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Consumo abusivo de álcool cai em 2025, segundo pesquisa do Cisa

O Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa) lançou na quarta-feira (12) a sétima edição da publicação Álcool e a Saúde dos Brasileiros: Panorama 2025. A publicação traz uma pesquisa desenvolvida pela Ipsos-Ipec que mostra grandes mudanças no comportamento dos consumidores em relação ao álcool, além de números de internações e mortalidade do Datasus. Segundo o levantamento, o consumo abusivo de álcool, por exemplo, caiu de 17% em 2023 para 15% em 2025.

A queda aconteceu com mais intensidade na faixa etária mais jovem, dos 18 a 24 anos, que saiu de 20% para 13% em dois anos. “E a maioria deles, quando bebe, consome uma ou duas doses por ocasião”, ressalta Mariana Thibes, doutora em sociologia e coordenadora do Cisa.

Além disso, o levantamento evidencia que a maioria dos bebedores (39%) consome apenas de uma a duas doses por ocasião. O que se alinha com um dos principais fatores para definição de consumo moderado.

Consumo abusivo de álcool

O levantamento CISA/Ipsos 2025 identificou algumas características do consumidor abusivo de álcool. É normalmente do sexo masculino (26%), sendo que 18% dos homens que bebem consomem 10 doses ou mais por ocasião. Ocorre mais nas faixas etárias de 25 a 44 anos (54%), em indivíduos com escolaridade de Ensino Médio (25%) e nas regiões Norte e Centro-Oeste (31%). Apesar da maior parte (42%) consumir uma vez por semana ou a cada 15 dias, a proporção de abusivos que bebem de duas a quatro vezes por semana aumentou de 29% para 35% entre 2023 e 2025.

Outro fator relevante é que bebedores abusivos têm uma falsa percepção de consumo: 82% acreditam beber de forma moderada. A proporção é superior à observada em 2023 (75%), e apenas 9% reconhecem exagerar e precisar mudar (13% em 2023).

“A interpretação errada do seu próprio padrão de consumo é um dificultador para a mudança de hábito. Ser mais tolerante ao álcool, ou seja, beber muito e não sentir os efeitos do álcool, não significa ser mais resistente ou estar protegido dos prejuízos do álcool. Pelo contrário. Precisar aumentar a quantidade de álcool para atingir os efeitos desejados é um sinal de alerta”, explica Arthur Guerra, psiquiatra e presidente do CISA.

Internações e mortes

O número de internações e de mortes Totalmente Atribuíveis ao Álcool (TAA) também caiu. No primeiro caso, o declínio foi expressivo, com 48,4% de diminuição no período entre 2010 e 2024, de acordo com dados do Datasus presentes na publicação. O grupo de 18 a 34 anos foi o que registrou a maior queda, com uma redução de 75,7%.

Já a mortalidade TAA voltou a níveis pré-pandêmicos. Entre 2010 e 2019, houve considerável queda de 7,9%, passando de 7.157 para 6.594 óbitos. No entanto, com a Covid-19 o número cresceu 32,5%, para 8.738 óbitos. Em 2023, voltou para 7.322, ou seja, uma queda de 16,2% após se manter dois anos em alta.

O grupo TAA é composto por condições de saúde que não existiriam se não houvesse o consumo de álcool, como doença alcoólica do fígado e cardiomiopatia alcoólica, por exemplo.

Já nos óbitos Parcialmente Atribuíveis ao Álcool (PAA), houve redução entre 2010 e 2023 nas mortes por causas externas. Acidentes de trânsito teve queda de 15,7% (passando de 14.604 para 12.310 óbitos) e em violência interpessoal houve redução de 17,1% (de 8.905 para 7.384 óbitos).

Apesar das boas notícias, os números gerais foram puxados para cima pela alta geral em internações (50,3%) e óbitos PAA (11,2%). Quando somadas as internações totalmente e parcialmente atribuíveis ao álcool, houve um crescimento de 24,2% entre 2010 e 2024. Já o total de óbitos aumentou 10,2% entre 2010 e 2023.

Jovens puxam mudanças

A maioria dos brasileiros (64%) declarou não beber em 2025, o que representa um aumento significativo. Em 2023, quando 55% disseram não consumir álcool. Essa mudança de comportamento está sendo puxada pelos jovens. Além de serem os que mais caíram em consumo abusivo de álcool e em internações TAA, a abstinência entre pessoas de 18 a 24 anos subiu de 46% para 64%. Na faixa etária de 25 a 34 anos, subiu de 47% para 61%.

O aumento da abstenção também foi notável entre indivíduos com ensino superior (de 49% para 62%), moradores da região Sudeste (de 51% para 62%) e das classes A e B (de 44% para 55%).

A publicação Álcool e a Saúde dos Brasileiros: Panorama 2025 está disponível para download no site do Cisa.

Brussels Beer Challenge 2025 premia 19 cervejas brasileiras

Considerado um dos mais respeitados concursos internacionais de cerveja, o Brussels Beer Challenge (BBC) divulgou nesta segunda-feira (17) a lista de cervejas premiadas de 2025. E 19 cervejas brasileiras estão entre elas. Foram 8 de ouro, 8 de prata e 3 de bronze. A Brotas Beer também levou o troféu de melhor cerveja brasileira na competição, aumentando o número de prêmios para 20, segundo o site oficial do concurso.

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Este ano o Brussels Beeer Challenge concedeu 278 prêmios no total. As avaliações ocorreram por três dias na cidade de Marche-en-Famenne, na província de Luxemburgo, na Valônia, o Sul da Bélgica — cerca de 130 quilômetros da capital Bruxelas. Lá, 80 especialistas avaliaram 1,7 mil cervejas. São amostras de 500 cervejarias de 36 países.

Melhores cervejas brasileiras no Brussels Beer Challenge

A Brotas Beer, cervejaria da região central do estado de São Paulo, localizada a 250 quilômetros da capital paulista, levou o troféu de melhor cerveja brasileira. A premiada foi a Brotas Beer Schwarzbier, que também levou medalha de ouro na categoria Lager, subcategoria Dark/Dunkel (including Schwarzbier).

Esse rótulo acumulou mais de 20 prêmios em diversas competições ao longo do tempo. O mais recente foi uma medalha de ouro no European Beer Star 2025.

No entanto, a cervejaria que mais recebeu medalhas foi a Salva, de Bom Retiro do Sul, no Rio Grande do Sul. Foram quatro medalhas, sendo uma de ouro e três de prata. Depois vem a Cervejaria Karsten, com duas de prata e uma de bronze e, por fim, a Cerveja Stannis, com uma de ouro e uma de prata.

As duas últimas cervejarias são de Jaraguá do Sul, cidade de Santa Catarina, para onde foram a maioria das medalhas. A cidade ficou com cinco medalhas ao todo.

O estado de Santa Catarina foi o mais premiado, com sete prêmios ao todo. São Paulo ficou com cinco e Rio Grande do Sul com quatro prêmios cada.

A região Sul ficou com 12 das 19 medalhas, sendo que as restantes ficaram no Sudeste.

O estilo mais premiado do Brasil foi o Irish Red Ale, com medalha de ouro para Red Sönja da Cerveja Stannis e prata para Wuff Red Ale, da Wuff Bier, de Juiz de Fora (MG). Chama também a atenção que o Brasil acumulou cinco medalhas na categoria Flavoured beer e cinco em Speciality Beer, mostrando a força do país para cervejas criativas.

