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Balcão da Matisse: História da arte e da cerveja – parte 2

Balcão da Matisse: História da arte e da cerveja – parte 2

“Se eu pudesse expressar isso com palavras, não haveria razão para pintar.” Edward Hopper

Existe uma relação entre a evolução da cerveja e os movimentos artísticos: nenhum movimento ocorre isoladamente e a arte sempre foi a linha mestra das tendências em todas as áreas da atividade humana. Duas grandes obras de arte reforçam essa afirmação:

“The Harvesters” (acima), de Pieter Bruegel the Elder (séc XVI,), e…

…“Hop Picking” (acima), de Tompkins Harrison Matteson (séc XIX).

Na idade média os artistas, geralmente a serviço das cortes ou da igreja, gradativamente aprimoravam suas técnicas a partir dos legados romano, bizantino e grego. Por volta de 700 a cerveja começou a ser produzida nos mosteiros, onde os monges, talvez movidos pelo mesmo ímpeto de aprimoramento, começaram a adicionar lúpulo à cerveja. Havia pouca distinção entre arte e artefato, ou entre artistas e artesão, mas seja por obra de um ou do outro, o fato é que ocorreu um grande avanço tanto na arte quanto na cerveja.

O Renascimento marca o ressurgimento do interesse pela literatura e pela difusão de ideias, principalmente a partir da invenção da prensa tipográfica por Johannes Gutenberg, em 1438. Willian Shakespeare, considerado o maior escritor do idioma inglês e o mais influente dramaturgo do mundo, faz em sua obra 14 menções à palavra “Ale” e cita cinco vezes a palavra “beer”, O grande artista da dramaturgia era um amante da cerveja.

Na pintura não foi diferente: a famosa obra “A Nave dos Loucos”, de Hieronymus Bosch, à parte as interpretações filosóficas complexas, poderia muito bem ilustrar apenas um grupo de amigos se divertindo e bebendo cerveja em um inocente passeio de barco.


(Hieronymus Bosch. A Nave dos Loucos. 1490-1500)

Nuremberg (Baviera – Alemanha), a terra natal de Albrecht Dürer, viveu no período renascentista uma intensa evolução da arte e da cerveja, afinal foi o duque da Baviera, Guilherme IV, que em 1516 decretou a Lei de Pureza Alemã (Reinheitsgebot), que estabelecia que toda cerveja deveria ser produzida utilizando-se apenas água pura, malte e lúpulo.

Por volta do século XVII, os holandeses especializarem-se em utilizar o lúpulo para estabilizar a cerveja, fazendo com que ela durasse mais. Isso acabou levando a Holanda a dominar o comércio da bebida e, consequentemente, a cerveja holandesa acabou tornando-se famosa e apreciada no mundo todo. Ao mesmo tempo, crescia a reputação internacional de Rembrandt, habilidoso no processo da acquaforte e grande expoente do barroco.

Na segunda metade do século XIX surgia na França o Impressionismo, produzindo imagens em cores vivas e com pouca definição, como no quadro “Women Drinking Beer”, de Edouard Manet.

Ainda poderíamos falar de Art Nouveau, Expressionismo, Fauvismo, Cubismo e muitos outros estilos, mas o artigo tem que terminar, então finalizo com uma citação de Aldous Huxley:

“A longo prazo, fabricar cerveja leva quase inevitavelmente ao impressionismo…”


Mario Jorge Lima é engenheiro químico e sócio-fundador da cervejaria Matisse

Fabricação de bebidas alcoólicas sobe 20% e se descola da indústria nacional

A fabricação de bebidas alcoólicas manteve a alta pelo terceiro mês consecutivo em 2019, indicando um cenário de recuperação após quedas em 2018. A produção industrial do setor apresentou crescimento considerável em março, chegando aos 9,2% no primeiro trimestre do ano, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No acumulado dos últimos 12 meses, por sua vez, o crescimento da fabricação de bebidas alcoólicas é de 3,2%. E, em comparação a março do ano passado, a alta foi de expressivos 20,5 %.

O cenário positivo, ainda que bem menos expressivo, se manteve na indústria de bebidas em geral, com crescimento de 5% acumulado no ano, 1,4% nos últimos 12 meses e 9,9% em relação a março do ano passado. Porém, registrou queda de 1,3% na comparação a fevereiro.

