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Mesmo na melhor Bolsa desde 2019, ação da Ambev cai pelo 4º ano seguido

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Apesar do melhor desempenho do Ibovespa desde 2019, a Ambev registrou em 2023 o quarto ano consecutivo de queda no preço da sua ação na B3, a bolsa de valores brasileira. O valor do papel da cervejaria chegou a R$ 13,73 na última sessão do último ano, o que representa queda de 5,44% em relação ao encerramento de 2022.

Desde 2019, quando a ação terminou cotada a R$ 18,67, a Ambev tem enfrentado quedas anuais. Em 2020, o preço encerrou em R$ 15,65, e em 2021, em R$ 15,42. Agora, observa-se uma redução de R$ 0,79 em comparação aos R$ 14,52 do último pregão de 2022.

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Esta nova queda anual ocorre apesar de um leve aumento no preço das ações da Ambev em dezembro, registrando um acréscimo de 0,29% em relação aos R$ 13,69 de novembro. Além disso, acontece em um ano de recuperações judiciais, tanto da Americanas, com quem compartilha alguns dos seus principais acionistas, o que provocou desconfianças em agentes do mercado financeiro, como do Grupo Petrópolis, sua concorrente no mercado cervejeiro do Brasil, o que poderia ajudá-la a conquistar ainda mais consumidores.

Além disso, 2023 foi marcado pelo acordo entre a Ambev e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para limitar seus contratos de exclusividade com bares. E apesar de um aumento de 6,4% no lucro líquido nos primeiros 9 meses em comparação com o mesmo período de 2022, houve queda de 1,5% no volume de bebida comercializada, o que causa dúvidas sobre possibilidade de expansão das vendas, embora a alta da rentabilidade satisfaça o mercado.

Ainda assim, o saldo foi negativo, principalmente quando comparado com o desempenho do Ibovespa, que saltou 22,28% em todo o ano, para 134.185,23 pontos, depois de uma alta de 5,38% em dezembro. Foi o melhor resultado anual do índice desde 2019, desempenho que se torna ainda mais notável, por fatores externos, como a tensão geopolítica, por confrontos na Ucrânia e no Oriente Médio, crescimento abaixo da média da economia chinesa e alta dos juros nos Estados Unidos.

O bom desempenho da economia brasileira no primeiro ano do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, aliado à perspectiva de queda contínua dos juros, parece ter influenciado positivamente o Ibovespa. Entre as 86 ações que compõem o índice, 58 tiveram alta em 2023, enquanto outras 28, incluindo a da Ambev, apresentaram queda.

Destacam-se três ações com alta superior a 100% no ano: Yduqs (123,19%), CSN Mineração (118,84%) e Ultrapar (114,66%). As maiores quedas foram observadas em Casas Bahia (81,03%), Pão de Açúcar (40,67%) e Minerva (38,88%).

Fora do Brasil
Em contraste com o cenário nacional, a ação da Ambev em Nova York apresentou um aumento de 2,94% em 2023, fechando a semana passada a US$ 2,80, em comparação com os US$ 2,72 do final de 2022 e os US$ 2,74 de novembro.

Este desempenho assemelha-se ao das principais empresas cervejeiras na Europa, com a AB Inbev encerrando o ano a 58,42 euros, um aumento anualizado de 3,82%, e o Grupo Heineken com uma valorização ainda maior, de 9,58%, atingindo o preço de 91,94 euros.

AB InBev deixa Rússia com repasse de participação em negócio para parceiro turco

Depois do Grupo Heineken e da Carlsberg, foi a vez de a AB InBev selar a sua saída da Rússia, em um movimento desencadeado pela guerra na Ucrânia, iniciada nos primeiros meses de 2022. Para isso, a maior cervejaria do mundo optou por transferir sua participação na joint-venture que atua no país para a Anadolu Efes, da Turquia.

A Anadolu Efes, que já fazia parte da joint-venture com a AB InBev, agora se tornará a única detentora do negócio. No acordo, a AB InBev não receberá pagamento inicial, com possíveis compensações condicionadas ao desempenho subsequente da companhia.

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A joint-venture entre AB InBev e Anadolu Efes foi avaliada entre US$ 1,1 bilhão e US$ 1,3 bilhão pela KPMG, em análise feita a pedido do grupo cervejeiro turco. A união, estabelecida em 2018 sob o nome AB InBev Efes, tinha como objetivo comercializar cervejas na Rússia e na Ucrânia.

