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Hoegaarden e Goose Island reforçam ligação com a arte e a cultura urbana

Nem só de deliveries e happy hours virtuais vivem os amantes de cerveja na quarentena. Na falta dos eventos presenciais, Hoegaarden e Goose Island, sediadas em São Paulo no pulsante bairro cultural de Pinheiros, buscam alternativas para se manterem ligadas à criatividade. E, enquanto a Hoegaarden se move para promover oficina de pintura, a Goose Island se aventura literalmente lançando moda.

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A Hoegaarden idealizou o projeto Paint & Drink com a empresa que leva o mesmo nome. Em sua terceira edição, o evento visa proporcionar uma nova modalidade de consumo de arte e música durante o distanciamento social: pintar a própria tela ao som de boa música e de uma cerveja.

O encontro virtual, pela plataforma Zoom, contará com a presença de mulheres artistas e terá foco na arte brasileira. Enquanto a cantora Mari Branco vai interpretar clássicos de Caetano Veloso, Gilberto Gil e Novos Baianos, a artista plástica Camila Gimenez, fundadora do Ateliê Ihama e cuja arte tem influências naif e nordestinas, conduzirá uma oficina de pintura. Tudo acompanhado da cerveja Hoegaarden que faz parte do kit da experiência.

“O propósito da Paint & Drink está alinhado com nossa essência, de incentivo a momentos de relaxamento e bem-estar, por isso, nos unimos novamente ao projeto e desejamos levar mais leveza e inspiração para a casa das pessoas”, conta Thiago Leitão, gerente de marketing de Hoegaarden.

A terceira edição do Paint & Drink será realizada neste sábado, às 15 horas, com transmissão ao vivo pela plataforma Zoom. Os ingressos, limitados, podem ser adquiridos no site do evento.

Moda cervejeira
Já a Goose Island se uniu à marca paulistana de streetwear Altai na concepção da Goosebumps, uma linha de vestuário que inclui meias, camisetas, chapéus e jaquetas com estampas unindo os universos da música e da cerveja.

“Sempre buscamos unir forças com parceiros que tenham uma essência parecida com a nossa. Goose e Altai têm muito em comum. Nesse projeto fomos além da cerveja e trouxemos uma coleção única que une a essência das duas marcas com o conceito da cerveja e da música”, conta Thiago Leitão, também gerente de marketing da Goose Island.  

“Traduzi as marcas através de dois personagens, o lúpulo e a guitarra e, junto deles, foi criado um pattern que mostra todo o universo que gira em volta dessa collab”, acrescenta Lucas Sanches, designer da Altai Company.

As peças da linha Goosebumps estão disponíveis no site da Altai, no Empório da Cerveja e na loja online da Goose Island Brewhouse.  

União de cervejarias é o caminho para a diferenciação das embalagens a bons preços

Com a reconfiguração do consumo de cerveja durante a pandemia, as demandas e o modo de se enxergar as embalagens e suas funções também passaram por transformações profundas. Ao beber em casa, o público cervejeiro passa a valorizar outras características das garrafas e latas. Assim, na visão da diretora-executiva da Associação Brasileira de Embalagem (Abre), Luciana Pellegrino, esse cenário impõe às marcas novos desafios. E a união entre empresas pode ser a saída para apresentar um rótulo atraente e com preço competitivo.

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Assim como a maioria dos setores, a indústria de embalagens sentiu impactos da paralisia das atividades econômicas por causa da crise do coronavírus. Depois de um primeiro trimestre relativamente estável, a produção de embalagens como um todo teve queda de 11% no volume de fabricação em abril, se comparado ao mesmo mês do ano passado.

Já as embalagens de vidro começaram a apresentar redução na produção em março – 15,6% no terceiro mês de 2020 e 20% em abril -, enquanto o recuo nas embalagens de metal foi de 3,6% e 32,2% no mesmo período, respectivamente.

Os números, no entanto, poderiam ser piores se as embalagens não estivessem ligadas também a setores e produtos considerados essenciais. “Grande parte delas atende a produtos essenciais, que estão mantidos. Mas tem uma parte que é de itens não essenciais e outras mais sensíveis à diminuição da circulação de pessoas e da atividade do comércio”, aponta Luciana.

A indústria de bebidas, diz ela, está no segundo grupo e demandou volume 4,3% menor de embalagens no primeiro trimestre, em relação ao mesmo período do ano anterior.

Mudanças e caminhos
Luciana vê, na troca do barril pelas garrafas, latas e growlers, um dilema desafiador para as cervejarias de pequeno porte. Por um lado, se não estão vendendo grandes volumes com o apoio de embalagens retornáveis para bares e restaurantes, por outro as cervejarias se veem obrigadas a investir em diferenciação para o consumidor que está comprando latas, garrafas e pedindo cerveja em casa. “São empresas pequenas, mas que buscam embalagens exclusivas, e que enfrentam o desafio da escala.”

Isso acontece pois, segundo ela, a produção de uma garrafa exclusiva requer o desenvolvimento de um molde específico. “É um investimento alto, que só se justifica com uma produção em larga escala”, afirma Luciana, lembrando que a produção das artesanais não é considerada grande para as dimensões de fabricantes de vidros.

Um caminho para que cervejarias de pequeno porte consigam condições interessantes na busca por certa exclusividade nas embalagens, acrescenta ela, é o da união: diversas marcas concordam em usar e comprar coletivamente um formato que ajude a posicionar seus produtos, conseguindo bons preços junto aos fabricantes. “A diferenciação acaba mesmo acontecendo pelo rótulo.”

Luciana lembra que a dificuldade é ainda maior quando o delivery entra em cena como parte inevitável da estratégia das cervejarias. Em sua avaliação, a entrega hoje não se limita ao transporte de um produto, mas se configura, em muitos casos, como a principal ferramenta de adaptação da experiência antes restrita a bares e restaurantes para o ambiente da casa.