Já a produção de bebidas não-alcoólicas caiu em março. A baixa foi de 1,2% na comparação com o mesmo período de 2018, sendo que a redução é de 0,5% no acumulado dos últimos 12 meses. Porém, teve alta de 0,3% no primeiro trimestre de 2019.

O movimento positivo da fabricação de bebidas alcoólicas descola o setor da indústria nacional, que encolheu em qualquer cenário analisado. A redução foi de 1,3% na comparação a fevereiro, de 6,1% em relação a março de 2018, de 2,2% em 2019 e de 0,1% nos últimos 12 meses.

“Os efeitos de longo prazo da tragédia de Brumadinho ainda se fazem sentir, com reflexos nas demais unidades extrativas do país”, avalia André Macedo, gerente da pesquisa do IBGE.

Após balanço, analistas questionam possibilidade de êxito da Ambev com marcas premium

O balanço apresentado pela Ambev na última terça-feira e as declarações dos seus gestores sobre os números, que abordam o primeiro trimestre deste ano, trouxeram novamente para o centro do debate a discussão sobre a possibilidade de êxito da companhia no setor de marcas premium, algo fundamental para um crescimento sustentado.

Embora alguns números tenham sido positivos, como o aumento do lucro e a elevação das vendas em comparação ao mesmo período de 2019, a busca pelos consumidores de marcas premium traz dificuldades para a Ambev, como aponta a análise da consultoria Eleven Financial.

O estudo aponta dúvidas sobre a possibilidade um crescimento consolidado da Ambev diante de um cenário em que as principais marcas estão perdendo parte do seu mercado para rótulos premium. “Acreditamos na manutenção da tendência estrutural de redução do consumo de cervejas mainstream, o qual representa a maior parcela das vendas da Ambev”, avalia o relatório.

De acordo com a Ambev, suas opções premium – como Budweiser, Corona, Stella Artois, Original e Serramalte – lideram o crescimento orgânico da cervejaria e representam 11% das vendas. E a companhia lançou recentemente outros rótulos, como a Skol Puro Malte. Além disso, prevê para os próximos meses a chegada do rótulo alemão Becks aos principais centros urbanos brasileiros.

“Os consumidores estão indo para produtos de maior valor, o que deve nos beneficiar. Quando eles voltam ao segmento core, percebem a inovação que fizemos nos últimos anos”, disse Bernardo Paiva, CEO da Ambev, na teleconferência realizada após a apresentação do balanço.

A cervejaria também manteve o otimismo na melhoria da economia do Brasil nos próximos meses, o que elevaria o consumo de cervejas e a impactaria positivamente. “Apesar de algumas volatilidades macroeconômicas, acreditamos com muita confiança que estamos em uma posição melhor para aproveitarmos a recuperação da economia”, acrescentou.

Desconfiança
A avaliação dos analistas da Eleven Financial é que os resultados obtidos pela Ambev no primeiro trimestre foram melhores do que os imaginados, especialmente por causa do aumento do volume vendido no Brasil em 2019, com um total de 21,003 milhões de hectolitros, 11,25% a mais do que nos três primeiros meses de 2018. O resultado reverteu uma tendência negativa, pois no ano passado houve queda de 3,1%.

“Surpreendeu positivamente, principalmente em volume de vendas, que vinha caindo por quatro trimestres consecutivos. Mesmo beneficiada pelas vendas do carnaval, que foram mais fortes do que a média dos anos anteriores, a companhia conseguiu ganhar participação, crescendo acima do mercado”, explica a Eleven em relatório.

Mas, embora também exalte esse crescimento, a consultoria lembra que ele foi inferior ao da Heineken brasileira no mesmo período. “Lembramos que este é metade do ritmo de crescimento de 32% relatado pela Coca-Cola FEMSA para a venda das marcas de cerveja Heineken no 1T19 no Brasil”, destaca.

A Eleven também apontou dificuldade maior de obtenção de lucro por causa do aumento nos custos de produção, provocado pelo aumento do preço de commodities. “As margens foram pressionadas por um aumento de custos, principalmente alumínio e cevada”, completa a análise.

Ambev aumenta lucro e vendas no primeiro trimestre, mas não empolga mercado

A Ambev apresentou lucro líquido ajustado de R$ 2,762 bilhões no primeiro trimestre de 2019, resultado 6,2% maior do que os R$ 2,6 bilhões de igual período no ano passado, de acordo com balanço divulgado nesta terça-feira. Os números, porém, não empolgaram o mercado, tanto que sua ação registrou baixa no pregão da Bovespa, ainda que dentro de um cenário de queda geral.

