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Descubra 16 lançamentos de cervejas realizados em março

O mês de março ficou marcado por uma profusão de novidades, com variadas marcas apresentando criações surpreendentes em lançamentos de cervejas que foram motivados, principalmente, por datas especiais do período, como o Dia Internacional da Mulher e a celebração da Páscoa.

Além disso, algumas cervejarias realizaram lançamentos de séries especiais em março, como a Croma Beer, que apresentou a Coffee Rocks Series, e a Dado Bier, que iniciou sua linha de cervejas Concepts. E essas são apenas algumas das surpresas que o mundo cervejeiro reservou para este mês.

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Prepare-se para explorar um universo de sabores e aromas únicos em 16 lançamentos de cervejas realizados em março e selecionados pelo Guia:

Brewteco
O Brewteco lançou duas novas cervejas próprias no mês de março: a Belgian Tripel, uma cerveja robusta com corpo aveludado e aromas condimentados, e a Weizenbock, de cor marrom avermelhada e intensos aromas de frutas secas, disponíveis em todas as unidades da rede de bares no Rio de Janeiro.

Croma Beer
A Croma Beer, lançou, em março, novidades para os amantes de cerveja e café. A marca apresentou a Coffee Rocks Series, uma série exclusiva composta por três cervejas inspiradas nos picos mais altos da Suíça: Matterhorn, Jungfrau e Titlis. Cada variedade utiliza grãos de café de origens distintas – Peru, Colômbia e Honduras, respectivamente – torrados pela Miro Manufactura de Café na Suíça e infusionados pela Croma em uma base de Imperial Stout maturada em barricas de Bourbon, finalizando com nibs de cacau e chocolate. Além disso, a marca apresentou sua segunda edição especial de Páscoa em parceria com a Baianí Chocolates: a cerveja Choco, uma Bourbon Barrel Aged Imperial Stout com adição de nibs e casca de cacau do Vale Potumuju, Bahia, com um toque especial de um blend de três barris de bourbon.

Dado Bier
A Dado Bier também apresentou em março uma novidade para os apreciadores de cerveja artesanal. Com o lançamento de uma edição exclusiva e limitada da Sour Goiaba e Pitaya, a cervejaria inaugurou sua nova linha, a Dado Bier Concepts, destinada a testar novos sabores e criar experiências sensoriais únicas. Desenvolvida pelos mestres cervejeiros Michael Dresch e Josiel Moraes, em colaboração com o beer sommelier Thiago Martins, esta cerveja combina a refrescante acidez de uma Sour com a doçura e frescor da goiaba e da pitaya.

Demonho
O mês de março teve lançamento duplo da Demonho: Maitê e Yasmin Escreve seus Caminhos. Maitê, uma West Coast Double IPA, combina café e coco para uma experiência seca, amarga e complexa. Enquanto isso, Yasmin Escreve seus Caminhos, do mesmo estilo, oferece um contraponto delicado, com um amargor assertivo e notas sutis de frutas tropicais e água de coco, em uma homenagem à diversidade de sabores.

Dogma
A Cervejaria Dogma surpreendeu os amantes de cerveja e chocolate com uma colaboração inédita para a Páscoa em parceria com a marca de chocolates Luisa Abram. A cervejaria lançou duas cervejas exclusivas de edição limitada, a Guará Porter e a Guará Sour, combinando o perfil de sabores do cacau selvagem da Amazônia, usado pela Luisa Abram, com a expertise em cervejas criativas da Dogma. A Guará Porter, uma Imperial Chocolate Porter, oferece uma experiência com notas de chocolate, café e caramelo torrados, enquanto a Guará Sour, leve e refrescante, combina coco e maracujá.

Hocus Pocus
O bar da Hocus Pocus em São Paulo, localizado em Pinheiros, no Largo da Batata, apresentou em março a cerveja Rabbit Hole, uma Imperial Stout com cacau, aveia, coco, coco torrado e nozes negras. Para acompanhar, sugere uma sobremesa exclusiva, uma fatia de torta com cocada de coco queimado, mousse de chocolate e nozes, finalizada com pó de café moído na hora.

Nacional
O Projeto Musas do Verão – 2024 celebrou a maternidade e a força feminina em meio a um mercado muitas vezes desafiador para as mulheres. Explorando a complexidade da maternidade e como ela se relaciona com a estrutura patriarcal, o projeto convida a refletir sobre os saberes ancestrais, potências e brasilidade que podem ser encontrados dentro de um copo de cerveja. A cerveja resultante, a Garrafada da Jurema, é uma Urucum Nacional Ale que incorpora ingredientes como jurema, barbatimão, jucá, catuaba, aroeira, lírio-do-brejo, urucum e cumaru, oferecendo uma narrativa rica que resgata gostos e sabedorias complexas.

Paulistânia
A Cervejaria Paulistânia e o Eataly se uniram para produzir uma cerveja em homenagem à deusa romana Ceres, símbolo da agricultura e dos cereais. Idealizada por duas profissionais do mercado cervejeiro, Dani Mingatos e Candy Nunes. Se trata da Ceres Visia, uma American Wheat que leva maltes de cevada e trigo da Agrária Malte, além de uma lupulagem especial da Yakima Chief Hops. A fermentação ficou a cargo da cepa American Ale TeckBrew 10, da Levteck Tecnologia Viva.

Prussia
A Prussia Bier, de São Gonçalo do Rio Abaixo (MG), realizou o lançamento de uma cerveja com receita desenvolvida por seis cervejeiras e fabricada por 16 mulheres. A Best Bitter combina elegância clássica com sabores contemporâneos, incluindo notas frutadas de amora e framboesa, além de um toque sutil de cacau. Metade dos lucros da venda desta cerveja será doada para o Instituto Filhas de Sara, que oferece apoio a mulheres vítimas de violência. Já o rótulo presta homenagem à deusa da cerveja, Ninkasi, celebrando a contribuição histórica feminina na produção de cerveja ao longo dos séculos.

Stormy Brewing
O lançamento de março da Stormy Brewing foi a Pink Birds, uma Double West Coast IPA. Com 7,6% de teor alcoólico, esta cerveja apresenta lupulagem intensa, combinando os lúpulos Galaxy e Mosaic. Sua base de malte neutra e clara complementa o amargor alto, resultando em uma experiência lupulada, seca e altamente aromática.