Este anúncio reforça os fortes laços corporativos entre Rússia e Turquia, que, ao contrário de muitas nações ocidentais, optou por não participar do boicote a Moscou e tem continuado a realizar acordos comerciais por meio de suas empresas.

Desde 2022, a AB InBev expressava seu desejo de sair da Rússia, como resposta das empresas ocidentais à invasão do território da Ucrânia. Algumas companhias conseguiram se desfazer de suas operações durante esse boicote, enquanto outras tiveram seus ativos confiscados pelo governo russo.

A Carlsberg, por exemplo, anunciou inicialmente a venda de seus negócios na Rússia, mas o governo local, posteriormente, interveio, assumindo o controle da empresa. O Grupo Heineken optou por uma venda simbólica de seus ativos na Rússia por apenas 1 euro, transferindo-os para o Arnest Group, uma empresa local de cosméticos, utensílios domésticos e embalagens, estimando um prejuízo de 300 milhões de euros por sua retirada do país.

A AB InBev possui participação na Anadolu Efes, que lidera o mercado cervejeiro da Turquia, onde controla uma empresa que engarrafa produtos da Coca-Cola.  

Balcão da Fabiana: Balanço de um ano difícil e desejos de 2024 cervejeiro melhor

Balcão da Fabiana: Balanço de um ano difícil e desejos para um 2024 cervejeiro melhor

Chegamos ao final de mais um ano, que, acredito, não foi muito fácil para ninguém. Assim como vi lá atrás várias cervejarias nascerem, acompanhei, com tristeza, em 2023, algumas delas morrerem. Dizem que sonhos não envelhecem, mas o que não nos contam é que sonhos podem morrer tão logo sejam realizados.

Acredito que muitas cervejarias receberam neste ano a conta de 2020, em plena pandemia, quando empréstimos, demissões de funcionários, recesso das fábricas por tempo indeterminado foram as soluções possíveis. Maktub, era pra ser. Mas que é duro ser obrigado a desistir daquilo que foi um dia o sonho mais caro, ah, isso é!

Para as cervejarias que conseguiram atravessar todas as turbulências e superaram suas dificuldades neste ano que passou, dou meus parabéns. Talvez um maior profissionalismo na gestão de seus negócios, ou maior capacidade de produção em grande escala, ou a possibilidade de ceder sua capacidade produtiva para terceiros, entre outros fatores, tenham sido o segredo para mantê-las no mercado e, assim, manter vivos seus sonhos.

Para outras que ficaram, ainda que passando por muitas dificuldades, desejo que consigam superar as adversidades e saibam se reinventar nestes novos tempos que apresentam mudanças significativas nos hábitos de consumo do brasileiro, paradoxalmente interessado em outras bebidas – as muito alcoólicas ou as não alcoólicas.

E para o segmento cervejeiro como um todo, o que abrange não só cervejarias, mas toda a cadeia profissional em torno delas, desejo que as questões de gênero, etnia, classe social não sejam novamente jogadas para debaixo do tapete, como se não existissem. Desejo que as mulheres, gays e trans, gente preta, gente pobre tenham mais acesso não somente ao produto cerveja, mas a um mercado de trabalho em que possam existir e atuar sem medo de violência, de discriminação, de retaliações.

Podem dizer que sou sonhadora, mas eu sei que não sou a única… Quem sabe 2024 não traga boas surpresas e não seja mais necessário que ninguém mate seus sonhos, que nenhuma empresa precise fechar as portas, que a cerveja não caia em desuso e que o mercado cervejeiro, finalmente, seja equânime?


Fabiana Arreguy é jornalista e beer sommelière formada em 2010, pela primeira turma da Doemens no Brasil, através do Senac SP. Produz e apresenta, desde 2009, a coluna de rádio Pão e Cerveja, sendo editora de site com o mesmo nome e autora de livros. É curadora de conteúdo, consultora de cervejas especiais, proprietária da loja De Birra Armazém Cervejeiro, além de professora do Science of Beer Institute e do Senac MG, assim como juíza dos principais concursos cervejeiros brasileiros e internacionais.

Réveillon impulsionará faturamento de bares do litoral em até 40%

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A celebração do réveillon tem o potencial de impulsionar significativamente o faturamento de bares e restaurantes, especialmente nas cidades litorâneas do Brasil, que se tornam destinos preferenciais durante esse período festivo. Um levantamento realizado pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) revela que o aumento nas vendas pode atingir até 40%.