Teresa Cristina fala sobre necropolítica e relação entre samba, cerveja, mulher e Ogum

O artista é um importante ator político. Essa visão se reflete nos posicionamentos de Teresa Cristina, importante representante do samba brasileiro, apresentados na live semanal do Guia. Na entrevista realizada nesta quarta-feira, ela comentou sobre a carreira, o sucesso das suas interações digitais diárias, um dos marcos da quarentena, e o primeiro patrocínio da carreira.

Para a cantora, calar-se diante de absurdos políticos, como a sugestão de invadir hospitais para verificar se leitos estão ocupados por pacientes com coronavírus ou ignorar recomendações de autoridades sanitárias, seria um “crime”.

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Apesar disso, Teresa Cristina prefere não enxergar um cenário desolador no Brasil, apontando o que a cultura nacional segue produzindo. Um dos maiores exemplos disso é a a live diária em que ela dá espaço para artistas pouco conhecidos, como uma resposta de “afeto e amor à necropolítica”.

O sucesso das transmissões levou Teresa Cristina, uma mulher negra, a conseguir o primeiro patrocínio da sua carreira, da cervejaria Original, que apoiará uma live da cantora marcada para o próximo sábado – já havia realizada outra, em 30 de maio.

Na entrevista ao Guia, Teresa Cristina também comenta sobre a relação entre cerveja e samba, a sua formação musical, a participação no processo de revitalização da Lapa, no Rio, e como acredita ter construído o seu sucesso dando um passo de cada vez.

Confira, neste link, a live na íntegra. E, abaixo, um resumo da entrevista.

Influência de Candeia
A partir de uma pesquisa sobre o Candeia, conheci o Wilson Moreira, a Velha Guarda da Portela, conheci Monarco, Paulinho da Viola… Comecei a cantar na Lapa em 1998, cantando Candeia. Era um visionário, um ativista social e político dentro do samba. Alguém que abriu caminhos para eu aceitar e falar da minha negritude.

A participação no renascimento da Lapa
A Lapa era um lugar boêmio nos anos 30 e 40, frequentado por Francisco Alves, Cartola e outros nomes. No fim dos anos 90, a rua do Semente (bar na Lapa) era quase deserta, tinha muita criança cheirando cola. Com a frequência, o quadro foi mudando, se tornou uma rua atrativa. Tinha eu cantando samba no bar, a padaria aproveitava o som e colocava mesas na calçada. E também tinha forró, concerto de harpa, a galera do metal na calçada, sósias de cantores bregas e sertanejos. Era uma confusão de gente.

A influência da Lapa em sua formação cultural
Eu entendi que as pessoas estavam cansadas das músicas da rádio e da TV. A Cristina Buarque ajudou enriquecendo o repertório, nos dando gravações de Zé Keti, da turma da Portela, de cantores do rádio. Eram songbooks antes mesmo de eles existirem. Tínhamos um público atrás de música que não era imposta. Me fez bem, para pesquisar, ir atrás de repertório.

Relação entre samba e cerveja
A cerveja é companheira do samba. Em uma live, a Mãe Dora explicou que Tia Ciata, que trouxe o samba para o Rio, quando ela se fixou na Praça XI, fez um assentamento para Oxu e Ogum. E a bebida de Ogum é a cerveja. Existe algum segredo entre o samba e a cerveja. E entre o samba e a cerveja, existe o sambista, que consome a cerveja. É um combustível.

A cerveja na cultura brasileira
É a bebida perfeita, é gelada, dá uma animação, como o samba, é um motorzinho de felicidade. É uma celebração, motivo para encontrar um amigo. “Vamos tomar uma cerveja”, “vamos tomar uma saideira”, “com fulano eu não bebo”. São expressões que significam outras coisas, e têm outras interpretações.

O sucesso da sua live
As coisas que faço começam pequenas. No Semente, na primeira noite, tinha 20 pessoas. E depois ficava gente na rua, porque não cabia lá dentro. As lives, comecei com 80, 120, 300 pessoas e foi aumentando. A gente vive em um país onde 2% são milionários, e a base é humilde e trabalhadora. Mas há um senso de que tudo precisa ser gigante, especialmente na arte. Conseguir observar o crescimento do meu trabalho é muito importante. É com o crescimento gradativo que eu aprendo e entendo o que é meu trabalho.

A dificudade para conseguir patrocínio de uma marca de cerveja
Quando comecei a cantar na Lapa, não bebia. Vários sambistas eram patrocinados por cervejas, e eu achava que não era patrocinada por isso. Mas o Dudu Nobre era patrocinado e não bebia. (…) Depois, eu voltei a beber. Foi um reencontro com um amor antigo. Quando começaram as lives, comecei a beber nelas. E virou um combustível. Eu faço live todo dia, bebo todo dia, mas só durante a live. E quando vejo, bebi seis cervejas. Eu consumia muito uma marca. As pessoas provocavam a marca, durante uns dois meses, para que me patrocinasse. Mas a marca, para ela, eu não era uma prioridade. Fiquei chateada, parei de mostrar. (…) Depois de um tempo, a Original patrocinou a minha primeira live. E não é só o patrocínio, é o carinho. A primeira live foi incrível e agora vou fazer a segunda. A gente tem de retribuir o amor que a gente recebe.

