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No Dia da Pizza, conheça 7 combinações perfeitas com cerveja

Anualmente, em 10 de julho, milhares de pessoas comemoram o Dia da Pizza, um dos pratos mais democráticos do mundo. Além de ser prática, versátil e agradar a diferentes paladares, é também um símbolo de convívio social, fartura e festa. E há uma bebida que também é exatamente assim: a cerveja! Então, se há toda essa  afinidade de significados, que tal aproveitar a data para conhecer algumas ótimas combinações?

A arte e técnica de combinar sabores de comidas e bebidas é conhecida como harmonização. E se trata de ir além do mero acompanhamento. O objetivo aqui é fazer com que os sabores de ambos interajam entre si, transformando a combinação final.

E a cerveja, em específico, é uma bebida muito versátil para harmonizar. Ela tem uma ampla gama de aromas e sabores diferentes e combina virtualmente com tudo — basta escolher o estilo e rótulo certos para cada alimento. E não se engane: apesar do nome meio pomposo, não é algo só para jantares chiques. A harmonização pode ser feita tanto com o prato de um chef como com petiscos, churrasco, salgadinhos, doces, sorvete e até, claro, a pizza.

Dia da Pizza Internacional vs. Dia da Pizza no Brasil

Não existe um Dia da Pizza Internacional. Cada país segue um calendário diferente para comemorar a data. E os motivos são tão diversos quanto os próprios sabores dessa iguaria. 

Na Itália, a data é 17 de janeiro, Dia de Santo Antão (Sant’Antonio Abate), que é considerado o protetor dos padeiros e pizzaiolos. Nos Estados Unidos é 9 de fevereiro, mas não há um motivo claro. O mote existe desde os anos 2000, quando o prato virou febre por lá e foi explorado pelas pizzarias nessa data aparentemente aleatória. Essa é a data que também é mais associada a um suposto Dia Mundial da Pizza, erroneamente.

Já o Dia da Pizza no Brasil é 10 de julho. Ele é comemorado desde 1985, quando a data foi instituída por Caio Luiz de Carvalho, então secretário de Turismo da cidade de São Paulo — a capital brasileira da pizza. O dia escolhido foi o do encerramento de um concurso estadual que elegeu as melhores receitas de muçarela e Margherita. E o sucesso foi tanto que a comemoração virou tradição oficial.

A pizza no Brasil é um sucesso absoluto. O país ocupa a segunda posição no ranking mundial, atrás apenas dos Estados Unidos e à frente da Itália, onde a “redonda” nasceu. São mais de 160 mil pizzarias, segundo estimativa de 2024 da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) com base em dados da Receita Federal. Segundo outra estatística do Sebrae-SP, quase três em cada quatro pizzarias atendem exclusivamente por entregas ou retiradas. Já a plataforma iFood diz que, no mesmo ano, 103 milhões de pizzas foram entregues.

Mãos à massa!

Para comemorar a data, a reportagem do Guia da Cerveja elaborou sete combinações de sabores clássicos com diferentes cervejas. Todas elas já levam em consideração um certo dulçor e gordura a mais que estão presentes na base da maioria das receitas, da própria farinha, do molho de tomate e da muçarela.

Calabresa

A mais popular das pizzas no Brasil leva linguiça calabresa, criada em São Paulo em 1937 por imigrantes italianos com base num embutido da região da Calábria. Ela é feita com carne suína, utiliza pimenta calabresa e é curada, fazendo com que não precise de refrigeração. Tem um percentual alto de gordura, gosto salgado e picância característica. Em todo o Brasil é feita com muçarela, mas em São Paulo existem versões sem o queijo — só com a massa, molho de tomate e calabresa. 

Há sempre vários caminhos possíveis na harmonização. Um deles é com cervejas de sabores e aromas mais maltados, que enfatizam o sabor da carne. Nesse caso, uma American Brown Ale como a Dog Fight, da cervejaria Salvador (Caxias do Sul – RS), é uma boa opção. Ela traz notas tostadas e caramelizadas, que também suavizam a picância, além de um amargor um pouco mais acentuado e 5,5% de álcool para contrastar o excesso de gordura da pizza.

Uma outra abordagem interessante é enfatizar a picância com cervejas de amargor de lúpulo mais acentuado, como as American Pale Ale (APAs). A citricidade dos lúpulos norte-americanos, característica nesse estilo, também complementa o sabor do embutido. Experimente com a Leopoldina APA.