A ação da Ambev teve queda de 2,27% na terça, uma baixa maior, portanto, do que a do índice Bovespa, que foi de 0,65%. As perdas foram provocadas pelo temor de intensificação da guerra comercial entre Estados Unidos e China, algo que afetou os principais mercados globais, além dos ruídos no cenário político brasileiro.

De qualquer forma, sem descartar fatores externos, houve cautela com os números apresentados pela Ambev, mesmo com o aumento no volume de cerveja vendida no Brasil no primeiro trimestre de 2019 pela companhia: um total de 21,003 milhões de hectolitros, 11,25% a mais do que nos três primeiros meses de 2018. A alta acontece após dois trimestres consecutivos de queda e teria sido impulsionada pelo carnaval tardio, somada ao clima favorável.

De acordo com os comentários dos administradores da Ambev, as opções premium, como Budweiser, Corona, Stella Artois, Original e Serramalte, lideram o crescimento orgânico da cervejaria. Mas eles também apontaram crescimento contínuo de Brahma e Skol, sendo o da última marca impulsionado pelo lançamento da Skol Puro Malte.

O balanço da Ambev também apontou que o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado do primeiro trimestre de 2019 subiu 7%, para R$ 5,12 bilhões. Já aplicando as taxas de câmbio constantes, teve crescimento de 16,4%.

A receita líquida da cervejaria somou R$ 12,64 bilhões no primeiro trimestre, um aumento de 8,6% na comparação anual. Já o resultado financeiro líquido foi uma despesa de R$ 672,1 milhões, 12,16% maior que no primeiro trimestre de 2018.

A Ambev apontou endividamento consolidado de R$ 5,085 bilhões ao fim de março, 23,91% maior do que os R$ 4,103 bilhões do final de dezembro de 2018. Desse total, R$ 2,480 bilhões eram em moeda local e R$ 2,605 bilhões em moeda estrangeira. Além disso, o seu caixa líquido foi de R$ 7,751 bilhões ao fim de março, 5,12% maior que em dezembro. Já a despesa financeira líquida ficou em R$ 672,1 milhões no primeiro trimestre de 2019, aumento de 12,16% na comparação ao mesmo período do ano anterior.

Outros países

O volume de vendas da Ambev registrou redução de 8,71% na América Latina, número muito impactado pela queda de 10,6% na Argentina. De janeiro a março deste ano, a companhia comercializou 8,772 milhões de hectolitros de bebidas nos países da região. Já no Canadá, a queda foi de 4,25%.

Cervejaria faz greve e pode faltar cerveja em Portugal

Os tempos podem ficar difíceis em Portugal. Funcionários da Sociedade Central de Cervejas e Bebidas (SCC), a maior fabricante de cerveja do país, detentora da marca Sagres e controlada pela Heineken, entraram em greve nesta segunda-feira. A notícia alerta o mercado para o risco da falta de cerveja no médio prazo.

Segundo o sindicado de trabalhadores da categoria, a adesão à greve é total por parte dos funcionários. Segundo o jornal “Expresso”, os protestos são por aumentos salariais da ordem de 4% e plano de carreira, e as paralisações ocorrerão durante toda a semana, em três períodos do dia e durante um total de duas horas.

Rui Matias, do Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal (SINTAB), alerta ainda que as paralisações podem se tornar mais intensas caso as negociações com a empresa não avancem.

“Se até às 10h30 de terça-feira não houver nenhuma tentativa de negociação por parte da empresa, os trabalhadores vão também deixar de fazer trabalho suplementar durante todo o ano, até que a empresa os chame novamente para fazer uma negociação séria”, afirmou ele. “Afigura-se aqui uma situação de impasse tremendo, e vai começar a faltar a cervejinha no mercado”, completou.

No momento, não há notícias de possíveis desfalques nos estoques. No entanto, se a greve “emplacar” como promete o sindicato, é possível que problemas de abastecimento possam surgir no verão, época de maior consumo.

Segundo o sindicato, algumas rodadas de negociações já foram feitas com a diretoria da empresa. Mas as propostas apresentadas ficaram abaixo das expetativas. O porta-voz da SCC, Nuno Pinto de Magalhães, afirmou que a empresa está aberta para ao diálogo, mas que, devido ao início da greve, negociações estão “pendentes” por enquanto.