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A dificuldade para obter o 1º patrocínio
A mulher negra no Brasil não pode errar, precisa ser perfeita. Se erra, ela é cobrada. E temos de agarrar a oportunidade. Para ser bem-sucedida, você precisa estar sempre pronta. (…) A gente está sempre no final da fila, às vezes nem no final. Eu bati na porta de empresas sobre meus shows do Candeia, do autoral, do DVD. E a resposta era “dessa vez, não. Quem sabe da próxima”. Então pensava: “Não é o que eu faço. Sou eu”. Foi preciso ter cabeça firme, e graças a Deus eu tenho, para não me achar o problema.

A cultura brasileira em meio à crise
As engrenagens estão em movimento, o Brasil não é mais o mesmo, mesmo que estejamos em um cenário inimaginável, de não ter um ministro da Saúde há dois meses em uma pandemia. Ao mesmo tempo, porém, o que está uma m…, sempre esteve, só que agora está cheirando. Temos alicerce e base para nos reerguer. A criação cultural do Brasil continua linda e produzindo. A gente não pode achar que tudo é um governo que a gente nem sabe até quando vai durar. (…) O samba atravessa dois séculos porque tem base. E quem está no poder, não deu certo em lugar nenhum do mundo, não vinga em lugar nenhum. Estamos vivos, produzindo, compondo, tomando nossa cerveja. E podemos ficar bêbados em casa na quarentena.

O posicionamento político dos artistas
Eu entendo o medo de se posicionar e ter uma imagem vinculada a algum político e aí prefere-se manter a neutralidade. Temos experts nisso. Mas hoje temos o enfrentamento da política da morte, tem a Covid-19 e tem o covarde, dando as costas para morte, incentivando a invasão de hospital, com gente morrendo lá dentro. Não vejo minha postura como a favor de um partido, mas a favor da vida. A minha, da família, do meu estado: o Rio de Janeiro tem mais mortes do que a China. Os dirigentes querem abrir academia, abrir escola, liberar aglomeração em igreja evangélica, desorientando a população, ignorando a OMS, a base científica. Não se pode botar isso acima da ciência. (…) A arte existe para modificar a realidade, é uma interferência. Se eu não grito a ausência de um ministro da Saúde, eu estou concordando com isso. Se não reclamo de alguém que manda invadir hospitais, eu concordo com isso.  (…) Se eu não usar a minha ferramenta para isso, não tem por que eu ter uma live. O silêncio hoje é criminoso, não se aplica, é inconcebível. O artista, se ficar quieto, não só não ajuda a quem precisa, como está colaborando com atitudes anti-vida. Não consigo me imaginar sem falar dessas coisas.

As razões para a mulher não ser associada à cerveja
Quando a mulher repete um gesto masculino, ela é considerada vulgar. Os homens se vangloriam de seduzir e se relacionar. O homem pode beber dez cervejas sozinho no botequim. E isso é vangloriado. Qual é o nome da mulher que faz isso? É uma questão de sexo. A mulher é piranha e puta na mesma situação. A mulher não pode nem amamentar em público. Tomara que as lives que estou fazendo incentivem mais mulheres a entrar no botequim. Ela continuará sendo a mesma mulher, mas talvez mais feliz.

A ancestralidade e o apoio a artistas pouco conhecidos
A ancestralidade são as histórias que se repetem para se aprimorar. Se eu estou aqui na Terra, tenho dívidas a pagar. Então preciso ser melhor. Quando olhamos para o outro e enxergamos nele o nosso Deus, e não em um objeto, quando enxergamos o divino no outro, a gente também se torna divino. Criamos um elo que não para. É bom ser ajudado, então também é bom ajudar. (…) Eu sei o que é não ter oportunidade. É muito bom dar janela para alguém. A gente cria um círculo de afetos, e só com o afeto e o amor a gente pode sobreviver contra a necropolítica.

Balcão do Advogado: Reflexões jurídicas sobre o caso Backer

Balcão do Advogado: Reflexões jurídicas sobre o caso Backer

A tragédia da contaminação de cervejas da Backer deixou uma mancha no mercado de bebidas alcoólicas e, principalmente, no setor cervejeiro artesanal. O caso Backer prejudicou o mercado como um todo, lançando dúvidas sobre a segurança dos procedimentos de produção das microcervejarias.

Trata-se de um caso de repercussão internacional sem precedentes na indústria cervejeira mundial e, pelo seu ineditismo, é preciso tirar uma série de lições a respeito do que aconteceu, com o fim de que nunca se repita.

Ineditismo
De acordo com um estudo sobre o dietilenoglicol publicado em 2017 na revista médica Clinical Toxicology, da Academia Americana de Toxicologia Clínica, existem relatos de contaminações em 11 países (Estados Unidos, África do Sul, Nigéria, Bangladesh, China, Panamá, Espanha, Índia, Áustria, Argentina e Haiti), nas quais faleceram pelo menos 750 pessoas. Em praticamente todos esses episódios, a contaminação pela substância tóxica ocorreu em medicamentos ou preparações farmacêuticas. A exceção foi na Áustria, que, à semelhança do episódio brasileiro, envolveu uma indústria de bebidas alcoólicas.

No caso austríaco, conhecido como o “escândalo do anticongelante”, ocorrido em 1985, alguns produtores de vinhos misturaram, propositalmente, dietilenoglicol à bebida para aumentar o seu dulçor. A manobra foi descoberta antes que os vinhos contaminados ocasionassem vítimas, mas custou aos produtores austríacos uma queda sem precedentes na exportação de seus vinhos.

Portanto, é possível verificar que o presente caso é inédito, haja vista ser a primeira ocorrência de contaminação de cerveja por dietilenoglicol no mundo.

Erros consecutivos
Como a maioria das tragédias, esta também poderia ter sido evitada. Geralmente, é necessária uma série de erros consecutivos para ocasionar situações como a relatada aqui, o que demonstra que a identificação de apenas alguns dos erros da cadeia já teria sido suficiente para mitigar os danos e, eventualmente, as fatalidades.

