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Oito meses após 1º caso, Backer contrata empresa para negociar reparação às vítimas

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Oito meses após a revelação do primeiro caso de contaminação pelo consumo dos seus rótulos, a cervejaria Backer anunciou ter iniciado um processo de reparação para as famílias das vítimas. Em publicação nas redes sociais, a fabricante mineira explicou ter contratado uma empresa especializada em conciliação.

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Acusada pelo uso de substâncias contaminantes na produção de cervejas, a Backer afirma que tem buscado compensar as famílias afetadas. Conforme diz a marca, que iniciou a mensagem com palavras de solidariedade a todos os afetados, foram contratados os serviços da Câmara de Conciliação e Mediação Satisfactio, empresa privada e especializada na solução de conflitos.

“Através de uma agenda de sessões, já iniciadas, a Satisfactio entrará em contato com as vítimas e ou suas respectivas famílias, para que, juntos e acompanhados pelos conciliadores e mediadores, possamos iniciar profícuo diálogo com o objetivo de minimizar os sofrimentos e buscar uma solução capaz de trazer conforto e paz para todos. Este é o caminho. Não haverá espaço neste novo ambiente de diálogo para o debate sobre culpas e responsabilidades, buscaremos apenas soluções”, destaca a Backer.

“Tenham a certeza de que o diálogo para o qual serão convidados será pautado pela boa fé, tanto nas intenções como no compromisso de fazermos o possível para encerrarmos este triste capítulo. Queremos e temos muita fé de que tudo retornará a uma nova normalidade, com cicatrizes, mas um recomeço. Trabalharemos muito para que a vida volte a fluir, de forma diferente, certamente, mas ela tem que prosseguir”, conclui a publicação.

Contaminação desde janeiro de 2019
Um relatório divulgado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) apontou que a Backer produzia cervejas contaminadas desde janeiro de 2019. Assim, segundo a pasta, não existe a possibilidade de os casos revelados a partir do início de 2020 serem eventos isolados no histórico de produção da companhia.

O documento também apontou que as substâncias monoetilenoglicol (MEG) e dietilenoglicol (DEG) – contaminantes encontrados nos rótulos – não são produzidas pela levedura cervejeira em condições normais de fabricação da bebida.

O Mapa ainda informou que não houve a identificação de contaminações desta natureza em análises realizadas em cervejas nacionais e importadas. Após uma revisão da literatura científica, foi verificado que a contaminação é inédita em alimentos no Brasil.

 “As apurações fiscais indicaram que a cervejaria Backer adotou práticas irresponsáveis ao utilizar líquidos refrigerantes tóxicos de forma deliberada em seu estabelecimento, utilizando-os em detrimento de alternativas atóxicas, como propilenoglicol e álcool etílico potável. As contaminações por MEG e DEG não estão restritas a lotes que passaram pelo tanque JB 10, ocorrendo também em cervejas elaboradas anteriormente à instalação deste tanque na cervejaria”, relata a pasta.

Ainda segundo a publicação do Mapa, a empresa possui diversas falhas e lacunas em seus sistemas de controle e gestão internos, apresentando informações incompletas nos relatórios de produção e controles de rastreabilidade ineficientes.

Fora do mercado
Em janeiro, como medida cautelar, o Ministério da Agricultura realizou o fechamento da cervejaria da Backer. Ainda adotou, junto aos demais órgãos, medidas imediatas para interromper a produção e a comercialização dos produtos contaminados.

No total, foram apreendidos nas dependências do estabelecimento e no comércio de Minas Gerais 79.481,34 litros de cerveja, de várias marcas e diversos lotes com presença dos contaminantes, sendo 56.659 garrafas com riscos aos consumidores.

No Espírito Santo, por sua vez, os resultados das análises indicaram 9.047 garrafas de cerveja contaminadas retiradas dos mercados, totalizando 5.428,2 litros.

Os procedimentos para apuração de responsabilidades na esfera administrativa já foram iniciados e seguem os ritos processuais legalmente previstos.

Inquérito
O inquérito da Polícia Civil, concluído em junho, contabilizou 29 vítimas intoxicadas desde setembro de 2019, quando os casos começaram a acontecer, mesmo mês em que um novo tanque foi comprado pela Backer e instalado na fábrica.

Os sócios da empresa foram acusados por estocar, vender e não dar publicidade a um produto contaminado, enquanto seis responsáveis técnicos e o chefe de manutenção da cervejaria foram denunciados por homicídio culposo, lesão corporal culposa e contaminação de produto alimentício culposo. Em julho, mais duas mortes elevaram o número de vítimas fatais para dez.