No Rio de Janeiro, conhecido pela sua tradicional festa de réveillon que lota a praia de Copacabana, a expectativa é que o faturamento dos bares cresça entre 30% e 40%, em comparação com uma quinzena comum.

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Essa tendência de alta nas vendas também se reflete em outras capitais litorâneas do Brasil. Em Salvador, espera-se um crescimento entre 10% a 15% em relação ao réveillon anterior, com um aumento de 30% nas receitas dos bares em comparação com uma semana típica.

Para Recife, a previsão é de uma expansão de 10% em relação ao mesmo período do ano anterior, com um crescimento de 15% comparado a uma semana comum. Já em Fortaleza, os bares devem manter um faturamento semelhante ao réveillon de 2022 para 2023, mas com um aumento de 20% em relação aos meses que antecedem o período festivo.

“O réveillon é uma data importante para o setor de bares e restaurantes, pois traz consigo uma expectativa de aumento significativo no faturamento, tanto na reta final do ano quanto após a virada. O período coincide com o verão e a época de férias, que tradicionalmente já traz maior movimento aos estabelecimentos em todo país, principalmente nas cidades litorâneas”, diz Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel.

Crescimento no fim do ano
A perspectiva de aumento no faturamento dos bares nas capitais litorâneas durante o réveillon alinha-se com as previsões de expansão do setor no final de 2023. A Abrasel estima um crescimento de 7% no faturamento do setor em comparação com o mesmo período de 2022.

Uma pesquisa conduzida pela associação também revelou que 56% dos bares esperam um faturamento maior em dezembro em comparação com outubro. Além disso, devido ao aumento da demanda, 35% dos estabelecimentos planejavam realizar contratações para esse período do ano.

11 lançamentos de cervejas realizados pelas artesanais em dezembro

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O final de ano, associado ao calor intenso que assola a maior parte do país, impulsionou ainda mais os lançamentos de cervejas artesanais em dezembro, muitos deles focados em apresentar novidades mais refrescantes ao consumidor.

A Ignorus, por exemplo, lançou uma Triplo Sour Ale para ajudar a amenizar as altas temperaturas. A Japas optou por uma criação refrescante destinado a quem não pode consumir glúten. A Way Beer, por sua vez, criou uma Saison que leva pêssego em sua composição.

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Confira esses e outros lançamentos de cervejas artesanais realizados em dezembro e selecionados pelo Guia:

3 Barcaças
O mais recente lançamento da marca baiana é uma cerveja terpenada. A novidade recebeu o nome de Lemon Skunk e apresenta a adição do blend de terpenos reconstruídos da cepa Lemon Skunk. Segundo a 3 Barcaças, isso proporciona notas cítricas de limão, pitanga e um sutil toque amadeirado. Esta Skunk Hazy IPA possui graduação alcoólica de 5,6%.

Croma Beer
A Croma aproveitou o período natalino para lançar cervejas no Ho Ho Ho Pack. O conjunto contém quatro Imperial Stouts com 12% de graduação alcoólica, sendo que três delas foram envelhecidas entre 12 e 24 meses em barris de Bourbon. São elas: a Flashing Lights Bba, com toques de amendoim e coco, a St. Nicholas Bba, com dulçor controlado e notas de toffee, baunilha e chocolate, e a Snow Balls Bba, para os amantes de sabores mais doces devido à adição generosa de coco e cacau. Por fim, a Nut Stars apresenta castanha de caju e cacau.

Ignorus
A Ignorus acaba de lançar a Tropical Thunder, uma cerveja que combina a refrescância de um Triplo Sour com a explosão de sabores de pitaya, framboesa e morango. Essa Triplo Sour Ale possui 9% de graduação alcoólica, proporcionando, segundo a marca, uma experiência sensorial com aromas intensos e notas frutadas.

Japas
A Japas concretizou o desejo de criar uma cerveja não apenas adequada para quem não pode consumir glúten, mas também uma opção suave, saborosa e refrescante para quem busca uma alternativa mais leve. A Onigiri, uma Pilsen de 4,2% de graduação alcoólica, atinge essa leveza especialmente pelo uso de arroz, que também inspirou o nome da cerveja.

