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Indústria de bebida alcoólica oscila em agosto e sofre forte queda

A indústria de bebidas alcoólicas teve uma queda abrupta em agosto. Depois de subir 8,5% em julho, ela perdeu o ritmo e caiu 5,4% na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Ainda assim, quando analisados sob uma perspectiva mais ampla, os números se mantiveram favoráveis: a indústria alcoólica avançou 1,8% em 2018, na comparação com igual período de 2017, e 2,6% nos últimos 12 meses.

Já a fabricação de bebidas não alcoólicas foi em linha oposta e subiu 4,6% em agosto na comparação com o mesmo período do ano anterior. Assim, chegou a uma alta de 5% em 2018 e 4,1% nos últimos 12 meses.

Tais números, contudo, não foram suficientes para segurar a indústria de bebidas, que apresentou queda de 10,8% na comparação entre agosto e julho de 2018. No ano, por sua vez, o crescimento é de 3,3%, mesmo índice dos últimos 12 meses.

A queda acentuada da fabricação de bebidas, aliás, ajudou a explicar a ligeira diminuição da produção industrial – redução de 0,3% na comparação entre agosto e julho, mas crescimento de 2% quando a base é o mesmo período de 2017.

“Vale destacar que esse comportamento de queda ocorreu após a atividade industrial recuar 10,9% em maio e crescer 12,7% em junho. No confronto com agosto de 2017 (série sem ajuste sazonal), a indústria cresceu 2,0%, terceiro resultado positivo consecutivo, mas o menos intenso dessa sequência”, avalia o IBGE.

“Contribuições negativas importantes sobre o total da indústria vieram de bebidas (-10,8%), de produtos alimentícios (-1,3%) e de indústrias extrativas (-2,0%)”, acrescenta o instituto.

Entrevista: Cerveja artesanal latina resgata a riqueza cultural do continente

A escolha não é simples. O folclore de Violeta Parra, a expressividade de Mercedes Sosa ou a bossa de Tom Jobim? Ou, quem sabe, o cosmopolitismo de Jorge Luis Borges, a contemporaneidade de Roberto Bolaño, o regionalismo de Guimarães Rosa, o engajamento de Eduardo Galeano ou a magia de Juan Rulfo e Gabriel García Márquez? E, ainda, por que não, o Santos de Pelé, o Atlético Nacional de Higuita ou o Boca Juniors de Riquelme?

São tantos elementos constitutivos da monumental cultura latino-americana que estabelecer um elemento unificador – ou mesmo definir preferências aleatórias – figura como total heresia. Uma coisa, porém, é certa: em meio à tamanha riqueza, o termo “ou” necessariamente precisa ser substituído pelo “e”. Pois é nessa dinâmica de união, de somatória, que também vem se construindo a cerveja artesanal na América Latina.

Um mercado, aliás, que está em festa. Mais importante competição cervejeira da América Latina, a Copa Cervezas de América começou nesta semana em Santiago, no Chile, com a promessa de desenvolver ainda mais a cerveja artesanal no continente.

O concurso ocorrerá paralelamente à Semana Cervejeira de Santiago, terá seus campeões revelados no sábado e recebeu a inscrição de 1600 rótulos de mais de 350 cervejarias de 18 países. E, para entender melhor não só a competição, mas também o mercado latino de artesanais, o Guia da Cerveja realizou uma entrevista com Daniel Trivelli, presidente da Copa Cervezas de América.

Daniel se demonstra bastante entusiasmado com o momento do setor. Apontando que o mercado cresce a taxas interessantes, especialmente no Brasil, na Argentina, no Chile e no México, o presidente do concurso destaca a riqueza cultural e o potencial da artesanal latina.

“Existem muitas cervejarias que resgatam ou refletem essa tradição cultural, gastronômica e simbólica dos países da América Latina. No entanto, mais que ressaltar exemplos, acredito que o importante é mencionar a importância desse resgate da riqueza cultural que temos nos países latino-americanos.”