Fazendo um exercício com base nas informações colhidas pelo inquérito policial, verificam-se que as principais falhas que ocasionaram a contaminação (sem ordem de relevância) foram:

  • Uso de substância tóxica como anticongelante (mono/dietilenoglicol): a imensa maioria das microcervejarias utiliza álcool, por ser um produto seguro e mais barato;
  • Descumprimento do disposto no manual de instruções do tanque, que recomendava o uso de álcool como anticongelante;
  • Tanque fermentador com defeito: furo na solda que ocasionou a contaminação;
  • Falta de manutenção dos equipamentos;
  • Falta de implementação de sistema de controle para redução de riscos (APPCC);
  • Falha na supervisão/identificação do vazamento na bomba de refrigeração;
  • Expansão acelerada da capacidade fabril sem as adaptações necessárias.

Da análise dos erros citados, denota-se claramente que a maioria poderia ter sido perfeitamente evitada através de soluções simples.

Lições e soluções
Dentre as falhas citadas, chama a atenção o furo no tanque fermentador apurado pela investigação policial, tanque esse alegadamente novo e recentemente adquirido pela cervejaria, ou seja, apresentando defeito de fábrica.

Apesar de a cervejaria ter descumprido o previsto no manual de instruções do equipamento, o que poderia ser considerado mau uso, o defeito encontrado pode ocasionar a responsabilização cível da fabricante do tanque pelo dano causado às vítimas da contaminação.  

Isso porque, não tivesse furo na solda do tanque, não teria a cerveja sido contaminada. Não se trata de responsabilizar única e diretamente a fabricante pelo ocorrido, mas de levantar a suscetibilidade dela figurar como ré solidária em ação de reparação de danos às vítimas, à luz do art. 25, § 2º, do Código de Defesa do Consumidor (CDC), que prevê a responsabilidade solidária de todos que contribuíram para a causação do dano.

No sentido de evitar esse tipo de problema no futuro, e a fim de resguardar e proteger ambas as partes envolvidas no contrato de compra de equipamento, é essencial a inclusão da cláusula de try-out (já comentada nesse artigo). Por meio dessa cláusula, ambas as partes asseguram que o produto está sendo entregue nas condições ideais de funcionamento, evitando-se assim defeitos de fábrica.

Consequências cíveis
A tragédia ocasionou à cervejaria Backer e aos sócios da empresa uma série de implicações nas esferas cível e penal (essa não será tratada aqui). Por se tratar de uma relação de consumo, é necessário recorrer ao CDC para compreender melhor as possíveis consequências cíveis à empresa, ao grupo econômico do qual a cervejaria faz parte e aos sócios.

Inicialmente, no que tange à utilização de substância nociva à saúde, é importante mencionar a regra geral insculpida no artigo 10 do CDC, inserida em uma seção destinada à proteção, à saúde e à segurança do consumidor, pela qual:

o fornecedor não poderá colocar no mercado de consumo produto ou serviço que sabe ou deveria saber apresentar alto grau de nocividade ou periculosidade à saúde ou segurança.

Do ponto de vista da responsabilização, segundo o artigo 12 do CDC, o fabricante responde pela reparação dos danos causados aos consumidores independentemente de culpa. No caso em comento, no qual ocorreu contaminação culposa (ou seja, sem intenção), a cervejaria é obrigada a ressarcir as vítimas (todos que ingeriram o produto, mesmo que não tenham comprado) que sofreram danos pelo consumo da cerveja contaminada com dietilenoglicol.

Entre esses danos passíveis de reparação compreendem-se: dano moral (abalo emocional/psíquico das vítimas e de familiares), dano estético e dano material (pensionamento por morte, despesas hospitalares e de tratamento, apoio psicológico para vítima e familiares etc.).

Ademais, o art. 28 do CDC dispõe que o juiz pode desconsiderar a personalidade jurídica da empresa (atingindo, assim, o patrimônio dos sócios) nas relações de consumo, quando:

[…] em detrimento do consumidor, houver abuso de direito, excesso de poder, infração da lei, fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social. A desconsideração também será efetivada quando houver falência, estado de insolvência, encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocados por má administração.

Nos parágrafos 2º e 5º, o artigo 28 ainda prevê a responsabilização subsidiária das sociedades integrantes dos grupos societários e as sociedades controladas, assim como a possibilidade de desconsideração da personalidade jurídica também quando ficar constatado obstáculo ao ressarcimento dos prejuízos causados aos consumidores.

Assim, considerando que a cervejaria Backer compõe um grupo econômico, todas as empresas que compõe esse grupo são responsáveis subsidiárias pela reparação dos danos. Sendo insuficientes os bens de todo o grupo econômico para reparar os danos das vítimas, é possível que os sócios da empresa tenham seu patrimônio atingido, no sentido de que as vítimas não fiquem desamparadas.

Em conclusão, o que se espera é que o caso Backer seja elucidado da melhor forma e que as vítimas consigam a reparação de um valor justo pelo dano que sofreram.

Também se espera que todas as lições e ensinamentos que essa tragédia deixou sejam assimilados da melhor forma pelo mercado, servindo para que as cervejarias tenham ainda mais atenção em relação à segurança alimentar e que busquem sempre maior profissionalização em todos os aspectos do negócio.


André Lopes, sócio do escritório Lopes, Verdi & Távora Advogados, é criador do site Advogado Cervejeiro

Investimento em tecnologia e higiene: As ações dos bares para reconquistar os clientes

Após mais de três meses impedidos de atender presencialmente seus clientes, os bares e restaurantes começam a se preparar para a reabertura no Brasil. O assunto é tratado de maneira diferente em cada região, por causa da evolução do surto do coronavírus, mas, de uma maneira geral, o foco parece ser o mesmo: reconquistar a confiança do cliente para voltar a atrair o público. Para isso, os estabelecimentos concentram suas atenções em medidas de higiene e no investimento em tecnologia.

