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4 cervejas se mantêm entre as marcas mais valiosas do Brasil

A Skol se manteve pelo oitavo ano seguido como a marca de cerveja mais valiosa do Brasil, e terceira dentre todos os setores, valendo R$16,9 bilhões. A Brahma vem logo em seguida e é a quarta, com R$ 11 bilhões. A avaliação é da consultoria Interbrand divulgou nessa semana sua lista anual das 25 marcas mais valiosas do Brasil.

Desde de 2015, Skol e Brahma ocupam lugar nas cinco primeiras posições do ranking e nesse ano, aparecem atrás apenas de dois bancos. Além delas, Antarctica e Bohemia também compõem a tabela.

Não foram registrados crescimentos espantosos nos valores dasmarcas mais valiosas nesse ano, com acrescente desconfiança em relação a instituições e empresas nos últimos anos,na avaliação da consultoria, o ranking de 2018 se definiu como uma disputa por estabilidade e por solidez no processo de aquisição de relevância frente a um consumidor desconfiado, crítico e com os bolsos vazios.

“O setor como um todo representa 27% do valor total do ranking e em 2018, a Skol foi o grande destaque do setor com 6% de crescimento, enquanto Brahma, Antarctica e Bohemia tiveram resultados mais estáveis”, afirma Andre Matias, diretor de Estratégia e Avaliação de Marcas da Interbrand. Ele vêm também as marcas se beneficiando com o aumento volume de vendas devido a eventos como a Copa do Mundo, mas não apenas isso. Para ele, o trabalho de construção das marcas está surtindo efeito.

“Do ponto de vista estratégico, a Ambev tem se mostrado eficaz em construir marcas de alto engajamento, com público-alvo, territórios e posicionamentos bem definidos que buscam fugir dos códigos clássicos da categoria”, avalia Matias, mesmo com Antarctica e Bohemia perdendo valor (1% e 3%, respectivamente)

De fato, alguns lançamentos das marcas da Ambev têm buscado essa distância dos clichês das marcas de cerveja populares. Recentemente, a Skol lançou sua versão lupulada, a Skol Hops, se posicionando como uma opção democrática, ou uma porta de entrada para um universo de cervejas e aromas diferenciados – sabidamente mais caro do que as lagers convencionais. E, pelo menos nas rodas de conversa, a nova Skol é um sucesso: depois de seu lançamento, o termo “lúpulo” aguçou a curiosidade dos brasileiros e chegou à terceira colocação dentre os termos mais buscados no Google no país.

Foi expressiva também a mudança de tom datado do tratamento da mulher nos filmes da marca na TV, que passaram a taxar “quadrados” comportamentos machistas.

Antarctica também se demonstrou madura durante 2018. Investiu pesado na associação da marca com manifestações culturais – principalmente o samba. Em uma das ações, “ressuscitou” Gonzaguinha, compositor carioca falecido em 1991, ao recompor digitalmente sua voz para a gravação de“Céu-País”, música inédita que fora vetada pela ditadura militar . 

Aniversário do Let’s Beer, venda de mudas de lúpulo: 9 eventos para o fim de semana

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O fim de semana chega cheio de eventos e com atrações que prometem satisfazer a diferentes gostos. Tem a união entre cerveja e basquete, através da Tarantino, aniversário do Let’s Beer, passeio de trem pela Serra do Mar e até venda de mudas de lúpulo. Confira, a seguir, nove eventos imperdíveis para os próximos dias:

Sudeste

São Paulo
– Aniversário do Let’s Beer:  O tradicional bar celebra o seu aniversário de seis anos neste sábado, com uma festa na Vaia, a sua cervejaria-irmã que foi recentemente inaugurada. Serão cinco horas de open bar, das 13h às 18h, com opções de 24 chopes selecionados, sendo alguns deles da Vaia, como a novidade Alvorada, o Joaquim Lager #5, o Transa e o Ypacaraí. Tudo isso em um bar intimista e com opções de pratos originais com ingredientes brasileiros. Os ingressos custam R$ 150 e podem ser comprados no Let’s Beer, no site da Symplia, com R$ 15 de taxa, ou na porta do bar, localizado na Joaquim Távora, 955, na Vila Mariana.

– Basquete e cerveja: A Tarantino une esporte e bebida neste domingo, com a realização do primeiro Tarantino 2X2. É um campeonato de basquete de rua, com a participação de oito duplas. A competição também marca o lançamento da camiseta oficial de basquete da Tarantino. As duas duplas mais bem colocadas ganharão um kit da cervejaria e todos os participantes vão receber medalhas. A relação de participantes já está definida, mas serão realizadas inscrições para as próximas edições da competição. Vai ter cerveja artesanal, food truck, música da Sal Esaú, ação artística e customização de tênis ou stickers. Será entre 13 e 17 horas de domingo, na Rua Miguel Nelson Bechara, 316, no bairro do Limão, em São Paulo.