Referências do setor apontam ‘estranheza’ em pedido de interdição da Mahy

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Apresentado em meados de junho, o pedido de interdição da fábrica da Mahy Cervejaria, em Manaus, vem passando desde então por um vaivém jurídico e tem causado estranhamento. Foi essa a sensação captada pela reportagem do Guia em conversas com algumas figuras renomadas do setor, que apontam algumas discordâncias e dúvidas a respeito das decisões envolvendo o caso.

A fábrica da Mahy foi alvo de pedido de interdição após fiscais da Vigilância Sanitária de Manaus (Visa Manaus) realizarem uma vistoria e encontrarem, segundo informações divulgadas pela Prefeitura de Manaus, 72 sacas furadas que armazenavam o malte, com fezes de ratos e sem identificação do lote, data de fabricação, validade ou procedência.

Além disso, os fiscais relataram a existência de uma série de irregularidades no local. Desde então, o caso sofreu algumas reviravoltas, que envolvem principalmente questionamentos sobre a legalidade do ato. E a última decisão mantém o empreendimento aberto.

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A inspeção da Visa Manaus e o pedido de interdição da fábrica ocorreram em 16 de junho, logo na retomada da operação da Mahy, que ficou fechada por cerca de três meses em função das medidas de isolamento social por causa da pandemia do coronavírus.

Consultada pela reportagem, a jornalista e sommelière de cervejas Fabiana Arreguy destaca que não há ilegalidade na realização do ato, mas aponta que uma fiscalização na sequência da reabertura do espaço foge do padrão. “A inspeção ser feita um dia após a reabertura pode não ser ilegal, mas é razoável?”, questiona, também apontando estranheza pelo caso estar envolvido em uma “guerra jurídica”.

Presidente da Associação Brasileira da Cerveja Artesanal (Abracerva), Carlo Lapolli também defende ser inusual esse tipo de operação. “As informações que temos são de que a fábrica estava fechada há três meses e foram fiscalizar logo no primeiro dia após a abertura. É estranho, a empresa estava fechada, não estava comercializando o produto. Fiscalizou e foi para o jornal”, diz Lapolli, reclamando da publicidade dada ao caso por autoridades manauaras.

Um dos imbróglios envolve a competência da Visa Manaus para realizar esse tipo de fiscalização. Especialistas defendem que apenas o Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), teria o poder de órgão fiscalizador da produção cervejeira.

A Visa Manaus, porém, se apega ao o Código Sanitário de Manaus, que lhe daria o direito de fiscalizar o fabrico, produção, beneficiamento, manipulação, acondicionamento, de alimentos, no estado sólido, líquido, pastoso ou qualquer outra forma adequada.

De acordo com o presidente da Abracerva, inclusive, o Mapa já se posicionou para agir contra o que considera ser uma ilegalidade: a ação da vigilância saniária de fiscalizar uma fábrica de cerveja, caso da Mahy. “A competência não é da vigilância sanitária, mas do Mapa. Essa fiscalização é indevida. O Mapa está tomando providencias pela usurpação da competência do ministério”, relata Lapolli.

Perseguição
Fabiana sugere que a Mahy deveria avaliar a possibilidade de realizar uma inspeção paralela da sua fábrica, algo que poderia ajudá-la a provar não ter cometido irregularidades. Isso ainda poderia fortalecer a argumentação de que vem sofrendo perseguição.

“Talvez a Mahy pudesse contratar peritos que fizessem uma inspeção paralela em suas instalações, mostrando laudos independentes que confrontem o relatório da Visa. Isso, inclusive, constituiria provas para um processo contra o órgão”, diz Fabiana.

O argumento de perseguição foi apontado pela Mahy em nota enviada à reportagem do Guia no fim de julho, quando uma decisão da Justiça validou a interdição, algo que posteriomente foi anulado. Naquele momento, a empresa afirmou que um dos fiscais presentes na inspeção, Fábio Markendorf, seria “intimamente ligado ao mundo cervejeiro artesanal”.

Na visão de Fabiana, isso poderia ser uma demonstração de que se trataria de um processo viciado. Mas ela destaca que a empresa precisa provar esse envolvimento do funcionário da Visa Manaus.

“Se há conflito de interesses como apontado pela cervejaria, no qual um técnico da Visa teria envolvimento com qualquer cervejaria concorrente, é bem claro que é um processo viciado, passível de contestação na justiça por danos materiais e morais. Mas, lembremos, cabe ao acusador o ônus da prova, ou seja, a cervejaria Mahy precisa comprovar essa ligação do técnico com uma cervejaria”, pondera Fabiana.