Confira a premiação completa das cervejas brasileiras:

CervejaPrêmioCategoriaSubcategoriaCervejaria
Brotas Beer SchwarzbierBest Brazilian Beer 2025Melhor cervejaBrazilBrotas Beer Industria de Bebidas LTDA
Strong DarkGold Medal 2025Dark AleStrong Dark AleHank Bier
O Olhar Dos Seres Das MatasGold Medal 2025Flavoured beerField beerCaptain Brew
Cow Me BabyGold Medal 2025Flavoured beerSweet/Milk StoutCervejaria Salva LTDA ME
Brotas Beer SchwarzbierGold Medal 2025LagerDark/Dunkel (including Schwarzbier)Brotas Beer Industria de Bebidas LTDA
Karsten EisbockGold Medal 2025LagerGerman-Style EisbockCervejaria Karsten
Red SönjaGold Medal 2025Red AleIrish Red AleCerveja Stannis
Ashby WeissGold Medal 2025WheatWeizen(doppel)bockCervejaria Ashby
In “Trigo” We trust!Gold Medal 2025WheatWheat WineCervejaria Karsten
Denker Ana BierHaus Black MiracleSilver Medal 2025Flavoured beerImperial Stout Barrel- or Wood AgedCervejaria Denker — Grupo Thoquino
Baden Baden ChocolateSilver Medal 2025Flavoured beerChocolateHNK BR Indústria de Bebidas Ltda
Tendel BelgianSilver Medal 2025Pale&Amber AleSpéciale BelgeCervejaria Tendel
Scarlett FlandersSilver Medal 2025Red AleOud Rood (Flanders Red Ale)Cerveja Stannis
Wuff Red AleSilver Medal 2025Red AleIrish Red AleWuff Bier LTDA
BalolaineSilver Medal 2025Speciality BeerBarley WineCervejaria Salva LTDA ME
Capuccino GeladoSilver Medal 2025Speciality BeerSpeciality beer (Less than 7 ABV)Cervejaria Salva LTDA ME
Goiabada de MaracujáSilver Medal 2025Speciality BeerGluten FreeCervejaria Salva LTDA ME
Corredor PolonêsBronze Medal 2025Flavoured beerGrodziskieCervejaria Karsten
CajueiraBronze Medal 2025Speciality BeerOther Sour AleBig Jack Cervejaria
WF#6 – CelebrationBronze Medal 2025Speciality BeerBrett BeerCervejas Daoravida

A lista completa de premiados está disponível no site oficial.

Premiadas do mundo

Os países que mais levaram medalhas para casa no Brussels Beer Challenge 2025 foram a própria Bélgica, seguido da Itália e Países Baixos. Os cervejeiros belgas honraram sua tradição, colecionando inúmeras premiações em diversos estilos. O troféu Prik & Tik de Melhor Cerveja Belga foi para a Averbode Extra, da Brouwerij L. Huyghe, segundo o material de divulgação oficial do concurso.

Os destaques desse trio de campeões também vão para a italiana Mannenliefde (Oedipus Brewing) conquistou o troféu Best of Show – Fermentis, e as cervejarias holandesas Jopen e vandeStreek Bier garantiram várias medalhas de ouro.

Os Estados Unidos se consolidaram como potência criativa, destacando-se nas categorias IPA, Stout e Fruit Beer, enquanto a China continuou sua ascensão notável, chamando a atenção com tudo, desde New England IPAs até cervejas com levedura de saquê.

A República Checa, fiel à sua tradição, dominou a categoria Pilsner — com a Primátor 11 Ležák, a Bernard Celebration Lager e a Černovar Světlý conquistando medalhas e reafirmando o domínio checo em equilíbrio, precisão e
tradição.

Tom Holland, Charlie Sheen e John Mulaney: celebridades de Hollywood lançam cervejas sem álcool

A indústria da cerveja sem álcool dos Estados Unidos tem atraído algumas das maiores estrelas de Hollywood, como Tom Holland, Charlie Sheen e John Mulaney. Esses atores estão se tornando empreendedores no setor, lançando suas próprias marcas de cerveja não alcoólicas e usando a influência para ditar novas tendências de consumo.

Além disso, o endosso de uma celebridade se torna um ingrediente-chave para o sucesso dessas novas marcas de cerveja. Infelizmente, nenhuma das marcas chegou no Brasil ainda.

Tom Holland e a Bero

Num dos casos que mais chamou atenção da mídia, o ator Tom Holland lançou em 2022 a marca de cerveja sem álcool Bero. A ideia veio logo após ele próprio decidir parar de beber álcool e se deparar com a falta de opções no mercado na época.

Após lançar as vendas online no começo do ano passado, a marca explodiu e está prestes a chegar a um faturamento de oito dígitos, segundo a revista Exame. A equipe saiu de oito para 30 pessoas e agora está indo para o varejo físico, já estando presente em 4 mil pontos de venda, incluindo grandes redes como Target, Total Wine e Sprouts.

Também está expandindo internacionalmente, com fabricação na Bélgica e entrando no mercado do Reino Unido.

Em um dos capítulos mais recentes dessa história, o “Homem-Aranha” dos filmes da Marvel, Tom Holland, fez parceria como “Homem de ferro”, Robert Downey Jr, que é um grande entendedor de café e tem a marca Happy. A colaboração teve como objetivo lançar uma nova cerveja sem álcool com café e uma café lupulado, segundo a Forbes.

A Bero x Happy Coffee Draught, é descrito como “uma Stout sem álcool encorpada, com suavidade e notas intensas de café recém-torrado”. O segundo, batizado de happy eternal hoptimist x Bero, traz um café 100% arábica de grãos brasileiros e colombianos, com toques cítricos e nuances de lúpulo.

A Bero se declara uma marca de cerveja premium. Além do lançamento, são quatro estilos distintos: Kingston Golden Pils, Edge Hill Hazy IPA, Noon Wheat e Double Tasty West Coast Style IPA.

As cervejas podem ser adquirida no site oficial, que também vende outros produtos como bonés, camisetas e moletons com a logo da marca. No site, um fardo com seis latas da Bero Edge Hill Hazy IPA sai por US$ 14.

Charlie Sheen e a Wild AF Brewing

Charlie Sheen, conhecido por papéis icônicos como na série “Two and a Half Man”, mergulhou no empreendedorismo com a marca Wild AF Brewing, que ainda não foi lançada, mas já aceita pedidos sob encomenda em seu site.

A cerveja de Sheen é descrita como uma Cold Gold, uma bebida dourada que promete ser leve, refrescante e acessível — e sem álcool. Isso porque Sheen tem um longo histórico de dependência alcoólica e abuso de drogas. O que não o impede de empreender no setor.

Em um vídeo promocional, Charlie Sheen diz que muita coisa mudou, mas o amor dele por uma boa cerveja permanecia o mesmo. “Por isso, eu fiz a minha própria.”

Embora seja uma cerveja sem álcool, o foco do produto está na qualidade e no sabor que, segundo a marca, superam as opções convencionais não alcoólicas do mercado.

A pré-venda está disponível no site. O fardo com 12 cervejas estava saindo por US$ 13,99 em meados de outubro, sem contar o frete. O valor convertido em real é de R$ 74, em uma cotação de dólar a R$ 5,29.

John Mulaney e a Years

Já o comediante e ator John Mulaney se uniu à marca Years em 2024 como co-proprietário. A cervejaria já oferece um leque de estilos bem estabelecidos, como Pilsner, Pale Ale e Witbier, e também segue a linha de bebidas não-alcoólicas.

