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Após ampliar portfólio, Agrária vai inaugurar cervejaria experimental

A Cooperativa Agrária Agroindustrial não para. Após apresentar novidades ao setor cervejeiro nos últimos meses, como a comercialização de garrafas da Verallia e de barris da Penglai Jinfu, além de passar a ofertar flakes de milho, a empresa prepara para os próximos dias a inauguração da nova estrutura da sua cervejaria experimental.

É o que detalha Rodrigo Matter, do departamento de marketing da Agrária, em conversa com o Guia. As parcerias com a Verallia e a Penglai Jinfu, segundo ele, surgiram a partir da percepção de que seria possível ampliar o portfólio de produtos oferecidos para o setor cervejeiro, mais acostumado a comprar fermentos, lúpulo e maltes da Agrária.

No acordo com a Verallia, a empresa paranaense passou a comercializar mais de 20 modelos de garrafa. E acredita que a ação foi benéfica para ambas as empresas, que atendem públicos parecidos, ainda que até então em busca de produtos diferentes.

“Já tínhamos uma relação com a Verallia e pensamos que uma sinergia maior entre as empresas traria vantagens para nossos clientes, pois as duas empresas tinham os mesmos clientes. Como a Agrária já tinha um modelo de atendimento ao mercado craft de sucesso, ficou fácil esta parceria com a Verallia para oferecer as garrafas desta renomada empresa”, explica Rodrigo.

Do mesmo modo, a cooperativa passou recentemente a disponibilizar os barris da siderúrgica chinesa Penglai Jinfu, que são empilháveis e com capacidade de 5 a 50 litros. Nesse caso, a Agrária conta que a iniciativa atendeu uma demanda do setor cervejeiro, pois muitas empresas encontram dificuldades para realizar a importação desse produto.

“Pensamos em como podemos facilitar ainda mais a vida de nossos clientes: o que mais eles precisam que ainda não oferecemos? Aí surgiu a ideia de comercializarmos o barril, que é uma necessidade de todas as cervejarias e que muitas não têm intenção ou mesmo oportunidade de importar o produto, visto o enorme trabalho e burocracia envolvidos no processo. Como já temos este know-how em outros produtos, ficou fácil agilizar esta situação e oferecer mais um produto aos nossos clientes”, conta Rodrigo.

Já os flakes de milho da Agrária estão disponíveis em embalagens de 25kg e podem ajudar a aumentar o rendimento do mosto, o que reduz os custos de fabricação da cerveja. Para lançar o produto, porém, foi preciso lidar com os preconceitos que envolvem o milho no setor cervejeiro.

“A Agrária já possui uma indústria de milho que atendia aos grandes players do mercado cervejeiro com grits. Apenas desenvolvemos um novo produto que pode ser utilizado pelo mercado craft, que apresenta diversos ganhos e redução de custo”, analisa.

Próximos passos
Além de ampliar o seu portfólio, a Agrária prepara interessantes novidades para os próximos dias. Uma delas é a inauguração de uma cervejaria experimental que poderá ajudar no desenvolvimento de novos produtos.

“Teremos a inauguração da nova estrutura da nossa cervejaria experimental, que é voltada aos nossos clientes que queiram desenvolver novas receitas e testar produtos. Será um local bem mais amplo e confortável”, revela Rodrigo.

A Agrária também pretende focar no lançamento de produtos ligados ao malte na segunda metade de 2019. “No segundo semestre deste ano devemos lançar o malte de trigo produzido pela Agrária. E devemos trazer também, através de nossos parceiros comerciais, uma linha completa de maltes e fermentos para destilação”, conclui.

Entrevista: Indústria 4.0 chega ao setor com interface homem-máquina e realidade aumentada

A quarta revolução industrial, mais conhecida como indústria 4.0, chegou ao mercado para desempenhar uma mudança sem precedentes na dinâmica da economia mundial. Panorama que obviamente já atinge o setor cervejeiro, sobretudo em pilares como interface homem-máquina, realidade aumentada e monitoramento de equipamentos, que trazem perspectivas capazes de revolucionar a produção de uma cervejaria.

Essa é a análise de Thomas Junqueira Ayres Ulbrich, diretor-executivo da VDMA Brasil, a representante no país da Associação Alemã dos Fabricantes de Máquinas e Instalações Industriais, uma das mais importantes entidades mundiais no setor de máquina e equipamentos.