A indústria ideal: Os primeiros passos da montagem de uma cervejaria

De fã de cervejas a dono da sua própria artesanal. A história é comum e conhecida dos que trabalham no setor: o consumidor que se apaixona por diferentes estilos de cerveja, resolve se aprofundar no assunto, faz pesquisas na internet, dá os primeiros passos e começa a compreender sobre os processos e ingredientes envolvidos na concepção de uma cerveja até se arriscar na produção do seu próprio rótulo.

O próximo passo é transformar esse hobby em negócio. E isso tem sido cada vez mais comum no Brasil, tanto que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) apontou que houve um crescimento de 30% no número de cervejarias no país no último ano, passando de 679 em 2017 para 889 em 2018.

Mas, para transformar esse sonho em um empreendimento viável, com retorno financeiro e durabilidade, é necessário seguir um planejamento por etapas desde o início. E, de acordo com especialistas consultados pelo Guia, o primeiro deles é a realização do que costumeiramente se denomina como plano de negócios.

“O plano de negócios aborda legislação, o mercado, as vendas, os volumes de produção e os resultados financeiros, dando uma visão bastante aproximada do ganho financeiro do empreendimento”, detalha Edmundo Albers, sócio do Beer Business, uma consultoria empresarial de Porto Alegre.

Nesse processo, o interessado em abrir a sua microcervejaria também deve buscar agregar conhecimento a partir da realização de cursos sobre como empreender nessa área de negócios.

“É importante para ver e aprender sobre questões de mercado, de custo, com toda a parte de elaboração de produção e projeto, terminando a oficina e podendo avaliar a viabilidade do negócio”, afirma Lidia Espindola, gestora estadual do projeto de cervejas do Sebrae no Rio, que oferta a realização de oficinas aos interessados.

Ter recursos financeiros também é fundamental na fase de concepção da cervejaria. E, nesse caso, contar com um investidor como parceiro pode ser o cenário ideal.  “Para quem tiver a oportunidade de buscar recursos em banco e investidores, como os chamados ‘anjos’, fica mais fácil para apresentar o projeto numa instituição financeira”, aponta a profissional do Sebrae.

Com esses pontos alinhados, o responsável pelo empreendimento precisa se voltar ao mercado para tomar uma série de decisões. Elas envolvem a definição da marca e também qual será o seu posicionamento dentro do setor. “Muitas vezes se faz uma projeção que não é compatível com o projeto”, alerta Lidia.

Assim, definir um foco de atuação no mercado é primordial. E, para isso, José Antunes, especialista setorial de cervejas da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), aponta as perguntas que o empreendedor deve fazer a si mesmo, encontrando as respostas necessárias para seguir em frente com o seu negócio.

“Tem que estar bem claro para empresa qual será o seu foco de atuação no mercado. Por exemplo, a cervejaria irá trabalhar, somente, com estilo diferenciado, ou pretende se aventurar no mercado de lagers de baixo custo? No local onde a fábrica foi instalada, qual o nível de concorrência enfrentada, tanto pela distribuição de grandes cervejarias, quanto por fábricas de menor parte? Este mercado consegue absorver a entrada dentro de mais uma empresa, ou já está saturado?”, conclui.

Confira, nas próximas semanas, a sequência do nosso especial sobre como montar uma indústria cervejeira ideal. E, se quiser indicar alguma demanda, escreva para nosso editor: itamar@guiadacervejabr.com.

Red da Doktor, Mad Dwarf em SP, Oktober com Anitta: As novidades da semana

A semana cervejeira trouxe boas novidades, como um lançamento da Doktor Bräu e a inauguração de uma tap house da Mad Dwarf em São Paulo. Destaque, ainda, para a nova Pilsen da Synergy e a parceria entre a Sol e o divertido bar Feirinha. Confira, a seguir, as novidades da semana.

Red da Doktor Bräu
Depois de investir em melhorias na fábrica nos primeiros meses do ano, a Doktor Bräu apresentou o seu primeiro lançamento de 2019: a Eritema, uma Red Ale com características inglesas, ou seja, é mais leve – apenas 5% de teor alcoólico – e tem mais inclinação para os maltes. A criativa cervejaria mineira também lançou sua versão em latas de 473ml da PsicótIPA (American IPA com aromas cítricos), AnesthesIPA (Imperial IPA), HemorragIPA (Red IPA com hibisco) e Síncope (APA). Por fim, a Doktor Bräu passa a maturar dois de seus rótulos – a própria Eritema e a Noctúria (Imperial Stout com quiabo) –, que combinam com sabor amadeirado em barris de carvalho europeu utilizados para transportar malte de whisky. O processo levará de três a quatro meses.

