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Balcão da Nadhine: Crise, criatividade e diversidade

Balcão da Nadhine: Crise, criatividade e diversidade

Sou analista de sistemas de formação e sempre que vejo palestras e as tão populares lives cervejeiras sobre como se reinventar na crise da Covid-19, ideias de novos serviços ou produtos, novas formas de chegar ao seu cliente e projeções de um novo mercado, me vem à cabeça a pergunta: como deve estar o planejamento estratégico das empreas hoje? Será que todas estão correndo com a corda no pescoço, apenas tentando sobreviver? Ou alguém aí está fazendo análise de mercado, projeções e testando protótipos das ideias, pensando na diversidade?

Para quem não conhece o termo que vou usar aqui, o design thinking é uma abordagem que reúne métodos de pesquisa e análise. Hoje é visto como um conjunto de práticas e processos que propõe uma nova abordagem para a solução de problemas. Isso mesmo, problemas!

Então, vamos pensar um pouco sobre os problemas do mercado cervejeiro hoje. Vou dividir essa coluna em etapas, inspiradas nas quatro do design thinking: imersão, ideação, prototipagem e desenvolvimento.

Imersão
É a fase de entendimento, onde estudamos as forças, fraquezas, oportunidades e ameaças do setor. A cerveja é tida com uma bebida super democrática em todo o mundo. Mas será que a artesanal é?

A empresa Clube do Malte divulgou uma pesquisa, feita em 2017 e 2018, sobre hábitos de consumo no Brasil. Com 2.876 participantes, ela apontou para uma maioria de consumidores do sexo masculino, com idade entre 31 e 40 anos, casados, com nível superior completo ou pós-graduação. Além disso, mais de 50% são da região Sudeste.

Poderíamos então apenas incentivar o aumento do consumo desse público já pagante e com educação cervejeira formada? A resposta, se você quer que seus consumidores continuem saudáveis para consumo, é não.

Outra pesquisa, do Ministério da Saúde, aponta que 17,9% da população adulta no Brasil faz uso abusivo de bebida alcoólica. O porcentual é de 14,7% a mais do que o registrado no país em 2006 (15,6%). Mesmo com o porcentual menor, as mulheres (11%) apresentaram maior crescimento em relação aos homens (26%), no período de 2006 a 2018. Em 2006, o porcentual entre as mulheres era de 7,7% e entre os homens, 24,8%. Os dados são de 2018.

Ideação
É a fase onde o problema começa a ter uma solução. O desafio de todas as cervejarias que ouvi até hoje, antes e depois da crise, é vendas. Como vender para todos? Como aumentar as vendas sem aumento do consumo individual?

É preciso diversificar o público, atingir mais consumidores de bebidas que não são apenas o perfil “homem branco paulista de classe média”. E para entender e se aproximar de um outro público mais diverso, é necessário trazê-lo para dentro do mercado.

Quer entrar no mercado de cervejas artesanais no Nordeste? Quantos nordestinos estão empregados na sua empresa? Quer entender o consumo de cervejas artesanais pelas mulheres? Quantas mulheres estão empregadas na sua empresa? Qual é a participação dessas pessoas na tomada de decisão?

Prototipagem
É a fase de criação do produto/serviço que irá ampliar esse mercado. Nada do mesmo serve aqui, é preciso um novo olhar, uma nova abordagem. Estamos falando de mudanças. Mudança é inovação. Ideias novas não vão surgir com uma simples lâmpada acendendo na sua cabeça.

A Harvard Business Review afirma: empresas com funcionários diversos têm 45% mais chances de apresentar um crescimento sobre o ano anterior. E a probabilidade é 70% maior de ter ganho de mercado.

Assim, pesquisas mostram que cada vez mais a diversidade e a inclusão (ou D&I) podem ajudar a aumentar os resultados financeiros de uma empresa, impulsionar a inovação, atrair mais talentos, clientes e criar mais oportunidades de crescimento.

Teste
É o momento de colocar o seu produto/serviço para o jogo. No Brasil, essa discussão ainda está começando, mas nos Estados Unidos a Brewers Association (BA), principal associação das cervejarias independentes do país, preocupada com a representatividade do mercado, criou um comitê de diversidade em 2017, que tem como objetivos:

  • Estabelecer uma estrutura organizacional dentro da Brewers Association comprometida com a diversidade, equidade, igualdade e inclusão.
  • Coletar, analisar e divulgar dados para promover diversidade, equidade, igualdade e inclusão em todos os aspectos da comunidade cervejeira artesanal pequena e independente.
  • Apoiar e promover a diversidade na comunidade de cervejarias artesanais pequenas e independentes, incluindo cervejarias, atacadistas, fornecedores de matérias-primas e varejistas.
  • Atrair e manter ativamente uma comunidade diversificada de bebedores de cerveja artesanal pequena e independente.
  • Promover diversidade, equidade, igualdade e inclusão em todas as propriedades públicas da BA, incluindo eventos, publicações e sites da associação.