Vale destacar, também, nesta entrevista exclusiva, a avaliação sobre os elementos que unificam esse mercado – a aproximação com as cervejas norte-americanas ao mesmo tempo em que se busca o desenvolvimento de estilos ligados à cultura local – e sobre a importância do concurso para o desenvolvimento do setor.

Confira, a seguir, a entrevista completa com Daniel Trivelli, presidente da Copa Cervezas de América.

Como você avalia hoje o mercado de cervejas artesanais na América Latina?
É um mercado efervescente, muito ativo, com taxas de crescimento muito interessantes. Poderia dizer que na América Latina quatro países têm uma grande relevância no mercado da cerveja artesanal, cada um com seu próprio mérito (Brasil, Argentina, Chile e México). (…) Em resumo, o mercado da cerveja artesanal na América Latina está partindo a todo o vapor e ainda tem muito espaço para crescer. Já manifesta que tem fortalezas importantes que garantem não tratar-se de algo passageiro, mas de um movimento artesanal que chegou para ficar e mudar as estruturas e fundamentos do mercado da cerveja.

Quais os pontos fortes desse mercado? E onde ele ainda precisa ser melhor desenvolvido?
Eu diria que existem dois países que se destacam: Argentina e Brasil. Do meu ponto de vista, em que posso observar os diferentes mercados e como eles se comportam, eu diria que Brasil e Argentina são diferentes, mas possuem um mercado saudável. Quando me refiro à saudável, quero dizer que possuem sustentação importante para um desenvolvimento sustentável e forte para os próximos anos.

De maneira geral, quais os principais países atuantes nesse mercado? E quais, resumidamente, as principais características de cada um deles?
Como disse na pergunta anterior, Brasil e Argentina, no meu ponto de vista, são os que mais se destacam no cenário atual. O mercado brasileiro tem um tamanho importante na configuração da cerveja artesanal no mundo. Embora a penetração da cerveja artesanal ainda seja de 1%, quando olho para os fundamentos desse mercado, entendo que tem uma base de consumo muito sólida. Há um movimento muito forte por educação cervejeira e formação de sommeliers. Na Argentina existe um movimento grande de cervejeiros caseiros que atuam como um motor de aumento, de crescimento e de desenvolvimento da demanda muito forte. O cervejeiro caseiro, que também está presente no Brasil, tem um papel importante na disseminação da cultura cervejeira artesanal.

É possível dizer que há uma certa unidade, algum tipo de característica em comum, entre as cervejas latinas? E quais seriam eventualmente essas características?
Posso dizer que hoje em dia há dois elementos que caracterizam a cerveja artesanal na América Latina. Um deles tem a ver com a influência dos Estados Unidos, onde primam as cervejas lupuladas e fortes. Essa característica inovativa impulsionou e marcou a revolução cervejeira artesanal dos EUA. O outro elemento tem aparecido mais recentemente – e o Brasil tem se mostrado como um líder nesse respeito – que é a aparição de estilos locais. Eles refletem propriedades e características de ingredientes nacionais. No caso brasileiro, a Catharina Sour, um estilo oriundo da Berliner Weisse, com maior graduação alcoólica e com adição de frutas tropicais. Também, a utilização de lúpulos autóctones e frutas locais, como está acontecendo no sul da Argentina e no sul do Chile. Enfim, a busca de cada indústria local por utilizar ingredientes nativos para encontrar um caminho próprio. Diria que essa busca por um caminho próprio, por encontrar um estilo que mostre o que é a indústria artesanal em cada país, é uma característica que cruza cada um dos nossos mercados.

Pensando na história da América Latina, que traz uma rica bagagem cultural envolvendo literatura, música, cinema, futebol, entre tantos outros componentes, o que a cerveja artesanal espelha/resgata dessa tradição?
Existem muitas cervejarias que resgatam ou refletem essa tradição cultural, gastronômica e simbólica dos países da América Latina. No entanto, mais que ressaltar exemplos, acredito que o importante é mencionar a importância desse resgate da riqueza cultural que temos nos países latino-americanos. É uma oportunidade e ao mesmo tempo um desafio importante para indústria.