Juan Caloto
A Juan Caloto apresentou, em dezembro, a La Célebre Disputa de Snake Falls, uma Double American IPA que destaca o aroma intenso de lúpulo com notas tropicais, cítricas e resinosas. Com coloração dourada, esta cerveja possui uma graduação alcoólica de 8,8%, oferecendo aromas e sabores marcantes de frutas cítricas e tropicais. Essa cerveja rendeu à Juan Caloto o prêmio de melhor IPA feita com lúpulos dos Estados Unidos, em premiação organizada pela USA Hops.

Laut Beer
A Laut Beer trouxe ao mercado, em dezembro, a nova De Leve!. É uma Light Lager, zero açúcar, zero carboidratos e baixa caloria. Esta cerveja leve e refrescante possui 4,4% de graduação alcoólica e 10 IBUs de amargor.

Salva
Para homenagear a trajetória de sucesso de 127 anos da Anchor, a mais antiga cervejaria artesanal dos Estados Unidos, que anunciou recentemente seu fechamento, a Salva lançou a Salva Common Beer. Essa cerveja é uma California Common clássica, apresentando aromas herbais, amadeirados e de caramelo. Com corpo médio e cor âmbar, possui um final seco e refrescante, com 5% de graduação alcoólica e 39 IBUs.

Way Beer
A Way Beer lançou, em dezembro, a Saison Pêssego, que utiliza pêssegos em calda para realçar o toque adocicado. Com baixo amargor e graduação alcoólica de 7,2%, esta cerveja é uma opção refrescante, produzida com ingredientes locais e apresenta intensas notas olfativas. A novidade foi apresentada no The Twelve Beers, conhecido evento cervejeiro realizado em Curitiba.

Marcel Telles doa participação de US$ 6,1 bilhões na AB Inbev ao filho

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Quarta pessoa brasileira mais rica, segundo levantamento da Forbes, Marcel Telles doou parte significativa do seu patrimônio a um dos seus filhos, repassando sua participação na AB InBev, o maior conglomerado cervejeiro do mundo, para Max Hermann Telles.

A participação de Marcel Telles na AB InBev correspondia a US$ 6,1 bilhões, segundo o Bloomberg Billionaires Index. Max, assim, vai assumir essa fatia do pai na companhia cervejeira, também o substituindo na entidade que controla esse investimento, segundo a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos. A doação foi realizada em 15 de dezembro. A AB InBev está avaliada, hoje, em US$ 112,1 bilhões.

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A participação de Marcel Telles, assim como de Jorge Paulo Lemann e Carlos Alberto Sicupira, na AB InBev se dá por meio da BRC, uma entidade com participação de 50% na Stichting AK Holanda. Esta, por sua vez, detém 33,47% do grupo cervejeiro.

Marcel Telles é um dos principais empresários brasileiros, especialmente por sua atuação na companhia de private equity 3G Capital junto a Lemann e Sicupira. Por meio dela, eles detêm participação em grandes empresas globais, como a própria AB InBev e a Kraft Heinz.

Antes mesmo da criação da 3G Capital, eles já deixavam sua marca no mercado cervejeiro, quando estavam no banco Garantia, liderando a aquisição da Brahma, em 1989, com Marcel Telles ficando à frente da sua operação. Foi o início de uma série de movimentações, sempre ganhando escala na indústria da cerveja.

A união da Brahma com a Antarctica em 1999 resultou na formação da Ambev. Posteriormente, em 2004, a InBev foi criada por meio da fusão com a Interbrew. A aquisição da Anheuser-Busch, em 2008, deu origem ao maior grupo cervejeiro do mundo, a AB InBev.

Segundo levantamento da Forbes, a fortuna de Marcel Telles está estimada em US$ 11,7 bilhões, situando-o como a 178ª pessoa mais rica do mundo. Anteriormente, Marcel já havia transferido sua participação em outra empresa, na imobiliária São Carlos Empreendimentos, para Max e a seu outro filho, Christian. Agora, porém, a doação se dá com a sua maior posição empresarial, acelerando o seu processo de planejamento sucessório.

Não é incomum que a prática ocorra em vida, pois assegura a definição antecipada da destinação dos bens por seus proprietários, além de permitir uma tributação menor em comparação com o que ocorreria em caso de herança.

Recentemente, o nome de Marcel Telles foi associado à crise da rede varejista Americanas, devido à descoberta de um escândalo contábil de R$ 25 bilhões. Ele é um dos principais acionistas da empresa, ao lado de Sicupira e Lemann. Como parte do acordo de recuperação judicial da empresa, eles comprometeram-se a realizar um aporte conjunto de R$ 12 bilhões.