A BA tem hoje um programa de subsídios para eventos, apoiando iniciativas locais e regionais que intencionalmente promovam uma comunidade de cerveja artesanal mais diversificada e inclusiva.

Essas estratégias não são assistencialismo. São estratégias de crescimento de mercado das artesanais que, no caso dos Estados Unidos, somaram uma fatia de 25% das vendas de cervejas em 2019, segundo a BA.

Onde estamos?
No Brasil, estima-se que a cerveja artesanal independente tenha 2% de participação no mercado, aproximadamente. Além disso, havia 1.209 cervejarias com planta em 2019. A Abracerva apresentou um estudo onde afirmou a dominância masculina no setor, com 89% dos cervejeiros sendo homens, contra 11% de mulheres. A idade média dos profissionais é de 39 anos (52%), com alto grau de escolaridade, repetindo o perfil encontrado entre os clientes.

A representatividade pode ser a chave para podermos alcançar a parcela dos 50% da população que se considera negra e parda, os mais de 50% dos brasileiros que se declaram do sexo feminino e os mais de 10% que declaram fazer parte da comunidade LGBTQI+, segundo dados de 2016 do IBGE.

Além da ampliação do mercado, ações como essa promovem um crescimento saudável de uma comunidade com mais respeito, empatia, bom senso, humildade e paciência, valores humanos básicos trazidos como reflexão por Cilene Saorin em palestra sobre Cerveja e Equidade no Brasil.

Essa mudança não acontece de um dia para o outro. Disso tiramos outro aprendizado do design thinking, que não é linear, mas cíclico. Toda vez que você testa um protótipo idealizado por uma equipe, que necessariamente é multidisciplinar e voltada para experiência do usuário (UX), ela avalia os resultados para já produzir um novo protótipo, evoluindo sempre.

Cada uma das etapas da metodologia tem como base toda a discussão proposta aqui nesse texto. O design thinking e o UX aplicado ao mercado cervejeiro serão conversas para os próximos encontros. Até lá!


Nadhine França é sommelière, membro da Confraria Maria Bonita e coordenadora do Instituto da Cerveja no PE

Cervejaria produz 100 mil unidades de sabão de mandioca para doar no MA

A luta contra o coronavírus segue unindo o mercado cervejeiro. Utilizando um dos componentes especiais de sua receita, a mandioca, a Cerveja Magnífica informou que produzirá 100 mil unidades de sabão para doar à população carente do Maranhão.

Marca da Ambev com atuação focada no estado, a Magnífica utilizará a fécula de mandioca para produzir o sabão, que já foi aprovado pela Anvisa. Os produtos serão entregues nos próximos dias ao governo do Maranhão e vão beneficiar as comunidades periféricas com maior concentração de casos de Covid-19, segundo relata a cervejaria.

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Cada unidade do sabão de mandioca contém 200g e está sendo produzida pela Saponóleo Santo Antônio. “O sabão é essencial no controle da disseminação do novo coronavírus e no cuidado da saúde da população. Por isso, a versão à base de mandioca doada pela Ambev poderá ser usada tanto para higiene pessoal, quanto doméstica”, descreve a cervejaria.

Segundo Tiemy Schneider, gerente de marketing da Magnífica, o sabão traz ainda um componente especial: a mandioca utilizada é plantada através da agricultura familiar. “Nascida e criada no Maranhão, a Magnífica quer apoiar as famílias locais neste momento difícil, reforçando a importância de continuarmos priorizando os cuidados com a higiene pessoal e doméstica”, afirma Tiemy.

“Estamos utilizando a mandioca plantada através da agricultura familiar do interior do Estado, agora não só na produção da cerveja, mas, também, de uma forma diferente para contribuir com a comunidade. Estamos muito felizes em poder contribuir”, acrescenta a gerente de marketing da Magnífica.

Além da fabricação do sabão de mandioca, a Magnífica está doando semanalmente 2 mil garrafas de 1l de álcool 70% à Rede Hospitalar do Estado. Também cedeu 20 mil unidades de álcool gel e mil litros de álcool 70% à Secretaria de Saúde do Estado e produziu máscaras de proteção facial ao Hospital Centro Médico.