Qual a importância da Copa Cervezas de América para o desenvolvimento da cerveja artesanal latina?
A Copa Cervezas de América está totalmente conectada com o desenvolvimento da cerveja artesanal na América Latina. Nós temos uma grande preocupação em entregar um feedback de qualidade para todos os cervejeiros que participam conosco. Por isso, há três anos desenvolvemos um software que permite o registro das avaliações de forma digital, garantindo um feedback ágil, legível e transparente. O nosso time de juízes qualificados não só avalia as características de cada amostra como também envia para o cervejeiro sugestões de melhoria.

Copa terá mais de 60 juízes

Além disso, nosso concurso, que está entre os 10 mais importantes do mundo, oferece visibilidade para as melhores cervejarias do continente e contribui para aproximar os consumidores desse universo, por meio da divulgação dos estilos e da certificação das cervejas premiadas. Também apoiamos o desenvolvimento da indústria do ponto de vista da educação cervejeira e do consumo consciente e responsável. Gosto muito de uma frase que ouvi no Brasil que fala “beba menos, beba melhor” e representa exatamente isso.

4 cervejarias vencedoras do Prêmio da Embalagem Brasileira

A Associação Brasileira de Embalagem (Abre) realizou no final de setembro sua premiação para escolher as melhores embalagens do mercado nacional. E a indústria cervejeira se destacou ao conquistar quatro medalhas, duas de ouro e duas de bronze.

Realizado anualmente desde 2001, o Prêmio Abre da Embalagem Brasileira avalia o envase considerando aspectos como inovação e clareza das informações, sustentabilidade, apelo de venda, ergonomia, funcionalidade, sistema de abertura e fechamento, entre outros.

São, em média, 400 embalagens inscritas por edição e os vencedores podem participar do WorldStar, prêmio mundial do setor concedido pela WPO (Organização Mundial de Embalagem).

Confira, a seguir, as 4 cervejarias premiadas no Prêmio Abre da Embalagem Brasileira.

Ouro

Gobe Craft Beers
Foi a grande vencedora na categoria Design Gráfico de Bebidas Alcoólicas. Assinados pela Mad Creative, os rótulos tiveram o intuito de, com o crescimento da cervejaria curitibana, “elevar a qualidade do design e impressão dos rótulos para que esse novo momento pudesse ser expressado por meio das embalagens “, segundo destacam as marcas. A inspiração da identidade visual de cada embalagem foi o Gobe, o gnomo mestre-cervejeiro. “A escolha do formato dos rótulos foi baseada na possibilidade de aplicação em garrafas, garrafões e barris, dessa forma, em um mesmo lote é possível imprimir diferentes volumes. Como a produção das cervejas ainda é limitada, esta possibilidade garante que diferentes volumes sejam comercializados.”

Heineken
A Novelprint foi a grande responsável pelo rótulo Heineken com liner ultrafino (PET 12 micra), ouro na categoria Tecnologia em Embalagens de Alimentos e Bebidas. O grande desafio era o próprio uso do liner siliconizado de PET 12 micra em rótulos de cerveja para diminuir custos e o impacto ambiental causado pelo descarte do liner. E o resultado foi a redução estimada em 20% na geração de CO2 ao longo da cadeia de produção da cerveja e logística das etiquetas. “Isso contribuiu para que a Heineken atendesse aos seus objetivos de redução da geração de CO2”, destacam as marcas.


Bronze

Itaipava
Com produção assinada pela FutureBrand, a Itaipava Go Draft recebeu a medalha de bronze na categoria Design Gráfico de Bebidas Alcoólicas. Criada para causar impacto na categoria premium, a cerveja apostou em uma desconstrução dos códigos tradicionais para criar uma linguagem única, sem perder as características visuais da cerveja, segundo as marcas. “Os tons usados no rótulo contrastam com a cor do líquido e, assim, a diferencia das demais marcas de cerveja. O shape foi criado exclusivamente para a Itaipava Go Draft. O rótulo aplicado na diagonal, com texturas graduais e lettering manual, resulta em um visual autêntico para a categoria.”