John Mulaney utiliza o humor e sua história pública de recuperação contra o vício em álcool e outras drogas para conferir à marca um tom de autenticidade e propósito, destacando a leveza e a facilidade de consumo dos seus rótulos.

No site da Years, é possível comprar as cervejas de John Mulaney. Um pacote com seis unidades também sai por US$ 13,99. O site também vende moletons, camisetas, bonés e outros produtos com a logomarca Years.

Confiança e impacto nas vendas

O engajamento desses atores no segmento de bebidas se deu por uma ligação pessoal com os produtos não-alcoólicos, e a busca por produtos de qualidade que atendessem ao paladar deles, de acordo com as divulgações nos sites.

Cervejas das marcas Bero, de Tom Holland, Wild, de Charlie Sheen e Years, de John Mulaney (Crédito: Divulgação)
Cervejas das marcas Bero, de Tom Holland, Wild, de Charlie Sheen e Years, de John Mulaney (Crédito: Divulgação)

Mas, a pergunta que fica é: o envolvimento de celebridades, como esses atores, realmente se traduz em confiança e vendas?

De acordo com a consultoria IWSR (analista de mercado de bebidas), o apoio de figuras públicas de alto perfil confere credibilidade e ressonância às marcas de bebidas.

Nos casos de Sheen e Mulaney, a autenticidade é amplificada pelo fato de suas marcas de cerveja zero álcool se alinharem com suas narrativas pessoais de sobriedade, gerando uma confiança baseada na identificação e no propósito.

Embora os números de vendas específicas dessas novas marcas sejam sigilosos, o impacto da influência das celebridades no mercado de bebidas como um todo é inegável. A IWSR e outros analistas apontam que marcas apoiadas por celebridades tendem a capturar a atenção do mercado mais rapidamente, e a superar o crescimento médio do setor em suas categorias.

A combinação do alcance midiático dos atores com a tendência de consumo consciente contribui para um crescimento significativo. A crescente popularidade do segmento não alcoólico, que globalmente é projetado para continuar em expansão, fornece o cenário perfeito para que esses investimentos tenham retornos robustos.

No Brasil, a produção de cervejas não-alcoólicas também têm crescido exponencialmente, o que reflete a demanda e a boa aderência do público consumidor. Dados do Anuário da Cerveja 2025 apontam um aumento de 536,9% no volume de produção de cervejas sem álcool ou desalcoolizada. A produção foi de 118,9 milhões de litros em 2023 (apenas 0,8% do volume de cerveja produzida no ano) para 757,4 milhões de litros em 2024 (4,9% do total).

Me dê motivos: se o copo ainda tá cheio, por que parece que falta alguma coisa?

Já faz tempo que eu tenho me perguntado: onde foi parar aquele lugar especial da cerveja que a gente gostava tanto? Tô falando daquele lugar simples, com tempo livre, risadas altas e companhia leve. O boteco de confiança. A casa de uma pessoa amiga. Aquele balcão que segura o papo e o copo enquanto a conversa flui, a cerveja desce e o tempo passa no seu próprio tempo. Um lugar simbólico que, aos poucos, parece que tá sumindo do mapa.

É louco pensar que, enquanto olho saudoso para trás, hoje tem gente morrendo justamente porque saiu para buscar momentos de celebração como esses. E encontrou bebida adulterada. A Geração Z, por outro lado, nem quer beber: prefere moderação como status e performance como símbolo. No meio disso tudo, a indústria discute reforma tributária, celebra crescimento sem comentar fechamento de fábricas, e inventa novos produtos, apostando que o encontro, a confiança e o afeto ainda estão à mesa. Parece que sim, mas o contexto tá mudando.

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Em um dos mercados mais tradicionais do mundo, o alemão, são produzidos mais de 800 tipos de cerveja sem álcool. Mesmo assim, já tem gente sentenciando: com a queda drástica no consumo e a falta de paixão da Gen Z pela bebida, as cervejarias alemãs podem simplesmente desaparecer no futuro. No Brasil, as grandes já entenderam o recado e correm atrás com lançamentos que tentam oferecer opções mais leves, sem álcool ou que provoquem novos paladares. As pequenas tentam seguir a tendência enquanto lutam para se manterem.

Mas será que é só isso que o público quer? O que tá em xeque é o teor alcoólico ou o significado do copo? Dá para dizer que o problema não é beber, pois sede não falta. Uma pista pode estar no porquê beber. A cerveja artesanal flertou com a soberba e virou experiência de luxo, que ainda exclui o povão apaixonado e afasta quem não engole o hype. É gente que quer honestidade, que não abre mão do corpo pela bebida. Talvez eles estejam certos, a gente é que não entendeu o recado.

Parece que não é a cerveja que está sumindo, mas um pouco do velho ritual. Aquele que comentei no começo do texto, sabe? Que pede o tempo de parar, de escutar antes da selfie. O brinde sem post. Aliás, tenho experimentado mais bebidas em off do que quando publicava fotos das degustações no Instagram. Já fez esse teste?

“O papo aqui é sobre reconectar o que ainda faz sentido: estar junto, sem pressa, com ou sem álcool no copo”

Pensando bem, parece que a gente correu tanto para aparecer que esqueceu de estar presente. Aquela presença que não precisa de engajamento, só de atenção. Mas ainda vejo um copo americano suado e meio cheio, do lado de uma cerveja de garrafa clássica em cima de um balcão molhado. Berço da bebida que acolhe em vez de impressionar. Ainda tem lugar para cerveja. Aquela que serve de companhia silenciosa numa tarde reflexiva, ou é apenas mais uma ouvinte numa mesa que fala por si.

Mas vamos precisar de muita gente para resgatar esse espírito: produtores, bares, comunicadores, marcas, você que me lê aqui no Guia. E não tô falando de voltar ao passado. O papo aqui é sobre reconectar o que ainda faz sentido: estar junto, sem pressa, com ou sem álcool no copo. Não tem “Gen” que resista a isso. Claro, vai demorar. Mas entre umas e outras, a gente pode tentar. Bora?


Eduardo Sena é publicitário, entusiasta cervejeiro, podcaster e agitador etílico-cultural. Com mais de 20 anos de experiência como criativo, é diretor de conteúdo do Hora do Gole HUB — plataforma que conecta cerveja, cultura, equidade e criatividade. Também colabora como estrategista e criativo para outras marcas.


* Este é um texto opinativo. As opiniões contidas nele não refletem necessariamente a opinião do Guia da Cerveja.

Menu Degustação: IPA Day Brasil acontece neste sábado

O festival IPA Day Brasil acontece no próximo sábado (22) no Espaço Bella Città, em Ribeirão Preto (SP). Mas já tem muito “hop-head” ansioso com a expectativa. Além do número de rótulos — serão 40, que poderão ser degustados em formato de open bar —, chama a atenção a variedade de estilos de IPA que estarão presentes. Serão New Englands, Blacks, Americans, Sessions, West Coasts e muito mais.

“Cada cervejaria traduz a IPA à sua maneira. Umas priorizam aroma e leveza, outras a potência do amargor e até a complexidade dos maltes especiais. Isso mostra como o público brasileiro amadureceu e está aberto a ver a cerveja como gastronomia”, explica Rafa Moschetta, organizador do IPA Day Brasil.

O evento é realizado desde 2012 e deve reunir mais de 1,5 mil pessoas este ano. Também vão haver diversas opções de alimentação e três palcos com música ao vivo de vários gêneros diferentes. Os ingressos já estão disponíveis na plataforma Eventiza.

