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Coluna Profano Graal

Balcão do Profano Graal: Martyn Cornell e a sua caçada aos “mitos” na história da IPA

Redação Guia da Cerveja
Por Redação Guia da Cerveja
8 de agosto de 2021
Atualizado em: 9 de agosto de 2021
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    Balcão do Profano Graal: Martyn Cornell e a sua incansável caçada aos “mitos” na história da IPA


    Desde 2011, se comemora na primeira quinta-feira do mês de agosto o IPA Day. Um dia para homenagear esse estilo que nasceu na Inglaterra, se popularizou nos Estados Unidos e caiu nas graças dos consumidores do mundo inteiro. Você, certamente, já deve ter escutado a versão mais popular da história da criação das IPAs. Assim como as controvérsias em torno dela. Para quem ainda não ouviu, aí vai a versão resumida da história: 

    Durante o período de dominação colonial britânica da Índia (entre 1773 e 1947), os administradores coloniais e os militares que eram mandados para servir no país precisavam ser abastecidos de cerveja, que tinha de vir da Inglaterra, já que a bebida não era produzida por lá. Uma vez que as cervejas poderiam não resistir à viagem de navio da Inglaterra até a Índia, o cervejeiro e proprietário da Bow Brewery, de Londres, chamado George Hogdson, teria criado uma cerveja Pale Ale com uma carga extra de lúpulo para suportar a viagem. Essa nova cerveja fez muito sucesso entre os ingleses na Índia e passou a ser procurada também na Inglaterra, por aqueles soldados e administradores que voltavam da sua temporada no Oriente. Principalmente depois que um lote dessa cerveja que estava sendo levado para a Índia foi resgatado de um naufrágio na década de 1820 e leiloado para os habitantes locais na Inglaterra.   

    Mas, essa versão da história vem sendo contestada por pesquisadores. O mais aguerrido dos quais é, certamente, o jornalista inglês Martyn Cornell, pesquisador da história da cerveja na Inglaterra, que se debruça sobre o tema desde (pelo menos) 2008, lendo jornais e livros dos séculos XVIII e XIX, atrás de pistas sobre o surgimento do estilo e publicando o resultado das suas pesquisas no seu site Zythophile. Segundo suas pesquisas, desde o início do século XVIII, os ingleses já sabiam que cervejas mais alcoólicas e lupuladas resistiam melhor às longas viagens marítimas. O armazenamento em barris garantia a qualidade da cerveja por até mais de um ano, e tanto as Porter como as Pale Ale eram exportadas para as colônias inglesas com êxito. Dessa forma, não é possível atribuir a Hogdson a criação do estilo. Aliás, segundo Cornell, não há nenhuma evidência de que a IPA tenha sido “inventada”. Segundo ele, parece mais provável que o estilo tenha se desenvolvido lentamente a partir das Pale Ales existentes, e, eventualmente, por volta de 1830, tenha recebido um nome novo: East India Pale Ale.

    Aliás, ainda segundo as pesquisas de Cornell, a primeira aparição do termo East India Pale Ale na imprensa aconteceu em um jornal australiano. O Sydney Gazette and New South Wales Advertiser de 29 de agosto de 1829 publicou que a venda de Mr. Spark possuía cervejas da Taylor Walker e East India Pale Ale. Alguns meses após esse primeiro anúncio, em 19 de fevereiro de 1830, outro jornal australiano, o Colonial Times of Hobart, na Tasmânia, anunciava a venda da Taylor’s Brown Stout e East India Pale Ale. Sendo assim, até o momento, a primeira cerveja a ser nomeada de India Pale Ale é a de Taylor Walker. Antes disso, mas também por algum tempo depois, essa cerveja era conhecida como Pale Ale for India (Pale Ale preparada para a Índia) ou apenas Pale Ale, sem nenhuma distinção daquela produzida para o mercado inglês. Já na Inglaterra, a primeira menção à India Pale Ale aparece na edição de 30 de janeiro de 1835 do Liverpool Mercury. Cornell chama a atenção para o curioso fato de que a cerveja anunciada era justamente da Bow Brewery. Que, além do mais, fazia muito sucesso também na Austrália, como mostra um anúncio no Monitor, de Sidney: “outro jornal de Sydney, o Monitor, reclamou em abril de 1828 que a ‘cerveja colonial’ não era ‘tão boa quanto’ a Pale Ale de Hodgson, e anúncios em jornais australianos para a Pale Ale de Hodgson de, pelo menos, 1823 a chamavam de ‘celebrada’ E ‘altamente estimada’.”