Cerveja terá evolução do delivery e de preços no pós-pandemia, dizem especialistas

O mercado cervejeiro vive um momento muito conturbado com a necessária quarentena imposta na luta contra o coronavírus. E esse cenário deve se refletir na indústria da cerveja mesmo no pós-pandemia, especialmente no que se refere a preços e delivery.

Esse foi um dos temas abordados na primeira live do Guia, realizada nesta sexta-feira pela sommelière Candy Nunes (@candysommelier), que atua com marketing para cervejarias, e o jornalista e sommelier Rodrigo Sena, do canal Beersenses.

Confira na íntegra a primeira live do Guia da Cerveja

Além do cenário pós-pandemia, o debate sobre cerveja entre os especialistas abordou o impacto da Covid-19, os desafios do mercado e o consumo durante o isolamento social.

Na avaliação de Candy, que já trabalhou como embaixadora da St. Patrick’s Beer, a questão dos preços tem sido fundamental durante a quarentena e influi diretamente na capacidade das cervejarias conseguirem escoar os seus produtos.

“Eu visitei cinco supermercados e observei que o comportamento do consumidor de cerveja artesanal. Primeiro ele vai direto para as gôndolas de artesanais, observa e, se tiver alguma em promoção, ele pega”, relatou a especialista, fazendo uma relação direta do preço da cerveja com o volume de vendas.

“O preço e a disponibilidade são os dois grandes desafios para o volume de vendas da cerveja artesanal atualmente. Conseguir quebrar as barreiras do delivery, do take away, é fundamental”, acrescentou Rodrigo.

Assim, a questão do delivery, segundo os especialistas, é tão importante quanto trabalhar bem os preços. Para eles, ainda existe muita oportunidade de evolução para as cervejarias nessa modalidade de vendas. “O delivery veio para ficar e não irá embora depois da pandemia. Preocupar-se com a qualidade das entregas é fundamental”, defendeu Candy.

Já Rodrigo apontou que encara como natural e necessária a evolução no delivery, com embalagens mais adequadas a esse sistema e até processos e tecnologia mais aderentes. “As cervejarias precisaram implementar o delivery correndo. Agora, dois meses depois, será natural uma evolução da qualidade pois ela será um diferencial no mercado”, analisou o especialista durante a live, apontando uma possível mudança no mercado de cerveja pós-pandemia.

Os participantes também apontaram questões relacionadas à alta carga tributária como sendo um dos fatores que dificultam essa equação entre delivery eficiente e cerveja mais barata. “A reforma tributária estava na fila do Congresso e iria ajudar, mas com a pandemia tudo foi parado”, relatou Rodrigo.

Colunista do Guia, o advogado tributarista Clairton Kubaszwski Gama lembrou, nos comentários, que existem formas das cervejarias reduzirem a carga tributária através de um trabalho de consultoria para avaliação do enquadramento fiscal.

Mercado em transe
A live desta sexta também abordou o estudo exclusivo feito pelo Guia após a realização de uma pesquisa com mais de 80 cervejarias brasileiras. O intuito foi entender como a crise do coronavírus afetou o mercado nacional de cervejas.

“A pesquisa demonstrou claramente que não dá para tratar o mercado de uma forma homogênea”, avaliou Rodrigo. “A necessidade de cada cervejaria é muito específica em função de variáveis como tamanho, modelo de negócios e localização, por exemplo.”

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Outro dado da pesquisa mencionado foi o fato de 48% das cervejarias com fábrica própria apontarem queda de faturamento igual ou superior a 70%, sendo o dobro da porcentagem de brewpubs que apresentaram a mesma redução.

Para Candy, a proximidade com o cliente final é o motivo dessa diferença. “O brewpub tem o contato com o cliente final desde sempre, é uma relação muito próxima entre a produção e o consumidor, o que facilita muito nesse momento. Já as cervejarias estavam distantes do cliente final, atuavam via distribuidoras”, avaliou.

As lives do Guia serão realizadas semanalmente, sempre às sextas-feiras, a partir das 18 horas. Assim como já acontece com o conteúdo do site, o objetivo é que a live seja mais um espaço de discussão e divulgação da cultura que cerca a cerveja, oferecendo informação relevante e atualizada, além de análises profundas sobre o que acontece dentro desse universo.

