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Espanha goleia Argentina por 4 a 1 na final da Copa do Mundo da Cerveja

A Copa do Mundo 2026 foi emocionante. Apesar da eliminação precoce da Seleção Brasileira, o torneio foi recheado de bons momentos e recordes que ficarão na memória do apreciador de futebol. Neste domingo (19), às 16 horas, acontece o confronto decisivo no estádio de Nova York e Nova Jersey, nos Estados Unidos. De um lado, a Argentina de Lionel Messi busca seu tetracampeonato na competição — o segundo título seguido. De outro, a Espanha, com um modelo de jogo coletivo e altamente estável, tenta o bicampeonato, repetindo o feito de 2010.

Mas e se a disputa fosse travada no campo da cerveja, quem ganharia? A resposta é uma goleada de 4 a 1 da Espanha.

A Copa do Mundo da Cerveja foi elaborada pelo Guia da Cerveja para comparar os países que se enfrentam no gramado por meio de seus mercados cervejeiros. Funciona como um “Super Trunfo”, que tem cinco critérios: tamanho do mercado, consumo per capita, preço, tradição cervejeira e variedade. A vitória é dada a quem marcar mais gols, ou seja, quem tiver maior nota em cada um dos quesitos. 

Veja como seria esse embate:

Tamanho do mercado

O primeiro gol espanhol acontece pelo tamanho do mercado. O volume de produção da Espanha é mais que o dobro do montante da Argentina, de acordo com os números mais recentes do Barth Haas Report. Os espanhóis fabricaram 4,13 bilhões de litros em 2024 contra 2,03 bilhões dos argentinos.

Não é muito se comparado ao tamanho brasileiro, com mais de 15 bilhões de litros segundo o Anuário da Cerveja 2026. Mas é o suficiente para os europeus baterem os “hermanos”. 

Consumo per capita

Aqui os espanhóis marcam um grande gol de placa, também dobrando o número dos argentinos. Enquanto o consumo per capita da Espanha chega a 91,8 litros por pessoa por ano, de acordo com números de 2024 do relatório Global Beer Consumption da Kirin Holdings 2025. Já a Argentina consome 42 litros por pessoa/ano.

O número espanhol é impressionante, superando até o Brasil, que, segundo o mesmo documento, tem 70,3 litros. Mas ainda assim não supera a República Checa, onde cada habitante consome impressionantes 148,8 litros/ano — essa seria a nota 10. Proporcionalmente, então, Espanha fica com nota 6,2 e Argentina, 2,8.

Preço

Uma jogada dividida, mas o país europeu ainda leva vantagem. Se convertidos para a mesma moeda, o dólar americano, os preços médios da cerveja na Espanha são mais baixos do que na Argentina. Enquanto os espanhóis desembolsam entre  1,20 e 1,45 dólares nos supermercados, os argentinos gastam de 1,80 a 2,10 dólares.

Já nos bares, os números ficam mais próximos, entre 3,25 e 3,50 na Espanha e entre 3,40 e 3,70 na Argentina.

Tradição cervejeira

Outra jogada disputada, mas que acaba a favor da Espanha. Apesar de nenhum dos dois países ser uma das grandes referências em tradição cervejeira no mundo, os europeus têm um envolvimento mais longo com nossa querida bebida.

A história da cerveja em território espanhol remonta a assentamentos ibéricos antigos, onde uma bebida primitiva de cereais fermentados chamada Caelia era consumida antes mesmo da ocupação romana. Com a chegada dos romanos, o vinho passou a reinar e a cerveja foi relegada ao segundo. Ela nunca sumiu de fato, mas ganhou novo impulso no século 16, a partir do momento em que o Imperador Carlos V (que também governava o Sacro Império Romano-Germânico) instalou uma pequena cervejaria no Mosteiro de Yuste com mestres-cervejeiros alemães. A industrialização veio no final do século 19 e começo do 20, com a fundação de algumas das principais cervejarias locais: Mahou (1890), Cruzcampo (1904) e Estrella Damm (1876). 

Já a Argentina teve bebidas dos povos originários da América do Sul antes mesmo da colonização espanhola, como o Brasil. Mas a cerveja, como a conhecemos, nos moldes europeus, acaba se desenvolvendo com a indústria moderna no século 19. Um dos marcos importantes ocorre em 1890, quando o imigrante alemão Otto Bemberg funda a cervejaria Quilmes nos arredores de Buenos Aires.

Variedade

O gol de honra dos argentinos surge no finalzinho do jogo no quesito variedade. Enquanto a Espanha teve um despertar tardio para o Renascimento da Cerveja Artesanal, a Argentina começou antes e tem um número maior de cervejarias no território, conferindo mais variedade ao mercado nacional.

Os espanhóis começam a ter cervejas artesanais próprias nos anos 2000. Regiões como a Catalunha lideraram esse movimento. Cervejarias pioneiras como a La Pirata e a Espiga começaram a produzir IPAs e Stouts. Em 2012 nasceu o Barcelona Beer Festival (BBF), tornando-se rapidamente um dos eventos de cerveja artesanal mais importantes da Europa. Hoje existem cerca de 500 cervejarias no país, responsáveis por 1,5% a 2% do volume de produção do país. 

Muitas cervejas misturam a cultura das tapas com a bebida. Microcervejarias começaram a produzir receitas pensadas especificamente para harmonizar com queijos curados, frutos do mar e embutidos. O uso de ingredientes locais — como cascas de laranja andaluza, uvas de vinhas locais para cervejas híbridas (grape ales) e até mesmo azeitonas — virou uma marca registrada da identidade artesanal espanhola.

Já a Argentina entra no movimento na década de 1990, principalmente na região de Mar del Plata. Em 1998, é fundada a Antares, uma das primeiras e principais artesanais do país. Hoje são aproximadamente 1 mil cervejarias — dada a regulamentação diferente do país, é difícil separar produções caseiras de industriais de maior escala. Estima-se que elas respondam por entre 2,5% e 3 % da produção nacional em volume.

Uma das marcas locais das cervejas vem do lúpulo da Patagônia, onde são cultivadas variedades de terroir próprio (como a Cascade argentina) e americanas.

Luís Celso Jr.
Luís Celso Jr.
É jornalista, escritor e sommelier de cervejas. Formado pela PUC-PR, se especializou em jornalismo digital e em gestão de Pequenas e Médias Empresas (FIA Business School). No ramo da cerveja, foi premiado no 1º Campeonato Brasileiro de Sommelier de Cervejas em 2014, defendo o Brasil no mundial em 2015. É professor do Instituto da Cerveja, juiz de concursos nacionais e internacionais (National BJCP), consultor e fundador do BarDoCelso.com — blog mais antigo de cerveja da internet brasileira que completa 20 anos em 2026. Premiado no Edital Fermenta!, é autor do livro “Uma viagem pela história da cerveja no Brasil” (no prelo).
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