Frango com Catupiry

Trata-se da segunda versão mais popular de pizza do país. O sabor depende muito do tempero do frango, que costuma ser refogado e desfiado antes, e da untuosidade do queijo cremoso, que também aumenta o percentual de gordura. Uma cerveja Special Bitter, como a clássica inglesa Fuller’s London Pride, pode ser uma saída interessante. Ela vai ajudar a simular um grau de assado a mais, pelas notas tostadas do malte, e os sabores caramelizados se misturam com o amanteigado do Catupiry, criando aromas semelhantes a toffee. Além disso, tem amargor mais elevado para contrastar a gordura. Já as notas herbais do lúpulo também podem enfatizar o sabor de temperos verdes, comuns em refogados de frango.

Muçarela

A beleza da pizza muçarela está na sua simplicidade. Só massa, molho de tomate e queijo. Uma das formas de combinar é por semelhança com cervejas mais tradicionais, como as Pilsen (American Lager). Feitas à base de maltes claros, que trazem notas de panificação, elas enfatizam o sabor da massa assada enquanto a carbonatação e o álcool contrastam com o dulçor e a gordura da pizza. Uma mistura simples, mas perfeita, de forma que não se sabe onde começa uma e termina a outra.

Margherita

Além da base da pizza muçarela, a Margherita traz tomate, com sua acidez, e manjericão, que é muito aromático. Para valorizar esses ingredientes, cervejas condimentadas vão muito bem. Uma Witbier, cerveja de trigo de tradição belga que leva cascas de laranja e sementes de coentro na receita, como a Blue Moon, é uma ótima combinação. As notas cítricas e condimentadas da cerveja enfatizam o sabor do manjericão, enquanto a acidez do tomate contrasta com o leve dulçor da cerveja.

Portuguesa

A portuguesa tradicional leva muçarela, presunto, cebola, ovos cozidos, tomate, azeitonas e orégano. São sabores muito variados, fazendo da harmonização um desafio. Uma cerveja de trigo de tradição alemã, conhecida como Weizenbier ou Weissbier, faz um bom trabalho aqui. Ela contrasta a acidez acentuada dos ingredientes como cebola e tomate com leve dulçor maltado e também suaviza o toque sulfuroso dos ovos. Além disso, enfatiza o orégano e as notas frutadas da azeitona. Experimente com a cerveja alemã Paulaner Weissbier.

Pizza de milho com bacon

Pizzas com sabor à base de bacon, como a de milho com bacon, acabam sendo muito marcadas pelo sabor do embutido. São gordurosas, têm sal acentuado e são defumadas. E para quem gosta de bacon, vale a pena valorizá-lo. A receita mais fácil para isso é harmonizar com cervejas de maltes defumados, as Rauchbiers. Por serem semelhantes, elas enfatizam essas notas de fumaça. Experimente com a Bamberg Rauchbier, de Votorantim (SP).

Pizza de chocolate

Ela não poderia ficar de fora. Uma invenção brasileira, a pizza de chocolate é a sobremesa que não sai do tema principal. Para harmonizar cervejas , é preciso ficar atento ao tipo e à qualidade do chocolate. Quanto mais doces e gordurosos, mais torrados podem ser os maltes que trazem sabor às cervejas. E vice-versa.

Dessa forma, a Munich Dunkel Therezópolis Ebenholz seria uma boa combinação para o chocolate meio amargo. Ela valoriza o sabor do chocolate, equilibrando o dulçor da combinação. Já o chocolate ao leite ou trufado (com creme de leite) acompanha bem uma Porter, como a Louvada Porter (MT), que tem mais riqueza de torra.

Luís Celso Jr.
Luís Celso Jr.
É jornalista, escritor e sommelier de cervejas. Formado pela PUC-PR, se especializou em jornalismo digital e em gestão de Pequenas e Médias Empresas (FIA Business School). No ramo da cerveja, foi premiado no 1º Campeonato Brasileiro de Sommelier de Cervejas em 2014, defendo o Brasil no mundial em 2015. É professor do Instituto da Cerveja, juiz de concursos nacionais e internacionais (National BJCP), consultor e fundador do BarDoCelso.com — blog mais antigo de cerveja da internet brasileira que completa 20 anos em 2026. Premiado no Edital Fermenta!, é autor do livro “Uma viagem pela história da cerveja no Brasil” (no prelo).
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