Acordo entre cervejaria e governo ‘salva’ 400 milhões de garrafas na África do Sul

O mercado cervejeiro da África do Sul viveu dias de tensão na última semana. A maior fabricante do país, a South African Breweries (SAB), ficou muito perto de se ver obrigada a descartar 400 milhões de garrafas. Mas um acordo com o governo local evitou essa possibilidade.

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O país está sob quarentena desde 27 de março, e as regras para a contenção da pandemia de coronavírus na África do Sul são ditadas por um sistema de classificação do risco em cinco níveis. No quarto, a atual faixa do “lockdown”, a venda e a distribuição de bebidas alcoólicas estão proibidas.

Com isso, as cervejarias não podem sequer transportar seus produtos por estradas do país. No mês passado, inclusive, motoristas de caminhões da companhia foram autuados e multados por levarem cargas da bebida.

Como a SAB, uma subsidiária do grupo multinacional AB InBev, não podia vender ou transportar sua produção para outros locais, os armazéns contíguos às sete fábricas da empresa ficaram lotados e sem condições ideais de estocagem.

Com isso, a companhia anunciou que, se não pudesse levar parte de seu estoque para locais com melhores condições, seria obrigada a descartar 130 milhões de litros de cerveja, o que acarretaria em um prejuízo de 150 milhões de rands (equivalente a R$ 47,2 milhões). Para o governo, por sua vez, poderia provocar uma perda de 500 milhões de rands (R$ 157 milhões) em arrecadação de impostos.

O impasse se resolveu na última terça-feira, quando uma autorização especial concedida pelo governo federal permitiu o transporte de garrafas de rótulos renomados, como a Castle e a Carling Black Label, saindo das cervejarias para os armazéns da SAB.

“A SAB gostaria de expressar sua gratidão ao governo. Essa medida durante tempos tão difíceis é uma clara indicação de que nós devemos colaborar em soluções que vão ajudar a proteger a subsistência de mais de 250 mil sul-africanos que fazem parte da cadeia de valor da SAB”, afirma nota da cervejaria.

No entanto, apesar do tom cordial do comunicado, a empresa tem criticado com veemência as políticas proibitivas adotadas pelo governo da África do Sul durante a pandemia do coronavírus.

Guia lança live e aborda desafio da busca pelo melhor preço da cerveja

Com o objetivo de aprofundar a discussão sobre temas relevantes para todo o mercado cervejeiro, o Guia realizará semanalmente uma live no Instagram, a partir desta sexta-feira. Nos últimos dois meses, com as medidas de isolamento social, este canal se tornou uma importante ferramenta para o debate de ideias e compartilhamento de conhecimento para a comunidade.

Assim como já acontece com o conteúdo do site, o objetivo é que a live do Guia seja mais um espaço de discussão e divulgação da cultura que cerca a cerveja, oferecendo informação relevante e atualizada, além de análises profundas sobre o que acontece dentro desse universo.

Para a curadoria de assuntos a serem abordados e apresentação das lives, foram escalados Candy Nunes e Rodrigo Sena, dois profissionais da área de comunicação com grande experiência profissional no mercado cervejeiro.

Nessa primeira edição, eles irão conversar sobre os desafios das cervejarias para manter preços competitivos nessa época de crise do coronavírus – a dificuldade, inclusive, foi um dos temas da pesquisa do e-book lançado pelo Guia no início desta semana. A live será realizada nesta sexta-feira, a partir das 18 horas, no perfil do Instagram @guiadacervejabrasil.

Candy Nunes, radialista e apresentadora, trabalhou com artes cênicas e como produtora de eventos antes de se dedicar profissionalmente como embaixadora da cervejaria St. Patrick´s Beer no Brasil. Além de ter formação como sommelière de cervejas, ela possui certificação avançada em tecnologia cervejeira e também é mestre em estilos. E compartilha suas experiências cervejeiras no Instagram @candysommelier.

O jornalista Rodrigo Sena já trabalhou em grandes empresas de mídia e de tecnologia. Formado como sommelier, com certificação avançada em tecnologia cervejeira e especialização em harmonização de cervejas, ele mantém o canal Beersenses no YouTube e no Instagram, além de ter atuação profissional como professor, sommelier e consultor de negócios para cervejarias e bares.

Justiça inclui nomes de sócios da Backer em processo para evitar ocultação de bens

A Justiça de Minas Gerais determinou a inclusão do nome de todos os sócios da Backer no processo movido contra a cervejaria por causa da intoxicação de ao menos 42 pessoas por ingestão de dietilenoglicol. A substância foi encontrada em rótulos da marca e provocou nove mortes.

