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Exclusivo: Quase 50% das cervejarias podem falir em 3 meses, revela pesquisa do Guia

Exclusivo: Quase 50% das cervejarias podem falir em 3 meses, revela pesquisa do Guia

A crise que assola a maior parte dos setores produtivos brasileiros tem sido especialmente perversa com o segmento cervejeiro. Pesquisa realizada pelo Guia da Cerveja analisa os impactos da pandemia do coronavírus e mostra que quase metade das cervejarias brasileiras pode ter sua falência “agendada” para os próximos três meses.

Com o intuito de colaborar para o debate a respeito dos problemas e da busca por soluções para sair da crise, o Guia procurou ouvir donos e representantes de cervejarias de todo o país e de todos os tamanhos. E o resultado escancara, além de uma onda iminente de falências, diversas outras dificuldades enfrentadas pelas empresas.

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A pesquisa, feita entre os dias 20 e 28 de abril, ouviu 82 cervejarias de 12 estados brasileiros. Dessas, 88% fazem até 50 mil litros por mês, sendo que 62% têm produção de até 10 mil litros por mês.

A maioria, 70%, vende apenas no seu estado de origem, principalmente na sua cidade e nas vizinhas. As cervejarias que têm fábrica própria e taproom correspondem a pouco mais de 70% delas, enquanto as ciganas são 26% das marcas.

Quebradeira
As respostas apontam para uma sequência de “quebras” a partir de julho. Além das quase 50% das cervejarias que reconhecem o risco de fechar em três meses, outras mais de 25% preveem ter ter até seis meses de vida no cenário atual.

“Uma segunda onda atingiria muitas das cervejarias que chegarem de portas abertas até o fim das restrições, mas que estarão completamente endividadas”, afirma a jornalista e consultora Fabiana Arreguy, parceira da equipe do Guia na análise dos resultados da pesquisa, considerando a ajuda das medidas de socorro financeiro à indústria anunciadas pelos governos para o período da pandemia.

Na análise de Fabiana, os dados explicitam o caráter imediatista dos projetos de grande parte das cervejarias surgidas no “boom” de inaugurações nos últimos quatro anos. “Os planos de negócio para se abrir uma cervejaria no país eram imediatistas, contando quase unicamente com capital de giro, sem possibilidade de aportes para expansões e aumento da escala de produção”, avalia ela.

Nesse cenário, a renegociação de dívidas com credores e fornecedores é a principal aposta financeira das cervejarias para equilibrar suas contas: mais de 40% delas recorrem a esse tipo de acordo. As linhas de crédito específicas para o socorro a empresas na crise do coronavírus do governo federal chegaram a 12% das cervejarias, enquanto os empréstimos de bancos privados são a alternativa para cerca de 15%.

Força de trabalho
Além das medidas financeiras, foi preciso tomar decisões práticas, que mexem nas estruturas e configurações das cervejarias. As demissões foram necessárias para 15%, enquanto mais de 50% buscaram soluções com os acordos de suspensão do contrato de trabalho e de redução de salários e jornada dos funcionários, conforme previsto na Medida Provisória 936.

Na análise de Fabiana, as cervejarias que conseguiram evitar as demissões devem mudar suas relações de trabalho após a pandemia, redesenhando as funções dos membros da equipe – que devem acumular funções. “Muitos donos de cervejarias podem voltar ao chão de fábrica, um retorno aos primórdios de seu negócio”, aposta.

Vendas e faturamento
Após mais de 40 dias de quarentena em praticamente todo o território brasileiro, as cervejarias já conseguem enxergar com certa clareza o tamanho dos estragos financeiros.

Quando perguntados a respeito de seu faturamento em março, o primeiro mês com medidas restritivas, 98% dos participantes da pesquisa afirmam que tiveram queda de receita. Para mais de 60% das empresas, a redução do faturamento foi de mais de 50% em relação ao mês anterior.

A grande aposta para reverter o cenário é o serviço de delivery: 34% das cervejarias não trabalhavam com essa modalidade e passaram a fazer entregas em sua região, enquanto outras 15% aumentaram sua operação. Já as vendas online são alternativas adotadas por quase 18%.