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Retomar as atividades não significa simplesmente voltar a funcionar. Além das normas e orientações de higiene e distanciamento que devem ser seguidas, os estabelecimentos precisam entender as demandas dos clientes e utilizar novas tecnologias e processos.

A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), inclusive, preparou um extenso material de apoio com inúmeras orientações, que está disponível em seu site. A maior preocupação envolve as adaptações no atendimento, uma vez que bares e restaurantes já seguem rígidas normas de higiene em função da necessária segurança alimentar para evitar a contaminação dos produtos.

“Nosso maior desafio no momento é ganhar a confiança do consumidor e buscar recursos para superar os próximos meses quando ainda deveremos operar com prejuízos”, afirma o presidente da Abrasel, Paulo Solmucci, em entrevista ao Guia.

Portanto, o maior foco das mudanças nos estabelecimentos vai envolver o relacionamento humano. As mesas deverão estar separadas por mais de um metro. E novas tecnologias para minimizar o contato pessoal serão utilizadas. “Reserva de mesas online, cardápios digitais, sistema para fazer os pedidos e pagar pelo celular sem a necessidade de ter contato com o garçom é o que faz total sentido”, explica Fábio de Francisco, diretor do BaresSP, que oferece serviços de apoio às empresas nesse momento de retomada.

Para Fábio, não basta o estabelecimento implementar medidas de higiene e limpeza. Também será preciso comunicar isso com clareza aos clientes. “Mostrar que os funcionários estão higienizando as mãos o tempo todo, que as mesas e utensílios são limpos constantemente, disponibilizar álcool gel, tudo isso é importante comunicar e deixar claro aos clientes”, salienta o diretor do BaresSP.

A necessidade de mostrar ao público – e de forma ostensiva – as medidas que estão sendo tomadas pelo estabelecimento também é uma das preocupações do empresário Alexandre Gama Pinheiro, sócio do brewpub Kinke, na zona oeste da cidade de São Paulo.

“Tudo é uma questão de transmitir uma sensação de segurança para os clientes. No nosso caso, como cervejaria, já temos muita preocupação com a higienização e limpeza, e ainda vamos reforçar isso. Tudo o que aplicamos na nossa fábrica vamos repetir no nosso tap room. Temos que transmitir para o cliente uma sensação de que estamos cuidando dele”, ressalta.

Outro cuidado necessário aos empresários é rever os processos de atendimento e adotar novas tecnologias para minimizar o contato físico. “Não há outra pauta neste momento que não seja a inovação e a transformação da forma de gerar negócios”, aponta Iuri Mendonça, chef e proprietário do Cervisia Gastrobier, em Uberlândia (MG).

Aproximar-se do cliente e entender suas novas demandas também será importante durante a retomada, segundo Iuri. “Sempre procurei como empreendedor enxergar a oportunidade e não lamentar ou se entregar às dificuldades. Portanto, o momento agora é de resiliência e proximidade junto com o cliente para reconstruir esta equação diante do contexto do ‘novo normal’, para continuarmos a servir com aquilo que temos paixão de fazer: servi-los”, salienta o proprietário da Cervisia Gastrobier.

Crise e mudança no espaço
Todo esse esforço, contudo, não é garantia de sucesso. Os empresários precisarão retomar as atividades sem saber ao certo o que lhes aguarda no futuro. “O cenário mais otimista é que uma recuperação, muito lenta, deve ter início no final do ano. Para alguns segmentos, como casas de show, buffets e boates, isso vai levar mais tempo ainda”, projeta Solmucci, presidente da Abrasel.

Mesmo com todas as incertezas e desafios, a expectativa da Abrasel é de que o movimento de reabertura siga o visto em outros países, com os clientes voltando aos bares e restaurantes preferidos. “São lugares de encontro, de compartilhamento, de alegria e sempre tiveram uma ligação afetiva com as pessoas. Queremos também uma ajuda das prefeituras para usar mais espaços ao ar livre, como colocar mesas nas calçadas onde for possível, com isenção das taxas nesse período de retomada. Será uma importante forma de apoiar o setor”, ressalta Solmucci.

Para o sócio da Kinke, a reabertura vai provocar no início um sentimento de saudosismo e os clientes irão voltar aos estabelecimentos. Mas ele admite que isso pode provocar aumento no número de casos de coronavírus, o que levará as pessoas a realizarem mais confraternizações em casa, com os amigos. “Eu acho que as pessoas continuarão preferindo consumir em casa, mas agora com os amigos, já que a quarenta vai acabar e você poderá chamar os amigos. Teremos que conviver com isso”, avalia Alexandre.

Nesse novo cenário, muitos estabelecimentos precisarão realizar modificações com o caixa comprometido pela crise econômica. Segundo levantamento da Abrasel, 62% das empresas do setor estão com dificuldades para repor os estoques para a reabertura. E a mesma pesquisa mostrou que 81% das solicitações de empréstimos feitas por bares e restaurantes foram negadas pelos bancos.

“Já temos uma em cada quatro casas fechando as portas em definitivo, ou seja, 25%. Entre as que continuam em operação, há uma queda de faturamento em torno de 80%. É uma situação que nunca vivemos e o prejuízo deve ser da ordem de R$ 50 bilhões”, detalha Solmucci.

Mas o presidente da Abrasel enxerga que algumas alterações forçadas pela crise do coronavírus podem ter efeitos positivos para o segmento de bares e restaurantes. “O setor está sendo forçado a se tornar mais produtivo, com equipes e processos mais enxutos. A tendência é tornar as operações mais simples. Alguns hábitos adotados durante a pandemia também devem perdurar, como fazer reserva nos estabelecimentos, pedir delivery, fazer pagamentos com contato mínimo, etc.”, conclui.