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De acordo com o juiz Sérgio Henrique, a decisão foi tomada por causa da suposta intenção de ocultar bens por parte de alguns sócios da Backer. Ele afirma que teriam sido adotadas condutas que “a princípio demonstram intenção de ocultar/dilapidar o patrimônio e/ou dificultar a localização de seus bens”.

Inicialmente, além da pessoa jurídica da cervejaria, o processo incluía apenas os nomes de outras quatro empresas que compõem o Grupo Econômico Familiar Khalil Lebbos, do qual faz parte a Backer. Eram elas: Empreendimentos Khalil, Cozinha de Fogo Restaurante, Paixão pela Itália e HM Alimentos e Bebidas. Agora, então, as pessoas físicas que compõem a sociedade da cervejaria também foram incluídas na ação.

Em 18 de março, o desembargador Evandro Lopes Teixeira, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, determinou o bloqueio de bens da Backer em R$ 50 milhões para o ressarcimento das vítimas. Com isso, atendeu decisão judicial que havia definido o custeio de todas as despesas médicas dos que foram contaminados, assim como o pagamento de futuras indenizações pela empresa.

O inquérito da Polícia Civil mineira sobre as intoxicações está no quarto mês, mas ainda não chegou ao fim. Porém, a hipótese de sabotagem já foi descartada. A investigação, que colheu depoimentos de 66 pessoas na 4ª Delegacia do Barreiro, em Belo Horizonte, está centrada na avaliação de outras possibilidades, especialmente a de negligência na fabricação dos rótulos.

Recentemente, a Backer recebeu aval para utilizar parte do material dos tanques até então interditados e que não estava contaminada para produzir álcool gel. A cervejaria pretende fabricar 28,3 mil litros do produto para ações de combate ao coronavírus.

No mês com maior queda do IPCA em 22 anos, inflação da cerveja tem 2ª alta seguida

O preço da cerveja em domicílio se manteve em alta em abril, no primeiro mês completo em que se pôde perceber os efeitos da crise do coronavírus. Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação da cerveja ficou em 0,65%, na segunda elevação consecutiva dos valores.

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Trata-se de um ritmo bem diferente ao do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que registrou deflação de 0,31% em abril. É, inclusive, a menor variação mensal da inflação desde agosto de 1998.

Essa alta do preço da cerveja no domicílio também foi vista no setor de alimentação e bebidas, que teve inflação de 1,79%. Com isso, impediu que a redução dos preços fosse ainda maior.

“A maior contribuição positiva no IPCA de abril (0,35 p.p.) veio de Alimentação e bebidas (1,79%), que segue aumentando e acelerou em relação ao resultado do mês anterior (1,13%). A alimentação no domicílio passou de 1,40% em março para 2,24% em abril”, relatou o IBGE.

A inflação em abril da cerveja em domicílio ampliou a elevação do preço em 2020 do produto, antes quase estagnado e agora em 0,71% no somatório entre janeiro, fevereiro e março.

Já a cerveja fora do domicílio, um segmento praticamente paralisado em função das medidas de isolamento social, teve deflação de 0,34% no mês. Ainda há aceleração no ano, mas agora ela está em 0,92% no primeiro quadrimestre de 2020.

Essa diferença, com elevação dos preços da cerveja no domicílio e redução fora dele, indica que consumir a bebida em casa, única opção possível em um período de quarentena, está ficando mais caro. E o aumento dessa demanda em detrimento da outra modalidade deve ter pesado para a inflação.

“Há uma relação da restrição de oferta, natural nos primeiros meses do ano, e do aumento da demanda provocado pela pandemia de Covid-19, com as pessoas indo mais ao mercado, cozinhando mais em casa”, aponta Pedro Kislanov, gerente da pesquisa.

O item outras bebidas alcoólicas no domicílio, por sua vez, teve aumento de 0,49% em abril. Desse modo, ampliou o cenário de elevação dos preços em 2020, tanto que passou a registrar alta acumulada de 3,08% nesse período.

Por fim, o preço de outras bebidas alcoólicas fora do domicílio apresentou deflação de 0,20% em março. Com isso, o aumento nos preços caiu para 0,31% neste ano.