O presidente da Abracerva também aponta que o caso pode ter ganhado maior repercussão em função do grave incidente envolvendo a Backer, entre o fim de 2019 e o início deste ano, com a contaminação de rótulos tendo provocado dez mortes. “Acredito que houve impacto pela mídia do que vivemos no último ano com a Backer. Talvez tenha amplificado por essa razão”, conclui Lapolli.

Oca Cervejaria reforça ligação com brasilidade em novos rótulos

A Oca Cervejaria decidiu reforçar a ligação com a brasilidade em seus novos rótulos. Depois de apresentar no ano passado a Tainá, com influências das matrizes indígenas na linguagem visual, além das florestas e ecossistemas nacionais, a marca paulistana agora lançou a Janaína e a Tainara. E, para essas criações, afirmou ter se inspirado no conceito “do hype ao raiz”.

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A cervejaria destaca que a brasilidade está impressa nas receitas e nos ingredientes dos rótulos da marca. E isso se torna perceptível pela inclusão de insumos tipicamente nacionais, como a tapioca e o cumaru – semente conhecida como a baunilha da Amazônia. Mas também pelos aromas e sabores tropicais, bastante presentes nessas duas novas cervejas.

Os lançamentos são, ambos, rótulos do estilo New England IPA. E, de acordo com a descrição divulgada pela Oca, possuem cor amarelada e aparência turva devido à grande quantidade de trigo e aveia adicionada em sua receita, resultando em uma textura aveludada.

Na cerveja Janaína foi utilizada a combinação dos lúpulos Citra, Waimea (NZ) e Wai-iti (NZ). Essa união, segundo a Oca, confere notas perfumadas de pinho, além de frutas como manga, toranja e pêssego. Já na Tainara os lúpulos Citra, Lemon Drop e Sultana se destacam com aromas de laranja lima, limão siciliano, toranja e pitanga.

As opções em chope da Janaína e da Tainara já estão à disposição do público cervejeiro no Soul Botequim, na capital paulista, através do sistema de retirada. O produto também pode ser solicitado por aplicativos para telefones celulares, como o Rappi e o iFood, ou mesmo o da própria Oca Cervejaria.

As latas dos lançamentos estão presentes em diversos bares e estabelecimentos que trabalham com sistemas de delivery e take away, além de comércios eletrônicos que atendem em todo o país.

Com Ambev, empresas investem R$ 100 mi em vacina contra a Covid-19

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A busca pela imunização da população contra a Covid-19 tem mobilizado diversas empresas e fundações de todo o mundo. Foi o caso da Ambev. Na procura de uma vacina, a cervejaria se juntou a um grupo de companhias em uma doação de R$ 100 milhões para a construção de um laboratório de controle de qualidade, com a adequação do parque fabril do instituto Bio-Manguinhos, da Fiocruz. A expectativa é para que a infraestrutura necessária esteja pronta até o começo de 2021.

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Além da cervejaria, a ação conta com o apoio da Americanas, Itaú Unibanco (Todos pela Saúde), Stone, Instituto Votorantim, Fundação Lemann, Fundação Brava e Behring Family Foundation.

Inicialmente será construído um laboratório de controle de qualidade para a realização dos testes desde a primeira fase de incorporação do imunizante pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz). Esta etapa consiste no recebimento de 100 milhões de doses do ingrediente farmacêutico ativo (IFA) para processamento final (formulação, envase, rotulagem e embalagem), dentro de um acordo de encomenda tecnológica respaldado pelo governo federal.

A Universidade de Oxford e o laboratório farmacêutico britânico AstraZeneca estão à frente do projeto de desenvolvendo da vacina que se encontra na terceira fase de testes no Brasil e em outros países, como África do Sul, Reino Unido e Estados Unidos.

Além disso, o grupo investirá em adequações na fábrica de Bio-Manguinhos/Fiocruz, assim como na aquisição dos equipamentos necessários à absorção total da tecnologia para produção do IFA. E, quando concluídos todos os investimentos, o local terá também capacidade para produzir outras vacinas.

A Ambev será corresponsável – junto com a Fiocruz – pela gestão e execução do projeto de construção da fábrica. O escritório Barbosa, Mussnich e Aragão Advogados atuará, voluntariamente, como consultor jurídico. Um comitê composto por todas as empresas e fundações será formado para acompanhar o andamento das obras e aquisições dos equipamentos.