Entrevista: Conheça os desafios e os segredos de um juiz cervejeiro

Por trás das sempre aguardadas medalhas distribuídas pelos mais variados concursos cervejeiros, há sempre vários juízes. São eles os responsáveis por avaliar dezenas de rótulos que irão se transformar em um balizador importante de qualidade dentro do setor.

Para compreender melhor essa tarefa, o Guia entrevistou Aline Ferreira, sommelier de cervejas pela ESCM/Doemens Akademy, mestre em estilos e juíza internacional de cerveja BJCP. Na conversa, ela destaca que os juízes de concursos cervejeiros, além de certificações formais, devem ter habilidades sensoriais aguçadas, ética profissional e familiaridade com os regulamentos de cada competição.

Aline destaca o crescimento significativo de concursos cervejeiros na América Latina e os desafios e oportunidades enfrentados pelos juízes em cada contexto regional. Além disso, compartilha a importância do reconhecimento ao trabalho desses profissionais para o desenvolvimento da indústria cervejeira.

Na entrevista, Aline também nos leva aos bastidores do trabalho de um juiz cervejeiro, revelando alguns dos momentos marcantes que enfrentou no dia a dia. Ela ainda explica o que a motivou a criar o curso online “Como Ser um Bom Juiz de Cerveja”, que oferece uma oportunidade para entusiastas e profissionais da área aprimorarem suas habilidades de avaliação de cervejas e está em fase final de inscrições pelo link, com início das aulas em abril.

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Confira a entrevista do Guia com Aline Ferreira sobre o mundo dos juízes cervejeiros, seus segredos e desafios:

Você está lançando um curso para pessoas que querem se tornar juízes cervejeiros. Como será estruturado esse curso e o que ele ensinará na prática? O que o aluno pode esperar dele?
Sim, é um curso voltado para profissionais e entusiastas que querem atuar como juízes em concursos de cerveja. Muita gente me procura para saber como começar e por isso acabei montando o curso.  O curso é dividido em 4 aulas online e ao vivo, com momentos práticos de julgamento de cerveja. Vou abordar sobre a estrutura de concursos, como funciona esse mundo e, principalmente, sobre as técnicas de julgamento. O aluno vai aprender a julgar, preenchendo súmulas, que são as fichas técnicas de avaliação em concursos cervejeiros, e vai aprender a elaborar feedbacks construtivos de acordo com o tipo de concurso.

Temos hoje inúmeros juízes cervejeiros no mercado, mas sabemos que a preparação para se tornar um bom juiz não é fácil. Qual seria, então, essa preparação ideal? O que faz de um profissional um bom juiz cervejeiro e quais erros eles devem evitar?
Ser juiz vai além de certificações ou formação. No geral não há uma formação oficial para juízes de cerveja, o BJCP (Beer Judge Certification Program) é uma ótima ferramenta para aprender a julgar e estudar os estilos de cerveja, há muito conteúdo para estudar. Para mim, esse programa funciona como uma orientação para juízes e ajuda a padronizar alguns requisitos do que se espera de um juiz. Um bom juiz é aquele que sabe avaliar sensorialmente uma amostra, sem considerar suas preferências e opiniões pessoais, que garante a ética e respeito ao cervejeiro ou cervejeira que inscreveu sua amostra, esperando por um feedback justo e eficiente. Um erro que se deve evitar é entregar um feedback somente com a percepção sensorial, é importante identificar os defeitos e sugerir melhorias. Um ponto importante também é conhecer o regulamento e o guia utilizado em cada concurso. Não se pode avaliar uma cerveja baseada no que você acha sobre o estilo, é preciso seguir as diretrizes de cada competição.

De maneira geral, como esse mercado de juízes tem se comportado em diferentes regiões? Como é hoje esse mercado no Brasil, na América Latina e em locais onde o setor de cervejas artesanais é mais consolidado, como Estados Unidos e Europa?
Estamos vendo um crescimento muito grande de competições por toda América Latina, concursos que antes só trabalhavam com amostras nacionais, passam a aceitar cervejas de outros países, internacionalizando ainda mais o mercado e proporcionando maiores chances que aumentem a visibilidade internacional de uma marca, e a oportunidade de que as cervejas sejam julgadas por grandes profissionais de todo o mundo. Aqui estamos aprendendo muito ainda, as organizações de concursos estão se profissionalizando e otimizando o processo de julgamento. Cada concurso funciona como um grande intercâmbio cultural e de cerveja, e para nós juízes é praticamente um treinamento sensorial. Os Estados Unidos têm uma grande quantidade de concursos caseiros, a cena artesanal é muito forte. Já na Europa, os concursos são mais prestigiosos e tradicionais, Essa área ainda é pouco alcançada por brasileiros, visto que envolve maiores custos.

Há uma percepção de profissionais do setor de que nem sempre um juiz cervejeiro é bem remunerado como deveria. Isso ocorre de fato e por quê? Como a não valorização ideal do juiz acaba prejudicando a cadeia cervejeira?
Esse é um tema muito delicado, que acredito que valha a nossa reflexão crítica. Eu como juíza, investi tempo, energia e dinheiro nesse caminho para melhorar minhas habilidades como profissional e por vezes também penso como o mercado “exige” por bons profissionais sem realmente retribuí-los por isso. Essa é uma prática de quase todos os concursos pelo mundo, há um fator ético de que devemos fazer esse nobre trabalho para ajudar o mercado a se desenvolver. Os concursos trabalham com orçamentos apertados e vejo de perto que nem sempre é sobre dinheiro, a maioria dos organizadores que conheço nem sempre pode contar com investidores ou patrocinadores e por vezes já tiraram dinheiro do próprio bolso para ajudar a bancar o evento.