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Festival da Cultura Cervejeira Artesanal movimenta Curitiba

Curitiba recebe neste sábado (15) e domingo (16) a sétima edição do Festival da Cultura Cervejeira Artesanal (FCCA), em um evento gratuito na Praça Afonso Botelho, no bairro Água Verde. A programação vai das 11h às 22h no primeiro dia e até as 20h no domingo, reunindo 31 cervejarias do Paraná, mais de 150 torneiras de chope, operações gastronômicas e atividades culturais para toda a família — de skate a área kids.

O festival ainda terá workshops gratuitos sobre harmonização e degustação, além de 11 horas de shows com repertórios que vão de surf music a tributo a Bob Marley. Mais informação sobre o evento no perfil oficial do Instagram.

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Ignorus leva 10 chopes ao Festival da Cultura Cervejeira Artesanal

Festival da Cultura Cervejeira Artesanal terá mais de 150 torneiras de chope, opções gastronômicas e muita música (Crédito: João Moraes / FCCA)
Festival da Cultura Cervejeira Artesanal terá mais de 150 torneiras de chope, opções gastronômicas e muita música (Crédito: João Moraes / FCCA)

A Ignorus Cervejaria — que já participou de reportagem aqui no Guia da Cerveja — é uma das participantes do Festival da Cultura Cervejeira Artesanal. Ela levará dez chopes que vão das versões limitadas da Potente Pérola Negra — Coco Queimado e Caramelo Salgado, ambas com 12,5% de álcool — à Triple IPA Madame Satã (10% e 100 IBU), além da Mutum Cavalo IPA e quatro Imperial Sours com frutas brasileiras. O line-up inclui ainda a Imperial Stout Knocker Upper, feita com café Diamante da Chapada e marshmallow. Para o sócio Marcelo Popi, o evento é chance de conversar com o público e conhecer o que outras cervejarias estão produzindo.

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Festival de cerveja e churrasco agita Santos

O 2º Ingleses Beer & BBQ acontece nos dias 29 e 30 de novembro, das 12h às 22h, no Clube dos Ingleses, em Santos (SP). O evento reúne sete cervejarias artesanais do litoral paulista, churrasqueiros renomados e uma ampla programação musical com bandas locais. O espaço também terá parque infantil de 500 m² e ação social em prol da Creche Nayla. Ingressos estão à venda na secretaria do clube e pela plataforma Black Pass.

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Therezópolis traz de volta a Witbier OrBlanc

A Therezópolis anunciou o retorno da sua Witbier OrBlanc ao portfólio, agora em versões lata e long neck. Descontinuado em 2023, o rótulo volta ao mercado como opção leve e frutada, ideal para os dias quentes. Segundo o mestre cervejeiro Gabriel di Martino, da Coca-Cola FEMSA Brasil, o relançamento foi motivado pelo sucesso da Session IPA. A marca também amplia o portfólio da Rubine Bock, agora disponível em long neck, após conquistar medalha de ouro no World Beer Awards 2025.

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Chopp Brahma renova bares e lança Chopperia Nº1

A Brahma reformula seus bares e quiosques em todo o país com o projeto Chopperia Nº1, que une tradição e modernidade. O novo conceito, parte da campanha “Pelos Bares”, traz design inspirado nos clássicos botecos brasileiros, com azulejos brancos, letreiros em neon e chopeiras douradas. Algumas unidades terão sistema de autosserviço de chopp, reforçando o clima boêmio e o papel da marca como símbolo cultural. O rebranding consolida a Brahma no portfólio premium da Ambev, que lidera o segmento com 50% de participação.

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Caçada Bud ao super fã

A Budweiser iniciou em São Paulo a busca pelos “super fãs” do Maroon 5 para um show exclusivo da banda no dia 5 de dezembro. A seletiva acontece neste domingo (16), no Pavilhão das Culturas Brasileiras, no Parque Ibirapuera, e exige apenas inscrição prévia no site oficial e chegada cedo, já que as vagas são limitadas. No evento, os participantes encaram desafios e dinâmicas sobre a banda; os selecionados, divulgados em até dez dias úteis, ganham um par de ingressos. A marca também abriu chances para fãs de todo o país por meio de um sorteio no app Zé Delivery, com participação até 24 de novembro. Regulamento e detalhes estão no app e nas redes sociais da Budweiser (budweiser_br).

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Grupo Petrópolis lança ReCiclo

O Grupo Petrópolis lançou o ReCiclo, um triciclo 100% elétrico que coleta e tritura garrafas de vidro para reciclagem. O projeto, desenvolvido em parceria com a Universidade Presbiteriana Mackenzie e o SENAI-PE, será apresentado na COP30 em Belém (PA) e tem capacidade para triturar até 500 kg de vidro por viagem. O equipamento reduz o descarte irregular, aumenta a renda de cooperativas e ajuda a combater a reutilização ilegal de garrafas. Com um app de rastreabilidade exclusivo, o ReCiclo integra o programa de circularidade do vidro da empresa.

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Stella Artois firma parceria com o MASP

Parceria entre Stella Artois e o Museu de Arte de São Paulo (MASP) teve início com a Festa Masp 2025 (Crédito: Giovanna Shirassu / Ambev)
Parceria entre Stella Artois e o Museu de Arte de São Paulo (MASP) teve início com a Festa Masp 2025 (Crédito: Giovanna Shirassu / Ambev)

A Festa MASP 2025 marcou o anúncio da nova parceria entre o museu e Stella Artois. A união inclui o patrocínio das próximas edições do Esquenta MASP, evento exclusivo para a rede de Amigos MASP, e pretende fortalecer a conexão entre cerveja, cultura e criatividade. A noite, que celebrou o encontro entre moda e arte, contou com presenças como Silvia Braz e Chico Lachowski, parceiros da marca. Segundo a diretora de marketing Mariana Dedivitis, a ideia é valorizar a produção artística e posicionar Stella em espaços aspiracionais. O movimento também acompanha a expansão da Stella Pure Gold, versão com menos calorias e sem glúten, que já responde por 30% do volume da marca e impulsiona o segmento de “balanced choices”, um dos pilares da estratégia premium da Ambev.

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Sara Araújo é voz que luta contra o racismo e pelo livre conhecimento cervejeiro

Sara Araújo, a voz por trás do perfil de Instagram “Negra Sommelier”, é muito mais do que a figura central em um episódio de racismo e misoginia que chocou o setor cervejeiro em 2020. Sua trajetória marca como a educação é um importante motor de transformação e de resistência na luta incansável de uma mulher negra que desafiou estruturas de violência e exclusão. Sara é a soma de múltiplas camadas, que incluem a figura de mãe, acadêmica, servidora pública, sommelière e ativista.

Do quilombo urbano às mudanças de cidade

Sara de Jesus Araújo completa 48 anos em novembro. Ela nasceu em Salvador (BA) em 1977, e passou a primeira infância no bairro de Beiru — um quilombo urbano que se transformou em uma área periférica da capital baiana. 

Sua mãe, Rita de Cássia, uma mulher preta e retinta segundo a própria Sara, teve uma vida de privações: foi forçada a ser trabalhadora doméstica aos 8 anos após perder a mãe em um incêndio. Trabalhou em casas de família até a juventude. Enfrentou a falta de responsabilidade dos companheiros de vida, que a abandonaram com as crianças — primeiro, foi o pai do irmão de Sara e, depois, o pai de Sara. Ela teve que construir a vida lidando sozinha com dificuldades, tendo apoio de uma irmã, que vendia doces de tabuleiro.

Sara cresceu observando a força das mulheres à sua volta, em um ambiente de extrema precarização que desvalorizava os saberes. Ela conta que enfrentou diversas violências, incluindo a falta de acesso à escola e à comida. “A fome foi minha companheira por muito tempo”, relembra.