– Cerveja com vinil: A Stella Artois encerra seu calendário de 2018 com dois eventos. No sábado, no Cartel 011, acontece o Comida no Deck, com o restaurante Forno sendo o responsável pelas opções gastronômicas. O DJ Ogro comanda a música, e também haverá uma feira de adesivos. Será das 15h às 22h, na Rua Artur de Azevedo, 517, no bairro de Pinheiros, em São Paulo.

No domingo, em uma parceria entre a Stella Artois e o Orfeu Restaurante,  será realizado o Mercado de Iguarias em uma das entradas do edifício Copan, com expositores como Cozinha Voilà + Belle Tarte, Cuisine Creative, Della Terra, La Conserveria e Ooey Cookie. A Show me your case venderá vinis e será a responsável pela trilha sonora do evento, que vai das 12h às 18h e será na avenida Ipiranga, 318 Bloco A.

– Mudas de lúpulo: O Capitão Barley recebe a Exodus, empresa que estará vendendo mudas de lúpulo sem agrotóxicos e produzidas na sua própria fazenda. Simultaneamente, será realizado um almoço especial com costela de chão no cardápio. Acontece no domingo, das 14h às 22h, na rua Cotoxó, 516.

– Cerveja do Carioca: A Cervejaria Heroica e o humorista Marvio Lúcio, conhecido como Carioca, lançam a segunda cerveja dessa parceria, a Bad Company II, uma American IPA com Chutney de Manga Palmer, apresentada em lata de 473 ml, de cor âmbar, teor alcoólico de 5,5% e IBU 50. O evento oficial de lançamento será nesta sexta-feira, às 19 horas, no Bar Blues Beer, na rua Zacaria de Góis, 1094, no Campo Belo.  

– Cachorro quente e IPA: Um dos eventos do Festival de Verão da Praça, o Dog & IPA Day contará com cachorro quente artesanal, produzido com carnes da Beef Passion, e seis opções de chopes IPA – da Minimal, Suricato, Japas, Dádiva, Treze e Mafiosa. Ainda haverá  shows da banda Buena Onda Reggae Club e exposição dos trabalhos do artista Tiago Ishiyama, o 8ou80. Será neste sábado, a partir das 12 horas, na rua Ribeiro do Vale, 696, no Brooklin Paulista.

Sertãozinho
– BR Brew Sunset: A BR Brew celebra a chegada do verão e o lançamento da sua quarta cerveja, a Amigo da Onça, com um evento ao ar livre na sua fábrica, com chope artesanal, opções gastronômicas e música ao vivo. Disponível no evento, a Amigo da Onça é uma Catharina Sour com adição de goiaba, cereja e hibisco, tendo visual rosa intenso e 3,7% de graduação alcoólica.  O evento será na rua Felisberto Tamião, 965, em Sertãozinho.

Pedro Leopoldo
– Aniversário da Casa Ørc: O espaço multifuncional comemora o seu primeiro ano com a realização da segunda edição do Raiz Festival – Cultura, Cerveja e Atitude. Haverá exposição de artesãos locais, jam session com 30 músicos se revezando no palco, atividades lúdicas infantis, feira orgânica e 20 opções de cervejas artesanais. A celebração será neste sábado, das 10h às 22h, na rua Otoni Alves, 273.

Sul

Curitiba
– Beertrain: A Bodebrown realiza no sábado a última edição de 2018 do Beertrain, passeio ferroviário pela Serra do Mar com degustação de cervejas a bordo. Dessa vez, além de uma cerveja da Bodebrown, também haverá britânicas importadas, casos da Wychwood Brewery (Inglaterra) e Brewdog (Escócia). O passeio seguirá até Morretes, onde há almoço típico. Cinco cervejas poderão ser degustadas durante o evento. A concentração será às 7h na Rodoferroviária, com embarque às 8h15. E o retorno a Curitiba está previsto para as 17h. O valor do ingresso é R$ 418 por pessoa, podendo ser comprado pelo site http://loja.bodebrown.com.br/beertrain20181215. No pacote, estão inclusos passagem, degustação e almoço. A Rodoferroviária fica na avenida Presidente Affonso Camargo, 330, no bairro Jardim Botânico.