Em entrevista exclusiva ao Guia, Thomas Ulbrich faz uma análise detalhada sobre a relação entre indústria 4.0 e cervejarias. E mais: traça uma comparação entre os mercados etílicos alemães e brasileiros, além de detalhar o que o precisa ser feito no país para atingir um grau maior de maturidade.

“Considero a cerveja um dos aspectos da histórica e multifacetada parceria que existe entre o Brasil e a Alemanha”, aponta o diretor da VDMA Brasil. “Os futuros desafios dessa indústria estão voltados à digitalização, aos ganhos em produtividade e à utilização adequada dos recursos disponíveis.”

Confira, a seguir, a imperdível entrevista com Thomas Junqueira Ayres Ulbrich, diretor-executivo da VDMA Brasil.

Como a VDMA avalia o grau de desenvolvimento da indústria brasileira de cerveja e quais seriam os nossos grandes desafios?
De acordo com estatísticas internacionais, o Brasil ocupa a terceira colocação no ranking mundial de produção de cerveja. Um mercado que já atingiu essa dimensão só pode, no meu ponto de vista, ter um grau de desenvolvimento comparável aos mais avançados do mundo. Esperamos que nos próximos anos esse mercado continue sua trajetória de crescimento, seja pela evolução tecnológica, seja pelo aumento da produção, pelo lançamento de novos produtos e, também, pelo aumento no número de consumidores.

Para a VDMA – Associação Alemã dos Fabricantes de Máquinas e Instalações Industriais (em alemão, Verband der Deutschen Maschinen- und Anlagebau), os futuros desafios dessa indústria estão voltados à digitalização, aos ganhos em produtividade e à utilização adequada dos recursos disponíveis. Para qualquer um dos casos, tenho certeza, as empresas associadas à VDMA estão em condições de contribuir com soluções inovadoras e consistentes.

De maneira geral, o que a indústria cervejeira brasileira e alemã tem em comum e como é hoje a interação entre esses dois mercados?
Considero a cerveja um dos aspectos da histórica e multifacetada parceria que existe entre o Brasil e a Alemanha. As primeiras cervejarias no Brasil, fundadas no século 19, foram iniciativa de imigrantes alemães, o que já demonstra a proximidade entre os dois países. De lá para cá, a indústria cervejeira evoluiu muito e a parceria entre brasileiros e alemães, posso dizer, só se fortaleceu. Afinal, os maiores fabricantes de instalações industriais para produção de cerveja no mundo são alemães. Essas empresas, associadas à VDMA, atuam no Brasil. Mas não é só na produção, isto é, na moagem, na brasagem, na filtragem que as empresas de origem germânica marcam presença. No campo da logística – armazenamento e transporte – também existe uma proximidade muito grande entre empresas representantes das duas economias. E não podemos esquecer a formação profissional. Afinal, para qualquer aspirante a cervejeiro, fazer um estágio profissional na Alemanha é mais do que um sonho. É quase uma obrigação!

Há ainda um outro aspecto comum entre os dois mercados ao qual quero me referir. Trata-se do boom das cervejarias artesanais, observado tanto na Alemanha quanto no Brasil. Essas iniciativas procuram apresentar ao mercado produtos que, de forma criativa, se diferenciam daqueles “tradicionais”. Naturalmente, quem ganha com todo esse movimento é o consumidor!

Quais as principais lições que a indústria brasileira pode tirar desse histórico setor na Alemanha?
Acho que há um marco na história da cervejeira alemã que deveria servir de guia para o setor em todo mundo, inclusive o Brasil. É o “Edital de Pureza da Cerveja”, um documento escrito há mais de 500 anos e pelo qual os produtores se comprometem a produzi-la exclusivamente com quatro ingredientes: água, malte, lúpulo e cevada. Desde então, o certificado sofreu algumas alterações, mas a sua essência se mantém, pois trata-se da responsabilidade do produtor assegurar a qualidade do produto que oferece ao mercado. Mesmo trabalhando só com quatro ingredientes básicos, as 1.500 indústrias cervejeiras estabelecidas na Alemanha produzem, atualmente, 6 mil tipos de cerveja que se diferenciam por cor, aroma e sabor. Essas características são resultantes das variedades das matérias-primas e dos diferentes processos de melhorias na produção.