Acredito que essa valorização deva acontecer da consciência de ambas as partes, de nós juízes que nos esforçamos para estudar, viajar (e bancar nossas passagens) e também da parte da organização dessas competições, que geralmente nos pede formação, experiência de julgamento, cartas de recomendação e bom relacionamento com o mercado. Acredito que o primeiro passo seja abrir esses espaços para discutir como podemos valorizar e remunerar esse trabalho de maneira justa e ética, já que é um grande componente neste processo. No geral, não somos remunerados, algumas vezes conseguimos as passagens, além da alimentação e hospedagem. Para mim, a maior riqueza dessa experiência tem sido a troca com outras pessoas, conhecer lugares e países através da cerveja e gastronomia de cada local.

De maneira prática, como é o trabalho de um juiz cervejeiro? Como funcionam as degustações? Qual o segredo para degustar tanta cerveja e seguir firme e forte no propósito de avaliar cada uma das amostras?
Olha, pode parecer pura diversão, mas é um trabalho muito sério e rigoroso. Geralmente temos muitas cervejas por dia, então levantamos bem cedo para um café reforçado e iniciamos o dia de julgamento. As amostras são servidas em pequenas quantidades, por volta de 50ml, a dinâmica de avaliação de cada mesa varia muito de acordo com os profissionais, mas o mais comum é cada um realizar sua avaliação individual, preenchendo a ficha técnica e feedback, e ao final discutimos os pontos principais, pontuando a amostra.

O segredo é muita água e alimentação! Geralmente a gente come um pãozinho ou biscoito entre uma degustação e outra, com muita água (haja banheiro). Vez ou outra a gente levanta pra dar uma voltinha e esticar as pernas, pois são muitas horas seguidas avaliando. Mas um dos maiores incentivos é o sentimento de que cada cervejaria ou produtor merece uma avaliação justa, seja ela realizada no início ou no fim do dia de julgamento.

Em sua vida prática como juíza, por quais situações inusitadas você já passou? Já provou cervejas estranhas? Degustou, por outro lado, cervejas que te fizeram “perder a cabeça”?
Sim, sempre recebemos muitas surpresas na mesa de julgamento, algumas agradáveis e outras nem tanto. Quando há alta intensidade e gravidade de off flavors, é importante indicar as causas para ajudar a cervejaria de maneira respeitosa, mas já passei por situações complicadas. O que sempre me deixa maravilhada é a criatividade dos cervejeiros de juntar alguns ingredientes e processos, cervejas com frutas me chamam muito atenção, é uma grande maneira de conhecer os sabores dos países que visito, e muitas vezes são frutas que eu nunca vi e provei, alguns organizadores nos apresentam as frutas e isso é incrível. Cervejas com pimentas também são muito diferentes. A América Latina tem uma grande variedade de pimentas, das mais tranquilas às mais desafiadoras, e já provei cervejas que realmente são muito ardidas e mesmo gostando de picância, acabei pedindo socorro.

Outra categoria que tem feito muito sucesso é com adição de Cannabis, os produtores estão explorando os aromas e sabores para além das IPAs, adicionando em estilos menos comuns. Em um concurso no México, provei uma Gose com adição de Cannabis, que nunca vou esquecer, tinha um balanço ácido muito refrescante e o herbal intenso trazia tanta complexidade, e no caso desta amostra que tinha THC, tivemos que deixá-la para julgar ao final para não atrapalhar o rendimento do julgamento, já que depois ficamos bem relaxados, se é que me entende.

Reação do setor ainda não chegou às artesanais, avaliam especialistas

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O ritmo de produção e vendas na indústria cervejeira está em recuperação. Porém, essa retomada acontece mais para os grandes conglomerados do setor, enquanto as cervejarias artesanais ainda enfrentam dificuldades para se firmarem no mercado, apontam especialistas ouvidos pelo Guia. O segmento das cervejas artesanais, segundo eles, ainda não conseguiu recuperar seu espaço na cesta de compras dos consumidores.

“O consumo de cervejas artesanais vem sofrendo com a economia, e o público tem optado por produtos de valor mais baixo, fazendo com que as cervejas artesanais deixem de ser prioridade”, avalia o gerente de negócios da GL events e responsável pela Brasil Brau, Gabriel Pulcino.

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O presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) e da Câmara Setorial da Cerveja, Gilberto Tarantino, identifica um desafio para as marcas artesanais acompanharem a recuperação da indústria cervejeira, relacionado ao aumento dos custos enfrentados ao longo de 2023

“No nosso segmento, as cervejarias com anos de estrada não observaram aumento de produção. Muitas mantiveram o nível da fabricação, comparado com anos anteriores, mas com aumento nos custos, pela alta dos insumos e da logística”, diz.

Dados divulgados pelo IBGE indicam que após um primeiro semestre desafiador, a produção de bebidas alcoólicas registrou reação na segunda metade de 2023, com seis meses consecutivos de crescimento, fechando o ano com expansão de 0,2%. Esse ritmo positivo se manteve em janeiro, com crescimento de 9,4% em comparação com o primeiro mês do ano passado.

Projeções da plataforma internacional Euromonitor, citadas pelo Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), indicam crescimento de 4% na produção de cervejas no Brasil de 2022 para 2023, totalizando 15,7 bilhões de litros. Essa previsão, segundo o sindicato, deve ser confirmada ainda no primeiro semestre.

O Sindicerv avalia que o setor cervejeiro foi positivamente impactado no ano anterior pela retomada de eventos, shows e confraternizações após o fim da pandemia do coronavírus, juntamente com a chegada do verão, período de grande movimentação no país, principalmente turística, visão compartilhada por Pulcino.

“Esse aumento é basicamente conduzido pelo consumo de cervejas mainstream. Os grandes eventos que ocorrem no segundo semestre, assim como as festas de final de ano são responsáveis pelo consumo elevado e com a chegada do verão e carnaval possivelmente esse número se manterá”, conclui o gerente de negócios da GL events.

Principais cervejarias ocidentais perdem 26,7 mi de hectolitros em 2023

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As três principais cervejarias do Ocidente tiveram queda somada de aproximadamente 26,7 milhões de hectolitros nas vendas de cerveja em 2023, em comparação com o ano anterior, segundo dados compilados pelo Guia a partir dos resultados financeiros divulgados recentemente por AB InBev, Grupo Heineken e Grupo Carlsberg. O volume total caiu de 875,9 milhões de hectolitros para 849,2 milhões de hectolitros, o que representa recuo anual de 3,14%.