Balcão da Bia: O bar virtual em tempos de coronavírus

Coluna bia amorim
bia amorim

Balcão da Bia: O bar virtual em tempos de coronavírus

Tomei banho, coloquei uma roupa que não é o pijama. Para que a fac-símile funcionasse bem, até calcei os sapatos. Penteei os cabelos, passei lápis nos olhos, contornei a boca com aquele batom novo. Ou velho? Não sei mais que dia é hoje. Sei que estou bonitona.

Garçommmmm! Gritei sozinha em casa. Só não fez eco porque a televisão está sempre ligada, para não esquecer o que acontece fora da bolha. Uma tristeza, uma tragédia que veio à tona.

O bar, virtual atual, é uma live no Instagram. Na minha época xovem (pelos idos dos anos 90) tinha o chat do UOL e as salas eram nomes bizarros de qualquer coisa que nos trazia empatia ou mostravam que você não tinha idade para aquele papo.

Hoje em dia, eu converso com minhas amigas na parte de baixo do vídeo, fazendo comentários engraçados ou apenas tonificando qualidades em sinal de amor e carinho, enquanto outras amigas estão em um papo sobre receitas e cervejas na tela de cima.

Depois, sem perigo de direção, sem bafômetro e com a cerveja na mão, parto para a próxima tela onde profissionais conversam sobre o futuro do lúpulo no mundo, o papel do empreendedor neste momento de crise e um debate de como ali na frente será o futuro do mercado de cervejas.

Os fatos mudaram e a onda de realidade vai chegar, mas com um novo formato. Engulo seco. Em seguida, 1 hora depois, encontro a turma no “episódio” boteco do dia, sempre com aquela gente engraçada e divertida, que faz piada ao vivo e a cores, nos comentários ou na tela de cima. E pode ser apenas para esconder as angústias que o dia trouxe, mas também manter a tradição de encontrar as pessoas que nos fazem bem. Vou à cozinha e bebo água. Já estou sem os sapatos. Tenho de me segurar para não virar uma beberrona.

O happy-hour é na verdade o “insta-hour”. Por isso lavo minha louça ao vivo mais cedo. Menos concorrência e mais trabalhos “de casa”. Talvez só queira ser a diferentona.

Vivemos uma era pós conexão dial up. E se você não sabe o que é isso, provavelmente ainda não pode beber, só lavar a louça, as roupas e as mãos! Uóóóóóó zuim zuim zooommmm, era a música da conexão. Lenta. Pausada. Sem vídeo. Sem memes, sem nada. E ainda assim, eu era felizona.

Falando em Zoom, os bares e festas virtuais ganharam também a sua bolha, seus nichos. Os encontros de família e amigos, sem plateia, sejam no Meet, no Zoom, e até nos já manjados Sykpe e Whatsapp, são a forma de remodelar e ressignificar as festas de aniversário, comemorações de datas importantes, conversar sobre qualquer coisa, apenas estar junto, mesmo que separado. Cada um em sua casa, com refri, com vinho, com receitas sendo trocadas ou apenas uma atualizada nos papos sobre o que nada acontece. Mas tem gente que não quer saber de papo, liga o Netflix e prefere uma maratona.

O bar virtual não possui os longos códigos que tínhamos no ICQ. Mas vez ou outra tem gente que não entende os códigos atuais. Não é o Código Morse, são as panelas sendo batidas com o código #fora. Às vezes BBB, às vezes corona, sempre Bozo. Os códigos formatados na sociedade são muitos e cada um de nós está em sua própria comunidade, dentro de uma rede social, ou apenas na solidão. Não tenho uma banheira para estar “só”, como a Madonna.

Retirei meu copo da mesa, deixei os sapatos na sala. Tirei a maquiagem, coloquei o pijama. O coração repleto de contatos, assuntos, pessoas, angústias, realidades, utopias. Torço para acordar e tudo ter sido apenas um pesadelo. Essa vida virtual não é pra mim. Essa fac-símile de bar só contenta pouco, assim como as coisas que não têm tempero. Matam a fome, mas eu preciso de mais solidez na minha existência. Para o contexto é bom, mas para uma vida, ainda é uma mesa vazia, sem o tilintar dos pratos, sem o vento do corredor com bandejas indo e vindo, com o calor humano que uma tela não transmite.

Vem o pensamento de gente passando fome. Vem a realidade à tona. Coisas que o mundo virtual não vai preencher. O enfrentamento da realidade precisa ser sóbrio. Volto às caraminholas da mente e como enfrentar o corona.

Saudações virtuais, mas verdadeiras. Nos encontraremos, espero que live por aí.