Mad Dwarf em SP
A cervejaria catarinense inaugurou mais uma franquia, dessa vez em São Paulo. A tap house da Mad Dwarf fica na Rua Wisard, 213, na Vila Madalena, e tem 20 torneiras, 15 delas dedicadas às bebidas da marca. A casa disponibiliza, também, 30 rótulos em sua câmara fria e produtos como bonés, camisetas e growlers. Uma parceria com o Pira Grill – onde os cliente poderão pedir sem custo algum – auxilia nas opções gastronômicas. A marca também possui franquias em Joinville, Blumenau, Balneário Camboriú, Brasília e Macaé.

Pilsen da Synergy
Produzida com o lúpulo Saaz e uma técnica avançada de lupulagem, a Reborn Pils é o novo lançamento da Synergy. Tem 5% de teor alcoólico e será vendida apenas em chope, em canecas especiais disponibilizadas nos pontos de venda. “A Reborn Pils faz renascer a vontade de beber cerveja despretensiosamente. Essa é a Bohemian Pilsner que buscamos elaborar de forma cuidadosa, uma homenagem aos primórdios desse estilo que teve origem na República Tcheca”, conta Eduardo Sampaio, cervejeiro da Synergy.

Oktoberfest com Anitta
A tradicional ‘festa de outubro’ de Igrejinha (RS) revelou suas atrações musicais. Além de música típica, com bandas tradicionais e de baile, os shows nacionais ficarão por conta do pop de Anitta, da música eletrônica de Alok e do sertanejo universitário de Jorge e Mateus, entre outros. Uma das mais tradicionais Oktoberfests do país, o evento em Igrejinha ocorrerá entre os dias 18 e 27 de outubro.

Sol e Feirinha
Em parceria com o Feirinha Bar, escolhido após um concurso realizado globalmente, a Sol apresentou sua primeira “flagship” na capital paulista. O bar auxiliará a consolidar o novo posicionamento da marca, o Taste the Sun, convidando consumidores a curtirem a energia do sol, aproveitando o dia e explorando novas possibilidades em locais abertos. O espaço, que nasceu inspirado nas feiras livres da cidade, passará a funcionar como um bar modelo da marca Sol. “A parceria da cerveja Sol com o Feirinha Bar chega para reforçar o posicionamento Taste the Sun, lançado no final de 2018, e que convida os consumidores a explorarem espaços abertos e curtir mais momentos e sensações sob o sol. Por isso, mais do que criar um projeto visual, nosso objetivo foi tangibilizar para os frequentadores do Feirinha o poder e a beleza do sol com ativações movidas à energia solar”, destaca Guilherme Retz, gerente da marca Sol.

Reciclagem da Goose
A Goose Island lançou uma campanha para incentivar a logística reversa e ajudar a solucionar um dos principais problemas do bairro de Pinheiros, em São Paulo: a dificuldade dos bares e restaurantes da região para descartar corretamente as garrafas e embalagens de vidro. Ao lado da startup Green Mining, a cervejaria vai recolher recipientes para enviar ao centro de reciclagem da Ambev, no Rio de Janeiro. Para efetivar a ação, um coletor percorre Pinheiros em uma bicicleta adaptada coletando as garrafas de vidro dos estabelecimentos parceiros. Depois, o material é encaminhado para a Fábrica de Vidros da Ambev, onde é processado e transformado em novas garrafas. Iniciado em março, o trabalho juntou mais de sete toneladas de embalagens em cinco semanas, abrangendo 35 bares e restaurantes. “Queremos ajudar os bares e restaurantes da região em relação à reciclagem. O vidro é um material reciclável, mas muitos ainda têm dificuldades em descartá-lo corretamente. Nossa ideia é levar essa iniciativa para o maior número de estabelecimentos”, afirma Thiago Leitão, gerente de marketing da Goose Island.