Entre essas companhias, o Grupo Heineken sofreu a maior perda em 2023, com queda de 14,3 milhões de hectolitros, representando 4,7% de redução, diminuindo de 256,9 milhões de hectolitros para 242,6 milhões de hectolitros em relação a 2022.

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Essa diminuição no volume de vendas foi observada em todas as regiões do mundo, com a maior queda registrada na Ásia Pacífico, onde houve perda de 5 milhões de hectolitros (10,4%).

Além disso, as reduções foram de 6,3% na África, Oriente Médio e Leste Europeu, 5,4% na Europa e 0,1% nas Américas, que é o principal mercado do Grupo Heineken, caindo de 88,5 milhões de hectolitros para 88,4 milhões de hectolitros.

A AB InBev, líder global em vendas de cerveja, apresentou queda de 2,3% no ano passado, ou de 12,4 milhões de hectolitros, com um volume de 505,9 milhões de hectolitros em comparação com os 518 milhões de hectolitros do ano anterior. A maior retração regional foi observada na América do Norte, com uma diminuição de 12,1%, caindo de 102,7 milhões de hectolitros para 90,1 milhões de hectolitros.

Houve, ainda, quedas de 2,8% na Ásia Pacífico, de 0,7% na Europa, Oriente Médio e África e de 1,1% na América do Sul, o seu principal mercado, com o volume comercializado indo de 164,3 milhões de hectolitros para 162,5 milhões de hectolitros. A venda de cerveja pela AB InBev apresentou crescimento na América Central, onde saltou de 147,6 milhões de hectolitros para 148,7 milhões de hectolitros, alta de 0,7%.

Entre os três principais grupos cervejeiros do Ocidente, a Carlsberg teve a menor variação no volume de vendas em 2023 em relação a 2022, com queda de 0,4%, totalizando 101 milhões de hectolitros. A companhia teve retração de 4,7% no Leste e Centro da Europa e de 3,8% na Europa Ocidental.

Enquanto o Grupo Heineken e a AB InBev reduziram suas vendas na Ásia, o continente foi o destaque comercial da Carlsberg no ano passado, em um indicativo de conquista de mercado pela companha de origem dinamarquesa na região em 2023. Por lá, a venda de cerveja cresceu 5,1% em um ano, de 42 milhões de hectolitros para 44,1 milhões de hectolitros.

4º trimestre
Nos últimos três meses de 2023, o desempenho das três cervejarias foi semelhante ao de todo o ano, mas quem mais perdeu vendas na comparação com quarto trimestre de 2022 foi a AB InBev, com recuo de 3,6%, de 128,5 milhões de hectolitros para 123,8 milhões de hectolitros. O resultado foi puxado pela retração de 13,6% na América do Norte.

Já a queda do Grupo Heineken foi de 3,2%, de 63,3 milhões de hectolitros para 59,4 milhões de hectolitros, com perda de 10,1% na Ásia Pacífico. Já o volume global da Carlsberg cresceu 1%, de 19,4 milhões de hectolitros para 19,6 milhões de hectolitros, com expansão de 6,3% na Ásia.

Cerveja com Ciência: Resiliência das artesanais britânicas pós Covid-19

Cerveja com Ciência: Resiliência das artesanais britânicas pós Covid-19

Este artigo contribui para a literatura sobre resiliência e empreendedorismo no setor cervejeiro artesanal, mas tem limitações, como focar apenas no período entre março de 2020 e setembro de 2021, e especificamente no Reino Unido.

Entrevistas realizadas com cervejeiros e a análise estatística de dados do setor nos forneceram informações práticas sobre a indústria cervejeira artesanal do Reino Unido antes e depois da pandemia de Covid-19. Este estudo, que se concentrou nas cervejarias menores do setor, encontrou uma tendência distinta de crescimento nos quatro anos anteriores à Covid-191.

Os resultados da análise quantitativa mostram que a idade de uma cervejaria, o tamanho do seu portfólio de cervejas, as vendas fora de um raio de 65km, a porcentagem de vendas destinadas ao varejo em canais de distribuição, o número de instituições de caridade locais e projetos que a cervejaria apoia, e o número de funcionários qualificados e não qualificados aumentam significativamente a probabilidade de uma cervejaria ultrapassar o limite de faturamento de £ 50 mil (aproximadamente R$ 319 mil, na cotação de março de 2024)1.

Esse padrão, no entanto, foi drasticamente alterado em março de 2020 pelo surto de Covid-19. As únicas formas de chegar ao mercado eram os supermercados, as lojas não licenciadas e as vendas diretas, tanto na cervejaria como online, após o encerramento abrupto das atividades da indústria de turismo, hospitalidade e dos eventos. Depois que o primeiro choque passou, outras táticas surgiram, afirmaram os pesquisadores1.

No que diz respeito à resiliência das cervejeiras, os dados sugerem que aquelas que possuíam ativos pré-crise – como máquinas de engarrafamento e enlatamento no local e uma loja online em funcionamento – estavam mais bem equipadas para resistir à turbulência da indústria com as restrições sociais e por meio do confinamento. Os recursos subutilizados foram transformados em ferramentas úteis para aumentar a resiliência2. Estas cervejarias demonstraram uma maior capacidade de operacionalizar mudanças de forma mais rápida e adaptável do que outras, apoiando as conclusões de outros pesquisadores3,4 sobre o alto grau de agilidade e eficiência de recursos exigido pelas empresas para alterar o curso em resposta a circunstâncias externas.

Os entrevistados identificaram três atos principais que tipificam uma resposta das cervejarias focada no curto prazo: uma ampla reconsideração das embalagens (como sacos em caixas e pequenos barris), avaliação da linha de produtos e investigação de novos canais de distribuição (lojas online, drive-thru e click-and-collect). Muitas dessas respostas foram inicialmente limitadas pelos recursos prontamente disponíveis, pela autonomia e pela bricolagem no modelo5. “Bricolagem” é um termo originalmente emprestado da língua francesa, que se refere ao processo de criação de algo novo ou resolução de um problema usando quaisquer materiais ou recursos disponíveis. Muitas vezes está associado a uma abordagem prática, do tipo “faça você mesmo”, que envolve improvisação e criatividade. Neste contexto, “bricolagem” provavelmente se refere à ideia de que muitas das respostas ou soluções foram inicialmente limitadas pelos recursos imediatamente disponíveis, bem como à autonomia e ao ato de reunir vários elementos para criar uma solução, seguindo o modelo proposto5. Essencialmente, sugere que as respostas foram moldadas por meio da melhor utilização dos recursos disponíveis e da combinação criativa de diferentes componentes para resolver o problema em questão.