Segurança sanitária e distanciamento: A ‘reinvenção’ das feiras no pós-coronavírus

Mesmo que o momento da retomada da maior parte das atividades ainda pareça distante no atual cenário de surto da Covid-19, já é possível – e até mesmo salutar – iniciar o planejamento para a volta das ações em diferentes segmentos. Será preciso realizar adaptações visando uma sociedade alterada pela doença, com novos comportamentos e práticas, para evitar a repetição dos problemas sanitários. É assim, também, para o setor de eventos, incluindo as feiras que serão realizadas após a pandemia do coronavírus.

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Afinal, mesmo que os casos arrefeçam, os riscos de contaminação não estarão encerrados. Haverá, a partir da volta das feiras, incluindo aquelas que são marcos importantes do setor, mudanças concretas decorrentes da virose. E elas envolverão ações para permitir o cumprimento do distanciamento, assim como o uso de equipamentos de segurança, que incluem luvas e máscaras.

“Toda a questão de atendimento presencial será retomada com medidas de distanciamento/prevenção, uso de máscaras e EPI’s pertinentes a cada escopo e case contratado. O estabelecimento que sedia o evento deverá, imprescindivelmente, atender os requisitos estruturais de segurança sanitária”, avaliam Michel Gervasoni e Patrícia Lopes, sócios da M&P Facility Services.

Como a volta será marcada por um natural receio de aglomerações, a retomada das feiras após a estabilização do coronavírus exigirá uma preparação especial dos expositores e organizadores para que os frequentadores sejam recebidos com segurança, algo que já deve começar a ser planejado e preparado, como destaca a M&P.

“A realidade antes vivida está se moldando para oferecer as condições seguras em um espaço confinado com público/visitantes ou até mesmo em áreas abertas, tal como respeitar o distanciamento social, entre outras medidas”, comentam Michel e Patrícia.

Para além das medidas empresariais a serem adotadas, a nova realidade exigirá também um comprometimento individual. A manutenção dos hábitos de higiene advindos da crise terá papel fundamental na volta segura das feiras. As estruturas, evidentemente, estarão adaptadas à nova realidade, mas cada indivíduo precisará agir com responsabilidade e cuidado.

“Sendo auto responsáveis ‘Do It Yourself (Faça Você Mesmo, em inglês)’ e nos atentando às orientações sanitárias para que haja cooperação no controle deste vírus, até o surgimento de uma vacina, entretanto, cremos que esses novos hábitos perdurarão”, apostam os sócios da M&P.

Luta contra o encolhimento
Outro desafio nesse momento é evitar o encolhimento do setor. Como as feiras são uma importante plataforma de negócios, adaptar suas estruturas para que os eventos ocorram de forma segura é importante para que os efeitos da crise não se propaguem ainda mais.

“É imperial o retorno seguro e obediente às normas de prevenção ao contágio”, ressaltam Michel e Patrícia, apontando a preocupação deles em fazer a parte da M&P na busca por viabilizar a realização das feiras.

Após superar a crise sanitária, a sociedade precisará também vencer e deixar para trás a crise econômica, com desemprego, aumento dos problemas e da desigualdade, além do fechamento de empresas. Para isso, a busca de parcerias e alternativas de negócios é uma das possibilidades efetivas com o intuito de lidar com esse cenário.

“É latente a consequência restritiva em eventos, não apenas pela suspensão dos negócios em si, mas efetivamente pela rede de parceria e troca de informação que esta vertical cria”, alertam os sócios, que já têm enxergado o cancelamento de várias feiras, trazendo efeitos negativos para diferentes setores da cadeia produtiva.

“O encolhimento desta vertical, que demanda a reunião de pessoas, é público e notório. Isso nos leva a perdas colaterais, entre elas, a rede de negócios, obrigando os gestores e networkings a se reinventarem”, acrescentam Michel e Patrícia.

Nos últimos meses, segundo os sócios da M&P, houve muito enxugamento e até extinção de empresas no setor de eventos. Para manter os produtos e serviços atualizados ao público-alvo dentro desse cenário, a empresa tem apostado em sinergia entre empresas e captação de leads assim como já funcionava antes, só que de maneira digital.

Assim, com a experiência em trabalhos de facilitação, a M&P assegura estar pronta para atuar no processo de “reinvenção” de eventos e feiras. “Reinvenção é a palavra que define a gestão da M&P Facility Services. Estamos olhando para novos horizontes também, uma vez que nosso carro-chefe – eventos – foi revisto. Atuaremos de forma técnica e reestruturada na retomada das atividades. Suspenso sim, cancelado nunca”, concluem Michel e Patrícia.

Vigilância sanitária fecha cervejaria em Manaus, mas Justiça anula interdição

A Justiça do Amazonas suspendeu a interdição da Mahy Cervejaria, ocorrida em Manaus no último fim de semana. A decisão foi tomada pelo juiz Gildo de Carvalho, de acordo com informações do G1 e da imprensa local.

O magistrado do Tribunal de Justiça do Amazonas considerou irregular a atuação da vigilância sanitária, que havia interditado a fábrica da Mahy Cervejaria por conta de irregularidades, como a presença de 1,8 tonelada de malte em embalagens perfuradas e com fezes de ratos.

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A autuação havia ocorrido após os fiscais Fábio Markendorf e Ana Hilda Costa, da Vigilância Sanitária da Prefeitura de Manaus (Visa Manaus), realizarem uma visita de rotina à Mahy Cervejaria, localizada no bairro Cachoeirinha, na zona sul da capital do Amazonas.

