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7 temas debatidos na reunião nacional da cevada

Evento debateu desafios da cevada e pode trazer impactantes mudanças no setor, como atualização de legislação da Anvisa (Foto: Euclydes Minella)

Organizada pela Embrapa Trigo, a Reunião Nacional de Pesquisa de Cevada teve a sua 32ª edição realizada em Passo Fundo (RS) e contou com a participação da comunidade técnica e científica associada ao agronegócio da cevada e do malte, incluindo pesquisa, assistência técnica, academia, indústria e produção. O evento discutiu resultados de safras e de pesquisas, além de ter planejado trabalhos em conjunto e proposto novas indicações técnicas para o cultivo da espécie.

Um tema central debatido na reunião nacional da cevada foi como lidar com um cenário de aumento da área de cevada no Brasil – a estimativa é de crescimento de 42% em 2019 – com um clima pouco favorável, pela previsão de aumento do período chuvoso, especialmente na região Sul.

Em 2018, por exemplo, aproximadamente 25% dos grãos ficaram fora do padrão cervejeiro e acabaram destinados à alimentação animal. Assim, o manejo eficiente da lavoura para evitar doenças se tornou uma preocupação ainda maior do setor.

E a reunião nacional ajudou com orientações aos produtores para evitar erros e problemas como semeadura deficiente, adubação limitante, densidade de plantas incorreta, dificuldades no controle de pragas e doenças, além de dessecação na pré-colheita.

A organização da Reunião Nacional de Pesquisa de Cevada, que foi realizada de 16 a 18 de abril, se deu em parceria entre a Embrapa Trigo, a Agrária e a Ambev, além do apoio dos grupos Petrópolis e Soufflet. Sua próxima edição ocorrerá em abril de 2021.

O Guia reuniu, em tópicos, os pontos mais importantes da reunião nacional, na visão de Euclydes Minella, pesquisador da Embrapa Trigo e um dos organizadores do encontro. Confira.

1- Participantes da reunião nacional
“Nesta edição tiveram 86 inscritos e, pelo menos, mais 20 que participaram sem se inscrever. Como costumeiramente acontece, os participantes são profissionais da indústria de malte, da assistência técnica pública (Emater) e privada (cooperativas, maltarias, autônomos, etc.), pesquisadores (Embrapa, Ambev, Agrária), professores (UPF, Instituto Federal de Sertão, Uri), alunos de graduação e pós-graduação e estagiários. O público foi similar ao de outras edições realizadas na Embrapa Trigo tanto em número como em representatividade, inclusive com a participação de técnicos do Uruguai e da Argentina”.

2- Assuntos abordados
“As palestras abordaram questões técnicas importantes, como o clima e a ocorrência de micotoxinas produzidas pelo fungo Fusarium graminearum sp., causador da doença giberela, e o controle da mesma. Houve também a apresentação de dados sobre a evolução genética através do melhoramento nos últimos 40 anos no Brasil”.

3- Principal discussão
“O diferencial desta edição foi a realização de um painel analisando a conjuntura atual e as perspectivas do agronegócio cevada-malte nacional. Estiveram debatendo sobre o tema e apresentando sua visão representantes da indústria de malte (Ambev e Agrária), fomento empresarial (Ambev, Agrária, Cotrijal), assistência técnica pública (Emater), produtor (Sementes Webber) e pesquisa (Embrapa, Ambev e Agrária). As visões e discussões sobre o tema foram de alto nível, retratando os problemas da produção nacional do campo ao copo e as alternativas de soluções para resolver e/ou amenizar os mesmos.

4- Desafios: chuvas
“Foi novamente evidenciado que o clima chuvoso no período da maturação e colheita tem sido o maior inimigo da cevada no Brasil. O excesso de dias chuvosos no período mencionado leva a perdas significativas no rendimento, no tamanho de grãos e qualidade do grão (germinação, contaminação por fungos) e, por consequência, causa prejuízos ao produtor e a diminuição de matéria-prima de qualidade para a indústria. A safra de 2018 no RS fracassou em quantidade e, principalmente, em qualidade. Basicamente foi um outubro com chuvas em excesso favorecendo o ataque de doenças. Manchas foliares e giberela foram destaque. A ocorrência de giberela foi generalizada e de alta severidade, provocando o acumulo da micotoxina DON (Deoxinivalenol) em nível acima do tolerado, segundo o limite vigente para grãos de cevada estabelecido pela Anvisa. Como resultado, muito pouco da produção pôde ser aproveitado para a fabricação de malte, com o produtor amargando prejuízos. É importante salientar que o problema ocorreu com todos os cereais de inverno, como trigo e aveia. A indústria afirmou ter condições de absorver lotes de cevada com até 2 ppb de DON, que é o dobro do limite atual da Anvisa – atualmente em 1 ppb de DON. Do lado da produção, cooperativas e empresas de fomento manifestaram ser muito difícil – ou praticamente impossível – produzir cevada dentro do limite de DON atual, sobretudo em anos de forte epidemia de giberela, com o nível de tecnologia aplicado à lavoura no que se refere ao controle da doença. Indústria e cooperativas solicitaram que, dessa reunião, resultasse um documento para endereçamento aos órgãos competentes, solicitando a elevação de 1 para 2 ppb de DON, o limite desta micotoxina. Este documento está em elaboração pela coordenação da reunião.”

5- Desafios: cevada não absorvida
“O segundo inimigo da produção de cevada cervejeira decorre do primeiro, ou seja, o que fazer com a cevada não absorvida pela indústria em anos de colheita complicada pelo excesso de chuva no final de outubro e início de novembro na região Sul. Em anos sem o problema, muito pouco é rejeitado e o que sobra é facilmente absorvido pelo mercado de grãos forrageiros. Entretanto, em anos adversos como 2018, não existe mercado para absorver imediatamente o volume produzido, deixando muitos produtores sem saber o que fazer com o produto rejeitado.”

6- Desafios: falta de apoio
“Outro fator limitante é a total ausência do setor público no apoio à produção de cevada, a exemplo do que existe para outros grãos, como o trigo. Por conta disso, o crédito para produzir cevada é mais caro do que o do trigo, aveia, etc., e depende da vontade do gerente da instituição bancária financiar ou não. Outro ponto importante que limita a expansão da cultura é a deficiência em armazenagem com condições adequadas para períodos longos. Como se sabe, a cevada produzida em uma safra´é absorvida pelas maltarias durante todo o ano seguinte, dependendo de sua capacidade instalada”.

7- Benefícios da reunião
O principal e imediato beneficio da reunião para os próximos meses é o conhecimento disponibilizado nas palestras, apresentações e discussões técnicas do evento. Resulta da reunião a atualização do Sistema de Produção disponível para a cevada no Brasil, incorporando novas cultivares, insumos e tecnologias de manejo. Esse sistema representa o que a assistência técnica e produtores têm como instrumento de planejamento do plantio (escolha de cultivares, compra de insumos, etc.) e serve como receita atualizada do manejo da lavoura do plantio à colheita e pós-colheita. Outro benefício importante é em relação ao surgimento de demandas para a pesquisa sobre a cultura, com possíveis reflexos futuros em termos de soluções tecnológicas.


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