Para Fabiana, esses canais tendem a se fortalecer após a crise. “Quem usar este tempo para se familiarizar e aprender a lidar com o e-commerce vai ganhar lá na frente, ampliando seu poder de venda e sua capilaridade”, afirma.

No infográfico abaixo, conheça os principais destaques da pesquisa.

Os resultados completos serão divulgados pelo Guia na próxima semana.

Pandemia freia expansão e adia consolidação de São Paulo como referência do setor

A produção de cervejas na maior cidade do Hemisfério Sul começou 2020 em alta. São Paulo passava por expansão relevante da oferta de rótulos produzida localmente, somada ao crescimento exponencial na quantidade de estabelecimentos cervejeiros em todas as regiões do município. A capital paulista caminhava, assim, para se consolidar como uma das referências do setor de artesanais no Brasil. Mas, com os desafios provocados pelas medidas de isolamento social em função da pandemia da Covid-19, o segmento paulistano está agora diante de um momento de incerteza.

“A Júpiter foi muito impactada pela quarentena. Antes da pandemia chegar ao Brasil, a maior parte de nossas vendas era em chope para bares. Com a limitação das operações desses estabelecimentos ao delivery, o consumo caiu bastante. Também pesa muito o fato de muitas pessoas enfrentarem redução de rendimentos, seja porque suas empresas faturam menos, seja porque perderam empregos”, diz David Michelsohn, mestre-cervejeiro da Júpiter, uma das referências do setor em São Paulo, exemplificando as dificuldades enfrentadas nesse momento de crise.

A história da produção profissional de cerveja na capital paulista começou ainda na Era Imperial, quando o alemão Louis Bücher convenceu o empresário Joaquim Salles a usar sua fábrica de gelo, chamada Antarctica, para produzir a primeira Lager nacional. Eram feitos 6 mil litros de cerveja por dia na indústria improvisada no bairro Água Branca. O negócio prosperou e, alguns anos depois, novos investidores entraram na sociedade e uma fábrica maior na Mooca foi construída.

Mas a expansão urbana no século XX levou São Paulo a restringir atividades industriais no município, através de leis ambientais e de zoneamento. Com isso, após o fechamento da fábrica da Brahma no bairro do Paraíso em 1980, a cidade viveu cerca de 30 anos sem produção local.

Somente com mudanças na legislação e implementação de novos modelos comerciais no setor, a capital paulista voltou a sentir o cheiro do malte virando cerveja. A partir de 2010, os brewpubs ganharam força na cidade. Estes estabelecimentos conseguiram as permissões ambientais e de zoneamento necessárias para produção de cerveja. Até marcas de fora do Brasil, como a Goose Island, começaram a fazer rótulos em São Paulo.

Com isso, a produção paulistana tem expandido ano após ano. Em 2018, segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), havia nove cervejarias registradas em São Paulo. Já em 2019, a cidade fechou o ano com 27 empresas reconhecidas pelo Mapa, uma expansão de 200%, muito superior ao crescimento nacional, que ficou em 36% nesse período.

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Esses números fizeram São Paulo se tornar a segunda cidade com mais cervejarias no Brasil, atrás apenas de Porto Alegre, que possui 39, e superando cidades como Nova Lima, Caxias do Sul e Curitiba, que tinham mais cervejarias do que a capital paulista.

Incertezas da crise
No último aniversário de São Paulo, em janeiro, o Festival das Cervejarias Paulistanas contou com 13 empresas de diferentes bairros, com oferta de produção de ótima qualidade, além de grande variedade de rótulos.

Com esse crescimento, aliado ao enorme mercado consumidor e à característica cosmopolita da cidade, parecia iminente a consolidação de São Paulo como referência em cerveja artesanal no Brasil. Mas o cenário da pandemia da Covid-19, com o isolamento social e o fechamento dos bares, freou essas pretensões.

“O problema é que não temos perspectiva de quando irá voltar o mercado. No mercado de eventos, mesmo quando voltar, as pessoas vão ter medo de aglomerações. É uma coisa inacreditável o que está acontecendo no mundo”, afirma Gilberto Tarantino, sócio da cervejaria com maior volume de produção na cidade, a Tarantino.