Como a indústria 4.0 tem auxiliado na potencialização da indústria cervejeira alemã? Quais os principais pilares utilizados e como eles otimizam a produção?
A indústria 4.0 desempenhará um papel cada vez mais importante não só na indústria cervejeira, mas na indústria em geral. Seu objetivo é aprimorar o fluxo de informações entre máquinas, pessoas e processos, aumentando os índices de eficácia e rentabilidade. A digitalização irá gradualmente abrir novos potenciais de inovação que nem sequer conhecemos. Trata-se de um novo patamar na evolução da indústria. Estamos no início desse processo e é ainda difícil antever todas as mudanças que trará. A VDMA está bastante atenta a essas transformações e a indústria 4.0 já é um dos temas centrais em nossa associação.

No que se refere ao setor cervejeiro, observamos que ele tem se envolvido bastante com os temas ligados à indústria 4.0 com destaque para áreas como monitoramento das condições das máquinas, assistência remota, interface homem-máquina (HMI – human machine interface, em inglês) e realidade aumentada. Todos são aspectos que contribuem para a atuação independente das linhas de produção e de enchimento e, mais importante, para a reação inteligente das máquinas a mudanças não previstas. Paralelamente, observamos que a indústria cervejeira continua focada na utilização eficiente dos recursos disponíveis. Isso envolve questões relativas à limpeza da linha de produção, sensores que detectam impurezas, lavagem automática dos tanques de armazenamento, etc.

Em termos de tecnologia industrial, o que a VDMA projeta como tendência para o setor cervejeiro nos próximos anos? E como essas novidades podem mexer com o mercado?
Como já dito na pergunta anterior, estamos no início de uma nova era industrial. Ainda não temos condições de dizer o que virá com a 4.0, mas certamente, muita coisa vai mudar para o setor cervejeiro, seja na produção, no armazenamento, no estoque, no transporte ou na distribuição. Importante é saber que a VDMA e seus associados acompanham essas alterações para estarem aptos a atender e antever, a qualquer momento, as necessidades de seus clientes da melhor forma possível.

As mais de 70 cervejarias confirmadas no Mondial SP

Com status de ser um dos maiores eventos cervejeiros do planeta, o Mondial de la Bière terá a sua edição paulistana realizada em quatro dias, de 30 de maio a 2 de junho. Mais de 70 cervejarias já estão confirmadas, além de atrações musicais e gastronômicas.

O evento será no espaço Arca, um galpão no bairro da Vila Leopoldina. E a organização vai disponibilizar um esquema especial de vans, que fará gratuitamente o trajeto da estação Pinheiros do Metrô até o local de realização do Mondial de la Bière. Os ingressos podem ser garantidos através do site: https://mondialdelabieresp.byinti.com/.

Embora seja obviamente o carro-chefe do evento, a cerveja não será a única temática do Mondial de la Bière. Também haverá espaço para produtos como destilados, sucos, kombuchas e embutidos, além de palestras sobre alimentação, comportamento, produtos artesanais e consumo sustentável.

No ano passado, em sua primeira edição na capital paulista, o evento recebeu 12 mil visitantes. Confira a lista das mais de 70 cervejarias confirmadas até agora no Mondial de la Bière São Paulo.

Ceará libera cerveja nos estádios e Abracerva mira expansão das artesanais

A Assembleia Legislativa do Ceará aprovou a liberação do consumo de bebidas alcoólicas nos estádios. A medida é ainda mais interessante ao setor por trazer uma cláusula especial: 20% dos rótulos comercializados precisam ser de marcas locais independentes.

Esse é o segundo estado a adotar a medida que protege as artesanais – o primeiro fora Santa Catarina. Assim, a região que tem dois clubes na primeira divisão do Campeonato Brasileiro – Ceará e Fortaleza – pode ganhar um impulso na produção das cervejas locais, segundo aposta a Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva).

“Consideramos essa lei uma grande vitória. Com a aprovação, conseguiremos alcançar novos públicos e ainda fortalecer as marcas locais. Todos saem ganhando”, celebra Francisco Abaeté Neto, presidente da Abracerva do Ceará.

Já Carlo Lapolli, presidente da Abracerva, avalia que a medida auxiliará o “consumo consciente”. “É através destas ações que vamos conseguindo estimular o consumo consciente de bebidas de qualidade e produzidas por marcas que causam impacto na região onde são fabricadas”, aponta ele. “São elas que somam – e muito – para o mercado. Esperamos que esta iniciativa se espalhe por outros estados, para que possamos atuar de forma mais ativa.”