Quer incluir seu evento em nossa agenda? Escreva para nosso editor: itamar@guiadacervejabr.com

Em meio à tensão política, lúpulo “destoa” e vira um dos termos mais buscados no país

Contra a barbárie política, a cerveja. Em um ano marcado por um clima eleitoral tenso, que pavimentou incertezas e um insensato clima de agressividade ao futuro do país, a bebida favorita do brasileiro – e mais especialmente seu “tempero”, o lúpulo – veio como antídoto para a angústia.

É o que revela, ao menos, a lista brasileira divulgada pelo Google sobre os assuntos mais procurados em sua página neste ano. Na categoria de “o que é…”, três dos quatro termos têm ligação com o clima de insanidade política: fascismo, em primeiro, intervenção militar, logo atrás, e Ursal, em quarto. Entre eles, em terceiro, demonstrando que nem tudo está perdido, veio justamente o lúpulo.

Além de colocar a cerveja como protagonista dos principais assuntos nacionais, a presença do lúpulo destaca outro importante fato: o acerto da Skol ao lançar a Hops e apostar em uma estratégia inovadora e arriscada com sua campanha “Vamos falar sobre lúpulo?”, como destacamos no Guia em setembro.

A cerveja aromática, com a presença dos lúpulos Monroe, Citra, Denali e um experimental alemão, ainda sem nome comercial, até teve certa restrição em algumas regiões. Mas, de fato, cumpriu seu papel ao colocar o termo no centro do debate e demonstrar que cerveja popular também pode trazer algo a mais.

“Quando lançamos a Skol Hops, nosso desejo foi apresentar um produto inovador e diferente de tudo o que as pessoas encontram no mercado. Conseguimos desenvolver uma cerveja leve, refrescante, com todas as características da Skol Pilsen, e bastante aromática por conta desse blend especial de lúpulos”, afirma Maria Fernanda Albuquerque, diretora de marketing da Skol.

“Ainda despertamos a curiosidade dos consumidores em cima desse ingrediente muito importante, mas pouco conhecido. Afinal, todos queriam saber o que era o lúpulo”, complementa a executiva.

Entrevista: Cerveja brasileira replica bem, mas precisa melhorar a criatividade

O mercado brasileiro de cerveja tem se consolidado como um excelente aprimorador de estilos e receitas externos, especialmente vindos dos Estados Unidos. Falta, porém, desenvolver melhor a criatividade para ser ele próprio um grande propulsor de ideias.

Essa é a análise de Luis Marcelo Nascimento, sommelier, mestre em estilos, especialista em destilados, juiz do Beer Judge Certification Program (BJCP), mais importante instituição mundial de juízes do setor, e ex-sócio da cervejaria-escola Sinnatrah, onde trabalhou por cinco anos.

“Somos muito mais replicadores da criatividade alheia, pegamos muito mais referências que já existem e damos uma mexida, uma adaptada ao que temos localmente, uma acrescida. Mudamos algo. Mas criar do zero mesmo isso a gente não fez ainda”, avalia o especialista.

Criatividade, aliás, é o mote de Luis Marcelo, que hoje presta consultoria na criação de receitas com foco em desenvolvimento de produtos, tanto de cervejas quanto de destilados e fermentados em geral.

Seu foco intensivo na criação resultou no surgimento de destacados bares da cena paulistana onde atua como sócio: o Volátil, o H., que está em testes e será oficialmente aberto em janeiro, e o The Lab, o famoso bar secreto onde testa suas criações.

Em entrevista ao Guia da Cerveja, Luis Marcelo fala sobre os aspectos que poderiam ser melhor explorados pelo mercado, detalha a importância de aprender com outros segmentos – como o de perfumes! – e discorre sobre o que seria o grande inimigo da criatividade: a ganância.

Confira, a seguir, a entrevista completa com Luis Marcelo Nascimento, consultor, juiz do BJCP e sócio do Volátil, do H. e do The Lab.

Sempre tivemos aquela história de que brasileiro é criativo, inventivo, original. Isso no mundo da cerveja é verdade ou clichê? Somos criativos para fazer cerveja?
A minha resposta é que somos médio criativos. Somos muito mais replicadores da criatividade alheia, pegamos muito mais referências que já existem e damos uma mexida, uma adaptada ao que temos localmente, uma acrescida. Mudamos algo. Mas criar do zero mesmo isso a gente não fez ainda. Brasileiro é bom de fazer gambiarra quando faz cerveja em casa. Isso certamente somos fortes.

Quais seriam as referências que utilizamos para fazer as adaptações?
A escola norte-americana. Você pode ter certeza de que dois, três meses após surgir algo lá, estará aparecendo no mercado brasileiro. A maioria das cervejarias apostam nisso hoje, eles basicamente copiam o que aparece lá, o que vira moda lá.