Cidade Imperial
Com um inovador modelo tampas abre fácil, que contam com uma espécie de anel lateral por onde são puxadas, as embalagens da Cidade Imperial Petrópolis foram assinadas pela Verallia e levaram o bronze na categoria Tecnologia em Embalagens de Alimentos e Bebidas. “Ser reconhecida pelo principal prêmio da indústria de embalagens é muito gratificante e ressalta que a Verallia está sempre atenta às necessidades do cliente, priorizando a inovação e o que há de mais recente em design”, destaca Catarina Peres, supervisora de marketing da Verallia.

Duas cervejas brasileiras estão entre as 10 mais inovadoras

A empresa global de pesquisa de mercado Mintel elencou duas cervejas brasileiras entre as dez mais “inovadoras” no mundo. O estudo, realizado pelo pesquisador Jonny Forsyth, apontou a Baden Baden Kaffee Bier,  da Baden Baden, e a Jambu Bier, da Krug Bier, para esse seleto grupo.

Entre as bebidas selecionadas por Forsyth, diretor associado da Mintel Food & Drink, apenas a Itália também contou com duas cervejas entre as escolhidas – Canadá, Estados Unidos, Holanda, África do Sul, Noruega e China tiveram uma eleita, cada.  E há uma explicação para essa prevalência brasileira.

Krug Jambu é uma das dez cervejas mais inovadoras do mundo
Krug Jambu

Na visão de Forsyth, o consumidor brasileiro está sedento por iniciativas inovadoras quando se trata de cerveja. Esse sentimento se dá pelo histórico de concentração do mercado cervejeiro nas grandes multinacionais. E acabou por permitir que essa “demanda”, até então reprimida, fosse atendida pelas cervejas artesanais, um nicho em ampla expansão.

“Uma das razões para o Brasil ser tão inovador é que há anos sua indústria cervejeira tem sido homogênea e dominada por grandes cervejarias. Isso significava que o consumidor não tinha escolha, inovações interessantes de cerveja e opções de cervejas premium”, afirma Forsyth.

BAden Baden Kaffee é uma das dez cervejas mais inovadoras do mundo
Baden Baden Kaffee

Assim, na avaliação do pesquisador, as cervejas artesanais souberam aproveitar essa oportunidade no mercado brasileiro, apresentando as inovações desejadas pelo consumidor. “Nessas condições de mercado, os consumidores ficam frustrados e entediados com a falta de escolha, então é mais provável que adotem um segmento como o artesanal, que celebra a inovação, qualidade e variedade”, acrescenta.

Foi nesse cenário que Baden Baden Kaffee Bier e Jambu Bier conseguiram o reconhecimento internacional como inovadoras, através da pesquisa da Mintel. A primeira une duas variedades de café, o Acaiá e o Bourbon, harmonizados com o leve amargor do lúpulo e do malte, sendo bege escura e com uma espuma cremosa. Já a segunda, inspirada no clima tropical da Amazônia, é uma puro malte com a presença do jambu e também aromas de maracujá e manga.

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Preço da cerveja sobe acima da inflação em setembro

O preço da cerveja em domicílio subiu acima do índice geral em setembro e teve alta de 0,66%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa elevação foi maior do que a do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), registrada em 0,48%.

Apesar desse número, o preço da cerveja em domicílio ainda apresenta uma queda acumulada de 1,59% em 2018. E também há deflação, de 1,09%, quando são considerados os últimos 12 meses.

Em relação à cerveja fora de domicílio, a tendência é de alta em qualquer cenário observado. A inflação foi de 0,29% em setembro, deixando o índice acumulado de 2018 em 1,76%. E a elevação é de 3,11% no somatório dos últimos 12 meses.

Outros itens pesquisados pelo IBGE também apresentaram alta em setembro. Foram os casos de outras bebidas alcoólicas no domicílio (0,95%), outras bebidas alcoólicas fora do domicílio (1,05%), além da inflação do setor de alimentação e bebidas (0,10%).