Além disso, qualquer novo projeto que estava em desenvolvimento para ser implementado foi suspenso. “Fomos impactados com a suspensão de projetos especiais. Receitas que desenvolvemos com exclusividade tiveram sua produção adiada. Bares e empórios suspenderam ou recusaram pedidos feitos. Outro custo que estamos carregando é o do estoque, que havia sido reposto na primeira semana de março, pouco antes da quarentena se iniciar”, acrescenta Michelsohn, da Júpiter.

Agora, os empresários locais estão se adaptando e promovendo ações que permitam a retomada após o fim do isolamento. “Temos nove anos de história e já passamos por muitas situações, nada parecido com o que estamos vivendo agora, claro, mas estamos nos mantendo fortes e otimistas para enfrentarmos tudo isso”, conta Beatriz Cury, gerente de marketing e vendas da Cervejaria Nacional.

Contudo, Rogéria Xerxenevsky, sócia proprietária da cervejaria X Craft Beer, exibe esperança de que o setor saia fortalecido da pandemia. “Nós vamos chegar lá. Vai ser um ano mega apertado, difícil, mas nós vamos chegar lá do outro lado. Mais fortalecidos, talvez, com o público conhecendo mais sobre cerveja artesanal”, finaliza ela.

Live da Paulistânia e da Brew Summit movimentam a internet cervejeira

Muitas pessoas estão aproveitando o isolamento social para adquirir novos conhecimentos através da internet. E, quando o assunto é cerveja, boas opções estão sendo disponibilizadas nas redes sociais e em plataformas de reuniões digitais. É o caso de duas “lives” de qualidade que serão realizadas nesta quarta-feira.

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Com o objetivo de levar conhecimento sobre a história da cerveja de uma maneira descontraída, a cervejaria Paulistânia promoverá a live “Por que bebemos?”. A ideia é mostrar como a cerveja se tornou uma das bebidas mais importantes da história da humanidade.

Para essa live foram escalados dois especialistas: André Souza, sommelier e embaixador da Paulistânia e da Bier & Wein, e Rodrigo Sena, sommelier e jornalista do canal Beersenses.

“Preparamos um conteúdo bem didático, queremos democratizar esse conhecimento para que as pessoas entendam como a cerveja influencia a vida de todos nós até hoje”, aponta Rodrigo.

O bate-papo sobre a história da cerveja será realizado junto a uma degustação para ilustrar as explicações. A live será às 17h desta quarta no Instagram da cervejaria Paulistânia.

Brew Summit
Voltado para cervejarias e empresários do setor, o Brew Summit Conference apresentará palestras pela internet sobre os desafios para retomar o crescimento após a pandemia. Realizado pelo Polo Cervejeiro de Ribeirão Preto e pela Fito Marketing, o evento buscará apresentar ações práticas para sobreviver à crise.

O presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), Carlo Lapolli, participará do Beer Summit para falar sobre as perspectivas para a retomada do setor após a quarentena.

Outro palestrante, Gustavo Oliveira, tributarista e contador especializado em cervejarias, falará sobre os movimentos contábeis e financeiros necessários para as empresas do segmento.

Haverá ainda palestras sobre insumos, mídias sociais e e-commerce. O Brew Summit é gratuito e para participar basta realizar uma inscrição online no site do evento.

Mercado de rótulos e cervejeiro precisarão de mais parcerias após crise, diz especialista

Se ainda é impossível prever quando a crise do coronavírus chegará ao fim e quais serão seus efeitos econômicos, soluções para passar por ela sem maiores traumas estão sendo buscadas pelos diferentes segmentos, como o de rótulos. E a avaliação de especialistas é de que serão necessárias parcerias para o mercado e a indústria se fortalecerem.

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Para Bruno Lage, sócio-diretor da Label Sonic, as transformações serão profundas. E elas passarão não apenas por mudanças no modo de consumo e venda, mas também vão envolver a forma de se lidar com essas opções comerciais. Tudo precisará, assim, ser mais pensado e planejado.

