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Cabaré muda visual para reforçar presença no mercado premium

Lançada em fevereiro de 2022, a cerveja Cabaré está de cara nova. Com a intenção de melhor se comunicar com seu público-alvo, reforçando sua posição no mercado de cervejas premium, a marca do Grupo Petrópolis alterou a sua identidade visual, que está sendo apresentada durante a Apas Show 2024, em São Paulo.

“Dentre os principais motivos para a alteração na identidade visual é que estamos mudando para melhor comunicar com o nosso público-alvo e, consequentemente, melhorar a segmentação dentro das nossas cervejas linha premium”, explicou, ao Guia, a gerente de marcas premium do Grupo Petrópolis, Bruna Alonso.

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Para estreitar seus laços com o consumidor, a cerveja Cabaré buscou, conceitualmente, dar vida à atmosfera vibrante e sofisticada dos cabarés dos anos 20. A nova identidade visual, desenvolvida pelo estúdio CasaCC, apresenta curvas sinuosas e ornamentos que remetem à exuberância da época dourada dos cabarés. As embalagens, segundo a marca, foram projetadas para evocar uma sensação de frescor, sofisticação e tradição, por meio do uso de cores como verde bandeira, amarelo dourado, cinza grafite e branco creme.

“O verde bandeira é uma alusão direta à natureza e aos ingredientes naturais da cerveja, transmitindo uma imagem de qualidade. Já o amarelo dourado, combinado com o verde, remetem diretamente à nossa brasilidade e origem, atribuindo personalidade à marca. O cinza grafite adiciona uma nota de elegância e modernidade, enquanto o branco creme sugere tradição e autenticidade”, diz o diretor de criação e sócio do estúdio, João Pedro Vargas.

Além do aspecto visual, as embalagens agora ostentam selos que reforçam a essência brasileira da marca. Na cerveja puro malte, destaca-se a produção 100% nacional, enquanto na linha ICE, que apresenta sabores como tangerina, frutas vermelhas, frutas amarelas e limão, o uso da Cachaça Cabaré é o ponto de destaque.

Segundo a gerente de marcas premium do Grupo Petrópolis, essa mudança vai além da estética. “Para nós, este rebranding da marca representa um marco significativo. Queremos incentivar os consumidores a continuarem buscando experiências premium, enquanto valorizam a tradição e qualidade de nossos produtos”, afirma Alonso.

Os produtos da linha Cabaré, com sua nova identidade visual, serão produzidos e envasados nas fábricas do Grupo Petrópolis localizadas em Teresópolis (lata Cabaré ICE), Boituva (Long Neck Cabaré ICE) e Uberaba (todos os SKUs da cerveja Cabaré), e estarão disponíveis em todo o país a partir do segundo semestre deste ano.

Brasil tem 1.847 cervejarias e produziu 15,361 bilhões de litros em 2023

O Brasil fechou o ano de 2023 com 1.847 cervejarias registradas no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A informação é da edição 2024 do Anuário da Cerveja, divulgado pela pasta e pelo Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), e representa um aumento anual de 6,8%.

O resultado significa um saldo positivo de 118 cervejarias registradas no ministério, em comparação com as 1.729 do fim de 2023. Mas esse crescimento representa uma desaceleração significativa em relação aos anos anteriores, sendo o ritmo mais lento desde 2005. Além disso, o aumento de 118 estabelecimentos em comparação com o ano anterior é o menor desde 2015.

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São Paulo lidera o ranking de registros no Brasil, contando agora com 410 cervejarias, seguido pelo Rio Grande do Sul, que teve um aumento de 25 estabelecimentos em relação a 2022, para 335. Os outros estados com mais de 100 cervejarias são Minas Gerais (235), Santa Catarina (225), Paraná (171) e Rio de Janeiro (129).

Além disso, o número de municípios brasileiros com cervejarias aumentou para 771, representando 13,8% do total de cidades do país. São Paulo mantém sua posição como a cidade com mais cervejarias (61), seguida por Porto Alegre (43), Curitiba (26), Caxias do Sul (RS) (23) e Nova Lima (MG) (22).

O Anuário da Cerveja 2024 também revela que o Brasil agora possui 23 cidades com dez ou mais cervejarias, com duas adições em 2023 – Farroupilha (RS) e Goiânia -, mas a saída de Ponta Grossa (PR). Destas, 12 estão no Sudeste, 8 no Sul, 2 no Centro-Oeste e 1 no Nordeste (Fortaleza, com 11).

Segundo o anuário, o Brasil conta com uma cervejaria para cada 109.952 habitantes. E o Rio Grande do Sul ultrapassou Santa Catarina, tornando-se o estado com a maior densidade, com uma cervejaria para cada 32.486 habitantes. Três cidades gaúchas lideram essa relação: Linha Nova (842 habitantes por cervejaria), Santo Antônio do Palma (1.046) e Fagundes Varela (1.283).

Produção
Pela primeira vez, o Anuário da Cerveja trouxe dados quantitativos da produção de cerveja no país, baseados na Declaração Anual de Produção e Estoques. E o levantamento demonstrou que no ano passado foram produzidos 15,361 bilhões de litros de cerveja no país, sendo 8,207 bilhões de litros no Sudeste.

Deste volume, 29,2% (4,48 bilhões de litros) são cervejas puro malte ou 100% malte, enquanto apenas 0,8% são cervejas sem álcool e 0,3% são cervejas com teor alcoólico reduzido.

Do volume de cerveja produzido, 99,5% (15,285 bilhões de litros) tem fermentação do tipo Lager. Entre os estilos, só ultrapassam o bilhão de litros a Lager leve clara (7,909 bilhões), outras Lagers (3,752 bilhões de litros), e a Pilsener (3,559 bilhões de litros). A Malzibier representa 0,27% do mercado brasileiro, que tem participação de 0,22% das IPAs.

Produtos
O Brasil encerrou 2023 com 45.648 cervejas registradas, um aumento de 6,6% em relação ao ano anterior. São Paulo lidera com 13.654 rótulos, seguido por Rio Grande do Sul, com 6.791, e Minas Gerais, com 6.417. São Paulo é a cidade com mais registros (2.004), à frente de outras três cidades com ao menos mil registros: Porto Alegre (1.686), Nova Lima (1.155) e Curitiba (1.107).

Empregos
Por meio da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) “Fabricação de Cervejas e Chope”, o levantamento mostra 41.984 pessoas empregadas no setor no ano passado, queda de 1,9% em relação a 2022. São Paulo lidera com 14.293 empregos, apesar de ter fechado 559 vagas no ano anterior. Minas Gerais foi o estado que mais abriu vagas em 2023, com um aumento de 171 empregos, totalizando 4.315. Está, assim, em terceiro lugar, atrás também do Rio de Janeiro, com 5.222.

Embarques e desembarques
O Anuário da Cerveja 2024 também apontou aumento de 18,6% no volume de cerveja exportado pelo Brasil em 2023, para 231,977 milhões de litros. O Paraguai liderou as compras, destinadas a 75 países, com 138,682 milhões de litros. O país importou 7,131 milhões de cerveja no ano passado, com o maior fornecedor sendo a Alemanha, que ultrapassou a Bélgica ao alcançar 1,856 milhões de litros.

Entrevista: “Gastronomia está ajudando a colocar as Lambics em destaque”

Por Aline Smaniotto*

Fundada em 1882 por Henri Vandervelden, a Oud Beersel é uma das cervejarias belgas mais tradicionais e lendárias quando se trata de Lambics. Com sede em Beersel, a pouco mais de 10 quilômetros do centro de Bruxelas, tornou-se membro do Conselho Superior para Cervejas Lambic Artesanais (Horal) em 2006.

A cervejaria foi administrada pela família Vandervelden por quatro gerações, mas as atividades de produção foram interrompidas em 2002 devido a dificuldades financeiras e à falta de sucessores, colocando em risco o patrimônio cultural e histórico da Oud Beersel. Em 2005, Gert Christiaens e sua família assumiram o legado, combinando a tradição da produção de Lambic com inovações e investimentos em pesquisa e marketing, trazendo uma nova abordagem — e novos consumidores — para a Oud Beersel.

Em 2023, durante a Semana Selvagem no Brasil, tivemos o privilégio de encontrar Gert. Ele presenteou os participantes com uma palestra sobre a tradição da produção de Lambic, uma oficina de degustação das cervejas da Oud Beersel e uma masterclass sobre o processo de fermentação espontânea.

Além disso, conduzimos uma entrevista com Gert, na qual ele discute a adaptação da Oud Beersel aos novos comportamentos e demandas do mercado, destacando a importância da relação das Lambics com a gastronomia e revelando os esforços da cervejaria para preservar o terroir e a tradição na região.

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Confira os principais trechos da entrevista com Gert Christiaens, mestre-cervejeiro da Oud Beersel:

O que mais te fascina em uma cerveja fermentada espontaneamente?
As cervejas Lambic tradicionais têm sabores tão únicos; elas podem ser combinadas com quase qualquer tipo de prato. O que realmente me fascina nessas cervejas é a digestibilidade e como você se sente bem no dia seguinte depois de beber uma a mais.

Quais são os maiores desafios que ainda enfrenta na produção desse tipo de cerveja?
A questão é que, assim que você resolve um desafio, outro surge. Espaço e dinheiro podem resolver a maioria dos desafios, mas sempre parece que ficamos sem ambos. Então, que esse seja o maior desafio de todos.

Uma das grandes inovações da Oud Beersel nos últimos anos foi a introdução da Beer Box, um sistema de embalagem que permite a venda de volumes menores sem comprometer a qualidade da cerveja. Como você vê a aceitação do mercado desse tipo de embalagem?
A introdução da Beer Box em 2018 foi um conceito muito inovador. Até introduzimos uma espécie de geladeira que serve a cerveja direto de um barril  para bares servirem três cervejas da Beer Box e ganhamos o prêmio de inovação na Horeca Expo em Gent. A ideia por trás da Beer Box era reviver a antiga tradição de servir Lambic ainda do barril de madeira, como costumavam fazer nos bares de nossa região no passado. Com essa embalagem, agora podemos oferecer Lambic ainda em embalagens de pequeno volume em todo o mundo. E realmente estamos enviando essa embalagem para o mundo todo.

Isso permitiu novas oportunidades de negócios com parceiros que anteriormente não ofereciam as cervejas da Oud Beersel?
Isso nos permite oferecer Lambics em bares que, de outra forma, não poderiam servi-las. Retiramos a necessidade de reservar uma linha de chope para Lambic; os restaurantes podem oferecer cervejas Lambic sem precisar abrir garrafas de Oude Geuze. As pessoas até fazem churrascos em casa com Lambics em uma Beer Box. Isso definitivamente abriu um novo mercado, mas o mercado continua sendo de nicho.

Como você percebe o terroir e a gastronomia no mercado belga atualmente? Você acredita que são os pilares que sustentam a tradição histórica e cultural da produção de Lambic? Como as cervejarias brasileiras podem se inspirar nisso?
A gastronomia está ajudando a colocar as cervejas Lambic tradicionais em destaque. O terroir para Lambic é importante, já que o estilo de cerveja está regionalmente relacionado. Mas acho que os verdadeiros pilares são os produtores e os amantes de Lambic. Estamos fazendo um estilo de cerveja que não é fácil e nem barato de produzir, mas todos nós somos apaixonados pelo que estamos fazendo e queremos ir até o fim. E temos ótimos embaixadores em todo o mundo que apreciam o que estamos produzindo e protegendo.

Nesse sentido, você deu um passo importante para preservar o terroir e a tradição ao decidir cultivar suas próprias cerejas Schaarbeekse — usadas na produção do Kriek Bier —, que são exclusivas da região Lambic e têm se tornado escassas ao longo dos anos. Conte-nos um pouco mais sobre a experiência de ajudar a resgatar a biodiversidade da região e como isso contribui de forma única para o sabor complexo das cervejas Lambic.
As cerejas Schaarbeekse são uma variedade única de cerejas de nossa região, tradicionalmente usadas na produção de Lambics de cereja. Essas cerejas são agridoces quando estão realmente maduras e dão um caráter de cereja muito delicado à cerveja. Construímos um pomar de cerejas da maneira como fizemos nunca foi feito antes. Estamos avançando em campos desconhecidos, procurando a melhor maneira de produzir as cerejas de forma eficiente e eficaz. Isso requer muita paciência, e nos cercamos de especialistas para definir a abordagem para expandir o pomar de cerejeiras.

Durante a Semana Selvagem, você experimentou diferentes cervejas brasileiras fermentadas espontaneamente. Quais foram suas impressões? Houve algum sabor que chamou sua atenção?
Havia inúmeras cervejas interessantes na Semana Selvagem. Quando provo/bebo cervejas, estou sempre procurando por cervejas com sabor equilibrado e uma boa drinkabilidade. Alguns sabores que chamaram minha atenção foram uma Saison envelhecida em barril de gin, algumas azedas com uvas, cerejas e goiaba, e uma Pilsner refrescante.


*Aline Smaniotto é sommelière de cervejas, formada em  Antropologia e organizadora da Semana Selvagem.

Lucro da Ambev fica estável e venda de cerveja cresce 3,6% no Brasil no 1º tri

A Ambev apresentou estabilidade no lucro e nos volumes de venda no primeiro trimestre de 2024, apesar de registrar aumento na comercialização de cerveja no Brasil, de acordo com o resultado financeiro divulgado nesta quarta-feira. O lucro líquido foi de R$ 3,804 bilhões entre janeiro e março, queda de 0,4% em relação ao igual período do ano anterior, enquanto as vendas totalizaram 44,988 milhões de hectolitros, expansão de 0,1% ano a ano.

A receita líquida da Ambev diminuiu 1,2% em comparação com o primeiro trimestre de 2023, para R$ 20,276 bilhões. No entanto, o Ebitda ajustado cresceu 1,4%, totalizando R$ 6,535 bilhões no período. A empresa atribuiu esse desempenho positivo a “ventos favoráveis no câmbio e no preço das commodities e uma gestão disciplinada de custos e despesas”.

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A Ambev enfatizou a importância do Brasil para seu desempenho trimestral, com um aumento de 3,6% na venda de cerveja, para 22,987 milhões de hectolitros. “Superamos uma indústria estruturalmente mais saudável (que cresceu um dígito baixo), enquanto nossos preços médios ao consumidor ficaram ligeiramente acima da inflação”, afirma a companhia.

No release de resultados, Ambev citou que as marcas premium e super premium e as marcas core plus cresceram dois dígitos em volume, enquanto as marcas core cresceram um pouco acima da indústria. A empresa também destacou que a Corona já está disponível em latas de 269ml, 350ml e 473ml, ampliando o sortimento de ocasiões de consumo em que a marca está presente no Brasil.

“Ganhamos participação de mercado, de acordo com nossas estimativas. Nossas marcas de cerveja premium e super premium cresceram mais de 10% (low-teens), ganhando participação de mercado pelo quinto trimestre consecutivo (de acordo com nossas estimativas)”, diz a Ambev.

“Nosso segmento core plus expandiu cerca de 15% (mid-teens) liderado pela família Budweiser, enquanto nosso segmento core permaneceu resiliente, com um crescimento de um dígito baixo ano contra ano”, acrescenta.

No Brasil, o Zé Delivery aumentou sua cobertura em comparação com o primeiro trimestre de 2023, com aumento de 12% no valor bruto de mercadorias (GMV) e mais de 16 milhões de pedidos, incremento de 11% em relação ao igual período do ano anterior. O GMV do BEES Marketplace também expandiu 13%.

A receita líquida da Ambev no segmento de cerveja no Brasil foi de R$ 9,687 bilhões, com crescimento de 4,5% em relação ao primeiro trimestre de 2023, enquanto o Ebitda ajustado expandiu 13,6%, para R$ 3,255 bilhões.

AB InBev tem alta
A AB InBev também divulgou seus resultados financeiros do primeiro trimestre de 2024 nesta quarta-feira, com lucro líquido de US$ 1,509 bilhão, aumento de 15,19% em comparação com o igual período de 2023. A receita cresceu 2,6%, para US$ 14,547 bilhões, com aumento de 5,4% no Ebitda normalizado, para US$ 4,897 bilhões.

O resultado foi alcançado mesmo com queda nos volumes, de 0,6%, para 139,536 milhões de hectolitros. O recuo nas vendas de cervejas da AB InBev foi de 1,3%, para 119,387 milhões de hectolitros.

A América do Norte puxou a queda dos volumes da AB InBev no primeiro trimestre, com retração de 9,9%, seguida pela Ásia Pacífico, com perdas de 4,8%. Mas houve altas na América Central (4,2%), na América do Sul (0,2%) e na Europa e Oriente Médio (5,4%).

Ambev paralisa produção na Grande Porto Alegre para envasar e doar água

A Ambev anunciou uma iniciativa solidária para auxiliar a população do Rio Grande do Sul em meio às enchentes no estado e as suas consequências, como a crise de abastecimento de água. A empresa vai interromper temporariamente sua produção de cerveja na fábrica de Viamão, localizada na região metropolitana de Porto Alegre, para envasar água potável em latas e distribuí-las gratuitamente.

A medida emergencial prevê a produção diária de cerca de 850 mil latas de água de 473ml, que serão destinadas à população gaúcha. Para viabilizar a adaptação da fábrica de Viamão a esse propósito, a Ambev precisou transportar maquinários de sua unidade em São Paulo.

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“Como uma empresa brasileira, estamos e estaremos sempre ao lado dos brasileiros em todas as situações”, diz Jean Jereissati, CEO da Ambev, sobre a ação da companhia para auxiliar a população do Rio Grande do Sul.

A ação solidária conta com a parceria estratégica da Ball, que disponibilizou as embalagens de 473ml para o envasamento da água. A distribuição das latas de água tem início nesta quarta-feira.

Além da produção e distribuição de água em latas, nos últimos dias a Ambev já realizou doações de água para o Rio Grande do Sul. Foram mais de 560 mil litros doados, sendo 185 mil litros destinados à população de 11 municípios afetados e 375 mil litros em caminhões-pipa para suprir necessidades hídricas de hospitais na região metropolitana de Porto Alegre.

As enchentes
As inundações no Rio Grande do Sul já atingiram mais de 60% do território do estado, causando danos em pelo menos 388 municípios. O desastre resultou, até agora, em 90 mortos, 131 pessoas desaparecidas e 362 feridas. Mais de 1,4 milhão de habitantes foram afetados, obrigando mais de 200 mil pessoas a deixarem seus lares. Além disso, mais de 640 mil residências ficaram sem fornecimento de água.

As estradas foram afetadas, com bloqueios em dezenas de pontos devido a deslizamentos de terra, alagamentos, danos na pista e quedas de barreiras e árvores. Em resposta à gravidade da situação, o governo federal decretou estado de calamidade pública no último domingo (5).

Mulheres são 16% da força de trabalho das cervejarias da Paraíba, revela pesquisa

Um estudo recente lançou luz sobre as questões de gênero e diversidade que permeiam as cervejarias na Paraíba. Uma pesquisa quantitativa e um trabalho de campo demonstraram enorme predominância da atuação de homens e pessoas heterossexuais no setor no estado, como detalhou o pesquisador Agaildes Sampaio Ferreira no artigo “Cervejarias são para todes? uma investigação sobre o mercado de trabalho cervejeiro paraibano à luz de gênero”, publicado na Revista Mangút: Conexões Gastronômicas.

Entre os empreendedores, dos 13 identificados, apenas três eram mulheres. Da força de trabalho das cervejarias da Paraíba, 78% são homens, ante 16% de mulheres. Além disso, 91% dos respondentes são heterossexuais, com 9% de participação da comunidade LGBTQIAP+.

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No que tange à remuneração, apesar de algumas variações, as médias salariais mostraram uma relativa equiparação entre homens e mulheres, embora a representatividade feminina nas posições mais altas ainda seja limitada. Os profissionais das cervejarias possuem salários semelhantes, independentemente do gênero (R$ 1.692,60 para homens e R$ 1.757,70 para mulheres) e da orientação sexual (R$ 1.708,88 para heterossexuais e R$ 1.627,60 para homossexuais).

A pesquisa buscou investigar as dinâmicas de gênero nas cervejarias registradas na Paraíba, tanto no que se refere à posição de empregadores quanto de colaboradores, quantificando e traçando um perfil panorâmico da situação.

Os dados também revelaram disparidades nas áreas de atuação, com as mulheres ocupando principalmente cargos no setor de vendas e administrativo. Apesar da pequena representatividade, algumas mulheres estavam presentes em áreas técnicas, como a produção de cerveja.

“O engrandecimento oriundo do desenvolvimento desta pesquisa foi crucial para compreender as complexidades que envolvem o nicho cervejeiro e, a partir deste estudo, espera-se que se contribua para o desenvolvimento de políticas públicas que vislumbre a equidade entre gênero e sexualidades no campo estudado, bem como se combata às injustiças que encarceram as minorias a espaços subalternos”, afirma o pesquisador nas considerações finais do artigo.

Artigo: A próxima fase da reforma tributária sobre o consumo começou!

*Por Marcos Moraes

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, entregou pessoalmente ao Congresso Nacional, na tarde de 24 de abril, o primeiro projeto de lei complementar – PLP 68/2024 – ao presidente da Câmara dos Deputados, o deputado Arthur Lira. Esse texto era aguardado pelos parlamentares, e, a partir de agora, inaugura uma nova etapa de discussões a respeito do novo sistema tributário brasileiro, baseado no modelo de Imposto sobre Valor Agregado (IVA), que pretende simplificar o modelo atual de tributação, apelidado de manicômio tributário pelos próprios parlamentares.

O projeto, composto de 499 artigos e 24 anexos, totalizando 314 páginas, delineia a extinção do ICMS, IPI, PIS, Cofins e ISS, substituindo-os pelos novos tributos: IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), CBS (Contribuição Social sobre Bens e Serviços) e ainda pelo IS (Imposto Seletivo), este último visando tributar produtos prejudiciais à saúde e ao meio ambiente, também conhecido como “Imposto do Pecado”.

Em linhas gerais, podemos antecipar aqui algumas das intenções do governo no tocante à incidência, tanto do IBS quanto da CBS, a partir de 1º de janeiro de 2026 e do IS a partir de 1º de janeiro de 2027.

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Dizemos intenção porque o projeto de lei passará a partir de agora pelas mãos dos 513 deputados e 81 senadores, que poderão aceitar ou aperfeiçoar as proposições originadas do chefe do executivo.

Neste sentido, pontuaremos a seguir alguns dos principais pontos que afetarão diretamente a indústria e comércio de cervejas:

1) O IBS e a CBS incidirão sobre operações onerosas e não onerosas com bens ou com serviços, tais como: alienação, inclusive compra e venda, troca ou permuta e dação em pagamento, locação de qualquer tipo, licenciamento, concessão, cessão, empréstimo, doação onerosa, direitos reais, arrendamento e prestação de serviços (art. 4º);

2) Serão imunes do IBS e da CBS as exportações de bens e de serviços para o exterior, nos exatos termos de como ocorre hoje (art. 8º);

3) O fato gerador da obrigação de recolher os tributos IBS e CBS serão: o fornecimento ou o pagamento, sendo o que ocorrer primeiro, nas operações com bens ou com serviços (art. 10º);

4) O local da operação, com o intuito de recolhimento dos tributos IBS e CBS será o local da entrega ou disponibilização do bem ao destinatário, ou seja, os tributos não serão mais recolhidos para o Estado onde a empresa está sediada (art. 11) mas sim, irá para o Estado de destino do produto;

5) As alíquotas dos tributos CBS e IBS serão fixadas, por lei específica (ou seja, novos projetos de lei), a serem efetuadas por cada um dos entes federativos – União, Estados e Municípios (art. 14) e que, ressalvadas algumas exceções contidas em lei, deverão ser as mesmas para todas as operações com bens ou com serviços (art. 16);

6) O contribuinte sujeito ao regime regular do IBS e da CBS poderá apropriar créditos desses tributos quando ocorrer o pagamento dos mesmos nas operações de aquisição de bem ou de serviço, excetuadas exclusivamente as operações consideradas de uso ou consumo pessoal e algumas hipóteses previstas nesta Lei Complementar (art. 28);

7) Uma inovação muito diferente do que estávamos acostumados está sendo proposto no artigo 50, que está sendo chamado de Split Payment, pelo qual os prestadores de serviços do sistema de pagamentos deverão segregar e destinar aos cofres públicos, no momento da liquidação financeira da transação de pagamento, os valores do IBS e da CBS indicados nos termos deste artigo e do regulamento. Ou seja, ao invés das empresas receberem o valor total da venda com os tributos e após o fechamento do mês recolher os tributos para os cofres públicos, nesta modalidade proposta, no ato do pagamento da venda o tributo já será automaticamente direcionado aos cofres públicos;

8) Infelizmente, nessa proposição inicial do governo para a incidência do IBS e da CBS, a cerveja sem álcool não foi considerada como elegível à redução em 60% destes tributos, nas vendas dos alimentos destinados ao consumo humano (art. 124 e anexo VIII), que neste rol entraram apenas os sucos naturais de fruta ou de produtos hortícolas sem adição de açúcar (NCM 20.09) e as polpas de frutas sem adição de açúcar (NCM 2008.99.00). Contudo, se bem articulado, poderá ser pleiteado junto aos deputados e senadores a merecida inclusão de nosso pão líquido;

9) Uma questão bastante controversa e que deverá gerar um dos maiores debates no Congresso, será o Imposto Seletivo (ou IS), que será tratado pelo artigo 406 e seguintes, e que na visão dos órgãos regulamentadores e da saúde recomendam que, devido ao efeito negativo do álcool estar relacionado à quantidade de álcool consumida, os órgãos regulamentadores estão propondo um modelo semelhante ao utilizado para os cigarros hoje, pelo qual a tributação se dará através de uma alíquota específica (por quantidade de álcool) e a complementação por uma alíquota ad valorem (%) para tributar as diferenças de preço, dos produtos premium em detrimento aos populares.

10) As bebidas alcoólicas sujeitas ao Imposto Seletivo – IS – serão aquelas classificadas nos NCMs: 2203, 2204, 2205, 2206 e 2208; neste sentido, já podemos inferir que a cerveja sem álcool, ou com até 0,5%, que está classificado na NCM 2202.91.00, não será tributado pelo Imposto do Pecado.

Uma diferenciação importante do IS para o IBS e CBS está na obrigação de pagamento, onde o primeiro (IS) deverá ter uma única incidência ou pagamento, na primeira comercialização do bem, pela indústria e pelo importador, entanto que o IBS e CBS incidirão entre todos que comercializarem o bem.

Existem ainda muitos outros pontos nessa proposta legislativa, contudo, os pontos acima são os principais e o que mais impactam diretamente o setor cervejeiro.

Visto a importância do tema, e que ele está ainda no começo, cabendo aperfeiçoamento que será realizado pelo Congresso Nacional, resta agora o setor se unir, reunir argumentos e se articular em busca de melhores condições, buscando falar com os deputados federais e senadores nas suas bases regionais, para que possam defender os direitos e propor aperfeiçoamentos nessa legislação ainda em construção.

Lembrem-se do provérbio: “Uma andorinha só não faz verão”.


Fonte PLP 68/2024: https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=2430143


Marcos André de Moraes, advogado e contador pós-graduado em Direito Tributário, possui mais de 20 anos de experiência em Consultoria e Planejamento Tributário em setores altamente tributado e regulado como bebidas alcoólicas e tabaco, é professor do ICB sobre Formação de Preços & Custos e Jurídico Tributário para cervejarias.

Com saberes e sabores, mulheres buscam respeito e espaço no setor cervejeiro

Nos últimos anos, o mercado cervejeiro tem sido palco de discussões sobre a necessidade de ampliação da participação feminina e a urgência de tornar o segmento menos machista. Mulheres apontam que houve evolução prática e iniciativas que promovem mudanças, mas ainda existe um longo caminho a percorrer por mais inclusão e, principalmente, respeito às mulheres, seus trabalhos, narrativas e trajetórias no setor cervejeiro.

“Respeito é fundamental para iniciar o diálogo. Falta muito para a conversa e entendimento, para chegarmos então ao ponto de entender como fundamentais as demandas específicas das mulheres, assédio e a economia do cuidado são questões que pouco avançaram, e ainda precisam de muita mudança”, afirma a sommelière de cervejas e antropóloga Aline Smaniotto.

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Iniciativas têm buscado dar voz e luz ao trabalho das mulheres no mercado cervejeiro, promovendo amizades, suporte e projetos sólidos que contribuem para a mudança cultural, ajudando a reduzir o machismo ainda persistente não apenas no segmento, mas também na sociedade.

“O primeiro que eu me lembro e que participei, foi o E.L.A. em 2016, mesmo ano que começou o Musas na Nacional. Lembro do Congresso Mergulho na Cerveja de 2018, que trouxe também mulheres para discutir o tema e ainda se repetiu depois. O Goose Island Sisterhood, também de 2018, foi icônico! Agora bem recente, podemos citar o evento da Dádiva que aconteceu em março em São Paulo, o Criado por Elas, Liderado por Elas. Mas muitos outros já aconteceram, seja um lançamento de cerveja, um ciclo de palestras, um encontro ou lives no Instagram”, enumera a sommelière de cervejas Bia Amorim.

Para ela, esse tipo de iniciativa serve como respiro para mulheres que atuam no setor cervejeiro, contribuindo para transformá-lo. “É com isso que vamos aos poucos remodelando a cultura atual, movendo as montanhas com pequenos sopros, deixando mais leve o transitar e com mais motivos para brindar”, acrescenta Bia.

Uma das ações recentes que buscou dar voz à atuação das mulheres no setor cervejeiro envolveu Bia e Aline por meio do projeto Musas do Verão, promovido pela Cervejaria Nacional. Elas, ambas cervejeiras e mães, foram as homenageadas de 2024 pela marca e participaram da concepção de uma cerveja, a Garrafada da Jurema.

“Pouco falamos sobre a mãe que trabalha no mercado, o que bebem, como arrumam tempo para cuidar dos filhos e ainda discutir sobre o uso de ingredientes que podem trazer personalidade, com técnica e sabor para cervejas nacionais. Com a Jurema, trouxemos esse olhar para as raízes do nosso país, sob a perspectiva de saberes ancestrais e como os mais velhos usavam nas bebidas, sua forma de cuidar”, diz Bia.

Com a escolha da jurema como ingrediente principal, a intenção foi exaltar saberes ancestrais, as narrativas femininas e a brasilidade. “É preciso narrar o mundo de forma diferente, trazer símbolos que resgatem nossas potências, nossos saberes, nossos sabores, só assim mudam as estruturas. Chamamos para o copo ingredientes cheios de história, de saberes mágico-religiosos, de paradoxos e de usos do cotidiano”, comenta Aline.

A jurema é mais do que uma simples planta. Associada a um papel destacado na flora nordestina pela referência mágico-religiosa, ela desempenha um papel fundamental na cultura brasileira. No passado, foi condenada pelo colonizador europeu por ser considerada um perigoso ingrediente do qual se fabricava filtros demoníacos. Hoje, ressurge na memória coletiva como a planta mágica capaz de conduzir o ser humano a experiências transcendentais.

Iniciativas como o Musas do Verão, que em sua 12ª edição homenageou Aline e Bia, além de trazer uma cerveja com a brasilidade da jurema, são necessárias para reconhecer e valorizar o papel das mulheres no universo cervejeiro, promovendo o diálogo, a transformação e a criação de novas narrativas a partir da força e da resiliência feminina.

“O desafio de pensar uma cerveja que represente as mulheres, o maternar no contemporâneo, me levou a lugares e questões que tinham o cheiro do quartinho no quintal dos meus avós.  As inúmeras garrafas, com flores, cascas, folhas, sementes. A memória são esses fios que vão se entremeando às novas narrativas. E foram estes ingredientes que nos ajudaram a contar nossa história, às vezes com tantos amargores, mas que a gente faz deles boas cervejas”, conclui Aline.

Produção de bebidas alcoólicas tem freio após 8 altas seguidas e cai 3,5%

O impulso que a produção de bebidas alcoólicas vinha tendo sofreu uma queda em março. Após oito meses seguidos de crescimento, a atividade registrou recuo de 3,5% em comparação com o igual período de 2023, segundo dados da Pesquisa Industrial Mensal do IBGE.

Apesar desse recuo, a produção de bebidas alcoólicas ainda apresentou aumento de 3,3% no primeiro trimestre de 2024. Contudo, ao considerar o período de 12 meses iniciado em abril de 2023, a expansão é praticamente inexistente – apenas 0,1%.

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O desempenho negativo da produção de bebidas alcoólicas em março teve impacto direto na fabricação de bebidas, que diminuiu 2,1% em relação a março de 2023 e 3,3% em comparação com fevereiro, ajustado sazonalmente. Apesar disso, a atividade teve aumento de 4,9% de janeiro a março e crescimento de 1% nos últimos 12 meses.

Já a produção de bebidas não alcoólicas teve recuo mais moderado em março, de 0,5%. No acumulado dos três primeiros meses de 2024, a fabricação apresentou crescimento de 6,7%, e de abril de 2023 a março deste ano, registrou aumento de 2,3%.

A queda na produção de bebidas alcoólicas ocorreu em um mês com avanço de 0,9% na atividade industrial brasileira em relação a fevereiro, porém, com queda de 2,8% ante março de 2023. No primeiro trimestre de 2024, a atividade industrial cresceu 1,9%, enquanto nos últimos 12 meses, registrou expansão de 0,7%.

De fevereiro para março, apenas duas das quatro grandes categorias econômicas e apenas cinco dos 25 ramos industriais pesquisados mostraram avanço na produção. As principais influências positivas vieram dos setores de produtos alimentícios (1,0%), produtos têxteis (4,5%), impressão e reprodução de gravações (8,2%), e indústrias extrativas (0,2%).

“O desempenho positivo da indústria nos dois últimos meses não elimina a queda observada em janeiro, mas é uma melhora de comportamento. Em março, o crescimento ficou concentrado em poucas atividades”, analisa o gerente da pesquisa, André Macedo.

Balcão da Fabiana: Um momento para a memória – o dia em que colhi lúpulos

Balcão da Fabiana: Um momento para guardar na memória – o dia em que colhi lúpulos

Se me perguntassem em 2009, quando criei o programa de rádio Pão e Cerveja, o que eu diria sobre o mercado cervejeiro para a Fabiana de 15 anos à frente, talvez eu respondesse que o Brasil teria um grande número de fábricas, que seríamos reconhecidos pela qualidade das nossas cervejas, que as cervejas artesanais ocupariam uma faixa de, pelo menos, 10% do mercado. Meu recado para o meu eu do futuro teria sido muito mais projeção dos meus desejos do que propriamente previsões realistas.

Naquele tempo, 15 anos atrás, dizia-se que o Brasil nunca seria autossuficiente na produção de insumos. Plantar lúpulo, então? Era algo descartado por qualquer entendido no assunto. Não tínhamos a latitude correta, não tínhamos as temperaturas ideais para o cultivo da planta. Então, nem mesmo desejo de uma produção de lúpulos brasileiros a gente ousava ter. Portanto eu jamais diria à Fabiana que dali a 15 anos estaríamos comemorando a existência de canteiros de lúpulo em várias regiões do país.

Mais do que comemorar, hoje estamos colhendo lúpulos. E eu posso dizer que “estamos colhendo” literalmente, porque foi essa experiência que tive a oportunidade de vivenciar no final de fevereiro. A convite da Fazenda Cervejeira, do empresário José Felipe Carneiro (um dos ex-donos da Wäls), estive na cidade de Carmo da Cachoeira, sul de Minas Gerais, para participar da primeira colheita de lúpulos de 2024.

A Fazenda Cervejeira possui dois ramos: o lupulal urbano que fica em Belo Horizonte, onde as pessoas podem ver e pegar nos lúpulos plantados ali de forma ornamental. E o viveiro maior, que fica em uma fazenda cafeeira centenária da cidade de Carmo da Cachoeira, onde a área é de 7 hectares plantados. Por lá se colhem e são beneficiadas mais de 10 variedades de lúpulo.

Caminhar entre as imensas trepadeiras da planta, pegar alguns cones, abri-los, cheirá-los, depois vê-los sendo baixados por um caminhão equipado para tal. Seguir até o galpão de beneficiamento e ver os lúpulos serem arrancados pela máquina peladora importada da Polônia, uma das cinco únicas no Brasil. Observar a esteira da máquina trazendo os cones já soltos e armazenados em imensos baldes. Sentir o cheiro verde da planta inundando todo o ambiente. Acompanhar as outras etapas, de secagem, moagem e por fim de peletização. Tudo isso compôs a maravilhosa sinfonia da experiência que tive na Fazenda Cervejeira.

Quando eu poderia sonhar que seria testemunha de uma revolução verde como a do cultivo de lúpulos no Brasil? E mais, quando imaginaria participar de alguma forma dessa revolução?

Acho que já posso me aposentar do mercado cervejeiro depois de vivenciar tudo isso. E guardar para sempre na memória o dia em que colhi lúpulos!


Fabiana Arreguy é jornalista e beer sommelière formada em 2010, pela primeira turma da Doemens no Brasil, através do Senac SP. Produz e apresenta, desde 2009, a coluna de rádio Pão e Cerveja, sendo editora de site com o mesmo nome e autora de livros. É curadora de conteúdo, consultora de cervejas especiais, proprietária da loja De Birra Armazém Cervejeiro, além de professora do Science of Beer Institute e do Senac MG, assim como juíza dos principais concursos cervejeiros brasileiros e internacionais.