No centro do mundo cervejeiro: SP recebe Brasil Brau e Mondial na mesma semana

São Paulo terá, entre os últimos dias de maio e os primeiros de junho, uma semana repleta de atrações que insere a cidade definitivamente no mapa da cerveja brasileira. A quinta edição da Brasil Brau e a segunda do Mondial De La Bière SP acontecem em sequência, com programação interessante desde os envolvidos na cadeia da produção até o consumidor final. Do campo ao copo, como dizem os organizadores dos eventos.

Do campo…
A semana cervejeira começa no dia 28 de maio, com a abertura da Brasil Brau no São Paulo Expo, destinada essencialmente à indústria e aos negócios cervejeiros. E será uma edição com inúmeras novidades em relação à anterior, realizada em 2017.

“É uma edição muito importante para nós porque a Brasil Brau sempre foi muito focada nos produtos necessários para a produção do líquido. Mas ele precisa de toda a cadeia refrigerada, da distribuição, armazenamento e comunicação no PDV. Pela primeira vez recebemos empresas direcionadas a essa etapa seguinte”, revelou Luana Cloper, diretora de negócios da Brasil Brau, em evento de lançamento da feira, realizado nesta semana na sede da cervejaria Tarantino.

A Brasil Brau deve levar ao pavilhão do Anhembi cerca de 8 mil participantes, para visitar estandes de 100 expositores – número 35% maior do que em 2017 – de 11 países, a  maioria do mercado de máquinas e componentes industriais.

O evento trará, também, a estreia do Brewers Lounge, espaço dedicado a conversas entre cervejeiros. “Nele, convidados vão contar suas experiências e resultados com a implementação de algum produto ou serviço específico”, explicou Luana.

Na programação, a Antuérpia debate a relação entre cervejarias e ciganas, a Escola Superior de Cerveja e Malte aborda gestão financeira e, por fim, haverá uma sessão de autógrafos com o escritor e mestre da cerveja norte-americana Randy Mosher.

Em paralelo, acontecerá o 16º Congresso Brasileiro de Ciência e Tecnologia Cervejeira, com mais de 20 horas de conteúdo. A programação reúne profissionais de renome internacional, atuantes no mercado nacional e estrangeiro, para apresentações e debates sobre novas técnicas, soluções e tendências para diversas aplicações do processo produtivo da cerveja.

A premiação do congresso terá, dessa vez, além das categorias de Design de Embalagens, Comunicação e Cultura das Cervejas, Sustentabilidade e Responsabilidade Social, um júri popular que vai escolher, por meio do site do evento, os melhores em duas categorias. Na Profissional de Destaque, o melhor mestre cervejeiro e o melhor sommelier de cervejas do Brasil serão premiados. Já na Fábrica de Destaque, os prêmios serão dados à melhor cervejaria e ao melhor fornecedor de equipamentos e de insumos.

… ao copo
No mesmo dia em que se encerra a Brasil Brau, o espaço Arca, que fica em um antigo galpão da Vila Leopoldina, começa a receber o público para a segunda edição paulista do maior evento cervejeiro do planeta – com edições no Canadá, na França, no Rio e em São Paulo -, o Mondial De La Bière. Serão 4 dias, com mais de 80 cervejarias, gastronomia e atrações musicais.

Além das atrações cervejeiras, o evento ganha um espaço dedicado a expositores de outros produtos que compartilham o gosto do público, como destilados, sucos, kombuchas e embutidos. No Mondial Arena, a expert em gastronomia e cervejas Carolina Oda é curadora de uma série de palestras sobre alimentação, comportamento, produtos artesanais e consumo sustentável.

O evento marca, ainda, o início de um novo programa de fidelidade e benefícios para clientes dos festivais Mondial, o Mondial Club. Seus termos ainda não foram revelados, mas ele deve ser inaugurado por convidados no festival.

Outra novidade será a participação do guru Randy Mosher. Além de atuar como jurado do MBeer Contest (ao lado de Taiga Cazarine, Gustavo Renha, Leonardo Sewald e David Michelson), ele vai apresentar rótulos colaborativos elaborados com cervejarias participantes do evento. “Temos um time bastante eclético de paladares viajados e conhecedores de cervejas e do consumo brasileiro”, garantiu Luana.

Para chegar e voltar do evento em segurança, um esquema especial de vans fará gratuitamente o trajeto do Metrô Pinheiros à Arca.