Os resultados da segunda rodada de entrevistas revelaram que algumas cervejarias artesanais têm buscado evoluir para oportunidades estratégicas a longo prazo. Estas incluem uma mudança significativa nas embalagens (como um aumento nas vendas de latas, engarrafamento e take-away em growlers), uma utilização mais estratégica de novos canais de comercialização (como assinaturas online e vendas diretas locais ou vendas diretas para lojas de garrafas, omitindo os supermercadistas) e uma intensificação contínua do envolvimento por meio de vendas online.

Muitas cervejeiras procuraram formas de apresentar planos de investimento em resposta às mudanças no cenário comercial e impulsionar novas áreas de expansão para apoiar a sobrevivência, a fim de satisfazer as necessidades de curto prazo.

Por outro lado, alguns optaram por hibernar total ou parcialmente na esperança de regressar rapidamente à vida como era antes da pandemia de Covid-19. Nestas situações, as duras restrições impostas à indústria hoteleira e às indústrias associadas, bem como o trabalho remoto e a suspensão dos trabalhadores, serviram como uma barreira adicional, impedindo a agilidade das pequenas empresas do setor em particular6. Ao contrário das evidências de que a burocracia, que é frequentemente percebida como uma barreira ao crescimento liderado pela inovação entre organizações maiores e mais antigas, pode ter beneficiado cervejarias mais estabelecidas do que as menores, com empréstimos e subsídios disponibilizados prontamente pelo governo do Reino Unido, conforme confirmado por meio das entrevistas. Em comparação com cervejarias mais novas e menores, estas provavelmente têm contatos e experiência na indústria de cerveja artesanal para ajudá-las a lidar com a pressão administrativa de obter apoio comercial.

Para melhorar a resiliência empresarial das cervejeiras, os pesquisadores descobriram que uma rede local forte era um trunfo crucial. Esta descoberta destaca a interação entre os recursos da empresa e os empreendedores para influenciar a sua resposta de resiliência. As entrevistas revelaram que as cervejeiras menores ainda eram suscetíveis de obter o máximo das suas ligações com as comunidades locais, mesmo quando as correlações anteriores à Covid-19 mostravam um maior envolvimento das cervejeiras de maior dimensão em iniciativas de caridade e iniciativas locais em comparação com as menores. Devido à dependência de licenças para vender cerveja, muitas empresas confiaram na clientela local para se manterem à tona durante o bloqueio. As redes locais são fundamentais para o sucesso das cervejeiras artesanais, como demonstrado pelo fato de aquelas que já estavam envolvidas nas suas comunidades terem conseguido redirecionar uma porcentagem maior das suas vendas para clientes privados do que outras empresas.

Como podemos perceber, as cervejarias artesanais no Reino Unido têm adotado ferramentas online e desenvolvido modelos de negócios para atender às mudanças nas rotas do mercado. No entanto, a mudança para as vendas online levanta questões sobre a resiliência da indústria, especialmente em relação aos pubs e restaurantes.

Os subsídios e os empréstimos bonificados do governo do Reino Unido durante a pandemia ajudaram muitas cervejeiras a sobreviver, mas algumas cervejeiras menores estavam menos atentas às oportunidades de investimento. No entanto, o “Job Retention Scheme” e o “Restart support” (Esquema de Manutenção de Emprego e o Suporte para Reinício, em tradução livre) terminaram, e o aumento dos custos de transporte e energia, bem como o aumento dos custos de abastecimento de água e material de embalagem, representam desafios significativos para as cervejeiras que ainda se recuperam da Covid-19.

O Orçamento do Outono de 2021 introduziu uma redução de 5% nos impostos sobre a cerveja de pressão e a sidra para apoiar os bares e instalações licenciadas. Contudo, esta medida também deverá beneficiar as grandes cervejarias e empresas de bares. A Campaign for Pubs and Real Ales (Camra) descreveu esta medida como uma “discriminação direta contra as pequenas cervejarias do Reino Unido”. É necessário um apoio financeiro e logístico mais direcionado, como subvenções ou regimes, para as cervejarias menores.

Em suma, à medida que as cervejarias artesanais do Reino Unido se adaptaram às novas realidades impostas pela pandemia, ficou claro que a resiliência era essencial para a sobrevivência. Aquelas que já possuíam ativos e recursos estratégicos, como máquinas de envase próprias e presença online estabelecida, demonstraram maior capacidade de enfrentar os desafios impostos pela crise.

No entanto, o caminho para a recuperação ainda apresenta desafios significativos. O término de programas de apoio governamental, juntamente com o aumento dos custos operacionais, coloca pressão adicional sobre as cervejarias, especialmente as menores. A redução nos impostos sobre a cerveja anunciada no Orçamento do Outono de 2021 foi recebida com críticas por não abordar adequadamente as necessidades das cervejarias artesanais de menor porte.

O setor cervejeiro artesanal do Reino Unido continua a enfrentar desafios significativos à medida que se recupera da pandemia da Covid-19. Para garantir sua resiliência a longo prazo, é essencial um apoio financeiro e logístico mais direcionado, a fim de sustentar a vitalidade e a diversidade deste mercado essencialmente local e comunitário.

Um forte abraço a todos e saúde!


Referências bibliográficas:

1 Waehning, N., Bosworth, G., Cabras, I., Shakina, E., & Sohns, F. (2023). Resilient SMEs and entrepreneurs: evidence from the UK craft brewing sector. International Journal of Entrepreneurial Behavior & Research, 29(3), 665-686.

2 Ayala, J.C. and Manzano, G. (2014), “The resilience of the entrepreneur. Influence on the success of the business. A longitudinal analysis”, Journal of Economic Psychology, Vol. 42, pp. 126-135.

