta pouco expressiva fez com que o item tenha terminado agosto com uma aceleração acumulada de 3,49% em 2021. E sua inflação está em 7,62% no somatório dos últimos 12 meses.

Já o preço da cerveja fora do domicílio praticamente permaneceu estável em agosto, com inflação de apenas 0,05%. Agora, então, a variação é de 3,14% em 2021 e de 5,94% no período de setembro de 2020 até agosto de 2021.

Repasse ao consumidor
A expectativa é de que o aumento definido pela Ambev seja repassado na integralidade por bares e restaurantes ao consumidor, segundo o presidente da Abrasel. E imediatamente. “O setor está hiper pressionado por aumento de custos na luz, no aluguel, nos alimentos, no combustível, que afeta o delivery, por exemplo. Não suporta novo aumento sem repassar para o consumidor. É o que acreditamos que vai acontecer instantaneamente”, afirma Solmucci.

E, na avaliação do presidente da Abrasel, o reajuste no preço da cerveja não deverá parar na Ambev. Em sua visão, outras companhias do setor devem realizar o mesmo movimento, seguindo os passos da líder do mercado. “Há uma referência de preços no mercado ditada pela Ambev. Quando ela aumenta, as concorrentes acompanham a decisão”, acrescenta ele, apontando que o segmento está pressionado pelos efeitos econômicos da pandemia.

Mesmo que grande parte das restrições ao funcionamento de bares e restaurantes tenha sido revogada em diversos estados brasileiros com o avanço da vacinação contra o coronavírus, o cenário ainda é ruim para bares e restaurantes, como demonstra recente pesquisa da série Covid-19, realizada pela Associação Nacional de Restaurantes, em parceria com a consultoria Galunion e o Instituto Foodservice Brasil.

Segundo o levantamento, 62% das empresas entre restaurantes, bares, cafés e lanchonetes ainda não recuperaram as vendas em relação ao nível pré-pandemia, quando se compara julho de 2021 a julho de 2019. Além disso, 55% dos bares, restaurantes, cafés e lanchonetes se declaram endividados.

Margens pressionadas
Em julho, quando divulgou o seu balanço financeiro do segundo trimestre, a Ambev apresentou lucro líquido ajustado de R$ 2,963 bilhões, influenciado por um crédito tributário de R$ 1,6 bilhão. Ainda assim, alguns analistas encararam o resultado financeiro sem euforia, em função da pressão sobre os custos provocada pela alta de matérias-primas e do dólar – tanto que o custo do produto vendido por hectolitro aumentou 15,7%.

Além disso, a margem EBITDA de cerveja Brasil atingiu a marca de 22%, definida por analistas como a mais baixa de todos os tempos. Agora, então, a Ambev optou por realizar um reajuste no preço da cerveja entre 6% e 10%, segundo as estimativas da Abrasel.

Black Princess abre bar em São Paulo com suas cervejas e espaço para shows

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A gradual retomada das atividades culturais e de eventos, só possível a partir do avanço da vacinação, chega com uma novidade aos paulistanos. Com inauguração nesta quinta-feira, a Black Princess passa a contar com um bar em São Paulo. É a Black Princess House, que ficará no Largo da Batata, no bairro de Pinheiros.

O bar da Black Princess conta com decoração da marca, além de cores e elementos neon. Seu funcionamento será de quarta-feira até domingo, inicialmente até 28 de novembro. E o espaço terá como um dos pilares a apresentação de artistas musicais, tendo curadoria da Bananas Music.

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“A música sempre fez parte da nossa estratégia como marca, e queremos, com a Black Princess House, embarcar em um universo que proporcione experiências musicais únicas, diferentes e inovadoras”, destaca Eliana Cassandre, chefe de marketing do Grupo Petrópolis e da marca Black Princess.

Em seu bar, a Black Princess vai oferecer os rótulos fixos, além dos produtos sazonais da cerveja, em versões que variam entre chope, lata, long neck e garrafas de 600ml. Ainda estarão disponíveis acessórios, como ecobags, moleskines e itens de vestuário.

A long neck será vendida por R$ 12, a garrafa de 600 ml por R$ 22 e a lata por R$ 10 no estabelecimento da marca do Grupo Petrópolis. Não alcoólicos custarão R$ 5 (água e refrigerantes) ou R$ 10 (TNT Energy Drink). E os valores dos chopes variam entre R$ 14 e R$ 18.

Programação
Na semana de lançamento, o bar da Black Princess vai receber Uh!Manas TV, coletivo inteiramente composto por mulheres em busca de equidade, espaço e reconhecimento, com as DJs Ju Salty e Julia Weck. Na sexta, será a vez do Deekapz, duo de produtores de Campinas, com misturas de influências da música eletrônica global de club. Já no sábado, a banda Pluma vai dividir o palco com a Flerte Falingo e a DJ Jojo.