Petra patrocina cinema e garante sobrevivência do icônico Belas Artes

Um dos ícones culturais de São Paulo, o Belas Artes mais uma vez esteve próximo de fechar. E, se antes o cinema – marco da programação de curadoria na cidade – fora salvo pela Caixa, agora ele deve sua sobrevivência a uma cervejaria: a Petra Origem Puro Malte.

Fechado entre 2011 e 2014 por falta de patrocínio, o Belas Artes foi reinaugurado com o apoio da Caixa, que anunciou neste início de ano que encerraria a parceria. A cervejaria, porém, garantirá o funcionamento do cinema após fechar um contrato de patrocínio válido por cinco anos. O local, então, passa a se chamar Petra Belas Artes.

“Acreditamos que todas as empresas deveriam ter discussões sobre espaços culturais em seus planejamentos. Espaços como o Belas Artes são responsáveis por construir cidadãos melhores”, garante Eliana Cassandre, gerente de propaganda do Grupo Petrópolis, responsável pela Petra.

Diretor do cinema e ex-secretário da Cultura de São Paulo, André Sturm avalia que o valor expressivo do patrocínio permitirá manter a programação independente do Belas Artes.  “É um contrato de cinco anos de valor bastante expressivo que vai garantir que o aluguel do cinema seja pago e que a gente possa manter a nossa autonomia e liberdade de programação.”

Quanto ao que está por vir no cinema, que se tornou icônico com o Noitão e uma programação de qualidade, trazendo o melhor do cinema independente nacional e internacional, Sturm adianta que existirão novidades a mais na programação, que acontecerão graças à segurança e à tranquilidade que essa parceria proporciona.

“Não podemos deixar fechar as portas jamais desse espaço que é tão democrático e tão acessível. O Belas Artes é um ícone muito importante para São Paulo e para o Brasil e estamos muito contentes em fazer parte dessa história”, complementa a gerente da Petra.

Entrevista: Cervejaria aposta em filosofia, memória e rótulos milenares

Uma marca com características raras ao mercado das cervejas artesanais, com a aposta em estilos escandinavos e milenares, além de elevada graduação alcoólica em alguns dos seus rótulos. Em resumo, essa é a boa ideia da Sundog, cervejaria carioca que investe no uso da memória para conceber suas cervejas, em uma história iniciada em meio a shows e ensaios musicais de uma banda que já levava o nome que a batizaria.

Fundada em 2017, a cervejaria traz em seu próprio rótulo o tom histórico e mítico buscado pelos seus criadores. De acordo com o filósofo Sérgio Fonchaz, sócio-diretor da Sundog, o nome da marca significa “caça ao sol”, remetendo à lenda escandinava do dia e da noite, onde dois lobos gigantes perseguem o Sol e a Lua, fazendo-os girarem eternamente.

Preocupada com a fidelidade da história a ser contada através dos seus rótulos, a Sundog adota cuidados especiais na formulação e produção da bebida. Assim, busca ingredientes especiais e raros. E até mesmo transforma a água utilizada para ser o mais semelhante possível ao da sua história originária.

Assim, acredita que consegue unir história e filosofia através de seus rótulos. Além disso, em ótima iniciativa para unir cerveja e cultura, tem realizado as Sundog Sessions, com exibição de filmes no cinema, como O Poderoso Chefão, Clube da Luta, Monty Python e Pulp Fiction.

Confira, a seguir, a entrevista com Sérgio Fonchaz, filósofo e sócio-diretor da Sundog.

Como surgiu a ideia de nomear a cervejaria como Sundog?
Sundog significa “caça ao Sol”, onde o “dog” funciona como um verbo sinônimo de “hunt”. Essa palavra remete à lenda escandinava do dia e da noite, onde dois lobos gigantes, filhos do lobo Fenrir (Skóll e Háti), perseguem o Sol e a Lua (Suna e Mani), fazendo-os girarem eternamente em torno de Midgard, fugindo dos lobos. Essa história também está na nossa logomarca, onde os lobos laterais têm o sol e a lua a seus lados. E Fenrir está ao centro. Nós temos há muitos anos uma banda chamada Sundog, e como começamos a fazer cerveja para bebermos nos ensaios e shows, resolvemos batizar a cervejaria com o mesmo nome da banda.