“O grupo Alimentação e bebidas, após duas quedas consecutivas, -0,12% em julho e -0,34% em agosto, apresentou variação positiva em setembro, 0,10%. A alimentação no domicílio (0,00%) apresentou, na média, estabilidade nos níveis de preços, e deixou para trás a queda de 0,72% de agosto”, explica o IBGE.

Enquete: Tributação é o ponto mais crítico do setor

As eleições chegaram e, com elas, a esperança de novas políticas públicas que beneficiem os setores produtivos. Com o setor cervejeiro não é diferente: diversas medidas são consideradas necessárias para que ele se desenvolva de maneira fluida. Para entender melhor e “jogar na mesa” essas demandas, o Guia fez uma enquete entre representantes de cervejarias Brasil afora.

O principal objetivo da enquete era compreender o tamanho da necessidade de ação política em aspectos que envolvem a atividade de produção e comercialização de cervejas artesanais. Como tem sido recorrente no discurso de pessoas envolvidas no setor, a necessidade de ação sobre as regras tributárias foi a mais citada, considerada “muito alta” pela maioria dos respondentes de 5 estados (SP, SC, PI, PR e DF).

Foram citados diversos gargalos tributários, com ênfase na questão do ICMS. Mesmo as cervejarias enquadradas no Simples Nacional (regime tributário que em tese já contempla o ICMS em sua tabela) são obrigadas a recolher por meio da substituição tributária quando vendem para pessoas jurídicas. O quebra-cabeça fica ainda mais complicado já que o ICMS é um tributo estadual, e cada estado tem alíquota diferente.

“É desanimador ver a dificuldade que é enviar (produtos) a outro estado justamente por cada estado ter a sua carga, o preço final que chega ao consumidor é no mínimo triste”, respondeu a representante de uma cervejaria catarinense.

Outras demandas relativas à tributação elencadas foram a isonomia tributária com as grandes cervejarias, e até mesmo uma regra de tributação escalonada por volume produzido. Medidas como essa poderiam resultar em preços mais competitivos para o consumidor final de micro e nanocervejarias.

A segunda demanda mais citada foi por medidas que amenizem a burocracia. Também recorrente no setor cervejeiro, as demandas por simplificação no processo de implementação de cervejarias junto ao Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), foram citadas pela maioria como “muito altas”.

Em seguida, também consideradas altamente necessárias, foram elencadas as medidas de incentivo à exportação e que fomentem a produção nacional de insumos. Já as medidas que atuem sobre as práticas e regras nos pontos de venda, concorrência, qualificação de mão de obra, incentivo ao consumo de artesanais e importações dividiram opiniões – mas raramente foram consideradas de baixa necessidade.

Espontaneamente, os respondentes da enquete trouxeram demandas, como maior flexibilidade do MAPA em relação ao uso de ingredientes alternativos nas receitas, mais clareza nas definições de “cerveja artesanal” e “brewpub”, bem como na definição de áreas em que cada uma dessas categorias pode ser implementada.

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Lei seca restringe consumo de alcoólicos em 12 estados

Nas eleições desse domingo, 12 estados brasileiros terão a Lei Seca, que proíbe tanto a venda quanto o consumo de bebidas alcoólicas. A decisão sobre a aplicação da restrição ou não depende da interpretação do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de cada estado. Há, ainda, estados em que a aplicação da lei ficou a cargo do juiz de cada zona eleitoral – o que torna a questão mais confusa ainda.

No amazonas, por exemplo, o consumo está proibido e a venda liberada – enquanto em Minas Gerais, o que não pode é comprar bebidas alcoólicas. O descumprimento da lei pode resultar em detenção de 3 meses a 1 ano

Em diversos estados (como Pará e Paraná), a liberação foi obtida na Justiça por meio de liminar concedida a representantes dos setores de bares e restaurantes, alegando que o período sem poder vender significa um grave prejuízo financeiro.

Mesmo com a liberação da Lei Seca na maioria dos estados, é preciso ficar atento a às regras que determinam as condutas adequadas no dia das eleições. Em suma, as autoridades estão atentas a qualquer “bagunça” nos locais de votação, e não é permitido votar embriagado.