A proposta de liberação foi apresentada pelo deputado Evandro Leitão (PDT) e contou com o apoio da Abracerva e da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel).

Mesmo com inflação em alta, preço da cerveja amplia queda em abril

O preço da cerveja ampliou o cenário de redução nas principais capitais brasileiras, de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Enquanto a inflação nacional foi de 0,57% em abril, na maior alta no quarto mês do ano desde 2016, o preço da cerveja no domicílio caiu 0,60%.

Essa queda apontada nos dados divulgados pelo IBGE aumentou a deflação no preço da cerveja em 2019, que agora é de 0,89%. Apesar disso, ainda há inflação nos últimos 12 meses, de 0,56%.

Já os preços da cerveja fora do domicílio sofreram alta em abril, de 0,40%, segundo o IPCA. E também há inflação nos outros dois cenários observados: de 0,72% em 2019 e, também, nos últimos 12 meses, de 4,73%.

Os preços de outras bebidas alcoólicas no domicílio tiveram queda de 0,42% em abril, mas mantiveram a alta em 2019 (0,32%) e também nos últimos 12 meses (3,17%). A situação é idêntica para as bebidas alcoólicas fora do domicílio, com deflação em abril (-0,26%), mas alta nos preços no ano (3,73%) e nos últimos 12 meses (7,31%).

“Já a inflação dos alimentos e bebidas desacelerou de março (1,37%) para abril (0,63%) influenciada, principalmente, pela queda nos preços do feijão-carioca (-9,09%) e das frutas (-0,71)”, apontou o IBGE.

Lager lupulada: IPL se torna estilo e deve ganhar espaço

Na semana passada, a Brewers Association (BA) divulgou a versão 2019 de seu guia de estilos com mais de mil correções e alterações em relação ao ano anterior e a adição de quatro novos tipos de cerveja reconhecidos como estilos. Enquanto a Juicy ou Hazy Strong Pale Ale, Belgian-Style Gueuze Lambic contemporânea e Rotbier estilo franconian se prestam muito mais a diversificar estilos já existentes, a admissão de um estilo mais peculiar surpreendeu o mercado: a India Pale Lager (IPL).

A própria BA considera a criação de uma categoria específica para a IPL a alteração mais significativa do ano. “Diversas cervejarias têm produzido IPL ao longo dos anos, no entanto raramente se ouvia clamores para que ela fosse reconhecida como estilo no Great Amercian Beer Festival (GABF)”, afirma a nota da associação. Ela acrescenta ainda que, com esses parâmetros estabelecidos, muitas IPL deverão aparecer no GABF desse ano.

Para Junior Bottura, fundador da Avós, cervejaria paulistana especializada em Lagers, apesar de ser um reconhecimento natural, influenciado por uma grupo de cervejarias dos Estados Unidos que tinham essa demanda, o reconhecimento da IPL foi uma surpresa.

“Mesmo lá fora, não é muito grande o número de cervejarias fazendo. Não é um estilo que foi sendo replicado o tempo todo e nem muito falado”, diz Junior. No Brasil, dentre as poucas cervejarias que puseram IPLs no mercado estão, além da Avós, a Minimal, a Blondine, a Swamp, a Salva e a Lohn.

Em sua avaliação, o que levou a IPL a esse novo status foi a complexidade técnica da sua execução. “A IPL tem de diferente uma menor interferência da levedura. A combinação de maltes e lúpulos é muito influente na determinação do produto final. É um estilo que o cervejeiro tem que acertar muito a mão no balanço de maltes, no corpo”, avalia ele.

Público brasileiro
Já a aceitação da IPL pelo público brasileiro ainda deve exigir trabalho e paciência. Historicamente, a India Pale Ale (IPA) é o estilo que “introduz” o novato no universo da cerveja artesanal com o amargor dos lúpulos, enquanto, nesse primeiro momento, Lagers acabam sendo deixadas de lado – até com certo preconceito.

Com uma cervejaria especializada em Lagers, Bottura tem constantemente o desafio de desmistificar a “estranheza” que uma Lager lupulada pode causar no público. “O que eu sinto aqui é que é um estilo muito surpreendente. Tinha muita gente que encarava como piada, achava que fazíamos deboche, e  até hoje encontramos outros que se recusam a beber Lagers”, conta. “O novo catálogo da BA é um documento que mostra que estávamos no caminho certo”.