A Catharina Sour é um exemplo de criatividade aprimorada?
Isso é muito controverso, tem dois viés de opinião. Um que segue um pouco pelos padrões do próprio estilo, de teor alcoólico, de utilização da fruta, etc. Mas isso não é bem uma novidade, não é algo que foi feito do zero. Na Flórida tinha um estilo chamado Florida Weisse que era basicamente a mesma coisa. A Berliner Weisse com fruta, apesar de não chegar muito localmente ao Brasil, ou de não ter fábricas grandes que produzem, é feita naturalmente pelos próprios bares em Berlim, usando xaropes, frutas na cerveja. Então, é algo muito parecido com a Catharina Sour. Talvez, com o tempo, isso se divida mais, como sempre acontece com coisas novas. Cria uma maior identidade e isso vai se dividindo. Mas, hoje, é algo nosso. Só não sei se fazer uma Sour com frutas é algo tão criativo e inovador assim, sendo que já foi feita no mundo inteiro. Pode ser que tenha mudado algumas características. Criamos algo nosso, mas baseado em algo que já existe. Não tem nem a questão de usar frutas nativas, nossas. Você pode usar qualquer uma que encontre no mercado, então, no fim das contas, qual a diferença?

E qual seria esse potencial de criatividade para ser explorado em nosso mercado?
Parece que não, parece repetitivo, mas acho que é o uso de frutas mesmo, de ingredientes locais. Não só frutas. Tem um monte de componentes locais que a gente desconhece. Poderia partir daí.

Como se chega a uma receita original e quanto tempo leva para chegar a bons resultados?
Depende muito. Basicamente, para uma receita ser reconhecida, tem primeiro um cara que coloca no mercado, uma cervejaria que começa. E, aí, isso conquista o consumidor, as outras cervejarias enxergam como um produto bom para o público e começam a replicar. Isso acontece com todos os estilos. Alguém é o primeiro a colocar no mercado, às vezes com o nome marqueteiro, às vezes não, às vezes com o mesmo nome que já tinha antes, mas começando a falar que aquilo é diferente. Muita coisa surge, na verdade, da necessidade das cervejarias se destacarem das outras, de criar uma coisa nova. Nunca parte da ideia de que é um estilo novo, mas de que aquilo é um diferencial para o consumidor. E isso vai se definindo como um estilo novo.

Esse processo tem algum padrão de tempo?
É muito improvável. A New England IPA, por exemplo, é um estilo que existe há mais de década e só agora foi reconhecido como novo. E tem o Brut IPA, por outro lado, que fazem há muito pouco tempo.

Quanto a produção em larga escala dificulta o processo criativo?
O que limita a criatividade não é a escala, mas a ganância. Com certeza absoluta. É a necessidade do cara fazer um produto barato, com custo baixo e lucro alto para dar dinheiro ao investidor. Não vejo como a escala pode ser um problema. Lógico que quando você usa fruta, um produto in natura, isso dificulta. Mas existem, por exemplo, grandes empresas que fazem o processo de extrair a essência natural da fruta, o que é apenas terceirizar um processo de entregar o que a fruta já ia te entregar. Você não está fazendo um produto pior, mas apenas passando para alguém a capacidade de extrair algo da fruta. Não piora a qualidade. Mas, claro, nessas horas, o cara te oferece um produto sintético, algo que não é natural, de qualidade baixa, e aí está o problema. O cara vê a oportunidade de ganhar mais pagando menos.

Fora que criatividade está dentro da gente. O que limita é a ganância, ou mesmo a falta de buscar coisas novas, falta de curiosidade, de frequentar outros mundos. O cervejeiro que só bebe cerveja, por exemplo. O cara é um cervejeiro, só bebe cerveja, frequenta os mesmos restaurantes, lê os mesmos livros… É impossível esse cara ser criativo. Ele não tem insights externos de novidade, é sempre o mesmo mundo. Mas o que limita mesmo, quando se pensa em escala, é a ganância.

Pensando em buscar esses novos mundos, a educação cervejeira fomenta essa possibilidade ou tolhe a criatividade?
Ela é fundamental para você fazer cerveja, mas não pode ser a sua única fonte de inspiração. Vou te dar um exemplo básico: cerveja tem aroma; mas quantos cervejeiros fizeram, procuraram ou estudaram como se faz perfume, para aprender a extrair o aroma? Provavelmente nenhum. Só que não tem ninguém mais especialista em extrair aroma do que quem faz perfume. É esse tipo de busca, de procurar coisas novas, que precisa ir atrás. Tem especialista em um monte de coisa que pode agregar. Ficar só dentro do mercado cervejeiro não vai dar criatividade a ninguém.