“Muitas estruturas sofrerão mudanças radicais e algumas irão desaparecer”, alerta o sócio-diretor da Label Sonic, empresa do setor de rótulos que diz ter surgido com o foco de facilitar o acesso a produtos gráficos de qualidade pelos pequenos e médios empreendedores brasileiros.

“Imagino que os pequenos comércios e os pequenos produtores de bebidas terão de oferecer serviços de entrega mesclando as grandes plataformas (que cobram altas taxas, mas possuem grande tráfego) com sistemas próprios de entrega. Não adiantará ter uma estratégia de delivery apoiado 100% em grandes plataformas de delivery pois o custo será alto”, afirma.

Lage também enxerga que a rotina de consumo de cervejas passará por alterações consideráveis, se tornando mais residencial, ainda que não solitária, como vem ocorrendo na fase de isolamento social. E crê que isso terá efeitos benéficos para produtos de maior qualidade.

Nesse cenário, segundo o sócio da Label Sonic, quem conseguir se comunicar melhor com o público, através da disponibilização de informações claras, terá vantagem competitiva.

“O hábito de consumir em casa ganhará mais força. E este consumo não necessariamente será solitário, mas em grupos pequenos de amigos. Talvez o surgimento de confrarias seja intensificado e isto será ótimo para sommeliers e para as marcas de bebidas que poderão apoiar o surgimento destes grupos. Isto trará muitas oportunidades para todos os envolvidos”, aponta Lage, para depois acrescentar.

“As marcas precisam investir em conteúdos, informação e educação para que este consumidores, agora reclusos, consumam com foco na qualidade dos produtos e na experiência que estes produtos podem proporcionar”, comenta o sócio da Label Sonic, que atua com bebidas premium, fornecendo rótulos, rotuladora manual, copos descartáveis, caixas e taças.

União e novas opções
O mercado pós-crise, assim, segundo ele, trará a possibilidade de unir forças entre diferentes atores do setor cervejeiro, com a criação de novas iniciativas e aposta na inventividade. A própria Label Sonic se aponta como um exemplo interessante disso, pois consegue fechar acordos por quantidades reduzidas de  rótulos com pequenas empresas.

“Creio que ações promocionais unindo PDV e indústria serão reformuladas, indo além do mero desconto e da ‘taça’ como brinde. Tanto o PDV como a indústria terá de entregar mais ‘experiências’ ao consumidor”, avalia.

Lage também espera que o consumidor busque uma aproximação com os microempreendedores, enxergando-os como importantes peças na engrenagem da economia.

“Espero também que surja por parte do consumidor um carinho muito especial com o pequeno comércio e com o pequeno produtor. Tenho uma esperança que estes pequenos empreendedores sejam reconhecidos como fundamentais para e economia local e para a sua comunidade”, projeta.

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Além disso, aponta para a união que deve emergir desse momento complicado, com o auxílio entre as diferentes partes para a recuperação e o crescimento do setor. E a Label Sonic já tem um bom exemplo de parceria durante a crise do coronavírus, tendo cedido suas impressoras 3D para a Grafix produzir protetores faciais, importantes para evitar a propagação da doença. “A Grafix, parceira nossa, está usando as impressoras 3D para fazer os protetores”, comenta Lage, para depois completar.

“Tenho uma esperança que um novo significado surja para a palavra ‘parceria’. Somente uma relação muito próxima e generosa entre as partes poderá tornar os negócios viáveis. Os negócios que podem investir em resultados em médio prazo (e nem todos podem!) devem focar na continuidade da atividade de seus parceiros. Sem cliente ou sem fornecedor, não há negócio”, conclui o sócio da Label Sonic.

Crise poderá mudar setor cervejeiro e terá impacto maior na Ambev, dizem analistas

A crise provocada pela pandemia do coronavírus poderá ter efeitos duradouros no setor cervejeiro e afetar negativamente os próximos meses da Ambev, a marca líder do segmento no Brasil. Trabalhos de analistas apontam que o fechamento de restaurantes e bares, adotado em função das medidas de isolamento social, afetará especialmente as marcas da multinacional. E esses efeitos poderão ser prorrogados por causa da mudança comportamental dos consumidores advinda da quarentena.