Por outro lado, a possibilidade do estilo ser inscrito em campeonatos e concursos pode ajudar a levantar sua popularidade e compreensão. “Tem algumas cervejarias que encaram como uma vitrine, as pessoas vão estar mais atentas”, diz ele.

Subtrações
Mas não só de aceitações de novos estilos foi feita a mais recente versão do guia da BA. Algumas exclusões também foram ratificadas, como é o caso da Ice Lager. O argumento da associação é de que, apesar de relativamente bem sucedido em vendas, o estilo não mobiliza cervejarias artesanais quando o assunto é a busca por uma medalha. Apenas AB-InBev e MillerCors, diz a entidade, teriam essa preocupação.

7 temas debatidos na reunião nacional da cevada

Organizada pela Embrapa Trigo, a Reunião Nacional de Pesquisa de Cevada teve a sua 32ª edição realizada em Passo Fundo (RS) e contou com a participação da comunidade técnica e científica associada ao agronegócio da cevada e do malte, incluindo pesquisa, assistência técnica, academia, indústria e produção. O evento discutiu resultados de safras e de pesquisas, além de ter planejado trabalhos em conjunto e proposto novas indicações técnicas para o cultivo da espécie.

Um tema central debatido na reunião nacional da cevada foi como lidar com um cenário de aumento da área de cevada no Brasil – a estimativa é de crescimento de 42% em 2019 – com um clima pouco favorável, pela previsão de aumento do período chuvoso, especialmente na região Sul.

Em 2018, por exemplo, aproximadamente 25% dos grãos ficaram fora do padrão cervejeiro e acabaram destinados à alimentação animal. Assim, o manejo eficiente da lavoura para evitar doenças se tornou uma preocupação ainda maior do setor.

E a reunião nacional ajudou com orientações aos produtores para evitar erros e problemas como semeadura deficiente, adubação limitante, densidade de plantas incorreta, dificuldades no controle de pragas e doenças, além de dessecação na pré-colheita.

A organização da Reunião Nacional de Pesquisa de Cevada, que foi realizada de 16 a 18 de abril, se deu em parceria entre a Embrapa Trigo, a Agrária e a Ambev, além do apoio dos grupos Petrópolis e Soufflet. Sua próxima edição ocorrerá em abril de 2021.

O Guia reuniu, em tópicos, os pontos mais importantes da reunião nacional, na visão de Euclydes Minella, pesquisador da Embrapa Trigo e um dos organizadores do encontro. Confira.

1- Participantes da reunião nacional
“Nesta edição tiveram 86 inscritos e, pelo menos, mais 20 que participaram sem se inscrever. Como costumeiramente acontece, os participantes são profissionais da indústria de malte, da assistência técnica pública (Emater) e privada (cooperativas, maltarias, autônomos, etc.), pesquisadores (Embrapa, Ambev, Agrária), professores (UPF, Instituto Federal de Sertão, Uri), alunos de graduação e pós-graduação e estagiários. O público foi similar ao de outras edições realizadas na Embrapa Trigo tanto em número como em representatividade, inclusive com a participação de técnicos do Uruguai e da Argentina”.

2- Assuntos abordados
“As palestras abordaram questões técnicas importantes, como o clima e a ocorrência de micotoxinas produzidas pelo fungo Fusarium graminearum sp., causador da doença giberela, e o controle da mesma. Houve também a apresentação de dados sobre a evolução genética através do melhoramento nos últimos 40 anos no Brasil”.

3- Principal discussão
“O diferencial desta edição foi a realização de um painel analisando a conjuntura atual e as perspectivas do agronegócio cevada-malte nacional. Estiveram debatendo sobre o tema e apresentando sua visão representantes da indústria de malte (Ambev e Agrária), fomento empresarial (Ambev, Agrária, Cotrijal), assistência técnica pública (Emater), produtor (Sementes Webber) e pesquisa (Embrapa, Ambev e Agrária). As visões e discussões sobre o tema foram de alto nível, retratando os problemas da produção nacional do campo ao copo e as alternativas de soluções para resolver e/ou amenizar os mesmos.