Nessa linha, é importante transitar por outros segmentos de bebida, como gim, vinho, cachaça?
Na minha opinião isso é a coisa mais importante que pode ter para o cervejeiro, mais importante até do que ele beber cerveja. Ele vai descobrir coisas novas, conhecer coisas diferentes, novas técnicas, pensar em outros insumos. É fundamental conhecer outras bebidas. E estudar, não só beber. Hoje cervejeiro tem muito orgulho de ser sommeliere de cerveja, mas ele não sabe se é um destilado bom ou ruim. Precisa de outras referências, precisa estudar tudo.

LG lança máquina de cápsulas que produz 5 estilos de cerveja

O cervejeiro caseiro terá uma interessante oportunidade pela frente. Marcando sua inserção no setor, a LG anunciou o lançamento da Homebrew, uma máquina portátil de cápsulas capaz de produzir até 5 litros de cerveja em duas semanas.

O lançamento oficial será durante a Consumer Electronics Show 2019, maior feira mundial em tecnologia de consumo que ocorre entre 8 e 11 de janeiro, em Las Vegas. O valor, porém, não foi divulgado e também não há previsão de sua chegada ao mercado brasileiro, segundo a assessoria da multinacional.

A LG Homebrew produzirá cinco estilos diferentes: American IPA, American Pale Ale, English Stout, Belgian Witbier e Czech Pilsner. A promessa é de produzir cinco litros em até duas semanas, mas o tempo pode aumentar conforme o tipo escolhido.

A produção será feita a partir de um sistema de cápsulas que contêm extrato de malte, óleo de lúpulo, levedura e aromatizantes. Já a quantidade de cada insumo irá variar de acordo com o tipo escolhido.

Além de produzir diversos estilos, a LG garante que a máquina será totalmente automatizada, o que inclui os processos de brassagem e fermentação. Um sistema de controle de temperatura e pressão em cada uma das etapas permitirá, também, a adequação da carbonatação e maturação da cerveja.

Haverá, ainda, um aplicativo próprio – disponível para Android e IOS – que permitirá monitorar cada etapa da fabricação e um sistema automatizado de limpeza que utiliza água e ar em temperaturas elevadas.

Sangue, cerveja, embriaguez na biga: As fantásticas histórias egípcias da Hator

Palco de uma das civilizações mais importantes da Antiguidade, o Egito tinha a cerveja como um dos componentes de sua cultura. Pois é dessa “Era dos Faraós”, há mais de 5 mil anos, que veio a inspiração para o surgimento da Hator, uma cervejaria cigana paulistana.

Uma inspiração que não só resultou em boas cervejas, mas também em grandes histórias, como o rótulo inspirado no primeiro caso de embriaguez “ao volante” da humanidade. E, também, claro, da Hator, uma deusa do Egito Antigo.

A escolha do nome não foi por acaso. Afinal, naquele período, Hator era a deusa mais venerada por reis e plebeus. Ela foi enviada por seu pai, o Deus Rá, para punir a humanidade, mas ele sentiu remorso e lançou 7 mil jarras de cerveja misturadas com mandrágoras, planta com poder afrodisíaco e cujo nome em hebraico é formado pela raiz de amor.

As jarras de bebida, então, enviadas para que lembrassem um derramamento de sangue, tiveram seu efeito: Hator bebeu toda a cerveja, ficou embriagada e esqueceu o seu desejo por vingança. Assim, tornou-se a deusa da alegria, da fertilidade e da embriaguez sem fim.

“Achamos a história bacana, o nome forte e resolvemos adotá-la como nossa”, afirma Rhonze Lapenta Rossi, um dos sócios da cervejaria de São Paulo, ao Guia da Cerveja.

A definição do nome veio depois de passos comuns a maior parte dos cervejeiros. Apaixonados por lúpulo, como eles mesmos se definem, Rhonze Rossi e Henry Pan, o outro sócio da Hator, se uniram para buscar inovação e explorar novas fronteiras do setor. E a aprovação de um público seleto abriu caminho para que a cervejaria, com a sua marca, surgisse com o apoio de um sócio-investidor, Caio Raya.

“Como todo bom cervejeiro, saímos das panelas caseiras com um sonho de um dia poder abrir nossas criações para mais gente que nosso círculo de amigos, que já adoravam o que saía dessas panelas. E assim nasceu a Hator. Trabalhamos juntos nas ideias e receitas que criamos”, conta Rhonze Rossi.

Cervejas históricas
No Egito Antigo, inspiração da Hator, a cerveja integrava a dieta dos faraós, sendo considerada um bom presente e uma oferenda aos deuses. Era consumida por adultos e mesmo crianças, além de ter aplicação medicinal. Cada templo possuía sua própria cervejaria e a bebida era armazenada em jarras.