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Material do Bradesco BBI alerta para a possibilidade de alterações do hábito da população caso o período de isolamento social se prorrogue por mais tempo. A publicação lembra que a Sars, ocorrida no início dos anos 2000 e que teve a China como epicentro, mudou alguns comportamentos das pessoas.

“A epidemia de Sars entre 2002 e 2004 levou a um aumento significativo nas assinaturas de banda-larga e a um impulso duradouro para o e-commerce”, afirma o estudo assinado por Leandro Fontanesi. O documento também cita uma pesquisa realizada pela Nielsen na China que diagnosticou o desejo dos seus moradores de fazerem agora mais refeições em suas residências do que antes da pandemia do coronavírus.

Avaliando a possibilidade de um cenário de queda de 50% no consumo de alimentos e bebidas fora de casa, o Bradesco BBI estima uma redução de 21% na venda de cervejas no Brasil, enquanto o consumo de bebidas não alcoólicas aumentaria 11%. Isso porque 58% das pessoas têm preferência pelo consumo de cerveja quando estão longe do domicílio, porcentual que cai para 19% na residência.

Nesse cenário mais extremo, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da Ambev sofreria redução de 14%. E a queda ficaria em 11%, 8%, 6% ou 3% caso o consumo externo caia 40%, 30%, 20% ou 10%, respectivamente, de acordo com a análise do Bradesco BBI.

Dependência de bares
Essas dificuldades para a Ambev também são apontadas em relatório do BTG Pactual. A avaliação de Thiago Duarte e Henrique Brustolin é de que a multinacional será a empresa mais afetada pela crise no setor por ter maior dependência das vendas em bares e restaurantes.

A análise segue a mesma vertente do material produzido pelo Bradesco BBI, que aponta um dado expressivo: 62% das vendas da Ambev são para esses estabelecimentos, acima da média brasileira.

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O BTG Pactual também avalia que a crise do coronavírus se junta a outros cenários considerados desfavoráveis para a Ambev, como “menor consumo fora do domicílio, aumento da concorrência e mudança da preferência do consumidor de marcas tradicionais”.

Além disso, a crise do coronavírus, somada ao clima turbulento provocada pela grave crise política, tem reforçado a desvalorização do real frente ao dólar, que fechou a última sexta-feira  cotado a R$ 5,59. “(A crise) pode não apenas reduzir volumes, mas também prejudicar ainda mais as margens devido a um canal pior de variedade de produtos”, conclui o estudo.

Os efeitos da crise do coronavírus sobre a Ambev poderão começar a ser contabilizados na próxima semana, em 7 de maio, quando a empresa vai divulgar o balanço financeiro do primeiro trimestre de 2020.

34 marcas se unem para lançar cerveja celebrativa dos 60 anos de Brasília

Brasília completou 60 anos no dia 21 de abril. E, mesmo com o clima turbulento na capital do país, que vive em meio à pandemia do coronavírus e a uma grave crise política, as cervejarias da região dedicaram um presente mais do que especial: um rótulo colaborativo – a Quadradinha – feito por 34 marcas.

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O projeto foi uma iniciativa da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal do Distrito Federal (Abracerva-DF) e surgiu a partir de uma ação coordenada entre fornecedores de insumos, produtores e distribuidores de cerveja locais.

Batizada como Quadradinha em função do apelido da capital, derivado do formato de suas fronteiras, a bebida é uma Hop Lager puro malte. Trata-se de uma cerveja clara, leve, pouco alcoólica e fácil de beber, segundo descreve a Abracerva. Tem, ainda, 5% de teor alcóolico e 22 IBUs.

Entre as 34 marcas participantes, por sua vez, 33 são cervejarias e uma é a Candango Bräu/Agrária, loja de insumos que doou a matéria-prima para a fabricação do rótulo que, por sua vez, foi produzido na Bezy, de Sobradinho.

Segundo Pedro Capozzi, presidente da Abracerva-DF, os fundos arrecadados na venda da Quadradinha serão destinados para ações de divulgação das cervejarias locais e pequenos negócios afins, como bares associados.