4- Desafios: chuvas
“Foi novamente evidenciado que o clima chuvoso no período da maturação e colheita tem sido o maior inimigo da cevada no Brasil. O excesso de dias chuvosos no período mencionado leva a perdas significativas no rendimento, no tamanho de grãos e qualidade do grão (germinação, contaminação por fungos) e, por consequência, causa prejuízos ao produtor e a diminuição de matéria-prima de qualidade para a indústria. A safra de 2018 no RS fracassou em quantidade e, principalmente, em qualidade. Basicamente foi um outubro com chuvas em excesso favorecendo o ataque de doenças. Manchas foliares e giberela foram destaque. A ocorrência de giberela foi generalizada e de alta severidade, provocando o acumulo da micotoxina DON (Deoxinivalenol) em nível acima do tolerado, segundo o limite vigente para grãos de cevada estabelecido pela Anvisa. Como resultado, muito pouco da produção pôde ser aproveitado para a fabricação de malte, com o produtor amargando prejuízos. É importante salientar que o problema ocorreu com todos os cereais de inverno, como trigo e aveia. A indústria afirmou ter condições de absorver lotes de cevada com até 2 ppb de DON, que é o dobro do limite atual da Anvisa – atualmente em 1 ppb de DON. Do lado da produção, cooperativas e empresas de fomento manifestaram ser muito difícil – ou praticamente impossível – produzir cevada dentro do limite de DON atual, sobretudo em anos de forte epidemia de giberela, com o nível de tecnologia aplicado à lavoura no que se refere ao controle da doença. Indústria e cooperativas solicitaram que, dessa reunião, resultasse um documento para endereçamento aos órgãos competentes, solicitando a elevação de 1 para 2 ppb de DON, o limite desta micotoxina. Este documento está em elaboração pela coordenação da reunião.”

5- Desafios: cevada não absorvida
“O segundo inimigo da produção de cevada cervejeira decorre do primeiro, ou seja, o que fazer com a cevada não absorvida pela indústria em anos de colheita complicada pelo excesso de chuva no final de outubro e início de novembro na região Sul. Em anos sem o problema, muito pouco é rejeitado e o que sobra é facilmente absorvido pelo mercado de grãos forrageiros. Entretanto, em anos adversos como 2018, não existe mercado para absorver imediatamente o volume produzido, deixando muitos produtores sem saber o que fazer com o produto rejeitado.”

6- Desafios: falta de apoio
“Outro fator limitante é a total ausência do setor público no apoio à produção de cevada, a exemplo do que existe para outros grãos, como o trigo. Por conta disso, o crédito para produzir cevada é mais caro do que o do trigo, aveia, etc., e depende da vontade do gerente da instituição bancária financiar ou não. Outro ponto importante que limita a expansão da cultura é a deficiência em armazenagem com condições adequadas para períodos longos. Como se sabe, a cevada produzida em uma safra´é absorvida pelas maltarias durante todo o ano seguinte, dependendo de sua capacidade instalada”.

7- Benefícios da reunião
O principal e imediato beneficio da reunião para os próximos meses é o conhecimento disponibilizado nas palestras, apresentações e discussões técnicas do evento. Resulta da reunião a atualização do Sistema de Produção disponível para a cevada no Brasil, incorporando novas cultivares, insumos e tecnologias de manejo. Esse sistema representa o que a assistência técnica e produtores têm como instrumento de planejamento do plantio (escolha de cultivares, compra de insumos, etc.) e serve como receita atualizada do manejo da lavoura do plantio à colheita e pós-colheita. Outro benefício importante é em relação ao surgimento de demandas para a pesquisa sobre a cultura, com possíveis reflexos futuros em termos de soluções tecnológicas.

Lançamento da Satélite, kits da Wonderland: As novidades para o Dia das Mães

Criado para homenagear a figura familiar materna e celebrado anualmente no segundo domingo de maio, o Dia das Mães é considerado a segunda melhor data para o comércio no Brasil e, claro, também movimentou o mercado cervejeiro. Houve ação de marketing da Ambev, lançamento da Satélite e kit especial da Wonderland. Confira, a seguir, as novidades especiais para o Dia das Mães.