Trabalho precoce e o poder da educação

As dificuldades moldaram a resiliência de Sara. Aos 8 anos, já morando em Paraguaçu, ela começou a trabalhar vendendo os doces tradicionais baianos — como bolo, banana-real e cavaquinho —, que eram feitos por sua mãe. “Eu andava aquela cidade inteira todos os dias vendendo os doces para poder levar dinheiro para casa”, diz.

Aos 12 anos, mudou-se para Bauru, no interior de São Paulo, e começou a trabalhar como empregada doméstica e babá. Foi na casa dos “patrões” que ela viu a educação como uma ferramenta primordial de ascensão e valorização pessoal. “Minha mãe não teve acesso à escola. Eu via os filhos das patroas crescendo pela educação, e percebi que a educação tinha um poder”, conta.

Aos 14 anos, Sara Araújo retomou os estudos na quarta série, fazendo supletivo à noite, enquanto “trabalhava e morava no serviço”, atuando como empregada doméstica. 

Após a separação do pai de seu filho, Sara voltou a trabalhar como doméstica e prestou concurso. Foi aprovada na prefeitura de Bauru, onde trabalhou por quase 10 anos vendendo cartões de Área Azul, usados para estacionamento nas áreas delimitadas pela prefeitura.

Sara veio do quilombo para a cidade, cresceu na edução e chegou ao meio cervejeiro (Foto: Arquivo Pessoal)
Sara veio do quilombo para a cidade, cresceu na edução e chegou ao meio cervejeiro (Foto: Arquivo Pessoal)

Foi nesta época que ela desenvolveu uma militância ativa pela educação, reunindo amigos em sua garagem aos finais de semana para estudar para o vestibular. Era sua única via para ela, a educação era um “motor de transformação”.

Graduação e a luta contra o preconceito aos cotistas

O sonho de fazer faculdade se realizou em 2007, quando Sara Araújo foi aprovada em Direito por meio do ProUni (Programa Universidade Para Todos), que concede bolsa de estudo em faculdades particulares. Sara conseguiu o benefício de 100% em uma das faculdades mais elitizadas de Bauru. 

Poderia ser o início de uma vivência baseada na construção do conhecimento e do respeito mútuo, enriquecido pela troca de ideias. Mas, o Brasil não é para amadores. A experiência foi violenta, com professores e colegas reproduzindo preconceitos. Sara conta que ouvia com bastante frequência que, já que ela havia entrado por cotas na universidade, seria barrada no exame de proficiência da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), que não tinha políticas de inclusão na época. 

Sara reagiu. Sua única arma era o estudo. Ela se formou em 2012 e provou que todos estavam errados quando passou na prova mais difícil dentro da OAB — direito tributário. “Optei por fazer Direito Tributário porque eu sabia que era o Direito mais difícil de alguém acertar e passar. E eu fiz, e eu passei. Só para mostrar para aquelas pessoas que elas estavam totalmente equivocadas e erradas”, pontua.

A graduação foi marcada por desafios. Ela, por vezes, tinha que levar o filho para as aulas quando não tinha com quem deixar. “Quando eu não tinha ninguém para ficar com meu filho, levava meu filho e dizia ao professor ‘eu preciso assistir essa aula’. Meu filho, uma criança de 10 anos, cansada, querendo dormir, e ficava ali comigo, firme, colorindo os cadernos”, relembra. 

E, como se uma graduação em Direito já não fosse suficiente, Sara começou uma nova faculdade em 2016. Desta vez, com um gostinho especial. Entrou no curso de Ciências Sociais na UEM (Universidade Estadual de Maringá), a mesma universidade e no mesmo vestibular em que seu filho, Luiz Felipe, foi aprovado em Direito. Hoje ele tem 28 anos, está formado e já concluiu três pós-graduações.

Essa luta pela educação e mobilidade social rendeu-lhe o Prêmio Zumbi dos Palmares em 2017. Em 2023, publicou um artigo em co-autoria com o filho Luiz na antologia “Quando o racismo bate à porta”.

O olhar sociológico de Sara Araújo

A atuação profissional de Sara se estende à Defensoria Pública de Maringá, no Paraná, onde trabalha como servidora há quase 10 anos. Seu trabalho na área de Direito de Família exige conciliação e diálogo, o que desmente as críticas de ser “agressiva” no meio cervejeiro.

Mestranda em Ciências Sociais, Sara possui uma visão aprofundada do racismo estrutural, definindo-o como a “tecnologia do marcador da diferença no Brasil”. 

O corpo preto no mundo da cerveja

Foi em meio à luta diária e aos trabalhos em bares aos finais de semana para complementar renda, que Sara Araújo se aproximou do universo cervejeiro.

Mas, em março de 2018, ao participar de um festival de cerveja em Maringá, ela foi muito maltratada, em um contexto em que ela identificou o racismo em pura forma.

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“Era um festival caro, o ingresso dava direito a uma pulseira e um copo. O resto, tudo tinha que comprar lá. E eu comprei dois ingressos, fui com meu filho [que nesta época já era maior de idade]”, conta. 

“Em um dado momento, fui pegar uma cerveja para a gente. Pedi a carta, vi um nome legal, e falei pro rapaz: Ah, eu quero uma IPA [com a pronúncia em português, ípa]. Ele falou ‘não é IPA [em português], é I.P.A [na pronúncia em inglês, ‘ai pi ai’]. Eu perguntei: o que é ‘ai-pi-ai’? Ele não explicou. Super grosso, sabe? Ali já deu um desânimo gigante. Como nunca tinha tomado, eu pedi dois copos, para mim e meu filho. Nisso, chegou um casal branco e perguntou a mesma coisa. Ele começou a dar uma aula para a mulher, super gentil, super doce. Eu fiquei sem acreditar no que estava ouvindo e vendo”, relembra. 

“A primeira leitura que fiz, foi que ele era ogro e machista. Mas, no momento em que foi simpático com a moça branca, eu entendi que não se trava de machismo, só. Ali, no meu caso, se trava de racismo.”

Ela relembra que ficou ruminando o episódio durante muito tempo. O filho dela, vendo aquela cena, sugeriu: “Mãe, você gosta de tomar cerveja, você gosta de cozinhar, você gosta de contar história, gosta de literatura. Por que você não faz no Instagram e mistura tudo isso? É sua cara”, falou.

O choque do que viveu no festival a motivou a abrir a página de Instagram e a fazer o curso de sommelier de cerveja. Para ela, o conhecimento era inegociável: “Entendi que o conhecimento é algo que ninguém tira de você. Comecei a fazer rifa para pagar o curso porque o custo era alto”.

Formada em Direito, graduada e mestranda em Ciências Sociais, Sara nunca deixou de estudar por conhecer o poder da educação (Foto: Arquivo Pessoal)
Formada em Direito, graduada e mestranda em Ciências Sociais, Sara nunca deixou de estudar por conhecer o poder da educação (Foto: Arquivo Pessoal)

Seu objetivo era que outras pessoas negras tivessem autonomia e dignidade, buscando que elas “tivessem autonomia para escolher, tivessem autonomia para chegar e pedir e que elas não fossem ridicularizadas”. “Não quero ninguém me negando informação por conta de que meu corpo é preto”, afirma.

Ela conta que sua luta é contra o epistemicídio e a invalidação do conhecimento negro. E lamenta que a sociedade avance pouco, vendo o movimento do Black Lives Matter, em que muitos mudaram seus ícones nas redes sociais por “tela preta” em 2020, como “puro hype”. 