“Nossa ideia foi a de unir diversas marcas de Brasília para produzir uma cerveja artesanal com qualidade e baixo custo para o cliente final. Os fundos arrecadados vão ser destinados para ações da Abracerva, divulgando pequenos comércios e seus respectivos sistemas de entrega, take out e lojas virtuais”, detalha Capozzi.

A cerveja será distribuída entre associados da Abracerva-DF e cada um comercializará a lata em suas respectivas plataformas. O preço da Quadradinha será fixado em R$ 8 (lata de 473ml).

Confira os participantes da ação: Agrária/Candango Bräu (fornecedor de insumos), 2 Candangos, Activista, Bezy, Biela Bier, Bracitorium, Brasília Bier, Brother Brew, Bunker, Candango Bräu, Cerrado Beer, Corina, Corrupta, Criolina, Cruls, Dümf, Edbeer, Embuarama, Estória, Fermentaria, Giro, Godofredo – 408 Norte, Gont’s, Hop Capital, Inocente, Metanoia, Nomocó, Quatro Poderes, Recanto, São Bento, Satori, Substanz, Totem e V2 Custom Beer.

Emicida, Rashid e Marcelo D2 participam de festival de lives da Budweiser no domingo

Em tempos nos quais praticamente todas as interações sociais precisam ser reinventadas, as apresentações culturais e musicais não são exceções. Com a alternativa sensação do momento sendo as “lives”, as grandes marcas de cerveja, tradicionais patrocinadoras de shows, se adaptaram para continuar desempenhando esse papel em eventos digitais com fundo social.

Neste domingo, por exemplo, a Budweiser promove um “festival multiplataforma”, em projeto que arrecadará fundos em benefício de profissionais de saúde.

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Parte de um movimento que a marca batizou como #OneTeam, o evento visa promover a diversidade musical. E terá shows de nomes de peso do rap nacional como Emicida, Marcelo D2, Karol Conka, BK, Rashid, Drik Barbosa e Rincon Sapiência. Enquanto isso, um time de especialistas se revezará nos comentários e entrevistas com os artistas.

O festival será a partir das 14h e a transmissão vai acontecer pelas plataformas digitais da Budweiser, transformadas em palcos integrados: o YouTube sediará os shows, enquanto o Twitter abrigará as conversas entre os comentaristas nos intervalos das apresentações. Já o Instagram promoverá interações entre artistas e fãs após os shows, com o aplicativo de videochamadas Zoom recebendo as “after parties”.

O projeto #OneTeam é um movimento para arrecadar fundos visando a compra de kits de proteção doados a organizações como Médicos Sem Fronteiras e Associação Médica Brasileira. A cervejaria fará uma contribuição inicial de R$ 1,5 milhão e, ao longa das transmissões, incentivará as doações por parte do público por meio da plataforma Abrace uma Causa.

“Como grandes apoiadores de festivais, sabemos que existe espaço para todos os gêneros musicais. O nosso festival traz essa diversidade musical para a cena das lives e propõe um formato inovador para que os fãs tenham uma experiência completa sem sair de casa”, afirma Bruna Buás, diretora de marketing de Budweiser.

“Neste momento, os profissionais da saúde são nossos principais aliados no combate à Covid-19. Estaremos ao lado deles valorizando toda a sua dedicação e esperamos contribuir da melhor forma para que enfrentem esse desafio diário em suas carreiras e vidas pessoais”, completa Bruna.

Funk lives
Nesta sexta-feira, a Amstel também promoveu lives com finalidade de arrecadar fundos para as vítimas do novo coronavírus, em parceria com o canal musical Kondzilla.

Com doações destinadas ao projeto social Mães de Favela, da Central Única das Favelas (Cufa), que ajuda mães de comunidades que passam dificuldades por conta do coronavírus, o Kondzilla Festival em Casa aconteceu em duas etapas, sendo a primeira na última segunda-feira. E reuniu nomes que estão no topo das playlists de 2020, como Dani Russo, MC Dede e Kevinho, MC MM, Jottape e Mila.

Blumenau trocará Hazy IPA por alimentos; Therezópolis também faz campanha

O conceito de união é bem conhecido no setor de artesanais, exemplificado pela criação de vários rótulos colaborativos. E a necessidade da coletividade na sociedade fica ainda mais clara em momentos de crise como a do coronavírus. Conexão que foi colocada em prática em ações da Cerveja Blumenau, com sua nova Hazy IPA, e da Therezópolis.