Em seus rótulos, a Sundog costuma apostar em cervejas de estilos escandinavos e milenares. Por que essa opção?
Somos apaixonados pelas histórias das civilizações e estudamos muito as razões pelas quais certas cervejas foram produzidas em determinados lugares e épocas. Achamos tudo tão interessante que resolvemos contar as histórias das cervejas e trazer mais dessa cultura para o Brasil, que ainda engatinha nas cervejas especiais.

A impressão é que cada cerveja da Sundog tem uma história. Como se dá essa definição e concepção?
Não é impressão, é a nossa intenção. Nosso processo de produção começa pela história da cerveja. Se a história for boa, vamos atrás dos ingredientes e da maneira como ela é feita. Sempre transformamos a água local em uma água semelhante à do local de origem da cerveja, para deixá-la o mais fiel possível à sua história. E só aí a produzimos, com tudo que ela precisa para trazer essa fidelidade.

O que há por trás do nome e da definição do estilo de cada rótulo da Sundog?
Nós sempre trabalhamos em trilogias. EDDA, HELLA e SAHTI formam a primeira: a trilogia nórdica.

-A EDDA refaz os caminhos da imigração europeia para a América na corrida do ouro do século XVIII e conta como a tentativa de produzir uma Lager alemã originou uma das três únicas cervejas de fermentação híbrida do universo cervejeiro. E “Edda” é o nome da compilação dos poemas da mitologia nórdica.

-A HELLA é uma das raras Dampfbier do mundo. Foi uma cerveja produzida em um período de escassez de trigo nas florestas da Bavária do século XIX, originando uma bebida com todas as características boas de uma cerveja de trigo, mas sendo puro malte de cevada e com uma alta drinkability. Seu nome remete à deusa da morte escandinava.

-A receita da SAHTI só foi descoberta em 1904, quando um drakkar viking naufragado no século IX foi resgatado por arqueólogos. Em um barril muito bem conservado, havia sinais de centeio, junípero e cevada, além de levedura originárias de pão. Resolvemos produzi-la e é talvez a nossa cerveja mais fantástica, remetendo diretamente aos povos vikings e com 11% de gradação alcoólica.

-A DOGFEST remete à Oktoberfest, que marca a união entre a Bavária e a Saxônia no século XIX e celebra a semente da unificação alemã. Ela marca o início de uma trilogia de cervejas de celebração.

-A PICTII é um Braggot, uma bebida celta que data do encontro das culturas bretãs e nórdicas no século XII. Nela, a cerveja bretã e o hidromel escandinavo são fermentados juntos em um barril de madeira, para que os sabores se misturem e formem uma explosão de sabores – e uma bomba alcoólica também. Ela chega a no mínimo 20% de álcool e marca o início de outra trilogia, das cervejas de antigas civilizações.

Em seu slogan, a Sundog fala em “cervejas diferentes para pessoas diferentes”. Como vocês colocam isso em prática?
Sabemos que nossas cervejas não são para qualquer pessoa. Quem toma Sundog precisa estar preparado para experimentar algo único. É uma viagem no tempo, um passeio por sabores muitas vezes perdidos e muitas vezes nunca experimentados. Os comentários mais comuns para quem tomas nossas cervejas é um entusiasmado “nunca bebi nada parecido” e isso nos deixa felizes, porque é exatamente o que queremos sentir e fazer as pessoas sentirem.

Revisitar a história é uma estratégia pensada pela Sundog para se diferenciar no mercado de cervejas artesanais?
Foi algo muito natural, pois somos apaixonados por história e filosofia e a busca por essas cervejas estava no DNA da cervejaria. E isso realmente acabou se tornando um diferencial, por isso o slogan foi criado.

Como você enxerga essa mistura entre filosofia e cerveja, algo que a Sundog faz em suas cervejas?
O vinho e a cerveja sempre foram combustíveis para a arte e para a contação de histórias. São produtos que levam a mente humana a uma dimensão diferente do plano comum. Assim como a filosofia, acreditamos que a cerveja também pode ser uma forma de gerar cultura e receber conhecimento, de uma maneira prazerosa e leve.

A Sundog está preparando alguma novidade para as próximas semanas? Quais são os próximos planos de vocês?
Temos muitas cervejas históricas na fila, mas alguns ingredientes ainda são realmente difíceis de encontrar. Só produzimos algo quando temos todos os insumos e adjuntos em mãos e a cerveja precisa sair perfeita. Mas estamos preparando um novo rótulo para o Mondial de la Bière, além de estarmos envasando Sahti e Pictii agora para o período mais frio do ano.