3 McCann, J. (2004), “Organizational effectiveness: changing concepts for changing environments”, Human Resource Planning, Vol. 27 No. 1, pp. 42-51.

4 Dormady, N., Roa-Henriquez, A. and Rose, A. (2019), “Economic resilience of the firm: a production theory approach”, International Journal of Production Economics, Vol. 208, pp. 446-460.

5 Branicki, L.J., Sullivan-Taylor, B. and Livschitz, S.R. (2018), “How entrepreneurial resilience generates resilient SMEs”, Entrepreneurial Behavior and Research, Vol. 24 No. 7, pp. 1244-1263.

6 Cowling, M., Liu, W. and Zhang, N. (2018), “Did firm age, experience, and access to finance count? SME performance after the global financial crisis”, Evolutionary Economics, Vol. 28, pp. 77-100.


Marcelo Sá é professor de gestão em operações, pesquisador na área de riscos e resiliência em cadeias de alimentos e bebidas, esposo e pai apaixonado por sua família. Em sua folga, pode ser facilmente encontrado com uma IPA ao seu lado.

Menu Degustação: Maralto inaugura loja em espaço gastronômico de São Paulo

O público cervejeiro ganhou recentemente mais um espaço para frequentar. A Cervejaria Maralto inaugurou a sua loja em São Paulo, no bairro Vila Mariana, dentro do Eats Merkato. O espaço conta com três torneiras, além de cervejas envasadas em latas.

Quem também abriu um novo espaço foi a rede de bares Brewteco, que passou a oferece suas cervejas artesanais no Parque Bondinho Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro. Já a Itaipava reintroduziu a Go Draft, seu chope envasado, em edição limitada e disponível em seis estados.

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Confira essas e outras novidades do setor cervejeiro no Menu Degustação do Guia:

Espaço gastronômico da Maralto
A Cervejaria Maralto, conhecida por suas receitas inspiradas no universo marítimo, inaugurou sua loja conceito no Eats Merkato, espaço gastronômico localizado no bairro Vila Mariana, em São Paulo. Com nove rótulos de linha e um ambiente temático que remete ao mar, a cervejaria oferece chopes artesanais rotativos, servidos em pints ou growlers para levar, além de suas cervejas envasadas em latas. Com uma fábrica própria no bairro Perdizes, onde são produzidos 7,5 mil litros mensalmente, a Cervejaria Maralto oferece uma variedade de estilos, desde a refrescante Pirata Titã até a encorpada Double West Coast IPA Poderoso Deus do Mar. Os consumidores também podem explorar as histórias por trás de cada cerveja por meio de vídeos acessíveis pelo QR code impresso nas latas.

Brewteco no Pão de Açúcar
A rede de bares Brewteco abriu seu primeiro quiosque no Parque Bondinho Pão de Açúcar, sendo sua oitava unidade na cidade do Rio de Janeiro. Com 170 torneiras, oferecendo uma variedade de marcas e estilos de cerveja, a marca busca simplificar a experiência de beber e se relacionar com a cerveja artesanal. O novo quiosque oferece não apenas uma vista deslumbrante, mas também petiscos, como o buraco quente, bolinho de arroz, coxinha e cocréti (croquete de linguiça com queijo).

Medalhas para a Ashby
A cervejaria Ashby foi a única marca brasileira premiada no European Beer Challenge 2024. O grande destaque foi para a Ashby Weiss, premiada com a Double Gold Medal, o prêmio máximo do concurso. A Ashby Session IPA conquistou a medalha de ouro pelo segundo ano consecutivo. Além disso, duas outras cervejas da Ashby foram contempladas com medalhas de prata: a Ashby British Strong Ale e a Ashby Porter.

Comida di Buteco
O Comida di Buteco 2024 terá início em 5 de abril. Até o dia 28 do próximo mês, os frequentadores estão convidados a eleger o melhor buteco, sob o lema “Somos Todos Buteco”. O concurso, que celebra sua 24ª edição, envolve mais de 1.100 bares participantes em todas as regiões do Brasil. Em 2023, o evento alcançou a marca de 1 milhão de votos e um impacto econômico de mais de R$ 300 milhões na cadeia produtiva. Para 2024, o concurso traz novidades, incluindo a liberdade de tema para a criação dos petiscos, incentivando a criatividade e a inovação dos participantes. O evento estará presente em 27 circuitos e mais de 40 municípios do Brasil.

Volta da Go Draft
A Itaipava reintroduziu a Go Draft, seu chope envasado, no mercado. A bebida é filtrada cinco vezes para garantir qualidade e pureza, preservando suas características sensoriais. O relançamento destaca-se pela embalagem transparente de 330ml, que ressalta os atributos do produto. A novidade, disponível em edição limitada, estará presente nos estados de São Paulo, Bahia, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco e Goiás.

VOA da Ambev
O programa de voluntariado VOA, da Ambev, que já impactou mais de 10 milhões de pessoas ao longo de seis anos, passou por reestruturação em parceria com a Ago Social. Com o objetivo de transformar o terceiro setor em uma potência de inclusão produtiva, o VOA selecionará 15 ONGs para participarem do primeiro edital. As organizações receberão formação intensiva, incluindo vídeo-aulas, encontros presenciais e online, mentorias e estudos de casos de sucesso em inclusão produtiva. Além disso, o programa abrirá oportunidades para empreendedores e microempreendedores desenvolverem seus negócios sociais. O foco do processo seletivo será em causas relacionadas à empregabilidade e ao empreendedorismo. Para participar, as ONGs devem atender a critérios como ter pelo menos dois anos de CNPJ ativo e demonstrar comprometimento da liderança e potencial de impacto social na região. As inscrições estão abertas até 9 de abril pelo link.

Água da Ambev
A Ambev alcançou um marco significativo com seu projeto AMA, que visa democratizar o acesso à água potável no Brasil. A companhia conseguiu atingir a meta de atender 1 milhão de brasileiros um ano antes do previsto. Iniciado em 2016, o projeto AMA já apoiou 130 iniciativas e arrecadou mais de R$ 10 milhões. Em parceria com organizações como a Fundação Avina, Deep e a startup Água Camelo, a Água AMA busca implementar soluções como poços profundos e bebedouros públicos para distribuir água potável em comunidades carentes.