Há, inclusive, relatos históricos de que cervejarias – assim como padarias – foram instaladas nas proximidades da Grande Pirâmide, para atender os envolvidos na construção, assim como servir de pagamento. Essa produção de cerveja foi transmitida para as civilizações seguintes, chegando como tradição até a sociedade atual.

Tradição que a marca cigana tratou de homenagear. Recentemente, a Hator lançou duas cervejas no prestigioso Mondial de la Bière Rio, ambas com o Egito como inspiração.

Cerveja que remete à embriaguez ao volante – e à morte por enforcamento do condutor

A Tabern’s Guilty, por exemplo, segundo a cervejaria, remonta a um momento no mínimo curioso, embora não tão feliz: o primeiro caso de embriaguez “ao volante” da humanidade. Nesse incidente, após sair embriagado de uma taverna, um egípcio pegou sua biga e atropelou uma sacerdotisa da Deusa Hator. Com isso, foi punido a morte por enforcamento, que se deu em frente à taverna onde havia bebido.

A lembrança ao Egito Antigo também está expressa na outra dessas cervejas: a Ramsés III, o segundo faraó da XX Dinastia Egípcia, considerado como o último do Império Novo a exercer uma grande autoridade sobre o Egito, sendo filho do faraó Setnakht com a rainha Tiy-Merenese.

O seu reinado durou cerca de 30 anos, de 1194 a.C. a 1163 a.C. E o “III” do seu nome destaca que uma única cerveja possui três estilos – New England, Sour e Fruit Beer. Além disso, Ramsés III é apontado como a primeira pessoa na história a construir uma fábrica para produção de cervejas.

Desse passado distante, mas unido pelo hábito de consumir cervejas, felizmente vem a inspiração diária para os rótulos da Hator. “A boca de um homem perfeitamente contente está repleta de cerveja”, diz um provérbio datado de 2.200 A.C., encontrado no templo dedicado à deusa Hator em Dendera, no Egito, e que define precisamente as inspirações dessa peculiar cervejaria.

Confira os detalhes desses e de outros rótulos da Hator:

Ramsés III – Lançada com sucesso no Mondial de la Bière, é uma New England Sour Juyce, com Galaxy, Citra, Mosaic, Ketle Sour, além de uma super adição de manga. Tem double dry hopping de Mosaic e Citra e está disponível em latas de 473 ml e chope.

Tabern’s Guilty – A cerveja que homenageia a primeira embriaguez ao volante da história é uma IPA clássica de coloração âmbar, com 7% de teor alcoólico e 70 IBUs. Feita com Cascade, Citra, Mosaic e double dry hopping.

New Oásis – New England Session IPA com um corpo mais leve, 5% de álcool, 22 g L de lúpulo e 45 IBUs. Definida pela própria Hator como “uma verdadeiro Oásis fresco no deserto”.

Sorachi IPA – Uma clássica American IPA. Nela, o lúpulo Sorachi Ace foi usado pela primeira vez no Brasil em uma IPA. Tem as características tipicas de um American IPA clássica e um toque amadeirado e herbal do Sorachi Ace. Conta com 7% de álcool e 70 IBUs.

Produção de cerveja bate recorde na Europa

A produção de cerveja na Europa aumentou 2 milhões de hectolitros, chegando a 39,6 bilhões de hectolitros em 2017, o maior volume já produzido pelo continente na história. Os dados são do relatório anual da Brewers of Europe, entidade que une associações nacionais de cervejeiros de 29 países. Divulgado nessa semana, o estudo mostra também a evolução da exportação e da importação de cerveja no continente.

Com uma produção de 9,3 bilhões de litros (um quinto do total), a Alemanha é o maior fabricante europeu, seguido por Reino Unido e Polônia, com 4 bilhões de litros cada, o que representa 10% do total.

Um quinto dessa produção é exportada, e um terço desse montante vai para países de fora da União Europeia – são 8,7 bilhões de litros, somando € 3,4 bilhões em negócios no ano passado. Os maiores exportadores são Alemanha e Bélgica, com 1,5 bilhões de litros cada, e os principais destinos são EUA, China e Canadá.

Por outro lado, o Reino Unido é o país europeu que mais importa cerveja, tanto de dentro quanto de fora da União Europeia. Em 2017, pubs, bares, restaurantes e varejo tradicional compraram mais de um milhão de hectolitros de cerveja estrangeira. E 87% desse volume veio de países europeus.