Junto com 5 Elementos, Narcose, Trilha e Suricato, a Cerveja Blumenau criou uma Hazy IPA com goiaba. E, no próximo domingo, uma ação envolvendo esse rótulo vai arrecadar alimentos para os mais afetados pela Covid-19.

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Será a primeira edição do “Drive-thru Solidário” na cidade do interior catarinense. Quem doar cinco quilos de alimentos não perecíveis levará para casa dois litros de cerveja da Blumenau: um da tradicional Pilsen e outro da Confraria Hazy IPA com goiaba.

A iniciativa acontecerá das 9h às 13h na fábrica da Blumenau, na Rua Arno Delling, 388. A expectativa é de arrecadar 5 toneladas de alimentos. E os mantimentos serão destinados para as seguintes entidades: Associação de Amigos, Pais e Portadores de Mielomeningocele (AAPPM), Associação Puro Amor e Casa de Acolhida São Felipe Néri.

“Nós entendemos que é o momento de fazer a diferença na vida das famílias mais afetadas pela crise causada pelo novo coronavírus. Por isso, estamos disponibilizando o que temos de mais precioso: os nosso produtos. Esperamos que o público compareça e apoie também”, comenta o diretor da Cerveja Blumenau, Valmir Zanetti.

Criada pela Blumenau com as cervejarias 5 Elementos, Narcose, Trilha e Suricato, a Hazy IPA também teve o apoio da LNF e da Agrária Maltes. Ela tem teor alcoólico de 10,5% e 60 IBUs. Os lúpulos usados foram Galaxy, Enigma e El Dourado.

“É uma cerveja muito significativa. São cinco cervejeiros experientes e marcas que são respeitadas pelo público. Usar uma receita com tanto conhecimento para apoiar famílias que estão passando por momentos difíceis torna essa receita ainda mais especial para todos nós”, comenta Marcos Guerra, cervejeiro da Blumenau.

Já a Pilsen da Blumenau, outro rótulo a ser trocado por alimentos no domingo, tem aroma maltado e sabor leve de malte e lúpulo. O teor alcoólico é de 4,3%.

Therezópolis
Integrante da Rota Cervejeira RJ, por sua vez, a Therezópolis fará uma ação social neste sábado, das 14h às 18h, na Vila St.Gallen, em Teresópolis, com o objetivo de arrecadar uma tonelada de alimentos que serão doados ao projeto Metanoia Radical.

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De acordo com a cervejaria, cada pessoa poderá fazer, no máximo, duas doações. A quantidade mínima prevista é de 2 kg por litro de chope ou seis unidades de lata.

Por conta da pandemia de coronavírus, a cervejaria tomará todas as providências para que tudo seja feito com máxima segurança e higiene. “Use máscaras na ida ao local para doações e fique ainda mais protegido”, recomenda a Therezópolis.

Com criatividade, cervejarias inovam e investem mesmo durante o isolamento social

O impacto do isolamento social atingiu em cheio o mercado de artesanais, não só no Brasil, mas até mesmo em países onde o setor está mais consolidado, como nos Estados Unidos. Há um cenário de cortes de investimentos, demissões e paralisação da produção, provocado pelo comprometimento do fluxo de caixa.

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Embora a redução das atividades seja uma realidade, há boas iniciativas sendo realizadas para encarar as dificuldades causadas pela crise do coronavírus. Empresas do setor cervejeiro têm apostado em novos modelos comerciais, realizando lançamentos e ações de marketing. Com criatividade, otimização de recursos e aportes seletivos, muitas marcas estão conseguindo tirar do papel projetos novos em pleno isolamento social.

É o caso da cervejaria Los Compadres, de Atibaia, no interior de São Paulo. Por lá as atividades foram suspensas em função do fechamento dos pontos de venda. Mas o que era um problema se transformou em oportunidade para os investimentos em obras e equipamentos para ampliação da produção.