Kits da Wonderland
A Wonderland Brewery, medalha de ouro do júri especializado do Mondial de la Bière RJ 2018, fez uma promoção especial de kits para o Dia das Mães, com até 20% de desconto. Eles incluem uma garrafa, que pode vir acompanhada de taça (R$ 63,90 + frete) ou camiseta (R$ 80,50 + frete). São quatro sabores em garrafa: Curiouser & Curiouser (American Pale Ale com pêssego e damasco), Timeless Porter (Porter com lactose e caramelo), Gone Mad (American IPA) e Mango Grin (Irish Red Ale com manga). As camisetas são fabricadas em algodão e têm estampas de personagens inspirados em “Alice no País das Maravilhas”, livro que inspira a cervejaria. As taças do kit são do modelo Teku.

NE IPA da Satélite
A cervejaria trouxe uma novidade bastante convidativa para as mães que curtem sabores mais lupulados: a Juicy Comet. A nova Double New England IPA da Satélite foi elaborada com lúpulos Citra, Amarillo, Azacca, El Dorado e Ekuanot. Tem amargor de 70 IBUs, equilibrado por sua base de maltes e aveia, com 8% de graduação alcoólica. O novo rótulo se juntou ao portfólio da marca no dia 9 de maio e já está disponível em empórios e bares especializados.

Campanha da Skol
A marca celebra o Dia das Mães com uma descontraída campanha que tem como “alvo” os clichês da data. A ação criou opções de packs de Skol em formato de presentes como blusinha e buquê de flores. Nas redes sociais, a marca ainda desenvolveu um “criador de memes” para os usuários viralizarem com a hashtag #MinhaMãeÉUmMeme, com frases tradicionais de mães como “não esquece de levar um casaco”, entre outras.

Filme da Brahma
A marca da Ambev também celebra o Dia das Mães com depoimentos reais e histórias vividas por mães e filhos em um filme publicitário divulgado pelas redes sociais da marca. Criada pela agência África, a campanha reforça que as melhores memórias resistem ao tempo. Confira:

https://youtu.be/H-C7FNBscuU

Heineken inaugura parque eólico e mira 100% de energia renovável até 2023

A Heineken inaugurou nesta semana o seu parque eólico em Acaraú, no Ceará, que teve um custo de R$ 200 milhões. A iniciativa é mais um passo da cervejaria na meta de utilizar 100% de energia renovável no Brasil até 2023.

De acordo com a Heineken, o parque eólico possui capacidade para gerar 112 mil MWh/ano. Ele conta com 14 aerogeradores e tem estrutura capaz de gerar 30% de toda a energia elétrica consumida pelas 15 cervejarias do grupo no Brasil.

A companhia também estima que deixará de emitir 12 mil toneladas de CO2 por ano – proporcional a 400 mil árvores plantadas – a partir do momento em que o parque eólico estiver em pleno funcionamento.

Antes da inauguração no Ceará, a Heineken já contava com caldeiras de biomassa nas unidades de Araraquara (SP), Alexânia (GO), Caxias (MA), Itu (SP) e Ponta Grossa (PR), onde já é responsável por 100% da energia térmica para o funcionamento da cervejaria. De acordo com a empresa, isso representou uma redução de 57% nas emissões de CO2 nos processos produtivos na localidade.

E é a partir dessa experiência que a Heineken planeja, em quatro anos, contar apenas com energia renovável em suas unidades no país. “Nosso objetivo é implementar essa tecnologia nas outras 12 unidades do grupo nos próximos três anos. Estamos olhando para um futuro próximo, no qual teremos 100% da nossa operação brasileira funcionando a partir de energia limpa até 2023”, afirma Nelcina Tropardi, vice-presidente de Assuntos Corporativos & Sustentabilidade do Grupo Heineken no Brasil.

A cervejaria aponta o investimento em energia renovável como um dos pilares do movimento que denominou como “mais com menos”, envolvendo a reflexão e a mudança do comportamento excessivamente consumista da sociedade.

“Nossa estratégia segue o direcionamento global e abrange diferentes frentes, mas, neste primeiro momento, estamos investindo ainda mais esforços nos pilares de consumo responsável e de redução de emissões de CO2”, acrescenta Nelcina.

Nenê de Vila Matilde contará história da cerveja para ‘voltar ao seu devido lugar’

Uma das mais tradicionais escolas de samba do carnaval paulistano, a Nenê de Vila Matilde decidiu levar a cerveja para a avenida. “O presente da Deusa e o brinde da Águia” será o enredo da agremiação no Sambódromo do Anhembi no próximo ano, quando buscará voltar ao Grupo Especial.