Nas próximas semanas, por sua vez, vão ser realizados shows de Marina Sena, Rubel, Tuyo, Terno Rei e Giovani Cideira. A agenda semanal também vai contar com estúdio de tatuagem, gravações de podcasts ao vivo e ensaios musicais.

Para a maioria dos artistas será o primeiro show depois de mais de 1 ano e meio sem pisar nos palcos. Muitos deles irão se apresentar ao vivo para o público pela primeira vez, com álbuns gravados e lançados durante a pandemia. A Black Princess House é uma casa inovadora, onde trabalharemos histórias modernas não contadas e gastronomia, em um ambiente instagramável e de experiências para o público

Eliana Cassandre, chefe de marketing do Grupo Petrópolis

Como a alta crescente da inflação vai impactar grandes cervejarias e artesanais

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Problema econômico recorrente no Brasil até meados dos anos 1990, a inflação voltou a preocupar e a afetar a rotina da população, atingindo o seu poder de compra no início de uma nova década. Se em 2020 o alerta havia surgido com a elevação dos preços dos alimentos, em 2021 a situação se tornou pior, com uma alta mais generalizada por atingir itens como a energia e os combustíveis, que provocam uma reação em cadeia. E, claro, a inflação passou a pressionar também as cervejarias.

De acordo com especialistas ouvidos pela reportagem do Guia, é impossível que a inflação de itens essenciais para a indústria e a cadeia produtiva – casos da energia e dos combustíveis – também não afetem a operação e os custos para as cervejarias. E isso se transforma em alta nos preços pagos pelo consumidor.

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O impacto se dá por alguns aspectos. A inflação desses produtos também atinge o valor dos insumos necessários para a fabricação de bebidas. E a alta dos combustíveis afeta a logística e o transporte das empresas, mesmo em estágios diferentes para as grandes indústrias e as microcervejarias.

O impacto no preço da bebida já começa, inclusive, a ser sentido. Com inflação de 0,29% em agosto, a cerveja no domicílio terminou o mês com uma alta acumulada de 3,49% em 2021. E sua inflação está em relevantes 7,62% no somatório dos últimos 12 meses.

Já o cenário da inflação oficial é ainda pior. O IPCA foi de 0,87% em agosto, o maior para o oitavo mês do ano desde 2000. A inflação também chegou a 5,67% em 2021 e passou a acumular alta de 9,68% nos últimos 12 meses, bem acima da meta de 3,75% definida pelo Banco Central para este ano. E isso tende a piorar.

Divulgado na última semana, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15, considerado a prévia da inflação oficial) foi a 1,14% em setembro, 0,25% acima da taxa de agosto (0,89%), sendo o maior para um mês desde fevereiro de 2016 e para setembro desde 1994. No ano, o índice acumula alta de 7,02% e, em 12 meses, de 10,05%.

O diretor da Escola Superior de Cerveja e Malte (ESCM), Carlo Enrico Bressiani, lembra que a alta dos preços de insumos já vinha afetando o setor desde o ano passado, em função da sua escassez, mas também pela desvalorização do real. Um cenário que agora será reforçado e voltará a atingir as cervejarias por causa da inflação generalizada.

“Vai ter impacto no insumo, com alguma inflação. É algo que já vinha acontecendo desde o ano passado, com a alta do dólar e a escassez de produtos, pela quebra da cadeia mundial dos suprimentos”, avalia Bressiani.

No IPCA-15 de setembro, a alta dos combustíveis foi de 3,00%. Assim, teve grande impacto sobre a inflação, além de ter ficado acima da registrada no mês anterior (2,02%). Especificamente, a gasolina subiu 2,85% e acumula 39,05% de inflação nos últimos 12 meses.

Nas estimativas da economista-chefe da Reag Investimentos, Simone Pasianotto, embora não represente o maior porcentual do preço de uma cerveja, os custos com transporte podem chegar a até 10% do valor. E isso sem levar em consideração a margem do distribuidor, que também sofre com a alta dos combustíveis. “Qualquer variação, então, tem um impacto significativo. E são 9 aumentos da gasolina em 2021, em um total de 30% no ano e 40% no acumulado de 12 meses.”

Efeitos e soluções
Na avaliação de Bressiani, as grandes cervejarias podem ter condições de lidar melhor com o impacto da alta dos combustíveis por questões organizacionais. “As grandes têm todos os processos mais otimizados, aproveitam ao máximo todos os processos. As compras são maiores, então conseguem diluir mais aspectos, como o frete. Na distribuição, têm rotas logísticas e softwares que reduzem o gasto litro/quilômetro.”

O diretor da ESCM alerta, porém, que os principais grupos cervejeiros não deixarão de sofrer com os efeitos dessa inflação, especialmente quando forem necessários grandes deslocamentos para entrega de cargas. Um cenário que ele enxerga como mais raro para as microcervejarias, que, em geral, possuem atuação mais regionalizada.