Quem é Max Telles
Max é fruto de um casamento já encerrado de seu pai com Bianka van Hoegaerden. Segundo seu perfil no LinkedIn, ele é bacharel em artes e minor em economia. Sua última experiência profissional foi como analista financeiro na BTG Pactual Asset Management, função que exerceu de setembro de 2019 a abril de 2022, incluindo passagens pelos escritórios de Londres e Nova York. Max também participou do programa de trainee da AB InBev e realizou estágios no Credit Suisse e na Falconi Consultants.

Artigo: Helles liberada!

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*Por André Lopes

Em 28 de novembro, foi publicada a decisão judicial, proferida em segunda instância, que deu provimento ao recurso da Cervejaria Abadessa no “Caso Helles”, liberando o uso desse estilo pela cervejaria.

O desembargador relator do caso, Niwton Carpes da Silva, da 6ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, entendeu que ““Helles” se trata de expressão que não possui a originalidade necessária a ponto de se obrigar as demais empresas do ramo cervejeiro de abstenção do uso comercial, sendo cabível a mitigação da exclusividade do registro, o que também afasta de imediato afasta a pretensão indenizatória”.

A decisão foi unânime, e embora ainda caiba recurso, uma nova reviravolta é improvável.

A decisão judicial constitui um precedente importantíssimo para o mercado cervejeiro, já que possibilita o uso do estilo Helles sem qualquer temor de retaliação pela Cervejaria Fassbier, detentora da marca no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

Bem assim, a decisão também tem um importante efeito indireto dissuasório, no sentido de desencorajar que outras cervejarias tentem registrar estilos de cerveja como marca com o intuito de impedir concorrentes de usá-los.

ENTENDA O CASO
A cervejaria Fassbier, de Caxias do Sul, depositou o estilo de cerveja alemão “Helles” como marca nominativa no INPI em 2004. O registro da marca foi concedido à cervejaria em 2007 e renovado por mais 10 anos em 2017.

Em abril de 2019, a Fassbier enviou notificações extrajudiciais a algumas cervejarias do Rio Grande do Sul que produzem o estilo Helles, solicitando que cessassem o uso da “marca Helles” e indenizassem a cervejaria “proprietária” da marca pelo seu “uso indevido”.

No dia 10 de junho de 2019, a Fassbier ajuizou “ação para proibição de ato ilícito cumulada com reparação de danos” contra a cervejaria Abadessa, na qual a cervejaria de Caxias postulou a proibição da comercialização da cerveja com a “marca Helles”, além de indenização por danos materiais e morais.

Em primeira instância, a sentença julgou parcialmente procedente a ação de indenização, determinando que a Cervejaria Abadessa se abstivesse de produzir e comercializar produtos contendo a “marca Helles”, sob pena de multa de R$ 10 mil, bem como para condenar a Abadessa a indenizar materialmente a Fassbier.

Agora, em segunda instância, como dito acima, acabou sendo acolhido o recurso de apelação da Cervejaria Abadessa para julgar improcedente o pleito da Cervejaria Fassbier, em decisão muito bem fundamentada. Ainda cabe recurso às instâncias superiores (STJ e STF).

O processo é identificado pelo número 5000464-83.2019.8.21.0010.

André Lopes é sócio do escritório Lopes, Verdi & Távora Advogados, criador do Advogado Cervejeiro e colunista do Guia.

Tudo voltou a acontecer no turismo cervejeiro em 2023, celebra Rota RJ

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O ano de 2023 foi de retomada do turismo cervejeiro, após as turbulências causadas pela pandemia. Essa é a avaliação da Rota Cervejeira RJ, associação que busca fomentar a atividade na região da Serra Fluminense e realizou uma série de eventos presenciais, além de ter se unido aos produtores de lúpulo, que passaram a compor o grupo, ampliando o seu alcance. E viu um salto na qualidade da atividade, que foi tratada com mais profissionalismo pelas cervejarias.

“Foi o ano que tudo voltou a acontecer. Participamos de grandes e pequenos eventos de turismo e também cervejeiros. Aumentamos o número de associados e tivemos os primeiros produtores de lúpulo da região, fazendo parte também do nosso quadro de associados e com experiências turísticas”, celebra a coordenadora da Rota RJ, Ana Cláudia Pampillón.