“Aproveitamos a fábrica parada para dar início às obras de ampliação, tendo em vista que foi necessário que toda a cozinha e a adega fossem desativadas. Os próximos meses ainda são uma incógnita, por isso no momento estamos focando nas obras e em voltar com novidades”, revela Camille Barioni, sommelière, sócia e responsável pelo marketing da Los Compadres.

Lançamento de novos rótulos
Há várias microcervejarias que estão produzindo durante a quarentena e até mesmo apresentando ao mercado novas receitas. A Júpiter, de São Paulo, por exemplo, planeja lançar em breve dois rótulos exclusivos para assinantes do Clube do Malte, um market place que entrega cervejas através de um serviço de assinaturas.

David Michelsohn, mestre-cervejeiro da marca paulistana, destaca que a busca por novos canais e formatos de venda é importante neste momento de crise. “Acreditamos que com criatividade e solidariedade podemos encontrar soluções e nos fortalecer”, diz.

Igualmente, a Startup Brewing, cervejaria de Itupeva, no interior de São Paulo, através da sua marca UX Brew, fez um lançamento inovador para o rótulo West Trends#2.

Em uma ação comercial muito bem executada com os pontos de venda, as latinhas foram comercializadas e entregues antes da apresentação oficial, via delivery. Logo depois, em dia e hora marcados para o lançamento, os clientes abriram suas latinhas junto com a cervejaria em uma “live” no Instagram.

Novos modelos comerciais
A crise também está motivando investimentos em novos modelos comerciais, como no caso da Dortmund Bier, de Serra Negra, que está investindo na viabilização da venda de seus rótulos em restaurantes, lanchonetes e pizzarias que fazem delivery na região – e que tradicionalmente não trabalhavam com marcas artesanais.

Uma dificuldade desses estabelecimentos era estocar o chope. Por isso a cervejaria resolveu eliminar esse empecilho fazendo a entrega dos growlers já cheios, prontos para a comercialização, facilitando a operação dos restaurantes.

“Eles não precisam se preocupar em ter uma estrutura para encher os growlers, estamos fazendo isso por eles. Só precisam vender e entregar”, salienta Marcel Longo, sócio-diretor da Dortmund, informando ainda que, como parte do investimento, a cervejaria diminuiu sua margem e não está cobrando os estabelecimentos pelos growlers.

Covid-19: Bares e restaurantes cortaram 1 milhão de empregos, diz ANR

As medidas de isolamento social, implementadas por conta da pandemia da Covid-19, já causaram milhares de cortes de empregos na maioria dos bares e restaurantes brasileiros. É o que aponta uma pesquisa divulgada pela Associação Nacional de Restaurantes (ANR), entidade que representa 9 mil pontos comerciais em todo o país, entre redes, franquias e restaurantes independentes.

O levantamento, realizado entre 9 e 15 de abril, mostrou que 76% afirmaram ter demitido funcionários – em março o volume era de 62%. Antes da crise, o setor contava com cerca de 6 milhões de empregos e faturava R$ 400 bilhões anualmente. A estimativa da entidade é de que cerca de 1 milhão de postos de trabalho já tenham sido cortados desde março.

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A pesquisa apontou ainda que 68% das empresas do setor só possuem caixa para suportar mais 30 dias fechados ou em delivery. E outros 22% afirmaram que irão fechar o estabelecimento em definitivo caso esse cenário se confirme.

Segundo o levantamento, mesmo com a operação em delivery ou “take away”, 65% dos estabelecimentos estão faturando apenas um terço do valor anterior à pandemia. Apesar disso, 77% disseram estar em dia com a folha de pagamento dos funcionários.

Mas, para maio, a grande maioria dos estabelecimentos – 76% – disse que só conseguirá pagar os salários por meio dos acordos de redução de jornadas e suspensão dos contratos de trabalho. Essa possibilidade é permitida pela Medida Provisória (MP) 936, conhecida como MP dos Salários.

Para o presidente da ANR, Cristiano Melles, prorrogar os prazos da MP é crucial para a sobrevivência do setor de bares e restaurantes. O assunto está sendo discutido com as autoridades em Brasília.

“Neste momento estamos empenhados em convencer deputados e senadores, e também o Ministério da Economia, a ampliar os prazos”, argumenta Melles.