Bia Amorim é sommelière de cervejas, filosofa de boteco on live, escritora de botequim virtual, a tia louca da louça. No instagram, @biasommelier no trabalho, @startupbrewing e vertentes.

Ambev faz estreia nas lives sobre educação cervejeira nesta quinta-feira

Adaptando-se às condições dos novos tempos, a Ambev, que já tem se destacado como patrocinadora de lives musicais transmitidas pela internet, passa a usar o seu perfil no Instagram para transmitir uma série de eventos com conteúdo focado no conhecimento cervejeiro. Na primeira edição, marcada para esta quinta-feira, o foco estará voltado para os ingredientes e os sabores da bebida.

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Com a impossibilidade de se promoverem presencialmente por causa das medidas de isolamento social adotadas em função do surto do coronavírus no Brasil, marcas e escolas têm recorrido às lives e webinars para disseminar a educação cervejeira. Agora, portanto, será a vez de a Ambev se inserir no segmento das lives.

O bate-papo desta quinta-feira está marcado para as 18 horas e vai ser comandado pela mestre-cervejeira Laura Aguiar. Junto com ela, estará a convidada Fernanda Meybom, sommelière de cervejas e mestre em estilos, avaliação e harmonização pelo Siebel Institute of Technology, uma universidade de Chicago.

No evento, as especialistas vão abordar a diversidade de ingredientes, sabores e aromas da cerveja. O objetivo do encontro é mostrar para o público as possibilidades de harmonização com petiscos que temos em casa, bem como tirar dúvidas de temas que envolvam a bebida, além de promover a importância do consumo consciente.

A iniciativa faz parte da Plataforma de Conhecimento Cervejeiro da Ambev. Criado em 2019, o projeto oferece cursos e tours gratuitos às fábricas por todo o Brasil com a intenção de compartilhar conhecimento cervejeiro de forma democrática, incluindo a história da bebida, os ingredientes e as harmonizações.

Diante do necessário isolamento social, essas atividades foram temporariamente suspensas pela cervejaria. Nesse ínterim, como adaptação, a experiência cervejeira online se tornou uma forma de levar conhecimento à distância para o público a partir desta semana.

Confira o serviço do evento:
Live de Conhecimento Cervejeiro
Quinta-feira, 14 de maio, às 18 horas
Instagram @ambev

O pior ainda está por vir à Ambev, dizem analistas após 1º trimestre fraco

O resultado apresentado pela Ambev em seu balanço do primeiro trimestre de 2020 foi ruim, mas o pior ainda está por vir. Essa é a avaliação de analistas de diferentes bancos de investimento, apontando que os efeitos negativos da crise do coronavírus serão ainda maiores para a multinacional cervejeira nas próximas semanas e meses.

Segundo os dados divulgados na última quinta-feira, a Ambev teve lucro líquido de R$ 1,091 bilhão no trimestre inicial de 2020, um recuo de 59% em relação aos R$ 2,661 bilhões do mesmo período no ano passado. A queda do lucro líquido ajustado da Ambev foi semelhante – total de R$ 1,228 bilhão -, 55,6% menor do que nos três primeiros meses de 2019.

Leia também – Ambev tem redução de quase 60% no lucro líquido do primeiro trimestre

De acordo com o Citi, não houve surpresa nos resultados, considerados “fracos como esperado”. O banco destaca que, além da crise do coronavírus, outros fatores já indicavam números ruins para Ambev no primeiro trimestre. Para isso, lembra a base alta de comparação, pois no mesmo período do ano passado houve crescimento de 11% no volume, além do fato de o carnaval ter ocorrido mais cedo em relação a 2019 e o clima menos favorável.

 “Sem surpresas, a visibilidade de curto prazo em relação à recuperação segue consideravelmente baixa, e é impossível compreender a total extensão de potenciais danos à cadeia de distribuição (como pequenos bares e quiosques)”, avalia o Citi.

Na visão do BB Investimentos, já havia a expectativa de dificuldades para a Ambev no primeiro trimestre de 2020 em função da falta de crescimento econômico e do desemprego elevado no país, indicadores fundamentais para o aumento do consumo dos seus produtos.

“O ambiente ainda desafiador no Brasil para a indústria cervejeira, onde aumentos mais consistentes de demanda estavam dependendo da melhoria de indicadores macroeconômicos como taxa de desemprego e confiança do consumidor, de fato contribuiu negativamente para os resultados de Ambev no 1T20”, argumenta o BB Investimentos.