Abaixo, a lista dos estados que terão a proibição, com suas regras e horários específicos

  • Acre: proibição de venda e consumo em via pública, das 18h do dia 6 às 23h59 do dia 7 de outubro
  • Amazonas: proibido o consumo em locais públicos das oh às 17h do domingo
  • Amapá: proibido o comércio, distribuição, venda e consumo das 0h às 18h de domingo
  • Ceará: em Fortaleza, proibido o comércio, distribuição, venda e consumo das 0h às 19h de domingo. Haverá ainda proibições em outras 34 cidades
  • Maranhão: proibido o comércio, distribuição, venda e consumo das 18h de sábado às 23h59 de domingo
  • Mato Grosso: proibido o consumo das 3h às 17h de domingo em lugares públicos, mas liberado em estabelecimentos que funcionem apenas como restaurantes entre 11h30 e 14h40
  • Minas Gerais: proibido o comércio, distribuição e venda das 6h às 18h de domingo, o consumo não foi proibido
  • Piauí: proibido o comércio, distribuição, venda e consumo em locais públicos das 0h às 17h de domingo
  • Rio Grande do Norte: proibido o comércio, distribuição e venda das 6h às 18h de domingo
  • Pará: proibido o comércio, distribuição e venda das 0h às 18h de domingo, além da proibição de festas em clubes, casas de shows, boates e bares
  • Roraima: proibido o comércio, distribuição e venda das 6h às 18h de domingo

Antuérpia lança Kremlin Reserva, RIS maturada em madeira

Para quem busca experiências raras, mais uma opção chega ao mercado: é a Kremlin Reserva, da Antuérpia. Trata-se de uma edição limitada de apenas 555 garrafas numeradas da Kremlin, a RIS (Russian Imperial Stout) de seu catálogo regular da cervejaria de Juiz de Fora, envelhecida por um ano em barris de amburana.

A Kremlin Reserva tem 11% de teor alcoólico e 62 IBU, já foi premiada com medalhas no Mondial de la Bière de São Paulo e no Festival Brasileiro da Cerveja de Blumenau.

“Depois de um ano, a incorporação da madeira na cerveja é muito forte, intensa, o que confere a ela muita personalidade”, afirma o idealizador da Kremlin, o mestre-cervejeiro da casa Giancarlo Vitale, durante o evento de lançamento do rótulo no Empório Alto de Pinheiros, em São Paulo. “É uma cerveja de final, vai bem com charuto cubano, torta de chocolate com cobertura de frutas vermelhas”.

Vitale afirma que a Kremlin regular é o rótulo da Antuérpia mais propício para a maturação em madeira, mas não é a única: há planos para a maturação de outros rótulos e não está descartada uma nova edição da Reserva. “Não lançamos nada que não possamos reproduzir no futuro”, garante Vitale.

São apenas 555 garrafas de 750ml, vedadas à rolha que estão à venda em casas de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais ao preço de R$ 89,90.

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Entrevista: Próxima legislatura pode trazer redução de impostos ao setor

O clima de tensão e instabilidade política que cerca as eleições de 2018 não impede o surgimento da expectativa, mesmo que cautelosa, serena, de que certos desvios de rota possam ser corrigidos para os próximos anos. Esperança que parece ainda mais arraigada às cervejas artesanais, um setor que se expandiu 23% nos últimos nove meses mesmo com todos os percalços conjunturais.

Lapolli: A articulação política é importante porque dá uma verdadeira voz dentro da categoria

Para entender melhor o que a indústria cervejeira pode esperar das eleições de domingo, o Guia da Cerveja realizou uma entrevista com Carlo Giovanni Lapolli, presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), órgão que vem construindo nos últimos anos uma importante representatividade com o setor público.

E, no que depender da análise de Lapolli, o setor precisa nutrir, sim, boas expectativas. Satisfeito com o elo estabelecido com o meio político, o presidente da Abracerva conta que a associação amadureceu, estabeleceu-se em Brasília e agora pleiteia diretamente demandas para a cerveja artesanal, que passou a ser “recebida como um setor”.