    Ao longo do século XIX, além da Bow Brewery, várias outras cervejarias também enviavam cervejas para a Índia, mas essas cervejas eram vendidas sem identificação alguma. Hodgson teria sido o primeiro a começar a enviar garrafas identificadas com o nome da sua cervejaria. E, por isso, acabou se tornando o cervejeiro mais conhecido e ganhando a fama de inventor do estilo. Segundo Cornell, a vantagem de Hodgson era a de que a sua cervejaria estava localizada perto do porto de onde partiam os navios para o Oriente. Dessa forma, quando os capitães dos navios foram procurar cerveja para vender no Oriente, eles foram à cervejaria mais próxima. Além disso, Hodgson oferecia aos capitães um crédito estendido, de até 18 meses, para pagar a cerveja que compravam dele. Mas a cerveja que ele enviava não deveria ser diferente, pelo menos no início, de outras cervejas Pale Ales que eram fabricadas na época.

    Muito cedo, Hogdson começou a sofrer a concorrência das cervejarias de Burton-Uppon-Trent, como a Allsopp e a Bass, no mercado indiano. E acabou concentrando a sua venda na própria Inglaterra. Também por isso, não é de se admirar que o primeiro anúncio de India Pale Ale publicado na Inglaterra tenha sido justamente da Bow. A cervejaria de Hodgson, inclusive, entrou em crise quando foi construída a linha férrea entre Londres e Burton-Uppon-Trent, em 1839. Explica Cornell que os fabricantes de Burton já tinham um acesso relativamente fácil ao porto de Liverpool (de onde saía grande parte do transporte marítimo para o exterior) através de uma rede de canais mas, a partir de então, o frete entre Londres e Burton caiu de 3 libras a tonelada para 15 xelins, e o tempo que um barril de cerveja levava para viajar de Staffordshire para a capital caiu de uma semana para 12 horas. A partir da década seguinte, o estilo começa a se popularizar no Reino Unido, apesar de já estar à venda em Londres desde, pelo menos, 1822 (segundo anúncio no The Times de 11 de janeiro daquele ano, também citado por Cornell). Diz Cornell que a partir de abril de 1841, apareciam no The Times cinco ou seis pequenos anúncios diários de comerciantes vendendo “India Ale”, “Pale India Ale”, “Pale Export India Ale” e outras variações.

    E, por isso, o autor questiona também que o famoso naufrágio (que, segundo suas pesquisas, teria acontecido em 1839 e não na década de 1820) tenha sido responsável pela popularização do estilo, como conta a versão popular da história. Segundo Cornell, tanto a versão de que George Hodgson inventou o estilo, quanto a história da sua popularização no Reino Unido por meio do naufrágio nascem da mesma fonte: um livro chamado Burton-upon-Trent: sua história, suas águas e suas cervejarias, escrito por um certo Willian Molyneaux e publicado em 1869. Esse autor afirma que: 

    A origem da India Ale é por consentimento comum creditada a um cervejeiro londrino chamado Hodgson, que (…) descobriu o processo de fabricação de uma bebida peculiarmente adequada ao clima das Índias Orientais e que, sob o nome de ‘India Pale Ale’, monopolizou o comércio indiano de cerveja inglesa. (…) A cervejaria onde a Pale Ale foi produzida pela primeira vez, de acordo com a opinião popular, foi a Old Bow Brewery

    Willian Molyneaux, em Burton-upon-Trent: sua história, suas águas e suas cervejarias

    Perceba que as afirmações de Molyneaux não se baseiam em pesquisas, mas no “consentimento comum” e na “opinião popular”. Ou seja, como infelizmente ainda acontece muito quando o assunto é história da cerveja, o autor estava apenas reproduzindo afirmações que eram repetidas, como se diz popularmente, no “boca a boca”.