Nome marcante do carnaval de São Paulo, a Nenê de Vila Matilde possui uma das maiores comunidades negras entre as escolas de samba da cidade. E também foi a única agremiação paulistana a participar de um desfile, como convidada, na Marquês de Sapucaí, no Rio, em 1985, quando comemorou-se os 50 anos do carnaval carioca.

Além disso, com 70 anos de fundação completados em 2019, a Nenê de Vila Matilde é a segunda escola com mais títulos na divisão principal do carnaval paulistano – 11 -, ainda que o último tenha sido conquistado em 2001. No entanto, vai para o seu terceiro desfile consecutivo no Grupo de Acesso – em 2019, foi terceira colocada com um enredo que homenageava a Portela.

E será carregando todo o seu peso histórico e com o objetivo de voltar ao Grupo Especial que a Nenê de Vila Matilde relatará a história da cerveja no Sambódromo do Anhembi em 2020. Para isso, contará com o trabalho liderado pelo carnavalesco Zilkson Reis, conhecido por ter atuado no Festival de Parintins e pelo trabalho em outras escolas paulistanas, como a Gaviões da Fiel e a Mocidade Alegre, pela qual foi campeão do Grupo Especial em 2007.

“A cerveja tem tudo a ver com samba e alegria. É uma bebida que, acima de tudo, tem como sua marca registrada juntar pessoas que se gostam para celebrar, conversar, confraternizar. É o combustível do carnaval e das festas populares brasileiras. Além de fazer parte das rodas de samba, dos botecos, happy hours, futebol, enfim, diversos pontos que serão destacados no nosso desfile”, afirma Gledson Neix, diretor de comunicação da Nenê, ao Guia, explicando as razões que motivaram a escolha da cerveja como tema do carnaval de 2020 e dando dicas do que poderá ser visto no Anhembi.

O desfile
A partir da definição da cerveja como seu enredo, a Nenê montou uma sinopse que norteará o samba e a preparação do desfile nos próximos meses. Os temas serão divididos em quatro partes, sendo o primeiro a história da origem da cerveja na Antiguidade e o suposto “erro” na fabricação de pães que provocou o seu surgimento.

O segundo pretende destacar a popularização do consumo da cerveja a partir do Egito Antigo e a sua presença no Império Romano e na Idade Média. Além disso, lembrará a entrada da cerveja no Brasil com  a chegada de Maurício de Nassau em Pernambuco, o seu retorno ao país com a vinda da família real portuguesa e o surgimento das primeiras cervejarias locais.

No terceiro setor, a ideia é abordar os efeitos culturais da popularização da cerveja no Brasil e a sua transformação em um dos símbolos da identidade nacional. E, no último, a relação direta da cerveja com o samba.

Samba da cerveja
A partir dessa sinopse, que foi repassada para alguns grupos de compositores, a Nenê iniciou o processo de definição de qual será o seu samba-enredo no próximo carnaval, sendo que em 30 de junho todas as opções serão apresentadas em um evento.

Depois disso, sempre aos sábados, se iniciará a escolha do samba-enredo com a eliminação das composições até a definição daquele que será cantado no Anhembi em 2020. Essa final ocorrerá em 27 de julho, durante a realização do 2º Nenê Beer Fest. E a escolha vai ser realizada por uma comissão de julgadores que conta com membros da escola do bairro de Vila Matilde.

Será mais um passo para a Nenê na preparação de um carnaval que em 2020 terá muitas atrações. Afinal, o Grupo de Acesso também contará com a Vai-Vai, maior vencedora do Grupo Especial, com 15 títulos, e também a Camisa Verde e Branco, nove vezes campeã.

É com esse desafio de ter a concorrência de escolas que construíram ao seu lado alguns dos momentos mais marcantes do carnaval de São Paulo que a Nenê trabalhará, apoiada pela história da cerveja e buscando retomar o seu posto de destaque no desfile das escolas de samba.

“A maior meta é fazer a comunidade matildense feliz. De fazer um enredo alegre, pra cima e envolvente. Junto com um samba contagiante. Que façamos um carnaval lindo, regado a cerveja e que traga o melhor e tão esperado resultado na avenida, trazendo a nossa Águia Guerreira de volta ao nosso devido lugar”, conclui o diretor de comunicação da Nenê.