Vacina ainda em 2020
A expectativa é de que esta vacina tenha a submissão do seu dossiê de registro à agência regulatória nacional ainda neste ano. A partir daí, as doses produzidas serão disponibilizadas ao Programa Nacional de Imunizações (PNI)/ Ministério da Saúde.

Parte dos integrantes da coalizão também apoiará a construção de uma fábrica similar à do projeto no Instituto Butantan, em São Paulo. As duas iniciativas, que unem esforços dos setores público e privado, prometem trazer ao Brasil uma autonomia inédita para o abastecimento de vacinas contra a Covid-19. E serão também as primeiras fábricas capazes de produzir este tipo de antídoto na América do Sul.

Preço da cerveja tem deflação de 1,20% em julho e mantém cenário de queda no ano

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O preço da cerveja em domicílio recuou em julho. De acordo com os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a deflação do produto no período foi de 1,20%, na sequência de um mês em que havia registrado inflação.

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Foi, assim, um ritmo oposto em relação ao do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que teve alta de 0,36% em julho, a maior para o sétimo mês do ano desde 2016. E essa elevação foi puxado pelo setor de transportes, de acordo com o IBGE.

“A gasolina continua revertendo o movimento que teve nos meses de abril e maio. Já havia subido em junho e voltou a subir em julho. Além disso, houve uma queda menos intensa das passagens aéreas em comparação com maio e junho”, detalha Pedro Kislanov, gerente da pesquisa.

A queda do preço da cerveja no domicílio se inseriu em um mês de estabilidade dos preços no setor de alimentação e bebidas, que teve inflação de apenas 0,01% no período.

A redução em julho dos valores da cerveja em domicílio ampliou o cenário de deflação dos preços em 2020 do produto, agora em 1,62% no somatório deste último mês com janeiro, fevereiro, março, abril, maio e junho.

Já a cerveja fora do domicílio – um segmento praticamente paralisado em função das medidas de isolamento social para conter a propagação do coronavírus – também teve deflação, de 0,14%, em julho. Mas ainda há aceleração no ano, sendo que agora ela está em 0,67%.

O item outras bebidas alcoólicas no domicílio, por sua vez, registrou alta de 0,15% em julho. E os valores em 2020 acumulam uma elevação de 3,68% em todo o ano.

Por fim, o preço de outras bebidas alcoólicas fora do domicílio apresentou inflação relevante, de 1,53%, em julho. Ainda assim, registra queda de 0,34% nos preços em 2020.

Cerveja Blumenau implanta nanocervejaria e reforça aposta em inovação

Em continuidade a um projeto que começou antes da pandemia do coronavírus, a cervejaria Blumenau recebeu equipamentos para a implementação de uma nanocervejaria em sua fábrica. A ideia de incentivo à inovação complementa o envase de latas e a adega para barris. A iniciativa terá como resultado lotes inéditos, experimentações e edições limitadas.

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A previsão da Blumenau é que sua nanocervejaria faça lotes de 500 a mil litros de produtos especiais da empresa, envasados em garrafas ou latas. Além deles, a estrutura estará à disponível para receber projetos de marcas ciganas e lotes especiais de rótulos em menor volume. 

“Nós entendemos que a inovação é uma das chaves não só para passarmos por esse momento, mas para que o mercado de cervejarias independentes cresça”, destaca o diretor-executivo da Blumenau, Valmir Zanetti, acrescentando que as diretrizes estratégicas iniciais do projeto, liderado pelo cervejeiro da casa Marcos Guerra, foram mantidas, mesmo com os desafios causados pela pandemia. 

Com a conclusão de mais uma etapa, a próxima será levar novos rótulos ao mercado. “Trabalhamos muito no último ano para assegurar ainda mais a qualidade constante dos produtos. A linha consagrada nos trouxe uma base firme para podermos criar, em conjunto com o time, cervejas e projetos inovadores para surpreender quem já é consumidor de cerveja artesanal e trazer para esse movimento aqueles que não conhecem muito”, complementa Zanetti. 

O envase de latas, já implementado, possibilitará projetos especiais não só de produtos limitados da nanocervejaria, mas também de itens de linha. “Nós acreditamos muito nas latas não só pela praticidade, mas também pelo apelo sustentável que ela tem”, explica o cervejeiro Marcos Guerra. 

Já a adega de barris é climatizada e separada do restante da fábrica. Ela será dedicada ao desenvolvimento e maturação de novos blends e experiências sensoriais com rótulos diferenciados. “Montamos uma adega de ponta e o primeiro lançamento desse projeto acontece em breve”, finaliza Marcos Guerra.