Saberes ancestrais

Sara também questiona a academia, afirmando que ela “deforma o conhecimento, quando há muito saber no terreiro, no quilombo, na periferia, onde a vida é mais dura”, o que não é valorizado pelas universidades, por exemplo.

Ela conta que, apesar de suas duas graduações, pós-graduação e mestrado, Sara era frequentemente convidada para palestras onde pediam “contação de caso”, retirando o valor de seu conhecimento teórico. 

Ela também sofreu resistência por se posicionar. E lamenta que quando uma mulher negra se manifesta, sua voz “vira um corpo marcado” e ela é taxada de “autoritária”. 

Diante de toda a violência, sua arma é o conhecimento. “A minha palavra, a minha arma são os livros, a minha arma é não me deixar cooptar por essa violência”. 

Sara segue no mestrado e em sua luta diária contra o racismo, construindo um caminho único que enriquece o país.

Qual a cerveja menos calórica? Veja um infográfico com ranking de 12 opções

A busca por um estilo de vida mais equilibrado e saudável está fazendo com que cresça o número de cervejas de baixa caloria no mercado. Mas qual é a cerveja menos calórica? O que influencia na conta para definir o número de calorias? Existe alguma cerveja que não engorda? O Guia da Cerveja foi atrás dessas respostas. Além disso, a reportagem preparou um infográfico com um ranking de 12 opções para você escolher a sua. Confira!

O que é uma cerveja de baixa caloria?

Para entender de onde vem as calorias de uma cerveja, é necessário saber que cerveja é basicamente feita de amidos e açúcares. Esses carboidratos vem, em geral, do malte de cevada ou de adjuntos cervejeiros. E eles passam por uma fermentação com uma levedura (microrganismo unicelular, como o fermento biológico de pão), que os transforma em álcool e dióxido de carbono (CO2). Ou seja, em cerveja.

Mas nem todos os carboidratos são fermentados. Usualmente, entre 20% e 30% permanecem na bebida.

O álcool gerado pela fermentação e esses “açúcares” que ficam na bebida são os fatores mais calóricos. Porém, em diferentes proporções. Cada grama de carboidrato se converte no nosso organismo em 4 quilocalorias (kcal). Achou muito? Cada grama de álcool vira 7 kcal no nosso corpo.

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Então, quanto mais “doce” ou mais alcoólica for a cerveja, mais calórica ela é. E isso é essencial para determinar qual é a cerveja menos calórica.

Cervejas de baixa caloria são aquelas que tem redução de calorias porque algum desses componentes foi diminuído. Ou ambos. Em geral, uma cerveja comum tem cerca de 140 kcal em uma lata de 350 ml, ou seja, 40 kcal por 100 ml de produto.

Cerveja low carb, sem álcool e zero

Cerveja low carb é aquela em que os carboidratos finais foram diminuídos para gerar menos calorias. Não há ainda na legislação brasileira uma definição de quantos carboidratos deve ter esse tipo de bebida. Mas, em geral, trata-se de menos de 5 gramas de carboidratos por 100 ml.

Outra forma de produzir cervejas pouco calóricas é retirando o álcool. E este é um mercado que está crescendo muito. Segundo o Anuário da Cerveja 2025, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), houve um aumento de 536,9% no volume de produção de cerveja sem álcool ou desalcoolizadas no país em 2024.

Pela legislação brasileira, cerveja sem álcool é aquela com menos de 0,5% de teor alcoólico. Já as cervejas zero álcool, ou 0,0%, são aquelas com menos de 0,05%, ou seja, uma quantidade realmente ínfima.

Qual a cerveja menos calórica, afinal?

Qual a cerveja menos calórica? Confira o infográrico

(Não consegue visualizar o infográfico? Clique aqui para ver diretamente na imagem)

O número hoje de cervejas com calorias reduzidas disponíveis no mercado é muito grande. Não seria possível elaborar uma lista exaustiva. Mas a equipe do Guia pesquisou 12 opções de cerveja que, juntas, podem dar uma dimensão da quantidade de calorias de diferentes grupos de cerveja.

As informações das embalagens e dos sites oficiais formaram a base de dados, que foram comparados usando a medida de kcal por 100 ml de produto. Foram incluídas tanto marcas low carb quanto de cervejas sem álcool e zero álcool, de grandes indústrias e cervejarias artesanais.

O infográfico (em modelo de gráfico de dispersão num plano cartesiano) foi feito para facilitar a visualização das informações. Enquanto no eixo horizontal há uma escala de quilocalorias por 100 ml (kcal/100 ml), no vertical está a régua de teor alcoólico, sempre do menor para o maior valor. Ou seja, quanto mais à esquerda do gráfico a cerveja está, menos calorias ela tem.

Duas das cervejas da lista são marcas regulares (Heineken e Skol), que foram incluídas para servirem como um padrão de comparação. Ambas têm 42 kcal/100 ml e ficaram próximas ao centro do gráfico.

Mais calórica que elas há somente uma: Wienbier 59 IPA, uma cerveja artesanal do estilo India Pale Ale (IPA). Ela também serve como referência para dar a proporção de quanto um maior teor alcoólico, típico desse estilo, impacta em calorias. Fabricada pela Cervejaria NewAge, da cidade de Leme, no interior de São Paulo, ela tem 7% de álcool e 71 kcal por 100 ml.

Visualmente, é fácil identificar dois grupos: o das cervejas low carb e o das cervejas sem e zero álcool.

8ª colocação — Stella Artoir Pure Gold

A Stella Artois Pure Gold, versão sem glúten e menos calórica que a tradicional, ficou com a 8ª posição. Lançada em 2023, é uma cerveja de paladar leve, notas suaves de malte e lúpulo, que tem 34 kcal por 100 ml, o que soma 119 kcal por lata de 350 ml. Possui 4,3% de teor alcoólico.

7ª — Amstel Ultra

A Amstel Ultra foi lançada em 2021 pelo Grupo Heineken. É a versão leve da marca holandesa que aposta no público que busca uma cerveja mais suave sem abrir mão do sabor. Com 5% de teor alcoólico, 2,7 gramas de carboidrato por 100 ml, sem glúten e menos calórica do que as Lagers tradicionais, ela tem um perfil refrescante e fácil de beber.

6ª — Michelob Ultra

A marca americana Michelob Ultra chegou ao Brasil em 2021 pela Ambev. É uma low carb de apenas 2,4 gramas de carboidrato por 100 ml e 3,5% de álcool. Esse teor alcoólico mais baixo com certeza influenciou para o rótulo chegar na marca de 25,76 kcal/100 ml.

5ª — Heineken 0.0%

A Heineken 0.0% chegou com força no mercado brasileiro em 2020 e impactou o mercado, influenciando o crescimento da cerveja sem álcool no país. Ela tem somente 69 quilocalorias por long neck (330 ml), ou seja, 21 kcal/100 ml.

4ª — Budweiser Zero

A Budweiser zero chega a 19,71 kcal/100 ml e fica com a quarta posição do ranking. Assim como as demais cervejas zero, ela passa por um processo de dealcolização depois de pronta, tecnologia que garante quantidades irrisórias de álcool (abaixo de 0,05%).