O relatório mostrou também um aumento no número de cervejarias ativas no continente: em 2017, mil marcas entraram no mercado, e o número chegou a 9,5 mil. Dessas, três quartos são consideradas micro-cervejarias ou empresas de pequeno ou médio porte, o que, segundo os analistas da Brewers of Europe, leva o mercado para um cenário de maior diversidade.

O Reino Unido lidera essa lista, com 2430 empresas, enquanto Alemanha tem 1492, França 1100, Itália 868 e Espanha conta com 521 cervejarias. 

Confira os maiores produtores de cerveja na Europa:

  • Alemanha, (20%)
  • Reino Unido e Polônia (10%)
  • Espanha (9%)
  • Holanda (6%)
  • França e Bélgica (5%)

Em cenário de deflação no país, preço da cerveja tem alta em novembro

O preço da cerveja no domicílio registrou alta de 0,49% em novembro, em um cenário oposto ao do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que teve deflação de 0,21% no 11º mês do ano, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A alta em novembro, porém, não alterou o cenário de baixa do preço da cerveja em 2018, que agora caiu 1,20%. E também há deflação, de 0,67%, quando são considerados os últimos 12 meses.

Já em relação à cerveja fora do domicílio, a tendência de alta se ampliou em todos os cenários. A inflação foi de 0,87% em novembro, deixando o índice acumulado de 2018 em 2,83%. E a elevação é de 3,25% no somatório dos últimos 12 meses.

Outros itens pesquisados pelo IBGE também apresentaram alta em novembro. Foram os casos de outras bebidas alcoólicas no domicílio, com inflação de 0,96%, e do setor de alimentação e bebidas, que apresentou elevação de 0,39%.

Já o preço de outras bebidas alcoólicas fora do domicílio teve queda de 0,02%.

Confira, a seguir, os dados da inflação de novembro:

IPCANovembro     2018    12 meses
Cerveja no domicílio0,49%    -1,20%   -0,67%
Cerveja fora do domicílio0,87%    2,83%   3,25%
Outras bebidas alcoólicas no domicílio0,96%    4,69%   4,83%
Outras bebidas alcoólicas fora do domicílio-0,02%    2,21%   2,43%
Alimentação e Bebidas0,39%    3,58%   4,14%
Inflação Geral-0,21%    3,59%   4,05%

12 cursos cervejeiros de férias da ESCM

O fim de ano trouxe uma excelente oportunidade etílica. Seja para quem pretende ingressar no universo cervejeiro ou mesmo para quem já atua no setor, a Escola Superior de Cerveja e Malte (ESCM) oferecerá 12 cursos de capacitação durante as férias. As inscrições vão até 17 de dezembro e as aulas ocorrerão entre os meses de janeiro e fevereiro na sede da instituição, em Blumenau. A expectativa é de que mais de 300 alunos se inscrevam. Confira os 12 cursos.

1- Produção de Cervejas Não Convencionais – 14/01 a 18/01
2- Gestão de Microcervejarias – 14/01 a 19/01
3- Mestre Malteiro – 21/01 a 02/02
4- Cervejeiro Artesanal – Home Brew – 21/01 a 01/02
5- Como Montar Sua Cervejaria – 21/01 a 01/02
6- Harmonização com Cervejas – 14/01 a 18/01
7- Master em Estilos – 14/01 a 26/01
8- Mestre Destilador – 21/01 a 02/02
9- Microbiologia da Cerveja – Da Levedura ao Controle de Qualidade – 14/01 a 19/01
10- Produção de Bebidas Não Alcoólicas – 14/01 a 19/01
11- Sommelier de Cervejas – 21/01 a 02/02
12- Tecnologia Cervejeira Avançada – 21/01 a 01/02

Engenharia cervejeira
Com mais de 6 mil alunos formados em quatro anos de atuação, a Escola Superior de Cerveja e Malte também oferece outra oportunidade para 2019: ingressar pelo histórico escolar na primeira graduação em Engenharia de Produção Cervejeira fora da Alemanha. O período de inscrições vai de 19 de dezembro a 25 de janeiro.

O curso tem duração de 10 semestres e conta com o apoio de oito laboratórios. Destaque, também, segundo a ESCM, para o corpo docente formado por profissionais com experiência tanto nas áreas de Engenharia de Produção quanto na fabricação de cerveja.

“O que acho incrível é a aproximação com a parte prática. É possível entender já nos primeiros semestres porque os cálculos são feitos e de que forma eles influenciam nos equipamentos que vamos desenvolver”, enaltece André Felipe Rocha, formado inicialmente em gastronomia e hoje aluno do curso.

Para mais informações, tanto sobre os cursos de férias quanto de graduação, acesse o site da ESCM: www.cervejaemalte.com.br.