Balcão da Matisse: A cerveja artesanal na vila global

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Balcão da Matisse: A cerveja artesanal na vila global

O meu avô era sapateiro, tinha uma pequena lojinha/fábrica, que ele chamava de “oficina” e que, na verdade, era uma sapataria. Era só ele e um ajudante, o Chico, rapaz simples, que nunca aprendeu a fazer sapatos, nem se interessava, mas era uma pessoa cativante, conversava com todo mundo e sabia tudo sobre sapatos, os modelos, os materiais. Sabia até tirar as medidas dos pés. Ele explicava com detalhes o que era uma “meia sola a prego”. Por mais que meu avô insistisse, ele não metia a mão na massa para fazer um sapato. Parece que gostava mesmo era de tagarelar e poder andar de um lado para o outro, sem ter de ficar horas sentado em um banquinho trabalhando uma peça.

Meu avô, por outro lado, era uma pessoa séria, simpática, mas muito centrada, afinal, tinha de criar 13 filhos trabalhando na oficina de dia e fazendo um bico como garçom à noite. A “Oficina do seu Pedro”, como era conhecida na cidade, vivia cheia. A maior parte estava ali só para conversar mesmo e para dar palpite.

Quando aparecia um cliente, meu avô se desligava de todo o resto, ouvia atentamente, dava sugestões e quando chegava à definição do que seria o modelo, a cor e os materiais, partia para tirar as medidas dos pés – dos dois, é claro, porque um pé é diferente do outro e os sapatos também têm de ser; não é só uma questão de ser direito e esquerdo, cada um com sua medida.

Lembro também que minha mãe me levava na costureira para tirar medidas para as minhas roupas e para escolher o tecido. Me lembro de colocar o tecido na pele e não gostar da sensação. “Então esse tecido não vai servir”, dizia ela pacientemente. “Que tal esse outro?”. Mais tarde, tive de me acostumar com a onda prêt-à-porter e aquela sensação de tirar as medidas para fazer uma roupa ou um sapato. A expectativa para ver como ficou e a alegria de finalmente receber aquele produto são só lembranças do passado.

Ofícios como estes tiveram origem na Idade Média, quando as atividades artesanais atendiam às necessidades de um feudo. Geralmente, um artesão se fixava em uma propriedade oferecendo os seus serviços em troca da proteção e dos recursos disponíveis na propriedade feudal. Os portadores dessas habilidades tinham um raio de ação limitado.

Mais tarde, à medida em que as cidades cresceram, esses artesãos se deslocaram para as cidades e puderam atender uma ampla gama de consumidores. Assim surgiram as chamadas oficinas, em que o artesão tinha a propriedade da matéria-prima e das ferramentas necessárias à produção, ganhando maior autonomia. Acho que vem daí o nome “Oficina do seu Pedro”.

O dono de uma oficina era conhecido como o mestre-artesão. Apesar de dono, também ocupava o seu tempo participando do processo de fabricação e preparando seu aprendiz para, mais tarde, ele virar um mestre-artesão. Não foi o caso do Chico.

A produção de cerveja, que então estava sob o domínio dos conventos, também foi migrando para as cidades e começaram a surgir artesãos cervejeiros, trabalhando para grandes senhores e até para abadias e mosteiros. No entanto, com o aumento do consumo da bebida, os artesãos das cidades começaram também a produzir de forma independente.

O imperador Carlos Magno foi o primeiro a reconhecer os cervejeiros como artesãos especializados, ao decretar um conjunto de regras que consolidou a cerveja como mercadoria no Capitulare de villis.

Desde o fim da Idade Média, o artesanato adquiriu esse status de produção independente, em que o produtor possui os meios de produção (instalações, ferramentas e matéria-prima) e pode, sozinho, com a família ou com ajudantes, realizar todas as etapas da produção, tendo a sua habilidade como diferencial.

Depois veio a revolução industrial e a produção em massa. Grandes corporações assumiram o papel dos artesãos, que resistiram por muito tempo – como foi o caso do seu Pedro. E resistem ainda, vendendo seus produtos localmente em lojas próprias ou de conhecidos, nas feiras, eventos e exposições, incentivando os compradores a consumirem um produto local, mais personalizado, de melhor qualidade e, às vezes, acompanhado de um bom papo, como se tivesse encontrado o Chico na oficina.