3ª — Campinas IPA Zero

É possível fazer cervejas sem álcool de outros estilos? Sem dúvida. E a Campinas IPA Zero, da Cervejaria Campinas, do interior paulista, é uma das mais premiadas do Brasil. Conquistou ouro e o título “Country Winner Brazil” no World Beer Awards em 2021 e 2022, entre outros prêmios. Com 40 IBU (unidades de amargor, numa escala de zero a cem), é uma IPA que não deve em nada para as versões com álcool. Traz amargor acentuado e é muito aromática, tendo triplo dry-hopping com lúpulos Citra e Sabro. O corpo é leve e tem apenas 19,15 kcal/100 ml.

2ª — Corona Zero e Sol Zero

No segundo lugar ficaram empatadas as marcas Corona Zero, da Ambev, e Sol Zero, do Grupo Heineken. Ambas com 15 kcal/100 ml. A primeiro chegou ao Brasil em 2022 e conquistou o público com sua marca focada na natureza, praia e lazer. A segunda foi lançada em 2024, e traz adição de vitaminas B e D na composição.

1ª — Sim! Cerveja — Pilsen

Recém lançada pela Sim! Cerveja, a Pilsen veio para completar o portfólio da marca de Campinas (SP), especializada em cervejas artesanais sem álcool. Ela tem impressionantes 11 kcal/100 ml, número bastante. Ela consegue chegar nesse nível por não ter álcool e por ter uma baixíssima quantidade de carboidratos residuais: 2,6 g/100 ml.

Somente este ano, a Sim! Cerveja foi premiada em dois importantes concursos de cerveja internacionais. O rótulo Melancia Sour n’ Salt foi eleito a melhor do mundo em sua categoria no World Beer Cup, e a IPA Sem Álcool ganhou como melhor do mundo no World Beer Awards 2025.

Confira o ranking completo da cerveja menos calórica

ColocaçãoMarcaKcal por 100 mlTeor alcoólico
10ªWienbier 59 IPA717,0%
9ªHeineken425,0%
9ªSkol424,7%
8ªStella Artois Pure Gold344,3%
7ªAmstel Ultra26,184,0%
6ªMichelob Ultra25,763,5%
5ªHeineken 0,0%210,0%
4ªBudweiser Zero19,710,0%
3ªCampinas IPA Zero19,150,4%
2ªCorona Zero150,0%
2ªSol Zero150,0%
1ªSim! Cerveja— Pilsen110,3%

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Artigo: Consumo moderado e ciência — o que era ontem, não é mais hoje

O que era ontem, não é mais hoje. E isso é normal em ciência. A ciência não aparece como uma verdade única, estagnada. Ela é um caminho dinâmico pavimentado sobre a discussão de cada nova evidência encontrada a partir da discussão científica, um espaço sempre aberto para a opinião contrária.

No método científico, revemos as descobertas sob outro olhar do que ali está. Novas técnicas de mensuração, aparelhos mais sensíveis e modernos, outras perspectivas sobre o mesmo problema. Tudo isso enriquece a discussão, desde que esteja focada nas evidências científicas e distantes das opiniões pessoais.

Graças a este método, o ovo ganhou seus ares de bom moço na saúde, promovemos o exoplaneta K12-18b a planeta com maior probabilidade de apresentar vida fora da Terra, previmos, na década de 1970, o aquecimento global que desafia a agricultura mundial e as plantações de lúpulo. E é assim também que estão surgindo evidências robustas, como se diz no jargão científico, sobre os efeitos do consumo moderado de cerveja artesanal na saúde humana.

Desde 2011, me dedico a entender os efeitos do consumo moderado de cerveja artesanal em diferentes doenças. Neste tempo, observamos um efeito protetor antioxidante surpreendente para o fígado[i] e indícios de redução do risco de câncer[ii], entre outras novidades que em breve serão publicadas. Estes dados confirmam os resultados de artigos epidemiológicos (aqueles que analisam grandes amostras) em humanos, publicados a partir de 2011[iii],[iv], e que observaram como efeito deste consumo a diminuição no risco de doenças cardiovasculares, o câncer e a diabetes tipo 2.

Por isso, no início de 2023, fui pego de surpresa quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) veio a público divulgar os resultados de um artigo[v] recém-publicado na época, confirmando a inexistência do consumo seguro de bebidas alcoólicas em qualquer quantidade em razão do aumento do risco de câncer. E quando a OMS fala temos que ouvir atentamente por sua inestimável importância para a saúde mundial.

Enquanto tentava encontrar erros no meu próprio trabalho, tive acesso ao artigo citado pela OMS. E me surpreendi pela segunda vez. O artigo demonstra que não existe uma correlação entre o consumo moderado de cerveja e aumento de risco de mortalidade por qualquer causa, contradizendo a afirmação inicial da OMS, mas, ao mesmo tempo, sustentando nossos achados recentes sobre possíveis efeitos benéficos deste consumo.

Literalmente os autores deste estudo dizem “There was a nonsignificantly increased risk of all-cause mortality among drinkers who drank 25 to 44 g per day…” (traduzindo, houve um risco aumentado não significativo de mortalidade por todas as causas entre os bebedores que beberam 25 a 44 g por dia). Para os leitores atentos e pesquisadores de plantão: sabemos que um “aumento não significativo” em estatística significa que esse aumento não significa um aumento real e, portanto, não existe. Não é à toa que este artigo estampa os momentos finais das minhas palestras sobre o assunto como um grand finale. 

Em resumo, o efeito benéfico do consumo moderado de cerveja artesanal não pode ser descartado. Muitas pesquisas ainda são necessárias para batermos o martelo, principalmente pesquisa clínicas (aquelas feitas com pessoas). Mas este artigo, o mais robusto e abrangente, reunindo 41 anos de publicações científicas sobre este assunto, se tornou mais uma evidência da vantagem de se ter como hábito não ultrapassar a barreira dos 44g de etanol por dia (que equivalem a 2 copos de 300mL diários para homens e um copo diário para mulheres de uma cerveja com 4,5% de álcool), que caracteriza o consumo moderado.

“Em resumo, o efeito benéfico do consumo moderado de cerveja artesanal não pode ser descartado. Muitas pesquisas ainda são necessárias para batermos o martelo, principalmente pesquisa clínicas”

Finalmente, precisamos de mais estudos para aprofundar o entendimento destes efeitos em humanos e ter a noção exata dos mecanismos que permitem observarmos estes efeitos. Para isso, é fundamental que as políticas públicas de financiamento de pesquisa no Brasil sejam mantidas e aumentadas, pois historicamente para qualquer setor produtivo, o aumento da economia depende diretamente do quanto se sabe sobre o que é produzido. Não é à toa que os países mais desenvolvidos são aqueles que mais investem na balbúrdia acadêmica. Então, que a gente invista sem moderação em pesquisa, mas sempre bebendo com moderação.

*Glauco Caon é autor do livro ”Saúde: uma viagem científica pelos efeitos da cerveja no corpo humano“, publicado pela Editora Krater. Formado em biologia, possui mestrado e doutorado em fisiologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), onde também é professor no programa de pós-graduação em Fisiologia.


[i] Caon et al. (2021). Moderate beer consumption promotes silymarin-like redox status without affecting the liver integrity in vivo. Food Bioscience. DOI: 10.1016/j.fbio.2021.101307.

[ii] Kindermann et al. (2024). Moderate India Pale Ale beer consumption promotes antigenotoxic and non-mutagenic effects in ex vivo and in vivo mice models. Journal of the Science of Food and Agriculture. DOI: 10.1002/jsfa.13726

[iii] Costanzo et al. (2011). Wine, beer or spirit drinking in relation to fatal and non-fatal cardiovascular events: A meta-analysis. European Journal of Epidemiology. DOI: 10.1007/s10654-011-9631-0.