Beckham e Stella
David Beckham, renomado ícone esportivo, é o novo embaixador internacional da Stella Artois. No Brasil, Beckham apresenta o mais recente lançamento da marca, a Stella Pure Gold, que preserva o sabor característico de Stella com 17% menos calorias e sem glúten. A cerveja será destaque em uma campanha estrelada pelo ex-atleta, refletindo o propósito do produto.

Verdades difíceis de engolir
O Grupo Heineken, em parceria com a agência Dentsu Creative, lançou a campanha de conscientização “Verdades Difíceis de Engolir”, destacando questões como a baixa representatividade feminina na liderança e o assédio no mercado de trabalho brasileiro. A iniciativa envolveu profissionais de alta liderança experimentando uma bebida sem álcool, simbolizando a experiência desagradável das mulheres no ambiente corporativo. O Grupo Heineken tem o compromisso público de atingir 50% de liderança feminina até 2026 e registra 37% destas posições ocupadas.

Imcopa volta ao Grupo Petrópolis
Após uma operação policial que investigou suspeitas de desvios e ilícitos na Imcopa, empresa do agronegócio especializada na produção de soja e derivados, a Justiça do Paraná decidiu devolver o controle da empresa ao Grupo Petrópolis. Os administradores anteriores foram destituídos, após a investigação apontar que atuavam como “laranjas” de agentes do mercado financeiro não vinculados à Imcopa. A decisão visa preservar a empresa de desvios financeiros, comprovados por transferências bancárias ilegais, e garantir a sua estabilidade. A gestão da Imcopa será assumida por novos administradores indicados pelo Grupo Petrópolis, sem a necessidade de uma assembleia geral de credores, dada a expressiva participação do grupo nas dívidas da empresa em recuperação judicial.

Black Princess em Sorocaba
A Black Princess será a patrocinadora e cerveja oficial do Alok Infinite Experience 2024. Marcado para acontecer neste sábado (23), na Uzna em Sorocaba, o evento contará com a presença da Black Princess Gold, o carro-chefe da marca.

Problemas financeiros são desafio significativo para 36% das cervejarias

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Problemas financeiros são desafio significativo para 36% das cervejarias


Os desafios financeiros e o endividamento representam obstáculo significativo para 36% das cervejarias, segundo revelado pela pesquisa Principais Desafios do Mercado Cervejeiro no Brasil, realizada pelo Guia da Cerveja e acessível pelo link. Este dado enfatiza a constante luta das empresas do setor para manter suas finanças em ordem.

Além disso, os resultados da pesquisa indicam que 26% das cervejarias consideram os problemas financeiros um desafio moderado, enquanto apenas 16% dos participantes relatam considerar que se trata de um desafio baixo impacto. Essa distribuição sugere uma preocupação generalizada em relação às finanças na indústria cervejeira.

Em busca de soluções para esses problemas, as cervejarias adotam diferentes estratégias, refletindo a diversidade de abordagens no mercado. Entre as medidas mais comuns, destacam-se a redução de gastos operacionais e a busca por investidores ou parceiros comerciais.

A redução de despesas emerge como a saída adotada por 30% das cervejarias, com destaque para um índice mais elevado, chegando a 40%, entre as cervejarias localizadas na região Centro-Oeste. Isso pode incluir desde a otimização dos processos de produção até a renegociação de contratos com fornecedores.

Por outro lado, a busca por parcerias é a escolha de 29% das cervejarias, sendo especialmente popular entre 46% das empresas do Nordeste. Essa estratégia pode proporcionar acesso a recursos adicionais e oportunidades de crescimento, fortalecendo a posição competitiva no mercado.

A renegociação de dívidas com instituições financeiras é a opção mais buscada por 19% das cervejarias, com um aumento significativo para 33% entre as pequenas cervejarias e atingindo 30% entre os respondentes do Centro-Oeste. Essa abordagem visa aliviar o fardo financeiro e criar condições mais favoráveis para o crescimento sustentável.

Já aumentar os preços é uma resposta adotada por apenas 3% das participantes da pesquisa, mas alcança 17% entre as pequenas cervejarias. Essa medida deve ser implementada com cautela, considerando o impacto potencial sobre a demanda dos consumidores.

Sobre a pesquisa
A pesquisa “Principais Desafios do Mercado Cervejeiro no Brasil” é um estudo quantitativo conduzido por meio de questionário online, com respostas coletadas em setembro de 2023. O estudo contou com a participação de 129 proprietários ou administradores de cervejarias em todas as cinco regiões do país.

Associação de cervejarias de Blumenau quer assumir Festival, Concurso e Feira

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Representantes de nove cervejarias de Blumenau e da Escola Superior de Cerveja (ESCM) expressaram sua insatisfação com a organização do Festival Brasileiro da Cerveja, da Feira Brasileira da Cerveja e do Concurso Brasileiro de Cervejas, e solicitaram assumir a organização desses tradicionais eventos, realizados na cidade catarinense. Atualmente, a responsabilidade pela realização desses encontros é da Associação Blumenauense de Turismo, Eventos e Cultura (Ablutec).

O grupo que busca mudanças na organização dos eventos cervejeiros constitui a Associação Blumenau Capital Brasileira da Cerveja, composta pelas cervejarias Alles Blau, Balbúrdia, Bierland, Blumenau, Container, Kewitz, Omas Beer, Segredos do Malte e Scholers Bier, além da ESCM.

Leia também – Isenção do Imposto Seletivo para cervejarias do Simples ganha apoio da indústria

Ao Guia, o presidente da Associação Blumenau Capital Brasileira da Cerveja, Péricles Espíndola, explicou que o pedido feito à Fundação Promotora de Eventos de Blumenau, vinculada à prefeitura, na semana passada, ainda aguarda resposta. O Guia também buscou um posicionamento da Ablutec, porém, não obteve resposta até a publicação desta matéria.

As críticas à organização dos eventos cervejeiros em Blumenau surgiram logo após as edições de 2024, realizadas entre os dias 1º e 9 de março. Houve relatos de perda de prestígio e qualidade dos encontros, além de reclamações sobre a estrutura e organização.