Mas uma nova mudança parece estar acontecendo. A tecnologia e a logística evoluíram muito e aproximaram as pessoas. Hoje fico impressionado quando alguém de Curitiba ou de Pitangueiras (SP) entra em contato pelo meu WhatsApp querendo saber mais sobre as minhas cervejas. Aí se inicia um bom papo, falamos sobre os estilos de cada cerveja e como a Matisse tem se especializado em combinar ingredientes pouco comuns a estilos tradicionais. Sempre surge a pergunta sobre o que é uvaia e grumixama (frutas que utilizamos) ou alguém que diz “uvaia é a minha fruta de infância e nunca mais ouvi falar dela”.

No final, quando a pessoa compra, ela sabe exatamente o que está levando e o que esperar daquela cerveja, qual a forma correta de degustar, que sabores procurar, com que combinar e muito além do produto em si, a história por trás daquele rótulo, o porquê do nome, a arte que o inspirou, de onde surgiu aquela ideia. Às vezes, sinto que a pessoa saiu mais feliz por ter comprado aquela cerveja do que eu por ter vendido – e com certeza uma nova amizade se iniciou. É como alguém que fosse na sapataria encomendar um sapato e não sairia de lá sem ficar amigo do meu avô e do Chico.

Claro que isso não é possível com uma grande cervejaria, mas as pequenas artesanais podem perpetuar o verdadeiro espírito do artesanato. Só que agora a sapataria do seu Pedro, embora permaneça pequena, pode atender a todo território nacional e até internacional, como uma vila global.



Mario Jorge Lima é engenheiro químico e sócio-fundador da Cervejaria Matisse

IPA Day: Lagunitas distribui long necks de graça em São Paulo

A cervejaria Lagunitas vai distribuir de graça sua renomada IPA em sistema drive-thru em São Paulo. A iniciativa será realizada nesta sexta-feira e no sábado, em ação comemorativa ao IPA Day, conhecida data no universo das cervejas artesanais para celebrar o estilo India Pale Ale.

Quem passar das 17h à 22h nesta sexta-feira no drive-thru na avenida Francisco Matarazzo, 694, no bairro da Barra Funda, levará para casa duas long necks da IPA. No sábado, a ação de distribuição das Lagunitas de graça prossegue e vai acontecer no mesmo lugar, entre 14h e 22h.

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Para realizar o cadastro e retirar as cervejas, basta apresentar um documento com foto no local, em ação válida apenas para maiores de 18 anos e sujeita à disponibilidade do estoque.

Todas as cervejas conterão mensagens de consumo responsável para que o público possa degustar a bebida somente em casa. Até por isso, elas serão entregues em temperatura ambiente e lacradas.

A cervejaria pretende doar a verba arrecadada durante a iniciativa – com a venda de outros produtos – para as ONGs de adoção de cães parceiras da marca: Amigos de São Francisco e Natureza em Forma.

“Queremos celebrar o IPA Day com as pessoas que já conhecem e amam a nossa cerveja, mas também convidar outras pessoas que ainda não tiveram a oportunidade de experimentar a nossa IPA. A ação do drive-thru propõe isso de forma segura, seguindo todas as medidas de saúde para que todos possam comemorar esta data conosco, mas em casa”, explica Natália Menezes, gerente de marketing de Lagunitas no Brasil.

A Lagunitas promete que o drive-thru terá um clima californiano para a celebração, animada com pocket shows de bandas independentes. E o consumidor ainda poderá adquirir camisetas e copos estilizados da cervejaria.

Criada em Petaluma, na Califórnia, a Lagunitas garante ter a IPA mais vendida no mundo, tendo chegado ao Brasil no segundo semestre de 2019. A cervejaria foi adquirida pelo Grupo Heineken, em processo iniciado em 2015 e concluído em 2017.

Dia Internacional da Cerveja: Conheça a origem da data e saiba como celebrá-la

A primeira sexta-feira de agosto é um dia especial para todos os envolvidos no setor cervejeiro, sejam os responsáveis pela produção da bebida, os empreendedores do segmento ou os consumidores. Afinal, a data marca a celebração do Dia Internacional da Cerveja.

A criação da efeméride ocorreu em 2007, em Santa Cruz, na Califórnia, cidade mais conhecida pelo seu envolvimento com a cultura do surfe e do skate. E o seu idealizador foi Jesse Avshalomov. Inicialmente, havia uma data fixa – 5 de agosto. Mas, após a edição de 2012, optou-se pela mudança para a primeira sexta-feira do mês de agosto.