O resultado dessa equação que envolve fortalecimento da Abracerva e eleições, segundo ele, pode ser uma conquista a muito almejada pelo setor: a redução de parte dos impostos que tanto dificulta a sobrevivência das artesanais.

“Já conseguimos uma medida no Senado para acabar com a ST no Simples, das cervejarias que estão no Simples, e falta agora a aprovação na Câmara. É um processinho demorado, mas a gente está sendo ouvido. Acho que conseguiremos avançar na próxima legislatura, o que é muito importante.”

Na entrevista exclusiva, em que discorre um pouco mais sobre os desafios da tributação, Lapolli fala também sobre outras ações efetivas da Abracerva e conta sobre a possível criação de uma associação latino-americana de cervejas artesanais.

Confira, a seguir, a entrevista completa com Carlo Giovanni Lapolli, presidente da Abracerva.

Como você avalia essas eleições e o que o setor pode esperar delas?
A Abracerva fez uma pauta que a gente entende que seja as bandeiras da associação, que está no nosso site e os políticos podem apoiarem. Então, lá tem vários candidatos – alguns que já são deputados e nos ajudaram – que aderiram a essas pautas, acho que são mais de 30 candidatos do país inteiro. Estamos sendo ouvidos, muitos até se comprometeram a gravar vídeos em nossa causa. E isso é bom, porque vai multiplicando a nossa base de apoio, o que vai ser importante lá na frente. Estamos no caminho. É uma associação jovem e já estamos agora conseguindo ter um pouco de fôlego para ampliar nossas ações. É importante chegar em uma idade um pouco mais madura da associação para ampliar nossa participação nesse meio político.

E como essa participação tem sido efetiva para o setor?
Tivemos, por exemplo, um problema em São Paulo com o growler. Alguns estabelecimentos foram autuados pelo Ministério da Agricultura, porque o Mapa entendia que precisava de um registro para vender growler. Aí sentamos aqui com o pessoal do ministério em Brasília para deixar tudo muito claro, que não é preciso de registro para vender growler. Na semana passada, também, tivemos com o próprio presidente [Michel] Temer, colocando algumas questões do setor e também dos incentivos fiscais do refrigerante, que de certa forma nos afeta. Isso é muito bom, porque somos recebidos como um setor. Essa articulação política é importante para a Abracerva porque dá uma verdadeira voz dentro da categoria da cerveja artesanal.

Depois desse trabalho de fortalecimento institucional, o que vocês miram como próximos passos?
Eu assumi a Abracerva faz praticamente um ano – fez agora em agosto – e alcançamos quase 450 associados no Brasil inteiro. Estamos agora dando enfoque na criação das Abracervas regionais, para estados que tenham mais de dez associados e queiram fazer um órgão local, regional, para ter essa interação com o poder público, para serem recebidos na esfera estadual. Já estamos com a Abracerva-DF, a Abracerva-ES e a Abracerva-AM. Deve agora partir para Natal, Goiás e Ceará. Temos também a primeira copa de cervejas artesanais, independentes, que vai acontecer aqui em Brasília. Já estamos organizando os eventos do ano que vem, como o Congresso de Sommeliers e uma feira de negócios em Vitória, no Espírito Santo.

Existe algum outro tipo de trabalho feito anteriormente, tanto aqui quanto externamente, em que vocês espelham essa relação com o setor público?
A gente se espelha um pouco na Brewers Association [a associação das artesanais norte-americana], não tenha dúvida. Mas as realidades são bastante distintas, em termos legislativos, econômicos, de ambiente de negócios. Mas nos espelhamos muito neles. E a gente tem compartilhado muito também com as associações latino-americanas. Recentemente foi criado um bloco de associações latinas e teremos uma reunião no Panamá, em fevereiro, para finalizar os estatutos e fundá-la juridicamente. E, com certeza, como consideram os próprios vizinhos, o Brasil é o grande país da cerveja artesanal, depois dos Estados Unidos, obviamente. Para eles, a gente é um espelho para os países menores. Mesmo para Argentina, Paraguai, Uruguai, que estão aqui perto, a gente é um espelho pelo crescimento que vem tendo ano a ano.