Lá, de acordo com informações divulgadas pela Prefeitura de Manaus, os fiscais encontraram furadas as 72 sacas que armazenavam o malte, com fezes de ratos e sem identificação de lote, data de fabricação, validade ou procedência.

“Não é permitido utilizar matérias-primas nestas condições, ainda mais para o preparo de bebidas destinadas ao consumo humano”, observa Markendorf, que diz também ter encontrado cascas do malte em diferentes pontos da sala, o que indicaria o seu consumo por roedores.

Os fiscais afirmam em seu relato que existiam diversos equipamentos de proteção individual (EPIs) espalhados pelo local, produtos de limpeza e sanitizantes fora do prazo de validade, insumos depositados diretamente no chão, cervejas envasadas sem identificação de lote e prazo de validade, falta de controle efetivo de pragas, uniformes secando em áreas comuns da fábrica e barris descartáveis na área de lavagem, em um indicativo de que seriam reutilizados.

Diante disso, em um ato administrativo, a Visa Manaus determinou a interdição da Mahy Cervejaria no último sábado. No mesmo dia, os representantes da empresa acionaram a Justiça pedindo a anulação do fechamento da fábrica. Na petição, a companhia assegurou seguir todas as normas sanitárias para o processo de produção da cerveja e apresentou comprovantes das ações de controle de pragas realizadas na fábrica.

Além disso, a cervejaria alegou que uma portaria do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) determina que as inspeções desse tipo só podem ser feitas pelo Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal (Dipov), que é um órgão federal, submetido ao Mapa.

O juiz Gildo de Carvalho, então, acatou o recurso da cervejaria e determinou a suspensão do ato administrativo de interdição. “Além dos agentes fiscalizadores não possuírem competência para impor esse tipo de penalidade, tal medida fere plenamente os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, pois como se sabe, a interdição total de um estabelecimento equipara-se a uma pena de prisão para uma pessoa, medida esta extrema, impossibilitando a mesma de realizar sua recuperação econômica diante da situação que o país se encontra”, diz o magistrado em seu despacho, em trecho publicado pela imprensa local.

Outro lado
A Mahy Cervejaria se manifestou através de nota oficial na noite desta segunda-feira, publicada em seu perfil no Instagram. A empresa destaca a decisão da Justiça, apontando, em sua visão, a ilegalidade de ter sido autuada por um órgão municipal, algo que foi usado como argumento por Gildo de Carvalho para anular a interdição.

“É no mínimo curioso que, durante esse conturbado período, um fiscal municipal a invada a fim de ‘fiscalizar’ situação estranha à sua competência, impondo condições inexistentes e em demonstração de absoluto desconhecimento da legislação vigente”, declara a cervejaria.

Além disso, ela afirmou que a área de fabricação está fechada há três meses em função da pandemia do coronavírus. Assim, as cervejas que estão sendo comercializadas nesse momento haviam sido previamente produzidas, antes da crise.

 “Cumpre informar que a fábrica da Cervejaria Mahy está fechada há quase três meses em obediência e respeito ao isolamento social imposto pela pandemia, só operando em sistema de delivery através da comercialização de cervejas já produzidas e armazenadas em fermentadores da empresa anteriormente à sua paralisação”, aponta a empresa.

A Mahy também rebateu a argumentação de que exista falta de controle efetivo das pragas na fábrica. “Ao contrário do que alega o ilegítimo auto de infração lavrado pela não menos ilegítima autoridade invasora, a cervejaria Mahy dispõe de empresa especializada oficialmente contratada para controle de pragas, cujo vencimento do contrato só se dá no mês de outubro”, acrescenta.  

Em nota, a Visa Manaus havia afirmado que só iria se pronunciar sobre a decisão após ser notificada.

Live do Guia conversa com Teresa Cristina sobre samba, cerveja e interações digitais

Uma roda de samba virtual e diária que atrai as atenções e, eventualmente, as vozes de Caetano Veloso, Maria Bethânia, Gilberto Gil e Chico Buarque, entre outros nomes, em uma transmissão para ao menos 3 mil pessoas. É nesse clima de confraternização que Teresa Cristina tem passado parte do período de quarentena, em uma iniciativa que será abordada por ela na próxima live do Guia da Cerveja, nesta quarta-feira, a partir das 16h30.

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As lives diárias podem ter dado maior publicidade para a cantora, que estampa a capa da edição da Vogue brasileira neste mês e do caderno Ela, do jornal O Globo, do último fim de semana. Mas Teresa Cristina já é, e há algum tempo, um dos principais e mais importantes nomes da música e do samba brasileiro.

Tendo iniciado a sua carreira profissional em 1998, ela cantava no Bar Semente, localizado na Lapa, e possuiu participação direta no processo de revitalização cultural do tradicional bairro carioca. E, desde então, a banda que a acompanha leva o nome da casa onde deu seus primeiros passos musicais.

Também, de lá para cá, a portelense tem usado sua voz para divulgar e cantar nomes emblemáticos da música brasileira, como Candeia, Paulinho da Viola, Elton Medeiros, Wilson Batista e Chico Buarque. Lançou, ainda, discos em que interpreta canções de nomes como Noel Rosa e Cartola, além das suas próprias composições. E fez diversos shows internacionais.

Em março, com o início da pandemia do coronavírus, ela passou a realizar uma live diária, que se tornou hábito na quarentena. Reúne fãs – tanto anônimos como famosos – para vê-la contar histórias sobre discos e compositores e interpretar canções, além de apresentar sua opinião sobre temas da sociedade e da política brasileira.

Mas, principalmente, dá espaço para vozes até então quase anônimas apresentarem seu talento e serem observadas e admiradas por um público que dificilmente teria acesso a elas, não fossem as suas lives.