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Acabou sendo, assim, um ano movimentado para a Rota RJ, com várias atividades, como a celebração do St. Patrick’s Day, que contou com uma corrida de rua e a participação de 15 cervejarias, assim como a continuidade de tradicionais iniciativas, caso da produção de uma cerveja colaborativa para o Mondial de La Bière Rio, que reuniu cerca de 20 associados.

Além disso, em 2023, a Rota RJ passou a ter também produtores de lúpulo brasileiro entre os seus associados, ampliando as alternativas para o turismo cervejeiro. “O turismo cervejeiro ficou mais maduro e profissional. As cervejarias investiram nos produtos turísticos a serem ofertados com mais profissionalismo”, diz a coordenadora da associação.

Esse cenário positivo também traz boas perspectivas para as cervejarias da Rota RJ, caso da Lumiarina, de Nova Friburgo, que revela ter investimentos programados para serem realizados ao longo de 2024, como detalha o seu sócio-proprietário, Luiz Enne.

“Com as otimizações implementadas em 2023, temos fôlego para novos investimentos em 2024. Estamos readequando a nossa área de degustação para ser um restaurante, teremos uma programação mais agressiva para maximizar a captação de público, esperamos participar de mais eventos e, por fim, testaremos o modelo híbrido com o crescimento de produção sendo feito como cigano”, diz.

Assim, para 2024, as expectativas são de continuidade da aceleração do ritmo de atividades e do impacto do turismo cervejeiro. “Tanto para o setor do turismo como para a associação, temos as melhores expectativas para o ano de 2024. Em janeiro, vamos nos reunir para traçarmos nosso planejamento estratégico para o ano de 2024, e acreditamos que voltaremos ao patamar pré-pandemia definitivamente”, conclui Ana Cláudia.

Consumo de alcoólicas nas casas representa mais de 40% do mercado

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O consumo de bebidas alcoólicas em casa, uma tendência que se fortaleceu durante os momentos mais críticos da pandemia, continua em alta. Essa informação é proveniente do estudo “Indicadores Setoriais Anuais”, conduzido em parceria pela Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe) e pela KPMG, o qual aponta que o consumo por canais off-trade, como supermercados, permanece acima de 40%.

De acordo com o estudo, o consumo por esses canais aumentou de 39% para 43% em 2021 e 2022, devendo atingir 44% ao final de 2023. A pesquisa também projeta um índice de 45% para o consumo de bebidas alcoólicas em casa para 2026.

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Na análise da presidente da Abrabe, Cristiane Foja, o estudo evidencia que o consumo residencial consolidou-se como um canal importante para as indústrias de bebidas alcoólicas, mesmo com o funcionamento normal de bares e restaurantes.

“Ninguém deixou de frequentar bares e restaurantes, isto foi praticamente retomado, mas o crescimento do comércio online e do hábito de celebrar em casa aparecem como elementos novos que explicam o aumento nas vendas em outros canais. O que mudou foi o valor que se dá às celebrações, aos momentos sociais de comemoração, afinal, bebida é complemento, acompanhando momentos de encontro e confraternização”, afirma.

O estudo da KPMG e da Abrabe também destacou o crescimento do mercado de bebidas alcoólicas, que vendeu 16,4 bilhões de litros em 2022, representando um aumento de 5,1% em comparação ao ano anterior. Além disso, o faturamento do setor de bebidas alcoólicas atingiu R$ 380 bilhões, um crescimento de 4,8% em relação a 2021.

Para 2023, a estimativa do estudo “Indicadores Setoriais Anuais” é que sejam vendidos 17,1 bilhões de litros de bebidas alcoólicas no Brasil.

Universo Abrabe
A Abrabe possui 36 associadas, incluindo marcas renomadas de bebidas alcoólicas, como Bacardi Campari, Diageo, Salton e Pernod Ricard, além de cervejarias como Ashby, Maniacs, Grupo Heineken e Estrella Galicia. O estudo revelou que, em conjunto, essas associadas registraram uma receita bruta de R$ 42,9 bilhões em 2022, com um volume de vendas de 4,7 bilhões de litros. Essas associadas representam 29% do mercado de bebidas alcoólicas no Brasil.

Balcão Xirê Cervejeiro: Uma conversa com Leandro Teixeira, da Brooklyn

Balcão Xirê Cervejeiro: Uma conversa com Leandro Teixeira, da Brooklyn, sobre diversidade

Olá, seguidores/as e leitores/as do Guia da Cerveja! Estou de volta ao Balcão Xirê Cervejeiro.