Já o Itaú BBA apontou que o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado da companhia – de R$ 4,23 bilhões, com queda de 17,3% em relação ao ano passado – ficou 8% abaixo do esperado pelos seu analistas e a 4% do que imaginava o mercado.

Para o BTG, essa redução do Ebitda teve relação direta com a queda nas vendas no primeiro trimestre, em parte provocada pelas restrições adotadas por causa da crise do coronavírus. E isso deve aumentar a concorrência.

“Com a maioria das vendas concentradas no comércio, a principal ocasião de consumo de cerveja dos brasileiros foi interrompida pelas restrições relacionadas à Covid-19, provocando um declínio de 11,5% a/a (-29% apenas em março), ficando abaixo do setor e reforçando a forte concorrência”, afirma a análise do BTG.

Efeitos apenas iniciais
E a expectativa dos analistas é de que o cenário se deteriore no restante do primeiro semestre. “A Covid-19 já teve um impacto profundo sobre os resultados da companhia no primeiro trimestre, mas o impacto completo deve ser sentido no segundo, uma vez que a maior parte dos bares e restaurantes permanece fechada no Brasil”, afirma o documento assinado pelos analistas João Pedro Soares e Tobias Stingelin, ambos do Citi.

O Itaú BBA, em sua avaliação, também aponta que o balanço apresentou apenas os efeitos iniciais da crise do coronavírus sobre a cervejaria. “Os resultados devem deteriorar-se cada vez mais antes de entrar em um caminho de recuperação”, dizem os analistas André Hachem, Gustavo Troyano e Renan Moura.

“Grande parte das medidas de quarentena foi implementada no final do primeiro trimestre de 2020 e intensificada no segundo. Assim, o avanço da pandemia deve ter um impacto mais severo e há pouca visibilidade neste momento”, acrescenta o relatório do Itaú BBA.

Ao comentar a queda de 27% em abril, adiantada pela companhia no seu balanço do primeiro trimestre, o BTG ainda aposta que a redução no volume de vendas de cerveja pela Ambev foi maior no Brasil do que em outros mercados.

“Nosso senso é que o desempenho de cerveja no Brasil deve ter sido ainda pior, com cerca de 2/3 do consumo ainda sendo on-premise (bares, restaurantes etc.). Além disso, o declínio acentuado do volume não deve apenas gerar mais desalavancagem operacional, mas vendas mais baixas no comércio também devem significar um mix de vendas pior”, projeta o BTG.

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Pelos efeitos da crise do coronavírus, mas também por outros aspectos econômicos, o UBS optou por reduzir as suas estimativas de lucro e aumento da receita da Ambev nos próximos meses. “As pressões inflacionárias e macroeconômicas seguem além do primeiro trimestre e os crescentes impactos da pandemia pressionam o modelo de negócios da empresa”, dizem os analistas.

É a mesma postura do BB Investimentos. Sua equipe de analistas até reconhece o esforço da empresa para aumentar a receita com o comércio digital, mas destaca que só isso não será suficiente para minimizar os efeitos da crise da Covid-19.

“Como resultado, apesar de destacarmos como positivo o esforço da empresa para acelerar o e-commerce e controlar custos e despesas, revisitamos nosso modelo e reduzimos nosso preço alvo 2020 para R$ 14,5”, aponta o relatório.

E o BB Investimentos ainda revisou para baixo sua previsão de receitas da Ambev em 2020. “Reduzimos nossa projeção de receita para final de 2020 em 8%, para R$ 51 bilhões contra R$ 56 bilhões anteriormente estimado. Além disso, apesar de a empresa não ter fechado nenhuma cervejaria, estamos estimando menor taxa de utilização de capacidade devido à queda de volumes comercializados no curto prazo”, conclui.

Na análise de seu balanço, também publicada na quinta-feira, a própria Ambev reconhecera que poderia ter um segundo trimestre ainda pior. “O impacto total da pandemia da Covid-19 em nossos resultados futuros permanece bastante incerto, mas esperamos que o impacto nos nossos resultados do 2T20 seja materialmente pior do que no 1T20.”

Ação oscila após balanço
Após fechar o pregão de quarta-feira, véspera da divulgação do balanço trimestral, cotada a R$ 11,83, a ação ordinária da Ambev (ABEV3) oscilou na Bolsa de Valores de São Paulo. Na quinta, terminou o dia com valor de R$ 11,54, uma perda de 2,45%. Depois, se recuperou e encerrou a última segunda-feira com o preço de R$ 11,92, uma valorização de 0,76% no comparativo ao dia prévio à publicação dos resultados da empresa.