“Estávamos considerando há algum tempo expressar nossa insatisfação. Entendemos a necessidade de assumir a organização dos eventos para resgatar sua essência”, diz Espíndola. “Se isso não acontecer, há o risco de os eventos acabarem ou de Blumenau perder o título de capital da cerveja”, acrescenta.

A associação também emitiu uma “nota à comunidade cervejeira”, criticando o rumo dos eventos cervejeiros de Blumenau, afirmando que “estão em um caminho equivocado” e reclamando da suposta falta de diálogo da organização com as cervejarias.

“É preciso uma reformulação radical do modelo atual, para que volte a representar o mercado brasileiro, retome o crescimento do número de cervejarias presentes e volte a receber os visitantes que formam a comunidade cervejeiras de todos os lugares do país, oferecendo, para isso, uma programação que atenda às demandas do mercado e dos consumidores”, afirma um trecho do documento.

A associação diz, ainda, que já realizou a reserva dos pavilhões do Parque Vila Germânica para realizar os eventos cervejeiros em março de 2025 e relata que conversará com representantes de associações nacionais e regionais em busca de uma reaproximação.

“O objetivo é reaproximar a Capital Brasileira da Cerveja do setor e contar com a colaboração destas organizações na busca do modelo ideal que contemple os interesses das cervejarias e de seu público consumidor”, relata.

Na conclusão da nota, a associação “conclama o apoio de todo o mercado para que tenhamos um grande evento em 2025″. Espíndola indicou que o grupo já recebeu manifestações positivas de dentro do setor cervejeiro, embora tenha evitado citar nomes.

Preço da cerveja fica estável no varejo em fevereiro

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O preço da cerveja no domicílio, geralmente comercializada no varejo, manteve-se praticamente estável em fevereiro. Segundo dados divulgados pelo IBGE, o produto registrou deflação de 0,02%. Já fora do domicílio, nos bares e restaurantes, a cerveja apresentou inflação de 0,5%.

O índice médio de reajuste dos preços da cerveja no varejo e nos bares em fevereiro ficou abaixo do IPCA, a inflação oficial do Brasil, que teve alta de 0,83%, assim como do grupo de alimentação e bebidas, com variação positiva de 0,95%. Por outro lado, outras bebidas alcoólicas tiveram comportamento completamente oposto: inflação de 1,06% no domicílio e deflação de 1,06% fora do domicílio.

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No mês de fevereiro, Porto Alegre foi a cidade monitorada pelo IBGE com a maior alta nos preços da cerveja, com reajuste de 1,19% no domicílio e de 1,70% fora do domicílio. Já o Rio de Janeiro teve deflação de 2,63% nos preços da cerveja nos bares. Enquanto isso, a queda no varejo de Salvador foi de 1,71%.

No primeiro bimestre de 2024, a inflação da cerveja no domicílio ficou em 0,25%, enquanto fora do domicílio foi de 0,84%. Estes índices são inferiores aos registrados pelo IPCA no mesmo período, que foram de 1,25%, assim como do grupo alimentação e bebidas, que apresentou variação de 2,34%. As outras bebidas alcoólicas tiveram altas de 3,35% no domicílio e de 0,07% fora do domicílio.

Durante o período de março de 2023 a fevereiro de 2024, a cerveja no domicílio acumulou alta de 3,74%, abaixo dos 4,63% observados no produto fora do domicílio. Os índices foram de 4,50% para o IPCA, 2,62% para o grupo de alimentação e bebidas, 14,26% para outras bebidas alcoólicas no domicílio e 6,82% para outras bebidas alcoólicas fora do domicílio.

Razões para a alta do IPCA
O IBGE destacou que o grupo de educação foi o principal responsável pelo desempenho do IPCA em fevereiro, com uma alta de 0,83%. A maior contribuição veio dos cursos regulares (6,13%). “Esse resultado se deve aos reajustes habitualmente praticados no início do ano letivo”, explica o gerente da pesquisa, André Almeida.

Isenção do Imposto Seletivo para cervejarias do Simples ganha apoio da indústria

A proposta de isenção do Imposto Seletivo para cervejarias enquadradas no Simples Nacional recebeu apoio de várias associações da indústria cervejeira. Inicialmente apresentada pela Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), a iniciativa tem o respaldo do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), da Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil) e da Federação Brasileira das Cervejarias Artesanais (Febracerva).

Atualmente, estima-se que 83% das cervejarias brasileiras estejam enquadradas no Simples Nacional, um regime tributário destinado a microempresas e empresas de pequeno porte, com faturamento bruto anual igual ou inferior a R$ 4,8 milhões.

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“Ficamos um ano estudando o impacto do Imposto Seletivo dentro da Câmara Setorial da Cerveja no Ministério da Agricultura e conseguimos demonstrar que o segmento todo é beneficiado com uma tributação específica para as empresas do Simples. A estrutura e recursos das cervejarias artesanais é muito diferente das grandes cervejarias. A cerveja é um patrimônio do Brasil e o consenso demonstra a união do segmento”, diz o presidente da Abracerva e da Câmara Setorial da Cerveja, Gilberto Tarantino.

Também defensor da isenção da cobrança do Imposto Seletivo sobre pequenos empreendimentos do setor, o presidente-executivo do Sindicerv, Márcio Maciel, lembra que a pesquisa Principais Desafios do Mercado Cervejeiro no Brasil, realizada pelo Guia, apontou que 77% das cervejarias classificaram os impostos e a alta carga tributária como um desafio de impacto significativo.

“Defendemos a isenção para quem está no Simples porque temos uma preocupação em proteger os pequenos de uma carga tributária elevada, pois os altos impostos são considerados o principal desafio para a indústria cervejeira”, argumenta.

A inclusão do Imposto Seletivo fez parte da proposta de reforma tributária aprovada em 2023 na Câmara dos Deputados e no Senado. Esse imposto incidirá sobre bens e serviços prejudiciais à saúde e ao meio ambiente. No entanto, o texto-base da reforma não detalha os itens abrangidos nem as alíquotas a serem aplicadas, deixando essas definições para leis complementares.

Além disso, a indústria cervejeira defende que a tributação imposta pelo Imposto Seletivo varie conforme o teor alcoólico das bebidas, enquanto a indústria de destilados se opõe a uma taxação gradativa.