[iv] Li et al. (2020). Healthy lifestyle and life expectancy free of cancer, cardiovascular disease, and type 2 diabetes: prospective cohort study. British Medical Journal. DOI: 10.1136/bmj.l6669.

[v] Zhao et al. (2023). Association between Daily Alcohol Intake and Risk of All-Cause Mortality: A Systematic Review and Meta-analyses. JAMA. DOI: 10.1001/jamanetworkopen.2023.6185.


* Este é um artigo de opinativo. As opiniões contidas nele não refletem necessariamente a opinião do Guia da Cerveja.

Brazilian International Beer Awards divulga a lista das cervejas premiadas

O Brazilian International Beer Awards (BBA) divulgou no domingo (9) a lista de cervejas premiadas. Esta foi a segunda edição do concurso, que ocorreu na cidade de Alagoinhas (BA), localizada cerca de 120 quilômetros da capital Salvador. Ao todo, foram distribuídas 327 medalhas (114 de ouro, 111 de prata e 102 de bronze) para cervejarias de 22 países diferentes. O evento reuniu 200 cervejarias de 43 países, com cerca de 1,5 mil amostras avaliadas por mais de 40 jurados internacionais de 20 nações.

Além das medalhas por estilos, o BBA também premiou as melhores cervejas por país, as cinco melhores cervejarias — definidas pela soma de pontos das medalhas conquistadas — e as melhores cervejas (Best of Show).

Duas cervejarias de Santa Catarina ficaram com os lugares mais altos do pódio. A Big Jack Cervejaria (SC) ficou com o primeiro lugar na somatória de medalhas, seguida pela Cervejaria Karsten (SC). A Cervejaria Salva (RS) ficou com a terceira colocação, com a  Cervejaria Turatti (CE) e a Cervejaria Três Santas (ES) logo após.

Dentre as cervejas premiadas, duas brasileiras ficaram no top 5 do Best of Show. Hank Bier Strong Dark, da cervejaria Hank Bier, do Paraná, ficou com a quarta colocação. Já a Minas Irish Stout, da Minas Bier Ltda., conquistou o quinto lugar.

A melhor cerveja do concurso, superando 1.467 concorrentes, foi da Áustria. Trata-se da Hofstettner Granitbock ICE, da Brauerei Hofstetten, uma Eisbock — cerveja feita por método de congelamento e retirada de água, que concentra o sabor e o álcool. Ela tem teor alcoólico de 11,5%.

O segundo lugar foi para a chinesa Sonhoshin German Style Wheat Beer, fabricada pela Beijing SonhosShin &Five Star Beer Co., de Pequim. Já a terceira colocação foi para a Colômbia, com a Hechicero Grut Beer, da ÖlBröder Cerveza Artesanal.

A lista completa cervejas premiadas pode ser acessada no site oficial.

Cervejas premiadas e parcerias

Realizado pela Sol Eventos, em parceria com a Prefeitura de Alagoinhas e a Secretaria de Turismo do Estado da Bahia (Setur-BA), e com patrocínio do Sebrae, o concurso teve momentos importantes também no que diz respeito a parcerias internacionais. Houve a assinatura de um termo de cooperação entre o BBA e o China International Beer Challenge (CBC). Outra parceria foi com a Copa Internacional La Pola Dorada, da Colômbia, que passa a integrar a Federação Internacional de Concursos Cervejeiros (IBCF).

Para o prefeito Gustavo Carmo, “o Brazilian International Beer Awards coloca Alagoinhas no mapa mundial da cerveja artesanal e solidifica a posição do município como a capital baiana da cerveja”. Gustavo analisa que o sucesso do evento “demonstra o potencial e a capacidade da cidade de sediar grandes eventos, fomentando o turismo, a cultura e movimentando a economia”.

“A assinatura do termo de cooperação com o China International Beer Challenge e a parceria com a La Pola Dorada, da Colômbia, são marcos que abrirão portas para novas oportunidades e fortalecerão ainda mais a cadeia produtiva da cerveja em nossa região”, destaca o secretário municipal de Cultura, Esporte e Turismo, João Henrique Paolilo.

Beber demais — ou nada — pode elevar risco de infecção bacteriana, indica estudo

Nem muito, nem pouco. Um estudo feito por pesquisadores da Universidade de Uppsala, na Suécia, encontrou uma relação curiosa entre o consumo de álcool e infecção bacteriana. Feito com mais de 58 mil pessoas e publicado na revista Scientific Reports — mesmo grupo editorial da revista Nature, uma das mais respeitadas publicações científicas do mundo —, ele mostra que tanto o consumo exagerado quanto o muito baixo podem ser associados a uma maior probabilidade de risco de desse tipo de doença. Enquanto o consumo moderado “não foi associado à infecção”.

Para ilustrar a questão, a pesquisa usa a descrição de uma curva em “J”, que mostra risco aumentado nos extremos. O artigo afirma também que os resultados, se replicados, sugerem que a redução do consumo de álcool pode diminuir a mortalidade por infecções bacterianas.

Os pesquisadores fizeram o estudo sobre álcool e saúde com 58.078 participantes ao longo de 23 anos. Durante este período, 23.035 foram diagnosticados com infecção e 4.030 morreram por causas associadas à infecção.

Como foi feita a pesquisa sobre infecção bacteriana

A pesquisa se propôs a investigar a associação entre o consumo de álcool e o risco de infecção bacteriana, e também quis definir qual era a dose de álcool necessária para o corpo desencadear alguma reação (dose-resposta).

Isso porque, segundo os pesquisadores, há um consenso de que o abuso de álcool é um fator que prejudica a imunidade e pode aumentar o risco de alguém desenvolver e até morrer por infecções bacterianas graves, como a sepse (infecção generalizada). Mas a análise do consumo moderado não está contemplada na maioria das pesquisas. O objetivo, então, era cobrir todos os níveis de doses e as respostas do organismo.

No início da pesquisa, em 1997, os pesquisadores pediram que os participantes respondessem a um questionário sobre estilo de vida. Desde então, eles acompanharam a saúde dessas pessoas por meio de informações de saúde disponíveis em registros nacionais. A idade mediana no início da pesquisa era de 59 anos, e 39,6% eram mulheres.

“Em comparação ao consumo de 5 a 10 g de álcool por dia, o consumo menor de 0,5 g/dia e o consumo maior de 30 g/dia foram ambos associados a um risco maior de adquirir infecção, internação em UTI e óbito por infecção, enquanto o consumo de álcool entre 5 e 30 g/dia não apresentou associação com a aquisição de infecção, internação em UTI ou óbito por infecção”, afirmam.

No artigo, os autores deixam claro que se trata de um estudo observacional e, portanto, não permite inferir causalidade. Ou seja, não é possível afirmar categoricamente que o consumo moderado diminui o risco de infecções.

O que é consumo moderado de álcool?

Não há um consenso mundial sobre o que seria o consumo moderado de álcool. A maioria das pesquisas científicas, no entanto, usa critérios muito próximo aos do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa). Para a organização, o consumo moderado é de até duas doses padrão por dia para homens e uma dose por dia para mulheres. E totalizando no máximo 14 doses por semana para homens e sete doses por semana para mulheres.

Uma dose padrão corresponde a cerca de 14 gramas de etanol puro, que equivale a 350 ml de cerveja, 150 ml de vinho ou 45 ml de bebida destilada. No Reino Unido, a dose padrão é de 8 g, enquanto no Japão pode chegar a 20 g de álcool puro, de acordo com o Cisa. Já para a Organização Mundial da Saúde, não há nível de consumo seguro de álcool.