Sim, estou em débito com a coluna de novembro, e desde já, peço desculpas. Contudo, novembro é um mês muito caro para mim. As pautas raciais me atravessam e não tive forças para escrever sobre o tema.

Mas chegou dezembro, o mês das festas, do encerramento de ciclos e da abertura de novos. E é nessa toada que trago para vocês e para o mercado uma brilhante entrevista com Leandro Teixeira, que presenteia o mercado cervejeiro brasileiro. E não só isso. Deixo, ao final, uma sugestão de harmonização entre cerveja e uma deliciosa torta para brindar em suas festas.

Sobre a entrevista:

O mercado de cerveja brasileiro é exímio em “copiar” as tendências que vêm de fora, sobretudo quando se trata da escola estadunidense de cerveja. Isto posto, seguem algumas ações prospectadas e materializadas nos Estados Unidos da América do Norte e que podem ser replicadas, guardadas algumas especificidades das do mercado cervejeiro nacional.

Eis o que diz Leandro Teixeira, que trabalha na icônica cervejaria Brooklyn Brewery há alguns anos, sendo hoje gerente geral da degustação.

Quem é o Leandro e como se deu o seu percurso no universo da cerveja?
O Leandro, ou Leco para alguns amigos cervejeiros do Brasil, ou Leo, nos EUA, é uma pessoa apaixonada por aquilo que vive e acredita, e adora passar horas descompromissadas com a família e os amigos. A minha entrada no universo cervejeiro começa pela busca por cervejas mais robustas, com mais sabor, saindo do tradicional chopinho carioca, que amo muito, mas já era o normal. Seguindo o manual da maioria dos cervejeiros de primeira viagem, passei a consumir cervejas importadas belgas e alemãs. Porém, depois de uma viagem em 2010 para os EUA, o meu conceito sobre cerveja mudou totalmente. Não conseguia acreditar como poderiam existir tantas marcas de artesanais e importadas na bodega da esquina de um bairro popular de uma cidade americana. Provei muita coisa boa, as bombas de lúpulo das IPAs abriram um portal da minha vida. Voltando ao Brasil, decidi procurar mais por essas cervejas artesanais, além de me informar mais sobre o processo de produção. Um pouco antes de me mudar para Nova York, fiz um pequeno curso de produção caseira com o pessoal da Confraria do Marques no Rio de Janeiro, mas nunca consegui (por enquanto) fazer minha própria cerveja.

O que a cerveja artesanal significa para você?
Essa é uma boa pergunta, é até difícil de responder em 2023, mas a cerveja artesanal significa uma arte para mim, por tudo que ali está inserido. Desde o processo de criação e escolha do estilo, passando pelo surgimento do conceito por de trás da marca e dos rótulos, chegando até a comunicação com o público, seja cervejeiro ou não. Sem querer romantizar nada, mas não deixa de ser uma expressão humana, já que ali existem emoções, história e cultura, sem falar das pontes que são feitas com a sociedade.

Como você chegou à Brooklyn e como é o seu trabalho?

A minha história com a Brooklyn Brewery começa depois da minha primeira garrafa de Brooklyn Lager. Foi amor à primeira vista! Sempre foi minha cerveja favorita ainda quando morava no Brasil, e me tornei ainda mais fã depois de conhecer a história da sua criação. Quando me mudei para Nova York, visitava o bar constantemente, mas não imaginava que poderia trabalhar lá. Até que depois de anos trabalhando em diferentes empregos em Nova York, e querendo construir uma nova carreira, um amigo britânico, que representava marcas de cervejas inglesas, me disse: “Leo, você entende mais de cerveja do que eu, é apaixonado pelo assunto, e ainda está se perguntando por onde começar? Vai para indústria cervejeira!”.

Depois desse papo, e de passar uma noite em claro, decidi procurar empregos na área no dia seguinte. Depois de muitas tentativas e de não receber respostas, fui procurar empregos em que precisasse falar português, e a primeira vaga que apareceu para trabalhar foi na loja da Brooklyn Brewery. Eu não acreditei muito nas chances, mas era a oportunidade de entrar para a cervejaria que tanto admirava. Depois de um tempo na loja, virei bartender, tour guide, até chegar a gerente do bar. Hoje, sou general manager do tasting room, coordenando nosso time, supervisionando a loja da empresa, e recebendo convidados do mundo todo. A melhor parte é a interação com o público, sem dúvida.