“A distribuição das grandes cervejarias é nacional, ainda que costumeiramente tenham uma fábrica por estado. Já as pequenas atuam mais regionalmente. E isso reduz o deslocamento. Nesse sentido, é algo positivo para elas”, pondera Bressiani.

A energia elétrica, por sua vez, também vem impactando diretamente a inflação. Em setembro, no IPCA-15, cresceu expressivos 3,61%, embora a variação tenha sido inferior à de agosto (5,00%). No mês passado, vigorou a bandeira vermelha patamar 2, com acréscimo de R$ 9,492 a cada 100 kWh consumidos. A partir de 1º de setembro, passou a valer a bandeira tarifária de escassez hídrica, que acrescenta R$ 14,20 para os mesmos 100 kWh.

E, para a economista-chefe da Reag Investimentos, a alta da tarifa energética pode até não ter efeito direto muito relevante sobre as cervejarias, mas envolve toda a cadeia. Assim, também provoca impacto nos preços dos produtos. “A energia não é tão intensiva na produção de cerveja, então acaba sendo um impacto mais marginal. Mas o distribuidor precisa de energia”, avalia Simone. “O impacto é menor, porque o custo é menor. O impacto maior é o do insumo.”

Bressiani, por sua vez, destaca que as cervejarias – especialmente as artesanais – precisarão, nesse contexto de inflação, mostrar que aprenderam uma das mais importantes lições da pandemia: a importância de otimizar as operações. Nesse momento de alta nos preços, o foco recairá sobre os aspectos logísticos.

“Na pandemia, várias etapas e processos que não eram vistos como tão importantes passaram a ser olhados com lupa. E agora será uma fase em que a logística será observada dessa forma”, conclui o diretor da ESCM, dando a dica sobre como as cervejarias podem reduzir o impacto da inflação que voltou a assombrar o consumidor.

Anheuser-Busch lançará Bud Light sem carboidratos no início de 2022 nos EUA

Uma cerveja sem carboidratos será uma das novidades do setor em 2022. A Anheuser-Busch anunciou que vai lançar no próximo ano a Bud Light Next nos Estados Unidos, apostando que o consumidor está cada vez mais preocupado com a saúde, mesmo quando decide beber uma cerveja.

A estratégia da Bud Light com essa novidade é atender a uma demanda da geração Z, que desejaria ter acesso ao sabor da cerveja, mas com uma composição nutricional semelhante ao da hard seltzer, bebida gaseificada que tem conquistado espaço no mercado.

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“Feita para o público de mais de 21 anos da Geração Z, a Bud Light Next é para a próxima era de bebedores de cerveja, fornecendo-lhes uma cerveja alternativa que tem as características de produtos que apreciam, como as seltzers, e dá sequência ao legado do nome Bud Light”, destaca a Anheuser-Busch, a unidade da AB InBev nos Estados Unidos.

Cortar carboidratos em dietas alimentares tem sido uma estratégia comum nos últimos anos, em uma mudança nos hábitos de consumo. E o setor cervejeiro vem acompanhando essa tendência ao oferecer rótulos com baixo teor de carboidratos. Agora, porém, a Anheuser-Busch parece dar um passo além com a Bud Light Next nos Estados Unidos ao não oferecer apenas mais uma low carb.

Vice-presidente de marketing da Bud Light, Andy Goeler afirmou, à CNN Business, que o desenvolvimento da versão de uma cerveja sem carboidratos da marca levou cerca de uma década, com 130 protótipos sendo testados até a definição do projeto final.

Uma lata de 350ml da Bud Light Next terá 4% de graduação alcoólica e 80 calorias, 30 a menos do que a Bud Light, que conta com 6,6 gramas de carboidratos e praticamente a mesma quantidade de álcool.

Poderá ser, assim, um novo pioneirismo da Anheuser-Busch nos Estados Unidos. Afinal, em 2002, a companhia lançou a Michelob Ultra, em uma primeira ação relevante no mercado ao criar uma cerveja para atrair bebedores preocupados com a saúde. Hoje, a cerveja é um sucesso de vendas, tendo chegado a outros mercados, incluindo o Brasil.

Já no ano passado, em meio ao aumento das vendas das hard seltzers, como uma busca por uma bebida mais saudável do que os refrigerantes, a companhia lançou a Bud Light Seltzer. Agora, então, apresentará a Bud Light Next no início de 2022. De acordo com a imprensa especializada norte-americana, isso deve acontecer em fevereiro, mês em que será realizada a próxima edição do Super Bowl.

Após anos de queda nas vendas, a compra de cervejas teve alta nos Estados Unidos em 2020, disparando 8,6% em 2020 e somando uma receita de US$ 40 bilhões. Já a ampliação do mercado das cervejas light foi de 5%, para US$ 10,6 bilhões. Agora, a Bud Light espera aproveitar essa expansão com uma cerveja sem carboidratos.