Interessante a ideia de pensar a cerveja artesanal como um bloco.
Sem dúvida. Pela própria troca de experiência, de realidades, de ver algumas ações conectadas. É muito importante.

É claro que existem uma série de demandas políticas, mas quais as mais urgentes para o setor hoje?
Sem dúvida alguma, nós temos que pensar o processo tributário da cerveja artesanal. O maior problema que a gente vê hoje é que, além de ser um imposto caro, e estamos falando de ICMS e ICMS-ST, que é dos estados, é que ele é diferente em cada estado da federação. Então, além de ser caro, é complexo para acompanhá-lo. Eu desconheço uma cervejaria que consiga vender para todos os estados porque tem uma diferença de tributo – e é difícil para você pagar. Precisa fazer uma guia para aquele estado no momento de receber a mercadoria, o processo de cálculo é difícil, tem uma multa muita grande, cada estado emite uma lei que muda de tempo em tempo… É muito difícil você acompanhar tudo isso.

E, nessa linha, como a Abracerva tem atuado?
A gente pleiteia, e está trabalhando isso no próprio Confaz, que é o conselho dos secretários da fazenda dos estados, que se acabe com a ST para a cerveja artesanal ou pelo menos faça um modelo mais lógico. Já conseguimos uma medida no Senado para acabar com a ST no Simples, das cervejarias que estão no Simples, e falta agora a aprovação na Câmara. É um processinho demorado, mas a gente está sendo ouvido. Acho que conseguiremos avançar na próxima legislatura, o que é muito importante, porque é caro e complexo. E o complexo custa caro, porque você precisa de mais gente na cervejaria só para cuidar de imposto.

Número de cervejarias artesanais sobe 23% em apenas 9 meses

Às vésperas das aguardadas eleições, o setor recebeu uma excelente notícia. Segundo dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) divulgados nesta quinta-feira, o número de cervejarias artesanais independentes saltou de 679 para 835 entre dezembro de 2017 e setembro de 2018, um expressivo aumento de 23%. São, ainda, 169.681 produtos registrados por estes estabelecimentos.

Realizado pelo geógrafo Eduardo Marcusso e pelo auditor fiscal federal agropecuário Carlos Vitor Müller, o estudo revela também que a Região Sul segue com o maior número de cervejarias, agora com 369. Em seguida aparecem Sudeste (328), Nordeste (61), Centro-Oeste (51) e Norte (26).

Por estados, por sua vez, o Rio Grande do Sul ocupa o primeiro lugar tanto em número de cervejarias (179) quanto em densidade (cervejarias x habitante). Já São Paulo vem em segundo (144) na quantidade de negócios, seguido por Minas Gerais (112), Santa Catarina (102), Paraná (88), Rio de Janeiro (56), Goiás (25), Pernambuco (18), Espírito Santo (16) e Mato Grosso (12).

“O volume de público interessado e comprando a bebida artesanal também está se ampliando. Entendemos que a expansão na oferta faz com que mais pessoas sejam atendidas e percebam sensorialmente os diferenciais dos produtos artesanais”, avalia Carlo Lapolli, presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva).

Mas, tão importante quanto os aspectos sinestésicos, segundo Lapolli, é que o público também começou a entender a diferença entre as cadeias. A Abracerva, por exemplo, estima que as cervejarias artesanais independentes geram 15 vezes mais emprego por litro produzido do que as grandes marcas.

“Depois do impacto positivo no paladar, o público vai se informar e perceber que a diferença entre as artesanais e comerciais não está só no copo, mas em toda a cadeia produtiva”, completa Lapolli.

Vale ressaltar, contudo, que essas 835 cervejarias estão longe de representar toda a cadeia. Devido às dificuldades de registro no Mapa, muitas ainda operam informalmente. Se somadas às ciganas e caseiras, esse número poderia ultrapassar a casa dos 5 mil.

Confira, a seguir, segundo gráfico do Ministério da Agricultura, a evolução do número de artesanais brasileiras nas últimas décadas: