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Balcão Xirê Cervejeiro: Continuidade dos passos que vêm de longe

Balcão Xirê Cervejeiro: Mulheres Negras Cervejeiras – Continuidade dos passos que vêm de longe

Neste Julho das Pretas, celebramos com muita alegria a história de mulheres negras que há muito tempo vêm tencionando o mundo por um bem viver. “Nossos passos vêm de longe”, pontua Jurema Werneck. Seguimos na luta pelo reconhecimento dos nossos saberes, e é nessa toada que seis mulheres negras, atuando em diversos setores e no mercado cervejeiro, ousam mais uma vez trazer ao mercado a cerveja “Tereza de Benguela”, criação do coletivo “Tereza de Benguela Cervejeiras”.

Origem do Julho das Pretas
O dia 25 de julho é o marco em que as mulheres negras latino-americanas e caribenhas utilizam para lutar pelas vidas das mulheres negras, latino-americanas e caribenhas em busca do bem viver. É também o Dia da Mulher Africana e de Tereza de Benguela. As mulheres negras, em qualquer lugar do mundo, são as que mais sofrem todos os tipos de violências e são as que menos recebem atenção do poder público. As políticas públicas não alcançam esses corpos e, por essa razão, em 25 de julho de 1992, aconteceu o primeiro Encontro de Mulheres Negras Latinas e Caribenhas, em Santo Domingo, na República Dominicana. Nesse encontro, a discussão permeou as temáticas do machismo, racismo, sexismo e as violências direcionadas aos corpos de mulheres negras. Além de denunciar, foram propostas formas de combater as desigualdades, permitindo surgir uma rede de mulheres que permanecem unidas até hoje.

O Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha foi reconhecido pela ONU ainda em 1992. Em 2014, a presidenta Dilma Rousseff sancionou a Lei Federal 12.987/2014, que instituiu o Dia de Tereza de Benguela, uma demanda antiga dos movimentos de mulheres negras e inspirada no encontro de 1992 em Santo Domingo. Quando a lei surgiu, quem estava à frente da pasta da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial era a ministra Luiza Helena de Bairros, uma das maiores defensoras das mulheres negras.

Inspirado nessas mulheres, em 2022 surgiu o coletivo Tereza de Benguela Cervejeiras, composto por Adriana Santos, Cinara Gomes, Daniele Lira, Daniele Souza e Sara Araujo. Em 2024, juntou-se ao coletivo Karla Danitza, sendo que todas elas estão envolvidas no mercado cervejeiro.

A primeira ação do coletivo ocorreu em julho de 2022, com o Festival Tereza de Benguela Cervejeiras, que reuniu diversas pessoas do mercado no Torneira Bar. O festival contou com palestras sobre a história da cerveja, o papel da mulher negra no mercado, os desafios enfrentados, além de harmonização entre cerveja e comida, muita música e poesia. Foi um verdadeiro sucesso.

Em 2023, o coletivo, em colaboração com a Goose Island Brew Pub e contando com apoio financeiro da Ambev, fez sua primeira cerveja, uma Red Ale com ameixa e baunilha kalunga. Em contrapartida, o coletivo promoveu junto aos funcionários do grupo Ambev palestras sobre letramento racial.

Em 2024, o coletivo lançou a segunda edição da cerveja, desta vez em colaboração com a cervejaria Dádiva. Parte da renda obtida com a venda das cervejas será destinada a celebrar esse movimento. O objetivo neste momento é continuar se colocando como uma referência para outras mulheres negras que desejem ingressar no mercado cervejeiro.

Um brinde às mulheres negras cervejeiras.


Sara Araujo é graduada em Ciências Jurídicas pela Instituição Toledo de Ensino Bauru (SP) e atua na área de execução penal. É graduanda em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Maringá (PR), pós-graduanda em história da África e da Diáspora Atlântica pelo Instituto Pretos Novos do Rio de Janeiro, sommelière de Cervejas pela ESCM/Doemens Akademie e criadora e gestora do @literaturanobar.

Sidra, hidromel e kombucha serão avaliados no Brasil Beer Cup em 2024

O Brasil Beer Cup (BBC), um dos principais concursos de cervejas da América Latina, trará novidades importantes na edição de 2024, que será realizada no fim de setembro. Pela primeira vez, o concurso incluirá a avaliação de sidra, hidromel e kombucha, diversificando ainda mais as categorias de bebidas analisadas. Haverá uma categoria especial de Bebida do Ano para cada uma delas.

A decisão de incluir essas novas categorias segue uma tendência observada pelo Beer Judge Certification Program (BJCP), que recentemente ampliou seu escopo para abranger essas bebidas. Diante disso, a diretora do Brasil Beer Cup, Amanda Reitenbach, afirma que a integração dessas categorias no concurso se tornou um passo natural em 2024. “O presidente do BJCP, Gordon Strong, é jurado do Brasil Beer Cup há várias edições e a presença dele novamente conosco nos dá ainda mais segurança para essa inclusão”, comenta, ao Guia.

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As categorias de sidra, hidromel e kombucha serão avaliadas por profissionais especializados em cada segmento. Além disso, painéis específicos serão formados para garantir avaliações precisas e detalhadas. “Há muitos profissionais habilitados em cerveja e em mais algum ou alguns destes outros produtos e eles serão alocados dessa forma, de acordo com o seu conhecimento comprovado”, explica Amanda.

Além disso, o BBC promoverá uma capacitação dedicada ao sensorial de sidra, hidromel e kombucha, com o objetivo de garantir que os inscritos recebam feedbacks técnicos e adequados, promovendo o reconhecimento e a evolução de seus produtos.

Outra novidade é a inclusão de dois novos estilos brasileiros: Chicha Contemporânea e Manipueira Selvagem. “Ao oferecer análises técnicas especializadas destes produtos às cervejarias, estamos contribuindo para sua evolução e também levando essas possibilidades sensoriais ao mundo através do painel de jurados”, comenta Amanda.

O Science of Beer, entidade responsável pela organização do BBC, recentemente se integrou ao Science Hub, uma plataforma mais abrangente que atende a outras classes de bebidas com o mesmo rigor técnico aplicado ao mercado cervejeiro.

“Agora elas estão juntas, no mesmo negócio. E isso nos motiva a estar sempre muito atentos tanto a demandas de mercado, quanto a tendências com as quais podemos contribuir cientificamente”, acrescenta.

Cervejarias têm até a próxima quarta-feira (24) para garantir sua participação no Brasil Beer Cup 2024. A programação do evento, que ocorrerá de 23 a 28 de setembro em Florianópolis, inclui o julgamento das amostras entre os dias 24 e 26 de setembro e a premiação em 27 de setembro. As inscrições podem ser realizadas por meio do site oficial do BBC.

Esta será a quinta edição da premiação, que em 2023 teve mais de 2 mil amostras de 335 marcas diferentes. Além dos estilos premiados com ouro, prata e bronze, o BBC também premia as Cervejas do Ano, Bebidas do Ano, Cervejarias do Ano, Cervejeiro e Cervejeira do Ano, e as Top 50 Cervejas de 2024.

Inflação da cerveja fica acima dos 3% no primeiro semestre

A inflação da cerveja no primeiro semestre de 2024 superou os 3%, segundo levantamento do IBGE. No domicílio (varejo), o aumento foi de 3,32%, enquanto fora do domicílio (bares e restaurantes) foi de 3,40%.

Curitiba liderou o aumento no domicílio entre as cidades pesquisadas pelo IBGE, com alta de 5,11%, enquanto Belém teve a menor variação, de 0,34%. Fora do domicílio, Campo Grande registrou a maior inflação, alcançando 6,54%, enquanto Rio Branco ficou estável (0,00%).

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A inflação da cerveja no primeiro semestre superou o índice oficial do país, com o IPCA sendo de 2,48%. A situação se repetiu em junho. No mês, a inflação geral foi de 0,21%, com aumentos de 0,66% no varejo e 0,39% nos bares e restaurantes.

O cenário é igual no período de 12 meses iniciado em julho de 2023. Enquanto o IPCA do período ficou em 4,23%, a inflação da cerveja no domicílio é de 5,96%, sendo de 4,43% para o produto fora do domicílio.

Em contraste, outras bebidas alcoólicas no domicílio tiveram deflação de 0,12% em junho, mas acumularam altas de 6,47% no primeiro semestre de 2024 e de 11,44% nos últimos 12 meses. Fora do domicílio, houve um aumento de 1,98% em junho, com inflação de 2,63% no primeiro semestre de 2024 e de 4,59% nos últimos 12 meses.

O grupo de alimentação e bebidas tem alta acima do IPCA em todos os cenários. A inflação ficou em 0,44% em junho, em 4,70% no primeiro semestre de 2024 e em 5,23% nos 12 meses iniciados em julho de 2023.

Além disso, foi o grupo com o maior peso sobre a inflação de junho – 0,10%. E as principais altas foram da batata inglesa (14,49%), do leite longa vida (7,43%) e do arroz (2,25%).

“No caso do leite, o clima adverso na Região Sul e a entressafra contribui para uma menor oferta, por conta da queda na produção. Já a batata também teve oferta mais restrita, mas relacionada ao final da safra das águas e início da safra das secas, que ainda não chegou a um patamar elevado”, avalia o gerente da pesquisa do IBGE, André Almeida.

Carlsberg amplia foco na Europa e em bebidas ao comprar dona do Maguary

O Grupo Carlsberg decidiu abrir os cofres para ampliar sua presença na Europa Ocidental, especialmente no Reino Unido, e diversificar sua oferta de bebidas, com destaque para refrigerantes. A companhia fechou dois negócios significativos nos últimos dias: a aquisição da britânica Britvic por 3,3 bilhões de libras (aproximadamente R$ 23,25 bilhões) e a compra da participação da Marston’s em sua joint-venture no Reino Unido por 206 milhões de libras (R$ 1,452 bilhão).

A aquisição da Britvic ocorreu após a recusa de duas ofertas anteriores, de 2,99 bilhões de libras (R$ 21,07 bilhões) e 3,10 bilhões de libras (R$ 21,84 bilhões). Esse movimento expande a presença da Carlsberg no mercado de bebidas além da cerveja, aumentando sua exposição a outras bebidas para 33%, em comparação com os 19% anteriores.

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Em uma conferência com analistas após o anúncio, o CEO da Carlsberg, Jacob Aarup-Andersen, destacou a importância da diversificação do portfólio de bebidas nos planos de crescimento da companhia. “Estamos confiantes de que, ao diversificar nosso portfólio com várias marcas líderes, estamos melhorando nossa exposição a categorias de crescimento atraentes e apoiando nossa ambição do Accelerate Sail de crescimento médio de receita orgânica de 4% a 6% ao ano”, afirmou.

A compra é estratégica para aumentar a presença da Carlsberg na Europa Ocidental, que agora será sua principal região de atuação, com participação de 43%, um aumento significativo em relação aos 35% anteriores à aquisição. Até então, a Ásia era a região líder, com 40% em volume.

No ano passado, a Britvic registrou uma receita de 1,75 bilhão de libras (R$ 12,73 bilhões), um aumento de 6,6% em relação a 2022. “Estamos muito satisfeitos com nossos negócios na Europa Ocidental e com a oportunidade de fortalecer ainda mais essa presença com a adição dos negócios da Britvic”, disse o CEO.

A junção das empresas resultará na Carlsberg Britvic, uma única companhia de bebidas no Reino Unido, conhecida por marcas populares como Robinsons, J2O e Fruit Shoot, além de ser a engarrafadora da PepsiCo na Grã-Bretanha e na Irlanda do Norte. Isso tornará a Carlsberg a maior engarrafadora da PepsiCo na Europa e ampliará sua parceria com a Pepsi.

A aquisição também coloca a Carlsberg no mercado brasileiro, que representa 12% dos volumes da Britvic. A empresa começou a atuar no Brasil com as aquisições da Ebba em 2015 e da Bela Ischia em 2017, possuindo um portfólio que inclui produtos à base de frutas como Maguary, Dafruta e Bela Ischia, assim como energéticos, como Flying Horse e Extra Power.

Acordo com a Marston’s
A Carlsberg também adquiriu a participação de 40% da Marston’s na joint-venture Carlsberg Marston’s Limited. A parceria estava em vigor desde 2020 com a Marston’s, líder em operação de pubs no Reino Unido. Essa aquisição deve facilitar a integração com a Britvic e fortalecer a posição da Carlsberg no mercado de bebidas no Reino Unido.

Bob Pease deixará liderança da Brewers Association após 32 anos de serviços

A Brewers Association, a associação representativa dos pequenos e independentes cervejeiros artesanais dos Estados Unidos, anunciou a aposentadoria de seu presidente e CEO, Bob Pease. Após 32 anos de serviços dedicados à associação, Pease deixará o cargo no início de 2025, assim que seu sucessor for nomeado.

Bob Pease ingressou na Brewers Association em 1993 como gerente de atendimento ao cliente, ascendendo a diretor de operações. Foi promovido a vice-presidente em 1999, COO em 2010 e CEO em 2014. Durante seu mandato, ele reestruturou e solidificou a situação financeira da organização, transformando um cenário de dívida em mais de US$ 23 milhões em reservas.

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“Nas últimas três décadas, vi a Brewers Association crescer de uma pequena associação para uma potência em questões importantes enfrentadas pela indústria, tanto doméstica quanto internacionalmente. Durante meu tempo na liderança da Brewers Association, ajudamos nossos membros a navegar pelo crescimento explosivo e desafios sem precedentes. Representar esta comunidade icônica, suas marcas e as incríveis pessoas que incorporam a paixão em seu ofício tem sido uma honra absoluta”, disse Pease.

Em 2004, Pease estabeleceu o programa de desenvolvimento de exportações da associação, considerado decisivo para a revolução global da cerveja artesanal. Desde então, as exportações de cerveja artesanal dos EUA aumentaram de aproximadamente 16 mil barris para mais de 230 mil barris, com um crescimento de receita de US$ 3 milhões para mais de US$ 71 milhões.

Em 2007, Pease trabalhou com membros do Congresso dos Estados Unidos para criar o Small Brewers Caucus, grupo de legisladores que se reúne para apoiar e defender os interesses dos pequenos cervejeiros artesanais. Também participou da discussão que levou à redução de impostos federais aos cervejeiros artesanais por meio do Craft Beverage Modernization and Tax Reform Act (CBMTRA), promulgado em 2017 e tornado permanente em 2020.

“Embora me orgulhe de todas as nossas realizações, tenho especial orgulho do corte histórico do imposto sobre consumo que permitiu aos cervejeiros reinvestir em seus negócios, resultando em uma economia anual de mais de US$ 80 milhões”, afirmou Pease.

Em 2017, Pease e a equipe de relações públicas e marketing da associação lançaram o selo do cervejeiro artesanal independente. Até o momento, quase 5 mil cervejarias adotaram esta marca.

O conselho da Brewers Association contratou a Kittleman & Associates para liderar a busca pelo sucessor de Pease. “Após uma consideração cuidadosa, acredito que é hora de ajudar esta grande associação a transitar para uma nova liderança e para eu seguir novos empreendimentos”, refletiu Pease.

Produção de alcoólicas recua e acompanha ritmo da indústria nacional

A produção de bebidas alcoólicas recuou 1,2% no mês de maio, revelou o IBGE na mais recente edição da Pesquisa Industrial Mensal (PIM). A retração da atividade influenciou a fabricação de bebidas, que também caiu no quinto mês de 2024, acompanhando o ritmo da atividade industrial brasileira, com recuo tanto na comparação com maio de 2023 quanto com abril de 2024.

Apesar dessa queda, a produção de bebidas alcoólicas no Brasil apresenta crescimento de 2,4% em 2024. Além disso, há aumento de 1,5% no período de 12 meses iniciado em junho de 2023.

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A queda na fabricação de bebidas alcoólicas foi um dos principais fatores para a retração da produção de bebidas em maio, que caiu 0,6% em relação a maio de 2023 e 1,7% na comparação com abril de 2024, com ajuste sazonal. No entanto, a atividade tem expansão de 4,1% de janeiro a maio e de 2,4% nos últimos 12 meses.

Já a fabricação de bebidas não alcoólicas ficou estável em maio, de acordo com o IBGE, com alta de 6% em 2024 e de 3,4% nos 12 meses iniciados em junho de 2023.

A atividade industrial brasileira, por sua vez, caiu 0,9% em relação a abril de 2024 e 1% na comparação com maio de 2023. A produção industrial registra avanço de 2,5% em 2024 e de 1,3% nos últimos 12 meses.

Foi o segundo mês consecutivo de queda da atividade industrial brasileira, que opera 1,4% abaixo do patamar pré-pandemia, registrado em fevereiro de 2020, e 17,8% abaixo do maior nível da série, alcançado em maio de 2011.

Das 25 atividades acompanhadas pelo IBGE, 16 apresentaram queda em maio. As maiores influências negativas vieram dos setores de veículos automotores, reboques e carrocerias (-11,7%) e de produtos alimentícios (-4,0%), ambos afetados diretamente pelas chuvas no Rio Grande do Sul.

“Nesse mês, a indústria intensificou a queda que já tinha sido registrada no mês anterior, e um dos fatores que explicam esse resultado são as chuvas no Rio Grande do Sul, que tiveram um impacto local maior, mas também influenciaram o resultado negativo na indústria do país”, explica o gerente da pesquisa, André Macedo.

Artigo: A reforma tributária – urgente e justa

*Por Gilberto Tarantino

A reforma tributária sobre o consumo, cuja regulamentação vem sendo debatida no Congresso Nacional e em diferentes foros da sociedade civil, é assunto urgente. A expectativa é que o PLP 68/2023 seja pautado nos próximos dias pela mesa diretora da Câmara e resulte em uma reforma tributária justa, que corrija distorções, simplifique a apuração dos impostos e desonere investimentos. Digo que o tema é urgente pois já estamos atrasados.

No segmento que represento, o de cervejas artesanais, em que pese a abertura de novas fábricas ano após ano, temos assistido a uma desaceleração brutal. A quantidade de cervejarias cresceu 48% em 2016, 30% em 2018, 14,4% em 2020 e apenas 6,8% de 2022 para 2023. É fato que fomos muito impactados pela pandemia, mas, para 77% das cervejarias, a principal barreira são os tributos, conforme a pesquisa “Principais Desafios do Mercado Cervejeiro”, realizada pelo portal Guia da Cerveja.

Ainda assim, graças à paixão de muitos empreendedores, somos 1.847 fábricas no Brasil, sendo cerca de 1,8 mil pequenas e médias indústrias. Nós, pequenos produtores, representamos, porém, apenas 1,5% do volume nacional. Mas, por outro lado, estamos presentes em absolutamente todos os estados da federação. Uma em cada sete cidades tem ao menos uma cervejaria para chamar de sua.

Essa dispersão pelo território nacional, além de fomentar turismo, gastronomia e o setor de eventos, gera emprego e renda diretamente nas localidades onde as fábricas operam. A presença das cervejarias nas cidades amplia a capacidade de valorizar identidades e produtos regionais. Temos cerveja com mandacaru em Alagoas, com jambu no Pará, bergamota no Rio Grande do Sul e cajuzinho do cerrado em Goiás. Temos como parceira a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Mandioca, tubérculo símbolo do Brasil, que tem sido fonte de amido e até de microrganismos para fermentação. 

Também usamos madeiras locais para maturar cervejas como bálsamo, putumuju e castanheira, ou mesmo barris de carvalho por onde passaram outras bebidas, inclusive a cachaça, que, assim como a cerveja, é elemento fundamental de nossa identidade cultural.

Aliás, por falar em cachaça, as discussões sobre a regulamentação da reforma, que passam pela criação do Imposto Seletivo sobre produtos e serviços que podem causar danos à saúde ou ao meio-ambiente, criaram uma falsa dicotomia entre cachaça e cerveja.

Isso porque existe um entendimento da OMS e do próprio FMI de que o chamado Imposto do Pecado é mais eficiente para desestimular consumo e proteger a saúde quando a alíquota é proporcional ao teor alcoólico. E este é justamente um dos pleitos da Abracerva com relação ao PLP 68/2023.

Funciona assim em outros países que têm destilados e cervejas como bebidas símbolo, como é o caso da tequila no México, da vodca na Rússia e do bourbon nos Estados Unidos. Nos barris de carvalho americano deste último, inclusive, também se maturam excelentes cervejas.

Ou seja, cervejas e destilados são elementos que se conectam para compor a identidade cultural dos países, não o contrário. Inclusive por isso estamos lado a lado com as empresas familiares que produzem outras bebidas, como a própria cachaça, vinhos e licores, no sentido de isentar deste novo imposto as pequenas empresas, enquadradas no Simples Nacional. Ou que produzem até 5 milhões de litros por ano, volume que consta no estatuto da Abracerva.

Neste ponto, é fundamental compreender o impacto que a escala de produção tem na indústria cervejeira. E isso até mesmo as grandes empresas do nosso setor entendem. Por isso, aderiram a nosso pedido de isenção para quem produz em menor escala e vende seus produtos localmente.

Por fim, entendemos também que é preciso atenção ao risco da bitributação durante o período de transição dos sistemas tributários. Entre 2027 e 2033m os impostos irão coexistir, mas a carga tributária não pode ser elevada, sob o risco de muitas empresas não sobreviverem ou deixarem de investir e crescer, como já está acontecendo.


*Gilberto Tarantino é presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) e da Câmara Setorial da Cerveja do Ministério da Agricultura da Pecuária, além de sócio da Cervejaria Tarantino.

Grupo Heineken lança Sol Zero e amplia opções de cervejas sem álcool

O Grupo Heineken anunciou o lançamento da Sol Zero, a primeira versão sem álcool da cerveja Sol em 125 anos de história da marca. Produzida na cervejaria da companhia em Ponta Grossa (PR), a Sol Zero oferece, segundo divulgado, o sabor característico da Sol, mas com um perfil maltado mais pronunciado e enriquecida com vitaminas D e B (B3 e B6).

A novidade chega ao mercado brasileiro em meio a um cenário crescente de cervejas zero álcool, segmento liderado pela Heineken 0.0, lançada em 2020. “Sol Zero é uma bebida leve, refrescante e suave e, essa leveza convida o consumidor a aproveitar a energia positiva do sol a qualquer momento do dia”, afirma o presidente do Grupo Heineken no Brasil, Maurício Giamellaro, sobre a proposta da nova cerveja.

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O lançamento da Sol Zero reforça o portfólio da companhia e oferece mais uma opção para o segmento das cervejas, como destaca a vice-presidente de marketing do Grupo Heineken no Brasil, Cecilia Bottai.

“Desde o lançamento de Heineken 0.0 em 2020, o Grupo Heineken tem desenvolvido o portfólio de produtos destinados a um estilo de vida mais equilibrado, e concretizado um crescimento e credibilidade dentro da categoria. O mercado de cerveja zero já atingiu quase 1 bilhão de reais só neste ano e teve crescimento de duplo dígito de 2022 para 2023”, explica Bottai.

Segundo o Grupo Heineken, a Sol Zero promete uma experiência sensorial semelhante à versão regular, com baixo nível de amargor, acidez leve e notas de malte e lúpulo que conferem um sabor ligeiramente doce e frutado. O processo de fabricação envolve a desalcoolização a vácuo e em baixas temperaturas, preservando aromas e sabores originais.

A nova cerveja estará disponível em breve nos principais canais de varejo de São Paulo, Minas Gerais e Sul do Brasil, em long necks de 330ml. “Estamos comprometidos com a introdução de novos produtos para atender ao perfil do consumidor. E agora com Sol Zero seguimos fortalecendo a posição inovadora do Grupo Heineken, mostrando que é possível manter um estilo de vida equilibrado enquanto nos divertimos”, conclui Bottai.

Produção dos 40 principais grupos cervejeiros do mundo cai 2,2% em 2023

O mercado global cervejeiro registrou uma leve contração entre os principais fabricantes em 2023. O volume total de produção de cerveja dos 40 maiores grupos do mundo caiu 2,2%, totalizando aproximadamente 1,62 bilhão de hectolitros, segundo o ranking Top 40 Breweries, publicado no relatório BarthHaas Report Hops 2023/2024.

Os quatro principais grupos cervejeiros do mundo foram responsáveis pela fabricação de quase 1 bilhão de hectolitros no ano passado – 961,01 milhões de litros. Mas todos eles tiveram retração na produção de cerveja no ano passado.

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A queda foi de 2,3% para a AB InBev, para 505,9 milhões de hectolitros, de 5,6% para o Grupo Heineken, para 242,6 milhões de hectolitros, de 8,7% para a China Resources Snow Breweries, para 111,51 milhões de hectolitros, e de 1,4% para a Carlsberg, para 101 milhões de hectolitros.

Houve pouca movimentação no ranking dos 40 maiores grupos em volume de produção de cerveja no mundo em 2023. Uma nova entrada foi o grupo francês Financière ACP, que ocupa a 37ª posição, com a produção combinada da Brasserie St. Omer e Goudale. Este grupo substituiu a vietnamita Habeco, de Hanói, cuja produção diminuiu acentuadamente em um ambiente de mercado desafiador.

O Grupo Petrópolis é o representante brasileiro no ranking dos 40 maiores produtores de cerveja do mundo, na 14ª posição, com 21 milhões de hectolitros fabricados – a BarthHaas contabilizou 19 milhões de hectolitros em 2022.

As atividades de compra e venda em 2023 concentraram-se em cervejarias regionais. O grupo dinamarquês Royal Unibrew adquiriu uma cervejaria em San Giorgio di Nogaro, Itália, da Birra Castelo e a microcervejaria Nørrebro Bryghus na Dinamarca. A Carlsberg comprou a Waterloo Brewing Company no Canadá, e a Heineken adquiriu o Distell Group, da África do Sul e da Namíbia.

Como outro destaque do ano passado, o relatório cita que grupos cervejeiros retiraram-se do mercado russo de forma mais ou menos voluntária, seja por nacionalização forçada, como no caso da Baltika, da Carlsberg, ou por venda a preço simbólico, realizada pela operação da Heineken no país. Já a AB InBev vendeu sua participação na joint venture na Rússia para seu parceiro turco Efes.

Nos Estados Unidos, a AB InBev vendeu oito cervejarias artesanais, junto com todos os direitos das respectivas marcas, para a Tilray, uma empresa anteriormente focada em cannabis que agora está diversificando para bebidas alcoólicas.

O relatório também avalia que o interesse dos grandes cervejeiros no segmento artesanal diminuiu visivelmente, com vários deles se desfazendo ou fechando cervejarias adquiridas recentemente, voltando sua atenção para as marcas premium e de mercado de massa.

Confira a lista das 40 maiores cervejarias do mundo de acordo com o BarthHaas Report 2023/2024:

Ambev expande produção de Corona no Rio e lança garrafa de 600ml

A Ambev inaugurou uma nova linha de produção da cerveja Corona em sua fábrica Nova Rio, localizada em Campo Grande, no Rio de Janeiro. O investimento de R$ 61 milhões acontece às vésperas da Olimpíada de Paris, que começará no fim de julho e terá a Corona, ainda que em sua versão sem álcool, como cerveja oficial.

A capacidade de produção da nova linha é de 36 mil garrafas por hora, tanto da versão long neck convencional quanto da nova garrafa de 600ml. “A produção de Corona é especial e a sua garrafa é icônica, um símbolo da marca de cerveja premium que mais cresce no país e impulsiona o nosso portfólio. Além disso, esse investimento reforça a importância do estado do Rio de Janeiro para o nosso negócio, com a fábrica de Campo Grande recebendo a nossa primeira linha decoradora de Corona”, afirma o diretor da Cervejaria Nova Rio da Ambev, Joilson Conceição.

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O investimento também faz parte da estratégia da companhia de reforçar seu portfólio premium, que inclui marcas como Corona, Spaten, Stella Artois e Original, e que é o segmento de cervejas que mais cresce atualmente. Com a nova linha, a fábrica será capaz de produzir, decorar e envasar 80% das garrafas long neck de Corona consumidas no Brasil.

O crescimento das vendas da Corona tem sido expressivo. No primeiro trimestre de 2024, o volume de vendas da cerveja aumentou 70% em comparação com o iguak período do ano anterior. Além disso, Corona foi eleita a marca de cerveja mais valiosa do mundo em 2024, avaliada em US$ 19 bilhões pelos rankings BrandZ Kantar e Brand Finance.

Para oferecer mais opções ao consumidor, a Ambev também anunciou o lançamento da garrafa retornável de 600ml da Corona no Rio de Janeiro.. A nova embalagem já está disponível em pontos de venda selecionados na capital fluminense, juntamente com a nova lata de 473ml, que também pode ser encontrada em Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Espírito Santo.

Além das inovações nas embalagens, a Corona Cero, versão sem álcool da cerveja com adição de vitamina D, será lançada nacionalmente ainda este ano, sendo patrocinadora oficial dos Jogos Olímpicos de Paris.

A expansão da produção no Rio de Janeiro é parte de um investimento maior da Ambev no Brasil, que desde o ano passado vem destinando mais de R$ 1 bilhão para otimizar e aumentar a capacidade de produção de cervejas premium, refrigerantes e embalagens em diversas regiões do país, incluindo Maranhão, Bahia, Ceará, Pernambuco, Piauí, Goiás, Paraná e Rio de Janeiro.