Garrett Oliver é considerado um dos maiores cervejeiros do mundo. Como é trabalhar em uma cervejaria em que ele faz parte da história?
Eu digo que depois de quase 6 anos na empresa, ainda dá um frio na barriga toda vez que tenho a oportunidade de trabalhar junto com Garrett, simplesmente por ser uma sumidade. É um privilégio compartilhar do mesmo espaço em que ele desenvolve a sua criatividade e o quanto ele é representativo nessa indústria. Quando você imagina os próximos passos da indústria cervejeira e seus impactos na sociedade, ele já está agindo e planejando os próximos 5 anos. As suas histórias e referências são tão elevadas que muitas vezes tive que dar uma pesquisada depois encontrar com ele (risos).

Como você vê a luta contra o racismo no Brasil e nos Estados Unidos no mercado cervejeiro?
É muito difícil como homem branco, que não sofre o impacto direto do racismo, analisar todo o contexto. Porém, os últimos três ou quatro anos foram muito intensos nos dois países politicamente. O movimento Black Lives Matter trouxe uma voz importante dentro da indústria cervejeira nos EUA, inclusive com a criação da cerveja colaborativa “Black is Beautiful” que ajuda arrecadando fundos para a National Black Brewers Association, que dá suporte às cervejarias lideradas por negros. Ainda é um trabalho árduo, já que menos de 1% das cervejarias pertencem à afro-americanos. Eu vejo que por aqui o movimento negro consegue ser um pouco mais engajado por ter mais acesso a recursos e ferramentas, além de muitas cervejarias norte-americanas desenvolverem trabalhos com consciência social. No Brasil, ainda com todas as dificuldades financeiras e culturais, nós temos expoentes importantes que já estão fazendo a diferença no mercado cervejeiro. Admiro muito o trabalho da Cervejaria Implicantes.

Qual a sua mensagem ao mercado cervejeiro brasileiro sobre racialidade e diversidade?
Pensem além das IPAs, APAs, Sours etc. Enxerguem o potencial da sua marca e como contribuir para a sociedade. Eu gostaria muito de ver as cervejarias brasileiras abrindo mais espaço para minorias que, aliás, não são minorias, são parte importante da sociedade brasileira. Não sintam pena, deem oportunidade! O mais importante é integrar/incluir cada vez mais o público, é romper barreiras.

Para finalizar, poderia deixar uma dica de harmonização entre comida e cerveja?
Eu posso citar duas harmonizações. A primeira, claro, é uma boa Brooklyn Lager gelada com uma bela pizza margherita no estilo napolitano. A segunda, é uma bela St. Bernardus Abt 12 com uma seleção de queijos e embutidos. Porém a minha melhor experiência foi saboreando um sanduíche de rosbife com molho madeira com queijo derretido numa baguette.

Que essa incrível fala do Leandro possa chegar na alma, corações e ações do mercado cervejeiro brasileiro.


Agora, vamos à minha dica de harmonização para o seu Natal ou ano-novo…

Torta Velvet

Massa:
300 gramas de bolacha maisena
100 gramas de margarina derretida
6 gotas de corante vermelho comestível

Modo de fazer a massa:
Triture a bolacha no processador ou no liquidificador, coloque a manteiga e o corante. Incorpore. Leve ao forno por 6 minutos. Reserve.

Recheios:
1. Misture 200g de cream cheese, 200g de creme de leite e 200g de chocolate branco derretido. Coloque sobre a massa e leve à geladeira.
2. Faça uma geleia de morangos com limão siciliano.

Use uma caixa de morangos, suco de meio limão, 100 gramas de açúcar e 400ml de água. Deixe ferver até reduzir. Coloque sobre a torta.

Finalização:
Enfeite com frutas vermelhas

Aqui, como sugestão de harmonização, uma Red Flandres com muita cereja. Comprei com a Aline Smaniotto na The Beer Market, quando a visitei em Jundiaí (SP).

Beba com moderação!


Sara Araujo é graduada em Ciências Jurídicas pela Instituição Toledo de Ensino, em Bauru (SP). Atua na área de execução penal, sendo graduanda em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Maringá (PR), pós-graduanda em História da África e da Diáspora Atlântica pelo Instituto Pretos Novos do Rio de Janeiro, sommelière de cervejas pela ESCM/Doemens Akademie e criadora e gestora do @negracervejassommelier