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De acordo com os responsáveis pela criação da data, o seu surgimento teve três motivações: reunir-se com os amigos para saborear a cerveja, celebrar os responsáveis por fabricá-la e servi-la e, por fim, unir o mundo sob a bandeira da bebida, comemorando as cervejas de todas as nações juntas em um único dia.

Para festejar e permitir essa troca de culturas, os idealizadores também sugerem que se presenteie alguém com uma cerveja. E que os consumidores provem e bebam rótulos diferentes dos usuais, além de agradecer aos seus cervejeiros e garçons.

Os organizadores do Dia Internacional da Cerveja estimam que a festa já alcançou 80 países de seis continentes, além de mais de 200 cidades. O Brasil, evidentemente, não fica fora da celebração, ainda mais por ser um ator importante do segmento, tendo mais de 1.200 fábricas registradas até 2019, de acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

E, mesmo com a crise provocada pela pandemia do coronavírus, o segmento continua ativo. Afinal, como destaca Luiza Lugli Tolosa, sócia-fundadora da cervejaria artesanal Dádiva, o lançamento de novos produtos tem ajudado a empresa a se manter ativa e saudável financeiramente.

“Desde março, colocamos no mercado mais de 10 novos rótulos e todos foram muito bem recebidos pelos parceiros e clientes. Alguns desses rótulos foram produzidos somente por nós, da Dádiva, enquanto outros foram produzidos em colaboração com outras marcas”, pontua Luiza.

Celebração com reflexão
A comemoração do Dia Internacional da Cerveja também pode servir para algumas reflexões sobre a busca por um segmento mais igualitário e menos machista – e os obstáculos necessários para alcançá-lo. Divulgado em outubro de 2019, o 1º Censo das Cervejarias Independentes Brasileiras apontou que o ambiente do setor ainda é bastante masculinizado, com 89% dos profissionais sendo homens.

Camila Nassar, hoje técnica de produção da cervejaria Berggren, entrou para o segmento como estagiária. A partir daí, começou a estudar sobre insumos e a ler livros para cervejeiros caseiros. Em pouco tempo, comprou equipamentos para começar a fazer a bebida em casa. E precisou encarar o preconceito no mercado de trabalho.

“Em 2016 eu já era gerente de uma loja de cervejas de Campinas e, apesar de entender bastante sobre o assunto, muitos clientes gostavam de tirar dúvidas com um dos atendentes homens, porém, esses últimos sempre acabavam recorrendo a mim, o que deixava os clientes sem graça quando  presenciavam tal cena”, ressalta Camila.

Celebração com show
Mesmo com a realização de shows em casa de espetáculos parecendo ser algo muito distante em função do surto de coronavírus no Brasil, haverá uma apresentação musical para celebrar o Dia Internacional da Cerveja. A Brahma vai levar, nesta sexta, a dupla sertaneja Zé Neto e Cristiano para se apresentar na sua fábrica em Agudos (SP). A live terá início às 20 horas.

Durante a transmissão, serão abordados os 130 anos de tradição cervejeira de Brahma, os processos envolvidos na fabricação da bebida e curiosidades.

“Nessa data especial para os amantes de uma boa cerveja, resolvemos abrir a porta da nossa casa, da Cervejaria Ambev de Agudos, para celebrarmos juntos o Dia Internacional da Cerveja, com os nossos queridos parceiros e brahmeiros, Zé Neto e Cristiano. Além de entreter o público com mais essa live da dupla, poderemos mostrar algumas curiosidades da nossa produção, dos nossos processos e, é claro, da nossa Brahma”, conta Maria Rachel Carvalho, gerente de marketing da Brahma.

8 dicas de opções e presentes cervejeiros para celebrar o Dia dos Pais

A celebração do Dia dos Pais será diferente neste ano para algumas famílias, em função das medidas de isolamento social, mas a ideia principal não se altera: festejar e homenagear essa relação especial no domingo. Ainda melhor se for com um brinde para marcar a data.

Não importa se o pai gosta de uma cerveja mais tradicional, se arrisca ou conhece tudo no universo das artesanais, é disciplinador, companheiro de aventuras ou trabalhador. Há sempre uma boa forma de tocá-lo. E, pensando nos pais cervejeiros, o Guia preparou uma seleção especial com diversas opções para presentes, dicas e até eventos. Confira.

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Paizão cervejeiro
A cervejaria mineira Krug desenvolveu um combo exclusivo para essa data. É o Kit Paizão Cervejeiro, com uma bolsa personalizada exclusiva, desenhada especialmente para esse projeto. As cervejas do kit incluem o lançamento da Krug, a German Pils, e uma caneca deste rótulo, que é uma edição especial e limitada. Tem ainda a Double IPA Ignorância, a Jambubier, feita com a planta que dá nome à cerveja e causa dormência na boca, a Cacau Stout e a Krug 20, além de 8 bolachas. O kit custa R$ 149 e está disponível em: https://loja.krug.com.br/produtos/kit-paizao-cervejeiro/.