    Porém, ressalta Cornell que ele não tem a intenção de minimizar o papel de Hodgson na história da popularização da IPA. Como ele afirma: “não há dúvida de que a Pale Ale de Hodgson conquistou a maior parte do (comparativamente pequeno) mercado de cerveja indiano antes de 1820; que Hodgson era facilmente a cerveja com a melhor reputação no mercado indiano; e que a reputação da cervejaria Bow durou décadas, mesmo depois que as cervejarias rivais chegaram e começaram a tirar Hodgson do mercado com suas próprias Pale Ales.” 

    Dessa forma, se, por um lado, não se pode dizer que Hodgson foi o inventor do estilo, por outro, também não se pode negar que ele teve um importante papel na difusão do seu comércio tanto nas Índias Orientais, quanto no mercado britânico. Como sempre, a História, com todas as suas nuances e reviravoltas, é mais complexa do que qualquer esquematização que tente simplificá-la. Há muito mais nas pesquisas de Cornell. Ele discute como poderia ser a lupulatura de uma IPA de finais do século XVIII e início do XIX, quem deveriam ser os seus principais consumidores, a divisão do mercado nas colônias britânicas entre as diferentes cervejarias e o preço das IPAs no mercado indiano (quatro vezes mais caras do que em Londres, no final do século XVIII). 

    Cornell afirma ainda que, depois que questionou pela primeira vez a versão popular da história, ainda nos idos de 2008, recebeu uma onda de mensagens raivosas vindas, na sua maior parte, dos Estados Unidos. As pessoas estavam chateadas, diz ele, por ele estar destruindo uma de suas histórias preferidas. Infelizmente, é muito comum que as pessoas se apeguem às suas certezas, ainda que elas não estejam baseadas em nada mais do que crença popular. 


    REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

    CORNELL, Martyn. Myth 4: George Hodgson invented IPA to survive the long trip to India. Zythophile. 2008. Disponível em: https://zythophile.co.uk/false-ale-quotes/myth-4-george-hodgson-invented-ipa-to-survive-the-long-trip-to-india/

    CORNELL, Martyn. IPA: much later than you think. Zythophile. 19 de novembro de 2008. Disponível em: https://zythophile.co.uk/2008/11/19/ipa-much-later-than-you-think/

    CORNELL, Martyn. much later than you think part 2. Zythophile. 19 de novembro de 2008. Disponível em:  https://zythophile.co.uk/2008/11/19/ipa-much-later-than-you-think-part-2/

    CORNELL, Martyn. The first ever reference to IPA. Zythophile. 29 de março de 2010. Disponível em: https://zythophile.co.uk/2010/03/29/the-first-ever-reference-to-ipa/

    CORNELL, Martyn. Four IPA myths that need to be stamped out for #PADay. Zythophile. 04 de agosto de 2011. Disponível em: https://zythophile.co.uk/2011/08/04/four-ipa-myths-that-need-to-be-stamped-out-for-ipaday/

    CORNELL, Martyn. More IPA myths that must die on #IPADay. Zythophile. 02 de agosto de 2012. Disponível em: https://zythophile.co.uk/2012/08/02/more-ipa-myths-that-must-die-on-ipaday/

    CORNELL, Martyn. The earliest use of the term India Pale Ale was… in Australia?. Zythophile. 14 de maio de 2013. Zythophile. Disponível em: https://zythophile.co.uk/2013/05/14/the-earliest-use-of-the-term-india-pale-ale-was-in-australia/

    CORNELL, Martyn. The IPA shipwreck and the night of the big wind. Zythophile. 12 de outubro de 2015. Disponível em: https://zythophile.co.uk/2015/10/12/the-ipa-shipwreck-and-the-night-of-the-big-wind/


    Sérgio Barra é carioca, historiador, sommelier e administra o perfil Profano Graal no Instagram e no Facebook, onde debate a cerveja e a História

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