Além disso, de sua casa no bairro da Vila da Penha, no Rio, faz lives semanais com a sua mãe e passou a ser apoiada pela cervejaria Original – no próximo sábado fará a segunda apresentação apoiada pela marca durante a quarentena.

Será, assim, sobre a sua trajetória, suas influências e formação musical, as ações que lhe renderam o justo apelido de “Rainha das lives”, a sua relação com a cerveja e a conquista do patrocínio de uma das principais marcas do setor que Teresa Cristina conversará com o jornalista Leandro Silveira.

A live do Guia com Teresa Cristina vai ser realizada nesta quarta-feira, dia 24 de junho, a partir das 16h30 no Instagram @guiadacervejabrasil.

Todas as semanas, em seu perfil no Instagram, o Guia leva ao ar lives com o objetivo de discutir temas relevantes e divulgar a cultura que cerca a cerveja, através de análises profundas sobre o que acontece nesse universo, sempre com convidados de diferentes áreas.

Na semana passada, a live discutiu os aspectos jurídicos do caso Backer e da retomada do setor, com a participação do advogado cervejeiro André Lopes.

Confira na íntegra a live da semana passada

Cerveja não-alcoólica fecha acordo inédito com equipe de triatlo dos EUA

Marcas de cerveja têm, tradicionalmente, um papel relevante no patrocínio a modalidades esportivas nos Estados Unidos. Mas, na semana passada, o fechamento de um acordo chamou a atenção do mercado e do mundo esportivo norte-americano pelo seu ineditismo. A seleção de triatlo do país anunciou que terá as primeiras equipes olímpica e paralímpica nacionais patrocinadas por uma fábrica de cerveja não-alcoólica artesanal.

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A bebida, de fato, tem ganhado novos adeptos e apresentado crescimentos elevados em volume de vendas. De acordo com dados da Nielsen, as aquisições de cerveja não-alcoólica em janeiro de 2020 foram 39% maiores do que um ano antes.

A nova parceira do triatlo norte-americano, até junho de 2023, é a Athletic Brewing Co. Sediada em Stratford, no estado de Connecticut, a companhia é considerada uma das pioneiras no segmento de cervejas não-alcoólicas.

Nascida em 2018, quando seus fundadores desenvolveram uma linha de produtos que levam apenas ingredientes naturais de alta qualidade, a Athletic tem em seu portfólio apenas cervejas com menos de 0,5% de graduação alcoólica, o limite para que a bebida possa ser considerada não-alcoólica pela lei norte-americana. Com êxito comercial em seus primeiros dois anos de vida, a companhia abriu uma segunda planta em San Diego, na Califórnia.

Os produtos da marca devem começar a aparecer em ações de importantes eventos da modalidade. “O time de triatlo dos EUA está orgulhoso dessa empreitada com uma nova categoria de patrocinadores ao lado da Athletic Brewing Co.,” afirma Chuck Menke, diretor de marketing da seleção norte-americana de triatlo.

“Cerveja sem álcool é uma opção ideal para o rendimento dos atletas, com sabor, satisfação e refrescância com menos de 70 calorias e sem efeitos negativos na dieta, no treinamento e no bem-estar geral dos atletas”, acrescenta Chuck.

Da parte da cervejaria, por sua vez, o entusiasmo se dá por uma ligação prévia com a modalidade. “A Athletic Brewing é parte da comunidade do triatlo norte-americano há anos, com alguns de nossos colegas de equipe, inclusive, praticando o esporte”, afirma Bill Shufelt, um dos fundadores da marca, que já patrocina individualmente atletas como Ben Hoffman, um habitual vencedor de provas de ironman.

“Estamos animados com a parceria com o grande time de triatlo dos EUA, e com a oportunidade de impactar positivamente a saúde e a vida de quem pratica o triatlo”, finaliza Bill.

Ação da Skol incentiva pagamento de ‘rodada’ por empresas em happy hour virtual

Para ao menos amenizar a falta de um happy hour efetivo com os colegas do trabalho durante o período da quarentena provocado pela pandemia do coronavírus, a Skol criou uma ação que permite às empresas “pagarem uma rodada” à distância para seus funcionários.

Junto com o aplicativo Zé Delivery, a marca passou a oferecer cupons de compras que as companhias podem adquirir e distribuir para seus colaboradores fazerem seus pedidos.

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No site da promoção, chamada Hapy Hour Virtual com Skol, as empresas poderão comprar vouchers nos valores de R$ 20, R$ 30, R$ 40 ou R$ 50. E, assim, os funcionários lembrados pelos chefes receberão desconto no momento de aquisição das suas bebidas. Afinal, quem ganhar o cupom vai ter a oportunidade de adquirir qualquer produto da Ambev através do aplicativo Zé Delivery, como cervejas, água e refrigerantes.

“Com a quarentena, tivemos que rever todos os nossos hábitos, mas alguns deles não precisam desaparecer, principalmente aqueles que têm como objetivo deixar os nossos dias mais leves”, afirma Natália Bueno, do marketing da Skol.

A divulgação da iniciativa de marketing pela Skol para o happy hour conta com várias ações nas redes sociais, com o intuito de incentivar os funcionários a contarem sobre a novidade para os seus chefes.

Além disso, no lançamento da promoção, a cervejaria vai entrar no “rateio”, bancando metade do valor da conta para as primeiras cinco mil compras feitas com o cupom HHVIRTUAL.

Junto a essa iniciativa, a Skol anunciou a criação de um perfil no Linkedin, o primeiro de uma marca da Ambev nessa rede social. A intenção da cervejaria é se comunicar com o mundo corporativo, além de influenciadores dessa plataforma, para divulgar a ação do “happy hour virtual”.