Cerveja com charcutaria
Em parceria com o Oma Café Colonial, a Cervejaria Nacional apresenta uma cesta com opções artesanais contendo a cerveja da casa e acompanhamentos de charcutaria. Entre as possibilidades estão pão de malte de cerveja (400g), patê de gorgonzola, tapenade de azeitona, manteiga de ervas e lúpulo e a tábua de queijos e frios, com parmesão, cheddar da serra das antas, salame, presunto cru e copa. Já o chope fica sob escolha do cliente, com um growler de 1 litro e copo da Cervejaria Nacional, nos estilos de Pilsen, Weiss, IPA, Amber Ale ou Stout. As encomendas devem ser realizadas pelo site, aplicativo, Instagram ou WhatsApp da cervejaria.

Cerveja com acessórios
A Júpiter montou kits de presentes que prometem fazer a alegria dos pais, formados por uma ou duas cervejas mais acessórios – como camiseta, boné, copo e abridor – e bolachas de cortesia. O destaque fica para os kits de Alt Is Cool (Altbier) + Lake Balboa (West Coast IPA), com ou sem a caldereta. Para completar, ainda estão disponíveis as últimas caixas do box de inverno, que traz uma Golias, duas barras de chocolate Bean to bar da Majucau e duas canecas personalizadas. Todos estão à venda no e-commerce cervejariajupiter.com.br.

Cerveja com harmonização
Brewpub recém-inaugurado em São Paulo, a Soma Cervejaria apresenta produtos artesanais da melhor qualidade, que podem ser degustados no local, em casa ou enviados como presente. A seleção é uma combinação entre o pão e a cerveja da casa, um growler de um litro acompanhado por antepasto e embutido, tudo feito por produtores artesanais do bairro de Moema. O estilo escolhido para harmonizar é uma Hop Lager, uma cerveja de baixa fermentação, coloração amarelada, corpo baixo e com dry hopping de lúpulo Galaxy. A seleção custa R$ 94,60 e serve até três pessoas. Pedidos para São Paulo podem ser feitos diretamente pelo delivery somacervejaria.deliveryem.casa ou pelo aplicativo iFood.

Cerveja para todos os gostos
A Landel está cheia de dicas de presentes. A primeira delas, produzida especialmente para a data, é o novo growler de vidro com capacidade para 750ml e que pode ser comprado vazio ou com dois estilos – Mandarina Lager ou Session IPA. O Growler sai por R$ 50 vazio e R$ 60 com Mandarina Lager ou Session IPA. Para os pais que gostam de experimentar novos rótulos, a ideia é presentear com um pack da Surffing Doggy, a West Coast IPA da Landel. A unidade da lata sai por R$ 26, o pack com quatro custa R$ 100 e o litro no PET está à venda por R$ 39. E, para os pais que têm uma queda por cervejas ácidas, a dica é garantir 1 litro do novíssimo lote e único da Sour feita com amora, framboesa e cereja in natura. A opção está disponível apenas no growler PET a R$ 43. Para mais informações, acesse: https://loja.cervejarialandel.com.br.

Cerveja com multiferramentas
Em parceria com a Roleta Russa, a marca de vestuário e equipamentos do segmento tático Invictus montou um kit com multiferramentas, caneca térmica Mugla e uma cerveja IPA de extrema personalidade – tudo em uma embalagem muito especial. O presente está à venda de forma exclusiva pelo e-commerce www.invictus.com.br.

Boteco in a Box
A Bohemia quer ajudar os pais a matarem a saudade dos bares com a ação Boteco in a Box, um guia divertido de como montar um boteco em casa. A ideia central do projeto é ter uma caixa presa na parede com os utensílios básicos para uma boa mesa de bar. E, quando der aquela saudade do boteco, é só abrir o kit. “A ação é mais uma iniciativa da marca para estimular os consumidores a ficarem em casa”, explica Gustavo Saab, gerente de marketing de Bohemia. 

Pai sambista
Em ação da Original, Arlindinho vai homenagear o pai Arlindo Cruz com um vídeo nas redes sociais da marca. A iniciativa também contará com uma live especial no domingo, chamada Em Nome do Pai, às 18h30, no YouTube do próprio Arlindo Cruz.