Tripel Wood Aged, Beertone, Brut IPA com pêssego: 7 lançamentos da semana

Não faltaram boas novidades durante a semana. Foi o caso da TRES Tripel Wood Aged da Antuérpia, lançada especialmente para as festas de fim de ano. Já a Debron investiu em um Beertone, enquanto a Bold Brewing apresentou duas cervejas inspiradas em driks. Destaque ainda para a Avós e sua American Pale Lager com limão siciliano. Confira, a seguir, 7 novidades da semana.

Wood Aged da Antuérpia
A partir do dia 14 de dezembro, em diversos pontos de venda cariocas e paulistas, a cervejaria Antuérpia lançará a TRES Tripel Wood Aged. Desenvolvida a partir da Antuérpia Tripel, a bebida é ideal para a celebração das festas de fim de ano por sua “sofisticação de sabores” e pela garrafa rolhada de 750 ml. Foi maturada em barris de carvalho francês, tem 35 IBUs e 7,6% de teor alcoólico, com início levemente doce na boca, passando pela acidez e um final seco com toques defumado. Já o aroma traz notas de uva verde madura, passando por maçã verde e pera – o aumento da temperatura muda suas características, podendo entregar abacaxi e leve amadeirado. Em São Paulo, a bebida poderá ser encontrada em bares como Empório Alto dos Pinheiros, Cervejaria Santa Therezinha e Espetaria Bovinos. Já no Rio ela estará disponível na Dom Marcone e na Mestre Cervejeiro do Leblon.

Beertone da Debron
Também no clima de festa, especialmente de Natal, a Debron Bier lança um produto especial para a ceia: o Beertone. Feita em parceria com o Galo Padeiro, a novidade levará maltes de uma cerveja premiada, a Imperial Stout da marca. O Beertone de 500g é feito de modo artesanal, com farinhas importadas, manteiga, malte de cerveja, cacau 100% e chocolate belga. Por R$ 70, é possível comprar um kit composto por um panetone e uma Imperial Stout.

NE IPA da Everbrew
Depois de lançar o seu próprio bar na semana passada, em Santos, a Everbrew apresenta mais uma novidade ao mercado: a Evercream, uma New England IPA turva e macia na boca, resultado da alta carga de aveia na receita, segundo a cervejaria. Tem 7,5% de teor alcoólico e pode ser encontrada em chope e lata (473 ml).

APL da Avós
Conhecida por suas Lagers especiais, a Avós lança mais uma colaborativa inédita. Trata-se da Gramma’s Juice, uma American Pale Lager com limão siciliano feita em parceria com a norte-americana Lamplighter Brewing. Tem visual amarelo, com espuma clara e abundante, aroma cítrico, corpo leve e boa carbonatação, além de amargor médio e 5,5% de álcool. A receita foi produzida na fábrica da StartUp Brewing, no interior de São Paulo, durante a visita ao Brasil de Simon Flaim e Tyler Fitzpatrick, respectivamente head brewer e brewmaster da Lamplighter.

Brut IPA da Bold
Aproveitando o embalo que dominou o mercado brasileiro neste ano, a Bold Brewing lançou duas Brut IPAS pensadas no universo dos coquetéis: a Bellini Brut IPA, com adição de pêssego, e a Rossini Brut IPA, com adição de morango, amora e framboesa. O detalhe fica por conta do dry-hopping de Citra e Mosaic, enriquecendo o conjunto. Também foram usados flocos de arroz entre os maltes, para a base ficar mais clara e valorizar a cor das frutas utilizadas.

Latas da Opa
A Opa Bier trouxe uma interessante novidade para este fim de ano: disponibilizou todas as suas cervejas especiais em lata. As receitas permanecem as mesmas, mas as bebidas agora estão “mais fáceis de carregar e mais rápidas para gelar”, segundo a marca. Confira os rótulos disponíveis: Opa Bier Pilsen, Opa Bier Porter, Opa Bier Weizen, Opa Bier Pale Ale, Opa Bier India Pale Ale, Cerveja Merecida – Opa Bier, Cerveja Brasileira – Opa Bier, Opa Bier Coquetel Composto – Cerveja de Vinho.

Amber Lager da Big Head
Depois de estrear no mercado com a Moringa, a Big Head apresentou o seu segundo rótulo, a Cabeçuda. Trata-se de uma Amber Lager com amargor de 23 IBUs, teor alcoólico de 5% e que buscou inspiração na Brooklyn Lager, uma das referências internacionais do estilo. O rótulo é ilustrado com um rosto de uma menina ruiva, que faz alusão ao estilo da cerveja, Amber.